Discretamente, a imprensa especializada reportou a informação do INE sobre a variação das importações e exportações de bens de dezembro de 2012 a fevereiro de 2013.
Relativamente a igual período do ano anterior, cresceram ligeiramente as exportações e diminuiram as importações.
Mas continua o defice (trata-se apenas de bens, não estão contabilizados os serviços):
As exportações foram 10.800 milhões de euros, mas as importações atingiram 13.038 milhões.
Saldo negativo: 2.232 milhões de euros.
Numa altura em que se discute a reprovação de 1.300 milhões de euros no orçamento de Estado, convinha pensar que estas importações não são de grande responsabilidade do setor público.
Deveria atuar-se aqui (mas por favor não restrinjam ainda mais a procura, nem baixem ainda mais os rendimentos de quem os tem baixos), nem que fosse necessário negociar derrogações com a UE .
Citando Ronaldo, assim não ganhamos o jogo.
Decomposição dos valores, vendo-se o peso da importação de combustíveis como fator decisivo na inversão da taxa de cobertura das importações pelas exportações (dir-se-ia que conviria reduzir a importação de combustíveis fósseis mediante alternativas renováveis e penalização da utilização do transporte individual com compensação de melhorias no transporte coletivo):
Também recentemente o INE publicou informação sobre o grau de autosuficiencia alimentar, embora com dados de 2010 e 2011:
Tamibém aqui parece muito dificil evitar o aumento da divida através do defice das importações liquidas. Temos de importar 36% dos alimentos que consumimos, só produzimos 80% do que consumimos.
Assim também não ganhamos o jogo, alimentando-nos do pangasio vietnamita e das laranjas da Africa do Sul.
Mostrar mensagens com a etiqueta exportações. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta exportações. Mostrar todas as mensagens
terça-feira, 9 de abril de 2013
Dados estatísticos, discretos, de alimentos e importações de bens
Publicada por
Fernando de Carvalho Santos e Silva
à(s)
20:28
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
exportações,
importações
terça-feira, 23 de outubro de 2012
Visão de efeito de túnel
À medida que a velocidade de um automóvel aumenta, acima de um certo valor, o angulo de visão do condutor vai-se fechando.
Isto é, a atenção visual do condutor vai ficando limitada a uma espécie de túnel, ou tubo, que o impede de ver atempadamente a aproximação de um eventual obstáculo na perpendicular do movimento.
O cérebro humano é assim, e deviamos protegê-lo contra erros nessas circunstancias, já que andamos a velocidades elevadas.
É o efeito de túnel e a visão de túnel ou tubular.
Sob pressão de fatores externos de perigo, o cérebro humano elimina o que lhe parece ser menos importante e concentra-se nas poucas questões que pode processar.
Só que essa exclusão do que parece ser menos importante pode ser por si só um erro, e um erro fatal.
Isto a propósito da velha expressão que os economistas usam, "cetera paribus", ou "mantendo-se iguais todas as outras coisas".
Na verdade, as medidas de austeridade e o corte dos rendimentos seriam soluções redentoras se todas as outras variáveis se mantivessem, como seja a procura.
Infelizmente não é assim, a procura baixa.
E o aumento de impostos também seria uma solução, se todas as outras variáveis se mantivessem, como por exemplo os rendimentos ou o consumo.
Infelizmente, como diz a lei de Laffer, os rendimentos e o consumo baixam, e lá se vai o aumento da receita.
Isto para dizer que a fé cega nas medidas de austeridade, isoladamente, é um bom exemplo de visão de túnel ou visão tubular.
Tal como o é o regozijo da propaganda do regime do governo atual ao celebrar o saldo positivo da balança de pagamentos no 3º trimestre de 2012, coisa que é efetivamente de celebrar, mas sem perder a visão para fora do túnel.
Antes de mais, há que felicitar os trabalhadores e as empresas portuguesas que para isso contribuem, desde o setor metalomecanico, ao vestuário e calçado, à auto-Europa, às refinarias da GALP, e aos serviços exportados (que compensam o saldo negativo dos bens).
Como aspetos a merecer atenção, temos a exportação de ouro usado, a queda do poder de compra que induziu a diminuição das importações e as grandes dificuldades para aumentar a exportação de bens e serviços, principal meio para a redução da dívida que não para de crescer.
Isto é, não podemos concentrar-nos apenas num indicador.
Temos de ver o que se passa com a divida, por exemplo.
E não só a divida publica, tambem a privada.
Mas não há informação credivel.
Dai a insistencia na auditoria às dividas (ver o sitio da iniciativa auditoria cidadã:
http://www.auditoriacidada.info/ ).
Até quando vamos ter de pagar aos bancos privados juros 5 vezes superiores ao juro a que eles se financiam junto do BCE?
E depois de terem sido timidamente implementadas nalguns paises, depois de anos de debate público, a taxa sobre transações bolsistas, quanto tempo teremos de esperar para ser aplicada a mesma medida que foi aplicada à Alemanha do pós-guerra: limitação do serviço da dívida a 5% dos rendimentos das exportações ?
Isto sem falar na proposta da renegociação honrada do memorando da troika, do ex-ministro Miguel Cadilhe (e depois os serviços de propaganda tubular do regime do governo dizem que não há propostas alternativas...)
Isto é, a atenção visual do condutor vai ficando limitada a uma espécie de túnel, ou tubo, que o impede de ver atempadamente a aproximação de um eventual obstáculo na perpendicular do movimento.
O cérebro humano é assim, e deviamos protegê-lo contra erros nessas circunstancias, já que andamos a velocidades elevadas.
É o efeito de túnel e a visão de túnel ou tubular.
Sob pressão de fatores externos de perigo, o cérebro humano elimina o que lhe parece ser menos importante e concentra-se nas poucas questões que pode processar.
Só que essa exclusão do que parece ser menos importante pode ser por si só um erro, e um erro fatal.
Isto a propósito da velha expressão que os economistas usam, "cetera paribus", ou "mantendo-se iguais todas as outras coisas".
Na verdade, as medidas de austeridade e o corte dos rendimentos seriam soluções redentoras se todas as outras variáveis se mantivessem, como seja a procura.
Infelizmente não é assim, a procura baixa.
E o aumento de impostos também seria uma solução, se todas as outras variáveis se mantivessem, como por exemplo os rendimentos ou o consumo.
Infelizmente, como diz a lei de Laffer, os rendimentos e o consumo baixam, e lá se vai o aumento da receita.
Isto para dizer que a fé cega nas medidas de austeridade, isoladamente, é um bom exemplo de visão de túnel ou visão tubular.
Tal como o é o regozijo da propaganda do regime do governo atual ao celebrar o saldo positivo da balança de pagamentos no 3º trimestre de 2012, coisa que é efetivamente de celebrar, mas sem perder a visão para fora do túnel.
Antes de mais, há que felicitar os trabalhadores e as empresas portuguesas que para isso contribuem, desde o setor metalomecanico, ao vestuário e calçado, à auto-Europa, às refinarias da GALP, e aos serviços exportados (que compensam o saldo negativo dos bens).
Como aspetos a merecer atenção, temos a exportação de ouro usado, a queda do poder de compra que induziu a diminuição das importações e as grandes dificuldades para aumentar a exportação de bens e serviços, principal meio para a redução da dívida que não para de crescer.
Isto é, não podemos concentrar-nos apenas num indicador.
Temos de ver o que se passa com a divida, por exemplo.
E não só a divida publica, tambem a privada.
Mas não há informação credivel.
Dai a insistencia na auditoria às dividas (ver o sitio da iniciativa auditoria cidadã:
http://www.auditoriacidada.info/ ).
Até quando vamos ter de pagar aos bancos privados juros 5 vezes superiores ao juro a que eles se financiam junto do BCE?
E depois de terem sido timidamente implementadas nalguns paises, depois de anos de debate público, a taxa sobre transações bolsistas, quanto tempo teremos de esperar para ser aplicada a mesma medida que foi aplicada à Alemanha do pós-guerra: limitação do serviço da dívida a 5% dos rendimentos das exportações ?
Isto sem falar na proposta da renegociação honrada do memorando da troika, do ex-ministro Miguel Cadilhe (e depois os serviços de propaganda tubular do regime do governo dizem que não há propostas alternativas...)
Publicada por
Fernando de Carvalho Santos e Silva
à(s)
01:10
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
divida,
exportações,
visão de túnel
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Brodheim
Como se diz em França, "je lève mon chapeau".
E também com a devida vénia à revista Notícias Magazie, do DN e JN.
O peso da moda nesta revista é grande, mas não devemos ser preconceituosos.
Ronald Brodheim é o representante de marcas de moda internacional, com lojas na Avenida da Liberdade.
Filho de Erich Brodheim, judeu austriaco refugiado em Portugal na segunda grande guerra ( lembro-me de quando era miúdo, há muitos anos, de ver uma menina austriaca na Figueira da Foz, tambem de uma familia refugiada; a Alemanha fazendo o mesmo crime e o mesmo disparate económico que Portugal fez com D.Manuel, a quem os historiadores chamam venturoso).
E tiro o chapéu porque com Ronald Brodheim se aprende melhor economia do que com os decisores, gestores e comentadores televisivos (salvo poucas exceções, evidentemente).
Erich Brodheim montou uma firma de importações e exportações e, a seguir ao 25 de Abril de 1974, juntamente com o filho, em vez de fugirem para o Brasil, fizeram o que deviam fazer: como não havia dinheiro para importações, serviram de intermediários para a exportação de "lençois, toalhas, objetos de louça" para os grandes armazens de Londres e Paris... Durante 12 anos, fomos a China daqueles tempos". Como diz Ronald Brodheim sobre o 25 de abril de 1974, "Foi fantástico".
A reportagem não explica se a representação das marcas de moda estrangeiras é atualmente compativel com a incorporação nacional no negócio, mas sobre o periodo 1974-1986, parece ser exemplar, a atuação desta firma.
E também com a devida vénia à revista Notícias Magazie, do DN e JN.
O peso da moda nesta revista é grande, mas não devemos ser preconceituosos.
Ronald Brodheim é o representante de marcas de moda internacional, com lojas na Avenida da Liberdade.
Filho de Erich Brodheim, judeu austriaco refugiado em Portugal na segunda grande guerra ( lembro-me de quando era miúdo, há muitos anos, de ver uma menina austriaca na Figueira da Foz, tambem de uma familia refugiada; a Alemanha fazendo o mesmo crime e o mesmo disparate económico que Portugal fez com D.Manuel, a quem os historiadores chamam venturoso).
E tiro o chapéu porque com Ronald Brodheim se aprende melhor economia do que com os decisores, gestores e comentadores televisivos (salvo poucas exceções, evidentemente).
Erich Brodheim montou uma firma de importações e exportações e, a seguir ao 25 de Abril de 1974, juntamente com o filho, em vez de fugirem para o Brasil, fizeram o que deviam fazer: como não havia dinheiro para importações, serviram de intermediários para a exportação de "lençois, toalhas, objetos de louça" para os grandes armazens de Londres e Paris... Durante 12 anos, fomos a China daqueles tempos". Como diz Ronald Brodheim sobre o 25 de abril de 1974, "Foi fantástico".
A reportagem não explica se a representação das marcas de moda estrangeiras é atualmente compativel com a incorporação nacional no negócio, mas sobre o periodo 1974-1986, parece ser exemplar, a atuação desta firma.
Publicada por
Fernando de Carvalho Santos e Silva
à(s)
14:57
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
exportações,
Ronald Brodheim
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Economicómio LXXV - produção agricola
Duas pequenas noticias no Oje de 10 de novembro de 2011:
- 3º trimestre de 2011
- exportações portuguesas .................... 10.438 milhões de euros (+13,1% )
- importações ...................................... 14.194 milhões de euros ( +3,6%)
- défice ................................................... 3.756 milhões de euros (-16,1%)
está-se a melhorar relativamente ao ano passado (entre parenteses variação relativamente a igual período do ano passado) , mas impressiona como continuamos a aumentar a divida, uma vez que julgo que as divisas enviadas pelos emigrantes e deixadas pelos turistas não são suficientes para compensar este défice.
Parece que se devia aumentar a produção nacional, especialmente a agrícola e alimentar, não seria?
Ou pensar a sério em medidas protecionistas, não digo como as de Colbert, mas negociá-las com a UE.
E também seria interessante saber exatamente, quanto mais não seja para lhes agradecer e para tentar melhorar-lhes as condições produtivas, que setores e que pessoas é que estão a conseguir estes valores nas exportações.
- quota de Portugal na produção agrícola na UE:
- cereais ............................................. 0,4%
- leite ................................................. 2,6%
ainda me recordo quando obrigaram os Açores a pagar uma multa por excesso de produção de leite...
Parece que se deve mesmo aumentar a produção agrícola e alimentar nacional, sendo certo que muita da produção está na economia de subsistencia e não entra nas estatisticas, e que parece que continua a crescer a área de aptidão agricola abandonada.
Como perguntava Henry Fonda no filme As vinhas da ira, sobre o livro de John Steinbeck, que não era nada socialista, "Porque não tem o Estado mais quintas como esta?"
Provavelmente, como responderia Medina Carreira, porque as divisas que se obtivessem seriam imediatamente drenadas para os off-shores ou para mais importações.
Talvez não.
Experimentemos primeiro.
- 3º trimestre de 2011
- exportações portuguesas .................... 10.438 milhões de euros (+13,1% )
- importações ...................................... 14.194 milhões de euros ( +3,6%)
- défice ................................................... 3.756 milhões de euros (-16,1%)
está-se a melhorar relativamente ao ano passado (entre parenteses variação relativamente a igual período do ano passado) , mas impressiona como continuamos a aumentar a divida, uma vez que julgo que as divisas enviadas pelos emigrantes e deixadas pelos turistas não são suficientes para compensar este défice.
Parece que se devia aumentar a produção nacional, especialmente a agrícola e alimentar, não seria?
Ou pensar a sério em medidas protecionistas, não digo como as de Colbert, mas negociá-las com a UE.
E também seria interessante saber exatamente, quanto mais não seja para lhes agradecer e para tentar melhorar-lhes as condições produtivas, que setores e que pessoas é que estão a conseguir estes valores nas exportações.
- quota de Portugal na produção agrícola na UE:
- cereais ............................................. 0,4%
- leite ................................................. 2,6%
ainda me recordo quando obrigaram os Açores a pagar uma multa por excesso de produção de leite...
Parece que se deve mesmo aumentar a produção agrícola e alimentar nacional, sendo certo que muita da produção está na economia de subsistencia e não entra nas estatisticas, e que parece que continua a crescer a área de aptidão agricola abandonada.
Como perguntava Henry Fonda no filme As vinhas da ira, sobre o livro de John Steinbeck, que não era nada socialista, "Porque não tem o Estado mais quintas como esta?"
Provavelmente, como responderia Medina Carreira, porque as divisas que se obtivessem seriam imediatamente drenadas para os off-shores ou para mais importações.
Talvez não.
Experimentemos primeiro.
Publicada por
Fernando de Carvalho Santos e Silva
à(s)
19:32
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
exportações,
importações
domingo, 30 de outubro de 2011
Formas de falar dos senhores políticos neste fim de outubro de 2011
Há tempos este blogue dedicou-se à semiótica aplicada aos gestos (sinais) do senhor ministro Vitor Gaspar.
A semiótica pode ter aplicações até na criminologia, na avaliação do grau de verdade do que um suspeito diz, mas não era o caso.
Como não é agora o caso a observação de algumas formas de falar de senhores ministros e do senhor presidente da Republica. Já aqui tambem tinha sido comentada a forma desabrida como o senhor ministro da economia fala ("isso tem de acabar"), mesmo nos casos em que lhe dou razão , ou pelo menos, alguma. Mas tambem não é agora o caso.
Vejamos então:
1 - "o diabo às vezes está nos detalhes", presidente da Republica, a propósito dos detalhes técnicos das decisões do Conselho Europeu . É um dito interessante, possivelmente regionalista. Na minha região diz-se mais "o esfolar do rabo é que é dificil", mas concordo. O meu problema não é esta forma de falar. O meu problema é parecer-me de uma grande ingenuidade o que também disse na conferencia ibero-americana: que os mercados andam a funcionar com "falta de transparencia" e "insuficiencia de regulação". É que tambem estou de acordo, mas falta de transparencia e insuficiencia de regulação é o que acontece quando se deixam os mercados funcionar, que é o que postula a cartilha liberal que orienta a posição ideológica do senhor presidente da Republica e do senhor primeiro ministro. Quanto à transparencia, este blogue já propôs uma coisa muito concreta (ver "Justiça Fiscal", de Saldanha Sanches, ed. Fundação Manuel dos Santos) : levantamento imediato do sigilo bancário. Quanto à regulação, estamos de acordo, mas penso que a regulação em que estou a pensar não é a mesma regulação em que o senhor presidente pensou. Enfim, esperar que o setor privado melhore, quando tem uma divida maior do que o setor público, parece-me que não há mercado que consiga, por mais transparente e regulado que esteja, mas enfim, eu sou um ignorante em economia.
2 - "a diplomacia deve ser a vanguarda das exportações, da internacionalização das PME e da captação de investimento estrangeiro", Paulo Portas. Estou de acordo, sinceramente o digo, e se Paulo Portas diz isso e eu também, tão afastado que estamos no pensamento, é porque é verdade. Difícil compatibilizar com a cartilha neo-liberal da escola de Chicago tão defendida pelo governo, não é? Mas deixe-me fazer-lhe um alerta: é que vanguarda tem conotações leninistas, embora seja legítimo desenvolver o princípio, em certas condições em que os mercados funcionam sem transparencia, desregulados e com algumas crises de inibição e falta de flexibilidade; porém, o objetivo deve ser o das atividades serem fruto de trabalho em equipa e de debate generalizado (ver "A sabedoria das multidões", de James Surowiecky, ed.Lua de Papel).
3 - "Muitos países da UE só têm 12 vencimentos", Miguel Relvas, a propósito da supressão dos 13º e 14º vencimentos. Acho que os meus cabelos brancos me autorizam a supor que houve aqui uma imprudencia adolescente do senhor ministro. Penso que não é ofensa. Ser-se adolescente é ser-se generoso, embora essa generosidade possa ser consequencia de não se atribuir valor a alguns conceitos, como o da garantia do pleno emprego e da segurança social, por exemplo. Os mecanismos cerebrais da mielinização não foram ainda executados em toda a sua plenitude, e os psiquiatras estão de acordo em que a conclusão desse processo está a fazer-se cada mais tarde nas novas gerações. Nestas condições, os adolescentes têm dificuldaed em "se pôr na pele" dos outros, por exemplo dos que não usufruem dos privilégios que eles usufruem, como os iPhones e os iPads, e por isso são insensíveis, não por maldade mas incapacidade de processamento, não racional, mas emocional, das circunstancias decorrentes das condições de vida ou da deterioração dessas condições. Mas deixemos os adolescentes e centremo-nos no que qualquer jornalista de especialidade foi correr investigar. Que o salário bruto anual médio holandês, sem 13º e sem 14º meses, é 3 vezes o salário médio português, com 13º e 14º meses. Bom, a Holanda é um misto de off-shore e in-shore, com práticas fiscais que deveriam merecer um puxão de orelhas dos burocratas de Bruxelas, mas vamos então para a Islandia, que disse que não pagava a irreponsabilidade dos bancos e por isso não pode "ir aos mercados". A comparação nas mesmas condições dá 4 vezes a favor dos islandeses (e noruegueses tambem). Estará a Irlanda mais próxima? os irlandeses tambem têm de pagar as aventuras de bancos com prejuizos 5 vezes maiores do que os do BPN; mas têm um salário bruto 3,5 vezes superior. Bom, o salário bruto português é 4 vezes superior ao da Roménia. Depois disto, terá o senhor ministro aprendido que não podem apresentar-se numeros apenas sobre uma parte do problema (sim, já sei que a produtividade é maior nesses países; a produtividade, o controle dos custos dos fatores de produção e a planificação da distribuição de rendimentos entre o setor transacionável e o não transacionável)? Terá? estuda-se na matemática e na lógica... mas sobre este assunto quero acrescentar duas pequenas observações, embora, por simplicidade, eu prefira que os 13º e 14º meses sejam integrados nos 12 vencimentos (evidentemente que, perante as comparaçoes anteriores, eliminar simplesmente iria piorar o nosso "ranking") .
3.1 - Seja uma taxa de juro de 2,4% ao ano e 0,2% por mês; se o subsidio de férias fôr de 1000 euros e só se pagar em Julho, o orçamento de estado pode contar com uma capitalização de 1000x0,002 (6+5+4+3+2+1) = 42€ ; quanto ao subsidio de Natal temos 1000x0,002 (11+10+9+8+7+6+5+4+3+2+1) = 132€ ; total capitalizado por funcionário público graças aos subsídios de férias e de Natal: 42+132 = 174€; e para 700.000 funcionários públicos: 121,8 milhões de euros; o senhor ministro disse que é disparate haver 13º e 14º meses? funciona como aforro do estado e garantia de disponibilidade para o consumo de férias e de Natal ;
3.2 - não seria melhor uma campanha publicitária intensiva do estilo "faça férias cá dentro" e "compre o que é nosso", para limitar as férias no estrangeiro e a importação de bens para as compras do Natal, sem estes cortes antipáticos? e não seria mais correto "correr" o pessoal todo a certificados de aforro, mesmo com um prazo de carência de 5 anos e a juros ainda mais baixos em lugar de corte simples? seria uma parceria publico-privada democratizada; não acha imprudente provocar um corte tão brusco? as leis da Física explicam que variações de estado bruscas induzem forças de readaptação de grande amplitude... enfim, vamos ver como evoluem as coisas, mas por favor não venha com a desculpa de que a troica não apreendeu bem nas primeiuras negociações a dimensão da dívida das empresas públicas, que há muitos anos que um pequeno grupo de funcionários das empresas públicas vem protestando que não está certo recair nas empresas públicas o serviço da dívida dos investimentos nas grandes infra-estruturas... é que já era coisa sabida há muito...
4 - "a subida do salário mínimo para 600 euros, como pretendem os comunistas (aqui ficaria melhor o PCP, ou então "como pretendem comunistas", porque pode haver comunistas que não se identificam com o PCP, ou comunistas que trocariam a subida do salário mínimo por outras medidas, como o levantamento do sigilo bancário e uma efetiva equidade fiscal, ou comunistas que não se identificam com as práticas de outros comunistas em outras coordenadas de espaço ou de tempo) seria demagógico e condenar a economia portuguesa ao que aconteceu a seguir ao 25 de Abril, com aumento de salários e o maior recuo das exportações dos ultimos anos", Alvaro Santos Pereira. Outra vez o senhor ministro da economia. Mais uma vez, só uma parte da verdade iluminada pelos números. Falta a outra parte. O senhor ministro gosta de focar a grandiosidade de uma parte da realidade. Gosta por exemplo de dizer que a produtividade por habitante teve um recuo muito grande logo a seguir ao 25 de Abril. Pois teve mas quando fala disso não diz que o país teve na altura o regresso de 500.000 cidadãos e cidadãs (acréscimo de 5% no denominador da produtividade por habitante) e que o relatório dos economistas do MIT de novembro de 1975 foi positivo; diz que o modelo foi de crescimento antes do 25 de Abril mas não diz que houve um afluxo de capitais durante e após a segunda guerra mundial e como sua consequencia; diz que as exportações recuaram a seguir ao 25 de Abril mas não diz que se vivia na altura as consequências da crise do petróleo de 1973, em que muitas empresas, especialmente inglesas, praticaram um boicote vergonhoso a Portugal (ver exemplos em próximo texto sobre experiência disto no metropolitano de Lisboa, quanto a boicote ao fornecimento de peças sobresselentes), e em que a fuga de capitais para o estrangeiro alarmou os economistas no ultimo trimestre de1973; efetivamente, houve uma translação da linha separadora da distribuição de rendimentos do capital e do trabalho no sentido do trabalho, mas isso foi porque ela estava muito chegada à direita, ao lado do capital. Salvo melhor opinião, são afirmações perigosas por ocultarem parte relevante da realidade e assim estimular a ilusão dos eleitores; salvo melhor opinião, claro, na parte do perigo das afirmações e na parte da ilusão, claro, claro.
A semiótica pode ter aplicações até na criminologia, na avaliação do grau de verdade do que um suspeito diz, mas não era o caso.
Como não é agora o caso a observação de algumas formas de falar de senhores ministros e do senhor presidente da Republica. Já aqui tambem tinha sido comentada a forma desabrida como o senhor ministro da economia fala ("isso tem de acabar"), mesmo nos casos em que lhe dou razão , ou pelo menos, alguma. Mas tambem não é agora o caso.
Vejamos então:
1 - "o diabo às vezes está nos detalhes", presidente da Republica, a propósito dos detalhes técnicos das decisões do Conselho Europeu . É um dito interessante, possivelmente regionalista. Na minha região diz-se mais "o esfolar do rabo é que é dificil", mas concordo. O meu problema não é esta forma de falar. O meu problema é parecer-me de uma grande ingenuidade o que também disse na conferencia ibero-americana: que os mercados andam a funcionar com "falta de transparencia" e "insuficiencia de regulação". É que tambem estou de acordo, mas falta de transparencia e insuficiencia de regulação é o que acontece quando se deixam os mercados funcionar, que é o que postula a cartilha liberal que orienta a posição ideológica do senhor presidente da Republica e do senhor primeiro ministro. Quanto à transparencia, este blogue já propôs uma coisa muito concreta (ver "Justiça Fiscal", de Saldanha Sanches, ed. Fundação Manuel dos Santos) : levantamento imediato do sigilo bancário. Quanto à regulação, estamos de acordo, mas penso que a regulação em que estou a pensar não é a mesma regulação em que o senhor presidente pensou. Enfim, esperar que o setor privado melhore, quando tem uma divida maior do que o setor público, parece-me que não há mercado que consiga, por mais transparente e regulado que esteja, mas enfim, eu sou um ignorante em economia.
2 - "a diplomacia deve ser a vanguarda das exportações, da internacionalização das PME e da captação de investimento estrangeiro", Paulo Portas. Estou de acordo, sinceramente o digo, e se Paulo Portas diz isso e eu também, tão afastado que estamos no pensamento, é porque é verdade. Difícil compatibilizar com a cartilha neo-liberal da escola de Chicago tão defendida pelo governo, não é? Mas deixe-me fazer-lhe um alerta: é que vanguarda tem conotações leninistas, embora seja legítimo desenvolver o princípio, em certas condições em que os mercados funcionam sem transparencia, desregulados e com algumas crises de inibição e falta de flexibilidade; porém, o objetivo deve ser o das atividades serem fruto de trabalho em equipa e de debate generalizado (ver "A sabedoria das multidões", de James Surowiecky, ed.Lua de Papel).
3 - "Muitos países da UE só têm 12 vencimentos", Miguel Relvas, a propósito da supressão dos 13º e 14º vencimentos. Acho que os meus cabelos brancos me autorizam a supor que houve aqui uma imprudencia adolescente do senhor ministro. Penso que não é ofensa. Ser-se adolescente é ser-se generoso, embora essa generosidade possa ser consequencia de não se atribuir valor a alguns conceitos, como o da garantia do pleno emprego e da segurança social, por exemplo. Os mecanismos cerebrais da mielinização não foram ainda executados em toda a sua plenitude, e os psiquiatras estão de acordo em que a conclusão desse processo está a fazer-se cada mais tarde nas novas gerações. Nestas condições, os adolescentes têm dificuldaed em "se pôr na pele" dos outros, por exemplo dos que não usufruem dos privilégios que eles usufruem, como os iPhones e os iPads, e por isso são insensíveis, não por maldade mas incapacidade de processamento, não racional, mas emocional, das circunstancias decorrentes das condições de vida ou da deterioração dessas condições. Mas deixemos os adolescentes e centremo-nos no que qualquer jornalista de especialidade foi correr investigar. Que o salário bruto anual médio holandês, sem 13º e sem 14º meses, é 3 vezes o salário médio português, com 13º e 14º meses. Bom, a Holanda é um misto de off-shore e in-shore, com práticas fiscais que deveriam merecer um puxão de orelhas dos burocratas de Bruxelas, mas vamos então para a Islandia, que disse que não pagava a irreponsabilidade dos bancos e por isso não pode "ir aos mercados". A comparação nas mesmas condições dá 4 vezes a favor dos islandeses (e noruegueses tambem). Estará a Irlanda mais próxima? os irlandeses tambem têm de pagar as aventuras de bancos com prejuizos 5 vezes maiores do que os do BPN; mas têm um salário bruto 3,5 vezes superior. Bom, o salário bruto português é 4 vezes superior ao da Roménia. Depois disto, terá o senhor ministro aprendido que não podem apresentar-se numeros apenas sobre uma parte do problema (sim, já sei que a produtividade é maior nesses países; a produtividade, o controle dos custos dos fatores de produção e a planificação da distribuição de rendimentos entre o setor transacionável e o não transacionável)? Terá? estuda-se na matemática e na lógica... mas sobre este assunto quero acrescentar duas pequenas observações, embora, por simplicidade, eu prefira que os 13º e 14º meses sejam integrados nos 12 vencimentos (evidentemente que, perante as comparaçoes anteriores, eliminar simplesmente iria piorar o nosso "ranking") .
3.1 - Seja uma taxa de juro de 2,4% ao ano e 0,2% por mês; se o subsidio de férias fôr de 1000 euros e só se pagar em Julho, o orçamento de estado pode contar com uma capitalização de 1000x0,002 (6+5+4+3+2+1) = 42€ ; quanto ao subsidio de Natal temos 1000x0,002 (11+10+9+8+7+6+5+4+3+2+1) = 132€ ; total capitalizado por funcionário público graças aos subsídios de férias e de Natal: 42+132 = 174€; e para 700.000 funcionários públicos: 121,8 milhões de euros; o senhor ministro disse que é disparate haver 13º e 14º meses? funciona como aforro do estado e garantia de disponibilidade para o consumo de férias e de Natal ;
3.2 - não seria melhor uma campanha publicitária intensiva do estilo "faça férias cá dentro" e "compre o que é nosso", para limitar as férias no estrangeiro e a importação de bens para as compras do Natal, sem estes cortes antipáticos? e não seria mais correto "correr" o pessoal todo a certificados de aforro, mesmo com um prazo de carência de 5 anos e a juros ainda mais baixos em lugar de corte simples? seria uma parceria publico-privada democratizada; não acha imprudente provocar um corte tão brusco? as leis da Física explicam que variações de estado bruscas induzem forças de readaptação de grande amplitude... enfim, vamos ver como evoluem as coisas, mas por favor não venha com a desculpa de que a troica não apreendeu bem nas primeiuras negociações a dimensão da dívida das empresas públicas, que há muitos anos que um pequeno grupo de funcionários das empresas públicas vem protestando que não está certo recair nas empresas públicas o serviço da dívida dos investimentos nas grandes infra-estruturas... é que já era coisa sabida há muito...
4 - "a subida do salário mínimo para 600 euros, como pretendem os comunistas (aqui ficaria melhor o PCP, ou então "como pretendem comunistas", porque pode haver comunistas que não se identificam com o PCP, ou comunistas que trocariam a subida do salário mínimo por outras medidas, como o levantamento do sigilo bancário e uma efetiva equidade fiscal, ou comunistas que não se identificam com as práticas de outros comunistas em outras coordenadas de espaço ou de tempo) seria demagógico e condenar a economia portuguesa ao que aconteceu a seguir ao 25 de Abril, com aumento de salários e o maior recuo das exportações dos ultimos anos", Alvaro Santos Pereira. Outra vez o senhor ministro da economia. Mais uma vez, só uma parte da verdade iluminada pelos números. Falta a outra parte. O senhor ministro gosta de focar a grandiosidade de uma parte da realidade. Gosta por exemplo de dizer que a produtividade por habitante teve um recuo muito grande logo a seguir ao 25 de Abril. Pois teve mas quando fala disso não diz que o país teve na altura o regresso de 500.000 cidadãos e cidadãs (acréscimo de 5% no denominador da produtividade por habitante) e que o relatório dos economistas do MIT de novembro de 1975 foi positivo; diz que o modelo foi de crescimento antes do 25 de Abril mas não diz que houve um afluxo de capitais durante e após a segunda guerra mundial e como sua consequencia; diz que as exportações recuaram a seguir ao 25 de Abril mas não diz que se vivia na altura as consequências da crise do petróleo de 1973, em que muitas empresas, especialmente inglesas, praticaram um boicote vergonhoso a Portugal (ver exemplos em próximo texto sobre experiência disto no metropolitano de Lisboa, quanto a boicote ao fornecimento de peças sobresselentes), e em que a fuga de capitais para o estrangeiro alarmou os economistas no ultimo trimestre de1973; efetivamente, houve uma translação da linha separadora da distribuição de rendimentos do capital e do trabalho no sentido do trabalho, mas isso foi porque ela estava muito chegada à direita, ao lado do capital. Salvo melhor opinião, são afirmações perigosas por ocultarem parte relevante da realidade e assim estimular a ilusão dos eleitores; salvo melhor opinião, claro, na parte do perigo das afirmações e na parte da ilusão, claro, claro.
Publicada por
Fernando de Carvalho Santos e Silva
à(s)
18:40
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Discordo III - o investimento estrangeiro e as exportações
Discordo quando dizem que neste país ninguém produz, ninguem trabalha, ninguém exporta, ninguem tem competitividade, ninguem consegue convencer os investidores estrangeiros.
E discordo com os seguintes fundamentos:
1 - Informação do Boletim de Inverno do Banco de Portugal de 11 de janeiro de 2011 - o crescimento das exportações em 2010 foi de 9%; prevê-se para 2011 e 2012 um crescimento anual da ordem de 6%; como é compreensível, prevê-se para 2011 uma contração da procura interna, da ordem de 3,6%, que sucede a um crescimento de 0,5 % em 2010. Variações portanto favoráveis para o PIB (exportações a crescer e importaões a diminuir)
2 - Informação da AICEP (agencia para o investimento e comercio externo) através de Basílio Horta em 23 de janeiro de 2011 - "O investimento estrangeiro em Portugal cresceu 17,6%, atingindo, segundo as Nações Unidas, três mil milhões de euros em 2010. Pelo contrário, o investimento estrangeiro na Europa caiu 22,2%, com a Irlanda a registar uma descida de 66,3% e a Grécia de 38%"
http://www.dn.pt/bolsa/interior.aspx?content_id=1764033
3 - informações várias sobre o crescimento das exportações de: mobiliário (http://www.dn.pt/bolsa/interior.aspx?content_id=1758826), de torres eólicas (http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=1758272&utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+DN-Economia+(DN+-+Economia , de sapatos (http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=442865), de vinhos (http://article.wn.com/view/2011/01/13/exporta_es_de_vinhos_alentejanos_para_o_brasil_cresceram_48/)
Salvo melhor opinião, estes números deveriam ter sido amplamente debatidos à vista dos senhores eleitores telespetadores ao longo da campanha eleitoral, primeiro, para contrariar a ideia da necessidade de salvadores da pátria, que a pátria sabe tratar de si própria; segundo, para contrariar a ideia de que o fator trabalho contribui pouco para o rendimento nacional (tem é uma quota pequena na sua distribuição).
Podia ser que os cidadãos e as cidadãs não andassem tão preocupados com a problemática do "nervosismo dos mercados".
Assim como foi, dá-me ideia de que houve manipulação sob a forma de ocultação.
Não pretendo dizer que o mérito seja do governo ou de "personalidades", embora Basilio Horta e os seus colaboradores mereçam parabens pelo seu trabalho; nem que os resultados são suficientes, que não são; e o mérito é principalmente de quem trabalha nas respetivas empresas.
Pretendo apenas dizer que este é um dos caminhos; se quisermos pôr na equação a ciência ou, pelo menos, a capacidade de interpretação de factos e números.
E discordo com os seguintes fundamentos:
1 - Informação do Boletim de Inverno do Banco de Portugal de 11 de janeiro de 2011 - o crescimento das exportações em 2010 foi de 9%; prevê-se para 2011 e 2012 um crescimento anual da ordem de 6%; como é compreensível, prevê-se para 2011 uma contração da procura interna, da ordem de 3,6%, que sucede a um crescimento de 0,5 % em 2010. Variações portanto favoráveis para o PIB (exportações a crescer e importaões a diminuir)
2 - Informação da AICEP (agencia para o investimento e comercio externo) através de Basílio Horta em 23 de janeiro de 2011 - "O investimento estrangeiro em Portugal cresceu 17,6%, atingindo, segundo as Nações Unidas, três mil milhões de euros em 2010. Pelo contrário, o investimento estrangeiro na Europa caiu 22,2%, com a Irlanda a registar uma descida de 66,3% e a Grécia de 38%"
http://www.dn.pt/bolsa/interior.aspx?content_id=1764033
3 - informações várias sobre o crescimento das exportações de: mobiliário (http://www.dn.pt/bolsa/interior.aspx?content_id=1758826), de torres eólicas (http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=1758272&utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+DN-Economia+(DN+-+Economia , de sapatos (http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=442865), de vinhos (http://article.wn.com/view/2011/01/13/exporta_es_de_vinhos_alentejanos_para_o_brasil_cresceram_48/)
Salvo melhor opinião, estes números deveriam ter sido amplamente debatidos à vista dos senhores eleitores telespetadores ao longo da campanha eleitoral, primeiro, para contrariar a ideia da necessidade de salvadores da pátria, que a pátria sabe tratar de si própria; segundo, para contrariar a ideia de que o fator trabalho contribui pouco para o rendimento nacional (tem é uma quota pequena na sua distribuição).
Podia ser que os cidadãos e as cidadãs não andassem tão preocupados com a problemática do "nervosismo dos mercados".
Assim como foi, dá-me ideia de que houve manipulação sob a forma de ocultação.
Não pretendo dizer que o mérito seja do governo ou de "personalidades", embora Basilio Horta e os seus colaboradores mereçam parabens pelo seu trabalho; nem que os resultados são suficientes, que não são; e o mérito é principalmente de quem trabalha nas respetivas empresas.
Pretendo apenas dizer que este é um dos caminhos; se quisermos pôr na equação a ciência ou, pelo menos, a capacidade de interpretação de factos e números.
Publicada por
Fernando de Carvalho Santos e Silva
à(s)
19:35
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
exportações,
investimento estrangeiro
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Almoço na esplanada da Gulbenkian 7 – ainda as exportadoras negativas
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2010/09/almoco-na-esplanada-da-gulbenkian-6-as.html
O meu amigo, depois da primeira leitura do livro "Os últimos 200 anos da nossa economia e os próximos 30" tinha ficado a pensar no assunto das dez principais exportadoras portuguesas que, no seu conjunto, contribuem, paradoxalmente, para o desequilíbrio da balança de pagamentos, e decidiu apostrofar-me por causa do texto que escrevi em 1 de Setembro passado.
Que afinal lhe fazia confusão a diferença (Exportações - Importações) ser negativa.
Dizia ele:
- Como é que é possível? Então a Auto Europa recebe um kit de peças da fábrica da Volkswagen na Alemanha que nos custa X, mais um kit de auto rádios e de eletrónicas com software de comando do Japão que nos custa Y, mais um kit do outro lado do sol posto que nos custa Z.
Total importado I = X+Y+Z.
Quando se exporta o carrito exportamos I mais o valor acrescentado da assemblagem portuguesa.
- Bem, não sei explicar bem isto, mas parece-me que é assim, e não é nada bonito:
A Auto Europa, para além de I importado, recebe ainda os fornecimentos nacionais no valor A. A malta assembla e monta tudo acrescentando o valor B da mão de obra portuguesa, produzindo assim o carrito. Chamemos P = A+B à parte portuguesa.
Esse carrito é então mandado para a Alemanha e ficou pelo valor exportado de:
V=(I + P) (1 + pL + gL)
sendo L a taxa de lucro (o motor principal da economia segundo os Adam Smithistas) expressa por unidade , p a parte do lucro português expressa também por unidade, g a parte do lucro germânico e p+g = 1.
O meu amigo aquiesceu mas nada disse, enquanto enrolava o espaguete do seu prato de Bolonha.
O valor exportado, que será contabilizado no PIB (produto interno bruto), será:
V=(I + P) + (I + P)pL + (I + P)gL
sendo (I + P)gL o lucro germânico que vai ser :
• contabilizado no PNB (produto nacional bruto)da Alemanha, e que vai ser
• descontado ao PIB português para cálculo do PNB português
É aqui que bate o ponto, as grandes empresas exportadoras portuguesas contribuem bem para o PIB, mas a sua contribuição para o PNB é mais reduzida.
Quer dizer , continuei eu, ignorando o ar enfadado do meu amigo, que por cada carrito a Alemanha paga-nos em divisas:
• o valor das divisas que a Auto Europa tinha exportado para obter I , compensando-as
• o valor de P + (I + P)pL
mas vai exigir à Auto Europa o pagamento de um tributo no valor do lucro germânico (I + P)gL
O meu amigo passou à sobremesa, aparentemente indiferente e concentrado na toilette de uma jovenzinha alemã, provável estudante do programa Erasmus.
- Mostra lá o papel, disse ele (ele sempre gostou de se entreter com manipulações matemáticas, e foi o que fez).
Aqui tens, chega-se a esta inequação, as exportações da Auto Europa só serão maiores do que as importações se se verificar
P + (I + P)pL > (I + P)gL
P +IpL + PpL > IgL + PgL
P – PgL +PpL > IgL – IpL
P [ 1 – (gL – pL)]) > I (gL - pL)
P > I (gL - pL) / [(1 – (gL - pL)]
- Realmente é, tens razão, isso quer dizer que, se os lucros forem fraternalmente repartidos entre a Alemanha e Portugal, basta que a componente portuguesa seja maior que zero para haver predomínio das exportações sobre as importações.
- O que pelos vistos não acontece.
Imagina que L=0,6 (60% de lucro), g=0,6 e p=0,4.
Então
P > I 0,12 / 0,86
Temos de concordar que é um pouco violento, a incorporação nacional ter de ser sempre maior do que 14% da parte importada para fazer pender a balança para o lado certo.
- Bem, a Volkswagen não é propriamente uma instituição de beneficência.
- Razão tinha aquele ministro, a mão de obra em Portugal está barata.
- Razão têm os economistas, aquele que dizia que o rendimento do trabalho é quase sempre muito menor do que o rendimento do capital, e aqueles que dizem, pobre país em que o PNB é muito mais pequeno do que o PIB, já de si não muito grande… Temos de aumentar o valor acrescentado dos bens transacionáveis exportados, como diz o livrinho “Os últimos 200 anos da nossa economia…” e aplicar as 25 medidas recomendadas.
O meu amigo, depois da primeira leitura do livro "Os últimos 200 anos da nossa economia e os próximos 30" tinha ficado a pensar no assunto das dez principais exportadoras portuguesas que, no seu conjunto, contribuem, paradoxalmente, para o desequilíbrio da balança de pagamentos, e decidiu apostrofar-me por causa do texto que escrevi em 1 de Setembro passado.
Que afinal lhe fazia confusão a diferença (Exportações - Importações) ser negativa.
Dizia ele:
- Como é que é possível? Então a Auto Europa recebe um kit de peças da fábrica da Volkswagen na Alemanha que nos custa X, mais um kit de auto rádios e de eletrónicas com software de comando do Japão que nos custa Y, mais um kit do outro lado do sol posto que nos custa Z.
Total importado I = X+Y+Z.
Quando se exporta o carrito exportamos I mais o valor acrescentado da assemblagem portuguesa.
- Bem, não sei explicar bem isto, mas parece-me que é assim, e não é nada bonito:
A Auto Europa, para além de I importado, recebe ainda os fornecimentos nacionais no valor A. A malta assembla e monta tudo acrescentando o valor B da mão de obra portuguesa, produzindo assim o carrito. Chamemos P = A+B à parte portuguesa.
Esse carrito é então mandado para a Alemanha e ficou pelo valor exportado de:
V=(I + P) (1 + pL + gL)
sendo L a taxa de lucro (o motor principal da economia segundo os Adam Smithistas) expressa por unidade , p a parte do lucro português expressa também por unidade, g a parte do lucro germânico e p+g = 1.
O meu amigo aquiesceu mas nada disse, enquanto enrolava o espaguete do seu prato de Bolonha.
O valor exportado, que será contabilizado no PIB (produto interno bruto), será:
V=(I + P) + (I + P)pL + (I + P)gL
sendo (I + P)gL o lucro germânico que vai ser :
• contabilizado no PNB (produto nacional bruto)da Alemanha, e que vai ser
• descontado ao PIB português para cálculo do PNB português
É aqui que bate o ponto, as grandes empresas exportadoras portuguesas contribuem bem para o PIB, mas a sua contribuição para o PNB é mais reduzida.
Quer dizer , continuei eu, ignorando o ar enfadado do meu amigo, que por cada carrito a Alemanha paga-nos em divisas:
• o valor das divisas que a Auto Europa tinha exportado para obter I , compensando-as
• o valor de P + (I + P)pL
mas vai exigir à Auto Europa o pagamento de um tributo no valor do lucro germânico (I + P)gL
O meu amigo passou à sobremesa, aparentemente indiferente e concentrado na toilette de uma jovenzinha alemã, provável estudante do programa Erasmus.
- Mostra lá o papel, disse ele (ele sempre gostou de se entreter com manipulações matemáticas, e foi o que fez).
Aqui tens, chega-se a esta inequação, as exportações da Auto Europa só serão maiores do que as importações se se verificar
P + (I + P)pL > (I + P)gL
P +IpL + PpL > IgL + PgL
P – PgL +PpL > IgL – IpL
P [ 1 – (gL – pL)]) > I (gL - pL)
P > I (gL - pL) / [(1 – (gL - pL)]
- Realmente é, tens razão, isso quer dizer que, se os lucros forem fraternalmente repartidos entre a Alemanha e Portugal, basta que a componente portuguesa seja maior que zero para haver predomínio das exportações sobre as importações.
- O que pelos vistos não acontece.
Imagina que L=0,6 (60% de lucro), g=0,6 e p=0,4.
Então
P > I 0,12 / 0,86
Temos de concordar que é um pouco violento, a incorporação nacional ter de ser sempre maior do que 14% da parte importada para fazer pender a balança para o lado certo.
- Bem, a Volkswagen não é propriamente uma instituição de beneficência.
- Razão tinha aquele ministro, a mão de obra em Portugal está barata.
- Razão têm os economistas, aquele que dizia que o rendimento do trabalho é quase sempre muito menor do que o rendimento do capital, e aqueles que dizem, pobre país em que o PNB é muito mais pequeno do que o PIB, já de si não muito grande… Temos de aumentar o valor acrescentado dos bens transacionáveis exportados, como diz o livrinho “Os últimos 200 anos da nossa economia…” e aplicar as 25 medidas recomendadas.
Publicada por
Fernando de Carvalho Santos e Silva
à(s)
17:32
2 comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
exportações,
PIB,
PNB
domingo, 10 de outubro de 2010
Desanimo - import/export
Desânimo nas estatísticas do INE de importações e exportações do País, de Junho a Agosto de 2010, porque não houve melhorias, pelo contrário, quando comparadas com o mesmo período do ano passado.
Exportações: passaram de 7,91 mil milhões de euros em 2009 para 9,03 mil milhões em 2010
Importações: passaram de 12,85 mil milhões em 2009 para 14,14 mil milhões em 2010.
O que significa que o defice aumentou; pouco mas aumentou.
Com a agravante da importação de combustíveis ter crescido 24,8% em valor, neste periodo de 2010, relativamente ao mesmo periodo em 2009.
Por outras palavras, apesar do esforço de quem trabalha, a situação não melhorou.
Como os economistas já explicaram publicamente, o problema é os bens transacionáveis que exportamos serem pouco valorizados.
Mas talvez possamos encarar a questão desta maneira:
1 - os consumos têm de ser contidos, nomeadamente no setor de transportes (é conhecida a proposta de transferir passageiros do TI para o TC, para conseguir transportar os mesmos passageiros com menos combustível)
2 - sendo 2/3 das exportações e importações portuguesas relativas à UE, não é boa política manter uma quota tão baixa com o resto do mundo; porem, para aumentar essa quota, o atual cambio do euro deveria baixar, porque como está não favorece as exportações (apesar de favorecer a importação de petróleo); donde se concluirá que a atual política do BCE, de manter alto o cambio do euro, baixas as taxas de juro e elevado o desemprego (i.é, inflação baixa), não serve o nosso país. Não esquecer que os lugares decisórios do BCE não são sujeitos a concurso público nem a a sufrágio eleitoral. Acresce que paises que poderiam ajudar a economia portuguesa são tambem prejudicados pela taxa de cambio existente. Por exemplo, Angola recebe em dolares USA pela venda do seu petróleo, mas paga em euros às empresas portuguesas que trabalham em Angola. A cotação alta do euro impede assim um maior envolvimento de empresas portuguesas em Angola.
É, não estou a gostar da política do BCE.
Exportações: passaram de 7,91 mil milhões de euros em 2009 para 9,03 mil milhões em 2010
Importações: passaram de 12,85 mil milhões em 2009 para 14,14 mil milhões em 2010.
O que significa que o defice aumentou; pouco mas aumentou.
Com a agravante da importação de combustíveis ter crescido 24,8% em valor, neste periodo de 2010, relativamente ao mesmo periodo em 2009.
Por outras palavras, apesar do esforço de quem trabalha, a situação não melhorou.
Como os economistas já explicaram publicamente, o problema é os bens transacionáveis que exportamos serem pouco valorizados.
Mas talvez possamos encarar a questão desta maneira:
1 - os consumos têm de ser contidos, nomeadamente no setor de transportes (é conhecida a proposta de transferir passageiros do TI para o TC, para conseguir transportar os mesmos passageiros com menos combustível)
2 - sendo 2/3 das exportações e importações portuguesas relativas à UE, não é boa política manter uma quota tão baixa com o resto do mundo; porem, para aumentar essa quota, o atual cambio do euro deveria baixar, porque como está não favorece as exportações (apesar de favorecer a importação de petróleo); donde se concluirá que a atual política do BCE, de manter alto o cambio do euro, baixas as taxas de juro e elevado o desemprego (i.é, inflação baixa), não serve o nosso país. Não esquecer que os lugares decisórios do BCE não são sujeitos a concurso público nem a a sufrágio eleitoral. Acresce que paises que poderiam ajudar a economia portuguesa são tambem prejudicados pela taxa de cambio existente. Por exemplo, Angola recebe em dolares USA pela venda do seu petróleo, mas paga em euros às empresas portuguesas que trabalham em Angola. A cotação alta do euro impede assim um maior envolvimento de empresas portuguesas em Angola.
É, não estou a gostar da política do BCE.
Publicada por
Fernando de Carvalho Santos e Silva
à(s)
02:47
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
Angola. BCE,
exportações,
importações
Subscrever:
Mensagens (Atom)


