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quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Duas notícias discretas - a guarda costeira europeia e as taxas antidumping

Uma notícia de dezembro de 2015 - A Comissão Europeia decidiu reformular a sua agencia de controle das fronteiras Schengen e criou a European Border and Coast Guard Agency.
Dotá-la-á com meios humanos e materiais e os correspondentes fundos.
Isso incluirá a aquisição partilhada com os estados membros de, por exemplo, navios patrulheiros geridos pelos respetivos estados membros.
Isto para dizer que a Europa terá a sua guarda costeira, e que financiar a construção de navios patrulheiros não é contrariar as regras da União Europeia como  maliciosamente o XIX governo quis convencer os cidadãos.
Pena o dito governo ter conseguido o seu objetivo, de transferir a propriedade do estaleiro de Viana do Castelo.
Esperemos que ao menos os 6 patrulheiros que faltam para cumprir o plano original possam ser construidos em estaleiros portugueses beneficiando do "saber como" ganho em Viana do Castelo.
https://en.wikipedia.org/wiki/European_Border_and_Coast_Guard

"What will the pool of equipment consist of and who contributes?
The draft Regulation sets up a technical equipment pool for the Agency. The Agency will be able to acquire alone or in co-ownership with a Member State the technical equipment necessary to carry out joint operations, rapid border interventions and other operational activities.

Based on its needs and in line with its annual work programme, the Agency will define the equipment to be included in the pool. The Member States will have to contribute upon request unless they need the requested equipment for the management of their section of the external border in the face of an exceptional situation. To guarantee that the basic needs of the Agency are covered, the draft Regulation obliges the Member States to provide to the Agency the equipment purchased under the EU's Internal Security Fund."

Uma notícia de janeiro de 2016 - as autoridades norte americanas aplicaram uma taxa antidumping às exportações de papel e pasta de papel para os USA. Não bastava a indústria da celulose não ser das mais saudáveis em termos ambientais e de ser ainda necessário importar madeira em bruto. Agora os campeões do liberalismo acham que o papel e a pasta de papel são vendidos apreço abaixo do custo de produção. É verdade que são vendidos abaixo do preço merecido, como qualquer exportação portuguesa, porque o nível de preços depende da força da economia produtora. Mas faz pensar nos economistas que pressurosamente insistem na tecla da redução dos salários para tornar a economia mais competitiva. Parece que afinal não torna mais competitiva, torna mais sensível a taxas antidumping, as quais pelos vistos, e não parece que o novo tratado do Atlantico altere este estado de coisas, só podem ser aplicadas por economias fortes.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Where is MV.Atlântida ship?

Navio MV.Atlântida, foto do blogue olharvianadocastelo




Caro leitor

Eu sei que tenho tratado o assunto de forma alongada e não interessante.
Pode ver nas duas ligações seguintes como já escrevi muito neste blogue sobre o navio Atlântida e os estaleiros de Viana do Castelo. Contrariamente ao que tenho visto em outros blogues, mais lidos que este, as minhas análises não foram objeto de comentários exaltados de críticos das empresas públicas que, no fundo, têm validado as políticas do atual governo.

http://fcsseratostenes.blogspot.pt/search?q=atl%C3%A2ntida
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/search?q=viana+do+castelo

Porém, recentemente aconteceu um facto deveras interessante, e que eu lhe pedia, se não abuso da sua benevolência,  que ajudasse a divulgar, primeiro por ser do interesse dos contribuintes, e depois porque a comunicação social mantem o secretismo.
Dele tive conhecimento através do económico.sapo/diário económico (a previsão do facto), de um blogue de Viana do Castelo (que ele estava a decorrer) e do site de localização de navios "localizatodo" (que o facto aconteceu).

O acontecimento responde à pergunta "onde está o navio Atlântida?"
E a resposta é:
- Está no estaleiro de Landskrona, na Suécia, perto de Copenhague, no outro lado do estreito de Oresund.
http://www.worldportsource.com/ports/map.3377.1718.php
http://olharvianadocastelo.blogspot.pt/2015/07/navio-atlantida-muda-de-nome-e-ruma.html

Saiu de Viana do Castelo em 1 de julho às 14:00 e chegou a Landskrona no dia 6 de julho às 05:15.
Fez a viagem à velocidade média de 11,6 nós (20,9 km/h) com velocidade máxima de 16,6 nós (29,9 km/h).
Estes são dados retirados do "localizatodo" (também pode pesquisar em "vesselfind"). Mas não pesquise por Atlântida. Escreva antes "Norway Explorer", o seu novo nome.
O navio foi comprado à Douro Azul pela Hurtigruten, uma companhia norueguesa de cruzeiros, principalmente nos fiordes.

O Norway Explorer depois da reconversão, antevisão da Hurtigruten


Nos estaleiros de Landskrona será reconvertido em navio de cruzeiros simplesmente. O número de cabinas subirá de 27 para 180 e a lotação baixará de 750 para 320 passageiros, deixando de ter capacidade de transporte de viaturas (anteriormente: 145). Terá de ser dotado de quebra gelos, mas o peso adicional será compensado pela retirada da porta de acesso de viatura anti emborcamento (instalada como alteração ao projeto depois do afundamento do ferry Estónia). A hipótese de montagem de quebra gelos já tinha sido colocada em 2009, depois da rejeição pelo governo dos Açores, quando foi estudada e recusada pelo governo de então uma parceria com estaleiros noruegueses.
A Douro Azul tinha comprado em setembro de 2014 o Atlântida em concurso público por 8,75 milhões de euros e vendeu-o agora por 17 milhões (se a informação do diário económico está correta).
Eu peço, leitor, que não pense que estou a criticar o empresário que fez o negócio. Ele trabalha para ganhar dinheiro e não enganou os noruegueses porque estes percebem de navios, mais do que ele (não é uma crítica) e mais do que as instâncias oficiais que conduziram todo o processo de encerramento dos estaleiros de Viana do Castelo (é uma crítica).
Contrariamente ao que se lia nas caixas de comentários de comentadores mal educados e aparentemente frustrados, ao que a propaganda oficial dizia para desmerecer no trabalho dos estaleiros de Viana do Castelo, de trabalhadores e projetistas,  e para "desculpar" a recusa pelo governo dos Açores, o Atlântida não era sucata e valia mais do que 8,75 milhões de euros.

Fica provado, com a ida para a Noruega, que a venda pública foi mal feita e que o argumento do navio ter sido mal construido era falacioso. E poderá dizer-se que os contribuintes ficaram prejudicados no negócio (admitindo que a Douro Azul tenha gasto 3 milhões em manutenção, combustível e impostos, terá havido um prejuízo de 5 milhões  para os contribuintes, confirmando-se os valores do diário económico, por incapacidade das instâncias oficiais).

Este facto vem juntar-se às outras provas de má gestão do processo de encerramento dos estaleiros de Viana do Castelo, desde a recusa das parcerias com estaleiros holandeses e noruegueses em 2009-2010, invocando razões burocráticas, à demora injustificada em autorizar a encomenda de chapa para conclusão do segundo patrulheiro, ao ter-se deixado cair a encomenda dos asfalteiros para a Venezuela, à rescisão do contrato dos restantes 6 patrulheiros invocando o tratado da união que, afinal, prevê apoios estatais em assuntos de defesa, para recentemente ser anunciada a possibilidade de ajuste direto dos 6 patrulheiros á West Sea (o que poderá configurar favorecimento).

Em todo este processo ficou patente que a tomada de decisões raramente se baseou em razões técnicas, o que até pode ser mais um exemplo da maneira de ser portuguesa, não querer perder tempo a fazer e analisar cálculos que fundamentem as soluções técnicas.

Faço votos para que o Norway Explorer encontre bons ventos e que manobre com todas as suas capacidades de manobrabilidade (2 propulsores azimutais sem leme, 2 impulsores de proa para atracação, 5 metros de calado) e de navegação eletrónica pelos fiordes noruegueses.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Estaleiros de Viana do Castelo, junho de 2015

Continuação de
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2015/05/estaleiros-de-viana-do-castelo-em-maio.html


As notícias vão correndo discretamente.
Material que tinha sido comprado para o Anticiclone, o "irmão" mais pequeno do Atlântida, estará no estaleiro da Figueira da Foz para a construção de um navio para Timor. Porém, o estaleiro está com dificuldades financeiras, ignorando-se se vai mesmo iniciar a construção. É evidente que , por uma questão de escala, a construção em pequenos estaleiros ou em pequenas séries nunca poderá ser competitiva relativamente aos grandes estaleiros coreanos, finlandeses e italianos, o que explica alguns dos prejuízos dos ENVC.
Em dezembro de 2014 a Martifer/West Sea, subconcessionária dos estaleiros de Viana, assinaram o o contrato para a cosntrução de um navio de cruzeiros para a Douro Azul, no valor de 12 milhões de euros.
Consta que o Atlântida terá sido vendido em maio de 2015 para a Noruega por 14 milhões (a Douro Azul tinha-o comprado por 8 milhões).
Ainda em dezembro de 2014 o senhor ministro da Defesa, segundo informação da Cargo News, contratou por ajuste direto de 77 milhões de euros a construção de dois patrulheiros pela Martifer/West Sea. Ver:
 http://www.cargoedicoes.pt/site/Default.aspx?tabid=380&id=11519&area=Cargo

Em maio de 2015 a união europeia informou que o governo português nunca defendeu junto dela o estabelecido nos artigos 107, 346 e 349 do tratado da união, relativos a equipamentos de defesa e a regiões em dificuldades ou de custos insulares, como era o caso dos patrulheiros ou do Atlântida. Ver:
http://www.cargoedicoes.pt/site/Default.aspx?tabid=380&id=11578&area=Cargo

Parece assim que este argumento será usado para justificar o ajuste direto agora, com a Martifer/West Sea, quando anteriormente o governo afirmou que os dois patrulheiros construidos pelos ENVC tinham sido objeto de ajudas ilegais do Estado, cancelando a encomenda de novos patrulheiros e estrangulando assim os ENVC.

A confirmarem-se estes factos, parecerá evidente o favorecimento pelo governo de grupos privados, o que por sua vez só confirmaria a economia política clássica e a justeza da utilização das palavras infâmia e indignidade para referir a extinção forçada dos ENVC. Citando um antigo chefe das forças armadas, é um exemplo da superioridade da gestão privada quando é financiada pelo erário público.
Ver:
http://www.cargoedicoes.pt/site/Default.aspx?tabid=380&id=11444&area=Cargo

quinta-feira, 20 de março de 2014

A economia abutre

Salvo melhor opinião e apesar da fragilidade deste blogue por não poder apresentar uma fundamentação sólida com cálculos e estatísticas, temos em Portugal bons exemplos da economia abutre (vulture funds:
http://en.wikipedia.org/wiki/Vulture_fund).

Parece que o ministério da defesa encara a possibilidade de comprar umas fragatas em segunda mão à marinha dinamarquesa, porque só existem dois navios modernos de superfície, os dois patrulheiros construidos em Viana do Castelo. Como se sabe, os patrulheiros foram construidos com prejuizo porque a série era de 8 e ficou limitada a 2. O governo conseguiu apoio da opinião pública para fechar os estaleiros de Viana do Castelo com a desculpa de prejuizos na construção.
Mas não contabilizou os prejuizos da compra ao estrangeiro de fragatas com 12 anos de idade. Pode ou não o fabrico nacional ser superior à aquisição ao estrangeiro? Ou prefere-se enviar para o estrangeiro o dinheiro que for preciso para poupar o pagamento interno que for possível?  A necessidade da compra é que existem zonas maritimas que não estão a ser patrulhadas (os armadores internacionais de pesca agradecem, desde os coreanos predadores do atum aos pequenos espanhois de Ayamonte, predadores das conquilhas).
Economia abutre é o governo dos Açores participar nas decisões que inviabilizaram o cumprimento da velocidade contratual do Atlantida e lançar os estaleiros de Viana na insolvencia.
Economia abutre é respeitar todos os formalismos juridicos de um ministro que não sente o serviço público dos assuntos maritimos (se sentisse saberia responder a Bruxelas que o tratado de funcionamento europeu prevê exceções à lei da concorrencia para questões de defesa como a patrulha da zona maritima) e impedir o acesso a verbas comunitárias.
Economia abutre é negociar contrapartidas do contrato dos submarinos a beneficiar os estaleiros e que foram deixadas por cumprir.
Economia abutre é debicar bocadinhos apeteciveis do que resta dos estaleiros, beneficiando outros estaleiros navais (comprar um estaleiro quando se é proprietário de outro estaleiro e fechá-lo não é concorrencia, é atuação abutre).
Economia abutre é, passo a passo, inviabilizar o negócio da construção dos asfalteiros para a Venezuela. Por ironia do destino e inépcia dos seus governantes (a síndroma da posse da verdade sem partilha com quem pensa de forma diferente), a Venezuela, onde se encontram as maiores reservas do planeta de combustíveis fósseis, encontra-se neste momento sob o olhar atento de abutres, aguardando.

A estratégia da economia abutre seguida pelo ministro da defesa parece ser seguida tambem pelo secretário de estado dos transportes, no processo de concessão e privatização dos transportes urbanos, muito contente por ter recebido 9 respostas à consulta para o interesse dos privados.
A ideia abutre é aproveitar os bons bocados, deixando no Estado a dívida do financiamento das ampliações e da construção das estações do metropolitano, por exemplo. Parece que a coisa vai ao ponto de quererem abocanhar apenas uma estação ou um grupo de estações, ou uma linha, o que der mais jeito, mas sempre com um limite para a cobertura das despesas operacionais pelas receitas.
O senhor economista Alexandre Patrício Gouveia, funcionando como porta voz do governo, foi ao programa de Judite de Sousa, Olhos nos olhos, de 17 de março de 2014,
http://www.tvi24.iol.pt/programa/4407

explicar que se antecipou em dois anos as instruções da troika de anular o prejuizo operacional  das transportadoras publicas urbanas.
Disse que era saudável, ter passado de um prejuizo anual de quase 250 milhões de euros para resultados positivos (apesar de ainda terem sido pagos os complementos de reforma), graças à saida de 20% de pessoal (é verdade, mas reduzindo a capacidade operacional), à eliminação da sobreposição de carreiras da Carris e do Metro (deve estar mal informado, continua a sobreposição de carreiras inteiras de autocarros) e à redução de fornecimentos e serviços externos (é verdade, mas reduzindo não só a qualidade de serviço, mas os niveis de segurança; saudável, isto?).
gráfico com a despesa das transportadoras públicas urbanas apresentado no programa Olhos nos olhos de 17 de março de 2014

Que o Estado não tem vocação para gerir os transportes, porque a gestão privada é mais produtiva e competitiva (esta afirmação é uma ofensa para quem trabalha ou trabalhou nas empresas públicas, mas já se sabe que o insulto é uma arma dos governos das elites). Que a divida das empresas subiu a 19.000 milhões e que o pessoal era excessivo (que sabe ele de transportes para avaliar a extensão de um quadro de pessoal? e contabilizou os custos das rescisões para não vir queixar-se do aumento das despesas sociais com os encargos das pensões?).
Que a rigidez laboral é um obstáculo ao investimento estrangeiro, embora o gráfico que apresentou mostre que a rigidez laboral na Alemanha na Holanda é da mesma ordem de grandeza de Portugal. Claramente negativo para a Alemanha, disse o senhor, esquecendo que a segurança no emprego é um fator de estabilidade psicológica, que por sua vez é condição sine qua non para a produtividade (tal como transportes coletivos eficazes entre o local de habitação e o local de trabalho). A rigidez laboral não é, nessa perspetiva, um fator negativo, mas um objetivo de felicidade (não confundir produto interno bruto com felicidade interna bruta).
indice de rigidez laboral na Europa, a laranja situação em Portugal se o tribunal constitucional chumbar as propostas do governo/troika e a verde no caso de as aprovar; notar o efeito thatcheriano no Reino Unido e a posição média da Grécia; aparentemente, não é o fator decisivo na economia, salvo melhor opinião


Foi muito curiosa a educada divergencia entre Medina Carreira e Patricio Gouveia, quando o primeiro criticou a estratégia obssessiva de privatizações, especialmente no caso em que o Estado ganhava dinheiro, como nos CTT, ou em questões essenciais como as águas ou o lixo: "o governo parece que perdeu um bocado a cabeça". E quando deu o seu testemunho sobre os transportes no Reino Unido, antes e depois de Thatcher. Os transportes degradaram-se. E Patricio Gouveia, lesto como um prosélito que repete só os exitos da sua fé: sim degradaram-se, mas as despesas públicas reduziram-se e os contribuintes pagam menos.
Assim é muito dificil, quando se dá preferencia aos números em detrimento da qualidade de vida dos cidadãos, refiro-me tambem ao Reino Unido.









sexta-feira, 7 de março de 2014

A doença venezuelana

Penso que alguns indicadores são, par um país, o que as análises podem representar em caso de doença de uma pessoa.
O gráfico seguinte mostra as principais reservas comprovadas de petróleo por país e inclui já as estimativas do petróleo de xisto e areias betuminosas.
A Venezuela é o país que detem  a maior reserva.

fonte:A.Luis Fernandes

Considerando as notícias que chegam da Venezuela, nomeadamente descontrole da criminalidade e disfuncionalidade na distribuição alimentar, poderá talvez fazer-se o diagnóstico (mesmo sem cair no facilitismo de justificar com conspirações internacionais, apesar de ser do interesse das grandes mutinacionais de energia que o poder politico mude) de que é altamente provável que Nicolas Maduro sofra da mesma doença do primeiro  ministro português, de achar que deve governar com apoio expresso nas eleições de 29% dos eleitores.
O método proporcional permite que nos governos estejam representadas todas as tendencias acima de uma dada percentagem (3-5%).
A doença é não querer admiti-lo.
Pelas noticias chegadas de Viana do Castelo, parece também improvável que os asfalteiros venham a ser lá construidos.
Mas essa, a doença que destruiu os estaleiros, apesar da legislação europeia permitir apoios estatais no caso de equipamento de defesa (patrulheiros) e apesar da própria UE reconhecer que deve alterar a legislação de modo a alargar a intervenção do Estado em certos casos, pertence a outro tipo de doença, comum emPortugal, especialmente nos níveis decisórios das empresas e do governo.


quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Ainda os estaleiros de Viana do Castelo - o artigo 296º do Tratado da CE, agora art.346º

Este blogue insiste que não há que devolver os 181 milhões de euros à CE, que se trata de uma questão de segurança nacional definida por Portugal e não por um tribunal de justiça europeu e, por consequência, a subconcessão (que o tratado do funcionamento da CE também isenta dos procedimentos de concursos públicos) não era a única saída, sendo legítimas a reestruturação ou uma parceria com estaleiros estrangeiros, considerando:


1 - Dum documento de trabalho de 2006 dos serviços da CE:
“O artigo 296.º do TCE (tratado do funcionamento da CE) permite que os Estados-Membros isentem das regras comunitárias os contratos públicos de desenvolvimento/aquisição de armas, munições e material de guerra, se essa isenção for necessária à protecção dos seus interesses de segurança essenciais. Segundo o Tribunal de Justiça, a isenção limita-se a « determinadas hipóteses excepcionais » e « não [pode] ser objecto de interpretação extensiva »  “

2 – art.296º (atualmente art 346º), alínea b) do tratado de funcionamento da CE:

Qualquer Estado-Membro pode tomar as medidas que considere necessárias à proteção dos interesses essenciais da sua segurança e que estejam relacionadas com a produção ou o comércio de armas, munições e material de guerra; tais medidas não devem alterar as condições de concorrência no mercado interno no que diz respeito aos produtos não destinados a fins especificamente militares.”

3 – O documento referido em 1 reconhece que há duvidas sobre a interpretação do art ex-296 e que as diretivas 17 e 18/CE/2004 são também de aplicação pouco rigorosa a contratos públicos de defesa.

4 -Trata-se de uma área por que os grupos privados têm apetência a que se sobrepõe o interesse de alguns estados membros em proteger os seus grandes estaleiros evitando a concorrência de pequenos estaleiros como os de Viana do Castelo

5 – O Tribunal de Justiça, mandando o Estado português devolver o dinheiro injetado nos estaleiros de Viana do Castelo, para fins de construção de material de guerra (os patrulheiros), está , salvo melhor opinião, a dizer o que não está escrito no artigo ex-296 (aliás, "hipóteses excecionais" é coisa que não está escrita no Tratado),e , portanto, faz uma interpretação abusiva, lesiva do Estado português e protetora dos interesses dos grandes estaleiros estrangeiros e dos estaleiros portugueses concorrentes

6 – De acordo com o art. ex-296, haveria que calcular qual a parte não destinada a fins militares e devolver apenas esta parte, sem esquecer a parte proporcional à parte militar e destinada a custos fixos, a qual não deverá também ser devolvida.

CONCLUSÃO – Em aquisições militares não é obrigatório o recurso aos procedimentos de concursos públicos das diretivas 17 e 18/CE/2004.




quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Email a um concidadão preocupado com o drama dos estaleiros e com os marxistas que empobrecem os trabalhadores

O NRP Figueira da Foz a sair a barra de Viana do Castelo. O "saber como" desenvolvido para os patrulheiros, de que só dois dos oito encomendados originalmente foram construidos, vai perder-se em grande parte; era uma mais valia de engenharia, intangível, mas suscetível de gerar valor acrescentado; é sacrificada em nome dos critérios de mercado e da cartilha das privatizações; um pais em que a engenharia é sacrificada é um país de autonomia limitada; ficam as palavras do comandante do navio: "orgulho-me de comandar um grande navio e uma grande guarnição" 


Caro concidadão

Relativamente ao seu texto publicado no DN em 23 de dezembro, gostaria de lhe apresentar outro ponto de vista sobre os estaleiros de Viana do Castelo, para o que sugiro as seguintes ligações, sobre o Atlântida e sobre os estaleiros:

Basicamente, no caso do Atlântida temos uma empresa do governo regional dos Açores que apresenta aos estaleiros um projeto para executar que adquirira a uma empresa russa e que revelou insuficiências, algumas das quais da responsabilidade da empresa do governo regional mas decisivas para limitar a velocidade do navio.
Quanto ao estado de falência, é conhecida a ofensiva dos estaleiros sul-coreanos no fim do século passado, inundando o planeta com navios mais baratos e de projeto simplificado e mais sujeito a acidentes (ver o caso do Exxon Valdez e do Prestige no caso de petroleiros e do Costa Concórdia em que um rombo com 10% do comprimento do navio o inutilizou). Estaleiros fecharam e os preços subiram dificultando a renovação das frotas.
Entretanto o normativo internacional tornou-se mais exigente, como a obrigação de casco duplo para petroleiros.
Os custos de produção elevados no caso dos estaleiros de Viana foram tmbém provocados pela dimensão das pequenas séries e pela necessidade de desenvolver tecnologia nacional de comunicações aliás de elevado mérito).
De realçar ainda, no caso da má gestão dos estaleiros de Viana do Castelo, que nem sempre a responsabilidade por essa má gestão coube aos gestores. Veio agora a saber-se que a construção do NRP Figueira da Foz esteve parada mais de um ano não por culpa da CGTP nem dos gestores, mas porque o governo não quis inscrever verbas para aquisição de equipamentos para essa construção no orçamento de Estado para 2012 (isto é, há 2 anos). Isto para não falar na anulação “purista” do primeiro concurso para equipamentos para os asfalteiros, e na omissão escandalosa de contrapartidas no caso dos submarinos. Assim, com ordens de cima para estar parado, é difícil a um estaleiro não falir.  
Destaco ainda a recusa sistemática dos governos portugueses, com argumentos jurídicos também “puristas”,  em estabelecer parcerias com estaleiros estrangeiros ou com outros governos, possíveis nalgumas fases do processo com empresas holandesa  (Daiman) e norueguesa.
 E ainda a questão também jurídica dos 180 milhões de euros a devolver a Bruxelas. Com o devido respeito pelo parecer dos juízes da comissão europeia, o princípio da soberania sobrepõe-se ao da concorrência. Qualquer país tem o direito de ter um estaleiro a fabricar material de guerra, como era o caso. E se os juízes acham que o estaleiro tem baixa produtividade (pelos motivos já expostos) talvez recordar-lhes que as costas de Portugal integram as costas da união europeia, a menos que os ditos juízes prefiram que as águas da zona económica sejam patrulhadas por navios de guerra de outras nacionalidades.
Enfim, faço votos que a concessionária dos estaleiros, uma empresa com 380 milhões de euros de passivo, superior em 80 milhões ao passivo dos estaleiros, consiga levar o seu negócio para a frente, embora me pareça que ele vá centrar-se (aliás com mérito), no fabrico de eólicas. Pode ser que os seus gestores façam o que referi acima, parcerias com estaleiros estrangeiros, e que se obtenha valor acrescentado e emprego.
Uma última referencia ao seu texto.
Como marxista que sou (tal como sou adepto das equações de Newton da mecânica clássica, sem prejuízo de acreditar nas equações relativistas de Einstein; há domínios em que se aplicam os critérios de Marx, e há outros domínios em que se aplicam os critérios de economistas mais modernos) ,  posso garantir-lhe que há marxistas a quem não interessa mesmo nada o descontentamento e o empobrecimento dos trabalhadores.
São aliás conhecidos os textos de Marx propondo a colocação dos benefícios devidos ao aumento da produtividade resultante do progresso das tecnologias ao serviço do bem estar dos trabalhadores.
Se economistas de outras escolas e o poder político e financeiro se encarregam de orientar as coisas no sentido contrário, parecerá que a culpa não é de Marx, que aliás deixou escrito críticas às experiencias que no seu tempo foram feitas em nome do marxismo.
E não esqueçamos a politica da nova economia de Lenine, que foi tudo menos destruir o que existia, antes aumentar a produção e não destrui-la.
Infelizmente, a experiencia soviética correu  mal.
Infelizmente também, na nossa atualidade, a política da terra queimada e da destruição dita “criativa”, amesquinhando e desmerecendo no trabalho que os velhos como eu foram desenvolvendo ao longo da sua vida ativa em empresas públicas, é que me parece, pelo contrário, estar a ser desenvolvida pelos decisores que nada têm de marxistas.
Sinceramente, não creio que o objetivo do marxismo seja a destruição da cultura e da civilização ocidental (nem de qualquer cultura ou civilização que respeite a declaração universal dos direitos humanos). Nos tempos que correm, acho que devem conviver modos de pensar diferentes. Mas que esses modos de pensar diferentes devem respeitar  a referida declaração, isso acho que sim, que devem.

Os meus melhores cumprimentos




  


sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Daniel Bessa e os estaleiros de Viana do Castelo

A comparação que Vitor Gaspar fez entre a ciencia económica e a ciencia meteorológica parece-me correta.
Os macroeconomistas gostam de se comportar como os feiticeiros que explicavam a chuva, quando era necessária, graças às suas danças,preocupando-se pouco com as relações efetivas de causa e efeito.
Isto a propósito do desabafo triste de Daniel Bessa num dos programas televisivos que gostam de ouvir os macroeconomistas:
- Não sei porque ao longo de 20 anos não se fechou uma empresa deficitária como os estaleiros de Viana.
Não podendo esclarecer todo a questão, direi apenas:
Internacionalmente assistiu-se ao fecho de muitos estaleiros no mundo ocidental enquanto os estaleiros sul-coreanos lançavam barcos cada vez mais baratos, porque economizavam nas condições de trabalho (não estou a ver o sr dr Daniel Bessa a trabalhar nessas condições) e porque otimizavam a construção naval.
Os barcos são um bom exemplo do que acontece com este tipo de otimizações.
Em Portugal houve no século XVI a experiencia da querena italiana: permitia calefetar os barcos sem os tirar da água, inclinando-os a 90º. Era mais rápido e barato e, porque na maior parte das vezes o trabalho era mal feito, responsável por muitos naufrágios no Índico (os neoliberais de agora culpam os pilotos e os marinheiros de sobrecarga dos navios).
Mais recentemente, tivemos o caso do Prestige, que morreu, simplesmente de velhice. O casco simples (as diretivas agora obrigam a casco duplo) e sujeito a corrosão devido à natureza da carga, não resistiu à idade e à otimização da construção.
É muito complicado dizer que um estaleiro não é viável porque outros fazem mais barato.
Entretanto, à medida que iam fechando estaleiros, os preços subiam, dificultando a renovação das frotas, com a agravante de agora ser obrigatório  construir com casco duplo.
Os estaleiros como os finlandeses e italianos que se aguentaram beneficiaram do fator de escala (ou curva dos rendimentos ainda crescentes).
Num ponto mais baixo da curva, não admira muito que os custos de produção sejam mais elevados.
Notar ainda que a otimização dos custos de construção conduz a situações como as do Costa Concordia, em que um rombo no casco de menos de 10% do comprimento do casco condena irremediavelmente o navio pela economia do projeto.
Mas enfim, concordo que se devem controlar os custos, é evidente.
Não posso é ligar muito ao argumento de que outros fazem mais barato.
Só vendo, em pormenor e discutindo-os bem, incluindo o fator segurança e comportamento em situações de emergencia.
Não são coisas que se resolvam com cadernos de encargos (qualquer fornecedor pode dizer que os cumpre e é dificil confirmar a satisfação de todas as especificações, embora as firmas de certificação possam ser uma ajuda).
E não são os senhores macroeconomistas que têm competencias técnicas para avaliar a relação custo-qualidade da construção de um navio comparativamente com outros estaleiros.
Melhorar a gestão dos estaleiros sim, degradá-los e fechá-los não.

PS em 22 de dezembro - dentre a informação surgida agora a propósito do encerramento dos estaleiros, destaca-se a de que a construção do ultimo patrulheiro, o Figueira da Foz, esteve parada durante m ano porque o orçamento de estado de 2012 não incluiu verbas para isso. Assim não admira que a produtividade tivesse sido baixa e o prazo de construção exagerado. A lei da concorrencia impede que um Estado beneficie uma sua empresa em detrimento de empresas privadas, mas não diz que um Estado pode prejudicar a sua própria empresa em beneficio de empresas privadas. Concorrencia não é isso.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

As coisas mudam...

As coisas mudam, vão mudando...quem diria, que ao fim de 18 meses de operação, a Easy Jet receba um pré aviso de greve par ao Natal e Ano Novo.
Terão de se habituar, os cidadãos e cidadãs que tanto criticam os trabalhadores das empresas publicas de transportes, à ideia de que os das empresas privadas tambem fazem greve.
A razão é simples:  a Easy Jet tem abusado, tal como a troika e os senhores governantes, na desvalorização do fator trabalho.
É uma forma de incentivar a luta de classes, e é uma forma errada de gerir, salvo melhor opinião.
A componente do fator capital nos custos de produção, graças às tecnologias que proporcionam aumentos de produtividade cresce. O custo do fator trabalho diminui. Não parece portanto lógico estar a diminui-lo artificialmente comprimindo os salários e dificultando a vida dos trabalhadores através de horários desfavoráveis.
Por outras palavras, se os senhores gestores querem melhorar as contas, invistam na racionalização do que tem maior peso nos custos, nos ativos do capital intensivo.
Eu penso que talvez seja isto também que o senhor presidente da CCP queria dizer quando comentou as afirmações do senhor vice presidente da comissão europeia que se manifestou muito feliz com o que viu em Portugal e que reduzir salários nesta fase é ótimo porque aumenta a "competitividade". Disse João Vieira Lopes: os economistas da troika desconhecem como funciona a economia portuguesa.
E assim sintetisou a grande questão: a troika desconhece como funciona a economia portuguesa, os senhores ministros também, nas respetivas áreas (exceção para os senhores ministros da saúde e da energia e ambiente). Assim não admira que os resultados sejam maus.
E quando vêm muito contentes dizer que o "empreendorismo" (extraordinário como o senhor ministro da Economia diz esta palavra) está a dar resultados, ou que as exportações são irrevogavelmente o máximo e o desemprego está a baixar (por mais que lhes expliquem que os critérios com que o Eurostat mede o desemprego tem uma margem de erro superior às melhorias que eles vêem, que o desemprego juvenil continua a subir, que a taxa teórica de desemprego pode estar a baixar mas a taxa de destruição de empresas e  de empregos continua a aumentar, que o peso das exportações no PIB continua demasiado pequeno, que a dependencia das importações continua insustentável, e que a principal componente das exportações são os combustíveis refinadas só possivel por decisões do anterior governo).
Não vale a pena, os pobres desconhecem mesmo, e o desconhecimento das coisas é maneira mais eficaz de destruir a economia, que parece ser o objetivo do atual governo (para depois dela destruida poder voltar a crescer, como diz o senhor primeiro ministro, por outras  palavras, mas é o que diz). Ou de como o maior grau de competencia para atingir um objetivo pode ser o desconhecimento e a ignorancia.
Como se pode ver no caso exemplar dos estaleiros de Viana do Castelo, contribuintes liquidos para o aumento da taxa de desemprego e para a diminuição da atividade produtiva do país. Ver o ar de auto satisfação do senhor ministro da defesa repetindo que tomou as melhores decisões ajusta-se perfeitamente à afirmação anterior, desconhecimento de como funcionam as coisa (neste caso, como se constroem navios como se põem ao serviço do país e como se justificam os 181 milhões de euros de "ajudas" porque nada proibe um Estado da UE de ter uma industria própria de defesa nacional). Aí temos pois um caso de competencia assegurada pelo desconhecimento. Se houvesse conhecimento, poderia acusar-se o senhor ministro de irresponsabilidade, por insistir que tomou boas decisões enquanto se ri. ou de má fé, o que não pode fazer-se porque o direito romano não autoriza fazer juizos de intenções. Além de que o senhorministro tem outra atenuante, que é a da fé cega que tem nos dogmas das privatizações. E sabe-se da psicologia que a fé pode ser uma barreira intransponível ao conhecimento.
Salvo melhor opinião, claro.
Mas como comecei por dizer, as coisas vão mudando, as empresas de transportes privadas já vão tendo as suas ameaças de greve (à atenção do senhor secretário de Estado das privatizações e concessões dos transportes).

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Estaleiros de Viana do Castelo em 27 de novembro de 2013

É chocante, no dia em que se soube que o governo açoriano, encomendou dois navios para transporte inter-ilhas, certamente mais velozes do que o Atlantida (mas que provavelmente navegarão a velocidades inferiores ao contratado por restrições energéticas), ver a auto-satisfação do senhor ministro da defesa ao anunciar que a Martifer, empresa concessionária dos estaleiros de Viana do Castelo, poderá criar 400 novos empregos, depois do Estado pagar 30 milhões de euros aos 600 trabalhadores do estaleiro que vai despedir. Muito orgulhoso por "garantir" direitos, quando não garante o direito ao trabalho expresso na Constituição da Republica Portuguesa.
O governo açoriano paga anualmente um frete de 6,1 milhões de euros por 2 navios (é verdade que mais rápidos, mas um deles já antigo e sem a manobrabilidade do Atlantida) e recusou-se a comprar o Atlantida por 48 milhões de euros.
Nada existe na legislação portuguesa que permita classificar isto como um crime,  mas para a minha consciencia é-o, por configurar ações premeditadas e por omissões por negligencia conduzindo à progressiva degradação dos estaleiros.
Mais uma vez refiro que os 180 milhões de euros injetados por anteriores governos podem ser compatíveis com a legislação europeia se considerarmos que foram utilizados na área de defesa do país, que o projeto do Atlantida foi imposto aos estaleiros que tiveram de o adaptar às condições dos Açores aumentando o peso e reduzindo a velocidade para os mesmos motores, e que foram criadas condições de dificil ultrapassagem para cumprimento do contrato dos dois asfalteiros para  Venezuela.
PS em 28 de novembro - Embora mantendo que o senhor ministro da Defesa não domina o negócio marítimo e deixou por inépcia degradarem-se os estaleiros de Viana do Castelo, tenho de reconhecer que é suficientemente hábil para convencer os cidadãos das suas razões. Ouvi pessoas simples, protestando contra as dificuldades atuais que afetam a maioria, mas concordando com o fecho dos estaleiros por não darem lucro. Claro que se se estrangular uma empresa ela nunca dará lucro. Não tenho pena das pessoas como o senhor ministro que estragam uma empresa e afetam a vida dos seus 600 trabalhadores (tomando o exemplo de um com 50 anos, recebe agora a indemnização de 50.000 euros; até à reforma são 192 meses, isto é, 260 euros por mês - o que não seria grave se o governo cumprisse o preceito constitucional: desenvolver politicas ativas de emprego) e do que poderão sofrer se a sua consciência um dia recusar as desculpas dos dogmas neo-liberais e da realidade virtual jurídica do senhor ministro. Tenho pena sim, até porque estou geracionalmente mais perto, dos pais dos senhores governantes que assim, nas palavras de Paul de Grauwe, "magoam o seu povo" e ainda se riem, ou nas palavras de Pacheco Pereira, "salgam o país", inviabilizando o progresso.
PS em 4 de dezembro - enquanto a Martifer vai fazendo promessas verbais, enquanto o senhor ministro da defesa se congratula com o seu colega da administração interna pela inauguração do sistema de vigilancia costeira sem interligação ainda a Espanha, com lacunas de cobertura graves, e sem eu (defeito meu, certamente) perceber o papel da Marinha , enquanto o mesmo senhor ministro se escandaliza porque alguém perguntou se o seu escritório de advogados tinha tido negócios com a Martifer, enquanto o mesmo senhor ministro continua com sorrisos seráficos a dizer que fez o melhor negócio, vem a saber-se que os custos de operação dos estaleiros foram de 101 milhões de euros, o que tem o risco de condenação de Bruxelas (recordo que os 181 milhões de euros que levaram o senhor ministro a propor a privatização falhada podiam justificar-se com gastos da defesa nacional) porque coincidiram com o boicote das encomendas de 3 milhões de euros de chapa e motores para os asfalteiros conduzindo à inação dos trabalhadores (apesar da carteira de encomendas dos patrulhões, tambem isentados pelas diretivas europeias da lei da concorrencia por se tratar de assunto estratégico de defesa nacional). Inação essa que pode tambem classificar-se como gestão danosa por despesa sem contrapartida. E admiram-se de ser proposto um inquérito? Esperemos que não venha a ter de se pagar uma multa por incumprimento do contrato dos asfalteiros (paga-se o que for preciso para privatizar o que for possível; parece que a próxima são os seguros da CGD, coisa que qualquer profissional bancário sabe que é um disparate, separar uma seguradora de um banco, uma vez que os contratos de seguros de bom fim são essenciais para qualquer politica de exportação; mas que fazer, se eles não sabem o que fazem).

domingo, 14 de julho de 2013

Como disse, acordo com Angola para a construção de navios de guerra?

Segundo as notícias, o senhor ministro da Defesa discutiu com Angola a possibilidade de construção conjunta de navios de guerra e a formação de pilotos de avião (aproveitamento da base de Beja?). Não parece ter referido os estaleiros de Viana do Castelo. A cidade e os trabalhadores desconfiam, e o secretismo e as anteriores tibiezas do atual governo, deixando estrangular os estaleiros por falta de trabalho (apesar do contrato para os asfalteiros, de que não se sabe como corre), levam a supor que não terão passado de palavras de circunstancia, ou aceno para a venda a capitais angolanos dos estaleiros. É caso para dizer, apesar de não se ter há muito confiança na capacidade deste ministério neste assunto: deixem-se de impasses e vejam se resolvem as coisas (sem esquecer que os 181 milhões de euros de injeção de capital estão cobertos pelas exceções da diretiva europeia quando se trata de construção de navios de guerra).

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Vergonha II - a recusa da defesa

Segundo o DN, os estaleiros de Viana do castelo entregaram à Douro Azul, empresa de cruzeiros no Douro, dois barcos rabelos de chapa de aço, motorizados. Tratou-se de um projeto original. É uma vergonha a continuação do desprezo a que o ministério da defesa vota os estaleiros, recusando-se a defender a injeção de capitais públicos nos estaleiros com fundamento, essa defesa, na diretiva europeia que autoriza a injeção de capitais do Estado no caso de equipametos de defesa nacional, como foi o caso. É uma vergonha, acentuada por declarações do próprio comissário europeu que agurda a "defesa" de Portugal neste caso.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Adeus, nossa televisão



O leitor, se for benevolente, terá lido a pequena nota no perfil deste blogue, em como o seu cabeçalho permanecerá negro enquanto as decisões do poder central europeu derem mostras de falta de solidariedade na Grécia, lá como cá.
Parece ainda longe o dia em que o cabeçalho do blogue viajará pelo arco-íris, como a deusa grega, depois de ver nas notícias a desligação prepotente do sinal da televisão pública grega.
Dizem ainda as notícias que a televisão pública grega não dava prejuízo.
Concluo que foi uma atitude abusiva do governo para benefício das televisões privadas, como castigo dos "funcionários públicos" que lá trabalham, e como concretização das ideias extremistas de minimização do Estado impostas pelos membros, a maioria não eleitos pelos cidadãos e cidadãs, dos orgãos centrais da União Europeia, do Banco central europeu e do FMI.
Salvo melhor opinião, o ser eleito não dá a um governo o direito de fazer isto.
Como não dá o direito de privar a população idosa da televisão gratuita no processo da TDT (quando um governo quer castigar o seu povo desliga-lhe a televisão), nem de privatizar os CTT (ao menos concessionasse, como vem fazendo parcialmente) , nem de estrangular os estaleiros de Viana do Castelo, nem de prescindir dos lucros da EDP e da  REN (e dos CTT) por transferencia para empresas estrangeiras.
Por mais que esteja no memorando, não invalida a regra dos 2/3 de representação eleitoral para poder fazer-se isso ou, em ultima instancia, a submissão a referendo universal.
Democracia não é aritmética eleitoral de maioria simples .
Hitler ganhou eleições, Estaline também.
O Marechal Hindenburg não exerceu os seus poderes de contenção do monstro, e aos povos soviéticos fo-lhes sucessivamente retirada a sua capacidade de resistencia (num processo que devia ser estudado para melhorar a ligação entre o poder político e a população, em vez de se assistir a uma demonização de tudo o que seja política de esquerda no sentido do Estado de bem estar e de participação direta).

A prepotencia grega é assim um exemplo histórico de aplicação do extremismo das ideias dos mesquinhos burocratas do centro europeu, tributários da revolução de Haieck e de Friedman de estrangulamento da ação pública para dar espaço aos grandes grupos privados (coisa aliás comentada há muito em Marx).
Parafraseando Thatcher, "em países democráticos há coisas que não se podem fazer".




terça-feira, 11 de junho de 2013

Psicologia do poder politico em Portugal

Nós portugueses somos um bocadinho diferentes, não muito, mas  o suficiente para caraterizar algumas síndromas.

1 - os eleitores delegam, na prática apenas no primeiro ministro e no presidente da República, em detrimento da sua representação por deputados, governantes e poder judicial; sintoma de que não participam (aliás a elevada abstenção confirma-o); na realidade, a burocracia e os formalismos predominantes dificultam a compatibilização da vida particular de cada um com a representação por deputados ou grupos de cidadãos; é uma falha grave da democracia, com o carater direto, que deveria ser assegurado pelas freguesias (no sentido exatamente oposto, o atual governo extinguiu freguesias) e um sistema de comunicação destas com o poder central,cada vez mais longínquo e uma legião de comentadores a criar ruído;

2 - o poder executivo tem tendencia a considerar-se a sede do poder legislativo, através do controle  pelos poucos do executivo dos mais deputados no Parlamento do partido ou partidos com maioria relativa ou absoluta. O controle por poucos consegue-se através de mecanismos eleitorais internos dos partidos, com a agravante da tendencia de polarização do pensamento desse partido em torno do seu dirigente máximo; trata-se duma falha interna do partido que limita a escolha do primeiro ministro e, consequentemente, a sua qualidade técnica e gestionária deixando de fora personalidades mais competentes. Primeiro nos partidos e depois no seio do executivo, a opinião cristaliza ou polariza-se em torno de um ou dois governantes chave, em pensamento unico, as mais das vezes configurando um modelo de representação da realidade que a simula muito mal (como se pôde ver pelo falhanço dos multiplicadores da recessão em função da austeridade e do crescimento da dívida e do desemprego)

3 - os governantes atuais comportaram-se como os jovens inexperientes que chegam a uma empresa e paralisam os orgãos e alteram a estrutura; ensinam os especialistas de gestão que por pior que funcione uma empresa, são maiores os prejuizos de uma paralisação instantanea do que transição progressiva e participada; a paralisação do tunel do Marão e do troço Poceirão-Caia (que já previa uma linha de mercadorias) e as informações de que o atual governo afinal a quer desbloquear, e a obsessão de cortar despesas públicas e reduzir os quadros de pessoal, são um bom exemplo desta furia destrutiva do trabalho dos outros;

4 - igualmente o conflito geracional que os novos governantes criaram a propósito da redução das receitas da Segurança Social e dos cortes das reformas configura um comportamento semelhante ao  dos guardas da revolução na revolução cultural maoista, perseguindo os acusados de conduta burguesa e prática de uma cultura contrária ao interesse nacional; em  domínios como este, é como se o MRPP tivesse subido ao poder para terminar com os privilégios dos burgueses e social-revisionistas dos anos 70 do século passado (guardadas as devidas distancias, dado que os apoiantes do atual governo não andam a atacar fisicamente ninguem, contrariamente ao que faziam os militantes do MRPP nos tempos da militancia do atual presidente da Comissão Europeia);

5 -da mesma forma, a aplicação do pensamento único tem o objetivo muito restrito de entregar a atividade económica a grandes grupos económicos ou financeiros, suportado por uma pequena parte da opinião pública que tem horror à participação cidadã e à prioridade ao interesse coletivo e ao Estado de bem estar (por isso este é apodado de Estado assistencial ou previdencial, com a conotação negativa dessa designação), tudo subordinado à teoria de Hayeck e de Friedman como modificadora da estrutura da sociedade, configura uma prática estalinista e vanguardista de imposição desse pensamento único com menosprezo e calúnia de qualquer oposição. Um bom exemplo é a necessidade já reconhecida pelo governo de renegociação de tempo e taxas de juro, coisa que desde os primeiros dias do memorando os partidos de esquerda tinham reclamado no Parlamento (guardadas as devidas distancias entre a prática sanguinária de campos de concentração de uns e a prática desprovida de empatia dos atuais governantes para com as vítimas dos cortes nas despesas assistenciais e de saúde e da politica de desemprego necessária à contenção de custos)

6 - a inexperiencia e o isolamento da realidade dos atuais governantes leva-os ainda a ignorar os riscos da política suicida de dependencia alimentar e energética do exterior , satisfazendo-se com indicadores de melhorias em áreas restritas, como o sucesso de algumas, poucas, grandes empresas agroindustriais ou empresas de importação e processamento de combustíveis fósseis; esta é a atitude normal de quem não compreende o funcionamento real da economia nem das atividades primária e secundária, embasbacando-se com o aparato e a imagem dos setores terciário e quaternário a que associam como quinta essencia a inovação.

7 - o encantamento e a obsessão dos atuais governantes com as teorias de Haieck e Friedman pode seguir os mesmos esquemas mentais da reação das crianças que não aceitam a disciplina escolar e aderem com entusiasmo infantil às  teorias demolidoras do ordenamento que rejeitam; no fundo encaram estes pais da revolução da nova economia como justiceiros libertadores e tentam emulá-los; as críticas das pessoas mais experientes e sensatas são recebidas como prova de que estão certos e acabam por desencadear os mecanismos cerebrais de satisfação dos centros de prazer;
8 - finalmente, o comportamento dos atuais governantes, muito dependente de critérios de imagem e marketing, reproduz o comportamento de crianças mal comportadas quando são apanhadas: apressam-se a chamar a atenção para as falhas dos outros para ver se escapam à censura dos educadores. Não faltam exemplos, como a insistencia nos erros do governo anterior (que são de facto evidentes, que foram atempadamente registados neste blogue, mas que não contribuiram tanto para o desastre como os atuais governantes querem fazer crer), quando já está comprovado que o comportamento do setor bancário e financeiro, interno e externo, com a especulação, a bolha imobiliária e a subida das taxas de juro,e a abertura da União Europeia à Europa de Leste foram os principais fatores para o desastre. A recente perseguição aos comissários politicos membros de administrações de empresas públicas associados a contratos swap é também exemplo de uma furia justiceira para encandear a opinião pública, sem esclarecer convenientemente as cláusulas prejudiciais e desviando a atenção das verdadeiras razões da divida das empresas públicas: o crescimento das taxas de juro dos empréstimos, o investimento por conta das empresas em vez de sair do orçamento do Estado ou em maior percentagem dos fundos QREN e os preços artificialmente baixos dos títulos de transporte; o paradoxo é evidente, quando os derivados credit default swap são uma emanação das teorias de livre mercado financeiro tão do agrado dos atuais governantes; o criticável na triste história dos swap é a submissão à banca e à finança, coisa que o atual governo é o primeiro a dizer querer respeitar especialmente quando desfralda a bandeira da conquista da confiança dos mercados (os swap são um produto típico "dos mercados"). Outro exemplo é a recente acusação de ocultação de uma auditoria aos Estaleiros de Viana do Castelo; é verdade que o comportamento do governo anterior foi incorreto ao nomear alguns comissários politicos para a adminstração dos estaleiros e ao deixar na gaveta a auditoria realizada pela inspeção de finanças em 2009, mas também é verdade que o que lá vem é do conhecimento público de quem tem seguido a triste, tristissima novela dos estaleiros. Mais grave, muito mais grave é o atual governo ter deixado passar 2 anos sem ter tomado medidas de recuperação para os estaleiros (nomeadamente ter deixado passar tempo demasiado para o cumprimento do contrato dos asfalteiros venezuelanos e deixado apodrecer o caso do Atlantida, casos que não têm nada que ver com a auditoria ocultada). E a propósito disto, um esclarecimento para quem ainda não reparou: as diretivas europeias falam explicitamente que, em casos de defesa, que é o caso dos estaleiros e dos seus "patrulhões" construidos e por construir, um estado europeu é livre de injetar o capital e por isso o estado português não tem que "devolver" 181 milhões de euros. O próprio comissário Almunia já reconheceu que os estaleiros de Gdansk também receberam fundos públicos.
Defesa Nacional está fora das leis da concorrencia, o que é lógico, porque se não estivesse, a lei da concorrencia estaria a prejudicar a segurança militar de um estado. Pode não ser o entendimento dos gabinetes de advogados que os senhores governantes contratam para analisar este caso, e devo reconhecer que os senhores ministros e os senhores deputados da comissão de defesa do Parlamento têm mais experiencia do que eu de trabalho conjunto com esses advogados (por exemplo, o atual e o anterior presidente da comissão de defesa do Parlamento são sócios do mesmo escritório de advogados). Assim, para não se crer numa promiscuidade entre gabinetes de advogados e poder político, teremos de considerar, a exemplo dos professores que detetam dificuldades de interpretação de textos nos seus alunos, a hipótese de perturbações no desenvolvimento cognitivo (capacidade de reconhecer e processar padrões e imagens).

Conclusão - os factos anteriores recomendam o que já se propôs neste blogue: que os atos dos senhores governantes sejam submetidos a uma análise cuidada por parte de psiquiatras cujo relatório deveria ser tornado público.


quinta-feira, 25 de abril de 2013

Estaleiros de Viana do Castelo, 24 de abril de 2013

Honradamente se indignam os trabalhadores dos estaleiros e o presidente da câmara de Viana do Castelo perante o que tudo indicia ser uma conduta de sabotagem económica por parte do senhor ministro Aguiar Branco.
Ao não querer fundamentar perante a Comissão Europeia os 181 milhões de euros de fundos públicos nos estaleiros.
Ao não querer apresentar um plano de reestruturação que dinamize os estaleiros (a câmara já apresentou as bases para esse plano) e resolva o caso do Atlantida. 
Continua a aguardar-se o dinheiro para os motores e chapa para os asfalteiros, embora o senhor ministro da Economia anuncie uma verba de 3.500 milhões de euros para a reindustrialização.
Se isto não é sabotagem económica, insensibilidade, incompreensão, ignorância profunda das realidades industriais, o que será? 

Por isso, por este ser um caso paradigmático do mal que os nossos governantes estão a fazer ao país, transcrevo as palavras elegantes com que Batista Bastos os define no DN:

"Olho para os rostos destes que nos têm governado e não reconheço neles qualquer semelhança com os nossos rostos comuns ... As sombras que neles poisaram são repintadas de vigílias tétricas em que se arredaram o bater comovido do coração humano e o pulsar da  mais escassa ternura. Como conseguem viver nesta  miséria de fazer mal, de nos fazer mal?"

PS em 6 de maio - Segundo uma noticia de 29 de abril do Transportes em revista, foi adjudicada a primeira partida de chapa para os navios asfalteiros. É desejavel que estas coisas não se passem em secretismo, mas a cultura dos nossos decisores é assim. Vai ser extremamente dificil cumprir o contrato, aguardemos a evolução da relação com o cliente venezuelano.
Entretanto, soube-se que existe uma exceção na diretiva europeia à proibição de investimento público em empresas públicas: quando se trata de equipamento para a defesa nacional. O que no caso dos estaleiros de Viana era o caso, passe a redundancia. Não haverá portanto razão para a devolução dos 181 milhões de euros.


quinta-feira, 18 de abril de 2013

Estaleiros de Viana do Castelo, 18 de abril de 2013

A mim continua a chocar-me a conduta do atual governo com os estaleiros.
É verdade que a decisão de anular o processo de privatização e  substitui-lo por um de concessão e decidir um processo internacional de venda do Atlantida  é um progresso, mas lento, inadmissivelmente lento.
Terá servido de desculpa os 180 milhões de euros que  a Comissão Europeia acha que foram indevidamente injetados.
É possível, mas vi no metropolitano devolver-se dinheiro de fundos.
Embora pessoalmente pense que era defensável justificar os fundos invocando as excecionalmente dificeis condições de construção do tunel e estação do Terreiro do Paço, como o acidente provou, ao ter na origem precisamente a adjudicação da construção da estação (que implicava destruição parcial do tunel )  por concurso público a um empreiteiro diferente do construtor do tunel (motivando a perda da garantia, como qualquer comprador sabe).
Ignoro se os 180 milhões de euros poderiam ter uma fundamentação semelhante, que o governo prefere manter o secretismo. Mas sei que a lei da concorrencia que impede os governos de financiar empresas públicas serve para impedir que esse auxilio prejudicasse, por discriminação, as empresas privadas. A lei não serve para beneficiar empresas privadas estrangulando empresas públicas, porque isso não é concorrencia.
Invocando a necessidade de reindustrialização do país, conceito caro ao senhor ministro Álvaro Santos Pereira, a existencia de recursos para financiamento nos bancos que não são utilizados, seria assim tão dificil inscrever os 180 milhões numa divida a amortizar em 30 anos que cobrisse tambem o investimento em chapa e motores para os asfalteiros venezuelanos?
E não poderá negociar-se um tratamento de exceção? Agora que existe um especialista internacionalmente reconhecido em direito comunitario?
Choca-me muito a incompreensaõ e a incapacidade de decisão no caso dos asfalteiros: dada a complexidade do projeto, foi negociado um acordo com uma certificadora maritima.
Mas neste momento penso que já não é possivel cumprir o contrato com a Venezuela.
O caso do Atlantida mantem -se tambem gravemente chocante.
Um projeto escolhido pela empresa açoriana que os estaleiros tentam emendar (deveriam ter-se recusado a receber o projeto russo, que era desadequado para o Atlantico) e vão acedendo em adicionais não previstos no contrato e pedidos pela empresa açoriana, como os  motores para atracação, e com isso sobrecarregam o navio para alem das carateristicas da sua motorização, conduziu a uma situação que o governo não conseguiu compreender ou acintosamente deixou degradar.
Põe-se de facto a duvida, se é incompetencia, ou bloqueio de incompreensão perante alternativas imprevistas do ponto de vista juridico, ou se é vontade de eliminar os Estaleiros.
Pelo mau comportamento do governo neste caso, há quase dois anos, manteem-se as duvidas sobre se poderá levá-lo a bom porto.
Enfim, se o governo já compreendeu que não é aplicável a receita da privatização, compreenderá que um concurso público para concessão poderá, pela sua complexidade, especificidade , exigencia de conhecimento do meio, ultrapassar as competencias de consultores ou gabinetes de advogados que venham a ser contratados?
Não quererão considerar a hipótese de, por isso mesmo, por não haver na legislação da contratação pública procedimentos que prevejam todos os pormenores e que talvez se possa avançar para parcerias envolvendo, por exemplo, o governo da Noruega, para entregar a gestão dos Estaleiros a uma empresa norueguesa que ia fabricando e contabilizando as rendas e as amortizações da divida ao longo do período da concessão? (era assim que os ministros das finanças depois da bancarrota de 1892 faziam...e os do século XVII, a seguir à restauração, também...). Mas que façam isso sem secretismos, e com debates alargados, para que depois não venham justiceiros querer pelourinhos.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Estaleiros de Viana do Castelo em 1 de outubro de 2012


Em 10 de setembro escreveu-se neste blogue que uma das formas de aumentar a produção em Portugal seria executar o programa de construção de navios patrulha.


Não é esse o entendimento do governo atual, que cancelou o programa, contribuindo para mais uma desvalorização dos estaleiros de Viana do Castelo.
Chamo a atenção para que o argumento de falta de dinheiro, utilizado pelo ministério das finanças, o é sem vir acompanhado de fundamentação, nem sequer um quadro Excel com a distribuição das rubricas orçamentais (isto é, o orçamento de estado é secreto até ser apresentado; não contem contribuições de entidades alheias ao governo e seus apoiantes; ficaram de fora portanto, pelo menos, 70% de portugueses).
Além disso, lógico será haver verbas do tipo QREN para financiar o patrulhamento de uma parte da costa da união europeia.

Reproduzo assim, com muito respeito pelos trabalhadores dos estaleiros de Viana,  numa altura em que já houve respostas ao caderno de encargos para a privatização, mas ainda não há propostas confirmadas, uma foto da manifestação dos trabalhadores contra a privatização, em 1 de Outubro.


com a devida vénia ao MSN


Para não ser acusado de fazer criticas destrutivas, apresento a sugestão do que os cidadãos costumam fazer quando ninguém oferece o valor justo pelo bem que querem vender: negociam com quem tem mais experiencia no negócio a utilização das infraestruturas que possuem.
Pode não ser uma concessão, pode ser uma parceria, apesar da desvalorização da palavra (que não do conceito), pode ser um aluguer , pode ser um comodato… a Noruega precisa de navios para as suas carreiras entre fiords (existem normas específicas para navegação nos fiords). Já houve contactos exploratórios; não podiam pôr de lado o tal concurso e pôr os estaleiros a negociar diretamente com o embaixador da Noruega? (diabo, havia um gabinete de advogados que veria as suas receitas diminuir).
Ah, é verdade, convinha o senhor governo não se esquecer que o pouco dinheiro que pensa obter com a privatização não pode ser utilizado para reduzir défices. Quando muito dívida.

PS em 2 de outubro de 2012 - Hoje foi anunciada a assinatura na Venezuela de um aditamento ao contrato para o fornecimento dos 2 asfalteiros. A empresa venezuelana aceitou a prorrogação do prazo de construção. Porém, os estaleiros vão ter de lançar os concursos para o fornecimento de chapa e equipamentos para substituir os que forma anulados. Tambem vai ser preciso contratar pessoal.
Tudo isto enquanto decorre um rigido processo de reprivatização que não admite apenas a gestão da empresa e a assunção dos correspondentes eventuais  prejuizos por terceiros sem que o estado perca a propriedade.
Posso ser acusado de descrente, mas não acredito que o atual governo apoie este projeto (ninguem viu na televisão um senhor ministro a vangloriar-se de ter feito um negócio fora de portas...). Mais facilmente utilizará as burocracias da contratação publica para o paralisar, como qualquer fariseu ou publicano dos evangelhos.
Vamos ver.
Espero sinceramente estar enganado, que não venha a poder dizer daqui a dois anos (novo prazo para o fornecimento), que os estaleiros foram vitimas de um ato de banditismo.





sexta-feira, 20 de julho de 2012

Os estaleiros de Viana do Castelo em 19 de julho de 2012

Volto ao tema para deixar registado o desabafo do ex-coordenador da comissão de trabalhadores dos estaleiros, no inicio do mandato da nova comissão. "Terrorismo psicológico" é o que tem sido a politica do governo, mantendo os estaleiros na inatividade e desvalorizando os ativos.
Um grupo de 16 trabalhadores dos estaleiros montou uma peça de teatro com as suas experiencias.
Seria interessante divulgar o texto.
Continua a ignorar-se o destino do Atlantida e do seu irmão mais novo por construir.
O governo informa que o caderno de encargos para a privatização, prometido para o mês passado, está quase, quase pronto (eu sei, por experiencia própria, que um caderno de encargos pode ser dificil e moroso de fazer; e que num caso destes é praticamente impossivel garantir que não haja erros de gravidade ampliada no futuro; mas o governo sabe que não recebeu mandato dos eleitores para privatizar desta maneira, e queo secretismo é uma forma de prepotencia).

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Mais um aparente paradoxo da democracia e a opinião do bispo

Será mais um paradoxo da democracia?


A classe politica dirigente da União Europeia impõe como sagrada a regra da concorrência como defesa das empresas de iniciativa privada.

Quando se diz sagrada, quer dizer que exclui a organização das empresas noutras formas que não sejam SARL, como empresas públicas, mútuas, parcerias, cooperativas (a falta que mais se faz sentir é a cooperativa).

Penso que essa exclusão não está escrita, mas na prática é imposta a todos os países da união.

Tal regra não parece que esteja inscrita também nos programas dos partidos políticos que detêm a maioria dos votos.

Se é assim, o eleitorado não deu o mandato a ninguem para impor o predomínio das empresas de iniciativa privada.

Isto é, quando se vai a votos o eleitorado exprime a sua vontade noutros centros de interesse, neste não.

Por exemplo, nos países escandinavos não se põe o problema de “reduzir o peso do Estado”.

O sistema de segurança social funciona, quer o governo seja de direita ou de esquerda.

Poderá ser que na origem deste facto esteja o célebre indicador de alfabetização da população: XVI foi o século em que metade da população escandinava atingiu a alfabetização; na Alemanha e na Inglaterra isso aconteceu no século XVII; seguiu-se a França no século XVIII, a Espanha no século XIX e Portugal no século XX.

Talvez por isso seja difícil em Portugal interpretar corretamente a ideia que outro exprimiu.

Nesta perspetiva, é estranho que a União Europeia continue alegremente a querer impor a liberalização absoluta.

Por exemplo na energia.

Há razões técnicas contra a dispersão por várias empresas. A principal, na distribuição, apesar da normalização, tem que ver com a gestão das redes e os riscos de deslastragens conduzirem a apagões progressivos.

No caso da produção, a liberalização e a fraqueza da planificação pública dificultam, e de que maneira, o estudo e a implementação das medidas de libertação da dependência do petróleo e de redução das emissões de CO2.

Os transportes são outro exemplo em que a liberalização contraria a segurança (as empresas privadas têm tendência para reduzir custos de manutenção, embora gostem de propalar os ganhos de produtividade, e de formação do pessoal) e a planificação integrada e estruturante de regiões. Igualmente dificulta a redução de emissões de CO2, apesar das taxas de externalidades que vem impondo aos aviões e aos camiões.





Retomando o tema, este aparente paradoxo da democracia consistirá no apoio cego a empresas privadas como um vicio escondido, oculto nas campanhas eleitorais, que se opõe ao progresso em muitos domínios da economia.

Nesta perspetiva, carece de análise profunda a insistência da troika na privatização da CP Carga, quando já existem duas empresas de transporte privado que parece darem-se bem com o negócio, a Takargo e a DB Schenker (2 comboios semanais entre Portugal e a Alemanha).
Idem a insistencia em impor companhias aéreas "low-cost" , altamente produtoras de emissões de CO2, beneficiando de infra-estruturas que sempre foram públicas (isto é, estão retirando a propriedade aos contribuintes, sem que, provavelmente, pelo menos 2/3 dos eleitores inscritos concordem - é uma figura de expropriação em sentido inverso)

Ainda nesta perspetiva, a imposição de privatizações será claramente a execução de um mandato que o eleitorado não conferiu aos políticos e aos financeiros, e será uma medida prejudicial para o interesse público, pelo menos nos exemplos citados.

E, se tenho razão, será exemplo de um assalto de um grupo de representantes de grupos económicos ou de académicos fundamentalistas das ideias de Hayeck e Friedmann para retirar da esfera pública a propriedade de meios de produção e entregá-las a privados.

Se tenho razão, também o bispo Torgal Ferreira terá, quando fala em gangues no atual governo.

E essa afirmação, minha e do bispo, que não pode ser classificada como proclamação da verdade (porque ninguém sabe o que é a verdade, nem mesmo a Igreja; apenas se pode dizer que, se é como eu penso, então as medidas do governo são prejudiciais para o interesse público; mas não há garantia de que as coisas sejam como eu penso, nem que sejam como o governo pensa), enquadra-se perfeitamente no comportamento tido no caso do BPN (também pelo governo anterior) no sentido da desvalorização progressiva do bem a privatizar até ser entregue ao grupo privado.



É curioso verificar que a estratégia do atual governo de desvalorização dos estaleiros de Viana do Castelo, nomeadamente a anulação do concurso para os motores e a chapa dos asfalteiros venezuelanos, se enquadra perfeitamente na ideia de um gangue que na campanha eleitoral não ocultou que ia privatizar empresas (aliás, nem deu importância a este assunto, uma vez que insistia no corte das despesas públicas e na taxação do consumo), mas ocultou que o ia fazer após as desvalorizar e que, uma vez no poder, tudo faria para desviar os recursos para empresas privadas .

Exemplo disso é o desvio de fundos do QREN de investimentos públicos para subsídios a empresas privadas.

Se foi assim, nem seria necessário apresentar queixa contra os governantes envolvidos, na desvalorização para privatização ou no desvio de fundos QREN do público para o privado.

Para isso existe o Ministério Público.

Mas é apenas uma hipótese, ou várias, claro.

PS em 19 de julho de 2012 - o porta voz da conferencia episcopal portuguesa classificou as afirmãções de Januário Torgal Ferreira como "a nível individual".
Mas também afirmou aue a Igreja deve proclamar a verdade. Já passaram uns dias e nenhuma hierarquia da Igreja veio desautorizar  Torgal Ferreira. Recordo até a afirmação de Jorge Ortiga, presidente da comissão pastoral social: "os politicos deveriam ter a coragem de ler os numeros e tirar consequencias". Apesar de não ser crente, quem escreve este blogue tem a esperança de que não aconteça o mesmo que aconteceu em 1971, quando o cardeal de Lisboa, António Ribeiro, preferiu não tomar partido quando um grupo de católicos, com o padre Alberto, se manifestou na capela do Rato contra a guerra colonial. Como dizia Kipling, citado pelo meu professor de sociologia, Pereira Ataíde, a neutralidade nestas coisas é um crime (até parece Torgal Ferreira a falar, não é?).
Afirmações de Torgal Ferreira:
"Há jogos atrás da cortina, habilidades e corrupção. Este governo é profundamente corrupto nestas atitudes a que estamos a assistir... o problema é civilizacional, porque é ético. Não acredito nestes tipos, nalguns destes tipos, porque são equívocos, porque lutam pelos seus interesses, têm o seu gangue, o seu clube, pressionam a comunicação social, o que significa que os anteriores que foram tão atacados, eram uns anjos ao pé destes diabinhos negros - alguns - que acabam de aparecer"







terça-feira, 26 de junho de 2012

Noticias dos estaleiros de Viana do Castelo em Junho de 2012




Continua, passo a passo, a fúria assassina contra os estaleiros navais de Viana, até ao estrangulamento total, pronto para a privatização a preço que agrade ao “mercado internacional”.

Recentemente foi a anulação do concurso para a compra de chapa e de motore par ao inicio da construção dos navios asfalteiros para a Venezuela. Já é impossível cumprir o contrato.

Vem agora desistir-se do projeto do navio de apoio logístico (projeto oferecido pelos construtores dos submarinos portugueses como contrapartida).

Já não se fabricam os patrulhas oceânicos, apesar do elevado nível de tecnologia de telecomunicações atingido no exemplar único.

Entretanto um grupo de deputados visita o navio Atlântida ancorado no Alfeite há 7 meses, recusado com base em argumentos tecnicamente (refiro-me a tecnicamente do ponto de vista de técnica da engenharia, que é o que faz mover as coisas) discutíveis e com argumentação populista (criou-se um clima nos Açores contra este navio), numa operação altamente lesiva das contas do estaleiro.

Na visita à Colômbia o senhor primeiro ministro explicitou que temos um estaleiro para privatizar.

Trata-se de um programa que previa a conclusão do caderno de encargos e o lançamento do concurso em Junho de 2012 (noticia do dia 19 de Março de 2012 com origem no ministério da Defesa: o concurso será lançado no prazo de 45 dias; assim se enganam as cidadãs e cidadãos e se vai arrastando o processo).

Todo este processo, justificado pelo governo com a necessidade de injeção de capitais (para onde irão os capitais injetados enquanto os dedos ficam sem anéis?) me faz lembrar o ataque que o jovem yupi fez ao Brás & Brás, com êxito para ele, yupi.
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/search?q=br%C3%A1s

Sinceros votos de felicidades à recentemente eleita comissão de trabalhadores; que possam cumprir a promessa de defesa da construção naval nos estaleiros:
http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=2545487&page=-1

ver também:
http://apodrecetuga.blogspot.com/2012/04/os-estaleiros-de-viana-do-castelo.html