Duma entrevista de Charles Chaplin, em 1931. 5 anos antes de Tempos Modernos, e 2 anos depois do rebentar da crise financeira de 1929:
"O desemprego é a questão vital. A maquinaria deve beneficiar a humanidade, não gerar uma tragédia em que os seres humanos não têm trabalho"
Passados estes anos todos, e depois de umas quantas mais crises financeiras, será tão difícil fazer compreender aos eurocratas de Bruxelas e aos teóricos da cartilha do consenso de Washington que a tecnologia tem sido utilizada para desvalorizar o fator trabalho porque permite produzir mais barato, não necessariamente por causa do abaixamento da mão de obra, mas principalmente por razões intrínsecas do progresso tecnológico? Que deveria ser utilizado em benefício coletivo, não de nichos restritos.
Ouçam Chaplin.
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sábado, 26 de dezembro de 2015
O desemprego, segundo Charles Chaplin
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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19:32
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terça-feira, 5 de maio de 2015
As estatísticas da criminalidade e os ministros da administração internai
Há uns anos, o senhor ministro da administração interna , discursando num congresso de ministros homólogos, em Viana do Castelo, congratulou-se com a descida da criminalidade em Portugal (ele dizia sempre que se baseava nas estatísticas e informações disponíveis, assim como o senhor presidente da República disse sobre a saúde do BES antes de rebentar, que eram as informações de que dispunha; deve ter-se muito cuidado com a fiabilidade dos dados...).
A poucos quarteirões de distancia, porem, decorria um assalto a uma ourivesaria com mortos e feridos.
Pode ter sido um episódio insignificante, especialmente se comparado com os USA, mas ´´e uma ironia do destino, num país como o nosso.
Com a atual senhora ministra da administração interna, senhora muito discreta no seu desempenho, aconteceu agora o mesmo.
No dia seguinte a ter-se congratulado com a descida da criminalidade participada, aconteceu o assalto às 3 da madrugada em plena auto-estrada. Como nos filmes americanos.
A estatística continua benévola, mas um cidadão pensa, e se acontece comigo, ir calmamente à noite pela auto-estrada e ser apanhado num tiroteio? E se tento uma correlação entre o desemprego e a criminalidade vêm os serventuários do atual governo muito zangados dizer que os dados existentes não provam nada.
Claro que não provam, por isso escrevi correlação, não escrevi relação de causa e efeito.
Mas nos países onde se fazem estatísticas com dados um pouco mais fiáveis do que em Portugal (não é uma crítica ao INE, nem à Pordata, nem aos observatórios especializados; existem estatísticas em Portugal com informação credível, como é o caso das causas de mortalidade com o recente exemplo da deteção do aumento de mortes por pneumonia, indiciando que o fecho dos centros de saúde e a concentração por razões economicistas em hospitais centrais veio efetivamente dificultar a assistencia sanitária de proximidade aos primeiros sintomas do que pode ser perigoso; quando os doentes chegam aos hospitais a doença já está num estádio fatal - existirá portanto uma correlação entre o fecho de unidade de saúde e o aumentos de mortes por pneumonia), a correlação entre o desemprego e as taxas de suicídio, o alcoolismo, o baixo PIB/cabeça e o insucesso escolar são claras. Ver por exemplo o caso da reserva de indios Sioux Pine Ridge:
http://en.wikipedia.org/wiki/Pine_Ridge_Indian_Reservation
Ciencia dificil e caprichosa, a estatística, nunca se sabe se se pode confiar nos dados...(talvez o problema esteja na forma como os dados se recolhem, se é que se recolhem)
A poucos quarteirões de distancia, porem, decorria um assalto a uma ourivesaria com mortos e feridos.
Pode ter sido um episódio insignificante, especialmente se comparado com os USA, mas ´´e uma ironia do destino, num país como o nosso.
Com a atual senhora ministra da administração interna, senhora muito discreta no seu desempenho, aconteceu agora o mesmo.
No dia seguinte a ter-se congratulado com a descida da criminalidade participada, aconteceu o assalto às 3 da madrugada em plena auto-estrada. Como nos filmes americanos.
A estatística continua benévola, mas um cidadão pensa, e se acontece comigo, ir calmamente à noite pela auto-estrada e ser apanhado num tiroteio? E se tento uma correlação entre o desemprego e a criminalidade vêm os serventuários do atual governo muito zangados dizer que os dados existentes não provam nada.
Claro que não provam, por isso escrevi correlação, não escrevi relação de causa e efeito.
Mas nos países onde se fazem estatísticas com dados um pouco mais fiáveis do que em Portugal (não é uma crítica ao INE, nem à Pordata, nem aos observatórios especializados; existem estatísticas em Portugal com informação credível, como é o caso das causas de mortalidade com o recente exemplo da deteção do aumento de mortes por pneumonia, indiciando que o fecho dos centros de saúde e a concentração por razões economicistas em hospitais centrais veio efetivamente dificultar a assistencia sanitária de proximidade aos primeiros sintomas do que pode ser perigoso; quando os doentes chegam aos hospitais a doença já está num estádio fatal - existirá portanto uma correlação entre o fecho de unidade de saúde e o aumentos de mortes por pneumonia), a correlação entre o desemprego e as taxas de suicídio, o alcoolismo, o baixo PIB/cabeça e o insucesso escolar são claras. Ver por exemplo o caso da reserva de indios Sioux Pine Ridge:
http://en.wikipedia.org/wiki/Pine_Ridge_Indian_Reservation
Ciencia dificil e caprichosa, a estatística, nunca se sabe se se pode confiar nos dados...(talvez o problema esteja na forma como os dados se recolhem, se é que se recolhem)
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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terça-feira, 16 de dezembro de 2014
Dia internacional dos direitos humanos
10 de dezembro , dia internacional dos direitos humanos.
Dia em que morreu um ministro palestiniano em consequencia da atuação da policia israelita, durante uma manifestação contra a ocupação de território palestiniano segundo a resolução da ONU que definiu 2 estados, um israelita e outro palestiniano.
Dia em que morreu um ministro palestiniano em consequencia da atuação da policia israelita, durante uma manifestação contra a ocupação de território palestiniano segundo a resolução da ONU que definiu 2 estados, um israelita e outro palestiniano.
Recordo o número 1 do artigo 23 da declaração universal dos direitos humanos:
"Todas as pessoas têm direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego";
e o número 1 do artigo 24:
"Todas as pessoas têm direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e à sua família saúde e bem estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência fora de seu controle"
"Todas as pessoas têm direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e à sua família saúde e bem estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência fora de seu controle"
É assim evidente o desrespeito pelos direitos humanos de governos como o de Israel e os da União Europeia.
Um porque não reconhece o direito do estado palestiniano, os outros porque a pretexto da concorrência não controlada, das regras cegas dos defices públicos orçamentais, da incapacidade de reconhecer que o valor e o preço das coisas deviam ser definidos pelas necessidades das pessoas e não pelos mercados férteis em falhas, deixam por cumprir os direitos sociais.
Fica assim o registo do dia internacional neste ano de 2014.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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terça-feira, 10 de junho de 2014
Uma crítica ao programa Olhos nos Olhos, na TVI, de Medina Carreira e Judite de Sousa
Devo a Medina Carreira a explicação da lei de Philips, que ao aumento do desemprego corresponde a diminuição da procura e a contenção dos preços, pelo que é um mecanismo utilizado pelos governos seguidores da nova economia, de desvalorização dos fatores de produção, nomeadamente do trabalho.
Não é bom viver em deflação.
Aparentemente as pessoas podem gostar de pagar menos pelas coisas, como a prestação da casa ou os produtos alimentares, mas já não gostam de ver os próprios rendimentos diminuidos nem o valor dos seus bens.
Por isso é suicida esta obsessão do BCE em perseguir uma inflação baixa, ignorando que nenhuma lei segue curvas lineares em todos os dominios.
Por exemplo, um investimento pode ter retorno num dado ponto da curva de rendimentos em função do volume de investimentos, mas para um menor volume global de investimentos o retorno pode não existir e o investidor ficar mais pobre depois do investimento (zona da armadilha da pobreza, de onde não se sai sem auxilio exterior, isto é, sem investimento externo).
Porém, por mais respeito que Medina Carreira me mereça por isso, até porque a sua formação abrange as duas culturas (tem formaçáo técnica de engenharia e juridico-fiscal), a sua obsessão no programa Olhos nos olhos, em culpar o crescimento dos custos com a segurança social parece-me inaceitável.
A segurança social não é uma despesa pública, é o resultado das contribuições do trabalho e das empresas.
Depois da crise de 2008 é evidente que a contribuição para a segurança social dos fundos públicos deixou de ser razoável e devem tomar-se medidas, é certo, mas afirmar repetidamente que é totalmente uma despesa pública é distorcer a verdade.
Além de que, mais uma vez, o estímulo artificial do desemprego para combater a inflação aumenta as despesas de segurança social.
O próprio Medina Carreira reconhece que as despesas com a saúde e a educação são razoáveis. E que a unica solução é o crescimento económico.
Porem, como isso não é imediato (porquê? por afinal não se saber onde aplicar os fundos comunitários?) apoia o governo atual nos sucessivos cortes nas despesas.
Penso que incorre na falha de ignorar que os cortes têm um efeito destruidor na capacidade produtiva, reduzindo a economia mais do que o valor dos cortes e levando por isso a uma redução do defice muito menor (cerca de um terço, já temos a experiencia de 3 anos de austeridade cega e destrutiva) do que o valor dos cortes (no fundo, arrastando o ponto de funcionamento para a zona da armadilha da pobreza).
Tenho pena que Medina Carreira não aproveite o seu programa para apontar pistas e medidas de estimulo ao crescimento.
Que se considere como tendo o monopólio do aviso que o país caminhava para o desastre (por acaso não tem o monopólio; neste blogue estão criticas ao anterior governo, antes da crise de 2008, sobre a insustentabilidade de uma economia assente na importação de energia e de alimentos).
E que não aproveite para tratar do problema da dívida privada (155% do PIB?) e do consumismo que leva ao aumento das importações (logo a seguir ao programa, um anuncio apelativo convidava os espetadores a comprar um carro alemão, vermelho e inovador, seguindo-se o anuncio de outro automóvel, um hibrido japonês, indicando um falso consumo de combustivel de 1,9 litros /100 km - assim se engana o público, beneficiando do facto de que ele não vota com base em cálculos matemáticos mas sim em impulsos emocionais).
Assim, apesar do rigor e validade dos seus gráficos (tirando a referida classificação das contribuições para a segurança social como despesa pública) o programa parece-me pouco razoável.
Não é bom viver em deflação.
Aparentemente as pessoas podem gostar de pagar menos pelas coisas, como a prestação da casa ou os produtos alimentares, mas já não gostam de ver os próprios rendimentos diminuidos nem o valor dos seus bens.
Por isso é suicida esta obsessão do BCE em perseguir uma inflação baixa, ignorando que nenhuma lei segue curvas lineares em todos os dominios.
Por exemplo, um investimento pode ter retorno num dado ponto da curva de rendimentos em função do volume de investimentos, mas para um menor volume global de investimentos o retorno pode não existir e o investidor ficar mais pobre depois do investimento (zona da armadilha da pobreza, de onde não se sai sem auxilio exterior, isto é, sem investimento externo).
Porém, por mais respeito que Medina Carreira me mereça por isso, até porque a sua formação abrange as duas culturas (tem formaçáo técnica de engenharia e juridico-fiscal), a sua obsessão no programa Olhos nos olhos, em culpar o crescimento dos custos com a segurança social parece-me inaceitável.
A segurança social não é uma despesa pública, é o resultado das contribuições do trabalho e das empresas.
Depois da crise de 2008 é evidente que a contribuição para a segurança social dos fundos públicos deixou de ser razoável e devem tomar-se medidas, é certo, mas afirmar repetidamente que é totalmente uma despesa pública é distorcer a verdade.
Além de que, mais uma vez, o estímulo artificial do desemprego para combater a inflação aumenta as despesas de segurança social.
O próprio Medina Carreira reconhece que as despesas com a saúde e a educação são razoáveis. E que a unica solução é o crescimento económico.
Porem, como isso não é imediato (porquê? por afinal não se saber onde aplicar os fundos comunitários?) apoia o governo atual nos sucessivos cortes nas despesas.
Penso que incorre na falha de ignorar que os cortes têm um efeito destruidor na capacidade produtiva, reduzindo a economia mais do que o valor dos cortes e levando por isso a uma redução do defice muito menor (cerca de um terço, já temos a experiencia de 3 anos de austeridade cega e destrutiva) do que o valor dos cortes (no fundo, arrastando o ponto de funcionamento para a zona da armadilha da pobreza).
Tenho pena que Medina Carreira não aproveite o seu programa para apontar pistas e medidas de estimulo ao crescimento.
Que se considere como tendo o monopólio do aviso que o país caminhava para o desastre (por acaso não tem o monopólio; neste blogue estão criticas ao anterior governo, antes da crise de 2008, sobre a insustentabilidade de uma economia assente na importação de energia e de alimentos).
E que não aproveite para tratar do problema da dívida privada (155% do PIB?) e do consumismo que leva ao aumento das importações (logo a seguir ao programa, um anuncio apelativo convidava os espetadores a comprar um carro alemão, vermelho e inovador, seguindo-se o anuncio de outro automóvel, um hibrido japonês, indicando um falso consumo de combustivel de 1,9 litros /100 km - assim se engana o público, beneficiando do facto de que ele não vota com base em cálculos matemáticos mas sim em impulsos emocionais).
Assim, apesar do rigor e validade dos seus gráficos (tirando a referida classificação das contribuições para a segurança social como despesa pública) o programa parece-me pouco razoável.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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sábado, 26 de outubro de 2013
Neorrealismo na Europa do século XXI
http://www.youtube.com/watch?v=IK3Iflfyyls
O video do youtube mostra imagens de Ribnovo, aldeia bulgara, perto da fronteira com a Grecia.
A Bulgaria integra a UE e sofre os efeitos da crise.
Muitos dos habitantes estão desempregados e trabalham as terras produzindo tabaco. Toda a familia, incluindo as crianças em idade escolar, tem um trabalho intenso durante 8 meses, obtendo um rendimento anual de cerca de 4.000 euros .
A emigração tambem já não rende, uma vez que a maioria dos emigrantes ia para Espanha para trabalhar na agricultura.
Sabe-se o efeito nefasto que a privação da escola ou o trabalho infantil tem sobre o desenvolvimento das crianças e sobre as condições sociais.
Recolhi estes elementos de uma reportagem sobre o trabalho infantil na Europa, que passou na RTP Informação (por um lado cumpre-se o serviço público, por outro distrai-se a população com telenovelas e reality shows e oculta-se-lhe a realidade do falhanço da politica económica dominante).
Depois das imagens de Ribnovo o programa ocupou-se de Napoles, mostrando um rapaz de 13 anos trabalhando clandestinamente num café e as condições em que vive a familia: pais desempregados, duas irmãs de 4 e 9 anos.
O pai trabalhava numa pizaria que fechou.
A mãe mostra alimentos fornecidos pelo programa europeia de ajuda alimentar.
Passa-se fome na Europa, como na Coreia do Norte, como na Ucrania dos anos 30.
As 3 crianças, mal alimentadas, frequentam a escola.
A diretora informa que 60% das crianças faltam à escola para irem trabalhar clandestinamente.
Sabe-se o que isto dá no futuro: regressão e vandalismo.
A economia de Napoles está a regressar aos tempos do neorrealismo italiano do pós-guera.
Pode-se extrapolar da reportagem que 40% da população europeia vive na pobreza, que o desemprego afeta essa parte da população (não são os doentes e os inválidos que estão desempregados, são adultos válidos e que querem trabalhar) e que as desigualdades aumentam (a economia funciona para a população que tem emprego).
Salvo melhor opinião, tudo isto evidencia o falhanço da politica económica da UE que não está centrada no combate ao desemprego, antes se preocupa mais com a redução dos custos de produção, precisamente reduzindo os encargos com salários.
Não parece ser fisicamente possivel combater o desemprego sem emissão de moeda para pagar aos empregados, controlando a inflação, mas os sacerdotes da religião de Chicago não querem.
Nem os do centro burocrático da UE nem os seus seguidores do governo português, nem obviamente os banqueiros.
Como diz o poema de Vinicius,
"... Tende piedade dos homens públicos e em particular dos políticos
Pela sua fala fácil, olhar brilhante e segurança dos gestos de mão
Mas tende mais piedade ainda dos seus criados, próximos e parentes
Fazei, Senhor, com que deles não saiam políticos também....."
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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quinta-feira, 19 de setembro de 2013
Vocês não são boas pessoas
Vocês não são boas pessoas.
Vocês são uns convencidos de que sabem mais do que os outros.
Dizia Jô Soares que só contaram para vocês.
Como se não nos tivessem ensinado nas escolas o mesmo que a vocês ensinaram.
Vocês não são humildes.
Não têm humildade para se porem na pele dos outros.
Vocês só tomariam as decisões eficazes para as redes de transportes públicos se todos os dias tivessem de viajar para as vossas ocupações de transportes coletivos, sem motorista e carro de luxo pagos pelos contribuintes.
Só tomariam as medidas eficazes e justas para o equilíbrio orçamental se tivessem um rendimento de 600 euros por mês.
Vocês apresentam sintomas de hipomania, de esconderem a realidade com as vossas convicções, de terem recebido uma missão salvífica, que no entanto ninguém vos atribuiu, porque eleições não é messianismo.
De nada serve chamarmos a vossa atenção para os vossos erros e para a vossa insensibilidade.
Por definição não são sensíveis.
Só percebem a vossa incompetência pela força dos factos e pela crítica que os vossos próprios mentores vos fazem.
Mas os factos são distorcidos pelos vossos mecanismos cerebrais e vocês querem convertê-los em sucessos e assim se vêem, como sucesso.
Por isso os factos têm de ser violentos, têm de vos deixar a falar sozinhos e sem poder para nos impor o que quer que seja.
Não, não estou a propor uma revolução violenta, porque temos de respeitar a vontade das pessoas humildes e enganadas por vocês, que são ainda muitas porque vocês têm falas mansas e bem moduladas que iludem quem vos ouve.
Estou a propor apenas a força da não violência, da paciência, mas da firmeza com que propomos medidas concretas contra a crise e com que vos dizemos:
Vocês não são boas pessoas.
Vocês não querem aplicar as medidas que vos propomos porque não querem afetar o negócio dos bancos, dos grupos financeiros, dos grupos económicos que têm sede, ou caixa postal para remessa de lucros, na Holanda.
São medidas concretas: combater a fuga aos impostos desses grupos, aplicar a taxa Tobin (vocês são mesmo uns convencidos de que os outros são parvos; não podem aplicar a taxa Tobin porque isso é discriminatório? cortar 10% a uma pensão de 1050 euros de um aposentado de 90 anos não é? tende tento), aplicar uma taxa nos movimentos do multibanco que não se reflita nos clientes, acabar com as isenções de IMI da igreja católica e dos fundos imobilários, invocar os casos de “force majeure” para renegociar contratos desfavoráveis para as finanças publicas reduzindo as rentabilidades excessivas desses contratos, sejam eles PPP (parceria publico privada) ou CDS (credit default swap), aplicar fundos QREN na construção de centrais elétricas de fonte eólica, hídrica, marítima e solar e em linhas de transmissão elétrica para os Pirineus (integrar os projetos destas linhas com os das ferrovias de bitola internacional será pedir demais) , aplicar fundos QREN na produção alimentar de substituição de alimentos importados, nomeadamente em piscicultura, subir o IVA de artigos de luxo e importados (não tenham receio dos vossos mentores, os turistas que comprem artigos de luxo em Portugal poderão refundir o IVA no aeroporto; não será por isso que as grandes companhias de luxo deixarão de vir para a avenida da Liberdade, mas será desejável que deixem de se ver tantos carros de luxo por aí…), aumentar a base tributária e de contabilização do PIB através de medidas amigáveis e não punitivas de inclusão na economia oficial da economia paralela de trocas informais e de subsistência (admitindo que a economia paralela, desde venda de queijos em feiras até aluguer de quartos, é da ordem de 40% do PIB e que metade da economia paralela seria suscetivel de ser integrada através de acordos pessoais com contrapartida de benefícios da segurança social, teríamos uma subida do PIB de 160 mil milhões para 190 mil milhões, o que possibilitaria a manutenção das prestações sociais que tanto afligem há tantos anos o senhor doutor Medina Carreira “só podemos cortar no pessoal da função pública e nas prestações sociais”; não poderia era haver nem medidas punitivas nem faturas obrigatórias, porque isso é o mesmo que dizer faturas falsas, apenas acordo entre duas pessoas de bem) .
Vocês não querem acreditar porque têm a vossa auto-estima de adolescente, mas se não aplicam estas medidas não é só por serem contrárias à vossa ideologia de servirem os grandes grupos. É também porque são incompetentes. Não percebem como elas funcionam, logo não as podem aplicar. Incompetência simples. Não percebem. Os ingleses tambem não percebiam por que Gandhi queria as rocas a fiar e o sal a ser transportado à cabeça pelos seus compatriotas.
Mas vocês também são hipócritas e pouco corajosos (como todos os que são fortes com os fracos e fracos com os fortes).
Vocês nunca dizem o que também se ensina nas escolas de economia por onde andaram a louvar Haiek e Friedman (há coisas que não se podem fazer numa democracia, escreveu uma vez a Haiek a própria Thatcher):
1 – o desemprego elevado é para vocês um objetivo bem definido. Um desemprego elevado permite a manutenção de preços baixos, uma inflação baixa (em agosto deste desgraçado ano de 2013 a inflação estava em Portugal a 0,2% e na Europa a 1,5%! não quero os preços baixos, quero aumento do PIB e poder de compra). É a curva de Philips. É o desemprego elevado que permite baixar os preços dos produtos, dos alimentos, do aluguer das casas, isto é, é o desemprego que estrangula a economia. Mas vocês têm dificuldade em aceitar esta evidencia
2 – pelas mesmíssimas razões, de baixar os preços, vocês perseguem e difamam os funcionários públicos. Vocês sabem que há um efeito de contágio. O setor público é principalmente não transacionável (permitirão que discorde dos vossos mentores e que diga que não é só não transacionável; entidades públicas podem produzir e produzem, bens ou serviços transacionáveis, exportáveis e sujeitos à concorrência internacional; a vossa ideologia fundamentalista é que não quer aceitar este facto; daí o vosso slogan bacoco de que o Estado não tem vocação para gerir atividades produtivas; não tem nem deixa de ter; quem tem vocação são as pessoas, e essas devem ter o direito de escolha, como vocês gostam de encher a boca, entre entidades privadas e entidades públicas para exercer atividades produtivas) e como setor não transacionável “puxa”, na nossa economia, pelos salários do setor transacionável. É por isso que ficamos à espera, depois da estouvada e escrupulosa (psicoticamente escrupulosa na definição ao milímetro dos limites para os cortes das pensões) informação do senhor secretário de Estado Rosalino sobre os cortes das pensões, que também o setor não transacionável dos bancários, nomeadamente o plano de pensões do Banco de Portugal de que ele foi gestor, contribua para o abaixamento dos preços. Como as pensões dos magistrados e dos policias, por exemplo (como perguntava Juvenal há dois milénios: quem guarda o guarda?).
PS em 21 de setembro:
Amável comentador enviou-me a propósito deste post um artigo no Publico de 3 de setembro de 2013 sobre a falta de sentido da decencia dos governantes e manifestando surpresa por os portugueses "quase se não moverem" contra as medidas castigadoras de pensionistas (10% sobre 600 euros!?!?) e de quem trabalha.
Respondi assim:
Dá, de facto, que pensar.
Mas há razões para o povo português "quase não se mover".
É um facto que se assiste à transferencia de rendimento do trabalho para o capital. Que são as pensões e os salários e as regras da austeridade que pagam o reequilibrio e o novo sucesso dos bancos (o BES não precisou de recorrer ao dinheiro da troika, fez o que o governo devia ter feito: subscrição publica) .
Mas 40% da população tem emprego ou fontes de rendimento que permitem ver na televisão imagens de admiradores em atitude veneradora e beatífica dos governantes, ou que em agosto deste ano se tenham vendido mais automóveis do que em agosto de 2012. Muitos destes 40% preferem não mudar de governo nem de presidente da republica. Aliás receiam qualquer mudança.
Outros 20% vivem na pobreza marginal.
Outros 20% para lá caminham. Destes 20+20% são raros os que votam nos partidos opostos ao governo. São marginais (marginalizados, mais corretamente) e abstencionistas.
Sobram 20% de classe média agora baixa em que a maior parte diz que os politicos são todos iguais e não vai votar ou vota em branco.
Ora, o formalismo da democracia determinou a entrega do poder aos partidos do governo. Foi a população que o elegeu. Assim como foi a população dos respetivos países que elegeu Hitler e depois o referendou (tal como Estaline foi referendado). Faltaram a essas democracias os orgãos corretores. Como estão a faltar à nossa (Cavaco faria provavelmente o mesmo que Hindenburg, mas felizmente não chegámos aí). E falta conhecimento das causas das coisas ao orgão corretor, o poder judicial. Fecham-se muito no seu circulo de elite. Os mecanismos internos dos próprios partidos não impedem o afloramento destes casos perversos, pese embora haver muita gente séria nos partidos.
No caso vertente, em que a melhor definição me parece a de Gabriela Canavilhas (ministra de cultura que ajudou a criar as condições para a desgraça que a cultura é agora em Portugal) - este governo é uma turma de adolescentes da disciplina de contabilidade prática. Que teve uns paizinhos e uns padrinhos que lhes pagaram os cursos tardios e as aventuras em empresazinhas de brincar às formações, que se encantaram com os dogmas de Haiek e de Friedman, que se derretiam sempre que viam filmes com a Thatcher ou Reagan.
E que se recusam, obviamente, a beliscar o que quer que seja dos rendimentos do capital (taxa Tobin? sobretaxa em cada movimento do multibanco sem repercussão no cliente? eliminação das isenções de IMI dos fundos imobiliários? taxação dos lucros em off-shores como a Holanda? negociação da aproximação da taxa da divida pública à Euribor? limitação da taxa de rendibilidade das PPP? nem pensar).
Mas a explicação talvez não seja complicada:
1 - a população tem experiencia (porque estas coisas transmitem-se de geração para geração no interior das familias e porque Portugal sempre teve uma taxa altissima de economia paralela que aldraba qualquer estatistica de PIB) - quando a rede de segurança social falha, a população prefere à violencia nas ruas o recurso a tecnicas de sobrevivencia adicionais e de subsistencia (produção caseira para venda de roupas, confeção caseira de alimentos, criação domestica de animais, reciclagem, aluguer de quartos - deem uma vista de olhos pelo OLX...- penhores, lotarias, solidariedade familiar e de vizinhos, precariedade de trabalho como empregadas de limpeza clandestinas...) . E sobrevive, com indicadores gerais piores (a mortalidade infantil está a subir mais do que a queda do PIB a desacelerar), mas sobrevive
2 - a tal turma de contabilidade prática, é apenas um exemplo de psicoses adolescentes de obstinação e perversidade (até certo ponto, são inimputáveis). Com que prazer escondido criticam e castigam os professores, os funcionários públicos. Provável consequencia de dificuldades de aprendizagem que estimularam a indisciplina e a recusa da realidade e das normas da educação. Cresceram e atenuaram um pouco a psicose. Transformou-se em hipomania, que é uma forma menos grave embora derivada da obsessão compulsiva, mas que permite a interação social com os seus seguidores . A hipomania é a convicção que têm sempre razão, que a realidade se submete aos seus desejos e que estão incumbidos de uma missão. E como bons adolescentes indisciplinados ou crianças dificeis, acusam os outros de terem problemas com a realidade, que ninguem pode estar convencido de ser detentor da verdade (sintoma típico de falta de "insight", de capacidade de auto-avaliação, de introspeção; sintoma típico em psiquiatria) lamentando-se que estão sozinhos a salvar o país contra todas as dificuldades. Mentem, e dois anos depois dizem o contrário mas justificam-se com subtilezas de sofista reclamando sempre que é com eles que está a justiça. Não têm empatia para se porem na pele dos outros nem medem com rigor o que dizem e o que disseram . Por isso só percebem a linguagem da força, mas o povo não quer a violencia.
Pena o povo não querer a não violencia mais à moda de Gandhi.
Pena.
Compete-nos a nós continuarmos a exprimirmo-nos.
Livremente.
Ainda temos isso.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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segunda-feira, 25 de março de 2013
What did you say, doctor Abebe Selassie?
What did
you say, doctor Abebe Selassie?
Unemployment
result unhappy?
Worst than
expected?
Disappointing
to increase competition, lower demand and electricity prices not lowering?
Oh Dear!
Sabe, os manuais da London School nem sempre contêm a
informação toda, especialmente a referente a países de economia pequena e com
especificidades nem sempre compreendidas por estrangeiros.
É um pouco como a armadilha da pobreza.
Estar-se numa zona da curva dos rendimentos decrescentes em
que os investimentos não trazem retorno, e em que medidas de austeridade se
repercutem segundo leis de ressonância (fenómeno de amplificação de amplitudes
de variáveis no tempo) aumentando cada vez mais a recessão do PIB.
Mas é estranho que o senhor doutor venha dizer que o
desemprego foi pior do que o esperado.
Pensava que a London Schools tinha melhor conhecimento da interdependência
das variáveis económicas, apesar dos seus economistas preferirem os gabinetes à
realidade mal cheirosa dos indemnizados que foram despedidos por imposição da
troika.
Sabe, os despedidos podem receber uma indemnização maior do
que na Alemanha ou nos USA mas grande parte deles pode entrar em depressão e vão
ter muita dificuldade em encontrar emprego.
Até podemos pensar que a troika acha muito bem
estar-se a investir o dinheiro da segurança social para pagar indemnizações e subsídios
de desemprego e esgotar assim os dinheiros da dita segurança social.
Ah, mas o senhor doutor acha que despedir aumenta o
desemprego com os despedidos mas vai criar mais empregos graças à confiança dos
empregadores.
Isto é, a London Schools e a escola de Chicago acham que despedir
cria mais empregos do que suprime.
What fairy
tales you believe, Dear!
E se fosse assim, estaria o governo português a usar o
dinheiro das indemnizações e dos subsídios de desemprego para financiar novos
empregos… não é ilegal, por prejudicar a concorrência que não despediu?(brinco com os seus
argumentos, claro, porque eles são muito jocosos; dizer que o desemprego é pior
do que o esperado é jocoso, embora também seja trágico).
Speak frankly,
unemployment is a goal of London School and Chicago
School .
Desemprego serve para conter os preços e fazer baixar os
custos de produção do fator trabalho.
Sabe isso muito bem.
Porque veste então a pele do santo inocente e candido?
Ah, é verdade, quanto aos preços da energia.
Não quer aceitar a ideia de que a energia é um bem estratégico
que deve estar subordinado ao conceito de serviço público, pelo que a concorrência
não é para aqui chamada?
Eu sei que seria despedido se pensasse como eu, mas ao menos eu posso exprimir o que penso; não sei se o senhor doutor pode fazer o mesmo.
Quanto a preços de energia, conhece o senhor doutor o caso
da desregulação da eletricidade na Califórnia e correspondente aumento de
preço como consequencia da concorrencia?
Se não conhece recomendo.
Mundo cão, a economia da eletricidade.
Avessa aos dogmas da escola de Londres e da escola de
Chicago.
Best Regards
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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21:31
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sábado, 2 de fevereiro de 2013
A semiótica dos politicos – Quien, yo?
Expressão do senhor primeiro ministro espanhol acusado de silencio cúmplice no esquema de economia paralela do seu partido.
Quiem yo? Parece o senhor dizer, com a mesma expressividade que uma criança na escola, apanhada pela professora, se desculpa: “Quem eu? setôra? Não fui eu, só se foi aquele menino”.
É que o código genético é o mesmo e muito bem definido, independentemente da idade e da função.
E o mal não está nos “esquemas”, no sentido do angolanismo da palavra.
O mal está no divórcio dos políticos dos cidadãos, nos obstáculos à participação dos cidadãos no debate e nas propostas de solução, na desigualdade de tratamento entre o capital e o trabalho, na rigidez ideológica contra as empresas públicas, na promiscuidade entre o poder politico e o poder económico, na submissão ao poder financeiro internacional, à não mobilização das potencialidades dos cidadãos e das suas competências técnicas, à hipocrisia de não reconhecerem que o desemprego é uma ferramenta essencial da ideologia ultraliberal que nos é imposta, ao não cumprimento dos direitos humanos da declaração universal.
Em Espanha, onde a ministra adjunta continua bonita apesar do desemprego, e em Portugal, onde a felicidade se espelha nos rostos dos senhores banqueiros e se derrama das suas declarações públicas.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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19:38
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Silogismo desemprego - suicídios - cumplicidade
Seja o seguinte raciocínio:
A lei de Philips estabelece a correlação entre o aumento do desemprego e o abaixamento do nível de preços.
O nível de preços baixa se diminuirmos a procura.
A procura diminui se reduzirmos os rendimentos.
De acordo com as observações de David Stuckler (ver http://www.csap.cam.ac.uk/network/david-stuckler/ )
a uma subida do desemprego de 3% corresponde um aumento da taxa de suicídios de 4,45%.
Logo, a confirmar-se esta correlação, quem decide a redução de rendimentos, seja governante deste país ou credor do FMI, BCE ou CE, provoca o aumento da taxa de suicídios, é cúmplice na mortalidade.
Num estado de direito em que as instituições funcionassem regularmente, este raciocínio poderia ser um argumento de acusação de homicídio por negligencia em tribunal.
No próprio parlamento já se ouve que esta austeridade é crime (pelo menos contraria a Declaração Universal dos direitos humanos).
Possivelmente os governantes argumentam que não há outro caminho senão a recessão e os cortes na despesa.
Claro que há outros caminhos, mas eles só se podem quantificar depois de auditadas as dívidas pública e privada, sabendo quem são os credores e qual o destino do dinheiro correspondente às dívidas, obrigando ao levantamento do sigilo bancário, coisa que os senhores governantes não quererão por respeito ideológico.
Os senhores governantes, certamente por falta de tempo, não disponibilizam essas informações.
E também não parecem compreender muito bem a necessidade de sair da zona da armadilha da pobreza (aquela em que, por o PIB ser muito pequeno, por mais investimentos que se façam, não há retorno).
Mas mesmo que não houvesse outro caminho, e se os senhores governantes não são capazes de compatibilizar austeridade e crescimento com diminuição do desemprego, então a questão não é politica nem ideológica. É um problema de gestão, de organização e métodos. Tem de se alargar a composição do governo, um governo de inclusão de representantes de todas as sensibilidades e potencialidades.
E não seria necessário substituir todo o governo.
Bastava substituir o primeiro ministro, o adjunto, o ministro das finanças.
Não é uma questão politica, é uma questão de gestão, um governo de inclusão segundo o método proporcional de Hondt.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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15:02
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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
Oportunidade perdida de uma remodelação
| com a devida vénia ao DN e a José Bandeira, que continua a comentar melhor do que muitos analistas politicos |
Eurostat: taxa de desemprego subiu para 16,5%.
Comentário do senhor secretário de Estado adjunto da Economia, Almeida Henriques:
Viveu-se acima das possibilidades, criou-se emprego que não era consistente, temos de fazer o ajustamento para vivermos de acordo com a capacidade produtiva e isso é com as empresas.
É de fazer perder a paciência a um santo, é de o pôr a falar coloquialmente.
Não há pachorra para continuar a ouvir estas cassetes e estes lugares comuns.
A maioria do povo português não comprou carros de luxo, nem fez férias nas Maldivas nem teve salários mais elevados do que a média europeia.
E sempre viveu abaixo, sim , das suas potencialidades.
Empregos não consistentes?
Melhora-se a produtividade (não se melhorou? Não se produz o mesmo número de sapatos, de camisolas e de garrafas de vinho e de azeite com menos trabalhadores? O número de passageiros.km transportados pelas empresas de transporte coletivo ão aumentou por trabalhador?) e isso não “flexibiliza” (flexibilizar funciona nos dois sentidos) o conceito de emprego? isto é, não é necessária uma percentagem tão elevada como antigamente nas áreas diretamente produtivas? (claro, a cartilha ultraliberal manda as pessoas irem para o desemprego para que os preços se mantenham baixos) e a produtividade dos automatismos mantenha a economia a funcionar).
Ah, e aumentar a capacidade produtiva é com as empresas? E falava o senhor secretário de Estado no interior do país? As coisas que se dizem no interior do país … conhecerá o senhor secretário de Estado aqueles casos de câmaras que infraestruturaram terrenos para parques industriais, concederam benefícios às empresas, que depois desapareceram deixando os parques às moscas? É verdade, sempre se foi embora a fábrica dos ursinhos da senhora Merkel? Mas a cartilha ultraliberal insiste: iniciativa privada é que é bom.
Não é, o que é bom é quando a iniciativa privada é boa, não é bom por ser iniciativa privada. Tem de haver iniciativa pública, ao menos na planificação e capacidade de recolha de dados, tratamento e abstratização de um modelo produtivo. Mas para isso há dúvidas de quem detem o poder politico tenha capacidade.
Claro que o mundo empresarial é essencial para a economia, mas faltam empresas públicas efetivamente controladas pelos eleitores. Porque senão, há mais hipóteses de promiscuidade entre o poder politico e económico.
Já disse que é como nas equipas de futebol, depende da equipa de treinadores n(aquela da capacidade de abstratização fui buscar ao Mourinho).
Se a estratégia ou a tática não está adaptada ao adversário, se não há capacidade para criar exercícios de estudos de caso, evidentemente que não se produz o suficiente e se vive abaixo das potencialidades e o problema resolve-se mudando de equipa treinadora.
Não precisa de ser o governo todo, basta mudar o primeiro ministro, o seu adjunto, e o ministro das finanças.
Isto para não chocar o senhor presidente da Republica, claro, que como já foi dito, não se perdia nada com um governo de inclusão.
Enfim, mais uma oportunidade de remodelação perdida.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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18:05
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domingo, 13 de janeiro de 2013
Cenas da vida quotidiana retiradas do DN, nos idos de janeiro de 2013
Estamos em plena fúria de cortes nas despesas do Estado, mas devia haver um departamento público a analisar as cenas da vida quotidiana, tentar as correlações com factos a montante, propor estudos mais aprofundados, com a intervenção de especialistas (sociólogos, psiquiatras, técnicos de serviço social…) e fazer hipóteses de soluções.
Mas este tipo de observatórios anda a ser mal visto.
Podiam então ser as universidades a fazer estes estudos (o presidente da Fundação Gulbenkian, Artur Santos Silva, até sugeriu isso mesmo para analisar bem as questões do relatório da troika ou o repensar das funções do Estado).
Talvez o façam, mas não são disseminados com eficácia.
Também há think tanks ou Fundações como a Francisco Manuel dos Santos a tentar medir os fenómenos.
Mas continua a não se sentir o impacto na discussão coletiva.
E teria muito interesse, senão vejamos a amostra dos dias 12 e 13 de janeiro no DN:
1 – Luís Figo em entrevista a uma revista espanhola – Não tem fé em que os governantes nos tirem da atual conjuntura internacional ; “creio mais nos gestores profissionais. Devíamos copiar os suecos. Em Espanha temo que um dia haja uma revolta popular e uma guerra civil. Há que ser humilde e copiar aquilo que funciona”.
Seria interessante que os leitores dos jornais desportivos ponderasssem estas palaras sensatas.
Não é provável que a desregulação dos sistemas que conduziu à crise financeira internacional que submergiu a nossa pequena economia (70% da divida privada nacional é divida imobiliária) seja agora a receita milagrosa (minimização do Estado e das despesas sociais, ou pagamento da crise internacional com as pensões dos principais prejudicados).
Também me parece que seria interessante discutir com os escandinavos formas de colaboração em que humildemente pudéssemos beneficiar da sua experiencia. Podíamos pensar no exemplo de Francisco de Sousa Coutinho, embaixador português em Estocolmo em 1641, negociando o tratado comercial com a Suécia para ajudar a independência, em ambiente de falta de liquidez.
2 – 94 pessoas foram presas pela GNR desde novembro de 2012 no distrito de Portalegre por apanha ilegal de 17,6 toneladas de azeitona – Comparando com igual período do ano passado, o aumento de pessoas presas, a maioria de nacionalidade portuguesa, foi de 3030%.
A explicação é simples. O preço da azeitona subiu, possivelmente pelo seu aproveitamento na produção energética (ver a estratégia ficcionada de produção de bio-diesel em
Os combustíveis fósseis baratos que têm alimentado a economia fizeram esquecer o enorme potencial energético da azeitona e do seu bagaço. As 94 pessoas presas e muitas outras pelo país fora, que vão apanhando ilegalmente palha para o gado, cortiça, alfarrobas, resíduos de bio-massa talvez tenham sido levadas a compreender o valor muitas vezes desperdiçado.
Claro que o que fazem é ilegal.
Mas a omissão pelos governos de medidas para dinamização dos produtos e resíduos agrícolas, à luz da declaração universal dos direitos humanos, que no seu artigo 23º garante à pessoa o direito ao trabalho, classificar-se-á como?
3 – Dois irmãos ligados à exploração de uma propriedade agrícola executaram a tiro um cidadão na via publica por suspeitarem sem provas ser o autor de um furto de cobre e de motoserras na referida propriedade - Infelizmente, generalizou-se a ideia de que é legitimo andar armado para defender a vida ou a propriedade.
Não é, porque o direito a um julgamento imparcial é também um direito universal, e a execução é irreversível, independentemente do fundamento da acusação.
Mas tratar-se-á apenas de uma correlação entre o contexto económico de desemprego, de insucesso escolar anterior, ou de ausência de estratégia económica, neste caso de investimento agrícola que absorva os cidadãos que andam ilegalmente a recolher produtos ou equipamentos agrícolas.
Mais fácil clamar por mais policiamento e por mais dureza nos castigos.
É uma forma de fugir ao cumprimento da declaração universal dos direitos humanos, ao direito e à obrigação de ter trabalho.
4 – Assassínio na sequencia de uma discussão motivada por cães – Um reformado da GNR matou a tiro um cidadão que trabalhava na sua pequena oficina, numa garagem em Queluz.
São vulgares as divergências entre vizinhos devido a cães e aos incómodos que podem provocar.
Mas a posse de armas pode dar nisto, e qualquer cidadão está sujeito a que o interlocutor puxe de uma arma.
Assunto a merecer intervenção de sociólogos, psiquiatras e técnicos de serviço social (até que ponto o ambiente depressivo que se vive na sociedade portuguesa e nos cidadãos que não têm hipótese de sucesso na crise, determina ou cataliza estes tipo de comportamentos?).
Salvo melhor opinião, julgar e prender o cidadão prevaricador não basta. Medidas preventivas deveriam tornar mais difícil que isto aconteça.
5 - A propósito destas 4 noticias, eu gostaria de ouvir os senhores governantes e os senhores comentadores e analistas políticos a discutir publicamente as medidas preventivas e de investimento (mais policiamento não chega) para corrigir estas disfunções, se possível com a lucidez de Luís Figo.
Mas será pedir demais, talvez.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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20:25
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terça-feira, 23 de outubro de 2012
Cenas da vida quotidiana - as grelhas, no supermercado e o génio do poker
1 - As grelhas - Bruscamente, após o verão passado, comecei a reparar, nas duas freguesias do norte de Lisboa que mais se distinguem nas eleições em votar ns partidos do atual governo, que faltavam grelhas de drenagem, junto dos passeios.
Primeiro, alguns moradores colocaram ramos de árvores, para prevenir os automobilistas contra os perigos de inutilizarem jantes ou susensões.
Depois o pessoal da CML colocou aqueles módulos de polietileno para barreiras de canalização de tráfego em cima das bocas de drenagem.
É fácil parar uma carrinha e com um pé de cabra ir recolhendo as grelhas.
É um sinal do desemprego e da economia paralela a funcionar com o apoio dos sucateiros.
Quem será mais a causa? quem rouba as grelhas ou quem gere a economia de modo a ela reagir assim?
Sugiro a encomenda a fabricantes de estruturas de PVC, reforçado com nervuras, para equipamento das bocas de drenagem.
Ou então, inserir nas grelhas metálicas localizadores para fazer o "tracking" até aos sucateiros.
Mas evidentemente que a solução seria fazer o que diz a constituição da República: o governo tomar medidas de pleno emprego (utilizando fundos QREN).
2 - no supermercado - estou a comparar preços de vinhos na respetiva secção do supermercado. Um cliente de aspeto normal aproxima-se e pede delicadamente dinheiro para completar as suas compras. Respondo que deveria protestar através das organizações que lhe fossem mais próximas, sindicatos, juntas de freguesia., partidos politicos.
Mas ele responde que isso demora muito tempo e entretanto tem fome.
Que , se cada um contribuir com uma moeda, ele tem o problema resolvido.
3 - o génio do poker - reencontro este argumento, de cada um contribuir com um pouco, ao ler no DN a reportagem sobre o génio do poker, que se profissionalizou depois de concluir o curso de engenharia informática, e que ganha rentáveis torneios na internet (o governo já terá tido tempo de ler o estudo sobre a taxação do jogo pela internet?).
Segundo ele, 10% do que ganha é entregue a instituições de solidariedade social.
Claro que aplaudo, mas fico a pensar que as coisas não deviam ser pela caridade, que a sociedade devia organizar-se de modo a pôr as pessoas a produzir, mesmo que tenham limitações, e remunerá-las conforme as necessidades.
Quem dizia o mesmo? Adam Smith.
Não há dúvida; quem nos divide não são os profetas, mas sim os seus sacerdotes.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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terça-feira, 24 de julho de 2012
Entrevista do diretor do Diário Económico na RTP2 em 23 de Julho de 2012-07-23
A acusação é forte: o senhor ministro das finanças já tinha tido tempo, ao fim de mais de um ano de governo, de apresentar um plano de cortes na despesa pública. Especialmente depois de se ter enganado nas previsões da receita fiscal. Não deve por isso ficar contente por no 1º semestre de 2012 o défice público se ter quedado por 4.100 milhões de euros, abaixo do valor contratado com a troika de 4.400 milhões.
Já não é a acusação que tenho feito ao senhor ministro das finanças de mau desempenho e de uma experiencia até aqui longe das realidades comezinhas mas dramáticas que as cidadãs e cidadãos sofrem (no mesmo noticiário da RTP2: um desenhador-projetista desempregado está a poucos meses de ficar sem o subsídio e o centro de emprego não lhe arranja nada; também não recebe abono de família para os filhos; será que os senhores ministros não relacionam os cortes com estes casos?). É uma crítica especializada. Com a agravante de, durante a campanha eleitoral de 2011, o partido vencedor das eleições dizer nos seus comícios que sabia muito bem onde cortar “nas gorduras do Estado”. Afinal estavam a enganar os eleitores, naquela ótica de que podem prometer-se coisas e depois de eleitos não cumprirem, como disse o próprio primeiro ministro espanhol. Na ótica dos ciclos eleitorais que permite aos governos em períodos de excedentes aumentar a despesa pública e ganhar as eleições (caso das eleições de 1991 a seguir ao aumento de 12% dos salários da função pública e ao aumento de 7,8% do “peso” do Estado no PIB , num governo de Cavaco Silva).
Para além de inexperiência e de limitados conhecimentos da realidade, quando se diz que há muita gordura no estado para se cortar confundir-se-á possivelmente com ineficiências e burocracias a corrigir (evidentemente que não pode aceitar-se uma sinecura para Armando Vara numa fundação principescamente instalada para a segurança rodoviária, mas a verdade é que o ministério da administração interna entrava o funcionamento de entidades que devem existir para fiscalizar e dinamizar medidas corretivas para diminuição da sinistralidade rodoviária). E isso não se corrige com cortes cegos e sangrias. Nem a por a circular na Internet listas de observatórios que as pessoas não sabem para que servem. É o mesmo populismo de dizer que os engenheiros não são precisos num gabinete de estudos e desenvolvimento (pensarão as pessoas que as soluções são descidas de infusa, possivelmente graças à excelência das empresas e dos consultores privados que oferecem as suas soluções a administradores de empresas públicas ignorantes da essência do seu negócio). E que serve para deixar os ministros a falar a uma só voz, sem contradição.
Eis por que mais uma vez se deixa aqui registado que as soluções para esta crise não podem ser estudadas e decididas em secretismo, sem a participação alargada dos cidadãos e cidadãs. Os partidos que não estão no governo e a sociedade civil têm de participar. Apesar das conhecidas dificuldades portuguesas na organização de equipas mistas.
Já não é a acusação que tenho feito ao senhor ministro das finanças de mau desempenho e de uma experiencia até aqui longe das realidades comezinhas mas dramáticas que as cidadãs e cidadãos sofrem (no mesmo noticiário da RTP2: um desenhador-projetista desempregado está a poucos meses de ficar sem o subsídio e o centro de emprego não lhe arranja nada; também não recebe abono de família para os filhos; será que os senhores ministros não relacionam os cortes com estes casos?). É uma crítica especializada. Com a agravante de, durante a campanha eleitoral de 2011, o partido vencedor das eleições dizer nos seus comícios que sabia muito bem onde cortar “nas gorduras do Estado”. Afinal estavam a enganar os eleitores, naquela ótica de que podem prometer-se coisas e depois de eleitos não cumprirem, como disse o próprio primeiro ministro espanhol. Na ótica dos ciclos eleitorais que permite aos governos em períodos de excedentes aumentar a despesa pública e ganhar as eleições (caso das eleições de 1991 a seguir ao aumento de 12% dos salários da função pública e ao aumento de 7,8% do “peso” do Estado no PIB , num governo de Cavaco Silva).
Para além de inexperiência e de limitados conhecimentos da realidade, quando se diz que há muita gordura no estado para se cortar confundir-se-á possivelmente com ineficiências e burocracias a corrigir (evidentemente que não pode aceitar-se uma sinecura para Armando Vara numa fundação principescamente instalada para a segurança rodoviária, mas a verdade é que o ministério da administração interna entrava o funcionamento de entidades que devem existir para fiscalizar e dinamizar medidas corretivas para diminuição da sinistralidade rodoviária). E isso não se corrige com cortes cegos e sangrias. Nem a por a circular na Internet listas de observatórios que as pessoas não sabem para que servem. É o mesmo populismo de dizer que os engenheiros não são precisos num gabinete de estudos e desenvolvimento (pensarão as pessoas que as soluções são descidas de infusa, possivelmente graças à excelência das empresas e dos consultores privados que oferecem as suas soluções a administradores de empresas públicas ignorantes da essência do seu negócio). E que serve para deixar os ministros a falar a uma só voz, sem contradição.
Eis por que mais uma vez se deixa aqui registado que as soluções para esta crise não podem ser estudadas e decididas em secretismo, sem a participação alargada dos cidadãos e cidadãs. Os partidos que não estão no governo e a sociedade civil têm de participar. Apesar das conhecidas dificuldades portuguesas na organização de equipas mistas.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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domingo, 3 de junho de 2012
Austeridade-crescimento
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2012/04/voltando-as-analises-de-dados-e-taxa-de.html
Voltando ao tema do post de 7 de Abril de 2012, com a evolução da taxa de desemprego ao longo das ultimas décadas.
Talvez que o dilema que se discute hoje na politica portuguesa não esteja bem traduzido pelas palavras – ou austeridade ou crescimento.
A politica do governo não é de austeridade, que com austeridade até se vive bem.
Trata-se antes de uma politica declaradamente de desemprego, para conter a procura (lei de Philips: a inflação varia inversamente relativamente ao desemprego) , diminuir as importações e assim equilibrar as balanças de pagamentos e o deve-haver do orçamento, dentro dos limites acordados para o défice (já que para o endividamento já se sabe que, graças ao aumento dos juros, a divida publica continua a subir). Apesar de não ser na fatia dos rendimentos de trabalho que está a maior quota das despesas.
A politica da oposição não deveria ser tão só de crescimento. A diminuição do PIB já é uma fatalidade; impor-se-ia uma politica de diminuição de danos. Julgo que seria assim correta uma seleção de atividades a desenvolver para incluir no PIB. Isso obrigaria a um grande esforço de planeamento e de elaboração de projetos (nomeadamente para submissão ao QREN ou seu sucedâneo) a realizar transversalmente na sociedade portuguesa sem monopólios ou duopólios partidários.
Mas como se costuma dizer neste blogue, isto são vozes de burro que não chegam aos céus.
Voltando ao tema do post de 7 de Abril de 2012, com a evolução da taxa de desemprego ao longo das ultimas décadas.
Talvez que o dilema que se discute hoje na politica portuguesa não esteja bem traduzido pelas palavras – ou austeridade ou crescimento.
A politica do governo não é de austeridade, que com austeridade até se vive bem.
Trata-se antes de uma politica declaradamente de desemprego, para conter a procura (lei de Philips: a inflação varia inversamente relativamente ao desemprego) , diminuir as importações e assim equilibrar as balanças de pagamentos e o deve-haver do orçamento, dentro dos limites acordados para o défice (já que para o endividamento já se sabe que, graças ao aumento dos juros, a divida publica continua a subir). Apesar de não ser na fatia dos rendimentos de trabalho que está a maior quota das despesas.
A politica da oposição não deveria ser tão só de crescimento. A diminuição do PIB já é uma fatalidade; impor-se-ia uma politica de diminuição de danos. Julgo que seria assim correta uma seleção de atividades a desenvolver para incluir no PIB. Isso obrigaria a um grande esforço de planeamento e de elaboração de projetos (nomeadamente para submissão ao QREN ou seu sucedâneo) a realizar transversalmente na sociedade portuguesa sem monopólios ou duopólios partidários.
Mas como se costuma dizer neste blogue, isto são vozes de burro que não chegam aos céus.
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domingo, 13 de maio de 2012
A imagem é mais clara do que a argumentação
Tem razão os críticos da oposição.
Perdem-se em palavras e discussões bizantinas.
Mais vale uma boa imagem, como a do cartonista do DN, e fica esclarecida a afirmação do senhor primeiro ministro, que ele aprendeu nos powerpoint dos cursos acelerados de boa gestão, sobre a transformação da ameaça do desemprego numa oportunidade.
Eu creio que a imagem do senhor que sai do seu emprego também pode ilustrar aquela ideia que, depois de descer por um declive abaixo, se retoma o crescimento (passem as redundancias, claro).
Perdem-se em palavras e discussões bizantinas.
Mais vale uma boa imagem, como a do cartonista do DN, e fica esclarecida a afirmação do senhor primeiro ministro, que ele aprendeu nos powerpoint dos cursos acelerados de boa gestão, sobre a transformação da ameaça do desemprego numa oportunidade.
Eu creio que a imagem do senhor que sai do seu emprego também pode ilustrar aquela ideia que, depois de descer por um declive abaixo, se retoma o crescimento (passem as redundancias, claro).
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Transcrição de Boaventura Sousa Santos de novembro de 2010
Este texto foi escrito por Boaventura Sousa Santos e publicado numa quinta feira, em 18 de Nov de 2010:
“…A preocupação com as dívidas é importante mas, se todos devem (famílias, empresas e Estado) e ninguém pode gastar, quem vai produzir, criar emprego e devolver a esperança às famílias?
Neste cenário, o futuro inevitável é a recessão, o aumento do desemprego e a miséria de quase todos.
A história dos anos de 1930 diz-nos que a única solução é o Estado investir, criar emprego, tributar os super-ricos, regular o sistema financeiro. E quem fala de Estado, fala de conjuntos de Estados, como a União Europeia. Só assim a austeridade será para todos e não apenas para as classes trabalhadoras e médias que mais dependem dos serviços do Estado...”
Como pois pode alguém vir agora dizer, dezoito meses depois, que os números do desemprego são inesperados? Especialmente depois do estado português ter utilizado dinheiros públicos não para investimento, mas para salvação de acionistas de bancos?
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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No reservations - culinária interveniente
A senhora diretora do Magazine semanal do DN ficou desolada com o programa de culinária No Reservations, de Anthony Bourdain, que o canal Travel dissemina pelo planeta.
A senhora diretora costuma encher as páginas do magazine com exemplos de heróicos portugueses e portuguesas que espalham o seu talento pelo país e pelo estrangeiro.
Vidas de sucesso e de coragem a seguir, para combater a crise.
Eu, que como pessoa mediana acho que as pessoas normais é que devem resolver a crise, funcionando como pessoas normais, sem heróis nem lideres superiores, pensei dedicar-lhe um comentário sobre a ópera Albert Herring, de Benjamin Britten, outro que não acreditava em heróis condutores de homens:
http://en.wikipedia.org/wiki/Albert_Herring
Como costumo dizer, a ópera é um fenómeno subversivo, e esta goza com a ideia da eleição de um modelo que sirva de exemplo à comunidade, no caso a rainha de Maio.
Como nenhuma das candidatas podia classificar-se como irreprensível, do ponto de vista da moralidade vigente, foi eleito o rei de Maio, Albert Herring, filho bem comportadinho da dona da mercearia da terra, dedicado ao trabalho e livre de tabaco e álcool.
Mas na festa da coroação alguém lhe misturou aguardente na limonada e as coisas acabaram por ser pouco exemplares.
Talvez Bourdain, na sua visita a Lisboa, tenha posto aguardente na limonada. A senhora diretora do Magazine não gostou de ver as ruas decrépitas de Lisboa e o desanimo dos portugueses perante a crise, desde António Lobo Antunes a José Quintela. Que, no entanto, vão discorrendo de forma bizantina sobre o carater do povo português.
Ficou escandalizada. Talvez tenha sido mais um caso de dissonância cognitiva (discrepância entre aquilo em que se acredita ou o que se pensa ou sente sobre uma coisa e o que, de repente, se vê como sendo realidade).
Pena a senhora nunca ter tido uma palavra de crítica contra os iluminados gestores que foram desertificando Lisboa através da deslocação de serviços para a periferia.
Nem nas páginas da sua revista criticou a importação de alimentos e de acessórios de moda feminina.
Ao menos podia aplicar a sua teoria de admiração dos bons exemplos a Carla, a senhora pescadora de Lisboa que apanha polvos, robalos e marisco que não precisam de vir da Tailandia e do Vietname. Mas a personagem não tinha carisma. Alem de que é uma vergonha não denunciar a politica vergonhosa contra os pescadores de Lisboa (não houve sucedâneo para a doca de Pedrouços).
Por mim, embora não seja apreciador de programas de culinária, acho que devia pegar-se no tema e fazerem-se uns programas com uns cálculos, sobre o que há a fazer em Lisboa e as necessidades de emprego para isso.
http://www.travelchannel.com/tv-shows/anthony-bourdain/photos/no-reservations-lisbon-pictureshttp://www.travelchannel.com/tv-shows/anthony-bourdain/photos/no-reservations-lisbon-pictures
A senhora diretora costuma encher as páginas do magazine com exemplos de heróicos portugueses e portuguesas que espalham o seu talento pelo país e pelo estrangeiro.
Vidas de sucesso e de coragem a seguir, para combater a crise.
Eu, que como pessoa mediana acho que as pessoas normais é que devem resolver a crise, funcionando como pessoas normais, sem heróis nem lideres superiores, pensei dedicar-lhe um comentário sobre a ópera Albert Herring, de Benjamin Britten, outro que não acreditava em heróis condutores de homens:
http://en.wikipedia.org/wiki/Albert_Herring
Como costumo dizer, a ópera é um fenómeno subversivo, e esta goza com a ideia da eleição de um modelo que sirva de exemplo à comunidade, no caso a rainha de Maio.
Como nenhuma das candidatas podia classificar-se como irreprensível, do ponto de vista da moralidade vigente, foi eleito o rei de Maio, Albert Herring, filho bem comportadinho da dona da mercearia da terra, dedicado ao trabalho e livre de tabaco e álcool.
Mas na festa da coroação alguém lhe misturou aguardente na limonada e as coisas acabaram por ser pouco exemplares.
Talvez Bourdain, na sua visita a Lisboa, tenha posto aguardente na limonada. A senhora diretora do Magazine não gostou de ver as ruas decrépitas de Lisboa e o desanimo dos portugueses perante a crise, desde António Lobo Antunes a José Quintela. Que, no entanto, vão discorrendo de forma bizantina sobre o carater do povo português.
Ficou escandalizada. Talvez tenha sido mais um caso de dissonância cognitiva (discrepância entre aquilo em que se acredita ou o que se pensa ou sente sobre uma coisa e o que, de repente, se vê como sendo realidade).
Pena a senhora nunca ter tido uma palavra de crítica contra os iluminados gestores que foram desertificando Lisboa através da deslocação de serviços para a periferia.
Nem nas páginas da sua revista criticou a importação de alimentos e de acessórios de moda feminina.
Ao menos podia aplicar a sua teoria de admiração dos bons exemplos a Carla, a senhora pescadora de Lisboa que apanha polvos, robalos e marisco que não precisam de vir da Tailandia e do Vietname. Mas a personagem não tinha carisma. Alem de que é uma vergonha não denunciar a politica vergonhosa contra os pescadores de Lisboa (não houve sucedâneo para a doca de Pedrouços).
Por mim, embora não seja apreciador de programas de culinária, acho que devia pegar-se no tema e fazerem-se uns programas com uns cálculos, sobre o que há a fazer em Lisboa e as necessidades de emprego para isso.
http://www.travelchannel.com/tv-shows/anthony-bourdain/photos/no-reservations-lisbon-pictureshttp://www.travelchannel.com/tv-shows/anthony-bourdain/photos/no-reservations-lisbon-pictures
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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Crítica de cinema - Merryl Streep como Margaret Thatcher
Como se costuma dizer, todos nós temos um pouco de poeta, de louco e de médico.
Mas o provérbio é muito antigo, e acho que podemos acrescentar que todos temos também um pouco de crítico de cinema.
O filme sobre Margaret Thatcher utiliza técnicas eficazes para atrair os espetadores e apesar de não esconder os aspetos negativos acabará por dar uma imagem simpática, até pela iterpretação de Merryl Streep.
Nisso segue a tendencia de branda tolerancia e de abertura para concessões, coisa que não era com ela, que Clint Eastwood manifestou no seu J.Edgar, humanizando o grande inquisidor do FBI Edgar Hoover.
Talvez humanizar a dama de ferro seja perigoso nos tempos que correm, por sugerir a aplicação das suas receitas de "capitalismo de casino", responsáveis pela desindustrialização do país e pelo predomínio da especulação financeira mais ou menos declaradamente "off-shore", que com grande probabilidade conduziram à crise financeira atual.
Pareceu-me um filme pesado e cansativo, com recurso obssessivo ao diálogo com o fantasma do marido e a constantes "flash-backs".
Mas a senhora era obssessiva, na sua ansia de aplicar as ideias de Hayeck (minimização do Estado, privatizações, fé bíblica na iniciativa privada), não há que admirar o filme ser obssessivo e deprimente quando retrata o maior desemprego na Inglaterra depois de 1930.
Só ao fim de 11 anos o mecanismo democrático do próprio partido conseguiu acabar com o seu autoritarismo.
Pena o filme não incluir a frase célebre da senhora, que quem aos 30 anos tem de andar de transportes públicos é um falhado.
Pena não referir o falhanço reconhecido que foi a privatização dos transportes em Inglaterra, com graves falhas de segurança e acidentes como consequencia dos cortes.
Nem a parcial nacionalização a contragosto da BP e da Chrysler inglesa.
Nem o envio de mensagens de mentira aos passageiros de um voo bloqueado num país do golfo pérsico.
Mas o filme não esconde a frieza do crime de guerra cometido com o afundamento do cruzador Belgrano fora da zona de exclusão e com a proa virada ao continente, não esconde a intolerancia e a incapacidade de aplanar o caminho para a intermediação no conflito com a Irlanda do Norte (ficou provado que a mediação resulta), não esconde a insensibilidade perante o desemprego.
E contudo, assim como muitos votaram nela e lhe deram a maioria apesar das suas medidas, também no momento do nosso descontentamento muitos apoiam o seu dedicado e inflexível seguidor contra todas as evidencias, o primeiro ministro portugues, dela e de Hayeck.
Contra, por exemplo, o próprio continuador de Thatcher, primeiro ministro inglês Cameron, ao dinamizar com Mario Monti o manifesto "Um plano para o crescimento da Europa", com medidas privilegiando o emprego e o crescimento, ao arrepio das ideias de Hayeck e da estratégia do BCE (lei de Philips: conter os preços e as taxas de juro através de um desemprego elevado e uma procura contida).
O primeiro ministro português, pelo menos até agora, não quis assinar o manifesto, já assinado por 11 primeiros ministros europeus.
Deve ser contra as ideias dele.
Escreveu Cameron: "As garantias implícitas de sempre resgatar os bancos, que distorcem o mercado único, devem ser reduzidas. São os bancos, e não os contribuintes, que devem ser responsáveis por suportar os custos dos riscos que correm" (eu acrescentaria, os bancos e as holdings que os detinham, como a SLN).
Como é diferente o neo-liberalismo na Inglaterra, ou como dizia Julio Dantas, como é diferente o amor em Portugal.
Mas o provérbio é muito antigo, e acho que podemos acrescentar que todos temos também um pouco de crítico de cinema.
O filme sobre Margaret Thatcher utiliza técnicas eficazes para atrair os espetadores e apesar de não esconder os aspetos negativos acabará por dar uma imagem simpática, até pela iterpretação de Merryl Streep.
Nisso segue a tendencia de branda tolerancia e de abertura para concessões, coisa que não era com ela, que Clint Eastwood manifestou no seu J.Edgar, humanizando o grande inquisidor do FBI Edgar Hoover.
Talvez humanizar a dama de ferro seja perigoso nos tempos que correm, por sugerir a aplicação das suas receitas de "capitalismo de casino", responsáveis pela desindustrialização do país e pelo predomínio da especulação financeira mais ou menos declaradamente "off-shore", que com grande probabilidade conduziram à crise financeira atual.
Pareceu-me um filme pesado e cansativo, com recurso obssessivo ao diálogo com o fantasma do marido e a constantes "flash-backs".
Mas a senhora era obssessiva, na sua ansia de aplicar as ideias de Hayeck (minimização do Estado, privatizações, fé bíblica na iniciativa privada), não há que admirar o filme ser obssessivo e deprimente quando retrata o maior desemprego na Inglaterra depois de 1930.
Só ao fim de 11 anos o mecanismo democrático do próprio partido conseguiu acabar com o seu autoritarismo.
Pena o filme não incluir a frase célebre da senhora, que quem aos 30 anos tem de andar de transportes públicos é um falhado.
Pena não referir o falhanço reconhecido que foi a privatização dos transportes em Inglaterra, com graves falhas de segurança e acidentes como consequencia dos cortes.
Nem a parcial nacionalização a contragosto da BP e da Chrysler inglesa.
Nem o envio de mensagens de mentira aos passageiros de um voo bloqueado num país do golfo pérsico.
Mas o filme não esconde a frieza do crime de guerra cometido com o afundamento do cruzador Belgrano fora da zona de exclusão e com a proa virada ao continente, não esconde a intolerancia e a incapacidade de aplanar o caminho para a intermediação no conflito com a Irlanda do Norte (ficou provado que a mediação resulta), não esconde a insensibilidade perante o desemprego.
E contudo, assim como muitos votaram nela e lhe deram a maioria apesar das suas medidas, também no momento do nosso descontentamento muitos apoiam o seu dedicado e inflexível seguidor contra todas as evidencias, o primeiro ministro portugues, dela e de Hayeck.
Contra, por exemplo, o próprio continuador de Thatcher, primeiro ministro inglês Cameron, ao dinamizar com Mario Monti o manifesto "Um plano para o crescimento da Europa", com medidas privilegiando o emprego e o crescimento, ao arrepio das ideias de Hayeck e da estratégia do BCE (lei de Philips: conter os preços e as taxas de juro através de um desemprego elevado e uma procura contida).
O primeiro ministro português, pelo menos até agora, não quis assinar o manifesto, já assinado por 11 primeiros ministros europeus.
Deve ser contra as ideias dele.
Escreveu Cameron: "As garantias implícitas de sempre resgatar os bancos, que distorcem o mercado único, devem ser reduzidas. São os bancos, e não os contribuintes, que devem ser responsáveis por suportar os custos dos riscos que correm" (eu acrescentaria, os bancos e as holdings que os detinham, como a SLN).
Como é diferente o neo-liberalismo na Inglaterra, ou como dizia Julio Dantas, como é diferente o amor em Portugal.
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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Cenas da vida quotidiana de um cidadão em Portugal, Lisboa, em dezembro de 2011
Cena 1 - Talão abandonado numa caixa Multibanco, no Centro Comercial Colombo:
Levantamento, montante: 60,00 euros
saldo contabilistico: 593,51 euro
saldo disponivel: 601,41 euro
saldo autorizado: 19,73 euro
Após a operação de levantamento, o distraido detentor da conta ficou a saber que pode movimentar 19,73 euros, e que tem de aguardar que lhe depositem na conta o seu ordenado, de cerca de 600 euros, para poder usufrui-lo. Este tempo de espera resulta em beneficio para os bancos. O valor médio de uma renda de casa modesta em Lisboa é de 450 euro. Sobram 150 euro. Segundo um dos membros da troica, os salários em Portugal devem baixar porque atualmente são mais altos do que o valor que é produzido.
Cena 2 - Numa carruagem de metro na linha verde, um rapazinho, talvez de 9 anos, para o pai:
"porque não vamos à Assembleia falar com eles, com o primeiro ministro, para ajudar a resolver a crise? Há tantas lojas a fechar e pessoas desempregadas, que podiamos empregar essas pessoas nas lojas"
"Pois, dizia o pai, mas não pode ser só lojas, alguem tem de produzir nas fábricas, nos campos"
"É nisso que podiamos ajudar o Passos Coelho, dizer-lhe que podia empregar essas pessoas"
O pai sorria, mas era um sorriso triste.
O menino, que tem aspeto de inteligente e generoso, aprenderá um dia a lei de Philips: existe uma correlação fortemente positiva entre o desemprego e a contenção dos preços (a contenção dos preços é a politica oficial do BCE, a qual não foi sujeita a eleições pelos cidadãos e cidadãs europeus)
Cena 3 - Na sala de espera de um hospital privado, 01:30.
Ao fim de uma hora e dez minutos de espera, abriu-se a porta de um dos consultórios e é chamado o nome do cidadão que esperava. Não houve triagem para avaliar o estado de gravidade do cidadão.
No jornal desse dia vinha anunciado o aumento dos custos para os utilizadores dos hospitais públicos e, no jornal do dia seguinte, a de que qualquer cidadão ou cidadã sem capacidade para pagar as despesas no hospital público pode registar no sistema informático das finanças a sua isenção (antigamente, no tempo do para-fascismo, chamava-se atestado de pobreza, que era obtido na junta de freguesia).
Espera-se aumento da procura de hospitais privados.
Espera-se aumento do tempo de espera.
Levantamento, montante: 60,00 euros
saldo contabilistico: 593,51 euro
saldo disponivel: 601,41 euro
saldo autorizado: 19,73 euro
Após a operação de levantamento, o distraido detentor da conta ficou a saber que pode movimentar 19,73 euros, e que tem de aguardar que lhe depositem na conta o seu ordenado, de cerca de 600 euros, para poder usufrui-lo. Este tempo de espera resulta em beneficio para os bancos. O valor médio de uma renda de casa modesta em Lisboa é de 450 euro. Sobram 150 euro. Segundo um dos membros da troica, os salários em Portugal devem baixar porque atualmente são mais altos do que o valor que é produzido.
Cena 2 - Numa carruagem de metro na linha verde, um rapazinho, talvez de 9 anos, para o pai:
"porque não vamos à Assembleia falar com eles, com o primeiro ministro, para ajudar a resolver a crise? Há tantas lojas a fechar e pessoas desempregadas, que podiamos empregar essas pessoas nas lojas"
"Pois, dizia o pai, mas não pode ser só lojas, alguem tem de produzir nas fábricas, nos campos"
"É nisso que podiamos ajudar o Passos Coelho, dizer-lhe que podia empregar essas pessoas"
O pai sorria, mas era um sorriso triste.
O menino, que tem aspeto de inteligente e generoso, aprenderá um dia a lei de Philips: existe uma correlação fortemente positiva entre o desemprego e a contenção dos preços (a contenção dos preços é a politica oficial do BCE, a qual não foi sujeita a eleições pelos cidadãos e cidadãs europeus)
Cena 3 - Na sala de espera de um hospital privado, 01:30.
Ao fim de uma hora e dez minutos de espera, abriu-se a porta de um dos consultórios e é chamado o nome do cidadão que esperava. Não houve triagem para avaliar o estado de gravidade do cidadão.
No jornal desse dia vinha anunciado o aumento dos custos para os utilizadores dos hospitais públicos e, no jornal do dia seguinte, a de que qualquer cidadão ou cidadã sem capacidade para pagar as despesas no hospital público pode registar no sistema informático das finanças a sua isenção (antigamente, no tempo do para-fascismo, chamava-se atestado de pobreza, que era obtido na junta de freguesia).
Espera-se aumento da procura de hospitais privados.
Espera-se aumento do tempo de espera.
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terça-feira, 22 de novembro de 2011
Pitagoricamente jogando com numeros II - civitas iniquitatis
Jogando com numeros poder-se-á chegar à definição dos limites e do conteúdo da cidade da equidade.
Se já se definiu internacionalmente a forma de cálculo do coeficiente da desigualdade de Gini, também pitagoricamente poderiamos chegar à cidade da equidade.
Mas ainda não o fizemos.
Vivemos ainda na civitas iniquitatis, apesar do senhor ministro das finanças garantir que a distribuição dos sacrificios é equitativa.
Como aliás diz o senhor primeiro ministro, sem admitir contestação e garantindo professoralmente que não muda o orçamento porque é sagrada a partilha de 1/3 para as receitas e 2/3 para o corte de despesas e afinal não há gorduras do estado suficientes para cortar .
E como argumento demonstrativo da equidade dos sacrificios, disse o senhor primeiro ministro que os funcionários publicos são amputados de dois subsidios mensais e os trabalhadores do setor privado poderão ser sujeitos a trabalhar mais duas horas e meia por semana, reduzindo assim o valor do seu salário horário.
Vem a troica e diz que é óbvio que a redução salarial dos funcionários públicos se repercutirá no setor privado.
Em sentido contrário funcionou o aumento salarial dos funcionários publicos em 1972, através da concessão de um subsidio de férias.
É que na altura não havia duvidas, o salário médio do setor privado era claramente superior ao setor público.
Mas deixemos isso e joguemos um pouco com os numeros, não para encontrar a solução para a equidade, que essa só se conseguiria com estudos estatísticos e sociológicos sobre dados que me parece não existirem (em Portugal costuma-se decidir sem recolher e tratar dados em quantidade suficiente), mas para tentar outras perspetivas.
Haverá 900.000 funcionários publicos e trabalhadores de empresas publicas?
E 3.600.000 trabalhadores do setor privado?
Como o senhor primeiro ministro diz, o salário médio no setor publico será 15% superior à média nacional? (seria interessante a tal auditoria à divida externa, identificando os credores e os devedores por classe, explicando por que sendo a divida privada superior à publica, são os salários do setor privado tão inferiores aos do setor publico; provavelmente Medina Carreira explicaria que tanto os assalariados publicos como privados se empenharam a aumentar a divida ao estrangeiro).
Excluindo os escalões superiores, teve o cuidado de acrescentar, provavelmente por ter lido o email que circulou com os vencimentos de antigos ministros que ocupam lugares de administração em empresas mais ou menos ligadas às áreas dos seus anteriores ministérios.
Mas admitamos que o salário médio publico, considerando o peso de médicos, professores, quadros técnicos licenciados, é 20% superior ao do setor privado.
No quadro seguinte aplica-se o critério de equidade defendido pelos senhores governantes, da equivalencia entre o corte de subsidios e o aumento do numero de horas semanais (repete-se que o interesse é meramente de jogo com numeros, porque a equidade não se mede assim, apenas com estas variáveis) chegando-se a resultados diferentes.
Concluiu-se que mesmo depois de cortar 2 subsidios o salário publico ainda é superior 2,86% ao sala´rio privado de 40 horas. E que passar de 40 para 42,5 horas semanais corresponde a uma redução de 5,88% no salário horário privado.
Para que os salários horários ficassem iguais depois do corte de subsidios no publico e da variação das horas por semanas dos privados, seria necessário que estas fossem reduzidas para 39 horas, isto é, uma diminuição de 13 minutos por dia.
E se quiserem supor que a produtividade do privado é superior em 10% à do setor publico (não estou a pôr setores contra setores, o que desviaria a atenção das causas a montante, mas as obrigações de serviço público, como por exemplo transportar menos pessoas por veículo em horas de pouco movimento, implicam naturalmente perdas de produtividade, não por insuficiencia dos seus trabalhadores, mas pelas obrigações sociais em si), então o horário semanal privado teria de baixar para 35 horas e a diminuição diária seria de 5 minutos.
Não parece portanto ser este o caminho para definir equidade entre o setor publico e o privado, até porque as variáveis que devem ser consideradas são muitas.
1 - Imaginemos agora que uma empresa com 10 trabalhadores tinha uma produção semanal P=1000 (por exemplo, 1000 peças de mobiliário) com um horário de 40 horas semanais.
A sua produtividade era 2,5 peças por homem.hora.
Quando passou a 42,5 horas semanais, recebeu encomendas adicionais e passou a ter uma produção 5% maior. Mantendo o quadro, a produção aumentou para 1050 peças, mas a produtividade baixou para 2,47 peças por homem.hora.
2 - Imaginemos que a procura baixava e a produção semanal reduzia-se 10% , de 1000 para 900.
Com o mesmo quadro de pessoal a produtividade baixaria de 2,5 para 2,24.
A tentação seria grande para despedir um trabalhador.Mesmo assim a produtividade baixaria de 2,5 para 2,48. Pelo que a tentação de um segundo despedimento conduziria a um aumento da produtividade de 2,5 para 2,79.
No entanto, baixando as horas semanais para 36, manter-se-ia a produtividade em 2,5 o que parece indiciar que cada caso é um caso.
Estas e outras variações estão no seguinte quadro:
Conclui-se assim que aumentar o numero de horas semanais, quer com aumento da produção, quer com diminuição da produção , conduz a diminuição da produtividade.
Isso mesmo se poderia ver a partir da fórmula da produtividade, aumentando os homens.hora ou diminuindo a produção a produtividade baixa:
produtividade =produção/fator de produção (p=P/(hom.h) )
Nestas condições, é admissível discutir a proposta da CIP de criar uma bolsa de horas (depósito de acumulação durante a baixa da procura para descarga em período de aumento da procura) para absorver as flutuações da procura e da produção, garantindo a manutenção do quadro de pessoal e as remunerações globais anteriores ao aumento do numero de horas (baixando portanto o salário horário). Esta opção significa a supressão das horas extraordinárias (outra forma de suprimir as horas extraordinárias em dias uteis é a isenção de horário de trabalho).
Outra hipótese seria as remunerações dependerem de uma parcela proporcional à produção, somada a uma parcela proporcional ao numero de horas trabalhadas (princípio da parceria ou participação dos trabalhadores nos resultados).
Ou então, considerando os resultados razoáveis obtidos, e não querendo inventar o que já está inventado, a aplicação do regime de "kurzarbeit" (trabalho encurtado) a todo ou parte do quadro de pessoal.
Este regime evita o despedimento ou a dispensa, mediante o desvio de trabalhadores, em períodos de menor procura, para cursos de formação financiados por fundos públicos (dado que o sistema nasceu na Alemanha, será de esperar que a UE possa colaborar).
Ver:
Se já se definiu internacionalmente a forma de cálculo do coeficiente da desigualdade de Gini, também pitagoricamente poderiamos chegar à cidade da equidade.
Mas ainda não o fizemos.
Vivemos ainda na civitas iniquitatis, apesar do senhor ministro das finanças garantir que a distribuição dos sacrificios é equitativa.
Como aliás diz o senhor primeiro ministro, sem admitir contestação e garantindo professoralmente que não muda o orçamento porque é sagrada a partilha de 1/3 para as receitas e 2/3 para o corte de despesas e afinal não há gorduras do estado suficientes para cortar .
E como argumento demonstrativo da equidade dos sacrificios, disse o senhor primeiro ministro que os funcionários publicos são amputados de dois subsidios mensais e os trabalhadores do setor privado poderão ser sujeitos a trabalhar mais duas horas e meia por semana, reduzindo assim o valor do seu salário horário.
Vem a troica e diz que é óbvio que a redução salarial dos funcionários públicos se repercutirá no setor privado.
Em sentido contrário funcionou o aumento salarial dos funcionários publicos em 1972, através da concessão de um subsidio de férias.
É que na altura não havia duvidas, o salário médio do setor privado era claramente superior ao setor público.
Mas deixemos isso e joguemos um pouco com os numeros, não para encontrar a solução para a equidade, que essa só se conseguiria com estudos estatísticos e sociológicos sobre dados que me parece não existirem (em Portugal costuma-se decidir sem recolher e tratar dados em quantidade suficiente), mas para tentar outras perspetivas.
Haverá 900.000 funcionários publicos e trabalhadores de empresas publicas?
E 3.600.000 trabalhadores do setor privado?
Como o senhor primeiro ministro diz, o salário médio no setor publico será 15% superior à média nacional? (seria interessante a tal auditoria à divida externa, identificando os credores e os devedores por classe, explicando por que sendo a divida privada superior à publica, são os salários do setor privado tão inferiores aos do setor publico; provavelmente Medina Carreira explicaria que tanto os assalariados publicos como privados se empenharam a aumentar a divida ao estrangeiro).
Excluindo os escalões superiores, teve o cuidado de acrescentar, provavelmente por ter lido o email que circulou com os vencimentos de antigos ministros que ocupam lugares de administração em empresas mais ou menos ligadas às áreas dos seus anteriores ministérios.
Mas admitamos que o salário médio publico, considerando o peso de médicos, professores, quadros técnicos licenciados, é 20% superior ao do setor privado.
No quadro seguinte aplica-se o critério de equidade defendido pelos senhores governantes, da equivalencia entre o corte de subsidios e o aumento do numero de horas semanais (repete-se que o interesse é meramente de jogo com numeros, porque a equidade não se mede assim, apenas com estas variáveis) chegando-se a resultados diferentes.
Concluiu-se que mesmo depois de cortar 2 subsidios o salário publico ainda é superior 2,86% ao sala´rio privado de 40 horas. E que passar de 40 para 42,5 horas semanais corresponde a uma redução de 5,88% no salário horário privado.
Para que os salários horários ficassem iguais depois do corte de subsidios no publico e da variação das horas por semanas dos privados, seria necessário que estas fossem reduzidas para 39 horas, isto é, uma diminuição de 13 minutos por dia.
E se quiserem supor que a produtividade do privado é superior em 10% à do setor publico (não estou a pôr setores contra setores, o que desviaria a atenção das causas a montante, mas as obrigações de serviço público, como por exemplo transportar menos pessoas por veículo em horas de pouco movimento, implicam naturalmente perdas de produtividade, não por insuficiencia dos seus trabalhadores, mas pelas obrigações sociais em si), então o horário semanal privado teria de baixar para 35 horas e a diminuição diária seria de 5 minutos.
Não parece portanto ser este o caminho para definir equidade entre o setor publico e o privado, até porque as variáveis que devem ser consideradas são muitas.
1 - Imaginemos agora que uma empresa com 10 trabalhadores tinha uma produção semanal P=1000 (por exemplo, 1000 peças de mobiliário) com um horário de 40 horas semanais.
A sua produtividade era 2,5 peças por homem.hora.
Quando passou a 42,5 horas semanais, recebeu encomendas adicionais e passou a ter uma produção 5% maior. Mantendo o quadro, a produção aumentou para 1050 peças, mas a produtividade baixou para 2,47 peças por homem.hora.
2 - Imaginemos que a procura baixava e a produção semanal reduzia-se 10% , de 1000 para 900.
Com o mesmo quadro de pessoal a produtividade baixaria de 2,5 para 2,24.
A tentação seria grande para despedir um trabalhador.Mesmo assim a produtividade baixaria de 2,5 para 2,48. Pelo que a tentação de um segundo despedimento conduziria a um aumento da produtividade de 2,5 para 2,79.
No entanto, baixando as horas semanais para 36, manter-se-ia a produtividade em 2,5 o que parece indiciar que cada caso é um caso.
Estas e outras variações estão no seguinte quadro:
Conclui-se assim que aumentar o numero de horas semanais, quer com aumento da produção, quer com diminuição da produção , conduz a diminuição da produtividade.
Isso mesmo se poderia ver a partir da fórmula da produtividade, aumentando os homens.hora ou diminuindo a produção a produtividade baixa:
produtividade =produção/fator de produção (p=P/(hom.h) )
Nestas condições, é admissível discutir a proposta da CIP de criar uma bolsa de horas (depósito de acumulação durante a baixa da procura para descarga em período de aumento da procura) para absorver as flutuações da procura e da produção, garantindo a manutenção do quadro de pessoal e as remunerações globais anteriores ao aumento do numero de horas (baixando portanto o salário horário). Esta opção significa a supressão das horas extraordinárias (outra forma de suprimir as horas extraordinárias em dias uteis é a isenção de horário de trabalho).
Outra hipótese seria as remunerações dependerem de uma parcela proporcional à produção, somada a uma parcela proporcional ao numero de horas trabalhadas (princípio da parceria ou participação dos trabalhadores nos resultados).
Ou então, considerando os resultados razoáveis obtidos, e não querendo inventar o que já está inventado, a aplicação do regime de "kurzarbeit" (trabalho encurtado) a todo ou parte do quadro de pessoal.
Este regime evita o despedimento ou a dispensa, mediante o desvio de trabalhadores, em períodos de menor procura, para cursos de formação financiados por fundos públicos (dado que o sistema nasceu na Alemanha, será de esperar que a UE possa colaborar).
Ver:
O segundo endereço contem uma reflexão interessantissima sobre a natureza da crise atual, na qual poderá estar a desempenhar um dos lugares principais o problema do desemprego com origem no desenvolvimeto tecnológico (teriam razão os barqueiros do Reno que queimaram barcos de vapor, ou o médico do tempo dos primeiros comboios que afirmava que o cérebro humano, por não ter sido desenvolvido para isso, começava a funcionar mal acima de 20 km/h?).
No entanto, numa altura em que a UE sobe a comparticipação de 85 para 95% nos fundos QREN, dotados para o nosso país com 21 mil milhões de euros (têm é de se fazer corretamente os projetos e o seu planeamento para se obterem os financiamentos), custa a compreender algumas afirmações anti-investimento dos senhores governantes, quando esses fundos poderiam combater o desemprego.
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