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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Viva il vino spumegiante, viva il vino qu'e sincero

Sem pretender contestar as decisões no domínio da ópera em Portugal da senhora ministra da cultura, que apenas por uma questão etária aguarda a demissão da ministra italiana da igualdade de oportunidades, Mara Scarfagna, para ocupar o lugar de mais bela ministra do mundo, à frente das colegas espanholas, não estando a gentileza das suas decisões à altura desse lugar, conforme se comprovou em mais uma demissão intempestiva, a da diretora geral do livro e das bibliotecas, sugiro que vejam aqui José Carreras entoando o hino ao vinho capitoso e borbulhante da Cavalleria rusticana. Turidu, antes de sair para morrer no duelo com o marido da sua paixão proibida, Santuzza, canta assim. Cavalleria não quer dizer cavalaria, quer dizer conceções sobre o que era ser cavalheiro na Sicilia rural do fim do século XIX.


domingo, 21 de novembro de 2010

O museu da musica

As senhoras dos senhores da cimeira foram conduzidas, num programa para acompanhantes, pela senhora ministra da Cultura.
Que as levou a uma demonstração equestre no museu dos Coches.
Pois claro, que é o que a cultura em Portugal tem para mostrar aos turistas, veja-se a prioridade dada ao Museu dos Coches na construção do novo edifício em Belém (“Deus sabe o que nos custou para que hoje estejamos aqui a lançar a primeira pedra”, disse o senhor primeiro ministro, invocando a suprema divindade como testemunha dos seus esforços e sacrifícios pela cultura, já há mais de um ano).
Talvez que Ricardo Pais achasse também aqui bem aplicado o adjetivo “frívola”, se aplicado à escolha.
E talvez achasse a classificação extensível à decisão de transferir o museu da Musica da estação de metro do Alto dos Moinhos para Évora, em 2014.
Antigamente criavam-se extensões dos museus, ou pólos regionais.
Agora parece que é bom transferir o museu todo.
Pena, perder o metropolitano de Lisboa esta infraestrutura cultural, que atraía muitas crianças através das escolas.
Pena não poder o Metropolitano aproveitar a volumetria das suas infraestruturas, resultante dos processos de escavação das estações, para atividades culturais.
Poder-se-ia pensar que vinha mesmo a propósito o fim do protocolo do metropolitano com o ministério da Cultura, em 2014, para ampliar o museu da musica, por exemplo no grande espaço da estação Amadora Este, onde se realizavam os festivais de banda desenhada.
Pena, mesmo, apagado e triste, com dizia Luís Vaz, este facto , talvez irreversivel, em consumação pelo ministério da cultura.
Não por causa de limitações de orçamento, mas por questões de opção.
São mais as opções do ministério da cultura e a forma não participada com que são tomadas que chocam os cidadãos como Ricardo Pais ou como eu.
E talvez não fosse difícil se nos entendêssemos sobre os conceitos.
Como disse Eduardo Lourenço, cultura é o que fica depois de nos libertarmos das necessidades imediatas da subsistência.
Então aceitemos isso, como no caso daquele concerto na Casa da Musica, em que o bilhete para o concerto propriamente dito custou 11 euros, mas se tivesse o jantar incluído custava 30 euros.
Talvez que, associando a restauração aos museus e às contribuições de apoiantes particulares, o museu da musica pudesse ficar numa ou duas estações de metropolitano, sem prejuízo de extensões em capitais de província.
Talvez.