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quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Darcy Ribeiro, "eu detestaria estar no lugar de quem me venceu"

Com o mesmo sentimento de gratidão e descoberta referido por Pilar del Rio ao citar no DN este texto de Darcy Ribeiro para defender o seu candidato à presidência da República, reproduzo com a devida vénia:

"fracassei em tudo o que tentei na vida
tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui
tentei salvar os índios, não consegui
tentei fazer uma universidade séria e fracassei
tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei
mas os fracassos são as minhas vitórias
eu detestaria estar no lugar de quem me venceu."

protesto de índios em Brasília


Darcy Ribeiro, antropólogo, ministro da educação de João Goulart, antes da ditadura militar brasileira

https://pt.wikipedia.org/wiki/Darcy_Ribeiro

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Como é diferente o amor emPortugal

Como é diferente o amor em Portugal, escreveu Julio Dantas na sua Ceia dos cardeais.
E não é só o amor que é diferente, é a subserviencia aos neoliberais de Bruxelas e Frankfurt dos senhores governantes em Portugal enquanto em Espanha polidamente informam os benfeitores da troika que se quiserem mandar dinheiro para os bancos é o que quiserem mas memorandos não.

vista panorâmica do anfiteatro do parque da Bela Vista, com o palco à direita, o bar em frente e contentores para garrafas e copos por todo o lado
trabalhos preparatórios do espetáculo; é verdade que felizmente dá trabalho a muita gente, mas qual é a componente transacionável?


E outro exemplo tão interessante em como é diferente em Espanha:
-  Custo do bilhete mais barato no parque da Bela Vista para assistir em Lisboa ao espetáculo de Bon Jovi em 26 de junho de 2013: 59 euros.
- custo do bilhete mais barato no estádio Vicente Calderon para assistir em Madrid ao mesmo espetáculo em 27 de junho de 2013: 15 euros.
Não vale a pena argumentar (apesar, ou talvez "et pour cause", porque "contra factos há sempre argumentos",  como dizia aquele senhor novo governante de quem Batista Bastos diz que tem a voz em formação, coisa estranha num professor tão cotado, sabendo-se que os professores interessados em que a sua mensagem chegue aos alunos aprendem a colocar a voz, muitos deles com algum esforço, mas também é verdade que o tempo de trabalho dos professores não é só o tempo em que estão em cima do estrado) porque as pessoas não mudam os seus esquemas de raciocinio que consideram superiores à realidade, mas choca, e muito, ver como parte da sociedade portuguesa está imune à crise (cerca de 500 bilhetes vip vendidos a cerca de 300 euros) e nada se faz para reduzir o fosso entre ricos e pobres, para repartir com mais eficácia os sacrificios por todos, e canhestramente vai-se cortando nas despesas do funcionalismo público, que representa 10% da população ativa.
Graves dificuldades de interpretação da realidade, a mim me parece, quando se chega a este ponto.
Imagino a "organização" do espetáculo de Lisboa a explicar a Bon Jovi que não há problema, que há poder de compra para encher o recinto. E a de Madrid a dizer que há uma grande crise e o senhor a prescindir do seu "cachet" para ter o estádio cheio.
Enfim, faz tudo parte da encenação em que na peça atual figuramos como provincianos.
Já era assim no tempo do rei da pimenta; os fidalgos de Lisboa andavam vestidos de sedas caras, embora nada produzissem de transacionável.

consciencia ambientalista e comunitária entre assistentes a um jogo de futebol da copa - como é diferente em Portugal, em que os carros são deixados amontoados no meio das avenidas enquanto os espetadores cumprem religiosamente o dogma "panem et circensis";    com a devida vénia à Reuters e DN


Tambem no Brasil é diferente.
Perante manifestações de protesto a presidente anunciou:
- elaboração do plano nacional de mobilidade urbana (a senhora já percebeu uma coisa que o senhor secretário de estado em Portugal tem dificuldade: é que tem de se cortar no desperdicio do transporte individual com uma quota exagerada nas deslocações urbanas relativamente ao transporte coletivo, nomeadamente ferroviário; e que o direito à mobilidade é um direito constitucional);
- afetação prioritária dos recursos do petróleo à educação (não há petróleo explorável em Portugal, mas a eletricidade com origem renovável em Portugal pode ser exportada, embora isso não contribua para já para resolver o problema da educação em Portugal; é que segundo a OCDE, no relatório "Education at a glance 2013", o desafio em Portugal continua a ser "aumentar s baixas taxas de escolaridade"; como são polidos, apenas dizem que quanto menor for a escolarização, maior é o risco de desemprego; se fossem mais crus diriam que o estado da educação que temos, indesejável já no anterior governo e indesejável no atual, proporciona abandono escolar, desemprego, vandalismo e criminalidade ; mas como os senhores governantes acham que se deve deixar o mercado funcionar, assim continuamos)
- importar  médicos para reforço do sistema unico de saúde (será que Portugal vai exportar médicos?)
- reuniões com representantes dos manifestantes (já imaginaram o senhor presidente português, o senhor primeiro ministro ou o senhor presidente do supremo tribunal a receber representantes de manifestantes e discutor com eles propostas e medidas concretas? já imaginaram? caíam os parentes na lama, não era? num país em que nem os ministros sabem as linhas com que se cose o tal guião da reforma do Estado, e muito menos que medidas concretas para o crescimento económico, pese embora as conferencias de imprensa mais ou menos surrealistas do senhor ministro Alvaro)
- "quero contribuir para ... uma profunda reforma política, que amplie a participação popular" declarou a senhora (idem, idem, idem, idem ...  ...  ...  ...  ...  ...  ...)
- "precisamos de oxigenar o nosso sistema politico, encontrar mecanismos que tornem as nossas instituições mais transparentes mais resistentes aos malfeitores e, acima de tudo, mais permeáveis à influencia da sociedade", declarou também a senhora (idem, idem, idem, idem ...  ...  ...  ...  ...  ...  ...)

É verdade que o Brasil não é Portugal, que tem recursos que não temos e que tem indicadores de bem estar que têm de melhorar.
Mas não é o mercado a funcionar que resolve os indicadores, nem reduz as desigualdades.
E uma cooperação mais apertada entre Portugal e o Brasil seria bem vinda, quanto mais não fosse para picar o crâneo dos burocratas neoliberais de Bruxelas e Frankfurt.
Era bonito, para que nos  libertássemos da maldição de Fernandes Tomás, quando em 1820 disse com despudor "passe o senhor Brasil muito bem".

Como é diferente em Portugal, onde governos que prometem no 5º mês do ano que "agora", com a diminuição do défice e com a estabilização financeira, é a hora do investimento, para um mês depois reconhecer que o défice foi de 10% no 1º trimestre quando a meta é de 5,5% em 2013 (já foi de 4,5%) e que os juros estão a subir.
É que nos outros países quando um governo diz uma coisa e acontece outra muda-se de primeiro ministro e de ministro das finanças, mesmo sem mudar mais nada (aqui discordo de quem quer eleições já; eu por mim esperava por 2015).
Mas aqui é isto que se vê.

PS em 27 de junho de 2013 - Realizou-se o espetáculo, parece que a contento dos apreciadores. Terão sido 20.000? 1,4 milhões de euros de receita? Quanto terá ficado para receita fiscal? 400.000 euros?quanto terá ido para o exterior? 800.000 euros? E os combustiveis fósseis consumidos por 10.000 deslocações? Pobre país, com uma dívida externa tão grande (não, não é só a dívida pública, a privada também é externa), a continuar a endividar-se. Mas o poder de compra existe...






segunda-feira, 24 de junho de 2013

Bruce Springsteen no Brasil?

Grato a Pacheco Pereira por no seu programa de televisão ter apresentado este video de Bruce Springsteen.
Talvez ajude a perceber as manifestações no Brasil.
Talvez o problema das desigualdades e da insuficiencia dos indices de desenvolvimento humano.
O que não é bem a mesma coisa do indicador PIB.
Na verdade, a ciencia e as comunidades movem-se em sentidos diferente da economia das faculdades e dos bancos centrais:
"este mundo cão é um lugar engraçado para se viver,
os especuladores são ricos e quem trabalha é pobre"




I ain't got no home, I'm just a ramblin' around
A hard working ramblin' man, I go from town to town
The police make it hard wherever I may go
And I ain't got no home in this world anymore

I was farmin' on the shares and always I was poor
My crops I laid into the banker's door
And my wife took down and died upon the cabin floor
And I ain't got no home in this world anymore

Now as I look around it's mighty plain to see
This wide wicked world is a funny place to be
The gamblin' man is rich and the workin' man is poor
And I ain't got no home in this world anymore