Mostrar mensagens com a etiqueta Auto Europa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Auto Europa. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

TRADUZIDO DO GREGO – o rapto de Europa feito ao contrário

Era uma vez um país de sol, mar e um povo deslumbrado.
Tanto os cidadãos desse país, como o seu governo,
Tinham ao longo dos anos pedido emprestado dinheiro,
para poderem viver acima dos seus rendimentos.

Para continuarem a pedir empréstimos,
foi contratado um grupo de consultores,
a Goldman Sachs,
que ocultaram as dividas das empresas públicas

Pior que isso, manipularam as contas,
até que o dinheiro faltou e o povo saiu à rua,
o governo mudou
e continuou o dinheiro a faltar

Então o governo pediu ajuda
Aos governos dos países vizinhos
Que partilhavam com o país de sol a história e a cultura
Que a todos tinham maravilhado

O povo continuou a sair á rua,
a ralhar com o governo,
embora não tivesse sido aquele governo
que se tinha endividado tanto

E foi então que a loja de prego
Onde o governo costumava ir,
Pediu como penhor o coração
Da apresentadora de TV preferida pelo povo

O governo hesitou, e voltou a pedir ajuda aos países vizinhos.
Os governos dos paises mais ricos aproveitaram para lhe ralhar.
Esqueceram-se que durante anos tinham andado a emprestar o dinheiro
Com que os cidadãos do pais de sol lhes compravam automóveis e metropolitanos

E logo o juro do empréstimo subiu e os mercados abstratos perderam a calma.
O governo do país de sol lembrou que se não havia dinheiro
Foi porque as lojas de prego tinham prometido juros mais altos do que os que podia pagar,
e os governos ricos e pobres tiveram de injetar dinheiro nelas.

De nada valeu ao governo do país de sol.
Empedernidos e insensíveis, nada demoveu os governos ricos.
Às lojas de prego emprestavam a juro baixo,
Mas elas ao governo do país de sol era alto o juro,

E foi então que o governo do país de sol
se lembrou de perguntar ao império do meio
se não queria comprar uns títulos do Tesouro
a uma taxa de juro mais de amigo

E o império do meio perguntou se podia visitar o país de sol
Claro que sim, disse o governo,
E mostrou-lhe o berço onde tinha nascido
a cultura do país de sol e de todos os países vizinhos

O imperador do meio ficou tão deslumbrado
Como o povo do país de sol
E comprou logo todos os títulos
que havia para vender e pediu mais a um juro ainda mais baixo

Respirou de alívio o governo do país de sol,
mas entretanto, num dos países vizinhos, mais ao norte,
o grande prémio do ano do ramo da oliveira
foi solenemente dado a Xiaobo

Pregava Xiaobo no império do meio da não violência
a grande estratégia de Gandhi
e também a Declaração Universal dos Direitos do Homem,
por isso vivia num campo de concentração.

Tal era uma mancha na imagem do império do meio
Que os governos vizinhos logo aproveitaram
Para rasgar as vestes do seu descontentamento
E dos títulos do Tesouro a venda criticar

Tanto ralharam os governos ricos vizinhos
Que os povos ricos vizinhos começaram a dizer
Que o império do meio andava a fazer ao contrário
o rapto de Europa, filha de Agenor, rei de Tiro.

E se fosse verdade, quem se admiraria?
Não quiseram os governos ricos ajudar,
Porque se queixam agora se o império do meio
Ilhas vier comprar e fábricas instalar?

FINAL

Ponhamos a 9ª sinfonia a tocar em Lisboa,
no Largo de S.Domingos .
Atentemos bem no que dizem os cantores
em tão solene audição.
Não liguemos aos germânicos ralhetes,
antes dêmos a ler ao império do meio a mensagem
do monumento que lá está, para Xiaobo libertar.
E vamos então organizar , a nossa batalha da produção
















NOTAS:
1 - Os versos não rimam porque já custa traduzir do grego e pô-los a rimar ainda custa mais
2 - Europa é, na mitologia grega, o nome da filha do rei de Tiro que foi raptada por Zeus, disfarçado de touro branco, e levada por ele para a ilha de Creta ( ver em:
http://aguerradetroia.wordpress.com/category/6-zeus-jupiter/62-o-rapto-de-europa/ )
3 - todos os restantes factos descritos se baseiam, porém, na realidade e não são pura coincidência

terça-feira, 26 de maio de 2009

Gestionarium I - Dôtô honoris causa Belmiro

Belmiro, Belmiro, Doutor Belmiro, Doutor Belmiro

Hoje, dia 22 de Maio de 2009, mais um dia em que não posso dizer que não faliu mais um banco (o maior da Flórida), nem que não subiu o petróleo, nem que não houve nacionalizações de empresas do sector energético (3 empresas de gás nacionalizadas na Venezuela), oiço-te, Belmiro, ou melhor, doutor honoris causa Belmiro, dizeres que a culpa é dos trabalhadores.
Maniqueísta que és, Belmiro.
A culpa é dos trabalhadores.
Disseste isso.
Tu que foste trabalhador por conta de outrem.
Lembras-te? No tempo do patrão Pinto de Magalhães.
Lembras-te de como tu, sempre dentro da legalidade e demonstrando darwinisticamente que eras o mais bem apetrechado para a função “fazer dinheiro” - e como é elegante o sotaque do norte com que dizes esta expressão tão simples – assumiste o controle accionista e deixaste de ser trabalhador por conta de outrem?
Porque não fazem o mesmo os trabalhadores da Auto-Europa?
Porque não estão tão bem apetrechados, darwinisticamente em ambiente economista falando, claro, como tu.
Não foram capazes de deixar de ser trabalhadores por conta de outrem.
Logo, deviam aceitar as propostas de flexibilidade da administração da Auto Europa.
Dizem-me que não são as propostas da casa mãe, será verdade?
Teremos chegado ao ponto da administração ser mais papista do que a casa mãe?
E vens tu, Doutor, dizer que os trabalhadores preferem passar os sábados com os pés na água?
Ora tu, que és doutor, sabes que a remuneração aos sábados é apenas uma apropriação parcial das mais valias geradas ao sábado. Porque produzir ao sábado gera mais valias, que como doutor que és, tendem nessas circunstancias a reproduzirem-se.
É assim tão grave reclamar essa apropriação parcial de uma coisa que, como dizia o outro, já era deles, que a geraram?
Ora tu, Doutor, sabes melhor do que eu porque és um bom gestor e eu não, que ao olhar-se para os trabalhadores devemos ver o peso que eles têm nos custos totais.
E já veio nos jornais: na Auto Europa é 5% (por acaso no Metropolitano de Lisboa é à volta de 55%, mas isso é conversa para outra altura).
O que quer dizer que, se na Eslováquia os salários forem mais baixos 30%, as luminárias que fundamentam a deslocalização da fábrica para a Eslováquia estão a fundamentá-la com um diferencial de 1,5% !
Chega para pagar os custos da deslocalização?
Claro que não, mas tu, doutor Belmiro, jogas com a ileteracia matemática dos eleitores.
Ocultas-lhes que o diferencial para a Eslováquia é de 1,5%.
E quererias talvez que começássemos a falar em expropriações para animar a luta.
Talvez não seja o momento no processo histórico para falar nisso, embora os teus colegas empreendedores do ramo hipotecário nos USA e em alguns bancos privados portugueses se esforcem para isso.
Não receias que a tua atitude possa ser interpretada como um convite à anexação dos sudetas pela Volkswagen?
Mas, Doutor Belmiro, para que não digas que faço críticas destrutivas que tornam menos competitivo o País, deixo-te a mensagem que retirei da ópera-rock do Chico Buarque da Holanda, “A gota d’água”, adaptação da Medea à vida nas favelas do Rio (manda comprar o DVD, dôtô, manda, vais ganhar em ver, até porque Creonte também segue as tuas pisadas):
mantem a divisa “ganhemos dinheiro”, mas acrescenta: “baixemos os lucros”, como diz Chico Buarque. Verás que o País fica mais competitivo.