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sábado, 16 de janeiro de 2016

Senhores bem postos e ignorantes





 Graças aos gráficos publicados no Diário de Notícias posso comparar a evolução do PIB, em crescimento (positivo ou negativo), ano a ano,  de 2006 a 2014, de Portugal com as economias do mundo.
Lembrando-me daquele senhor de fala pausada que agora se dedica a contas sobre a poluição dos combustíveis fósseis (Vitor Gaspar) e de tantos senhores altamente cotados e que do alto da sua ignorância das realidades (no sentido de alienação marxista) e dos lugares de decisão da União Europeia e dos XVIII e XIX governos, nos conduziram até aqui.
É patente a proximidade das curvas do PIB de Portugal e da UE (ambos negativos em 2009) até 2010 inclusivé. Notar em 2010 a coincidência no crescimento (cerca de 2%). O que quer dizer que a ineficiência do XVIII governo ecoou a da UE.
Em 2011 e 2012, graças aos PEC e à troika, o PIB de Portugal continuou a descer, mais em Portugal do que  na UE. Claramente se vêem as consequências das medidas estranguladoras da troika, já reconhecidas, dada a evidencia pelo FMI, embora mantenham os seus juros cerca de 1,5% acima dos juros do mercado.
Em 2013 e em 2014 regressa a proximidade das curvas do crescimento do PIB de Portugal e da UE, ambos negativos em 2013 (mais em Portugal do que na UE, acentuando a divergência) e limitados a insignificante 0,9% em 2014.
Comparando a evolução com o PIB das outras regiões, que à exceção da Asia registaram acentuadas quebras em 2009, verifica-se que todas reagiram melhor do que a UE, o que confirma a inconsistência da política financeira e económica da UE, estrangulada pelos seus critérios ideológicos de privilégio da livre concorrência e globalização desregulada.
Será preciso esperar mais, numa altura em que grandes multinacionais anunciam despedimentos mundo fora, para confirmar o erro das políticas seguidas pelos senhores bem postos e ignorantes da UE e copiadas e ampliadas em Portugal pelo XIX governo?

São estes compromissos internacionais que temos de seguir? Ou não seria melhor ler com mais atenção os tratados da UE quando concede aos Estados a possibilidade de intervir na economia? 

domingo, 20 de dezembro de 2015

Sinistralidade rodoviária - a curva do Mónaco

A curva do Mónaco, poema de Pedro Mexia, no programa "A vida breve", na Antena 2 :

http://cdn-ondemand.rtp.pt/nas2.share/wavrss/at2/1512/3891473_194693-1512152350.mp3


"... corações ao alto seguíamos,
intocáveis
...
plácidos de algumas certezas
e ainda mais ambições
...
avançávamos contra as luzes em sentido contrário
...
um jovem é um moribundo levado aos ombros
...
mas a noite com os seus artifícios
durou um fogacho ainda
...
e na paz tempestuosa dos 20 anos
avisaste que à nossa frente
a estrada fazia uma guinada acidentada,
fatal,
a que um príncipe trocista chamou,
comovido,
a curva do Mónaco"

Registo os excertos deste poema aludindo aos números desoladores da sinistralidade rodoviária.
Choca o silêncio das autoridades que deveriam promover um debate alargado, uma campanha publicitária intensa, pela positiva (isto é, mostrando o comportamento preventivo e não as consequencias tragicas, que as pessoas têm a tendencia de achar que só acontece aos outros) e uma divulgação pública dos resultados dos inquéritos aos acidentes (como podem ser eficazes um inquérito e as suas recomendações, se a área do acidente não é imediatamente isolada e se os veículos acidentados são retirados antes dos autores do inquérito chegarem ao local?) .
A ANSR limita-se a fazer estatísticas, não tem autoridade para impor regras, desde o controle da publicidade, ao debate público do comportamento dos condutores, à organização dos inquéritos, à revisão do código da estrada.
http://www.ansr.pt/Estatisticas/RelatoriosDeSinistralidade/Pages/default.aspx

Vai-se satisfazendo a opinião pública com a diminuição dos acidentes ao longo dos últimos anos, o que é devido à melhoria das estradas, das condições de segurança dos fabricantes e da diminuição do tráfego devido à crise (é impressionante comparar os gráficos dos acidentes e vítimas com os gráficos dos indicadores económicos: descem de 2011 a 2013 e sobem depois com um diferimento).




Fica de fora a possibilidade de melhoria por adoção de condução mais prudente, nomeadamente por redução das velocidades e adaptação da condução às condições ambientais e do tráfego.
Assim, vão continuar a morrer jovens noutras curvas do Mónaco.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

3 bilhetes postais para 3 governantes - 3 - para a senhora ministra das finanças

3 bilhetes postais que não serão lidos pelos destinatários, nem sequer pelos seus assessores
3 - para a senhora ministra das Finanças

Não iria gostar de ler este bilhete postal.
Apesar dele negar que haja qualquer traço de dissonancia cognitiva no seu discurso.
Não existe oposição entre o que a senhora diz e a realidade.
Não existe uma espiral recessiva, mas existiu sim um domínio angular em que ao crescimento da coordenada angular tempo correspondia o crescimento da distancia polar que representava a queda do PIB (fórmula da espiral logarítmica, aquela em que razões de crescimento de angulos correspondem a razões de crescimento iguais para as distancias polares :  distancia polar = ekθ).
Tal como ainda existe um domínio de uma espiral em que ainda se verifica o crescimento da dívida pública.
Isto é, os indicadores macroeconómicos não estão tão maus como isso porque os privados, como diz João Cesar das Neves, já "ajustaram", embora à custa das transferencias das pensões para o setor privado.
Já reparou que 10% do PIB europeu se destinaram a ajudas diretas dos tesouros públicos aos bancos? E que as ajudas implícitas serão o dobro? 
Vivemos acima das nossas possibilidades e agora financiamos os bancos acima das nossas possibilidades também?
Claro que a senhora não precisa de se preocupar com o sacrificio dos pensionistas, dos que pouco ou nada recebem, dos desempregados e dos emigrantes e até acredito que esteja convencida de estar a ter a atitude correta. 
A sua consciencia apenas a obriga a acertar as contas no exercicio de contabilidade prática que a troika lhe passou e em que vai ter boa nota.
Não precisa (e se precisasse seria indício de que teria a reação normal de criar empatia perante a infelicidade alheia) de se preocupar com o indício preocupante da parte de impostos paga pelo fator trabalho, com peso no PIB inferior ao do fator capital, ser de 75% e estar a crescer de cada vez que se cortam pensões e de cada vez que as receitas fiscais do IRS aumentam 35% e as do IRC 18%.
O seu olhar permanecerá frio, embora eu reconheça que é a unica maneira de sobreviver ao que faz sem recorrer a apoio solidário.
Não quererá contradizer os ideólogos monolíticos de visão tubular anti-keynesiana da escola de Chicago ("sickago").
E assim vai equilibrando as contas ao sabor da  maré e da corrente de transferencia do capital das pensões para os bancos. Apenas aparentemente, claro, porque a margem de erro dos indicadores é superior às melhorias que apregoa, pese embora a sensatez com que pede contenção.
Peça contenção a quem compra Mercedes, Audis e BMWs, a quem lucra com as manipulações fiscais, as exportações de capitais  e as transações bolsistas e no ciberespaço, desde as apostas no FOREX e nas Ava Capital ("regulada" pelo banco da Irlanda?! porque se divertem com quem trabalha?) até às start-ups empreendedoras do que não vemos.
Não peça contenção a quem vive de pensões, deixou de poder ajudar os filhos e  os vê partir para a Austrália e Angola (300 que saem do país por dia, a senhora faz ideia da extensão do crime que isto indicia?).
Claro, claro, 40% do país está a viver bem, claro, só ontem, vi dois Range Rover do último modelo, daqueles todos automáticos, quando fui comprar o jornal, e a votar nos politicos que estão a tomar as decisões que não contrariam o ditado da troika.
Mas seria bom que explicasse ao senhor doutor Medina Carreira, que, honra lhe seja feita, clama contra a imoralidade das PPP, rendas e CMECs mas também acha que não há dinheiro para as pensões (ainda bem para ele que o fundo de pensões que lhe paga a pensão ainda não foi integrado na segurança social), que afinal, a segurança social é superavitária em 2014: receitas 18 500 milhões de euros, despesa 15 300 milhões de euros.
Eu sei que foi por causa do perdão fiscal (mas grande parte da dívida não era à segurança social?),  de transferencias do Estado (mas o Estado não tem de contribuir como qualquer empresa?) e dumas facilidades contabilisticas (afinal, negociar com a troika é possivel, não façam as coisas em segredo, que falta de espírito aberto; já reparou que no  mês seguinte aos públicos lamentos do senhor primeiro ministro de que a troika andava a tratar-nos mal os juros dos "mercados" baixaram? ironizo, claro, apenas para dizer que não eram as eleições antecipadas que iriam fazer subir os juros, são mecanismos estocásticos que escapam ao controle linear).
Haverá de facto um problema de piramide demográfica, mas não é agora, será mais tarde, se o seu governo continuar. 
Ah, outro sintoma de melhoria, as taxas do aeroporto subiram pela terceira vez desde a privatização (ups!, não se dizia que as empresas públicas gerem mal e não sabem baixar as taxas competitivas? a senhora também acreditou quando o seu colega especialista de PPP e secretário de Estado dos transportes lhe vendeu essa? pense duas vezes, pergunte a quem sabe como o mundo dos transportes funciona...).
Eu penso que os senhores governantes deviam deixar de se considerar detentores de verdades e de estratégicas únicas e as melhores. 
Deviam repartir o debate e as decisões, mas não devia ser só com o outro partido do arco da governação, devia ser com os outros e com os grupos de cidadãos (que tem contra o congresso das alternativas? contra a iniciativa para a auditoria da dívida?).
Olhe que na Islandia deu bom resultado...
É que assim como estamos, tão dependentes que somos do poder central europeu (eu gostava de lhe falar numa lei da Física, que explica porque num sistema de constituintes de crescimento proporcional à grandeza instantanea, os constituintes de maior rendimento tendem a aumentar a diferença para os constituintes de menor rendimento, mesmo que esse rendimento seja muito bom; é a lei de Fermat-Weber, que a reserva federal dos USA domina, ao contrário do que faz o BCE; mas não temos oportunidade para discutir isso, bem sei), resta-nos esperar que o ciclo económico externo chegue à alternancia positiva.
Eu diria que o mal é geral e exterior, que assenta muito mais a montante da desigualdade da repartição da riqueza -  assentará na desigualdade da repartição dos meios de produção. É que quanto mais privatizarem maior será a desigualdade.
E como se sabe, países de menores desigualdades sociais funcionam melhor do que países mais desiguais (até o senhor professor Vitor Gaspar falou do coeficiente de Gini).  
É outra lei da Física, um sistema cujos parâmetros do  movimento têm menor dispersão estatística têm um movimento mais estável do que os que apresentam maiores amplitudes.
E também, graças à escola de Chicago e aos exitos históricos globalizantes de Reagan e Thatcher, respaldados pelo petróleo barato do golfo e do mar do norte, podemos ignorar as leis da Física, só que não por muito tempo.
Ah! É verdade, também gostava de comentar a sua afirmação de que nada é dado de graça. 
Olhe que não, lembre-se do que dizia o inventor da vacina contra a poliomielite, Jonas Salk:
"Eu tenho o meu ordenado no laboratório, e a vacina é do povo, não tenho de patentear nada"
Que chocante que isto deve ser para um economista que sabe quanto se tem de pagar por uma coisa mas que ignora completamente o valor dessa coisa...





sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Fome em Portugal


Um amigo enviou-me este texto do blogue Aventar.
Trata da fome em Portugal.
Numa altura em que é divulgado o enriquecimento dos mais ricos e o aumento da distancia entre os mais ricos e os pobres, parece evidente que o sistema económico e financeiro dominante na UE não serve, porque afinal há geração de riqueza, com apropriação concentrada em menos, e há investimento financeiro sem produção de bens transacionáveis.
Não cumpre dois critérios básicos da Declaração Universal dos Direitos Humanos: direito ao trabalho e direito a condições dignas de vida.
Não vale apena entretermo-nosem discussões frívolas do tipo da discussão com Isabel Jonet, tudo indica ser uma questão estrutural do sistema.
Devia mudar, é inútil os senhores da troika, os seus seguidores que deteem o poder em Portugal, os financeiros, os comentadores apoiantes do governo, virem dizer que por via indireta ospobres saem beneficiados quando a economia melhorar.
Ficam os senhores do BCE muito contentes com a baixa da taxa de juro.
De facto dá jeito a quem tem de pagar a prestação da casa, mas acreditam em fadas? acreditam que os "investidores" (que preferem "investir" em virtualidades financeiras e não na produção de bens transacionáveis) vão investir, nomeadamente no que reduziria os seus beneficios derivados da cumplicidade e promiscuidade com ospoderes politicos? Quem vai investir numa fábrica cujos produtos vão render menos do que a taxa de juro que têm de pagar aos bancos, para eles poderem ter uma "margem financeira"?
As equações do PIB e do saldo orçamental são claras:

            PIB = consumo privado + investimento privado + despesas públicas +
                       exportações – importações

saldo orçamental = investimento privado ou comunitário - poupanças  
                                 privadas + exportações – importações

- Não basta aumentar as exportações (sabendo-se que 50% das exportações são de combustíveis refinados após importação dos combustíveis brutos),
- as importações têm de ser contidas, não por diminuição abusiva do poder de compra mas por aplicação de taxas de carbono (justifica-se uma politica de contenção da procura interna, não se justifica uma politica de empobrecimento)
- não devem conter-se cegamente as despesas publicas, devendo aplicar-se fundos comunita´rios no desenvolvimento das infraestruturas que dão suporte à economia com mais eficiencia energética
- não devem deixar-se acumular as poupanças sem serem aplicadas no investimento na produção de bens transacionáveis, embora se saiba que isso vai prejudicar o negócio dos importadores
- Se o PIB crescer, ou se simplesmente for melhor contabilizado incorporando economia paralela (sem perseguições), o mesmo valor do défice em percentagem corresponderá a um valor absoluto superior, permitindo maior despesa pública, por exemplo. 
- é essencial aumentar o investimento (se  o privado o não fizer, esse aumento só poderá vir através dos fundos comunitários que para isso prevêem 20 mil milhões de euros de 2014 a 2020, temendo-se que se queira utilizar esse dinheiro como banco de empréstimos a pequenas empresas, quando para isso há os bancos resgatados com dinheiro do BCE)

Que não venha o governo dizer que não há alternativas aos cortes.
Deixem-se de recusas sistemáticas de considerar as sugestões que a sociedade civil lhes faz.
Deixem-se de desmerecer da utilidade da proposta, por exemplo, de protelar o pagamento das rendas das PPP
Aceitem o parecer dos técnicos que calcularam que as obras realizadas pelos concessionários das PPP e financiadas pelos bancos poderiam ter sido realizadas por metade do preço de custo se geridas pelas empresas públicas dos respetivos domínios (esta a base para renegociar o volume de pagamentos)
Considerem a taxa Tobin, há mais de 5 anos proposta na Assembleia da Republica e recusada pelos 3 partidos do “arco da governação”
E para que não digam que não há dinheiro, considerem a proposta já com 2 anos do reitor da universidade de Coimbra, uma taxa por cada transação no multibanco sem repercussão no cliente (até as cadeias de supermercados inventam campanhas de arredondamento).
Mas não digam que não há alternativa nem dinheiro.
Há sim incapacidade de organização da comunidade em formação de combate à crise.
Ou então aceitem a sugestão do FMI, tímida, muito tímida por enquanto, de taxar os depósitos e as aplicações financeiras de mais de 100.000 euros.
Não se escandalizem, nem rasguem as vestes gritando que os investidores vão sair do país.
Talvez não fosse mau, deixando espaço para outros investimentos, que os há, sempre.

As fórmulas do PIB e do saldo orçamental foram retiradas de "Economia para todos" de David Moss, ed. Academia do livro, de onde retirei tambem a seguinte citação:
"... alguns estudiosos de Macroeconomia ... preferem acreditar que as relações económicas definidas nos seus manuais são regras invioláveis. Este tipo de arrogancia, ou estreiteza de pensamento, torna-se um verdadeiro perigo para a sociedade quando afeta os responsáveis politicos pela macroeconomia. O responsável pela politica que acredita que sabe exatamente como a economia irá responder a um estímuloo específico é, na verdade, um responsável politico muito perigoso".
Impressionante, como um distante professor de Harvard diagnosticou o pobre Portugal destes anos de fome, onde se ouve no Parlamento um membro do governo dizer que este sabe muito bem para onde vai.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

a aula de substituição em 1961 e metáforas várias

Este texto deve tudo o que possa ser interessante ao professor de filosofia do liceu Camões que, em 1961, deu uma aula de substituição, por nesse dia ter faltado a nossa professora (já havia aulas de substituição em 1961, se bem se lembram). Obviamente que o resto, excetuando a referencia à professora, é dum desinteresse de exclusiva  responsabilidade deste escriba.
Já vos tenho falado da professora de filosofia, e de história, da sua sólida formação científica em história e filosofia.
Apesar de ser esposa de um ministro do regime, ensinou-nos os princípios da análise científica do processo histórico (interessantissima a aula sobre as causas das Cruzadas) e os princípios do método científico.
Aliás foi com um comentário ao processo histórico e ao materialismo histórico que o professor começou a aula.
Depois saltou para a explicação freudiana da agressividade pela insegurança, por isso moços andam aos tiros, e tambem o mito de D.Juan, seduziu 1003 mulheres em Espanha, como diz Leporello (D.Giovanni, de Mozart e Lorenzo da Ponte), mas com quantas dormiu? a sedução é uma compulsão para tentar provar as suas capacidades, mas na hora da verdade foge, desculpando-se que tem de ir seduzir mais mulheres; ou o caso da mulher que oculta que o marido bebe e depois lhe bate, a ela, mas depois tambem ele sente-se forte e sente-se seguro nas suas atividades explicitamente conjugais, por isso o professor contou que aquela mulher se voltou contra quem quis protege-la das bofetadas do companheiro  na rua, isto é  fado na sua melhor expressão.
Apreciado professor, quem diria que tinhas razão, até nisto da pobre economia do país, porque também por isso, pela agressividade da insegurança, os economistas agora recusam, na hora da verdade, com uma agressividade para quem defende outras alternativas, o investimento; pobre de quem frustado, sofre as agruras da ausencia de investimento.

              saldo orçamental = INVESTIMENTO - poupanças + exportações - importações

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Do outro lado do Atlantico

Do outro lado do Atlantico virá uma sugetão para as nosas dificuldades. Viram-se nas manifestações cartazes com os dizeres educação 10%, saude 10 %. Aí temos uma boa sugestão para o senhores decisores que querem decidir a "reforma" do Estado pelos cidadãos e cidadãs, sem os ouvir bem. Despesas com educação com 10% do PIB como objetivo, saúde 10%, cultura 1% e segurança social 25%. Será então de cuidar melhor das estatisticas do PIB com uma economia menos burocrática e castigadora, substituir importações,deixar o conto de fadas que reduzind o Estado a iniciativa privada cresce, e dinamizar o fundo de estabilização financeiro, comprando divida estrangeira (em vez de vender como quis o senhor ex ministro Gaspar). Ah, distribuindo melhor os sacrificios (taxações das transações na bolsa e uns centimos por cada transação do multibanco), contendo as importações alimentares e de energia, e naturalmente, investindo com fundos QREN (Horizonte 2020). Parece um programa de governo, não é? A dificuldade é pôr os gabinetes de engenharia a trabalhar nestas coisas (de economistas e de advogados, não, por favor, só em regime de prestação de informações). Este post é dedicado ao senhor professor João Cesar das Neves, que repetiu na sua crónica de hoje no DN o lamento do senhor professor Marcelo Caetano: "como é dificil governar", achando que os portugueses falam sobre o que não sabem quando discutem s politicas do governo e criticam o estrsangulamento das empresas e da economia(não sei, eu, a falta que faz o investimento em energias renováveis para substituir as importações de combustíveis fósseis? desde que haja investimento em linhas de transmissão em muito alta tensão contínua para a França e redução das rendas das produtoras por disponibilidade das centrais de carvão... mas para discutir isso é preciso conhecer o assunto, nao será?)

domingo, 23 de junho de 2013

Entrevista de Ferraz da Costa - crédito às pequenas e médias empresas

Existe uma dificuldade grave de perceção do problema do crédito às pequenas e médias empresas.
É, de facto, uma questão importante e deve haver apoio.
Mas existe um grande problema de falta de dimensão, por definição, que limita a eficácia dos empréstimos e investimentos.
Para além de raramente o setor estar virado para os tais bens e serviços transacionáveis que servem para combater a dívida externa (problemas mais graves do país: a dívida externa e o baixo PIB).
Uma das soluções para o problema da falta de dimensão é a associação das pequenas empresas em cooperativas. Há muitos exemplos de sucesso. As cooperativas de produção de vinho são um exemplo.
Dificuldade: a desconfiança congénita dos portugueses, e a sua insegurança que reduz a sua capacidade de trabalhar em grupo.
Quanto à falta de orientação para o setor transacionável, temos mais um exemplo de que as regras do mercado livre e da esperança na iniciativa privada não funciona em Portugal, por mais sucesso que tenha noutros países.
Parecerá que, para aumento do investimento para aumento do PIB  e redução da dívida externa, devemos caminhar, mesmo que transitoriamente, no sentido de uma planificação da economia, para escolha das áreas onde investir e oferecendo um guião de atuação em que a iniciativa privada se iria incorporando.
Um pouco como aquela ideia das autoestradas com "trens" de automóveis equipados com sistema de condução automática, ou com os pacotes de mensagens nas redes informáticas.
Já não estamos em época de correias de transmissão, de veios mecânicos e correias a ligar aos tornos, mas será ingenuidade esperar que basta emprestar a pequenas empresas, ou reduzir-lhes o IRC (deve reduzir-se, asim como IVA deve reduzir-se, mas não exageremos nem acreditemos que é o suficiente)  para que o PIB volte a crescer e a divida externa a diminuir ( ingenuidade só ultrapassada pela ideia de que a austeridade conduziria ao equilibrio orçamental e isso aumentaria a confiança dos investidores privados que investiriam mais).
Planificação da economia, precisa-se (pessoalmente diria que a prioridade é o investimento na produção go-alimentar, na produção de energia e na aplicação de fundos QREN/Horizonte 2020 nas infraestruturas de ligação a Espanha e à  Europa).
Sugiro, sobre a dimensão das empresas, a leitura da entrevista de Ferraz da Costa no DN/Dinheiro Vivo de 2013-06-22 (ver a resposta a questão sobre o estudo da OCDE sobre a diminuição do custo do trabalho e o aumento da produtividade em Portugal) :
http://www.dinheirovivo.pt/Economia/Artigo/CIECO184826.html?page=0


PS em 23 de junho - o facto de citar Ferraz da Costa não significa que concorde com tudo o que diz (discordo por exemplo da apreciação que faz do ministro das finanças, que pessoalmente considero incompatível com uma solução correta para a crise), mas que se deverá ponderar as suas obserações, nomeadamente sobre os maus resultados de novo investimento estrangeiro, as demoras da justiça e a burocracia e incerteza fiscal.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Com o devido respeito ...

Com o devido respeito por quem foi eleito, pese embora com falsas promessas documentadas na televisão, ou nomeado por quem foi eleito, não reconheço ao senhor primeiro ministro nem ao senhor ministro das finanças competencia técnica para opinar, ainda por cima sem apresentar cálculos fundamentadores ou dados tratados, sobre a influencia da chuva nos contratos de investimento na construção civil nem sobre a estrutura organizacional de um Estado  (fala do senhor ministro das finanças: “Naturalmente que a diminuição do investimento é muito preocupante, sendo no entanto que o investimento no primeiro trimestre é adversamente afetado pelas condições meteorológicas no início do ano, que afectaram a atividade da construção”). 

E não reconheço porque o percurso profissional desses senhores não apresenta credenciais para isso.
Tive contactos com a construção civil ao longo da minha vida profissional e os contratos de investimento não se faziam à chuva, mesmo que estivesse a chover. Faziam-se no interior de edifícios, e a chuva não impedia os negociadores do contrato de se deslocarem. Alguns desses contratos que metiam remoção de terras argilosas estipulavam que, se chovesse e houvesse muita lama, o cronograma era suspenso, para não prejudicar o cumprimento do prazo pelo empreiteiro. Bem critiquei os meus colegas da construção civil que assinavam essas cláusulas quando exageravam nas facilidades, mas nada consegui (pudera, as empreitadas que eu controlava nunca excederam 20 milhões de euros). Os empreiteiros levavam para as reuniões 5 advogados e um engenheiro (que sorria cinicamente quando via o meu ar frustrado) e um deles ficou muito contente por até ter recebido um prémio de antecipação da conclusão de uma obra de 170 milhões de euros com um ano de atraso mas 6 meses de avanço descontando a chuva.
Isto só para dizer que as condições meteorológicas são uma coisa e o plano financeiro da execução de um contrato é outra, que nem todas as obras são afetadas pela chuva e que o inverno português é muito mais suave que nos países de maior PIB. Ou que as obras a realizar no verão são planeadas no inverno. Ou que as obras de contenção de cheias se projetam em períodos de seca. Ou que os planos de investimento se fazem quando não há dinheiro para fazer obra.

Mas não tenho esperanças que o senhor primeiro ministro ou o senhor ministro das finanças aceitem isto.
Estão na deles, agarrados à sua ideia de  missão histórica (deuses, que sintoma de hipomania), de que a diminuição do PIB (não atire areia para os olhos das pessoas com a segunda derivada, que o PIB contraiu mas a uma taxa menor do que no ano passado) e o crescimento da divida, do defice e do desemprego  são menos importantes do que um juro de obrigações a 10 anos de 6% (deuses, a taxa de referencia está a 0,5%), e de que estrutura de um Estado é um esqueleto seco como quadro de pessoal do funcionalismo público.

Não, senhor primeiro ministro, o peso do Estado em Portugal e a despesa com os seus funcionários não são elevados em valor absoluto, compare com os outros países, não apenas com alguns.
O que estraga os indicadores é o baixo valor do PIB. É o PIB que tem de aumentar, para que em valor relativo a despesa pública baixe.
Mas a missão de aumentar o PIB, porque obriga a selecionar os investimentos (sem investimento não haverá crescimento, e sem abaixamento das taxas de juro dos empréstimos às empresas ou ao Estado também não) e a conter despesas por aumento de eficiencia, exige uma competencia técnica (não apenas do ponto de vista financeiro, mas principalmente do ponto de vista das engenharias) que os senhores ministros não têm e exige concentrar as atenções nas frentes de trabalho com independencia do poder politico, financeiro e empresarial.
E como não têm essas competencias (farão ideia do que é uma central solar térmica de sais fundidos?), nem aceitam a descentralização das decisões ao nivel dos técnicos nas frentes de trabalho, nem a separação entre o poder politico e o poder económico e financeiro, e como os orgãos institucionais de controle do poder executivo ainda acham que as instituições estão a funcionar regularmente, resta aguardar que os mecanismos eleitorais dos partidos  e o formalismo democrático das eleições legislativas funcionem no sentido do crescimento do PIB.

Aguardemos, citando o texto de um psicólogo, D.Goleman, autor do livro "Inteligencia emotiva", ao estudar a educação contra a intolerancia para a transformar em altruismo, e que dedico ao senhor primeiro ministro e ao senhor ministro das finanças, um segurissimo de que detem a verdade, e outro que só reconhece como erro o não ter cometido mais ações que muitos à sua volta classificam como erros:
"... a educação das emoções leva à empatia, que é a capacidade de ler as emoções dos outros, e como sem perceção das exigencias e do desespero dos outros não pode existir a preocupação pelos outros, a raiz do altruismo está na empatia, que permite a cada um alcançar a atitude moral de que o nosso tempo tem grande necessidade: a compaixão".





quarta-feira, 24 de abril de 2013

A fusão fria, a correlação divida publica-crescimento económico e o plano de crescimento

Há uns anos, um par de cientistas pândegos fez uma conferencia para demonstrar a sua descoberta da "fusão fria".
Claro que era uma fraude, uma violação dos princípios do método científico de verificação rigorosa por terceiros da metodologia e dos resultados de uma investigação.
Este episódio contrastou com a demonstração do teorema de Fermat, concluida depois do seu demonstrador ter corrigido uma deficiencia apontada pelos matemáticos.
Pelos vistos o método científico tambem falhou na teoria da correlação entre níveis elevados de dívida pública e baixas taxas de crescimento.
A apresentação dos resultados pela dupla R-R foi feita em 2010 ("Growth in time of debt") e serviu para fundamentar as politicas de austeridade, na medida em que associava as baixas taxas de crescimento de muitos países ao seu elevado grau de endividamento publico.
Os resultados da sua observação estatística davam para uma correspondencia entre dividas publicas superiores a 90% e recessão de média de 0,1% do PIB (crescimento de -0,1%).
Poderia portanto concluir-se que paises com elevada divida publica deveriam suspender o seu crescimento para não aumentar ainda mais a divida.
Ou dizer-se que baixando a dívida através de cores e sacrifício de vendas de património a recessão induzida não seria grave.
Só que os cálculos foram refeitos e concluiu-se que a uma dívida publica superior a 90%  corresponde para os respetivos países uma taxa de crescimento de 2,2% do PIB.
Ou que o multiplicador da austeridade afinal tem um efeito superior "ao esperado", para repetir o que o senhor ministro das finanças português diz muitas vezes, e como há poucos meses a senhora diretora do FMI envergonhadamente reconheceu.
Ficou assim provado que a surpresa da recessão (ou da espiral recessiva, como o referido senhor ministro e os seus secretários de Estado não gostam de ouvir) só era surpresa para quem se tinha enganado nas contas do Excel.
De facto, descobriu-se que os senhores R-R, ao fazerem a soma de uma coluna de dados no Excel, deixaram de fora algumas células, o que naturalmente alterou a correlação.
Depois, verificou-se que os "investigadores" dispunham de dados ao longo de 110 anos de observações, mas que só utilizaram dados de 96 anos (que nome tão feio que isto pode ter).
E finalmente, a ponderação dos dados forçou a conclusão (idem).

A conclusão é simples, e que é a de que andam uns senhores economistas académicos a recolher dados e a trabalhá-los no sentido que lhes convem  e a quem lhes paga, e não com o objetivo científico de estudar soluções concretas para os problemas das comunidades.
Claro que é esta a impressão que nos dão tambem os nossos académicos quando vociferam contra a despesa pública.
Mais valia que se preocupassem tambem com a despesa privada, sem prejuizo, naturalmente, de trabalharmos todos para a melhoria da eficiencia dos sistemas públicos, nomeadamente com a taxa de rentabilidade dos investimentos.
Afinal, no país do "que parte da frase não há dinheiro não percebe?" apareceram 3.500 milhões de euros para a CGD emprestar às pequenas e médias empresas.

Pena, tudo isto, a falta de espírito científico dos académicos do FMI e seus representantes no governo português, e pena a incapacidade da sociedade portuguesa se organizar para pôr de pé um plano consistente de crescimento.
Que o apresentado pelo senhor ministro Álvaro Pereira é uma boa relação de boas intenções (muitas delas repetidas por quem discorda do atual governo desde que ele tomou posse), que faz lembrar a anedota do salão de beleza (a senhora explicou ao marido que tinha chegado tarde porque tinha ido ao salão de beleza, e o marido questionou, então porque não ficaste mais bonita?). A referencia à desburocratização depois do Siplex ter sido torpedeado tambem faz parte do estilo farsa. Com tanto dinheiro para investir, porque é que não se investe bem? Um método de abordagem para bem investir poderia ser, talvez, analisar por que, por esse país fora existem tantos parques industriais ao abandono? (resposta: falta de um plano estratégico integrado e participado a todos os níveis; esperança vã de que as empresas, por si só, dinamizem a economia).
Não esquecer ainda uma condição básica: é que não basta ter uma taxa de crescimento do PIB (o plano fala em 2% até 2020) . É essencial que essa taxa seja superior à taxa de juro (sabe-se que os nossos benfeitores nos emprestam entre 3 e 4%, sem o que o endividamente subirá como o balão que sobia que sobia. Ou, como diria Fernão Lopes, a taxa de juro tem de ser inferior à taxa de crescimento, senão, não.

Sintetizando, mantem-se válida a observação do prof.Carvalho Rodrigues: é indispensável que a ciência faça parte da equação (o que infelizmente não se tem verificado até aqui).

Referencias:
- Análise de Luis Reis Ribeiro sobre o estudo de R-R em
              www.dinheirovivo.pt

- plano de crescimento até 2020 em




quarta-feira, 17 de abril de 2013

Um minuto de economia - porque cresce a divida publica


Um minuto de economia

Num minuto pode dizer-se muita coisa, embora a síntese não seja o meu forte.
Então analisemos:
Parece lógico que quanto maior a despesa pública maior a dívida pública, não é?
Só que só é parcialmente verdade.
A essência das finanças públicas não está aqui.
O que torna a divida publica insustentável (e já é mais do que 123% do PIB...) é a taxa de crescimento ser inferior à taxa de juro dos empréstimos.
Portanto os senhores que mandam mentem ao povo com todas as suas forças quando o responsabilizam pela dívida pública e propõem os cortes na educação , na saúde e na segurança social.
Cortando nos benefícios sociais temos assim os pobres a financiar os ricos rentistas, pr mais que o senhor ministro das finanças diga que a economia é o ponto de encontro da cooperação entre os que vivem do seu trabalho e os que vivem dos rendimentos do trabalho dos outros (que bonito, um mundo sem conflitos sociais...que conto de fadas tão bonito que o senhor ministro das finanças conta).
Não é que eles não saibam que isto é uma espiral recessiva.
Não são incompetentes, sabem perfeitamente que é uma espiral recessiva, mas é preciso manter viva a chama do pecado original.
Quando nascemos já trazemos a culpa.
È do que os “mercados” precisam, do complexo de culpa dos contribuintes.
Já passou o minuto?
Então eu resumo:
cortar na despesa publica tem um efeito recessivo, logo menos despesa publica significa maior diferença entre o crescimento do PIB e as taxas de juro (nesta perspetiva, 3% que é o juro da troika é demais e a divida pública não parará de crescer), e essa maior diferença significa maior divida publica.
Logo, cortar na despesa publica de forma cega é um atentado contra os cidadãos e cidadãs. O essencial está no crescimento do PIB (investimento publico ou privado, não interessa, mas investimento reprodutivo).
E que se deve fazer a quem comete atentados?

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Mais noticias da Ivalandia em fevereiro de 2013-02-23


O senhor ministro das finanças recostou-se confiante na sua cátedra e pausadamente explicou aos militantes preocupados do partido do governo a sua visão:

-  As necessidades de controlar o ajustamento na execução orçamental podem vir a obrigar-nos a redobrar o cuidado com que monitorizamos essa mesma execução orçamental, porque só dessa maneira poderemos cumprir os objetivos e compromissos do memorando que assinámos com a troika, sem o que não cumpriremos esses compromissos.
Essas necessidades serão sempre por culpa da envolvente externa e nunca por deficiências de análise nossas ou por ignorancia de que aumentar demais o IVA provoca diminuição da respetiva receita, ou por sermos incapazes de aceitar a realidade dos multiplicadores cortes-redução do PIB, ou de reduzir a dívida pública.
Aliás, as nossas análies são uma prova de que o caminho que estamos a seguir é o certo, porque o caminho errado seria o desemprego a descer e o PIB a crescer.
Isso não seria a austeridade a que nos comprometemos com os nossos credores e enervaria os mercados para alem do suportável.
Poderemos por isso ter de ser capazes de aplicar as medidas que previmos como reserva para responder a essas necessidades,  no caso disso sermos capazes, embora de momento ninguém tenha nada de saber que medidas de reserva foram essas que previmos.
Entretanto, por via das dúvidas, iremos aumentar o prazo para cumprimento das metas, confirmando assim a ideia que o governo tem defendido de que sabe escutar as opiniões contrárias dos opositores.
Muito obrigado.



sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

No reino da Ivalandia em fevereiro de 2013





Anunciado um corte de 30% na contribuição pública para a Fundação Serralves.

O atual governo acha que assim deve ser, como medida de consolidação orçamental para mostrar à troika.

Feitas as contas à atividade da Fundação em 2010, foram 450.000 visitantes e uma contribuição para o PIB de 40 milhões de euros.

Ora, o subsidio público em 2010 foi de 4 milhões de euros, mais outro tanto de mecenato de grandes empresas e de particulares.

Isto é, o fator multiplicador para o PIB do subsidio publico foi (40/2)/4 = 5

Imaginemos, à moda de um problema de Fermi, que não estou dentro dos pormenores, que a evolução negativa afetou o multiplicador, e que ele agora será metade: 2,5 .

A contribuição para o PIB do subsidio estatal, mantendo-se os 4 milhões, seria de 4x2,5=10 milhões de euros.

Afinal, o mal não está nas parceiras em si, pode haver parceiras que funcionem.

Não depende da estrutura, depende das pessoas…

Porem, o governo, aliás com o apoio dos vociferantes das caixas de comentários da Internet, contra tudo que seja subsidio a fundações ou institutos, anunciou o corte de 30% (a história do corte das gorduras, que como é cego vai ao osso).

O que quer dizer que o governo atual não quer que o PIB fique a dever ao apoio público à Fundação de Serralves 10x0,3= 3 milhões de euros. Contenta-se que o benefício para o PIB seja de 7 milhões de euros.

São números pequenos, dirão os macroeconómicos.

E os mecenatos particulares substituir-se-ão aos apoios estatais, dirão os ultraliberais.

Pois.

Diz este blogue que é apenas um exemplo da incompetência técnica dos senhores governantes.

Como ainda há pouco tempo disse Daniel Bessa (e este blogue também) o nosso problema é termos pouco PIB.

Essencial aumentá-lo.

E não venham com essa das faturas.

Como também disse Vítor Bento, de cada vez que se ameaça com o cruzamento das bases fiscais, alguém inventa uma forma eficaz de fuga.

Confiança é uma condição essencial entre as partes.

Não há confiança na competência deste governo (ou na mentira premeditada, como diz José Manuel Pureza; começar por falar numa recessão contida e depois fazer um orçamento retificativo com uma “previsão” mais gravosa).

Numa primeira fase, para compor isto, bastava remodelar o primeiro ministro, o ministro das finanças e aquele senhor ministro dos assuntos parlamentares. O resto do governo podia ficar, já que o mandato é até 2015, não sou tão radical como isso, esperando-se que na campanha eleitoral desse ano não haja mentiras premeditadas seja de quem for.







quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

O relatório do FMI de 9 de janeiro de 2013

- Perante a gravidade das medidas estudadas no relatório do FMI  “Rethinking the state – selected expenditure reform options” (http://www.imf.org/external/pubs/ft/scr/2013/cr1306.pdf  )
de 9 de Janeiro de 2013 para cortes adicionais na despesa do Estado de 800 milhões de  euros em 2013 e de 3.200 milhões de euros em 2014, sem que sejam apresentados os cálculos da sua fundamentação e da sua necessidade e com desprezo pela já dificil situação económica de reformados e pensionistas de menor rendimento, apesar de hipocritamente dizer defender a equidade e a repartição equitativa dos sacrificios
- perante a dissonância com a afirmação da diretora do FMI de que as medidas de austeridade produziram um efeito recessivo superior ao esperado,
- perante a mesma dissonância com o estudo de técnicos do FMI sobre “Growth forecast errors and fiscal multipliers”
(http://www.imf.org/external/pubs/ft/wp/2013/wp1301.pdf     - não é um documento oficial do FMI), em que a observação mostrou que os efeitos dos cortes na consolidação orçamental provocaram a redução do PIB superior à esperada (aplausos ao eurodeputado do CDS Nuno Melo que propôs à comissão europeia a validação da alteração dos termos do cumprimento do memorando com a troika devido aos erros de previsão cometidos),
- e perante a recusa do governo em promover outras medidas de redução do défice, como sejam as propostas de taxação das transações financeiras, de taxação das transações do multibanco, de substituição das dividas de maior juro por outras de menor juro mediante subscrição pública, de aumento da tributação dos rendimentos do capital e de promoção do crescimento e emprego através de projetos elegíveis pelo QREN,

parece justificável adotar as soluções já praticadas pelos países da América do sul e pela Islândia, dando inicio à renegociação dos juros e dos prazos de amortização com vista a,
- liquidar o empréstimo, ou a parte do empréstimo que for julgado curial liquidar, considerando a recessão em que a Europa se encontra e os juros negativos atualmente obtidos pelo MEE
- suspender a livre circulação de mercadorias, impondo taxas alfandegárias

O texto do relatório mais uma vez indicia que as propostas do FMI terão sido ditadas pelo próprio governo de modo a obter credibilidade junto todos eleitores. Isso é especialmente provável no capitulo da educação, em que se adivinham as ideias do ministro, e nas intenções do documento, pela similitude com a argumentação do primeiro ministro no sentido de considerar as reformas superiores ao devido pelos descontos e da necessidade de repensar as funções sociais do Estado (aparentemente o termo refundação, para designar rethinking ou repensar, será uma dislexia etimológica do primeiro ministro).

O relatório confirma assim a intenção dos governantes e dos seus mandantes externos de ideologicamente substituir as funções públicas pela atividade privada, apesar de hipocritamente quererem  mostrar fins didáticos ao citarem a linha de separação entre os conceitos de Musgrave e Buchanan (agradecido pela informação, que é útil; desconhecia estes senhores; discussão na página 9 sobre o papel do Estado).
Mais uma vez se relembra que uma alteração constitucional e um desrespeito pela declaração universal dos direitos humanos exige a explicitação da opinião de 2/3 de eleitores, cosa que deve ser difícil de entender pelos mandatários da Goldman Sachs, Moedas e Borges.

Aparenta ainda o relatório a técnica do escândalo de supetão, para levar as pessoas a aceitar posteriormente um mal menor.
Não é uma forma democrática e participativa de debater as questões e é uma forma ideologicamente demasiado parcial de as tratar.
Não é concebível cortar na educação, na saúde, nas prestações sociais, na segurança publica, porque isso não só provoca a diminuição do PIB (como mostrado no citado estudo do FMI) como provoca a prazo de 3 a 5 anos um intolerável aumento da criminalidade e do vandalismo conduzindo à pioria dos indicadores de conforto e de desigualdade social. A menos que se queira a politica da terra queimada, quanto pior melhor, e uma sociedade dividida em condomínios seguros e favelas inseguras, produzindo em competição com as economias asiáticas (embora a TSU na China tenha passado para 30% pago pela empresa e 10% pago pelo trabalhador).

Independentemente da insensibilidade dos mandantes e dos autores do relatório, concorda-se com a necessidade de fazer contas, de saber quanto custam as funções sociais e os seus cortes. Mas faltam as contas da identificação das dividas, dos credores, da distribuição dos empréstimos por tipos de despesa. Faltam as comparações com os outros paises em termos absolutos dos gastos por cidadão e não em percentagem do PIB.
Falta identificar a grande questão, que é a de termos um PIB tão baixo, e portanto um PIB per capita insuficiente, e a influencia que a grande divida privada exerce sobre a balança de pagamentos e sobre as contas publicas (divida publica, incluindo empresas publicas 150% do PIB; divida privada 320% do PIB, repartida 180% pelas empresas privadas, 100% pelos particulares, 40% pelos bancos ; 70% da divida privada de empresas e particulares é de crédito imobiliário) . Falta analisar e propor soluções para  a sua subida, para o alargamento da estatística aos domínios da economia paralela, para a simplificação administrativa da economia e da justiça. Falta mobilizar os pequenos, como disse o empresário dos carrinhos de feira quando foi falar com o ministro das Finanças, que Portugal também é dos pequeninos, que o capital também tem de suportar os sacrifícios (se dizem que não há dinheiro e estamos numa emergência, é legitimo ir buscar o dinheiro onde ele está, não?), que aos bancos injetam capital, e às pequenas empresas deixam-nas morrer descapitalizadas.
E não reconheço competência técnica aos autores e aos mandantes por falta de experiencia em empresas, para discutir aumentos de eficiência, e portanto aumentos do PIB.

PS em 11 de janeiro de 2013 - Têm sido interessantes as reações à divulgação do relatório, desde a opinião do senhor governante da Goldman Sachs, Carlos Moedas, até à análise de Carlos Carvalhas, que classifica com clareza o governo atual como mandante, possivelmente com o mesmo significado que eu atribuo à palavra, o responsável moral por um crime (ou intenção de crime se considerarmos que cortes na saúde podem provocar a morte antes de tempo, e cortes na educação, através do subsequente aumento da criminalidade, podem ter o mesmo efeito).
Interessantes as declarações de Claude Junker, presidente cessante do Eurogrupo, agora mais assertivo quando diz que os paises vitimas da austeridade devem ser recompensados, ou do presidente do parlamento europeu, Martin Schulz que pede aos senhores do FMI para se entenderem (de facto, Maria João Rodrigues já tinha dito que melhor seria o atual governo negociar diretamente com a direção do FMI, não com os seus senhorinhos) e insiste no óbvio que o atual governo não quer ver (apesar da patética declaração do senhor ministro Marques Guedes, a dizer que o governo se revê nos comentários...), que austeridade sem crescimento é auto-destruição. E já dizia o ex-MRPP Durão Barroso, mantendo a sua postura de grande educador , que tem de haver politicas de crescimento (pois, mas não será hipocrisia simples, defender politicas neo-liberais de contenção de custos de produção e de preços que necessitam de elevadas taxas de desemprego e falar em politicas de crescimento para combater o desemprego?).
E se se fizesse o mesmo que se faz em certas empresas? mudavam-se alguns ministros, punha-se o senhor primero ministro na prateleira, com o senhor ministro das finanças e seus secretários de estado, especialmente o senhor do relatório bem feito, arranjavam-se uns especialistas tipo Monti, com preferencias ideológicas bem diversificadas, da esquerda não governamental à direita da doutrina social cristã, que colegialmente iam traçando as estratégias de calendário superior ao dos ciclos eleitorais. Não era preciso demitir o governo, nem fazer eleições legislativas antes de 2015. Bastava pôr os senhores na prateleira, entretê-los com discussões académicas como a revisão da teoria dos hifens no novo acrode ortográfico, ou a autoridade aérea, se será civil se militar (não seria mau pôr tambem na prateleira e arranjar quem resolva as questões o senhor ministro que quer e não quer privatizar os estaleiros de Viana e não deixa avançar a construção dos asfalteiros, e aquele senhor que tem sempre razão e não há meio de saber, porque os estudos ainda não estão prontos, se privatiza, se concessiona, se pelo contrário, a Carris e o Metro - se não tem experiencia de transportes para saber o que deve fazer, como pode avaliar a competencia técnica de quem faz os estudos ou de quem aconselha?). Bastava o próprio partido do governo tomar a iniciativa, agora que até existe a plataforma para o crescimento sustentável, com um relatório que é um programa acima das politicas partidárias (interpretação minha), embora se possa classificar como de direita moderada (interpretação minha).
Mas infelizmente, é dificil em Portugal mobilizar uma equipa. Parece que só podem funcionar equipas monocolores.
É uma pena, os partidos da oposição deviam aceitar a participação na comissão do "repensar o Estado", e depois aproveitar para apresentar as medidas para repensar tambem as funções do privado, e das dividas ao privado, como os 8 mil milhões de euros do BPN e SLN, e avaliar quanto custaria renacionalizar cimenteiras, energéticas, bancos e seguradoras que dão lucros e dividendos, divulgando obviamente os cálculos e as medidas (não estou a dizer que se deve renacionalizar, como na Bolivia, no Equador ou na Venezuela, depois da saida do FMI; estou a dizer apenas que se deviam fazer cálculos).
Que a comissão é uma farsa já sabemos, mas apresentar as propostas concretas no interesse do povo português não seria uma farsa.
Mas como diz o provérbio, vozes de burro como a minha não chegam ao céu de tão perclaros pensadores.
PS em 14 de janeiro de 2013 - corrigidos os numeros da divida publica e da divida privada conforme o boletim estatistico do Banco de Portugal de 10 de janeiro

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Business as usual




Ficou bem ao ministério da educação reconhecer algum mérito ao esforço dos professores e alunos que, tal como com o PISA, mostraram nos resultados do TIMSS e do PIRLS algumas melhorias.
Porém, os cortes na educação são por demais ameaçadores, com provável declínio e contribuição para o aumento da violência e criminalidade na mesma  geração agora avaliada.

O PISA é o programa internacional para avaliação dos estudantes do secundário.
O TIMSS é o programa que avalia a evolução do ensino da matemática e das ciências dos alunos do 4º ano (10 anos de idade) e 8º ano (14 anos).
O PIRLS avalia a literacia.

Os resultados dos testes feitos em 2011 (portanto sem nada dever às medidas do atual governo, e, salvo melhor opinião, sem nada dever à introdução dos exames do 4º ano, porque introduzidos no mesmo ano dos testes) foram agora publicados em:

Segundo a análise do DN, os alunos:
- na leitura,  “não têm  fluência suficiente para fazer interpretações baseando-se no texto”,
- nas ciências, “têm apenas compreensão elementar sem domínio suficiente dos conhecimentos”
. na matemática, “não têm domínio suficiente dos conhecimentos para resolverem problemas de resolução não imediata”

Salvo  melhor opinião, porque me parece que as crianças refletem com fidelidade os seus pais (“não te preocupes, filho eu também nunca gostei de matemática”), e são os mesmos pais que votam, estamos em mais uma situação catastrófica, que ainda não é grave.
Não pretendo culpar os eleitores, apenas reafirmar que a nossa democracia tem poucas defesas contra políticos de falsas promessas que com falinhas mansas se aproveitam da tradiciona pouca preocupação em discutir as coisas em debates alargados baseados em cálculos fundamentados.
Esperemos que a demagogia dos políticos que ganham eleições com essas falsas promessas não vingue novamente em Itália (ou de como uma verdade, que a politica europeia é germanocentrica, como diz Berlusconi, se pode transformar numa catástrofe ainda mais grave).

E até pode acontecer que o problema de dificuldade em interpretar os dados da realidade não seja só português.
Se os grandes bancos internacionais já vão fazendo o seu negócio especulativo “as usual”, com generosidade até para pagar multas aos USA por branqueamento de capitais em off-shores  (caso do USB suíço e do HSBC), porque não haveriam:
- os bancos portugueses de anunciar “fundos” de elevada rendibilidade (com as tais letrinhas pequenas a dizer que a dita não é garantida),
- as empresas de financiamento particular insistir nos seus serviços, com TAEGs mais ou menos especulativos
- o Volkswagen Bank instalar-se com condições irresistíveis para os portugueses comprarem mais carros da marca (isto é, feitas as contas, apesar da Auto Europa, com o negócio da Volkswagen sai mais dinheiro do país do que entra, ou dizendo melhor, o dinheiro que a Alemanha empresta serve para comprar carros alemães com juros; eu ainda sou do tempo em que os bancos não emprestavam dinheiro para compra de automóveis),
- as agencias de viagem anunciarem cruzeiros de 7 dias com pensão completa a preços inferiores aos de estadia igual num hotel,
- as companhias aéreas não “low cost” que apresentaram resultados negativos anunciarem “air shoppings” em capitais europeias a preço de saldo?

Acho que o enunciado do problema  é muito claro:

1 – todos entendem a questão básica, que é a de que o PIB deve crescer
2 – também se compreende que o PIB é expresso por uma fórmula matemática
3 – também é elementar, e como tal, tal como no TIMSS, se compreende, que nessa fórmula apareça como termo negativo as importações (isto é, quanto maiores as importações, menor o PIB)

Então porque cargas de água andamos a estimular as importações, em plena euforia “business as usual”?
Ou talvez o defeito de interpretação seja meu, que não sou capaz de entender que talvez não fosse necessário informar a União Europeia que, devido à crise e à situação de emergência, não é possível a este país garantir a plena e livre circulação de mercadorias e serviços através das suas fronteiras, assim como se suspende o acordo de Schengen quando convem (aos puristas da economia livre recordarei as teorias das vantagens comparativas de David Ricardo que não foram revogadas pela fúria globalizante).
Que talvez fosse suficiente aumentar as taxas pagas por este tipo de publicidade e explicar em programas de serviço publico na televisão porquê.

Não sendo assim, tudo continuará  com “business as usual”, e nesta situação catastrófica embora ainda não grave.

PS em 14 de dezembro - O DN voltou ao tema dos resultados do TIMSS  através de Fernanda Cancio, que chamou a atenção para que, em matemática, cerca de 40% dos alunos portugueses estão nos 2 (em 4) niveis mais elevados, quando a média internacional é de cerca de 30%.
Portanto, as dificuldades de resolução serão comuns a outros paises da Europa, Alemanha incluida (seria interessante ver se há alguma correlação entre o sistema dual de ensino incensado pelo senhor ministro Nuno Crato e essse mau resultado dos alunos alemães; mas provavelmente será apenas o aumento do fosso entre os alunos mais bem preparados e os alunos pior preparados).
E o panorama não seria assim tão catastrófico para Portugal.
O problema é que a diferença entre alunos bem e mal preparados é grande (cada vez maior? interessava ver isso) e talvez a dificuldade de interpretação justifique as más escolhas de politicos que os europeus foram fazendo ao longo de décadas.
Salvo melhor opinião, claro.

 

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Dedicado ao senhor ministro das finanças Vitor Gaspar

Excerto do livro "Economia para todos" , de David Moss, professor de Gestão, Administração Publica e Economia internacional na Harvard Business School, ed. Academia do livro, de onde eu tenho retirado as fórmulas do PIB e do investimento:

“Infelizmente, alguns estudantes de Macroeconomia sentem-se tão confiantes em relação àquilo que aprenderam que se recusam a ver quaisquer desvios, preferindo acreditar que as relações económicas definidas nos seus manuais são regras invioláveis. Este tipo de arrogância (ou estreiteza de pensamento) torna-se um verdadeiro perigo para a sociedade quando afeta os responsáveis pela macroeconomia. O responsável pela politica que acredita que sabe exatamente como a economia irá responder a um estímulo específico é na verdade um responsável político muito perigoso.”

Questionado sobre o falhanço da quebra de receitas do IVA, do ISP e do IRC e do aumento da despesa pública apesar da diminuição dos gastos de pessoal e do investimento (foi o serviço da divida que cresceu), o senhor ministro Vítor Gaspar teve a honestidade de se assumir como único responsável (não é verdade, mas se fosse, seria uma prova de que assunto tão complexo não pode depender de uma pessoa só, por  mais iluminada que seja) e, de forma superior e pouco urbana como já é seu timbre, afirmar o “enorme desvio entre o que os portugueses acham que devem ser as funções sociais do Estado e os impostos que estão dispostos a pagar”.
Há uns anos , houve um senhor ministro que disse: “Quem quer saúde, paga-a”. Não parece pois ter havido grandes progressos.
Insistiu ainda que a queda do PIB em 2013 será de 1%, e que o multiplicador do impacto da austeridade sobre a  queda do PIB não estava compreendido entre 0,9 e 1,7, mas é apenas de 0,8.
Quanto ao dia do regresso aos mercados, anteriormente anunciado para 21 de Setembro de 2013, nada disse.

Não é o facto das medidas serem duras que choca.
É a falta de humildade de quem se acha detentor das soluções únicas, de quem reconhece acriticamente o erro e insiste nele, é a ausência de disponibilidade para aceitar outra forma de pensar e agir , é  recusar a renegociação dos juros, da disponibilização do BCE para empréstimos diretos, da regulação fiscal na Europa.
É deixar sem resposta as perguntas concretas, enquanto, provavelmente, vai estudando soluções, como reconheceu quanto aos limites do défice, em negociação com a troika desde julho:
1 – é verdade que estão 7.500 milhões de euros, que sobraram da recapitalização dos bancos, “aparcados” sem objetivo à vista  (que não seja uma reserva para tapar erros de estimativa)?
2 – é verdade que não quer  recomprar divida portuguesa no mercado secundário, agora que os juros estão mais favoráveis?
3 – é verdade que não sente premência em ampliar as verbas do QREN que tanto jeito davam ao seu colega da Economia? (ou está a contar com elas para limitar a recessão do PIB a 1% em 2013?)

Como diz o professor de Harvard, é perigoso.

PS - Mais um erro meu, confirmando que não é só o senhor ministro que se engana. A data marcada para o "regresso aos mercados" era 23 de setembro, e não 21, que, este,  será um sábado. Também o senhor ministro dise alguma coisa, contrariamente ao que escrevi. Disse que não faz sentido estar a marcar datas. Nalguma coisa haviamos de estar de acordo, especialmente depois daquele anuncio descabido que "já voltámos aos mercados", felicitando a senhora secretária de estado por ter transferido as obrigações de setembro de 2013 para 2015, graças à generosidade dos credores nacionais, não internacionais. Perigoso, dar poder a um senhor assim.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Falas de governantes - a senhora secretária de estado do tesouro não vê sinais de espiral recessiva

A senhora secretária de estado do Tesouro Maria Luis Albuquerque, a quem dedico este "post", afirmou em entrevista não ver sinais de uma espiral de recessão.
Pode ser uma questão de semântica, e então não há razão para se falar em espiral.
Mas talvez que o problema seja a falta de formação em ciências físicas que impede que  a senhora veja o mecanismo de realimentaçao positiva.
Que em inglês se chama "feedback".
Não falemos em espiral, que a senhora secretária acha que não vê, neste momento, apesar de todos os avisos e evidencias.
Vamos a um gráfico de retas, com base na relação entre o corte de rendimentos ou o aumento dos impostos (com a consequente redução da procura interna), e a diminuição do PIB  que a senhora diretora do FMI revelou, com base nas observações empíricas dos seus serviços e na sua larga experiencia (1 euro de cortes implica entre 0,9 e 1,7 euros - valor médio 1,3 euros - de diminuição do PIB):



O gráfico está mais ou menos à escala, pelo que se pode ver o efeito de sucessivos cortes , iguais, ao longo do tempo. Podemos admitir que um ciclo de efeitos durará um ano. Evidentemente que é um modelo de aproximação não garantida, uma vez que ao longo do tempo nada garante que as curvas de relação entre os cortes e a diminuição do PIB se manterão. Certo é que, em zonas de PIB pequeno, se poderá considerar zona perigosa, em que a partir de certa altura, por mais investimentos que se façam, dificilmente deles se retirará retorno.
Podemos também ilustrar o fenómeno neste esquema de blocos de realimentação (feedback). O efeito sentido à saida de um sistema é realimentado, influenciando novamente o sistema, e assim, sucessiva e recessivamente.
É o mesmo mecanismo na condução automóvel, em que, se o condutor insiste em virar o volante no sentido em que não deve, o efeito se vai agravando até ao despiste final.



terça-feira, 12 de junho de 2012

A Bica nas festas de Santo António de Lisboa


Subindo pela travessa mesmo ao lado do elevador (ascensor) da Bica vou dar ao largo de Santo António.
Na tarde amodorrada vão-se preparando as mesas e os cartazes com os preços.
Um jovem morador passeia o seu cão de água, entediado por não ter nada que fazer.
Parece já estar reformado, com uma doença talvez do foro psicológico.
É a mãe que vai arrumando as mesas para os forasteiros de logo à noite.
Os prédios estão em estado de pré-ruina.


Mesmo aqueles cuja fachada foi picada e repintada.
Digo isto porque as cantarias das janelas já não estão alinhadas na horizntal, porquea meio da fachada nota-se claramente uma barriga.
Quase todos estão desabitados.
Lá em baixo na rua da Boavista ainda sobrevivem restaurantes e lojas de ferramentas e acessórios para canalização e rega.
Os restaurantes sobrevivem com a juventude das escolas de arte, cinema, comunicação, gestão que rodeiam a zona do antigo instituto industrial.
Que susto, penso eu, ao ver as ruinas e os prédios desabitados, cruzando-me com os turistas curiosos, de calções e sandálias.
Num rés do chão cortam-se tábuas.



Apesar de tudo ainda há quem more aqui, e se lamente no balcão dos restaurantes, que agora já não vão almoçar fora ao domingo, e não sabem como háo-se arranjar o dinheiro ara a iscrição do filho na univeridae. O filho tem 39 anos. Foi o que eu ouvi enquanto bebia uma água, que estava calor.
Sente-se por todo o lado o abandono, o desemprego, o desprezo pela força de trabalho de uma população.
Ao longo dos anos os senhores gestores e decisores foram patrocinando a construção na periferia de Lisboa, foram estimulando, ou representando os interesses, de outras formas de organização comercial. De forma alienada transferiram também serviços públicos para longe do centro da cidade. As casas estão em ruina e a população exemplifica o que é a desigualdade.
A desigualdade vem expressa nas contas do PIB.
Quando uma fatia da cidade se desagregou assim; quando a população de Lisboa era em 1980 superior a 800.000 habitante e agora mal ultrapassa 500.000; quando desapareceram as crianças do bairro da Bica; quando as lojas de acessórios para rega estão vazias; quando as ruinas dominam; mas mesmo assim o PIB no 1º trimestre de 2012 foi de 42,5 mil milhões de euros quando no 1º trimestre de 2009 foi de 41,9 mil milhões de euros, então é porque a maioria da população não é precisa, e os senhores decisores politico financeiros não precisam de se preocupar com eles.
Sofrem, mas o PIB aumenta, para quê preocuparem-se, os gestores politico-financeiros, se as exportações da GALP de refinados para Espanha, de descapotáveis da Auto Europa para  a China, de eletrónica automóvel da Grundig de Braga e dos sistemas de travagem da Continental de Palmela para a Alemanha já ombreiam com as importações que no 1º trimestre de 2012 foram, as importações:
 - 16,5 mil milhões de euros (quando no 1º trimestre de 2009 tinham sio de 14,4 mil milhões, vejam lá como apesar da diminuição da procura as importações continuam a subir; bem, tambem está aqui o dinheiro dos empréstimos da benemérita, a troica); e as exportações:
- 15,9 mil milhões de euros, quando no 1º trimestre de 2009 tinham sido de 11,2 mil milhões.

Mas cuidado, senhores gestores, que não quereis saber que a procura, isto é, o consumo das famílias, diminua, que todos os bairros da Bica do País estejam em ruinas, desde que tenhais o PIB em ordem.
É que a inflação está nos 3 %. Com a recessão de 2% dá uma recessão efetiva de 5%.
Isto é, o PIB no 1º trimestre de 2012 está, a preços de 2006, ao nível do 1º trimestre de 2005.
Recuou-se 7 anos.
Além de que a economia paralela cresce (quereis que as sardinhas do largo de Santo António na Bica paguem IVA? E a costureira dos fatos dos marchantes, quereis que pague todo o IVA, porque uma parte coitada tem de escrever num papel, senão a junta de freguesia não lhe paga; ainda haverá freguesia da Bica no pós tão perclara reforma das freguesias? que em vez de repovoar a cidade oficializa a desertificação?).
Realmente, que importa a procura, isto é, o consumo das famílias, no 1º trimestre de 2009 ter sido de 27,3 mil milhões de euros e no 1º trimestre de 2012 ter sido 27,6 mil milhões (não se esqueçam que há que descontar 3% da inflação para comparar, isto é, a preços de 2006 no 1º trimestre de 2009 o PIB foi de 26,3 e no 1º trimestre de 2012 foi de 24,9).
Que importa?
Deixem morrer em paz a cidade, com as suas festas, os seus bairrismos, as suas ineficiências, os seus velhos frágeis e os seus jovens paralisados, o abandono das suas populações, enquanto as desigualdades funcionam mesmo e o sucesso de outras faixas da população e de outras zonas do País mantêm o PIB.

Vai ser uma noite animada, na Bica.
Os jornais vão trazer reportagens e fotografias da animação.
O senhor gestor político da cidade vai aparecer com cara sorridente.
Muito satisfeito consigo próprio.







Fonte dos dados sobre o PIB:

terça-feira, 5 de junho de 2012

Um pouco de teoria económica – o PIB e afins







Retome-se a fórmula do PIB (somatório das faturas finais de bens e serviços) para um ignorante em economia como eu tentar ver se objetivo deve ser mesmo pô-lo a crescer:

(1)          PIB = (consumo das famílias + investimento das empresas privadas +
                        despesa e investimento públicos) – (importações – exportações)

O termo (consumo + investimento priv. + despesa e inv.públicos) representa a despesa interna.
O termo (importações – exportações) representa os empréstimos externos ou importações líquidas que aumentam a dívida pública e privada.

Outra fórmula do PIB é dada pela soma dos rendimentos:

(2)        PIB = consumo das famílias + poupanças privadas + impostos –
                         transferências para a segurança social

Igualando os segundos membros das equações (1) e (2), temos que o investimento privado, que em princípio é necessário, se bem orientado, para produzir bens e serviços transacionáveis, é dado pela fórmula:

(3)        Investimento privado = poupanças privadas + (impostos – despesa e
                                              investimento públicos – transferências para a
                                              segurança social) + (importações – exportações)

Considerando que o défice ou superavit do orçamento público, ou poupanças do Estado, são dadas pela fórmula

(4)         poupanças do Estado = (impostos – despesa e investimento públicos –
                                                   transferências para a segurança social)

temos que a fórmula (3) pode ser escrita como:

(5)         Investimento privado = poupanças privadas + poupanças do Estado +
                                                  (importações – exportações)

Focando-nos na despesa e investimento públicos:

(6)         Despesa e investimento públicos = poupanças privadas - investimento
                                                             privado + (impostos – transferências para a
                                                       segurança social) + (importações – exportações)

Observações às fórmulas:

1 – aumentos do consumo (por exemplo, aumentando os salários) aumentam o PIB, mas só se não aumentarem as importações; isto é, o consumo deve ser orientado no sentido da produção nacional ou da substituição das importações pelas exportações

2 – mesmo mecanismo para o investimento privado

3 - mesmo mecanismo para a despesa e investimento públicos

4 – aumentar as importações diminui o PIB

5 – aumentar as exportações aumenta o PIB

6 – da fórmula (1) resulta que o PIB, sendo igual à despesa interna menos os empréstimos externos, interessa que seja superior à despesa interna, isto é, que os empréstimos externos sejam menores que zero (isto é, as exportações maiores do que as importações). Daqui resulta que o crescimento do PIB não deve ser alimentado pelos empréstimos externos.

Sendo o problema dos pontos 1, 2 e 3 a obtenção de empréstimos externos, deverá dar-se prioridade aos pontos 2 e 3:

7 – para aumentar o investimento privado (fórmula 3) há que aumentar as poupanças (reduzindo o consumo, por exemplo, ou a famosa austeridade, evidentemente só acessível a quem disponha de rendimento superior às necessidades essenciais), aumentar os impostos (ups), diminuir a despesa pública e as transferências para a segurança social (ups – é a tal desvalorização fiscal da redução da TSU, que só daria resultado se permitisse o desenvolvimento do setor transacionável relativamente ao setor não transacionável) e aumentar as importações líquidas (parece paradoxal, aumenta os empréstimos externos, aumentando as importações de capital e diminuindo as exportações, canalizando para o mercado interno as mais valias que seriam obtidas com as exportações).
Dito de outro modo, para aumentar o investimento privado há que aumentar a poupança privada reduzindo o consumo (consta que os particulares, ou melhor, uma pequena faixa de particulares, dispõe neste momento de 130 mil milhões de euros de depósitos a prazo), aumentar as poupanças do Estado (ai os impostos a aumentar e o investimento público a baixar) e aumentar os empréstimos externos.

8 – para reduzir a despesa pública (fórmula 6), há que reduzir as poupanças privadas (paradoxal, também), aumentar o investimento privado (deve ser o tal de crowding out), os impostos e as importações líquidas (ou empréstimos externos, o que parece evidente); e aumentar as transferências para a segurança social (paradoxal,também)

9 – para aumentar o investimento público (fórmula 6), há que aumentar as poupanças privadas, diminuir o investimento privado (o tal crowding out?) , aumentar os impostos (evidentemente)  e as importações líquidas (aumenta os empréstimos externos, canalizando para o mercado interno as mais valias que seriam obtidas com as exportações); e reduzir as transferencias para a segurança social (ups).




Confuso, não é?
Então em ambiente de dívida pública e privada elevada...
Até porque não é possível atuar sobre uma variável mantendo as outras constantes (não se consegue o ceteris paribus – tudo o mais constante). Será como governar um veleiro num meio turbulento.
Confuso, mesmo ; quer para um ignorante de economia como eu que teve de ir ver estas fórmulas ao livrinho “Economia para todos” de David Moss, ed.Academia do Livro, quer para os grandes economistas que nos governam.
Não admira então que os senhores governantes falhem as previsões.
Mas prever o barril de petróleo a 80 dólares para o orçamento de 2012 (valor entretanto corrigido), também me parece demais.
Podiam ter perguntado a especialistas de energia, por exemplo.
E também não deviam insistir, os governantes, em receitas cegas e únicas, ideologicamente comprometidas; mas antes, como se sabe há muito do estudo das formas de energia primária, deviam aproveitar mais os benefícios da diversidade, de um “mix” variável de soluções, folgar um pouco ali, cingir um bocadinho aqui, contrariar um pouco acolá, deixar ir ao sabor além, enfim, como se governa um veleiro com vento instável.

Mas duvido que entendam a mensagem, se o senhor ministro da Defesa nem sequer quer ouvir falar nos conhecimentos da Marinha…