In time | Footprint |
In time é um filme dos USA de Andrew Niccol . Sem tempo, em Portugal | Footprint, pegada ecológica em português, é a procura de recursos naturais medida pela superfície de terra e mar necessárias para o sustento da pessoa, empresa ou país dessa pegada, e para absorver os resíduos e o CO2 por eles produzidos num ano. Biocapacity, ou oferta de recursos biológicos, varia todos os anos em função da gestão do território e do clima |
A ideia de partida do filme é a substituição da moeda por tempo. Geneticamente, toda a humanidade passou a dispor, à nascença, de 25 anos de vida. Ninguém envelhece. Deixou de existir a moeda. A remuneração do trabalho, ou o produto do roubo ou extorsão, passou a ser o tempo, cujas unidades são inseridas no relógio pessoal ao fim do dia de trabalho ou no ato do roubo. Morre-se quando o relógio fica a zeros. Uns têm muito tempo e vivem em zonas de luxo. Outros têm só o tempo para um dia, que têm de renovar no dia seguinte no local de trabalho, recebendo mais um dia e um tempo para aquisição de comida, e vivem em zonas pobres. | “É necessário ir alem do PIB como medida do progresso e desenvolver indicadores complementares que nos permitam compreender melhor as questões sociais e ambientais … se vamos mudar a maneira como as pessoas pensam o mundo em que vivem, então este é um trabalho coletivo que precisa de ser acelerado ." Stavros Dimas, Comissário europeu para o ambiente |
Como o tempo não é uniformemente distribuído, os acumuladores de tempo aumentam periodicamente o custo em tempo dos alimentos, dos bilhetes de autocarro, ou diminuem o numero de unidades de tempo com que remuneram os assalariados, para que a população das zonas pobres não se torne excessiva e para que as zonas de luxo possam sustentar-se e pagar os seus empréstimos. | A humanidade ultrapassou o orçamento dos recursos naturais disponíveis para cada ano e está agora a viver a crédito acumulado por empréstimo da oferta de anos futuros. Evolução da procura e oferta de recursos naturais em Portugal em ha/habitante: |
Nas zonas pobres há lojas de penhores e agencias de assistência social onde parcimoniosamente são concedidos empréstimos de tempo. Há fronteiras com barreiras com leitores de tempo entre as zonas. Uns acumulam tempo, outros não conseguem evitar que ele se esgote e morrem. O herói rebelde segue o formato estereotipado dos filmes norte-americanos: sozinho com a heroínas contra os guardiões do tempo e os acumuladores de tempo. | Por exemplo, se todos os cidadãos e cidadãs do planeta tivessem o nível de vida nos USA, o planeta precisaria de uma superfície 5 vezes maior. É mais um exemplo da desigualdade. A superfície necessária para sustentar a população dos USA (8 ha/habitante) é cerca de uma vez e meia a própria superfície. Para a China (2,2 ha/hab) – 3 vezes Para Portugal (4,5 ha/hab) -5 vezes |
Conseguem escapar, distribuem um milhão de anos pela população pobre e tornam-se numa versão futurista de Bonnie and Clyde. | É necessário alterar os padrões de comportamento e de consumo, reduzindo a pegada ecológica. Isso não se consegue só aumentando a eficiência. A crise económica e financeira é a outra face da crise ambiental. |
Pena o realizador não ter aprofundado, através de especialistas, as analogias com a economia politica real, em vez de ter dado preferencia aos aspetos lúdicos das perseguições de automóvel através de estradas em regiões desertificadas e desumanizadas. Continua-se assim a alimentar a ideia messiânica do herói voluntarista, em detrimento da disseminação consciente das razões das coisas. | Pena os especialistas ecológicos não relacionarem mais claramente as questões ecológicas com o rumo suicida da exploração da terra pela economia internacional sujeita aos acumuladores de capital. Continua-se assim a alimentar junto das populações a ideia mítica de que o interesse egoísta e a minimização do estado social trazem a felicidade a todos, quando só soluções coletivamente participadas poderão inverter o excesso de procura sobre a oferta. |
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terça-feira, 15 de novembro de 2011
In time, footprint
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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21:09
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quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Energis VI – A energia do hambúrguer e as bicicletas

Deu-se o caso que tive de investigar uns números para um powerpoint a apresentar na minha empresa (minha no sentido do outrem para quem trabalho, ou seja o que for que por este termo devamos entender, dentro ou fora da cobertura da definição já clássica de Gurvitch, de que o trabalho é toda a actividade consciente, penosa e útil).
Estava eu a magicar como comparar gastos específicos de energia de modos de transporte diferentes, e especialmente níveis de emissão de gases com efeito de estufa, assim como quem se prepara para submergir num plano estratégico de transportes para 12 anos, quando tropecei no cheeseburger.
O cheeseburger tem a grande vantagem de responder ao problema fundamental do homem, que é o de arranjar energia para alimentar a combustão dos seus tecidos (seus do homem), por exemplo às 2 ou 3 de uma madrugada em que a restante família esteja longe, em vilegiatura e a inspiração culinária tenha falhado à hora regimental.
Essa energia mede-se por 590 kilocalorias, ou, fazendo as contas ao equivalente, 680 Wh.
Por outras palavras, comendo um cheeseburguer, a nossa massa muscular permite-nos andar uns quilómetros sem emagrecer.
Como a energia que dissipamos a andar, sem entrar em apneia, para aí a 2,5 km/h, corresponde mais ou menos a uma lâmpada de 100 W, segue-se que um cheeseburguer dá para andarmos 680 Wh/100 W = 6,8 horas.
À velocidade referida, 2,5 km/h, foi combustível que deu para andarmos 17 km.
Nada mau.
E quem anda 17 km com 680 Wh anda 1 km com 40 Wh.
Até parece um problema de Fermi, guardando as respeitosas distâncias, claro.
(ver problemas de Fermi em:
http://www.cmpa.tche.br/educacional/secoes_ensino/site_sec_C/arquivos%20e%20Links/F%EDsica/textos_diversos_4.doc
http://algol.fis.uc.pt/quark/viewforum.php?f=14
http://es.wikipedia.org/wiki/Problema_de_Fermi)
E chegado a este ponto, fui comparar, que era para comparar modos de transporte que estava magicando, com o consumo específico do metropolitano, que é, considerando as energias consumidas na sua rede e nos seus edifícios, à volta de 120 Wh por passageiro.km.
Isto desta unidade passageiro.km, ou passageiro-km (não confundir com passageiro por km, ou passageiro/km) às vezes faz confusão mesmo.
120 Wh/pass.km significa que é preciso sacrificar 120 Wh de energia para transportar 1 passageiro durante 1 km.
Ou 2 passageiros durante meio km.
No fundo, quando se diz que o metro de Lisboa transporta por ano cerca de 800 milhões de passageiros.km, o que se está a dizer é que os percursos de todas as viagens realizadas por todos os passageiros durante o ano, alinhados um a seguir ao outro, somaram 800 milhões de km.
Melhor seria dizer então 800 milhões de viagens.km, mas passageiro.km é mais bonito e é esta a unidade em que se exprime o produto de uma empresa de transportes.
Também é preciso ter cuidado para não confundir passageiro.km com lugar.km.
É que aqui temos um dos grandes dramas da energia dos transportes: andar a passear lugares vazios.
A média em Portugal de passageiros por automóvel é de 1,2; na Finlandia é de 1,7.
A média de passageiros numa carruagem de metro é de 26 pessoas, quando ela tem capacidade para 130 com um mínimo de comodidade.
Estamos com problema de procura deste modo de transporte; as pessoas preferem andar de carro e deixá-lo em cima do passeio, a andar de metro.
Voltando ao cheeseburger, temos então que a energia para transportar um passageiro durante 1 km é de 40 Wh para o modo a pé e de 120 Wh para o modo metro.
Dir-se-ia que poderíamos evitar todos aqueles enormes investimentos para construir o metro se estimulássemos as deslocações a pé até ao local de trabalho.
Só que os 40 Wh são enganadores, porque para produzir o cheeseburger, até estar ao alcance da boca do consumidor, foi necessário consumir 5 vezes mais energia (fertilizantes, rações, abate e transporte da carne…), i.é, 200 Wh.
E assim se prova que a alimentação é uma forma deficitária de produzir energia (produzimos menos do que o que consumimos, ainda nos extinguimos, como dizia Malthus, se não ganhamos juízo, já que o desenvolvimento das tecnologias não dá cabo do fosso entre pobres e ricos, ver http://en.wikipedia.org/wiki/Malthusianism), nem sequer conseguimos ser mais eficientes a andar a pé.
Também é verdade que é preciso mais do que 120 Wh por passageiro.km para fazer andar o metro, porque também houve consumo da energia até ela própria entrar no metro e este também despende energia na construção, na manutenção, no aquecimento, e por aí fora. Por isso é melhor contar, enquanto não se conseguir encher mais lugares nas carruagens, com cerca de 140 Wh/passageiro.km .
Mas não nos vamos ainda embora e vejamos se podemos melhorar a eficiência dos transportes com a máquina de melhor rendimento do mundo: a bicicleta.
Imaginem que, andando sem apneia, para aí a 7 km/h durante as 6,8 horas que o nosso cheeseburguer nos concede, conseguimos fazer cerca de 14 Wh/passageiro.km .
O que é óptimo, se não pensarmos que, para transportar na hora de ponta 15.000 pessoas, que é um número comodamente atingível numa linha de metro, teríamos de encher uma avenida com 8 vias normais de largura (agora é vias que se diz, não é faixas) ao longo de 7 km, para a esvaziar dos 15.000 “clientes do sistema de transporte” numa hora.
Estou a dar 4m de distancia entre 2 bicicletas consecutivas, percorridos em 2 segundos à velocidade de 7 km/h, sendo que os 2 segundos são a distancia sagrada, ou de segurança, em tempo, entre 2 veículos na estrada (mensagem especialmente destinada aos adam smithistas das auto-estradas: a 144 km/h, a distancia de segurança para o carro da frente é 80m).
Mas aqueles 14 Wh/pass.km, como provêm do cheeseburguer, também têm de ser multiplicados por 5 para obter a energia necessária à produção e comercialização do cheeseburguer.
Dá então 70 Wh/passageiro.km de bicicleta.
Mas agora temos de entrar com os custos energéticos da construção e da manutenção das vias, das próprias bicicletas, vamos até 77 Wh/pass.km.
E agora ainda falta a cereja no cimo do bolo.
É que a energia tem um custo mensurável em gases com efeito de estufa (a celebradíssima pegada de carbono, ou pegada ecológica).
E enquanto os 140 Wh/pass.km do metro, graças à distribuição das origens das fontes de energia da EDP, emitem à volta de 400 gCO2/kWh, as pobres vacas dos hambúrgueres, graças à peculiaridade do seu sistema digestivo, contribuem para que o resultado final das emissões da energia do cheeseburguer seja de 1 kgCO2/kWh.
Ora bolas, pois para os fabricantes de hambúrgueres, por mais cómoda que seja a sua visita às 3 da madrugada: 1 passageiro.km de metro emite cerca de 64 gCO2, enquanto o ciclista, por km, emite cerca de 77 gCO2.
Será que os ecologistas que nos governam terão feito bem as contas, ao lançar, na verdadeira acepção da palavra lançar, a moda das ciclovias por tudo quanto é câmara municipal, agora que serenaram as febres das fontes cibernéticas e das rotundas acalmadoras do transito?
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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20:42
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