Não gosto da publicidade aos portugueses de sucesso.
Lembro-me sempre dos elogios dos senhores professores da instrução primária aos meninos que traziam umas redações muito bem feitas em casa.
Preferiria a divulgação do que os portugueses normais e médios poderiam fazer para melhorar o país, se deixassem uns e se preparassem outros para o fazer.
Também não gosto dos exemplos de sucesso que vêm de fora, muito seguros da sua superioridade.
Mas o exemplo da Irlanda é importante.
Refiro-me ao método eleitoral usado nas eleições presidenciais.
Foi utilizado o método preferencial, em que cada eleitor ordena os candidatos pela ordem decrescente de preferencia.
Assim se salvaguarda a vontade dos eleitores quando o seu candidato preferido não tem hipótese de vencer.
As regras eleitorais constituem um capítulo da matemática complexo e evoluido.
O teorema de Kenneth Arrow demonstra a impossibilidade de satisfação de todos os princípios eleitorais.
Isto para dizer que os fazedores de opinião portugueses ainda não analisaram bem os dados do problema, porque parece que continuam a defender a questão da governabilidade associada ao combate ao sistema proporcional, por exemplo, na questão dos círculos uninominais. Isto é, continuam a defender os princípios de governo de partido único, inspirados no "quem ficar em primeiro fica com tudo" norte-americano, que vem diretamente do século XVIII, antes dos trabalhos dos matemáticos Condorcet e Charles Bordas. No caso das presidenciais, ainda têm ainda muita dificuldade em aceitar o método preferencial adotado na Irlanda. Não foi o caso, mas o sistema preferencial permite, e é desejável, que um candidato que seja o segundo classificado quanto às primeiras escolhas, possa ser o candidato eleito. E evitam-se as segundas voltas.
Parafraseando Julio Dantas, como é diferente a compreensão matemática das regras eleitorais em Portugal.
Ver a problemática das regras eleitorais em:
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2009/08/homenagem-schulberg-e-governabilidade.html
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segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Eleições na Irlanda
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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02:05
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domingo, 8 de maio de 2011
E os ingleses votaram não no referendo
Este blogue ficou triste com o resultado do referendo. A Inglaterra vai continuar a permitir que um governo com 30% de eleitores tenha a maioria absoluta.
Tenho pena porque a Inglaterra é o país da Magna Carta - já que temos de ter um rei, que ele tenha limites, que os nossos (dos senhores feudais) limites háo-de aparecer depois com o tempo. Foi de facto difícil a imposição de limites aos senhores feudais de Inglaterra. A Republica de Cromwell não funcionou no século XVII, foi possível criar mecanismos de democratização apesar disso, mas ainda se mantêm privilégios dos tempos feudais (basta ver o nome da câmara dos lords - nascer-se lord está de acordo com as regras da égalité-liberté-frsternité?!).
Por isso havia um ténue esperança de que o referndo pelo voto alternativo ou preferencial fosse mais um passo no sentido da democratização. Talvez quem o promoveu (parte interessada, é certo, mas bem fundamentada) devesse ter dado um passo mais pequenino, ter-se limitado a propor o método de Hondt, a proporcionalidade à 25 de Abril.
Mas não sei, a sociedade anglo-saxónica está muito agarrada à tradição, apesar de Kenneth Arrow, o prémio Nobel da Economia que definiu os grandes teoremas a que se sujeitam as regras eleitorais, ser inglês.
Mais uma vez se vê que os eleitores não votam de acordo com as conquistas da matemática (o domínio das regras eleitorais é, de facto, matematicamente complexo).
Como dizia Agstinho da Silva (cito de cor), isso não significa ignorancia dos eleitores, porque às vezes a votação menos certa é a mais correta, desde que as pessoas sejam livres de pensar como bem entendem e de o exprimir. (Vá-se lá entender a lógica da natureza e da especie humana).
(ver a problemática das regras eleitorais em:
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2009/08/homenagem-schulberg-e-governabilidade.html )
Tenho pena porque a Inglaterra é o país da Magna Carta - já que temos de ter um rei, que ele tenha limites, que os nossos (dos senhores feudais) limites háo-de aparecer depois com o tempo. Foi de facto difícil a imposição de limites aos senhores feudais de Inglaterra. A Republica de Cromwell não funcionou no século XVII, foi possível criar mecanismos de democratização apesar disso, mas ainda se mantêm privilégios dos tempos feudais (basta ver o nome da câmara dos lords - nascer-se lord está de acordo com as regras da égalité-liberté-frsternité?!).
Por isso havia um ténue esperança de que o referndo pelo voto alternativo ou preferencial fosse mais um passo no sentido da democratização. Talvez quem o promoveu (parte interessada, é certo, mas bem fundamentada) devesse ter dado um passo mais pequenino, ter-se limitado a propor o método de Hondt, a proporcionalidade à 25 de Abril.
Mas não sei, a sociedade anglo-saxónica está muito agarrada à tradição, apesar de Kenneth Arrow, o prémio Nobel da Economia que definiu os grandes teoremas a que se sujeitam as regras eleitorais, ser inglês.
Mais uma vez se vê que os eleitores não votam de acordo com as conquistas da matemática (o domínio das regras eleitorais é, de facto, matematicamente complexo).
Como dizia Agstinho da Silva (cito de cor), isso não significa ignorancia dos eleitores, porque às vezes a votação menos certa é a mais correta, desde que as pessoas sejam livres de pensar como bem entendem e de o exprimir. (Vá-se lá entender a lógica da natureza e da especie humana).
(ver a problemática das regras eleitorais em:
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2009/08/homenagem-schulberg-e-governabilidade.html )
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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19:54
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quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Nando e Beto, ou das vantagens em deixarmos as regras eleitorais como estão
Nando ficou muito contente consigo próprio quando foi eleito presidente da sociedade Sabedoria das Multidões - Produtora Lírica de Ilusões.
Os accionistas votaram inequivocamente nele, apesar de a imprensa sensacionalista ter contado umas histórias duvidosas da sua vida privada.
Nando desempenhou muito bem o seu papel de vítima perseguida e exposta nas bocas grandes do mundo e, como ele próprio dizia, com muito talento, convenceu os accionistas.
Porém, os mesmos accionistas, fazendo jus ao nome da sociedade na parte que diz “Sabedoria das Multidões”, e respeitando religiosamente as regras eleitorais em vigor na sociedade, arranjaram maneira de eleger para o Conselho de Fiscalização um número de delegados não afectos a Nando superior ao número de delegados seguidores incondicionais de Nando.
E isso era o que toldava a felicidade de Nando.
Isso e a diminuição dos resultados das vendas das ilusões produzidas pela sociedade; mas desta matéria se ocupava o tesoureiro, técnico contabilista reputadissimo.
Beto também ficou eufórico quando chegou a vez dele e os accionistas da sociedade Os Desunidos da Beira-Rio, uma empresa de lazer e de contentores ligada à exploração marítima e fluvial, pertencente ao grupo-holding da Sabedoria das Multidões - Produtora Lírica de Ilusões, o elegeram presidente da “Desunidos”.
E no calor da vitória, Beto proclamou que quem não pensava como ele tinha perdido.
Ter-se-á Beto precipitado ao fazer tal afirmação, já de si perigosa porque radica nas ideias mazdaistas do Bem e do Mal do século VII antes de Cristo.
Porque os accionistas da “Desunidos” fizeram como os accionistas da “Produtora Lírica”, e elegeram para o Conselho de Fiscalização mais delegados não afectos a Beto, do que delegados seguidores incondicionais de Beto.
Beto empalideceu quando lhe foram dizer que não iria poder fazer aprovar as grandes opções estratégicas da “Desunidos” sem introduzir correcções que os delegados não afectos, representando a vontade dos accionistas que os elegeram, acharem por bem propor.
É natural que haja sempre correcções a propor num grande projecto, uma vez que muitos pares de olhos vêm melhor do que poucos pares de olhos, e nenhum par de olhos vê melhor do que um conjunto alargado de pares de olhos.
É uma lei da psico-sociologia, que se há-de fazer; embora Beto, mal aconselhado, considere infalíveis as suas equipas técnicas; mas só quando concorda com elas.
Beto recompôs-se, recuperou as cores e a calma e retomou com Nando uma velha e perigosa ideia: reformular as regras eleitorais.
Na realidade, por um feliz acaso (serendipity?), as regras eleitorais das empresas do grupo “Sabedoria das Multidões” estão muito bem feitas e permitem aos accionistas minoritários fazer ouvir a sua voz nas assembleias do Conselho de Fiscalização, como factor de contra-poder das estratégias maioritárias.
Nem todas as empresas são assim, havendo assembleias eleitorais em que um accionista poderoso, por ter a maioria das acções, consegue o poder absoluto, sem oposição e sem representação dos accionistas minoritários, na presidência executiva e no Conselho de Fiscalização.
A Humanidade já passou por essa fase no século XVIII, no tempo da delegação divina do poder na monarquia absoluta e o próprio sistema uninominal das eleições presidenciais dos estados unidos da América do Norte é uma sobrevivência desses tempos.
Mas as técnicas de gestão e as leis da matemática entretanto desenvolvidas permitiram regras eleitorais como as que vigoram no grupo “Sabedoria das Multidões”.
Nando e Beto vociferam que assim não há condições para governar as empresas (na realidade, para as governarem só como eles querem, não) e tentam convencer os accionistas a autorizar a mudança das regras.
Mas os accionistas são sábios e não irão nisso.
Assim o espero.
Os accionistas votaram inequivocamente nele, apesar de a imprensa sensacionalista ter contado umas histórias duvidosas da sua vida privada.
Nando desempenhou muito bem o seu papel de vítima perseguida e exposta nas bocas grandes do mundo e, como ele próprio dizia, com muito talento, convenceu os accionistas.
Porém, os mesmos accionistas, fazendo jus ao nome da sociedade na parte que diz “Sabedoria das Multidões”, e respeitando religiosamente as regras eleitorais em vigor na sociedade, arranjaram maneira de eleger para o Conselho de Fiscalização um número de delegados não afectos a Nando superior ao número de delegados seguidores incondicionais de Nando.
E isso era o que toldava a felicidade de Nando.
Isso e a diminuição dos resultados das vendas das ilusões produzidas pela sociedade; mas desta matéria se ocupava o tesoureiro, técnico contabilista reputadissimo.
Beto também ficou eufórico quando chegou a vez dele e os accionistas da sociedade Os Desunidos da Beira-Rio, uma empresa de lazer e de contentores ligada à exploração marítima e fluvial, pertencente ao grupo-holding da Sabedoria das Multidões - Produtora Lírica de Ilusões, o elegeram presidente da “Desunidos”.
E no calor da vitória, Beto proclamou que quem não pensava como ele tinha perdido.
Ter-se-á Beto precipitado ao fazer tal afirmação, já de si perigosa porque radica nas ideias mazdaistas do Bem e do Mal do século VII antes de Cristo.
Porque os accionistas da “Desunidos” fizeram como os accionistas da “Produtora Lírica”, e elegeram para o Conselho de Fiscalização mais delegados não afectos a Beto, do que delegados seguidores incondicionais de Beto.
Beto empalideceu quando lhe foram dizer que não iria poder fazer aprovar as grandes opções estratégicas da “Desunidos” sem introduzir correcções que os delegados não afectos, representando a vontade dos accionistas que os elegeram, acharem por bem propor.
É natural que haja sempre correcções a propor num grande projecto, uma vez que muitos pares de olhos vêm melhor do que poucos pares de olhos, e nenhum par de olhos vê melhor do que um conjunto alargado de pares de olhos.
É uma lei da psico-sociologia, que se há-de fazer; embora Beto, mal aconselhado, considere infalíveis as suas equipas técnicas; mas só quando concorda com elas.
Beto recompôs-se, recuperou as cores e a calma e retomou com Nando uma velha e perigosa ideia: reformular as regras eleitorais.
Na realidade, por um feliz acaso (serendipity?), as regras eleitorais das empresas do grupo “Sabedoria das Multidões” estão muito bem feitas e permitem aos accionistas minoritários fazer ouvir a sua voz nas assembleias do Conselho de Fiscalização, como factor de contra-poder das estratégias maioritárias.
Nem todas as empresas são assim, havendo assembleias eleitorais em que um accionista poderoso, por ter a maioria das acções, consegue o poder absoluto, sem oposição e sem representação dos accionistas minoritários, na presidência executiva e no Conselho de Fiscalização.
A Humanidade já passou por essa fase no século XVIII, no tempo da delegação divina do poder na monarquia absoluta e o próprio sistema uninominal das eleições presidenciais dos estados unidos da América do Norte é uma sobrevivência desses tempos.
Mas as técnicas de gestão e as leis da matemática entretanto desenvolvidas permitiram regras eleitorais como as que vigoram no grupo “Sabedoria das Multidões”.
Nando e Beto vociferam que assim não há condições para governar as empresas (na realidade, para as governarem só como eles querem, não) e tentam convencer os accionistas a autorizar a mudança das regras.
Mas os accionistas são sábios e não irão nisso.
Assim o espero.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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10:32
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