Mostrar mensagens com a etiqueta nemátodo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta nemátodo. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 18 de maio de 2011

O nemátodo, mais uma vez

Em 15 de Novembro de 2009, este blogue criticou, de forma ineficaz como é costume, a inoperancia no combate ao nemátodo (verme microscópico) e a tentativa de ocultação da gravidade da praga pelo Ministério da Agricultura:
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2009/11/o-nematodo.html  .
Declarando a minha incompetencia para o combate, propus a criação de firmas a preços controlados para o combate (basicamente: corte e queima das árvores infetadas entre Novembro e Março, e instalação de armadilhas contra o inseto-vetor entre Abril e Outubro).
Evidentemente que, apesar de algumas melhorias no Ministério da Agricultura após a substituição do ministro, continuam as instancias governamentais a achar que não é preciso haver serviços de combate de fácil acessibilidade e com preços controlados.
Resultado: a Comissão Europeia ameaça impedir a exportação de mobiliário de pinho português para os paises da UE.
Desprezar a praga do nemátodo é assim uma política suicidária.
Continuarei a olhar para a carcaça do pinheiro apodrecido no terreno do meu vizinho, corretamente assinalado há mais de dez anos, mas que foi abandonado.
Não tenho moto-serra para ir lá cortá-lo, não vou queimá-lo porque não quero ser multado (é proibido fazer queimadas) e entre as minhas ignorancias conta-se o desconhecimento de como se fazem armadilhas com feronomas para o inseto-vetor.
Continuo a preferir que o Ministério da Agricultura (ou a Autoridade Florestal) elabore uma lista de firmas com preços controlados (ou crie serviços para isso).
Mas não interessa discutir estes assuntos na TV.
Claro que não interessa.
Se interessasse a política não era suicidária.
(ver tambem:


segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Um dia pacífico

Ontem, foi um dia pacífico.
Ninguém me acusou de estar a contribuir para a descida no rating do endividamento.
Ninguém me expôs ao escrutínio das entidades míticas que se entretêm com software de simulação de incumprimentos dos serviços de dívida, os tais mercados.
Antigamente ameaçava-se um cidadão com as penas eternas.
Acontecia qualquer coisa, e tinha sido porque as pessoas tinham desobedecido às normas.
Foi o caso do padre Malagrida, a responsabilizar o povo de Lisboa pelo terramoto de 1755.
Agora são os clientes da Worten, a endividarem-se para comprar os LCD, a protestar contra os cortes dos salários, a querer outro orçamento de Estado, a reivindicar os sacrifícios também para quem lucra com as transações na bolsa e com o negócio bancário, que são acusados de baixar o rating.
Uma pessoa respira e é logo acusada de baixar o rating.
Que coisa.
E se começássemos por reduzir a taxa de importação de alimentos, substituindo os alimentos importados por produção nacional?
Digo isto porque já se chegou à conlusão de que a política do ministério da agricultura do governo anterior estava essencialmente errada por falta de compreensão da realidade. Hoje é do domínio público que o nemátodo está prestes a atingir metade da floresta de pinheiro bravo. O que o ministro anterior dizia ser alarmismo.
Ah, é verdade, que tal começar a discutir essa coisa dos eurobonds?
Vá lá, não há nada como um bom debate alargado.
Mas sobre coisas que interessem, por favor.

http://fcsseratostenes.blogspot.com/search?q=nem%C3%A1todo

domingo, 15 de novembro de 2009

O nemátodo

Há 6 meses atrás, o senhor ministro da agricultura do governo do meu país desvalorizou o alerta duma associação do centro de Portugal, de que a praga do nemátodo do pinheiro estava a entrar na fase incontrolável.
Nos dias que correm, a mesma associação informa que a situação piorou e é necessário organizar esquemas eficazes de combate à praga.
O nemátodo é um verme microscópico e a doença propaga-se entre Abril e Outubro através de um insecto vector, o longicórneo, vagamente semelhante ao grilo.
A doença é lenta mas é sempre mortal.
A legislação em vigor, comodamente, atribui toda a responsabilidade pelas acções de combate aos proprietários.
De forma semelhante ao que faz com a limpeza dos matos.
Este espírito conduz à realidade actual: a praga saiu do controle e ameaça exterminar o pinheiro bravo.
No terreno ao lado do meu, o cadáver de um pinheiro, assinalado há 10 anos pelos serviços oficiais, já quebrado ao meio, apodrece de ano para ano, pasto do nemátodo.

Ignoro se o maldito insecto já propagou a doença a alguns pinheiros mansos do meu terreno.
Ignoro se o senhor ministro da agricultura do actual governo tem mais conhecimento desta realidade e dos meios de combate do que o seu antecessor.
Permito-me sugerir que a solução é indicar aos proprietários, nos quais me incluo, o endereço de firmas que, a preços controlados e limitados, por objectivo tabelado, combatam a praga, e que o montante dispendido pelos particulares seja deduzido ao rendimento colectável e passível de liquidação a prazo.
Não conheço nenhuma dessas firmas, o que não quer dizer que não existam.
Mas o facto de não conhecer indicia que o mercado da iniciativa privada não está a funcionar.
A teoria económica é muito clara: quando o mercado não está a funcionar e o interesse é colectivo, compete ao governo desencadear acções para responder a esse interesse.
Duvido muito que aceitem a minha sugestão, o que fortalece em mim a ideia de que a praga vai desenvolver-se ainda mais.
Se assim for, parafraseando o texto evangélico, temos de os perdoar, que não sabem o que fazem.
Maldito verme que corrompe os mecanismos de raciocínio da nossa espécie humana.