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terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

As rosas de S.Valentim

- E este ano, donde vieram as rosas? - perguntei ao florista ambulante da avenida da Igreja a quem compro flores, de vez em quando.
- Do Equador, quer levar as de cor de salmão?
- Sim, se não tem vermelhas
- Mas veja como são bonitas, com as pétalas bem encaixadas umas nas outras.
- Já não cultivam as rosas, no Montijo? Têm lá estufas.
- Nesta altura do ano não. Tinham de aquecer as estufas para as rosas crescerem e a conta do gás seria incomportável. É mais barato mandar vir do Equador.
- Do Equador, como os camarões cozidos, de aquacultura, vendidos na grande superfície comercial.
Abro o jornal enquanto o florista faz o ramo de rosas. Elegantemente vestida, contrariamente ao habitual na propaganda das visitas, em que já apareceu de fato de trabalho a separa tomates ou a sacholar, a senhora ministra da Agricultura debruça-se numa gravura da página da política nacional sobre um golden retriever, numa visita a uma fábrica de rações. Pede o principal acionista que lhe baixem o IVA.
Também penso que sim. Não se poderão criar barreiras alfandegárias às rosas do Equador, mas podia baixar-se o IVA nas transações das matérias primas e dos fornecimentos e serviços externos da fábrica de rações, apesar de algum fundamentalista fanático da burocracia eurocrática poder protestar.
E também se podia baixar o IVA dos fornecimentos e serviços externos das empresas de aquacultura que já vamos tendo em Portugal, para não precisarmos de importar camarões cozidos do Equador (eu sei que o Equador precisa e merece exportar, mas não somos um país rico nem de balanças de pagamentos de bens e de alimentos equilibradas).
E ainda sugeria à senhora ministra um plano de aquecimento das estufas por energia térmica solar, ou por pilhas de combustível alimentadas por hidrogénio produzido por eletrólise a partir de geradores eólicos.
E como estão os planos de defesa da floresta de sobreiros e de pinheiros contra as doenças? E a proteção das abelhas contra a vespa asiática? e o combate aos escaravelhos das palmeiras?
Ou estamos simplesmente na armadilha da pobreza em que nem os fundos comunitários nos salvam, esperando calmamente o governo que os "empreendedores" concorram em candidaturas cheias de "competitividade"?

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Cumprimentos ao grande grupo

Cumprimentos ao grande grupo de distribuição alimentar português, mas com acionistas estrangeiros determinantes, segundo o seu CEO. Consegue servir almoços por 3,5 euros, um prato, uma bebida e pão. Mais barato do que fazer uma refeição em casa. É sintoma de boa gestão mas talvez também de rigorosa gestão dos prazos de validade dos géneros e produtos alimentares, de salários baixos (uma vez que a gestão anterior exige mão de obra intensiva, contribuindo para o combate ao desemprego), de eficiente gestão energética na produção das refeições e no aproveitamento dos resíduos (contribuindo para o prato
positivo da balança de pagamentos), de obtenção de produtos importados a preços baixos (contribuindo para o prato negativo da balança de pagamentos) e eventualmente de algum dumping ocasional. Uma espécie de cocktail agridoce de virtudes e de inconveniencias com vantagem para utilizadores e empregados. Não é uma crítica, é uma verificação da realidade.

terça-feira, 10 de abril de 2012

As maçãs Pink lady

Não gosto de fazer compras nas grandes superfície comerciais, por razões ligadas à lei de Fermat-Weber, mas às vezes tenho de lá ir.
Logo a seguir aos detetores da entrada, apareceu-me uma menina com um tabuleiro cheio de maçãs.
Era a promoção das maçãs Pink lady.
Que eu provasse e dissesse se não eram boas.
Eram, eram boas, mas perguntei de onde vinham.
De França.
Ai desculpe, então não compro.
Não tenho nada contra os produtores franceses, mas os produtos agrícolas devem ser consumidos perto do local de produção, para evitar desperdícios de energia no transporte e reduzir as emissões de CO2 (quanto mais não seja, para que possa continuar a haer maçãs por muitos séculos).
Prefiro comprar as peras rocha.
Estão duras mas amadurecem em casa, embora uma ou outra apodreça.
Também trouxe um saco de batatas de 5 kg para cozer.
Só em casa reparei na etiqueta -  Origem: França.
Parafraseando a canção, ai batatas de Montalegre, ai deus, onde estão?
E a balança de pagamentos, como fica com as maçãs e as batatas francesas?

quinta-feira, 22 de março de 2012

Voltar aos mercados

Às 9 horas em ponto da manhã, nem mais um segundo, nem menos um segundo do dia 23 de Setembro de 2013, quando as portas se abrirem, ele entrará confiante no mercado.

Os jornalistas comparecerão de microfone estendido e abrirão alas para a marcha sorridente e triunfante.
E ao fm do dia, com a sua voz pausada, anunciará o sucesso da operação.
O país voltou aos mercados.
Eu, que acompanhava minha mãe aos mercados quando era menino, e me deixava discretamente afastado enquanto minha mãe negociava com as senhoras das bancas de peixe o preço e a cor das guelras, fiquei com esta ideia deturpada para o resto da vida de que os mercados são negociar a cor das guelras e o preço do peixe, definido não pelo custo de produção, transporte e comercialização, mas pelos mecanismos transcendentes, tão transcendentes como os princípios da Termodinâmica de Carnot, porque será que não posso tirar mais energia de uma entidade do que aquela que lá se pôs, dos mercados.
Mais tarde, acho que compreendi os princípios da Termodinâmica e até as demonstrações da teoria da relatividade restrita e os seus efeitos no cálculo da energia dos eletrões, mas tenho de confessar que ainda hoje não sei interpretar esta frase “voltar aos mercados”.
Leio nos jornais que “voltar aos mercados” significa poder comprar o dinheiro dos empréstimos a longo prazo por um juro razoável, não apenas conseguir obter empréstimos de curto ou médio prazo.
Mas subsiste a dúvida, o que é um juro razoável?
Serão os 7% do limite do senhor ministro das finanças do anterior governo?
O que significaria que, se em 23 de Setembro de 2012 se obtiver um empréstimo a longo prazo a um juro de 6% se voltou aos mercados, mas se o juro foi de 8% não se voltou aos mercados.
Será isso?
E a partir de que valor se considera que já é longo prazo? 5 anos? 10 anos?
Convinha eu perceber, que já tomei nota da fala do senhor governante da voz pausada, que anunciou a data do regresso aos mercados, para poder avaliar se a previsão do senhor ministro estava dentro de uma margem de erro ou intervalo de confiança aceitável.
Embora tudo fique na mesma.
O senhor ministro dirá que conseguiu a consolidação orçamental e que conseguiu “voltar aos mercados”, e se não conseguiu dirá que conseguiu então um outro empréstimo para prolongar a agonia dos juros do empréstimo de 78 mil milhões de euros acordado com o memorando de 2011 e que não há problema em não ter voltado aos mercados porque a Alemanha, a Holanda e a Finlândia concordaram em novo empréstimo.
Mas, mas, isso é uma vitória de Pirro, vamos continuar a pagar cada vez mais juros, quando o que interessava era os produtos alimentares que consumimos sejam produzidos no país, e que exportemos mais em valor do que o que importamos, quer em bens alimentares, quer par aos outros bens.
Ora, o que se verifica é que o valor das importações continua a ser mais do que o das exportações.
Parafraseando Ronaldo, assim não ganhamos o jogo.
E o senhor ministro da voz pausada diz que está tudo bem, que a consolidação orçamental é a prioridade, que tudo o mais se lhe deve subordinar, e que “não haverá um tostão” até ao fim de 2013.
E contudo, contudo não importa que um pobre escriba como eu não compreenda o que é “voltar aos mercados”, apesar de compreender os princípios da Termodinâmica.
O que importa e é grave é que os indicadores de Janeiro e Fevereiro de 2012 não são nada famosos e são justificados pelos senhores governantes de forma acrítica, repudiando qualquer responsabilidade e atribuindo o seu carater negativo a fatores externos "que não controlamos" (que garantias há de nos próximos meses não haver fatores externos?e só agora descobriram que há fatores externos não controláveis  que o governo anterior deveria ter controlado?).
Salvo melhor opinião, os senhores governantes deveriam arrepiar caminho e lançar pontes à oposição e à opinião pública dos cidadãos e cidadãs, em vez de os contrariar com ar olímpico e sobranceiro; como o senhor ministro Relvas afirmou, que no fim de 2012 se há-de ver que a ação deles é que está correta.
Até pode ser que esteja, que este mundo é extremamente complexo e paradoxal, mas não se fala assim às pessoas.
Nos dois primeiros meses de 2012 verificou-se, relativamente a igual período de 2011:

- descida de 1,1% da receita do IVA (previsível consequencia da recessão, e ainda não inclui o efeito da subida do imposto, pelo que a lei de Laffer ainda não contribuiu para maior redução da receita fiscal; tambem ainda não está incluido o efeito, este para crescer, do aumento das retenções na fonte; mas aqui há um problema grave, é que o senhor ministro tinha previsto um crescimento do IVA de 12,6% , mas era uma previsão só dele, possivelmente orgulhosamente só)
- descida de 42,6% da receita do IRC (se não tivesse havido antecipação dos dividendos a descida teria sido de 3,7%)
- subida de 0,3% do IRS (a classe média que pague a crise)
- subida de 191% do défice publico (ver a seguir)
- subida de 3,5% da despesa pública (aumento de juros e pagamentos à RTP)
- subida de 10% dos depósitos das famílias (total: 131 mil milhões de euros – a classe média que pague a crise)

Se a isto juntarmos a triste constatação de que o orçamento foi feito com base no preço do petróleo a um valor inferior ao que já é praticado, só posso concluir que, até ver, a teoria da consolidação orçamental é apenas uma figura de retórica, em voz pausada.
Igualmente fica já demonstrado que a solução não era cortes na despesa, porque depois dos cortes que houve na saúde e na educação continuam a verificar-se valores elevados na despesa (realmente, com os juros qu têm de se pagar, como é que se pode baixar a despesa).
Caso os indicadores continuem assim, parece que ficará demonstrada a necessidade de mudar de políticas, quanto mais não seja tomar medidas de austeridade de emergencia (deslocar a linha dos sacrificis mais para o lado do fator capital).
Salvo melhor opinião.
Mas vamos ter de aguardar mais dois meses.
No entanto, é de assinalar que muitos agentes económicos, fator trabalho e fator capital, continuam a trabalhar e bem, infelizmente em áreas cada vez mais restritas à medida que o desemprego aumenta.



segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Dificil, não fazer publicidade

É dificil não fazer publicidade falando do tema deste texto: caderninhos de notas (apontamentos).
Dado que sofro de alguma imodéstia, tenho uma coisa em comum com Hemingway, que utilizava um caderninho de notas A7 para apontar ideias que lhe surgissem.
Esse caderninho era um Moleskine, uma marca italiana de agendas e artigos de papelaria.
Deu-se o caso de eu ter comprado um conjunto de 3 na FNAC, para ir tomando notas de assuntos a tratar no blogue.
Custou-me 2,99 euros.
É este o ponto comum.
Quando se acabaram os 3 caderninhos, comprei na Livraria Barata  um caderninho das edições 19 de abril por 1,99 euros, com a fotografia dos elevadores da Bica e um excerto de Simone de Beauvoir: "... ruas abruptas por onde se bamboleiam os elétricos, uma cidade do sul, escaldante e fresca, com a promessa do mar no horizonte."
Também ele chegou ao fim, pelo que comprei numa grande superficie comercial um caderninho da Ambar, tambem portuguesa, por 39 centimos.
Pode parecer que não tem importancia, mas talvez tenha.
A marca Moleskine é mesmo simpática, mas porquê importar tantas agendas e caderninhos e encehr prateleiras com elas, quando se podia comprar à Ambar?
Dificil, não fazer publicidade ao equilíbrio da balança de pagamentos.

domingo, 10 de outubro de 2010

O relógio

As imagens mostram os mecanismos do relógio que durante três séculos e meio funcionou numa das torres do mosteiro da Batalha.
Já no século XV se desenhavam corretamente os dentes das engrenagens.
Homenagem aos técnicos que construiram, instalaram e mantiveram os mecanismos.
Quanto mais não seja, para não nos darmos, a nós e ao nosso tempo, muita importância.
Talvez que os guias turisticos possam incluir esta referência.
Podia ajudar ao turismo que, como dizia o professor Daniel Babosa, é essencial para equilibrar a balança de pagamentos.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Economicómio LX - A conferencia do senhor ex-ministro

O senhor professor Daniel Bessa deu uma conferencia na Guarda, especialmente dedicada a industriais texteis.
O senhor professor, ex-ministro, merece consideração por ter sido, juntamente com o senhor professor Medina Carreira, dos poucos economistas que explicaram, publicamente, que a estabilidade de preços implica o aumento do desemprego (diminuindo o poder de compra diminui a procura e os preços baixam).
Nesta conferencia apresentou uma ideia válida, qual seja a de isentar de IRC os lucros que forem reinvestidos em atividades produtivas (curioso, a atividade económica paralela também está isenta de IRC).
Porém, quando confrontado com a informação de um dos industriais texteis de que o aumento das exportações de texteis não iria equilibrar a balança de pagamentos, porque temde importar matérias primas , nomeadamente fibras texteis, respondeu que era melhor que nada porque sempre se exportava valor acrescentado.
Este caso é dramático, conforme já referido neste blogue, porque as principais exportadoras portuguesas têm de importar mais em matérias primas (em valor) do que o que ganham em valor acrescentado exportado. Caso exemplar é a Auto Europa, cuja balança de pagamentos é negativa. Isto é, as nossas exportações deveriam incorporar mais matérias primas internas ou aumentar o valor acrescentado incorporado.
Pessoalmente eu esperaria que o senhor economista tivesse recomendado: então vamos instalar fábricas de fibras texteis em Portugal ou negociar preços especias com os produtores das matérias primas.
Mas não foi isso que o senhor economista disse aos seus ouvintes.
Continuo  a acreditar mais no guru dos anos 80, Drucker, que recomendou uma valente especialização nos grupos de produtos tradicionais, de grande incorporação nacional.
Mas será nostalgia da minha parte.