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domingo, 21 de novembro de 2010

Cumprimentos aos paises ausentes

Felicitações ao DN pela cobertura feita à cimeira da NATO e pela liberdade de expressão, entre outros, do seu cartonista.
Cumprimentos aos paises ausentes da NATO: Austria,Finlandia,Irlanda,Servia,Suecia e Suiça.
Ainda bem que no país dos brandos costumes não parece ter havido danos pessoais.
Um grande lamento por o senhor secretário geral da NATO ter dito que "ficaremos no Afeganistão mesmo depois da transição" (da segurança pelas forças afegãs). Salvo melhor opinião, é assunto para decisão pelos cidadãos e cidadãs afegãs.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Ficamos felizes por estarem em liberdade

Este blogue associa-se às manifestações de contentamento por ter sido liberto o casal Chandler, refens na Somália depois de terem sido raptados do seu veleiro perto das Seychelles.
Toda a libertação de qualquer cidadão que não esteja preso por motivo de crime comum é razão de regozijo, o que é aplicável por exemplo aos cidadãos cubanos recentemente libertos.
Mas no caso do casal Chandler há um fator que me impressiona, que é o da tremenda desigualdade entre a Somália e os paises em que existe um mínimo de organização de estado.
É que a pirataria é o sintoma disso, da desigualdade.
A desigualdade, como qualquer doença, é mais bem tratada na prevenção no que na repressão ou no remedeio.
E esta desigualdade faz ressaltar outro contraste, que só vem mostrar que o código genético une os humanos.
Parte do resgate foi recolhido graças ao esforço de musicos somalis em Londres e ao dinamismo de um motorista de taxi londrino de origem somali, e isso é motivo de confiança no futuro da Somália.
Como contraste, do outro lado, estiveram os governos que dizem com ar muito sério, para os ouvintes se convencerem de que têm muito sentido de estado: "não negociamos com terroristas" (o governo francês já deixou morrer refens por não querer negociar o resgate).
Ninguém quer  negociar com, nem ninguém quer defender, justificar ou desculpar terroristas ou o que quer que seja, mesmo governos legalmente constituidos, que atropele os direitos consignados na declaração universal dos direitos do homem, e um deles é, sim, poder passear em paz ao largo das Seychelles.
Mas os terroristas e os raptores também se combatem com intermediação (recordados do caso da Irlanda do Norte?).
Era bom (neste ponto de vista, claro) que  a linguagem belicista  e fundamentadora dos grandes investimentos no complexo político-industrial-militar de que falava o presidente Eisenhower não predominasse tanto nestes tempos de cimeira da NATO e de incertezas económicas e financeiras.

A conjetura de Partha Dasgupta, professor catedrático de economia em Oxford

Nestes tempos conturbados, de incertezas (o número e a complexidade das variáveis e das correlações entre elas ultrapassa a capacidade de processamento do cérebro humano, pelo que a incerteza é um estado normal) e de certezas (é vê-as todos os dias, na televisão), volto à conjetura de Partha Dasgupta, autor de “Economics, a very short introduction”, editora Oxford University Press, depois de explicar as razões económicas para a desigualdade entre as pessoas e os povos:

“a pobreza e a má qualidade de vida de muitos não são causadas pela dificuldade da quadratura do círculo, nem pela inexistência de regras eleitorais perfeitas, nem por os mercados de funcionamento ideal serem um mito, nem pelos governos de per si, porque eles são compostos e delegados por homens e mulheres; elas acontecem porque as pessoas e os povos ainda têm de aprender a viver uns com os outros”

É muito interessante ver um homem sábio, professor catedrático de economia em Oxford, mostrar a sua sensibilidade e humildade, apesar de catedrático de economia, apelando à compreensão e à tolerância.

E é capaz de ter razão, de até ser bom para a economia, nestes tempos de cimeira da NATO, com uns senhores cheios de certezas, muito seguros da superioridade da sua força e dos seus valores (uma das suas vozes até dizia há uns dias que há uns valores cristãos e germânicos que têm de ser aceites numa parte do território da Europa dos cidadãos), completamente surdos à voz de Gandhi, de Partha Dasgupta, e de alguns cidadãos insignificantes como eu ou, pelo menos, de expressão política insignificantemente minoritária, o que não quer dizer que o que dizemos seja insignificante.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Cougar



Segui a uma distância respeitosa a novela da aquisição por ajuste direto dos blindados para a cimeira da NATO. Motivos de urgência e de segurança foram invocados para um investimento de 5 milhões de euros para 6 blindados, para contornar as disposições legais do código de contratação pública.

Senti-me a dado passo repreendido por um senhor na televisão, explicando aos ignorantes que as viaturas blindadas não eram blindados, eram viaturas com proteção anti-balística, os Cougar, fabricados pela Force Protection.

Depois chamou-me a atenção a notícia de que não iriam chegar a tempo da cimeira as seis viaturas, talvez apenas duas. Mas que se não chegassem para a cimeira, para o que a polícia as quer é para entrar nos bairros problemáticos.

Sinto de repente o meu cérebro invadido pelas imagens do “Hair” de Milos Forman , a crucificação do soldado morto no Vietname pela insensibilidade dos políticos de Washington e um grande símbolo “make love, not war”. Recordo o que já escrevi em :
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2010/05/make-love-not-war-reflexao-na-leitura.html

Também me sinto sócio da empresa que importou os Cougar.
Não sócio de uma empresa comercial, mas de uma comunidade, isto é, contribuinte que elege representantes e delegados para gerirem a segurança da comunidade de cidadãos a que pertenço.
Mas de sócio transformam-me, com a argumentação que oiço na televisão e leio nos jornais, em vítima a ser protegido.
Sou idoso o suficiente para desconfiar do escuteiro que me quer atravessar para o outro lado da avenida, sempre sujeito a todas as ameaças de destruição mais ou menos maciça.
E também idoso o suficiente para identificar a falha da democracia que não me deixa, como cidadão, participar no debate da organização da segurança na comunidade.

Mas acredito, apesar de não suportar as ideias de planeamentos estropiados e de objetivos escondidos, que sim, que a polícia quer os Cougar para entrar nos bairros problemáticos, porque já aconteceu à entrada nesses bairros serem recebidos a tiro de armas de guerra e, certamente (eu escrevi este advérbio com um sentido trágico-irónico, mas se tiverem a paciência por mim imerecida de me seguirem, compreenderão), um dia destes encontrarão minas e explosivos no seu caminho.

Deixemos a cimeira, interessa-me a segurança nos tais bairros problemáticos, numa altura em que as promessas dos contratos de segurança de bairro e do conceito de policiamento de proximidade se esbatem.
Porque já há muitos anos, quando a criminalidade cresceu nos operadores de transportes urbanos, propus que o investimento em câmaras de videovigilância saísse do orçamento do ministério da administração interna e não das empresas de transporte.
Defendi também que esses mesmos operadores deveriam participar nas politicas de prevenção ao mais alto nível, incluindo o apoio ao sistema escolar (não verbas apenas para o policiamento das escolas, mas medidas para melhorar o controle financeiro e educacional pelos encarregados de educação dos alunos do primeiro ciclo, que é a falta desse controle que determina o insucesso escolar).
Mas eram utopias e o que era necessário era descredibilizar os professores, o que foi eficazmente feito com o apoio dos meios de comunicação social.

Vá que a criminalidade não se agravou desde então, possivelmente porque a cidade desertificou e os municípios adjacentes de Lisboa viram os seus meios de apoio aos bairros problemáticos e de contenção reforçados, embora fale sem conhecimento dos dados reais, que deveriam ser recolhidos em inquéritos estatísticos.

Então procuro informações sobre os Cougar, para entender o que são e para que servem.
A Internet mostra-me o Cougar como nome em inglês do puma, ou leão da montanha, um bicho simpático na natureza mas que já tem provocado acidentes fatais nos parques e reservas naturais dos USA .

Segue-se a informação sobre o Ford Cougar, um coupé americano dos fins dos anos 90, sobre a plataforma do Ford Mondeo. Era um modelo maior do que o Ford Puma, fabricado na Ford alemã e propagandeado por Steve McQueen. Não tem este Cougar nada a ver com as viaturas com proteção anti-balística.

E muito menos tem a aceção seguinte de Cougar, que vejo num artigo da Wikipédia sobre a disparidade , ou desacerto de idades no relacionamento entre dois parceiros sexuais. Imaginem que existia um “site” de encontros no Canada denominado Cougardate. E que predominaram nesse “site” os encontros entre jovens senhoras de 30 e tal anos e rapazinhos de 18. Daí passarem a designar-se as senhoras balzaquianas, em inglês dos USA, por Cougar.

Donde, chamar Cougar, quando este nome está associado à plenitude da mulher, organismo supremo dos mecanismos da evolução, a um veículo com proteção anti-balística, parece de razoável mau gosto. Mas foi o nome com que a Force Protection, Armored military vehicles, Ladson, South Carolina, batizou os veículos que foram substituir os Humvee no Iraque e no Afeganistão.

Ah, porque afinal vem a saber-se que o objetivo da criação dos Cougar foi o de entrar nos bairros problemáticos do Iraque e do Afeganistão, oferecendo proteção aos militares contra a explosão de minas e contra o tiro de armas de guerra das emboscadas. Por uma portinhola das traseiras pode sair um EOD (explosive ordinance disposal), que é um robot que por telecomando pode desenterrar e desativar a mina (como se viu no Hurt Locker). Afinal, como dizia a cantiga, havia outra viatura. Quando o Hurt Locker ganhou o Óscar, já o Cougar tinha substituído o Humvee do filme. Progressos, agora extensíveis à nossa polícia, enquanto a Force Protection não conclui o processo de desenvolvimento de um novo blindado ligeiro (perdão, de uma nova viatura ligeira com proteção anti-balística), o Ocelot, só disponível em 2011. Dava mais jeito, para os bairros problemáticos com ruas estreitinhas… (estas guerras ganham-se com escolas e com empregos, não com cruzadas; pensem em Gandhi e na roca da bandeira da União indiana).

Por uma questão histórica, não posso deixar de recordar as Berliet do Tramagal, que faziam a função de aguentar o rebentamento das minas.

Sinceramente, não gosto desta história.
Não gosto que não seja dada oportunidade a cidadãos de pensar de maneira diferente da que a nossa polícia nos quer fazer pensar.
Por isso lhes dedico esta frase de Noam Chomsky, norte-americano: «A forma inteligente de manter as pessoas passivas e obedientes é limitar o espectro da opinião aceitável, mas estimular muito intensamente o debate dentro daquele espectro… Isto dá às pessoas a sensação de que o pensamento livre está pujante, e ao mesmo tempo os pressupostos do sistema são reforçados através desses limites impostos à amplitude do debate».
http://www.forceprotection.net/products/cougar_4x4/



Sobre situações  de guerra com portugueses, com intervenção das Berliet, ver um hurt locker em Moçambique, nos anos 70:





PS - Segndo informção posteriores, a verba de 5 milhões de euros envolve mais equipamentos, sendo o preço unitário dos Cougar cerca de 250.000 euros, já pintados de azul.