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quarta-feira, 4 de julho de 2012

Um paradoxo da democracia

Fico sempre muito impressionado quando apanho, passe a expressão, os nossos caricaturistas, ou cartonistas, a conseguirem captar a essencia de uma questão.
É o caso do catonista do DN, a propósito da viagem de negócios do senhor ministro e empresários.
Evidentemente que não critico as oportunidades de negócio, embora preferisse outras formas que não fossem "vender" os anéis (sempre querem vender os estaleiros de Viana do Castelo a empresas chinesas de construção naval?).
Mas a essencia da questão é essa, é um paradoxo para  a democracia - crescimento económico convive com o respeito pela participação ativa dos cidadãos e cidadãs na vida politica?
Isto é, crescimento económico é compatível com a diminuição do coeficiente de Gini das desigualdades sociais?
Não procuro culpas, até porque o contexto é capaz de não deixar resolver o paradoxo, mas dá para pensar, pelo menos para o cartonista e para mim.



PS em 5 de julho de 2012 - também nem de propósito, como se costuma dizer, outra notícia do dia 5 de julho de 2012 é a visita dos senhores ministros Paulo Portas e Vitor Gaspar à China.
As coisas, depois do erro da diminuição da receita fiscal  e do défice trimestral ter passado de um superavit de 3,8 % no 4º trimestre de 2011 (que manipulações, senhores?) para um deficit de 7,9% para o prmeiro trimestre de 2012. Aparentemente, como diz Francisco Louçã, o governo não sabe o que faz e a troica tambem não; tambem não estava à espera deste sufoco depois de sufocar o doente. Mas aindaé cumprivel, basta reduzir para 3,4 todos os trimestres, até ao fim do ano.
Quam acredita sem alterar as regras do jogo como devidamente pedido por muitos cidadãos que não fazem parte do "arco" do governo e do  memorando (será que o governo sabe identificar a reunião da superficie externa do arco esférico com a respetiva parte interior do arco esférico num espaço euclidiano R3 deduzinod o teorema fundamental da Aritmética, ou é melhor perguntar a uma menina do 5º ano no próximo ano letivo?
(ver
http://www.portugal.gov.pt/media/643611/prop_metas_eb_matematica_vf.pdf     )

Mas duas sugestões ao senhor ministro Vitor Gaspar que não percebe nada do que eu vou dizer mas devia acreditar, se quer que a China lhe dê um saco de reiminbis:
1 - financie o metropolitano de Lisboa para fazer o projeto para o metro de Argel (estudando a extensão do trabalho ao metro de Luanda, Benfica-Cacuaco e Viana-Baixa)
2 - financie uma central solar de concentração de raios solares e sais fundidos no Alentejo
3 - financie um alinha de tensão contínua de muito ala tensão para a França e Alemanha (coisa parecida com a bibitola de Sines para a França-Alemanha).
Se quiser também fazer resorts para chineses, também pode. Quando vou a Macau gosto muito de falar com eles. São pessoas sérias (favor não passe pela cabeça dos empresários enganá-los)

Ao dispor para esclarecimentos.













quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

I wish I knew, histórias de Xangai


I Wish I Knew (Trailer) from filmswelike on Vimeo.


Confesso que não é um filme atraente.
A própria estética oriental como que afasta o entusiasmo dos espetadores ocidentais.
Mas o simples facto de olhar a realidade sem o deprimente complexo maniqueista de dividir tudo em bom ou mau (numa das primeiras cenas, um cidadão conta como o pai  membro do poartido comunista e secretário da sociedade dos direitos humanos, foi mandado assassinar pelo regime de Chang-Kai Chek, em 1933; outros testemunhos contam os sofrimentos das famílias no tempo da revolução cultural) que tanto afeta a cultura ocidental, e a serenidade com que testemunha as dificuldades e sofrimentos das pessoas enquanto a economia e a urbanização chinesas crescem com pujança, convida a reter este filme como importante.
O filme começa com uma reflexão: "Aqui, nestas ruinas desertas, sinto-me impotente". As ruinas estão desertas porque acabou uma estrutura social e ainda bem. A impotencia é o individualismo perante a força do coletivo. O objetivo da reflexão será com cada um que vê o filme, mas eu diria que poderia ser outro convite, à colaboração estreita com a China.
Para saber porque cresceu desta maneira a economia chinesa, desde 1990, quando era primeiro ministro em Portugal o atual presidente da repúlica.
Dirão os economistas porque o subsolo é rico, porque os cidadãos e cidadãs já tinham uma estrutura educacional forte pronta a absorver as novas possibilidades das tecnologias, e porque o poder central compreendeu que em muitos domínios é mais eficiente a descentralização .
Que bom que seria se a colaboração ocidental permitisse evitar os erros das sociedades ocidentais, nomeadamente o crescimento das desigualdades sociais e a agressão ambiental, enquanto a curva dos rendimentos se mantem longe da zona dos rendimentos decrescentes.
E que a coboração ocidental evitasse os erros de projeto e construção de edificios que caem por deficientes fundações, e comboios de alta velocidade que chocam por incumprimento das normas de segurança do projeto de sinalização e controle ferroviários.
A presença portuguesa em Macau sugere que seria viável ganharmos alguma coisa com isso.
Mas os caminhos que têm sido seguidos parecem ínvios.
Por exemplo, enveredou-se por uma política de privatizações que não tem o apoio de pelo menos 20% de eleitores.
Andam agora uns governantes muito preocupados porque a Three Gorges se dispõem a montar uma fábrica de turbinas em Portugal (que saudades da SEPSA, da SOREFAME e da MAGUE) se, e só se, lhes venderem os 21,5% da EDP.
Repetição da argmentação que deu o BPN ao BIC angolano?
Salvo melhor opinião, os caminhos deveriam ser outros, fora da lógica de privatização "a tout prix".
Isto para não falar da desigualdade de tratamento de me terem obrigado a cumprir as regras dos concursos publicos enquanto o próprio governo as interpreta com liberal amplitude.
Mas como digo, 20% não chega para traçar o rumo.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

TRADUZIDO DO GREGO – o rapto de Europa feito ao contrário

Era uma vez um país de sol, mar e um povo deslumbrado.
Tanto os cidadãos desse país, como o seu governo,
Tinham ao longo dos anos pedido emprestado dinheiro,
para poderem viver acima dos seus rendimentos.

Para continuarem a pedir empréstimos,
foi contratado um grupo de consultores,
a Goldman Sachs,
que ocultaram as dividas das empresas públicas

Pior que isso, manipularam as contas,
até que o dinheiro faltou e o povo saiu à rua,
o governo mudou
e continuou o dinheiro a faltar

Então o governo pediu ajuda
Aos governos dos países vizinhos
Que partilhavam com o país de sol a história e a cultura
Que a todos tinham maravilhado

O povo continuou a sair á rua,
a ralhar com o governo,
embora não tivesse sido aquele governo
que se tinha endividado tanto

E foi então que a loja de prego
Onde o governo costumava ir,
Pediu como penhor o coração
Da apresentadora de TV preferida pelo povo

O governo hesitou, e voltou a pedir ajuda aos países vizinhos.
Os governos dos paises mais ricos aproveitaram para lhe ralhar.
Esqueceram-se que durante anos tinham andado a emprestar o dinheiro
Com que os cidadãos do pais de sol lhes compravam automóveis e metropolitanos

E logo o juro do empréstimo subiu e os mercados abstratos perderam a calma.
O governo do país de sol lembrou que se não havia dinheiro
Foi porque as lojas de prego tinham prometido juros mais altos do que os que podia pagar,
e os governos ricos e pobres tiveram de injetar dinheiro nelas.

De nada valeu ao governo do país de sol.
Empedernidos e insensíveis, nada demoveu os governos ricos.
Às lojas de prego emprestavam a juro baixo,
Mas elas ao governo do país de sol era alto o juro,

E foi então que o governo do país de sol
se lembrou de perguntar ao império do meio
se não queria comprar uns títulos do Tesouro
a uma taxa de juro mais de amigo

E o império do meio perguntou se podia visitar o país de sol
Claro que sim, disse o governo,
E mostrou-lhe o berço onde tinha nascido
a cultura do país de sol e de todos os países vizinhos

O imperador do meio ficou tão deslumbrado
Como o povo do país de sol
E comprou logo todos os títulos
que havia para vender e pediu mais a um juro ainda mais baixo

Respirou de alívio o governo do país de sol,
mas entretanto, num dos países vizinhos, mais ao norte,
o grande prémio do ano do ramo da oliveira
foi solenemente dado a Xiaobo

Pregava Xiaobo no império do meio da não violência
a grande estratégia de Gandhi
e também a Declaração Universal dos Direitos do Homem,
por isso vivia num campo de concentração.

Tal era uma mancha na imagem do império do meio
Que os governos vizinhos logo aproveitaram
Para rasgar as vestes do seu descontentamento
E dos títulos do Tesouro a venda criticar

Tanto ralharam os governos ricos vizinhos
Que os povos ricos vizinhos começaram a dizer
Que o império do meio andava a fazer ao contrário
o rapto de Europa, filha de Agenor, rei de Tiro.

E se fosse verdade, quem se admiraria?
Não quiseram os governos ricos ajudar,
Porque se queixam agora se o império do meio
Ilhas vier comprar e fábricas instalar?

FINAL

Ponhamos a 9ª sinfonia a tocar em Lisboa,
no Largo de S.Domingos .
Atentemos bem no que dizem os cantores
em tão solene audição.
Não liguemos aos germânicos ralhetes,
antes dêmos a ler ao império do meio a mensagem
do monumento que lá está, para Xiaobo libertar.
E vamos então organizar , a nossa batalha da produção
















NOTAS:
1 - Os versos não rimam porque já custa traduzir do grego e pô-los a rimar ainda custa mais
2 - Europa é, na mitologia grega, o nome da filha do rei de Tiro que foi raptada por Zeus, disfarçado de touro branco, e levada por ele para a ilha de Creta ( ver em:
http://aguerradetroia.wordpress.com/category/6-zeus-jupiter/62-o-rapto-de-europa/ )
3 - todos os restantes factos descritos se baseiam, porém, na realidade e não são pura coincidência

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

O TGV Wuhan-Guangdong



Wuhan e o rio Iangtze



Estão os nossos colegas ferroviários chineses orgulhosos da inauguração da linha de TGV de Wuhan para Guangdong (Cantão), numa extensão de quase 1000 km, percorridos em 3 horas. Fica a faltar a ligação de Wuhan a Pequim, mais cerca de 1100 km. Já existia na China a linha de TGV de Pequim para Tianjin (cerca de 110 km).

Comento a propósito um recente artigo de um senhor economista que escreve no “oje” e que dizia que só Portugal é que tinha nos seus planos linhas de TGV. É uma pena que o nível de argumentação seja tão baixo. Sugiro que nos cinjamos aos conceitos físicos. Se pretendemos mover um fluxo de passageiros em condições de segurança e rapidez, podemos fazê-lo com maior eficiência energética com uma ferrovia TGV do que com uma auto-estrada ou uma “ponte aérea”. Nestas condições, parece fundamentada a opção dos nossos amigos chineses.

Aproveito também para anotar que Wuan é uma cidade metropolitana que resultou da agregação nos anos 20 do século XX de 3 cidades: Wuchang, Hankou e Hanvang.
Esta informação seria de muito interesse para quem traça a estratégia para a cidade de Lisboa e se “esquece” de que o caminho correcto seria o de agregar os municípios e não o de os desagregar como fizeram com Odivelas.
Mas escrevo como se pregasse no deserto ou se me dirigisse às bogas e às tainhas do Tejo. Como se fosse uma ofensa pedir a quem detem o poder decisório que ouça o que os cidadãos têm a dizer.
E a estratégia de Lisboa continuará a ser a de um pequenino município de 500 mil habitantes, expressão da pequenez das estratégias, palco de polémicas de diversão das questões técnicas e das suas soluções. Voltando a citar o professor Carvalho Rodrigues, não podem solucionar-se questões técnicas se “a ciência estiver fora da equação”.

E estão também de parabéns os nossos colegas do metropolitano de Wuhan: inauguraram uma linha em grande parte em viaduto, com “cantão móvel” (distância livre de segurança em função da posição e da velocidade dos comboios) e marcha automática sem condutor (“driverless”).

domingo, 27 de dezembro de 2009

Economicómio XXXV – A Ford, a Volvo e a Gelly

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A Ford passou por um mau período nos fins dos anos 70. Más escolhas dos modelos, impostos, os modelos, por um número restrito de pessoas, detentoras da maioria do capital ou de sua confiança. Na Ford compreenderam o erro na tomada das opções, corrigiram as estratégias e não chegaram a passar pela crise da GM e da Chrysler.
De modo que, tendo a Ford, no contexto actual, de “deslastrar”, desfez-se primeiro da Jaguar, que vendeu à Tata indiana, e vendeu agora a Volvo à Gelly chinesa.
Comparando com a GM, que se recusou a vender a Opel a um consórcio russo, e se recusou a vender a SAAB a outro fabricante chinês, dá ideia de que na Ford prezam mais as técnicas de boa gestão do que na GM.
Talvez se possa mesmo dizer que temos provavelmente aqui uma forma de racismo.
Para quem achar a hipótese de racismo muito forte, conto a história da minha sobrinha-neta, de 8 anos, que foi convidada, assim como toda a turma, para o lanche de aniversário da colega chinesinha. Correu tudo muito bem e ela gostou muito de ir à festa da chinesinha, cujos pais gerem um restaurante chinês muito frequentado, ao pé da Portugália de Arroios. Mas a triste verdade é que foi a única menina da turma que foi à festa. Talvez fosse bom alguém na Assembleia da República tomar a iniciativa de alterar o jus sanguini para o jus soli (quem nasce em Portugal é português), para ver se a discriminação se atenua.
É uma pena se for assim, porque a China já é detentora de grande volume da dívida pública dos USA e, nos tempos que correm, é inútil estar a fazer “segredinhos” com o “know-how”. Aliás, as especificações ambientais dos fabricantes chineses já são mais rigorosas do que as dos USA.
Há muitos anos que se assistiu nas lojas de Hong Kong e em Macau à invasão maciça das grandes marcas ocidentais de moda. Desde os porta-moedas da Salvatore Ferragano, aos óculos da Gucci. A China criou “mercado” para todas essas marcas, que tinham atingido o ponto de falência no mercado restrito ocidental.
Por outro lado, consumindo os USA 20 milhões de barris de petróleo por dia e a China 5 milhões (cito de cor), é de esperar que a expansão económica da China venha permitir relançar a economia ocidental, repondo-a num estágio de crescimento mais saudável em que se encontrava há uns anos.
Como é sabido, um dos dogmas da religião económica dominante é o de que o PIB tem de estar sempre a crescer.
A China permitirá esse crescimento à indústria automóvel. O problema será depois quando for atingido o novo ponto de saturação.
Donde, parecerá que, sem esquecer, claro, as directivas ambientais, vender fábricas à China ou à Índia será boa política (não poderá aplicar-se à Quimonda, Investstar/Aerosoles e às fábricas que vão fechando?).
Mas será preocupante não ver nada escrito por esse mundo fora sobre um plano de contingência, perdão, um plano de transição da economia crescente para a economia estabilizada, para quando não for sustentável continuar a fabricar tantos automóveis.
A Ford, a GM e a Chrysler fizeram isso, nos anos 50 e 60: suprimiram e fundiram marcas…
Aguardemos.



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