Volto a citar Johan Galtung: "o arquetipo da violencia estrutural (meios de impedir os individuos de desenvolverem o seu potencial) assenta na exploração dos grupos mais fracos pelos que estão no topo da cadeia do poder".
Isto não é o que dizem os teóricos das universidades, apóstolos do neoliberalismo, crentes na desregulação e na redução dos rendimentos do ator trabalho de modo a conter os custos de produção através do aumento do desemprego.
Muito menos o que insistem os não menos teóricos do FMI ao recomendar mais reestrutuações laborais, leia-se despedimentos para um crescimento futuro (passando pela falencia da segurança social).
Mas é o que resulta da observação da realidade, o domínio dos mecanismos económicos e financeiros pelos mais fortes e a consequente desigualdade crescente (mais uma vez cito os gráficos com base em dados reais de Pikety, Zucman e Wilkinson).
Lembrei-me disto a propósito das amoreiras do largo da Luz. As amoras já estão maduras, e caem esborrachando-se no chão, desperdiçadas pelas crianças, tanto como as folhas da árvore que já não alimentam bichos da seda.
Perdem-se as amoras, as folhas das amoreiras, e dentro de uns meses, as azeitonas que caem sem que aproveitem a sua energia potencial, energia na aceção literal.
Como diz a citação de Galtung, há meios de imoedir os indivíduos de desenvolverem o seu potencial.
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segunda-feira, 18 de maio de 2015
Johan Galtung, as amoras e as azeitonas do meu país
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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18:57
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segunda-feira, 12 de janeiro de 2015
O choque de civilizações de Samuel Huntington
Penso que a designação "choque de civilizações" é um pouco forçada, típica da perspetiva egocêntrica norte-americana.
A minha professora de história e filosofia separava muito bem os conceitos de civilização e de cultura.
Desenvolveu-se de facto uma ideologia e uma cultura wahabita de retrocesso medieval e aos tempos biblicos de "olho por olho, dente por dente". Por sinal patrocinada atualmente pela Arabia Saudita, que pela sua aliança com os USA representa um papel dominante nisto tudo, desde o preço do petróleo à geo-estratégia do médio oriente.
A minha professora de história e filosofia separava muito bem os conceitos de civilização e de cultura.
Desenvolveu-se de facto uma ideologia e uma cultura wahabita de retrocesso medieval e aos tempos biblicos de "olho por olho, dente por dente". Por sinal patrocinada atualmente pela Arabia Saudita, que pela sua aliança com os USA representa um papel dominante nisto tudo, desde o preço do petróleo à geo-estratégia do médio oriente.
Em termos práticos, o choque de culturas manifesta-se ao nivel das pessoas nos atentados terroristas.
Mas aqui penso que é necessário o estudo caso a caso dos intervenientes.
O melhor exemplo para mim é o livro de Haruki Murakami, Underground (existe uma edição em português da Tinta da China) em que ele entrevista autores e vitimas do atentado no metro de Toquio.
É necessário estudar bem as circunstancias e as causa em cada atentado, a exemplo do que se deve fazer nos acidentes de transportes.
No caso de Paris parece clara a influencia da cultura das periferias de Paris e as circunstancias de dificil emprego dos jovens das comunidades imigradas.
No caso de Toquio a doença dos autores era uma crença numa seita religiosa de derivação cristã, não quaisquer dificuldades económicas, antes desadaptação social e fragilidade psicótica.
Mas claro que os comportamentos desviantes de pessoas originárias de culturas islamicas estão a ser mais mediáticos (não esquecer o "cristão" Breivik que assassinou 72 jovens na muito civilizada Noruega), desde as mortes por telecomando de crianças armadilhadas na Nigéria até às chicotadas em publico na Arabia Saudita do blogger Raif Badawi (https://www.facebook.com/pages/Free-Saudi-Liberals-%D8%A7%D9%84%D9%84%D9%8A%D8%A8%D8%B1%D8%A7%D9%84%D9%8A%D9%88%D9%86-%D8%A7%D9%84%D8%B3%D8%B9%D9%88%D8%AF%D9%8A%D9%88%D9%86-%D9%85%D8%AC%D8%A7%D9%86%D8%A7/435007313283066).
Por suprema hipocrisia, o ministro dos negócios estrangeiros da Arabia Saudita esteve na manifestação de Paris.
Cito a historiadora marroquina Hanane Harrath numa excelente reportagem do DN: "os responsáveis muçulmanos não podem manter por mais tempo o fosso que é defender a modernidade tecnológica sem modernidade intelectual. O desafio que enfrentam é o de dessacralizar crenças e dogmas. O nosso drama é que todos os dias eles impedem isso".
E um anónimo ativista saudita: "a liberdade de expressão nunca existiu no meu país. É hipocrisia as autoridades terem condenado o ataque em Paris, mas também são hipócritas os lideres mundiais que se manifestam em defesa da liberdade de expressão e continuam aliados da Arábia saudita. Não é principalmente a defesa da liberdade que juntou todas estas personalidades e sim o ponto comum, a condenação do terrorismo".
Dificil, resolver isto tudo, mas existem os padrões e os mecanismos.
Existe uma ONU, uma declaração universal dos direitos humanos, uma UNESCO e a possibilidade de alguns governos e algumas organizações não governamentais funcionarem como mediadores.
Foi assim que se resolveu (penso) o conflito na Irlanda do norte e no pais basco.
Existem tambem ferramentas de analise económica que já demonstraram a necessidade de alterar algumas regras (comércio de armas, de droga, regulação de mercados e de off-shores, controle da corrupção dos governos dos paises menos desenvolvidos...) e de reduzir as desigualdades sociais em todos os países (ver http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2014/10/os-congressos-das-elites-e-o-que-as.html e os livros fundamentados em análise de dados: O capital no século XXI de Thomas Piketty, ed.Temas e Debates, A riqueza oculta das nações de Gabriel Zucman, ed Temas e Debates, e O espírito da igualdade de R.Wilkinson e K.Pickett, ed.Presença).
Pena a comunicação social, essencial para defender a liberdade de expressão que desempenha um papel importante na solução, ajudar a ocultar factos para não prejudicar os interesses de grandes companhias(volto ao exemplo das ligações com a Arabia Saudita, mas o problema é mais geral, claro).
Veremos a evolução disto tudo, mas convem ir falando disto, no meio de opiniões mais e menos controversas.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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19:56
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domingo, 15 de junho de 2014
Feira do livro, dois livros extraordinários
Pena não se poderem comprar e ler todos os livros que se queria.
Mas vejam só como são extraordina´rios estes dois livros que comprei.
Porque baseados na observação (normalmente com gráficos bem fundamentados), na formulação da hipótese e na sua comprovação. Com factos e números. Com estabelecimento de correlações reais.
Método diferente do usado pela troika e pelo governo que nos oprimem:
- "O espírito da igualdade, por que razão as sociedades mais igualitárias funcionam quase sempre melhor", Richard Wilkinson e Kate Pickett, ed. Presença
- "Os 10 erros da troika em Portugal, austeridades, sacrificios e empobrecimento, as reformas que abalaram o país", Rui Peres Jorge, ed. Esfera dos livros
Publicada por
Fernando de Carvalho Santos e Silva
à(s)
23:58
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