Quando eu era menino, houve alguns jovens de uma família do Porto, conhecida pela sua atividade comercial na esfera da cultura, que fizeram uma aposta.
Uns seguiriam no Foguete, que era o rápido Porto-Lisboa, um turbo-trem Fiat, e outros no recém adquirido Ford Edsel.
A aposta era o desafio de quem chegaria primeiro.
Não havia autoestradas, nem sequer a variante de Rio Maior.
A estrada passava por Alcobaça e bordejava por São Martinho do Porto antes de atravessar Alfeizerão.
À saída de São Martinho, numa curva difícil que quase fazia 360º, o jovem condutor do Ford Edsel não conseguiu segurar o carro e os dois ocupantes morreram no canavial, o carro meio submerso na ribeira.
Recordo este episódio triste, que infelizmente é apenas um entre muitos que guardo na memória daquela estrada de terror, por ter presenciado na televisão o anúncio de uma marca alemã de automóveis.
O jovem diz para a rapariga que pelo ferry demorariam menos de uma hora, e a rapariga diz, aceito o desafio, olha para o relógio e correm para o automóvel, que por sinal anuncia fraudulentamente (não, não é um Volkswagen) consumos de 4 l/100km, e lançam-se na corrida.
É um apelo ao risco na estrada.
Não defendo a censura, mas a autoridade de segurança rodoviária podia ter uma autorização legislativa para cobrar o dobro do custo da publicidade e para gratuitamente obrigar o operador televisivo a afixar, imediatamente a seguir ao anúncio, e com a mesma duração, o seguinte aviso: o anúncio anterior foi feito por irresponsáveis, não tente fazer o mesmo.
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sexta-feira, 27 de novembro de 2015
Sinistralidade rodoviária e publicidade
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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domingo, 19 de junho de 2011
O News of the World, o PIB das cabeleireiras, a imprescindibilidade e a insolencia
Com a devida vénia ao Noticias Magazine do DN de 19 de junho de 2011, um dia depois da grande manifestação da empresa retalhista de Belmiro de Azevedo na Avenida da Liberdade em Lisboa, junto este ramalhete de 4 entidades mais ou menos abstratas.
1 - News of the World - o seu editor chefe, Andy Oulson, foi nomeado pelo primeiro ministro David Cameron como seu diretor de comunicação. Veio a provar-se que o seu jornal tinha feito escutas e devassas ilegais da vida privada de vários cidadãos e cidadãs. O primeiro ministro demitiu o seu diretor de comunicação. Mas o mal estava feito. Quando o poder político chama a si "democratas" deste tipo, é legítimo a um cidadão desconfiar do poder político, mesmo que este primeiro ministro tenha obtido a maioria dos votos. Como diz o provérbio, "diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és" (até pode ser que se diga que a pessoa é muito ingénua, por acreditar nos outros e por acreditar nos dogmas da sua ideologia)
2 - O PIB das cabeleireiras. A jornalista muito admirativa porque duas imigrantes brasileiras abriram um cabeleireiro nas avenidas novas e trabalham aos feriados e fins de semana até às 9 da noite, a contrastar com os preguiçosos dos portugueses. Tem uma certa razão, mas não é só o PIB das cabeleireiras que aumenta, é o PNB brasileiro que aumenta e o PNB português que baixa. A jornalista deverá saber que os portugueses tambem trabalham assim nos outros paises, e que as inovações tecnológicas e as novas técnicas de gestão permitiriam produzir o suficiente para porder gozar-se até mais feriados. Permitiriam, se a estrutura politica, económica e financeira fosse outra, entendendo aqui estrutura, não no sentido marxista, para não chocar ninguém, mas no sentido de forma de organização e de utilização da tecnologia (por exemplo, se a tecnologia é utilizada para fabricar drones, as mais valias resultantes irão faltar, de acordo com o principio da conservação da matéria e energia, para a produção de bens essenciais; isto para não falar na criação virtual de mais valias através das especulações e empréstimos bolsistas). Ah, é verdade, seria bom tambem a senhora jornalista corrigir o complexo merkeliano, é que na Alemanha há mais feriados (vêem como é verdade? tudo depende da forma como a tecnologia é utilizada, com mais ou menos produtividade e rendimento de utilidade do produto)
3 - a imprescindibilidade. A revista entrevista finalistas jovens promissores. Um deles afirma: o segredo é tornar-nos imprescindíveis. Recordo a minha vida profissional. Eu pensava que ninguem é imprescindível pela simples razão de que todos somos necessários apenas por sermos espécie humana, mesmo que estejamos estendidos num quarto de doentes terminais. "De cada um segundo as suas possibilidades, a cada um segundo as suas necessidades" (Lenine, parafraseando Adam Smith). Mas os jovens lobos querem tornar-se imprescindíveis. No meu tempo chamava-se a isso querer ter coisas na manga para poder pedir aumentos. Está bem, percorra a via da imprescindibilidade, mas deixe as pessoas comuns organizarem-se, como dizia o outro, porque a falta de organização é um dos grandes problemas deste país e, pelos vistos, dos outros.
4 - A insolencia. Mais um anuncio de um novo modelo de automóvel. Na parede por trás do carro ppode ler-se: Insolencia, um defeito magnífico. A mensagem subliminar é que o carro e a forma como pode ser conduzido é insolente e isso é um sinal distintivo. Por Mercurio, o santo padroeiro do que mexe, entrámos em alta velocidade nos domínios da irresponsabilidade, neste país com uma taxa de sinistralidade rodoviária tão elevada...
1 - News of the World - o seu editor chefe, Andy Oulson, foi nomeado pelo primeiro ministro David Cameron como seu diretor de comunicação. Veio a provar-se que o seu jornal tinha feito escutas e devassas ilegais da vida privada de vários cidadãos e cidadãs. O primeiro ministro demitiu o seu diretor de comunicação. Mas o mal estava feito. Quando o poder político chama a si "democratas" deste tipo, é legítimo a um cidadão desconfiar do poder político, mesmo que este primeiro ministro tenha obtido a maioria dos votos. Como diz o provérbio, "diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és" (até pode ser que se diga que a pessoa é muito ingénua, por acreditar nos outros e por acreditar nos dogmas da sua ideologia)
2 - O PIB das cabeleireiras. A jornalista muito admirativa porque duas imigrantes brasileiras abriram um cabeleireiro nas avenidas novas e trabalham aos feriados e fins de semana até às 9 da noite, a contrastar com os preguiçosos dos portugueses. Tem uma certa razão, mas não é só o PIB das cabeleireiras que aumenta, é o PNB brasileiro que aumenta e o PNB português que baixa. A jornalista deverá saber que os portugueses tambem trabalham assim nos outros paises, e que as inovações tecnológicas e as novas técnicas de gestão permitiriam produzir o suficiente para porder gozar-se até mais feriados. Permitiriam, se a estrutura politica, económica e financeira fosse outra, entendendo aqui estrutura, não no sentido marxista, para não chocar ninguém, mas no sentido de forma de organização e de utilização da tecnologia (por exemplo, se a tecnologia é utilizada para fabricar drones, as mais valias resultantes irão faltar, de acordo com o principio da conservação da matéria e energia, para a produção de bens essenciais; isto para não falar na criação virtual de mais valias através das especulações e empréstimos bolsistas). Ah, é verdade, seria bom tambem a senhora jornalista corrigir o complexo merkeliano, é que na Alemanha há mais feriados (vêem como é verdade? tudo depende da forma como a tecnologia é utilizada, com mais ou menos produtividade e rendimento de utilidade do produto)
3 - a imprescindibilidade. A revista entrevista finalistas jovens promissores. Um deles afirma: o segredo é tornar-nos imprescindíveis. Recordo a minha vida profissional. Eu pensava que ninguem é imprescindível pela simples razão de que todos somos necessários apenas por sermos espécie humana, mesmo que estejamos estendidos num quarto de doentes terminais. "De cada um segundo as suas possibilidades, a cada um segundo as suas necessidades" (Lenine, parafraseando Adam Smith). Mas os jovens lobos querem tornar-se imprescindíveis. No meu tempo chamava-se a isso querer ter coisas na manga para poder pedir aumentos. Está bem, percorra a via da imprescindibilidade, mas deixe as pessoas comuns organizarem-se, como dizia o outro, porque a falta de organização é um dos grandes problemas deste país e, pelos vistos, dos outros.
4 - A insolencia. Mais um anuncio de um novo modelo de automóvel. Na parede por trás do carro ppode ler-se: Insolencia, um defeito magnífico. A mensagem subliminar é que o carro e a forma como pode ser conduzido é insolente e isso é um sinal distintivo. Por Mercurio, o santo padroeiro do que mexe, entrámos em alta velocidade nos domínios da irresponsabilidade, neste país com uma taxa de sinistralidade rodoviária tão elevada...
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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