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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Notícias da Islandia em setembro de 2012

Olafur Grimsson, presidente da Islândia: “ninguém morrerá de fome num país onde há mais ovelhas do que gente e mais canas de pesca do que telemóveis; não será encerrada nenhuma escola, nenhum infantário, nenhum hospital para pagar as aventuras e cowboiadas da banca e da bolsa”.

É verdade que na economia como na física, as leis são de aplicabilidade diferente em função da dimensão do sistema (a Islândia tem 320.000 habitantes), e que a Islândia é auto-suficiente em alimentação (ninguém estimulou o enfraquecimento da frota pesqueira) e em energia (as fontes hídricas e geo-térmicas não estão na mão de empresas fora do controle público), e que a preparação política do povo islandês é superior.
Mas também é verdade que a principal razão do atual crescimento económico da Islândia está na mudança de métodos de debate das questões públicas e de tomada de decisão e na subordinação do poder dos bancos ao interesse público.
Houve uma maior abertura à participação cívica.
Penso que em Portugal o que se poderia fazer era tentar através das assembleias de freguesia (mesmo as que o governo quer extinguir) reunir os pareceres dos cidadãos sobre as questões públicas, e sintetizados ao nível das câmaras em assembleias municipais sob supervisão de cidadãos inscritos livremente, com obrigatoriedade de registo de todas as participações e com carater vinculativo para cumprimento pelos orgãos politicos.
Fora do controle partidário, claro, como na Islandia.

Como quem manda não deixa fazer-se assim, resta-nos ler livros como A sabedoria das multidões de James Surowiecki, Portugal, dívida pública e défice democrático de Paulo Trigo Pereira, e Revolução sem líder de Carne Ross, onde se descreve o método.
Nunca inventei nada, mas sempre gostei de tentar compreender o que outros descobriram; coisa que muitos não podem dizer.
A democracia precisa de adotar as conquistas das ciencias de gestão considerando os cidadãos como acionistas segundo a regra: uma voz, uma ação, um voto.

Mais informação sobre a Islândia em:
http://forum.antinovaordemmundial.com/Topico-isl%C3%A2ndia-triplicar%C3%A1-seu-crescimento-em-2012-ap%C3%B3s-a-pris%C3%A3o-de-pol%C3%ADticos-e-banqueiros


sexta-feira, 11 de maio de 2012

Micro ensaio sobre a dicotomia consenso-cotejamento

Amavel comentador repreendeu-me por neste blogue, a propósito da poesia de Sofia de Melo Breyner,  eu dar alguma importancia  ao confronto esquerda-direita.

Não queria dar muita importancia.
Não sou adepto do mazdeismo do segundo milénio antes de Cristo, com a sua criação do inferno e do paraíso.
Mas não posso ignorar a dialética que se sobrepõe à evolução tecnológica.
E posso dar mais importancia a outros métodos, conforme tenho referido a propósito da Sabedoria das Multidões e da Revolução sem lider.
Também posso deixar-me iludir, nem que seja por um breve instante, com a expressão maravilhosa que o presidente do PASOK, terceira força mais votada, encontrou para o seu objetivo de formar governo: um governo "ecuménico".
"Ecuménico", palavra grega, é isso mesmo, etimologicamente, "aberto para o mundo inteiro", sendo aqui o mundo inteiro uma nação que precisa  de recordar que é o berço da cultura ocidental.
Recordar até o episódio em que a ganancia de Atenas pelo tesouro de Dilos rebentou com a confederação grega.
Aberto também aos criminosos de braço estendido?
Se isso salvar a nação sem violencia, onde está o mal?
Posso sentar-me ao lado de um pitbull se ele estiver açaimado e controlado, não?

Mas deixem-me apresentar o micro ensaio sobre a dicotomia esquerda-direita ,ou a dicotomia consenso-cotejamento.
Os jornais enchem-se com apelos dos políticos ao "consenso", não é?
Infelizmente "consenso" significa sempre a submissão, a troco de uma ilusão, de uma ideia a outra, em vez de se cotejarem as ideias, se fazerem as contas e se retirar de cada uma das ideias o que pode contribuir para a melhoria comum.
É fácil de demonstrar que o cotejamento tem vantagens.
Repare-se em dois grupos de jovens, um de rapazes e outro de raparigas, a chegar a uma esplanada com lugares vagos.
O grupo de rapazes busca imediatamente um consenso que não é mais do que a subordinação das vontades pacíficas da maioria de rapazes que reconhece a um deles a liderança para a escolha. Sentarem-se onde o "lider" propôs, poupa à maioria energia para se concentrar em assuntos mais importantes, como fazer propostas de ocupação de tempo do grupo, e analisar as vantagens e inconvenientes de cada proposta; possivelmente para o lider decidir depois, uma vez que não tem tempo para congeminar os pormenores de cada proposta.
O grupo de raparigas leva mais tempo a sentar-se, mas é um encanto vê-las; cada uma delas volta-se para cada uma das outras a interrogar "ficamos aqui?" enquanto percorrem toda a esplanada; estão a cotejar hipóteses (segundo o método científico no seu melhor) até que se sentam em animada conversa coletiva; está ali um grupo a pulsar em conjunto sintonizado, embora cada uma delas possa estar a dizer coisas diferentes umas das outras. Isto é, a decisão sobre o local de poiso  foi tomada após múltiplas trocas de opinião, e já estão a utilizar o mesmo método para a discussão sobre como vão ocupar o tempo.
Feitas as contas, cada tomada de decisão leva mais tempo, mas o conjunto de tomadas de decisão levou menos tempo e envolveu todas ou quase todas, o que melhora a coesão do grupo e a dedicação de cada uma no grupo.
Por outro lado, os resultados do PISA mostram com clareza que as raparigas ficam mais bem colocadas nos tetes de compreensão e interpretação de dados.
Não admira portanto que internacionalmente, por se seguir o método do "consenso", os resultados estejam tão mal.
Posto isto, ainda há duvidas que os grandes decisores têm de reconhecer que têm seguido caminhos errados até aqui?
Vá lá, governos ecuménicos, precisam-se.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Ruinas de Lisboa - o parque Mayer


decoração do que resta das paredes do teatro ABC


mais decoração no ABC


teatro ABC


mesmo ao lado do cinema S.Jorge, a caminho do parque Mayer
Uma pequena reflexão sobre o parque Mayer.
O parque deve o nome a Adolfo de Lima Mayer, sogro de Jorge de Melo (o antigo) e bisavô pelo lado paterno de Cristina de Melo, esposa de Antonio Champalimaud e neta de Alfredo da Silva, o dos bancos resgatados por decreto de Salazar aquando da crise internacional de 1929 (que, como se sabe, foi provocada pelos excessos dos portugueses) e fornecedor de barcos para o transporte dos revoltosos de Francisco Franco no inicio da guerra civil espanhola.
Recentemente um tribunal deu por inválida a permuta entre a câmara municipal de Lisboa e uma empresa imobiliária.
A câmara perderá assim a posse do parque Mayer.
Há uma hipótese de expropriação, mas não está, que eu saiba, ainda decidida.
A decisão de efetuar a permuta foi, a seu devido tempo, tomada de forma formalmente democrática na câmara.
Apenas um partido, com representação minoritária, votou contra, embora a opinião pública atribua a outro partido essa votação.
Posteriormente ficou amplamente provado que a permuta não era legítima (os preços unitários do terreno de Entrecampos, da antiga feira popular, pertença da câmara, foram minimizados, e os preços do parque Mayer, pertença da sociedade imobiliária, foram maximizados).
Estamos portanto perante um exemplo de claro erro da maioria e de como a democracia não dispõe, pelo menos por enquanto, de meios que a protejam da ganancia e da sofreguidão de alguns  empresários.
Aparentemente, seriam suficientes dois meios:
- o método seguido pelas empresas de produção, de incluir no seu organigrama orgãos especificamente de qualidade e de controle da conformidade de processos; estes e os orgãos restantes da empresa funcionam em regime de controle mútuo;
- o envolvimento de cidadãos e cidadãs, até ao nível de maior proximidade, no debate das propostas e disseminação dos resultados, segundo mecanismos de democracia direta, com a participação dos partidos mas sem a subordinação formal aos partidos (bibliografia que se propõe: A sabedoria das multidões, de James Surowiecky, ed. Lua de papel;  A revolução sem lider, de Carne Ross, ed. Bertrand)
 


não é só deformação da lente; as gaiolas de vidro modernistas estão mesmo tortas


Reconheça-se que a execução do segundo ponto deste programa é difícil, mas o aproveitamento do trabalho já realizado ao nível das freguessias e o seu reforço poderia ser um caminho a seguir (evidentemente em sentido contrário ao da fúria dos cortes cegos e extinção de freguesias e à triste ideia de acabar com o método proporcional nas representações partidárias) .

teatro Variedades

  
 Já começaram as obras no parque Mayer, pelo menos no teatro Capitólio, mas o tempo vai passando e as ruinas vão continuando.


teatro Capitólio

As paredes do teatro Variedades estão pintadas com reproduções de cartazes de espetáculos. Alguns eram lindissimos






cartaz de Almada Negreiros
Soleil de nuit, decor de Larionov - Ballets russes, 1913
uma bela doceira de Odivelas, a competir com as lavadeiras
uma bela artista desconhecida
digna de Josephine Baker

teatro Capitólio

obras do Capitólio

azulejos no guarda roupa Paiva


decoração mural junto do guarda roupa Paiva

guarda roupa Paiva; inutil tentar alugar um fraque, fechou