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segunda-feira, 12 de janeiro de 2015
Wounds of Waziristan, as feridas do Waziristan
Surpreendo-me com uma entrevista na Antena 2 ao músico André Barros.
Compôs a música para o documentário Wounds of Waziristan, da paquistanesa Madiha Tahir.
O Waziristan fica na fronteira com o Afeganistão e é considerado zona de tribos.
Em 1919 os aviões ingleses bombardeavam-no sistematicamente com a justificação de que não havia lei no território.
Hoje são os drones americnos que matam talibans mas também civis inocentes.
Se recuarmos no tempo, Eça de Queiroz denunciou a imoralidade da intervenção inglesa no Afeganistão.
Nos tempos que correm, continuam as desculpas para a intervenção dos USA, ficando por cumprir as promessas de Obama na sua primeira campanha eleitoral.
Penso que é o que podemos fazer, divulgar a outra face, oposta à versão oficial, e que, apesar de tudo, ainda vai sendo possível.
Não convencerá os nossos comentadores fazedores de opinião (como gostam que pensem como eles e que quem não pense assim que se sinta marginalizado), nem os irados comentadores de caixas de comentários contra o "Estado social". E muito menos, claro, as entidades governamentais tão seguras das suas convicções geo-estratégicas.
Mas é da natureza humana, da sua curiosidade pelas coisas, como dizia Eça, procurar saber o mais possível sobre os fenómenos, e interessar-se, neste caso, como parte do mundo ocidental que somos, pelas motivações e pelos efeitos da política internacional de paises como os USA, o UK, a Arabia Saudita, etc.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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quarta-feira, 3 de setembro de 2014
No, Mr Cameron, no Mr Hammond
No, I think not, Mr Cameron, that the best response to the violence of fanatics who call themselves Islamists is not the force of arms.
Is a legitimate answer, but do not think that is the best.
And do not call them jihadists.
Do not offend sincere believers of the religion of Islam, peace.
These days, different time of the military chief who accumulated the functions of prophet, jihad is the inner struggle for improvement.
The Koran says that no one but Allah has the right to take life to anybody, and the ink of the wise is worth more than the blood of the martyr.
I think therein lies the best answer, information and religious discussion.
Publicly denounce the bigotry and ignorance.
But Mr Hammond, I think you will agree that there are already studies and enough collection and processing of data that relate (more than correlate) the economic conditions of parents and success, academic failure and social inequalities, unemployment and vandalism (regardless of repression police).
So do not say that fanatics born in England who joined the violence in the Middle East countries betrayed the values of England.
No, they are the values of the policy of Thatcher, who ignored, to reduce public spending and to benefit the business of education, the education of extensive layers of young people, leaving them to corruption (corruption means weakness) stimulated by fanatical Muslim clerics .
I suggest you read Eca de Queiroz, Portuguese writer of the late nineteenth century.
There should be an English edition of the Letters of England.
Read his columns on the infamy of the bombardment of Alexandria and about the war in Afghanistan under British occupation.
Transcribe the comment to the rebellion of Alexandria: "The Crescent has not been so devastated that consents to be systematically beaten by the cross."
Also Worry about who sold weapons, ammunition and armed fanatics to vans.
Follow the market work, understand that it can not be left free when harm third parties. As economists say, when they generate externalities.
Not the arms deal.
Would be a better answer.
Não, penso que não, Mr Cameron, que a melhor resposta à violencia dos fanáticos que se dizem islâmicos não é a força das armas.
Será uma resposta legítima, mas não penso que seja a melhor.
E não lhes chame jihadistas.
Não ofenda os crentes sinceros da religião do Islão, da paz.
Nos tempos que correm, diferentes do tempo do chefe militar que acumulou as funções de profeta, a Jihad é a luta interior pelo aperfeiçoamento.
O Corão diz que ninguém, só Alá, tem o direito de tirar a vida seja a quem for, e que a tinta do sábio vale mais do que o sangue do mártir.
Penso que é aí que reside a melhor resposta, na informação e na discussão religiosa.
Denunciar publicamente o fanatismo e a ignorancia.
Mas Mr Hammond, penso que concordará que já existem estudos de recolha e tratamento de dados que relacionam (mais do que correlacionam) as condições económicas dos pais e o sucesso, as desigualdades sociais e insucesso escolar, o desemprego e o vandalismo (independentemente da repressão policial).
Por isso não diga que os fanáticos nascidos em Inglaterra que aderiram à violencia nos paises do médio oriente trairam os valores da Inglaterra.
Não, eles são os valores da politica da Thatcher, que ignorou, para reduzir as despesas públicas e para beneficiar os empresários da educação, a educaçao de extensas camadas de jovens, abandonando-os à corrupção (corrupção significa fraqueza) estimulada pelos clérigos muçulmanos fanáticos.
Sugiro que leiam Eça de Queirós, escritor português do fim do século XIX.
Deve haver uma edição inglesa das Cartas de Inglaterra.
Leiam as suas crónicas sobre a infamia do bombardeamento de Alexandria e sobre a guerra no Afeganistão sob ocupação britânica.
Transcrevo o comentário à rebelião de Alexandria: "o crescente ainda não anda tão de rastos que consinta em ser sistematicamente espancado pela cruz".
Preocupem-se também com quem vendeu armas, munições e carrinhas armadas aos fanáticos.
Sigam o mercado a funcionar, entendam que ele não pode ser deixado livre quando prejudica terceiros. Como dizem os economistas, quando geram externalidades.
Não ao negócio das armas.
Seria uma resposta melhor.
Is a legitimate answer, but do not think that is the best.
And do not call them jihadists.
Do not offend sincere believers of the religion of Islam, peace.
These days, different time of the military chief who accumulated the functions of prophet, jihad is the inner struggle for improvement.
The Koran says that no one but Allah has the right to take life to anybody, and the ink of the wise is worth more than the blood of the martyr.
I think therein lies the best answer, information and religious discussion.
Publicly denounce the bigotry and ignorance.
But Mr Hammond, I think you will agree that there are already studies and enough collection and processing of data that relate (more than correlate) the economic conditions of parents and success, academic failure and social inequalities, unemployment and vandalism (regardless of repression police).
So do not say that fanatics born in England who joined the violence in the Middle East countries betrayed the values of England.
No, they are the values of the policy of Thatcher, who ignored, to reduce public spending and to benefit the business of education, the education of extensive layers of young people, leaving them to corruption (corruption means weakness) stimulated by fanatical Muslim clerics .
I suggest you read Eca de Queiroz, Portuguese writer of the late nineteenth century.
There should be an English edition of the Letters of England.
Read his columns on the infamy of the bombardment of Alexandria and about the war in Afghanistan under British occupation.
Transcribe the comment to the rebellion of Alexandria: "The Crescent has not been so devastated that consents to be systematically beaten by the cross."
Also Worry about who sold weapons, ammunition and armed fanatics to vans.
Follow the market work, understand that it can not be left free when harm third parties. As economists say, when they generate externalities.
Not the arms deal.
Would be a better answer.
Não, penso que não, Mr Cameron, que a melhor resposta à violencia dos fanáticos que se dizem islâmicos não é a força das armas.
Será uma resposta legítima, mas não penso que seja a melhor.
E não lhes chame jihadistas.
Não ofenda os crentes sinceros da religião do Islão, da paz.
Nos tempos que correm, diferentes do tempo do chefe militar que acumulou as funções de profeta, a Jihad é a luta interior pelo aperfeiçoamento.
O Corão diz que ninguém, só Alá, tem o direito de tirar a vida seja a quem for, e que a tinta do sábio vale mais do que o sangue do mártir.
Penso que é aí que reside a melhor resposta, na informação e na discussão religiosa.
Denunciar publicamente o fanatismo e a ignorancia.
Mas Mr Hammond, penso que concordará que já existem estudos de recolha e tratamento de dados que relacionam (mais do que correlacionam) as condições económicas dos pais e o sucesso, as desigualdades sociais e insucesso escolar, o desemprego e o vandalismo (independentemente da repressão policial).
Por isso não diga que os fanáticos nascidos em Inglaterra que aderiram à violencia nos paises do médio oriente trairam os valores da Inglaterra.
Não, eles são os valores da politica da Thatcher, que ignorou, para reduzir as despesas públicas e para beneficiar os empresários da educação, a educaçao de extensas camadas de jovens, abandonando-os à corrupção (corrupção significa fraqueza) estimulada pelos clérigos muçulmanos fanáticos.
Sugiro que leiam Eça de Queirós, escritor português do fim do século XIX.
Deve haver uma edição inglesa das Cartas de Inglaterra.
Leiam as suas crónicas sobre a infamia do bombardeamento de Alexandria e sobre a guerra no Afeganistão sob ocupação britânica.
Transcrevo o comentário à rebelião de Alexandria: "o crescente ainda não anda tão de rastos que consinta em ser sistematicamente espancado pela cruz".
Preocupem-se também com quem vendeu armas, munições e carrinhas armadas aos fanáticos.
Sigam o mercado a funcionar, entendam que ele não pode ser deixado livre quando prejudica terceiros. Como dizem os economistas, quando geram externalidades.
Não ao negócio das armas.
Seria uma resposta melhor.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Afeganistão, 29 de outubro de 2011
Julgo que nenhum dos soldados americanos que morreram no Afeganistão foi mobilizado compulsivamente, como acontecia nas guerras da Argélia e das colónias portugesas.
Mas ainda assim me parece justificado recordar Boris Vian e a sua canção "O desertor", no dia seguinte à morte de mais 13 soldados americanos no Afeganistão.
Morreram no Afeganistão 378 soldados americanos de Janeiro a 29 de outubro de 2011. Tinham morrido 499 em 2010. O contingente americano é de 100.000 soldados.
É necessário mudar a mentalidade dos senhores da guerra.
Esperava-se isso do presidente Obama, que combatesse a geração de violencia pela própria violencia e que contribuisse para a alteração do mandato para a guerra das Nações Unidas.
Em Inglaterra, o governo continua a desculpar-se com a impreparação do governo afegão para manter a sua presença.
Há porém movimentos pela paz em Inglaterra, como se pode ver pelo video seguinte, de que retirei estes números, relativos ao período de 2001 a 2011, com especial agravamento nos ultimos anos:
- custo da guerra para os ingleses: 29.000 milhões de euros
- soldados ingleses mortos: 380
- civis mortos pelas forças de intervenção e governamentais: 9.300
- civis mortos pelas forças afegãs anti-governamentais: 5.500
- civis mortos de fome, doença e miséria: 25.000
Nota: dado que a língua portuguesa suscita frequentemente erros de interpretação, provavelmente pela sua própria natureza, devo dizer que não tenho simpatia nenhuma pelas forças afegãs anti-governamentais, vulgo talibans, que praticam o oposto da democracia; mas sinto-me obrigado a defender a ideia de não violencia de Gandhi.
Mas ainda assim me parece justificado recordar Boris Vian e a sua canção "O desertor", no dia seguinte à morte de mais 13 soldados americanos no Afeganistão.
Morreram no Afeganistão 378 soldados americanos de Janeiro a 29 de outubro de 2011. Tinham morrido 499 em 2010. O contingente americano é de 100.000 soldados.
É necessário mudar a mentalidade dos senhores da guerra.
Esperava-se isso do presidente Obama, que combatesse a geração de violencia pela própria violencia e que contribuisse para a alteração do mandato para a guerra das Nações Unidas.
Em Inglaterra, o governo continua a desculpar-se com a impreparação do governo afegão para manter a sua presença.
Há porém movimentos pela paz em Inglaterra, como se pode ver pelo video seguinte, de que retirei estes números, relativos ao período de 2001 a 2011, com especial agravamento nos ultimos anos:
- custo da guerra para os ingleses: 29.000 milhões de euros
- soldados ingleses mortos: 380
- civis mortos pelas forças de intervenção e governamentais: 9.300
- civis mortos pelas forças afegãs anti-governamentais: 5.500
- civis mortos de fome, doença e miséria: 25.000
Nota: dado que a língua portuguesa suscita frequentemente erros de interpretação, provavelmente pela sua própria natureza, devo dizer que não tenho simpatia nenhuma pelas forças afegãs anti-governamentais, vulgo talibans, que praticam o oposto da democracia; mas sinto-me obrigado a defender a ideia de não violencia de Gandhi.
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sexta-feira, 8 de julho de 2011
Obama - Afeganistão
Bom, agora ja se pode negociar com os talibans sem que chamem traidores a quem dizia isso já há anos (obviamente sem reconhecer legitimidade às suas barbaridades).
E o plano agora é a saida de todas as tropas até 2014.
Lembro-me de ter lido que era 2011.
Mais promessas falhadas.
E o plano agora é a saida de todas as tropas até 2014.
Lembro-me de ter lido que era 2011.
Mais promessas falhadas.
Digo isto porque nenhuma nação pode suportar um esforço de guerra destes.
E as outras nações sofrem as consequencias.
Os imperadores romanos já sabiam isso.
Mais informações em qualquer faculdade de História Antiga nos USA.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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sexta-feira, 30 de julho de 2010
Wikileaks
'
Os conceitos militares evoluem. Não é caso para ficarem tão escandalizados com as fugas de informação sobre segredos militares de acontecimentos passados.
Terem morrido 195 civis em ataques de drones não é a revelação de um segredo militar. É um triste facto de que os cidadãos devem ter conhecimento para ajudar a compreender a guerra e tomar posição perante ela.
Houve tempo em que o conceito militar era: se um civil morresse, o militar sentia-se desonrado porque, armado, tinha morto um não contendor desarmado.
Valha a verdade que este era um conceito anterior ao bombardeamento de Dresden, no final da segunda guerra mundial. É natural que os “aliados” não gostem de ouvir falar nisto.
Convirá também recordar que muitos dos mortos dos “aliados” na primeira guerra do golfo o foram por “fogo amigo” (como é possível inventar uma expressão assim?), porque a tecnologia da referenciação topográfica estava ainda imprecisa. Ficaram então os “aliados” muito zangados com esta fuga de informação.
Houve tempo em que um soldado honrado não mandava os seus homens para a frente da batalha sem lhe explicar todos os riscos que corriam.
É isso, os conceitos militares evoluem, como explicava o major Dax ao seu general, na primeira guerra mundial, antes da entrada em cena do fator decisivo para acabar com a guerra das trincheiras: os tanques.
Também foi revelado que os ataques talibans provocaram a morte de 2.000 civis.
Se os tanques e as armas já não conseguem acabar com isto, têm os cidadãos direito a exigir soluções políticas.
Não estive enganado na guerra colonial portuguesa, nem na guerra do Vietnam, nem na guerra do Iraque. Estarei enganado agora na guerra do Afeganistão, quando Eça de Queirós já dizia o mesmo, há 140 anos atrás?
Entretanto, sem que isso tenha sido revelado pelo Wikileaks, são já 75 os militares dos USA mortos no Afeganistão em Julho de 2010.
Impõe-se uma solução política com todos os países da região, mas os mentores da NATO não parece estarem de acordo.
Depois queixem-se de que lhes chamem cruzados.
________________________________________
Os conceitos militares evoluem. Não é caso para ficarem tão escandalizados com as fugas de informação sobre segredos militares de acontecimentos passados.
Terem morrido 195 civis em ataques de drones não é a revelação de um segredo militar. É um triste facto de que os cidadãos devem ter conhecimento para ajudar a compreender a guerra e tomar posição perante ela.
Houve tempo em que o conceito militar era: se um civil morresse, o militar sentia-se desonrado porque, armado, tinha morto um não contendor desarmado.
Valha a verdade que este era um conceito anterior ao bombardeamento de Dresden, no final da segunda guerra mundial. É natural que os “aliados” não gostem de ouvir falar nisto.
Convirá também recordar que muitos dos mortos dos “aliados” na primeira guerra do golfo o foram por “fogo amigo” (como é possível inventar uma expressão assim?), porque a tecnologia da referenciação topográfica estava ainda imprecisa. Ficaram então os “aliados” muito zangados com esta fuga de informação.
Houve tempo em que um soldado honrado não mandava os seus homens para a frente da batalha sem lhe explicar todos os riscos que corriam.
É isso, os conceitos militares evoluem, como explicava o major Dax ao seu general, na primeira guerra mundial, antes da entrada em cena do fator decisivo para acabar com a guerra das trincheiras: os tanques.
Também foi revelado que os ataques talibans provocaram a morte de 2.000 civis.
Se os tanques e as armas já não conseguem acabar com isto, têm os cidadãos direito a exigir soluções políticas.
Não estive enganado na guerra colonial portuguesa, nem na guerra do Vietnam, nem na guerra do Iraque. Estarei enganado agora na guerra do Afeganistão, quando Eça de Queirós já dizia o mesmo, há 140 anos atrás?
Entretanto, sem que isso tenha sido revelado pelo Wikileaks, são já 75 os militares dos USA mortos no Afeganistão em Julho de 2010.
Impõe-se uma solução política com todos os países da região, mas os mentores da NATO não parece estarem de acordo.
Depois queixem-se de que lhes chamem cruzados.
________________________________________
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terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Cansado da guerra
Leio no DN: Portugal vai enviar mais uma companhia de comandos para o Afeganistão. 118 mortos em mais um atentado em Bagdad.
Há dias, vinha um testemunho de um coronel do exército inglês sobre a sua experiência no Iraque, reportando que o seu comandante directo americano dava ordens disparatadas, as quais ele, inglês, se via grego para contornar e não piorar as coisas. E que os comandantes americanos tinham muita dificuldade em compreender todas as variáveis em jogo.
E então vamos mandar mais uma companhia de comandos.
Estou farto da guerra, apesar de ser um privilegiado que nunca entrou no teatro de operações.
Aceito que sim, si vis pacem para bellum; que Portugal tenha companhias de comandos. Pode ser preciso um dia pô-las a combater o vandalismo nas ruas, mas que sejam as nossas ruas, não as ruas do Afeganistão.
Se os moços querem ir ganhar dinheiro para a guerra e sublimar as suas tendencias agressivas, que vão; mas porque não contrata o exército português uma cedencia de mão de obra aos outros exércitos em lugar de assumir toda a logística?
E porque não faz como no Líbano, em que as companhias de engenharia portuguesas têm sido um exemplo para a ONU? (é, ainda não devem ter percebido, nesta altura do processo histórico, que os exércitos servem para reconstruir, ou, como ensinam os economistas quando não estão cegos pela deriva adam smithista, que os exércitos participam na internalização das externalidades).
Já dizia aos senhores oficiais do exército colonial pré-Abril de 74 que se tinha de fechar a guerra, andei na manifestação contra o Iraque que foi tão ultrajada pela comunicação social barrosista da altura, oiço religiosamente o Requiem da guerra de Benjamim Britten (Churchill achava que era um traidor), prego a quem me quer ouvir que a metodologia contra a guerra só pode ser a de Gandhi; e a tudo a História veio dar razão.
É agora com o Afeganistão que estou enganado?
Já que o presidente Obama parece não o querer ouvir, oiçam Greg Mortenson, que tem um programa de escolas no Afeganistão, é co-autor de "Three Cups of Tea" e dirigiu a Obama a seguinte recomendação, na esperança de que retirasse, em vez de reforçar: "Open your ears more to the locals, or risk shooting yourselves in the boots; there were nine meetings held behind closed doors, in secrecy, between Obama and military leaders but Afghanistan’s provincial elders were not considered in any of those meetings — even though they are the real power in the country."
O homem está lá no Afeganistão, fala com os chefes locais, mas os senhores de Washington é que sabem.
Que continuam esquecidos do que os imperadores romanos já sabiam. Quanto mais guerra faziam maiores as pressões inflacionistas. Nenhuma economia pode sustentar uma guerra destas. Nem a americana nem a europeia. As pressões inflacionistas aumentam, embora as paredes ainda vão resistindo. O problema será quando não resistirem.
É também por isso que estou farto da guerra.
Há dias, vinha um testemunho de um coronel do exército inglês sobre a sua experiência no Iraque, reportando que o seu comandante directo americano dava ordens disparatadas, as quais ele, inglês, se via grego para contornar e não piorar as coisas. E que os comandantes americanos tinham muita dificuldade em compreender todas as variáveis em jogo.
E então vamos mandar mais uma companhia de comandos.
Estou farto da guerra, apesar de ser um privilegiado que nunca entrou no teatro de operações.
Aceito que sim, si vis pacem para bellum; que Portugal tenha companhias de comandos. Pode ser preciso um dia pô-las a combater o vandalismo nas ruas, mas que sejam as nossas ruas, não as ruas do Afeganistão.
Se os moços querem ir ganhar dinheiro para a guerra e sublimar as suas tendencias agressivas, que vão; mas porque não contrata o exército português uma cedencia de mão de obra aos outros exércitos em lugar de assumir toda a logística?
E porque não faz como no Líbano, em que as companhias de engenharia portuguesas têm sido um exemplo para a ONU? (é, ainda não devem ter percebido, nesta altura do processo histórico, que os exércitos servem para reconstruir, ou, como ensinam os economistas quando não estão cegos pela deriva adam smithista, que os exércitos participam na internalização das externalidades).
Já dizia aos senhores oficiais do exército colonial pré-Abril de 74 que se tinha de fechar a guerra, andei na manifestação contra o Iraque que foi tão ultrajada pela comunicação social barrosista da altura, oiço religiosamente o Requiem da guerra de Benjamim Britten (Churchill achava que era um traidor), prego a quem me quer ouvir que a metodologia contra a guerra só pode ser a de Gandhi; e a tudo a História veio dar razão.
É agora com o Afeganistão que estou enganado?
Já que o presidente Obama parece não o querer ouvir, oiçam Greg Mortenson, que tem um programa de escolas no Afeganistão, é co-autor de "Three Cups of Tea" e dirigiu a Obama a seguinte recomendação, na esperança de que retirasse, em vez de reforçar: "Open your ears more to the locals, or risk shooting yourselves in the boots; there were nine meetings held behind closed doors, in secrecy, between Obama and military leaders but Afghanistan’s provincial elders were not considered in any of those meetings — even though they are the real power in the country."
O homem está lá no Afeganistão, fala com os chefes locais, mas os senhores de Washington é que sabem.
Que continuam esquecidos do que os imperadores romanos já sabiam. Quanto mais guerra faziam maiores as pressões inflacionistas. Nenhuma economia pode sustentar uma guerra destas. Nem a americana nem a europeia. As pressões inflacionistas aumentam, embora as paredes ainda vão resistindo. O problema será quando não resistirem.
É também por isso que estou farto da guerra.
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domingo, 20 de setembro de 2009
Vera Lynn
Listen Vera Lynn, President Obama. Remember Gandhi. Give up on Afghanistan.
A senhora Vera Lynn tem 92 anos e está mais uma vez no top inglês de discos.
Quando tinha 22 anos começou a segunda guerra mundial.
Tem todo o direito de dizer agora que não compreende o que estão “os nossos rapazes” (os soldados ingleses) a fazer no Afeganistão.
Flash Gordon também não compreende (a menos que o seu pensamento ainda viva no tempo da rainha Vitória – ver reportagem de Eça de Queiroz), mas não quer reconhecer.
Por isso digo que é uma grande esperança da humanidade ainda haver pessoas lúcidas com 92 anos a tentarem explicar estas coisas da guerra.
Listen Vera Lynn, President Obama.
A senhora Vera Lynn tem 92 anos e está mais uma vez no top inglês de discos.
Quando tinha 22 anos começou a segunda guerra mundial.
Tem todo o direito de dizer agora que não compreende o que estão “os nossos rapazes” (os soldados ingleses) a fazer no Afeganistão.
Flash Gordon também não compreende (a menos que o seu pensamento ainda viva no tempo da rainha Vitória – ver reportagem de Eça de Queiroz), mas não quer reconhecer.
Por isso digo que é uma grande esperança da humanidade ainda haver pessoas lúcidas com 92 anos a tentarem explicar estas coisas da guerra.
Listen Vera Lynn, President Obama.
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