O professor de economia que escreve na revista semanal do DN reafirma que vivemos num sistema de reforma do tipo pay and go, isto é, os descontos dos ativos pagam as reformas dos reformados, e termina a sua crónica assim: se os jovens no futuro se recusarem a pagar a reforma dos seniores, quem os condenará por isso?
Pode ser uma interpretação do choro dos Deolinda, quando dizem que "esta situação dura há tempo demais" (parece-me a música melhor que a letra).
Vou ter de me lamentar, daí o choro no título.
Lembro-me do filme de Chabrol, em 1974, para uma série televisiva de históras insólitas: Les gens de l'été - as pessoas do Verão, sobre uma história de Shirley Jackson.
Um casal de reformados há anos que passava o verão numa pequena povoação, idílica e campestre, do Puy de Dôme. Naquele fim de verão deixaram-se ficar. Os aristocratas da terra já tinham dado a festa de despedida e já tinham regressado a Paris. O dono do minimercado, que tinha sido tão simpático a ajudar a pôr a garrafa de gás no porta bagagens, no dia seguinte insinuou que estariam melhor em Paris do que ali. Os habitantes da terra consideravam que já tinham feito sua obrigação durante todo o verão a atender com gentileza os burgueses de Paris; já tinham merecido assim o dinheiro que eles deixavam. Os velhos que se fossem, portanto. Mas de Paris a filha responde pelo telefone que se deixem estar, como quem diz que têm muito que fazer e não lhes podem dar atenção. Chabrol mostra os olhares impacientes dos habitantes, sempre a interrogar, quando se vão embora, e o desespero dos velhos que decidem deixar a garrafa de gás aberta.
Uma solução à Stefan Zweig, só que este deixou escrito que se suicidava, em 1942, por não ter forças para combater a barbárie do nazismo, a oficialização de que uns são diferentes de outros, mas que tinha confiança nos jovens para que fossem eles a fazer esse combate.
Nos tempos que correm acha-se natural, pelo menos o professor de economia achou, que os jovens deixem de pagar as reformas dos velhos.
Mas não penso numa solução tão radical por tal razão, tipo balada de Narayama.
Pensemos um pouco, e uma nova geração tão bem preparada certamente que compreenderá este raciocínio.
Na década de 70 do século passado havia, suponhamos, 3 ativos a pagar a reforma de 1 reformado, aliás pequena, a reforma.
Agora, nos anos 10 deste século, há 1 ativo a pagar a reforma de 1 reformado.
Deixemos de lado esta verificação tão simples: foram os seniores que contribuiram para tão elevados níveis de desemprego e para tão reduzidas taxas de natalidade? foram os seniores que levantaram obstáculos à plen integração do simigrantes, especialmente dos mais qualificados? Ou estamos a ser vítimas dos especuladores internacionais do género do Lehman Bros ?
Vejamos antes: houve mais 2 ativos, para alem de mim, que nos anos 70 pagaram a 1 reformado. Quer dizer que não foi preciso tudo o que eu descontei para sustentar o referido reformado, que por sua vez também tinha descontado na sua vida ativa. Sobrou dinheiro. Eu ingenuamente pensava eu que os meus descontos tinham servido para investir e para obter rendimento, que as reformas não vinham só dos descontos dos ativos num dado instante.
Terá razão o professor de economia?
Por essa ordem de razões, a que departamento do ministério das Finanças devo dirigir-me para reclamar o diferencial entre o que me pagariam no mercado de trabalho da altura e o que me pagaram durante os três anos de serviço militar obrigatório? E a dívida para os que não tiveram a minha sorte e estiveram mesmo no teatro da guerra colonial? E a dívida para as famílias dos que morreram nessa guerra ainda mais estúpida do que as outras?
Mas não vale a pena discutir, porque não dispomos de dados completos.
Valia mais a pena aplicar o artigo 22 da Declaração Universal dos Direitos Humanos:
"Toda a pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social; e pode legitimamente exigir a satisfação dos direitos económicos, sociais e culturais indispensáveis, graças ao esforço nacional e à cooperação internacional, de harmonia com a organização e os recursos de cada país."
Mas como vão dizer que o país não tem dinheiro para satisfazer este artigo, vamos esperar o próximo movimento da geração Deolinda. No fundo, o lugar-comum continua válido: o futuro pertence-lhes.
Nota: segundo os meus recibos durante a vida ativa profissional, a taxa social dos meus descontos foi, durante grande parte do tempo, 35% do salário bruto.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
O choro dos Deolinda III, o professor de economia, e o meu choro
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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domingo, 20 de fevereiro de 2011
O tunel do Marão
A cidade estado de Singapura ainda tem um território adjacente com alguns quilómetros quadrados.
Graças ao florescimento da economia, foi possível construir na região uma rede de auto-estradas e de vias férreas rápidas.
Confirmando o aforismo que só os ricos podem poupar, a engenharia singapurense desenvolveu um método de construção simultanea das auto-estradas e das vis férreas de modo a reduzir os custos.
Também na China, há vários anos, a engenharia chinesa explicou aos decisores a problemática da energia dos transportes, e por isso foi lançada a construção de uma extensa rede ferroviária (o critério básico é que o atrito da roda de ferro contra ferro é menor do que o atrito da roda de borracha contra o asfalto, donde o consumo específico de um veículo ferroviário ser muito menor do que o de um veículo rodoviário; quando há grandes quantidades de carga a transportar, isso é decisivo). Foi desenvolvido um processo de construção pré-fabricada de viadutos, por módulos, com instalação mecanizada, mais rápida e económica do que a construção tradicional por aterro.
Lembrei-me disto quando vi a reportagem da visita do governo às obras do túnel do Marão.
Tiro o chapéu aos técnicos que o projetaram e executaram, mas ... não explicam aos decisores a componente física da questão?
Estudaram física, que estava no currículo do curso... ou será a dura realidade da economia a fazer com que deixem a física na sombra.
Mais além do Marão, Bragança não tem uma ligação ferroviária de características modernas (também já não tem a linha do Tua, de características obsoletas mas a preservar pelo seu valor de arqueologia industrial e turístico).
O distrito de Bragança perdeu em 20 anos 30% da população.
É uma enormidade.
A falta de comunicações racionais não é uma causa, mas é mais um sintoma da doença que levou à perda de cidadãos e cidadãs.
A reporter disse que para lá do Marão mandam os que lá estão, e logo a seguir o chefe do governo disse que com o tunel irá deixar de ser assim porque são vencidas as dificuldades de comunicação.
Sim, com uma rede de auto-estradas, num país com o maior indicador de quilómetros de auto-estrada por habitante, só igualado pela Austria.
É pena o túnel do Marão não ter uma valência ferroviária, porque assim um país sem dinheiro não pode poupar na exploração das suas vias de comunicação, a menos que queira que Trás os Montes viva eternamente a sua desertificação em apagada e vil tristeza.
Graças ao florescimento da economia, foi possível construir na região uma rede de auto-estradas e de vias férreas rápidas.
Confirmando o aforismo que só os ricos podem poupar, a engenharia singapurense desenvolveu um método de construção simultanea das auto-estradas e das vis férreas de modo a reduzir os custos.
Também na China, há vários anos, a engenharia chinesa explicou aos decisores a problemática da energia dos transportes, e por isso foi lançada a construção de uma extensa rede ferroviária (o critério básico é que o atrito da roda de ferro contra ferro é menor do que o atrito da roda de borracha contra o asfalto, donde o consumo específico de um veículo ferroviário ser muito menor do que o de um veículo rodoviário; quando há grandes quantidades de carga a transportar, isso é decisivo). Foi desenvolvido um processo de construção pré-fabricada de viadutos, por módulos, com instalação mecanizada, mais rápida e económica do que a construção tradicional por aterro.
Lembrei-me disto quando vi a reportagem da visita do governo às obras do túnel do Marão.
Tiro o chapéu aos técnicos que o projetaram e executaram, mas ... não explicam aos decisores a componente física da questão?
Estudaram física, que estava no currículo do curso... ou será a dura realidade da economia a fazer com que deixem a física na sombra.
Mais além do Marão, Bragança não tem uma ligação ferroviária de características modernas (também já não tem a linha do Tua, de características obsoletas mas a preservar pelo seu valor de arqueologia industrial e turístico).
O distrito de Bragança perdeu em 20 anos 30% da população.
É uma enormidade.
A falta de comunicações racionais não é uma causa, mas é mais um sintoma da doença que levou à perda de cidadãos e cidadãs.
A reporter disse que para lá do Marão mandam os que lá estão, e logo a seguir o chefe do governo disse que com o tunel irá deixar de ser assim porque são vencidas as dificuldades de comunicação.
Sim, com uma rede de auto-estradas, num país com o maior indicador de quilómetros de auto-estrada por habitante, só igualado pela Austria.
É pena o túnel do Marão não ter uma valência ferroviária, porque assim um país sem dinheiro não pode poupar na exploração das suas vias de comunicação, a menos que queira que Trás os Montes viva eternamente a sua desertificação em apagada e vil tristeza.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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O afrodisíaco
Nota: Este post contem afirmações que podem ser consideradas escandalosas por leitores ou leitoras de sensibilidade mais delicada, aos quais se recomenda que não leiam o que se segue
Este blogue não consegue sincronizar-se com o fluir rápido das notícias e das efemérides.
De modo que só agora, dia 20, reparou numa citação de Henry Kissinger num artigo sobre S.Valentim.
Que o poder é o maior afrodisíaco.
Nunca estou de acordo com Henry Kissinger, o tal que ralhou com o coronel Melo Antunes antes do 25 de Novembro por causa dos comunistas no poder.
Salvo melhor opinião, e com base na evolução da bio-química, para deter o poder político é necessária uma dose elevada de serotonina e de outros agentes neuro-transmissores colinérgicos.
São estes neuro-transmissores que permitem a estabilidade de desempenho dos políticos que dominam os mecanismos do poder.
Mas, em contrapartida, contraem os músculos de forma que impedem o afluxo do sangue aos corpos cavernosos responsáveis pela ereção.
Por isso se diz aos políticos,aos generais, aos dirigentes empresariais: Relax, Make love, not war.
Por isso não queiram os políticos enganar o seu povo.
Não é o poder que é afrodisíaco.
O que o poder faz é estimular, através dos neuro-transmissores, uma produção exagerada de dopamina que vai excitar os centros cerebrais do prazer, quando o detentor do poder impõe o seu parecer a quem não o tem.
Nesta perspetiva, o simples facto de um cidadão ou cidadã manifestar uma opinião contraria ao poder dominante é motivo para quem o detem antecipar o prazer de dizer não. Viciaram-se na dopamina, não sabem resistir-lhe.
Por isso o detentor do poder acha que ele é afrodisíaco.
Não é. Apenas produz a mesma dopamina que os afrodisíacos.
Assim se compreende a afirmação que o poder corrompe quem o exerce, no governo, na guerra, nas empresas.
Ficaram na história os tratamentos para a virilidade, perfeitamente ingénuos e inúteis, a que Napoleão se submeteu.
Por isso não devia haver dirigentes ditatoriais; deviam repartir o poder, debater de forma aberta as possíveis soluções, relaxar, ser mais humanos...
no seu próprio interesse, deviam ouvir os cidadãos e cidadãs.
Este blogue não consegue sincronizar-se com o fluir rápido das notícias e das efemérides.
De modo que só agora, dia 20, reparou numa citação de Henry Kissinger num artigo sobre S.Valentim.
Que o poder é o maior afrodisíaco.
Nunca estou de acordo com Henry Kissinger, o tal que ralhou com o coronel Melo Antunes antes do 25 de Novembro por causa dos comunistas no poder.
Salvo melhor opinião, e com base na evolução da bio-química, para deter o poder político é necessária uma dose elevada de serotonina e de outros agentes neuro-transmissores colinérgicos.
São estes neuro-transmissores que permitem a estabilidade de desempenho dos políticos que dominam os mecanismos do poder.
Mas, em contrapartida, contraem os músculos de forma que impedem o afluxo do sangue aos corpos cavernosos responsáveis pela ereção.
Por isso se diz aos políticos,aos generais, aos dirigentes empresariais: Relax, Make love, not war.
Por isso não queiram os políticos enganar o seu povo.
Não é o poder que é afrodisíaco.
O que o poder faz é estimular, através dos neuro-transmissores, uma produção exagerada de dopamina que vai excitar os centros cerebrais do prazer, quando o detentor do poder impõe o seu parecer a quem não o tem.
Nesta perspetiva, o simples facto de um cidadão ou cidadã manifestar uma opinião contraria ao poder dominante é motivo para quem o detem antecipar o prazer de dizer não. Viciaram-se na dopamina, não sabem resistir-lhe.
Por isso o detentor do poder acha que ele é afrodisíaco.
Não é. Apenas produz a mesma dopamina que os afrodisíacos.
Assim se compreende a afirmação que o poder corrompe quem o exerce, no governo, na guerra, nas empresas.
Ficaram na história os tratamentos para a virilidade, perfeitamente ingénuos e inúteis, a que Napoleão se submeteu.
Por isso não devia haver dirigentes ditatoriais; deviam repartir o poder, debater de forma aberta as possíveis soluções, relaxar, ser mais humanos...
no seu próprio interesse, deviam ouvir os cidadãos e cidadãs.
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sábado, 19 de fevereiro de 2011
Tua, Tua
viaduto e tunel das presas,
Hoje, dia 18 de Fevereiro de 2011, é um dia importante por marcar a irreversibilidade de uma decisão, sem que a inteligência e a inventiva tivessem encontrado uma solução melhor.
Não consensual porque consensual significa sempre o predomínio da força sobre a análise racional dos dados (nós em Portugal , ou os nossos representantes ou delegados, até privilegiamos a ausencia de dados fiáveis para sobre eles argumentar).
Mas uma solução em que as populações de Trás os Montes e os técnicos projetistas se pudessem rever por servir o património, as comunidades locais e por as necessidades energéticas do país saírem consideradas.
Não foi assim.
Com base em estudos, aliás excelentes do pontode vista técnico, da COBA, Procesl e Profico, escolheram, os detentores do poder, a alternativa da cota de 170 metros para o nível máxino das águas da albufeira, depois de estudar alternativas de 210, 200, 195 e 180m.
A solução de 170m implica o alagamento da linha férrea numa extensão de cerca de 20 km.
Será viável a exploração entre Brunheda (a 20 km da foz do Tua), ou mesmo S.Lourenço (a 14 km da foz do Tua) e Mirandela (a 51 km da foz do Tua), numa extensão de cerca de 30 km ou 36 km.
Estão previsto 35 milhões de euros para meios de transporte complementares para fazer o by-pass aos troços subersos da via férrea.
A cota no ponto previsto para a barragem, a cerca de 1 km da foz do Tua, é de cerca de 100m mas a restituição da água é feita no Douro a jusante da foz do Tua, à de 75m.
A linha férrea é uma notável obra da engenharia do século XIX, o que, aliado ao elevado interesse turístico, permite classificá-la como um património de arqueologia industrial a respeitar.
Apesar de tudo, se a cota máxima de 170m vier a ser respeitada na construção da barragem, os decisores escolheram uma solução menos agressiva do que as alternativas de cota mais elevada.
Não podemos acusá-los de não terem usado alguma contenção e tentado minimizar os danos (se efetivamente respeitarem a cota de 170m).
Mas dispensava-se a sobranceria do primeiro-ministro e do presidente da EDP quando dizem que não havia outras soluções (correndo assim o risco de que os considerem inseguros, visto que uma das características freudianas dos inseguros é terem muitas certezas... o que vale é que os inseguros têm a certeza de que Freud não lhes é aplicável).
Lamenta-se que não tenha sido estudada com profundidade a solução dos 160m.
Que obviamente produziria menos energia por ano e teria menos capacidade de armazenamento da energia eólica por bombagem.
Mas esse seria o preço da preservação do património, quando se dá valor ao património.
Recordo que a potencia que se pode produzir com uma barragem é proporcional ao caudal garantido (cerca de 300 m3/s de valor máximo no inverno) e à queda util média (cerca de 80m).
Um dos objetivos da barragem do Tua é, complementarmente, ter capacidade de armazenamento para absorver variações de caudais e para, através de bombagem, armazenar a energia produzida pelas eólicas que de outra forma se perderia.
Do ponto de vista energético a solução 160m é evidentemente pior, obrigando a mais trabalho de bombagem devido à menor capacidade de armazenamento.
Estima-se uma potencia instalada de 220 MW (no caso da solução 170m será de 250 MW) e uma produção anual de 260 GWh (milhões de kWh).
Seria uma central hidro-elétrica praticamente de fio de água, como o Picote, por exemplo.
Poupança na importação de gás natural ( 1m3 produz 4kWh) para a mesma energia produzida com a barragem:
sol.160m...........65 milhões de m3
sol.170m...........75 milhões de m3
sol.200m...........88 milhões de m3
Ou poderiamos prescindir de mais volume de armazenamento e reduzir o comprimento da albufeira.
Para isso, a barragem (seria interessante, muito interessante mesmo, reparar que a localização escolhida pra a barragem está DEMASIADAMENTE próxima da região do Douro vinhateiro) poderia deslocar-se para montante até 6 km da foz, para salvar um dos troços mais pitorescos do vale do Tua, e o comprimento da albufeira segundo o nível de 160m seria apenas de 5km, permitindo a exploração ferroviária entre Tua (km 0) e Castanheiro (6km) e entre Santa Luzia (km 11) e Mirandela.
Sacrificar-se-ia assim apenas 5km da via férreacom a solução 160m.
Como plano para o futuro, uma vez que serão insuficientes os 35 milhões de euros disponibilizados para substituição da ligação ferroviária no troço inundado, propor-se-ia um caminho de ferro de cremalheira como by-pass do troço de via a submergir (entre o km 6 e o km 11) entre os apeadeiros Castanheiro e Santa Luzia, passando pelas povoações da serra de Castanheiro e Paradela (10 quilómetros). Existe material circulante suscetivel de funcionar na via normal e em via de inclinação até 20% com cremalheira.
esquema da linha do Tua em:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Linha_do_Tua
O interesse que toda esta triste história da linha e da barragem do Tua tem para os técnicos ferroviários é, a meu ver:
1 - mais uma vez ter-se visto a deficiente forma de tomada de decisão, orientada desde o princípio sem consideração do valor patrimonial e turistico da ferrovia e sem debate alargado das soluções técnicas, pese embora o cumprimento dos procedimentos de divulgação dos relatórios de avaliação ambiental e das reuniões tidos com as câmaras municipais (em nenhuma destas ações foram debatidas as questões em termos técnicos, como os próprios relatórios confirmam quando se escreve que a solução de 160m não foi estudada); qualquer investimento publico deve estudar o maior numero possivel de alternativas, fazê-lo com argumentos técncos envolvendo todas as disciplinas, e evitar a orientação para um pré-determinado tipo de solução;
2 - dada a complexidade do problema devida à topografia da região, deveriam ter-se estudado de forma inventiva soluções técnicas minimizadoras dos danos, como por exemplo, escavação de encostas e leito do rio para ganhar volume de armazenamento, proteção de troços da via com tuneis submersos (prolongamento do tunel das presas, junto da foz, por exemplo) ou barragens laterais, funiculares para by-pass dos troços de via submersos, servindo as povoações da serra a cotas mais elevadas, barragens parciais; mais uma vez se comprovou que não é prática corrente dar oportunidades à inventiva (estou a recordar-me do paradigma da inventiva nos transportes ferroviários: o metropolitano de Wuppertal; não é uma solução universal, mas vale pela inventiva).
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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barragem do Tua,
Linha do Tua
Sobre Carris
Este blogue cumprimenta o colega António Vasconcelos pelo seu belo livro "Sobre Carris", ed.Media XXI.
Aqui se reunem textos publicados ao longo da sua carreira de jornalista técnico e ferroviário.
Aqui se revela, através de crónicas de viagens e de pesquisa, a paixão por uma coisa que quer responder à necessidade humana de mobilidade, mas numa perspetiva de serviço das comunidades e de escolha racional pelos meios mais eficientes energeticamente - a ferrovia.
E que interessantes algumas das soluções encontradas ao longo da história dos comboios, sempre em evolução, conforme se pode ver pelas excelentes ilustrações.
Parabens ao Autor e votos de que continue a escrever sobre este tema.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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história dos comboios
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
La Révolution des Frites
Apoio a revolução das batatas fritas. Acho que tem que ver comigo. A revolução pretende protestar por não se constituir um governo de coligação porque os senhores dos partidos não são são suficientemente democráticos para se entenderem. Quando democracia é as pessoas entenderem-se, com representação proporcional. Disparate querer desagregar a Bélgica. Claro que foi um país criado artificialmente, mas ao fim destes anos todos e no seio da UE que triste ideia criar mais países. É vontade de dar espaço aos caciques. Abaixo (só descer do poleiro, nada contra a integridade física de ninguém) os caciques, os tribalistas, os que estão nos partidos para olharem para os seus umbigos e para se ouvirem.
"Een (um em flamengo ou holandês) = un (um, em valão ou francês)"
"Se diviser? Pas en notre nom"
"Não queremos os países que nos querem deixar."
Apoiado.
Ver comentários às eleições em
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2010/06/o-pensamento-portugues-imediatista-e-um.html
Notar que os dois partidos mais votados foram o independentista flamengo, com 27 deputados, e o partido socialista valão, com 26.
"Een (um em flamengo ou holandês) = un (um, em valão ou francês)"
"Se diviser? Pas en notre nom"
"Não queremos os países que nos querem deixar."
Apoiado.
Ver comentários às eleições em
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2010/06/o-pensamento-portugues-imediatista-e-um.html
Notar que os dois partidos mais votados foram o independentista flamengo, com 27 deputados, e o partido socialista valão, com 26.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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Bélgica
Ao meu colega Adérito da EMEF
Este blogue está triste.
O meu colega da EMEF, das lides das normas ferroviárias, não resistiu aos seus problemas cardíacos já antigos.
Duma dedicação e capacidade profissional impecáveis, com o objetivo de serviço da comunidade sempre presente.
Traduziu muitas normas de material circulate e o glossário ferroviário.
Praticante de pesca desportiva.
Como são ignaros os que desmerecem de quem trabalha nas empresas públicas.
E os economistas e os políticos que sabem os custos das coisas e das medidas económicas e políticas e não sabem o valor do que lhes está ligado.
O meu colega era 5 anos mais novo do que eu.
Como se pode falar em aumentar a idade da reforma?
Só porque as estatísticas mostram registos de maior longevidade?
Como diz António Barreto, a estatística não serve para nada, o que serve é a interpretação correta dos dados.
Claro que não estou a responsabilizar nenhum político nem nenhum economista pela morte do meu colega, que sei que andava a ser tratado e que não queria tratamento discriminatório.
Mas subir a idade da reforma é aumentar a probabilidade, para muitos, de reduzir fortemente o usufruto dos anos da reforma quando ainda se tem alguma energia.
Que inferno, só existir nos limites mesquinhos do cérebro humano a ideia luminosa de que o meu colega está agora finalmente entregue à sua pesca desportiva, sem preocupações.
O meu colega da EMEF, das lides das normas ferroviárias, não resistiu aos seus problemas cardíacos já antigos.
Duma dedicação e capacidade profissional impecáveis, com o objetivo de serviço da comunidade sempre presente.
Traduziu muitas normas de material circulate e o glossário ferroviário.
Praticante de pesca desportiva.
Como são ignaros os que desmerecem de quem trabalha nas empresas públicas.
E os economistas e os políticos que sabem os custos das coisas e das medidas económicas e políticas e não sabem o valor do que lhes está ligado.
O meu colega era 5 anos mais novo do que eu.
Como se pode falar em aumentar a idade da reforma?
Só porque as estatísticas mostram registos de maior longevidade?
Como diz António Barreto, a estatística não serve para nada, o que serve é a interpretação correta dos dados.
Claro que não estou a responsabilizar nenhum político nem nenhum economista pela morte do meu colega, que sei que andava a ser tratado e que não queria tratamento discriminatório.
Mas subir a idade da reforma é aumentar a probabilidade, para muitos, de reduzir fortemente o usufruto dos anos da reforma quando ainda se tem alguma energia.
Que inferno, só existir nos limites mesquinhos do cérebro humano a ideia luminosa de que o meu colega está agora finalmente entregue à sua pesca desportiva, sem preocupações.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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Adérito,
idade da reforma
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Arquitectorium 10 - Cuidado com os arquitetos
Não sei se devemos seguir à letra a mensagem do cartaz.
Talvez defender antes uma visão integrada do trabalho das várias disciplinas em função do objetivo de serviço da comunidade.
Mas pode ser que não seja a problemática da exposição, que confesso não vi.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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22:53
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arquitetos
Dresden - 13 a 15 de Fevereiro de 1945
A televisão mostrou a manifestação em Dresden assinalando 66 anos dos bombardeamentos pela aviação inglesa.
Dresden não tinha tropas estacionadas nem fábricas de material bélico.
Foi uma simples e arbitrária retaliação sobre civis, uma resposta bárbara à barbárie.
Não se pretende agora condenar ninguém, mas não deve esquecer-se.
Dresden não tinha tropas estacionadas nem fábricas de material bélico.
Foi uma simples e arbitrária retaliação sobre civis, uma resposta bárbara à barbárie.
Não se pretende agora condenar ninguém, mas não deve esquecer-se.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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22:45
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bombardeamentos de Dresde
O choro dos Deolinda II
Com a devida vénia à SIC, reproduzo algumas ideias dadas pelo diretor do Instituto Superior Técnico à entrevistadora, no âmbito de uma reportagem sobre "Que parva que eu sou" (Nota: a letra da canção é muito clara, afirmando "E parva não sou!...que mundo tão parvo", pelo que não devemos chamar a esta geração "geração parva"):
- o IST tem 11.000 alunos dos quais 1500 em mestrado
- o seu orçamento é de 130 milhões de euros, sendo que só 46 milhões de euros vêm do financiamento oficial; o resto vem das receitas de prestação de serviços a empresas
- 96% dos recem diplomados encontram emprego até 6 meses após a conclusão do curso
- 6% dos diplomados montam empresa própria, e essa percentagem não sobe precisamente porque a empregabilidade é elevada
- efetivamente os cursos no IST são exigentes e continuam a requerer grande participação da Matemática e da Física, que são disciplinas pouco queridas da maioria
- a empregabilidade dos alunos confirma que há empresas em Portugal a produzir bens que podem ser exportados
- a Alemanha pode absorver grande quantidade de recem-formados (lado positivo: as remessas desses emigrantes; lado negativo: a formaçãpo destes técnicos custou dinheiro aos contribuintes que assim subsidiaram os contribintes alemães)
Pessoalmente, tenho acompanhado com satisfação a evolução positiva do IST, até porque é a minha alma mater.
E tenho continuado a lamentar as costas voltadas da maioria dos alunos do ensino secundário para a matemática e a física.
Os resultados do PISA, apesar das ligeiras melhorias, só confirmam isso, que os alunos do ensino secundário têm graves dificuldades de interpretação de textos e graves dificuldades em matemática.
Em vez de privilegiar os cursos virados para a economia de serviços não transacionáveis, a gestão do ensino deveria canalizar a procura para cursos superiores ou profissionais mais virados para a matemática e para a física.
Como diz o professor Carvalho Rodrigues, a maioria dos portugueses não gosta de pôr a Ciência na equação, e devia.
Vejo com satisfação que a organização dos cursos no IST vai ao encontro das necessidades da economia, coisa que confesso que não se fazia muito bem no meu tempo (excesso de afluencia aos cursos de engenharia química, por exemplo).
Resumindo, deseja-se sinceramente que o grupo Deolinda continue a ter exitos nas suas intervenções e que a sociedade portuguesa se organize de modo a melhorar as condições de trabalho dos jovens licenciados (e dos jovens não licenciados, e dos licenciados seniores, e dos seniores não licenciados, etc, etc) mas seria interessante uma análise social determinar os números reais das condições de emprego dos jovens.
É mais um exemplo das dificuldades do PISA: não temos números para debater os factos.
- o IST tem 11.000 alunos dos quais 1500 em mestrado
- o seu orçamento é de 130 milhões de euros, sendo que só 46 milhões de euros vêm do financiamento oficial; o resto vem das receitas de prestação de serviços a empresas
- 96% dos recem diplomados encontram emprego até 6 meses após a conclusão do curso
- 6% dos diplomados montam empresa própria, e essa percentagem não sobe precisamente porque a empregabilidade é elevada
- efetivamente os cursos no IST são exigentes e continuam a requerer grande participação da Matemática e da Física, que são disciplinas pouco queridas da maioria
- a empregabilidade dos alunos confirma que há empresas em Portugal a produzir bens que podem ser exportados
- a Alemanha pode absorver grande quantidade de recem-formados (lado positivo: as remessas desses emigrantes; lado negativo: a formaçãpo destes técnicos custou dinheiro aos contribuintes que assim subsidiaram os contribintes alemães)
Pessoalmente, tenho acompanhado com satisfação a evolução positiva do IST, até porque é a minha alma mater.
E tenho continuado a lamentar as costas voltadas da maioria dos alunos do ensino secundário para a matemática e a física.
Os resultados do PISA, apesar das ligeiras melhorias, só confirmam isso, que os alunos do ensino secundário têm graves dificuldades de interpretação de textos e graves dificuldades em matemática.
Em vez de privilegiar os cursos virados para a economia de serviços não transacionáveis, a gestão do ensino deveria canalizar a procura para cursos superiores ou profissionais mais virados para a matemática e para a física.
Como diz o professor Carvalho Rodrigues, a maioria dos portugueses não gosta de pôr a Ciência na equação, e devia.
Vejo com satisfação que a organização dos cursos no IST vai ao encontro das necessidades da economia, coisa que confesso que não se fazia muito bem no meu tempo (excesso de afluencia aos cursos de engenharia química, por exemplo).
Resumindo, deseja-se sinceramente que o grupo Deolinda continue a ter exitos nas suas intervenções e que a sociedade portuguesa se organize de modo a melhorar as condições de trabalho dos jovens licenciados (e dos jovens não licenciados, e dos licenciados seniores, e dos seniores não licenciados, etc, etc) mas seria interessante uma análise social determinar os números reais das condições de emprego dos jovens.
É mais um exemplo das dificuldades do PISA: não temos números para debater os factos.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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emprego dos jovens,
IST
Ruinas 17 - exemplos vários em Lisboa
Exemplos vários em Lisboa.
Não admira que a população da cidade se aproxime perigosamente de 500.000 habitantes, enquanto à boa maneira dos edis bizantinos se discutem as fronteiras das freguesias e as respetivas poupanças virtuais, o que não é exatamente sinónimo de poupanças reais, e muito menos de preparação de um plano de reabilitação e reorganização urbana.
Campo Grande. Vestígios deixados pela grande burguesia da Republica nascente e pelos pedreiros que para ela trabalharam
Av.Forças Armadas/Av. 5 de Outubro - Um gaioleiro com a estrutura desequilibrada devido às intervenções hiper-estáticas nas lojas do R/C
Av. 5 de Outubro - o objetivo não deveria ser apenas manter as fachadas. Para conservar estes prédios é necessário reforçar a estrutura interior e refazer as fundações.
Salvo melhor opinião, a reabilitação completa deste quarteirão requererá o sacrifício de alguns números de matriz e seu emparcelamento, de modo a obter espaço para estacionamento, incluindo em subterrâneos (necessidade de escavação interior e contenção da periferia), e logradouros coletivos.
Av. 5 de Outubro - Junto dos prédios da fotografia anterior. O prédio adjacente ruiu.
Salvo melhor opinião, este prédio necessita de reforço estrutural, e não apenas nas fundações.
Mas reconhece-se a carencia de verbas para proceder às obras.
Dado que a iniciativa privada e o funcionamento dos mercados não resolvem o problema, pareceria que as entidades oficiais poderiam ocupar-se da preparação de um plano de reabilitação.
As desculpas porém começam a fraquejar quando se sabe que há verbas da UE disponíveis para este tipo de reabilitações.
Mas é preciso o tal plano para as obter...
Na Av.Berna, a primeira circular de Lisboa, junto do Campo Pequeno
Av.Sacadura Cabral , junto do Campo Pequeno - não é uma ruina. Este prédio acabou de ser reabilitado. Ignoro se foi feito o reforço da estrutura. Não está resolvida a questão do estacionamento.
Perto da Av.Roma
Perto da Av.Roma. Construção dos anos 50 do século XX. É possível que não seja necessária a reabilitação da estrutura.
Av. 5 de Outubro - Não é uma ruina. Este prédio é um exemplar do modernismo dos anos 30, suponho.
Ruina, ruina, foi alguém ter ordenado a demolição da garagem, também de arquitetura modernista. Bárbaros, o conjunto era uma peça de museu.
Não admira que a população da cidade se aproxime perigosamente de 500.000 habitantes, enquanto à boa maneira dos edis bizantinos se discutem as fronteiras das freguesias e as respetivas poupanças virtuais, o que não é exatamente sinónimo de poupanças reais, e muito menos de preparação de um plano de reabilitação e reorganização urbana.
Campo Grande. Vestígios deixados pela grande burguesia da Republica nascente e pelos pedreiros que para ela trabalharam
Av.Forças Armadas/Av. 5 de Outubro - Um gaioleiro com a estrutura desequilibrada devido às intervenções hiper-estáticas nas lojas do R/C
Av. 5 de Outubro - o objetivo não deveria ser apenas manter as fachadas. Para conservar estes prédios é necessário reforçar a estrutura interior e refazer as fundações.
Salvo melhor opinião, a reabilitação completa deste quarteirão requererá o sacrifício de alguns números de matriz e seu emparcelamento, de modo a obter espaço para estacionamento, incluindo em subterrâneos (necessidade de escavação interior e contenção da periferia), e logradouros coletivos.
Av. 5 de Outubro - Junto dos prédios da fotografia anterior. O prédio adjacente ruiu.
Salvo melhor opinião, este prédio necessita de reforço estrutural, e não apenas nas fundações.
Mas reconhece-se a carencia de verbas para proceder às obras.
Dado que a iniciativa privada e o funcionamento dos mercados não resolvem o problema, pareceria que as entidades oficiais poderiam ocupar-se da preparação de um plano de reabilitação.
As desculpas porém começam a fraquejar quando se sabe que há verbas da UE disponíveis para este tipo de reabilitações.
Mas é preciso o tal plano para as obter...
Na Av.Berna, a primeira circular de Lisboa, junto do Campo Pequeno
Av.Sacadura Cabral , junto do Campo Pequeno - não é uma ruina. Este prédio acabou de ser reabilitado. Ignoro se foi feito o reforço da estrutura. Não está resolvida a questão do estacionamento.
Perto da Av.Roma
Perto da Av.Roma. Construção dos anos 50 do século XX. É possível que não seja necessária a reabilitação da estrutura.
Av. 5 de Outubro - Não é uma ruina. Este prédio é um exemplar do modernismo dos anos 30, suponho.
Ruina, ruina, foi alguém ter ordenado a demolição da garagem, também de arquitetura modernista. Bárbaros, o conjunto era uma peça de museu.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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reabilitação urbana,
Ruinas
Os genéricos
Já terei tomado os comprimidos de depois do jantar?
Confesso que não me lembro.
Mas é provável que sim.
Devia haver umas caixinhas com compartimentos, um por cada dia da semana, e divididos por pequeno almoço, almoço, jantar e intervalos.
Quando comprássemos os comprimidos na farmácia, a menina simpática distribuia os comprimidos pelos compartimentos e escusava de assentar na embalagem a posologia.
Assim se evitava esta duvida e se evitava tomar duas vezes o mesmo comprimido.
Hoje é terça feira ou segunda feira?
É que a caixa dos compartimentos ainda me diz que já é quarta feira.
Complicado.
Ou terei vivido dois dias num dia só?
E se troco a embalagem?
Se tomo o brometo de piridostigmina antagonista dos inibidores dos recetores da acetilcolina em vez do relaxante cloridrato de tansulosina ou alfuzosina, porque as embalagens são parecidas, ou se tomo o inibidor de produção de ácido gástrico em vez de qualquer um destes, vou sentir-me desconfortável logo à noite.
Pior será se me convencer que já tomei o inibidor da fosfodiasterase do tipo 5, a falta que me pode fazer.
E também será inconveniente se tomar uma aspirina em vez do candesartan antagonista dos recetores da angiotensina II, para me conter a hipertensão, que com os bloqueadores dos canais de cálcio não me dei bem.
Mas agora está a fazer-me confusão na cabeça - se tomar meia duzia de comprimidos já é uma coisa tão complicada, como é que se pode invocar a confusão entre duas embalagens diferentes de comprimidos com a mesma substancia ativa para reservar o monopólio de uma patente que já caducou em vez de nos centrarmos na essencia, que é a composição da substancia ativa?(especialmente quando há mais de 20 anos, que por acaso é o prazo de validade de uma patente, se combinou privilegiar a dita substancia ativa)
Aliás é o que quer dizer substancia.
Não confundir com imagem.
É preciso muito cuidado, sim, com os grandes laboratórios farmacêuticos.
Têm os seus critérios de investimento em investigação.
São muito ciosos das suas patentes (pena não seguirem os exemplos da vacina contra a poliomielite e contra a gripe das aves, que privilegiaram o interesse público).
Não andam muito preocupados em investir na investigação contra o crescimento da resistencia das bactérias aos anti-bióticos.
É pena.
Bom, vou ter de aviar mais uma receita.
O farmacêutico vai-me perguntar se eu insisto na marca ou se pode ser genérico.
Claro que pode ser genérico, pelo menos enquanto o fabricante estiver homologado.
Confesso que não me lembro.
Mas é provável que sim.
Devia haver umas caixinhas com compartimentos, um por cada dia da semana, e divididos por pequeno almoço, almoço, jantar e intervalos.
Quando comprássemos os comprimidos na farmácia, a menina simpática distribuia os comprimidos pelos compartimentos e escusava de assentar na embalagem a posologia.
Assim se evitava esta duvida e se evitava tomar duas vezes o mesmo comprimido.
Hoje é terça feira ou segunda feira?
É que a caixa dos compartimentos ainda me diz que já é quarta feira.
Complicado.
Ou terei vivido dois dias num dia só?
E se troco a embalagem?
Se tomo o brometo de piridostigmina antagonista dos inibidores dos recetores da acetilcolina em vez do relaxante cloridrato de tansulosina ou alfuzosina, porque as embalagens são parecidas, ou se tomo o inibidor de produção de ácido gástrico em vez de qualquer um destes, vou sentir-me desconfortável logo à noite.
Pior será se me convencer que já tomei o inibidor da fosfodiasterase do tipo 5, a falta que me pode fazer.
E também será inconveniente se tomar uma aspirina em vez do candesartan antagonista dos recetores da angiotensina II, para me conter a hipertensão, que com os bloqueadores dos canais de cálcio não me dei bem.
Mas agora está a fazer-me confusão na cabeça - se tomar meia duzia de comprimidos já é uma coisa tão complicada, como é que se pode invocar a confusão entre duas embalagens diferentes de comprimidos com a mesma substancia ativa para reservar o monopólio de uma patente que já caducou em vez de nos centrarmos na essencia, que é a composição da substancia ativa?(especialmente quando há mais de 20 anos, que por acaso é o prazo de validade de uma patente, se combinou privilegiar a dita substancia ativa)
Aliás é o que quer dizer substancia.
Não confundir com imagem.
É preciso muito cuidado, sim, com os grandes laboratórios farmacêuticos.
Têm os seus critérios de investimento em investigação.
São muito ciosos das suas patentes (pena não seguirem os exemplos da vacina contra a poliomielite e contra a gripe das aves, que privilegiaram o interesse público).
Não andam muito preocupados em investir na investigação contra o crescimento da resistencia das bactérias aos anti-bióticos.
É pena.
Bom, vou ter de aviar mais uma receita.
O farmacêutico vai-me perguntar se eu insisto na marca ou se pode ser genérico.
Claro que pode ser genérico, pelo menos enquanto o fabricante estiver homologado.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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genérics,
industris farmacêutica
Probabilidades
Exemplo de aplicação da teoria das probabilidades. O monte da fotografia não é de café. É a terra de um vaso que caiu de uma varanda de um segundo andar. Durante uma manhã passam naquele passeio cerca de 400 pessoas que se deslocam a cerca de 0,5 m/s, pelo que durante 2 segundos cada pessoa está debaixo da área de influencia da queda do vaso.
Considerando uma manhã de 4 horas, teremos 4 x 3600 / 2 intervalos em que 400 pessoas podem ser atingidas.
Donde, a probabilidade de ter havido acidente na manhã em que o vaso caiu terá sido de 400/7200 = 0,055, isto é, 5,5%, valor que para um vizinho como eu não parece aceitável. Claro que a probabilidade baixa se só considerarmos a queda de um vaso ao fim de várias manhãs.
Mas são só hipóteses. Não existem dados concretos com o histórico que permitam saber quantas quedas de vasos existem. Raramente no nosso país existem dados concretos. Por que haveria de haver para uma questão tão urbana e tão corriqueira?
Mas que há quedas, há, e os vasos de flores nunca deveriam estar suspensos para o lado exterior das varandas.
Quanto à falta de dados, será como a maioria gosta de fazer no nosso país. Não havendo tratamento científico dos dados, fica o problema por resolver.
Este texto é dedicado à problemática dos vidros montados nas estações de metropolitano, e que sujeitos à vibração da passagem dos comboios ou dos degraus das escadas mecânicas, podem cair se as fixações não tiverem sido corretamente montadas.
Considerando uma manhã de 4 horas, teremos 4 x 3600 / 2 intervalos em que 400 pessoas podem ser atingidas.
Donde, a probabilidade de ter havido acidente na manhã em que o vaso caiu terá sido de 400/7200 = 0,055, isto é, 5,5%, valor que para um vizinho como eu não parece aceitável. Claro que a probabilidade baixa se só considerarmos a queda de um vaso ao fim de várias manhãs.
Mas são só hipóteses. Não existem dados concretos com o histórico que permitam saber quantas quedas de vasos existem. Raramente no nosso país existem dados concretos. Por que haveria de haver para uma questão tão urbana e tão corriqueira?
Mas que há quedas, há, e os vasos de flores nunca deveriam estar suspensos para o lado exterior das varandas.
Quanto à falta de dados, será como a maioria gosta de fazer no nosso país. Não havendo tratamento científico dos dados, fica o problema por resolver.
Este texto é dedicado à problemática dos vidros montados nas estações de metropolitano, e que sujeitos à vibração da passagem dos comboios ou dos degraus das escadas mecânicas, podem cair se as fixações não tiverem sido corretamente montadas.
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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Declaração universal dos Deveres humanos
Com a devida vénia ao DN e ao seu colaborador Anselmo Borges, comento a Declaração Universal dos deveres humanos.
Confesso que me parece que a Declaração universal dos direitos do homem deveria estar consignada nas Constituições dos Estados.
Porem, nem sequer o Bill of rights de Roosevelt vingou; o Congresso americano e os professores de economia não concordaram.
Mas nada a objetar que tambem esteja consignada a Declaração universal dos deveres.
"Todo o cidadão e toda a autoridade pública têm o dever de agir de forma pacífica e não violenta".
Confesso que me parece que a Declaração universal dos direitos do homem deveria estar consignada nas Constituições dos Estados.
Porem, nem sequer o Bill of rights de Roosevelt vingou; o Congresso americano e os professores de economia não concordaram.
Mas nada a objetar que tambem esteja consignada a Declaração universal dos deveres.
"Todo o cidadão e toda a autoridade pública têm o dever de agir de forma pacífica e não violenta".
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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Declaração universal dos deveres
Ruinas 16 - Baixa
Rua Nova do Almada - Prédio aguardando investimento para renovação das fachadas, escavação de caves para estacionamento e reconstrução do interior. Exemplo de degradação, de ineficiência de mercados, de incapacidade de sustentar o investimento da Baixa pombalina. Seria interessante estudar o caso da degradação e recuperação do bairro de Harlem, em Nova York, e ver se algumas ideias se poderiam aplicar, já que parecem incipientes os planos da câmara de Lisboa.
Aguardam-se melhores dias.
Vista do arco 18 da ala poente do Terreiro do Paço, onde se nota a quebra devida ao assentamento do torreão poente, anterior à conclusão do tunel do metro e do tratamento dos terrenos adjacentes.
Também se aguardam melhores dias para a intervenção corretora.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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degradação na Baixa
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Sehr geehrte Frau Merkel
Sehr geehrte Frau Merkel
Ich wende mich an Frau Bundeskanzlerin für die Beurteilung ihrer Politik.
Alle Länder müssen den Zielen der Eindämmung der Defizite und Schulden und einschreiben sie in den Verfassungen.
Die Länder der Europäischen Union sollte auch die Produktion, um die Vorteile der Exporte zu sammeln und zu vermeiden die Übel der Importe, so dass Reformen sollten nie vor 67 Jahren auftreten.
Ich stimme mit ihm persönlich, obwohl ich selbst habe mit 65 Jahren pensioniert und scheint mir, dass die Konten der Anzahl der Jahre ab vorgenommen werden sollte.
Ich würde es vorziehen, dass seine Regierung die Eurobonds zu billigen, aber ich werde nicht darauf bestehen, weil ihre Idee, Erklärungen zu unserem Minister der Wirtschaft scheint sehr gut zu sein.
Eine andere Möglichkeit wäre unsere Regierung Ausschreibungen und Aufträge für Dienstleistungen mit skandinavischen oder deutschen Ökonomen machen, die durch Konzession, innerhalb der Regeln des Wettbewerbs von der Gewerkschaft vertreten, verantwortungsvoll führen unsere Wirtschaft.
Wir würden auch lieber bleiben in den Verfassungen eine angemessene Obergrenze für den Gini-Koeffizienten der Ungleichheit einbezogen.
Aber ich werde nicht darauf bestehen, weil die Schwierigkeiten verständlich von ihrer Regierung auf das Niveau des Lebensstandards und Einkommen in westlichen und östlichen Deutschland Gleichgewicht sind.
Der Grund warum ich schreibe Dir bin, ist meine Pflicht als Bürger der Europäischen Union zu erfüllen, ein skandalöser Verstoß Situation, die den oben definierten Zielen widerspricht.
Informieren Sie sich hier, dass Frau Merkel in der Algarve voll von allen deutschen Bürgern ist, meist ältere Menschen weniger als ich, oder für viele Jahre machen dieses Leben.
Sie leben in Wohnwagen, verbringen ihre Tage miteinander chatten und grüße die native Portugiesisch, um Geld im Supermarkt verbringen, das Radfahren und Sonnenbaden anstatt produziert.
Neben einem Bild zu zeigen, diesen Skandal.
Ich hoffe, dass die Bundeskanzlerin die richtigen Vorkehrungen zu treffen, bei der nächsten Sitzung der Regierungschefs der Union.
Meine Hochachtung.
Ein Bürger der Union
Cara senhora Angela Merkel
Dirijo-me à senhora chanceler por apreciar a sua política.
Todos os países deverão cumprir os objetivos de contenção dos défices e dos endividamentos e inscrevê-los nas constituições.
Os países da união europeia deverão também aumentar a produção para recolhermos os benefícios das exportações e evitarmos os malefícios das importações, pelo que as reformas nunca deverão ocorrer antes dos 67 anos.
Concordo pessoalmente com isso, apesar de eu próprio me ter reformado com 65 anos e me parecer que as contas deveriam ser feitas ao numero de anos de desconto.
Eu preferiria que o seu governo aprovasse os eurobonds, mas não vou insistir, até porque a sua ideia de dar explicações de economia aos nossos ministros parece ser muito boa.
Outra hipótese seria o nosso governo fazer concursos e contratos de prestação de serviços com economistas alemães ou escandinavos que, por concessão, dentro das regras da concorrência defendidas pela união, gerissem a nossa economia.
Também preferiria que nas constituições ficasse inscrito um limite máximo razoável para o coeficiente de desigualdade de Gini.
Mas também não vou insistir, até porque são compreensíveis as dificuldades do seu governo para equilibrar os níveis de vida e de rendimentos da parte ocidental e da parte oriental da Alemanha.
A razão por que estou a escrever-lhe é para cumprir o meu dever como cidadão da união europeia, denunciando uma situação escandalosa, que contraria os objetivos definidos acima.
Saiba a senhora chanceler que aqui no Algarve está tudo cheio de cidadãos e cidadãs alemães, a maior parte menos idosos do que eu, ou há já muitos anos a fazerem esta vida.
Vivem em autocaravanas, passam os dias a conversar uns com os outros e a cumprimentar os nativos portugueses, a gastar dinheiro nos supermercados, a passear de bicicleta e a apanhar sol, em vez de estarem a produzir.
Junto uma fotografia para mostrar este escândalo.
Ich wende mich an Frau Bundeskanzlerin für die Beurteilung ihrer Politik.
Alle Länder müssen den Zielen der Eindämmung der Defizite und Schulden und einschreiben sie in den Verfassungen.
Die Länder der Europäischen Union sollte auch die Produktion, um die Vorteile der Exporte zu sammeln und zu vermeiden die Übel der Importe, so dass Reformen sollten nie vor 67 Jahren auftreten.
Ich stimme mit ihm persönlich, obwohl ich selbst habe mit 65 Jahren pensioniert und scheint mir, dass die Konten der Anzahl der Jahre ab vorgenommen werden sollte.
Ich würde es vorziehen, dass seine Regierung die Eurobonds zu billigen, aber ich werde nicht darauf bestehen, weil ihre Idee, Erklärungen zu unserem Minister der Wirtschaft scheint sehr gut zu sein.
Eine andere Möglichkeit wäre unsere Regierung Ausschreibungen und Aufträge für Dienstleistungen mit skandinavischen oder deutschen Ökonomen machen, die durch Konzession, innerhalb der Regeln des Wettbewerbs von der Gewerkschaft vertreten, verantwortungsvoll führen unsere Wirtschaft.
Wir würden auch lieber bleiben in den Verfassungen eine angemessene Obergrenze für den Gini-Koeffizienten der Ungleichheit einbezogen.
Aber ich werde nicht darauf bestehen, weil die Schwierigkeiten verständlich von ihrer Regierung auf das Niveau des Lebensstandards und Einkommen in westlichen und östlichen Deutschland Gleichgewicht sind.
Der Grund warum ich schreibe Dir bin, ist meine Pflicht als Bürger der Europäischen Union zu erfüllen, ein skandalöser Verstoß Situation, die den oben definierten Zielen widerspricht.
Informieren Sie sich hier, dass Frau Merkel in der Algarve voll von allen deutschen Bürgern ist, meist ältere Menschen weniger als ich, oder für viele Jahre machen dieses Leben.
Sie leben in Wohnwagen, verbringen ihre Tage miteinander chatten und grüße die native Portugiesisch, um Geld im Supermarkt verbringen, das Radfahren und Sonnenbaden anstatt produziert.
Neben einem Bild zu zeigen, diesen Skandal.
Ich hoffe, dass die Bundeskanzlerin die richtigen Vorkehrungen zu treffen, bei der nächsten Sitzung der Regierungschefs der Union.
Meine Hochachtung.
Ein Bürger der Union
Cara senhora Angela Merkel
Dirijo-me à senhora chanceler por apreciar a sua política.
Todos os países deverão cumprir os objetivos de contenção dos défices e dos endividamentos e inscrevê-los nas constituições.
Os países da união europeia deverão também aumentar a produção para recolhermos os benefícios das exportações e evitarmos os malefícios das importações, pelo que as reformas nunca deverão ocorrer antes dos 67 anos.
Concordo pessoalmente com isso, apesar de eu próprio me ter reformado com 65 anos e me parecer que as contas deveriam ser feitas ao numero de anos de desconto.
Eu preferiria que o seu governo aprovasse os eurobonds, mas não vou insistir, até porque a sua ideia de dar explicações de economia aos nossos ministros parece ser muito boa.
Outra hipótese seria o nosso governo fazer concursos e contratos de prestação de serviços com economistas alemães ou escandinavos que, por concessão, dentro das regras da concorrência defendidas pela união, gerissem a nossa economia.
Também preferiria que nas constituições ficasse inscrito um limite máximo razoável para o coeficiente de desigualdade de Gini.
Mas também não vou insistir, até porque são compreensíveis as dificuldades do seu governo para equilibrar os níveis de vida e de rendimentos da parte ocidental e da parte oriental da Alemanha.
A razão por que estou a escrever-lhe é para cumprir o meu dever como cidadão da união europeia, denunciando uma situação escandalosa, que contraria os objetivos definidos acima.
Saiba a senhora chanceler que aqui no Algarve está tudo cheio de cidadãos e cidadãs alemães, a maior parte menos idosos do que eu, ou há já muitos anos a fazerem esta vida.
Vivem em autocaravanas, passam os dias a conversar uns com os outros e a cumprimentar os nativos portugueses, a gastar dinheiro nos supermercados, a passear de bicicleta e a apanhar sol, em vez de estarem a produzir.
Junto uma fotografia para mostrar este escândalo.
Os meus respeitos
Um cidadão da união
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auto-caravanas no Algarve,
idade da reforma
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
As mortes na Saxonia-Anhalt
Exmo Sr.Diretor do DN
O DN noticiou o acidente ferroviário na Saxónia-Anhalt, ocorrido próximo de Magdeburgo, em 29 de Fevereiro de 2011.
Que, provavelmente, teria havido erro humano, mas que se aguardavam os resultados do inquérito.
Mais de uma semana depois, o jornal não voltou ao assunto, e com elevada probabilidade não será dada publicidade aos resultados do inquérito, quando os houver.
Não pretendo discutir critérios editoriais, mas gostaria de chamar a atenção para uma perspetiva técnica: os acidentes não acontecem por erro humano; resultam de um conjunto de circunstancias de vária natureza que contribuem para o acidente; podem resultar de cortes em investimento, em pessoal ou em manutenção; em técnica ferroviária, um erro humano nunca poderá, por si só, provocar um acidente, porque existem equipamentos destinados a evitar o acidente, apesar do erro humano.
E esta é a crítica que eu me permito fazer: para além do reporte do acidente, a comunicação social deveria divulgar o conceito de que existem equipamentos destinados a evitar as consequencias de um erro humano, pelo que a probabilidade de ocorrer um acidente por erro humano é extremamente reduzida.
Com os melhores cumprimentos.
F.Santos e Silva
Primeira locomotiva do comboio de mercadorias, que se manteve carrilado após a colisão, com restos da primeira carruagem da unidade dupla de passageiros que circulava em sentido contrário

À esquerda, o comboio de mercadorias; ao centro, restos da primeira carruagem e a unidade dupla, que se deitou ao lado da via
1 - o acidente consistiu na colisão frontal num troço de via unica, próximo de Hordorf, entre um comboio de mercadorias no sentido oeste-leste e uma unidade dupla de passageiros no sentido leste-oeste (Magdeburgo-Halberstadt), na região de Saxonia-Anhalt
2 - o comboio de mercadorias era gerido pela Peine-Salzgitter, fabricante de produtos químicos; a unidade dupla de passageiros, pela Veolia/Harz Elbe Express; a infra-estrutura é gerida pela Deutsch Bahn
3 - na altura do acidente estava nevoeiro cerrado e caía neve
4 - na altura do acidente contaram-se 10 mortos
5 - presumivelmente (a confirmar-se durante o inquérito) o maquinista do comboio de mercadorias arrancou indevidamente na zona de via dupla para cruzamento e entrou na via única passando pelo sinal vermelho e pela agulha na posição contrária
6 - o centro de comando tentou sem sucesso contactar via rádio o maquinista do comboio de mercadorias
7 - os sinais não estão equipados com "train stop", cuja função é provocar automaticamente a travagem das composições em caso de ultrapassagem de um sinal proibitivo
8 - segundo a Deutsch Bahn, existem poucos train stops na rede ferroviária da antiga Alemanha de Leste , em que se integrava a Saxonia-Anhalt, contrariamente à rede da antiga Alemanha Federal em que a instalação é sistemática
9 - em consequencia deste acidente, a Deutsch Bahn anunciou que iria instalar train stops em todas as linhas
10 - a Deutsch Bahn tem vindo a aplicar, depois da sua privatização, uma política de cortes nos quadros de pessoal e nos custos de investimento e de manutenção, incluindo a entrega a concessionários da exploração multipla das vias; é já visível a degradação do serviço da rede suburbana de Berlim
mais informações sobre a política da Deutsch Bahn:
http://www.wsws.org/articles/2011/feb2011/trai-f03.shtml
Registo dos últimos acidentes na Alemanha:
O DN noticiou o acidente ferroviário na Saxónia-Anhalt, ocorrido próximo de Magdeburgo, em 29 de Fevereiro de 2011.
Que, provavelmente, teria havido erro humano, mas que se aguardavam os resultados do inquérito.
Mais de uma semana depois, o jornal não voltou ao assunto, e com elevada probabilidade não será dada publicidade aos resultados do inquérito, quando os houver.
Não pretendo discutir critérios editoriais, mas gostaria de chamar a atenção para uma perspetiva técnica: os acidentes não acontecem por erro humano; resultam de um conjunto de circunstancias de vária natureza que contribuem para o acidente; podem resultar de cortes em investimento, em pessoal ou em manutenção; em técnica ferroviária, um erro humano nunca poderá, por si só, provocar um acidente, porque existem equipamentos destinados a evitar o acidente, apesar do erro humano.
E esta é a crítica que eu me permito fazer: para além do reporte do acidente, a comunicação social deveria divulgar o conceito de que existem equipamentos destinados a evitar as consequencias de um erro humano, pelo que a probabilidade de ocorrer um acidente por erro humano é extremamente reduzida.
Com os melhores cumprimentos.
F.Santos e Silva
Primeira locomotiva do comboio de mercadorias, que se manteve carrilado após a colisão, com restos da primeira carruagem da unidade dupla de passageiros que circulava em sentido contrário

À esquerda, o comboio de mercadorias; ao centro, restos da primeira carruagem e a unidade dupla, que se deitou ao lado da via
Carruagem da retaguarda da unidade dupla
1 - o acidente consistiu na colisão frontal num troço de via unica, próximo de Hordorf, entre um comboio de mercadorias no sentido oeste-leste e uma unidade dupla de passageiros no sentido leste-oeste (Magdeburgo-Halberstadt), na região de Saxonia-Anhalt
2 - o comboio de mercadorias era gerido pela Peine-Salzgitter, fabricante de produtos químicos; a unidade dupla de passageiros, pela Veolia/Harz Elbe Express; a infra-estrutura é gerida pela Deutsch Bahn
3 - na altura do acidente estava nevoeiro cerrado e caía neve
4 - na altura do acidente contaram-se 10 mortos
5 - presumivelmente (a confirmar-se durante o inquérito) o maquinista do comboio de mercadorias arrancou indevidamente na zona de via dupla para cruzamento e entrou na via única passando pelo sinal vermelho e pela agulha na posição contrária
6 - o centro de comando tentou sem sucesso contactar via rádio o maquinista do comboio de mercadorias
7 - os sinais não estão equipados com "train stop", cuja função é provocar automaticamente a travagem das composições em caso de ultrapassagem de um sinal proibitivo
8 - segundo a Deutsch Bahn, existem poucos train stops na rede ferroviária da antiga Alemanha de Leste , em que se integrava a Saxonia-Anhalt, contrariamente à rede da antiga Alemanha Federal em que a instalação é sistemática
9 - em consequencia deste acidente, a Deutsch Bahn anunciou que iria instalar train stops em todas as linhas
10 - a Deutsch Bahn tem vindo a aplicar, depois da sua privatização, uma política de cortes nos quadros de pessoal e nos custos de investimento e de manutenção, incluindo a entrega a concessionários da exploração multipla das vias; é já visível a degradação do serviço da rede suburbana de Berlim
mais informações sobre a política da Deutsch Bahn:
http://www.wsws.org/articles/2011/feb2011/trai-f03.shtml
Penso que este é o sentido das mortes deste acidente: que não se transforme um maquinista sem garantias no emprego, com horários sobrecarregados, com formação deficiente, com ameaças de reforma tardia, em bode expiatório das políticas da Deutsch Bahn, dos seus cortes, das suas entregas da exploração a concessionários, das suas economias em investimento em equipamento de segurança.
Recordo que o acidente nos arredores de Bruxelas em janeiro de 2010, tem as mesmas cracteristicas: vários operadores a utilizar as mesmas vias ferreas, um maquinista com pouca experiencia, neve intensa com visibilidade reduzida dos sinais, ausencia de train stop ou controle automático da marcha dos comboios.
Votos de que o governo alemão autorize a Deutsch Bahn a igualizar o tratamento de segurança das infra-estruturas ferroviárias (train stops, ATP automatic train protection, redução dos troços em via única) em todo o território do seu país e que reconsidere a utilização por multipos concessionários operadores das mesmas vias.
Registo dos últimos acidentes na Alemanha:
1998 - Eschede - descarrilamento do ICE devido a teste de rodas - 101 mortos
2000 - Bruhl - descarrilamento - 9 mortos
2003 - Baden-Wurtenberg - colisão - 6 mortos
2003 - Baden-Wurtenberg - colisão - 6 mortos
2006 - Emsland - colisão na via de ensaios do Maglev - 23 mortos
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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acidente ferroviário na Saxonia-Anhalt
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Ruinas 15 - A passagem
Chamei ruina a esta passagem pelo estado lamentoso.
O projeto de uma passagem pedonal subterranea é dificil.
Porque deve prever uma manutenção eficaz.
Não previu neste caso, sob as vias de rodagem do lado nascente do Campo Grande, no fim da Avenida da Igreja.
E o resultado é este.
Um susto, apesar da iluminaçao estar a funcionar, para quem foge ao risco de atropelamento, e cai no risco de assalto.
Precisamos mais de projetistas, de educadores e de empregadores do que de guardas, de câmaras de video vigilancia e de operadores de limpeza urbana, de que tambem precisamos.
E não é só isso.
Esta passagem foi construida tambem em intenção das pessoas com mobilidade reduzida, para acesso ao jardim do Campo Grande.
Tê-la assim é uma manifestação de desrespeito por elas.
Não seria mau se se agravasse a criminalização dos assaltos, porque estes inibem a construção de poassagens subterraneas, e se se pusesse um cartaz multi-lingue ao cimo da rampa: "É proibido assaltar pessoas".
O projeto de uma passagem pedonal subterranea é dificil.
Porque deve prever uma manutenção eficaz.
Não previu neste caso, sob as vias de rodagem do lado nascente do Campo Grande, no fim da Avenida da Igreja.
E o resultado é este.
Um susto, apesar da iluminaçao estar a funcionar, para quem foge ao risco de atropelamento, e cai no risco de assalto.
Precisamos mais de projetistas, de educadores e de empregadores do que de guardas, de câmaras de video vigilancia e de operadores de limpeza urbana, de que tambem precisamos.
E não é só isso.
Esta passagem foi construida tambem em intenção das pessoas com mobilidade reduzida, para acesso ao jardim do Campo Grande.
Tê-la assim é uma manifestação de desrespeito por elas.
Não seria mau se se agravasse a criminalização dos assaltos, porque estes inibem a construção de poassagens subterraneas, e se se pusesse um cartaz multi-lingue ao cimo da rampa: "É proibido assaltar pessoas".
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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Arquitectorium 9 - O prédio da Vodafone no Porto
O jovem arquiteto do gabinete Barbosa e Guimarães fala do seu projeto com orgulho.
E diz uma coisa que revela que tem um grande poder de síntese, capaz de explicar em poucas palavras um facto tristemente verdadeiro:
“Com o tempo, fomo-nos apercebendo de que nos concursos o grosso das obras não era entregue pela qualidade do projeto, mas antes pelo preço ou por cunhas”.
Será tão difícil convencer o Tribunal de Contas e os sacerdotes do Código de Contratação Pública que o essencial da questão está aqui?
Que o preço mata o objetivo de serviço público dos equipamentos sociais?
E não é com leis que isso se resolve, nem sequer com fiscalização (como dizia Juvenal, quem guarda o guarda?).
É com o desenvolvimento de uma cultura não provinciana, não nova-rica, não arrogante, não sobranceira, isto é, participativa, apelando ao debate coletivo.
Se ainda há coisas boas a acontecer, e pessoas a fazer o diagnótico das inconformidades, é porque é possível compreender isto, não será?
E diz uma coisa que revela que tem um grande poder de síntese, capaz de explicar em poucas palavras um facto tristemente verdadeiro:
“Com o tempo, fomo-nos apercebendo de que nos concursos o grosso das obras não era entregue pela qualidade do projeto, mas antes pelo preço ou por cunhas”.
Será tão difícil convencer o Tribunal de Contas e os sacerdotes do Código de Contratação Pública que o essencial da questão está aqui?
Que o preço mata o objetivo de serviço público dos equipamentos sociais?
E não é com leis que isso se resolve, nem sequer com fiscalização (como dizia Juvenal, quem guarda o guarda?).
É com o desenvolvimento de uma cultura não provinciana, não nova-rica, não arrogante, não sobranceira, isto é, participativa, apelando ao debate coletivo.
Se ainda há coisas boas a acontecer, e pessoas a fazer o diagnótico das inconformidades, é porque é possível compreender isto, não será?
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cncursos públicos
Wafa Sultan, psicóloga
http://cid-95ca2795d8cd20fd.office.live.com/richupload.aspx/Wafa%20Sultan?nl=1
Penso que vale a pena ver esta entrevista de 2006 à Al-Jazzeera.
A senhora é síria-árabe-americana, psicóloga, e vive atualmente em Los Angeles.
Pessoalmente, parece-me que o entusiasmo da senhora deixa na sombra as atrocidades praticadas pelas outras religiões, desde a Inquisição aos ataques a Sabra e Chatila e à faixa de Gaza.
Mas não é por aí que devemos ir.
O essencial é que o choque é entre o humanismo (interessante a senhora chamar a atenção para o papel da ciência na história da humanidade) e a Idade Média, independentemente de religiões.
Até porque o profeta Maomé era um chefe político que tinha de conquistar as tribos árabes unificando-as.
Salvo melhor opinião, não vejo no Alcorão nenhuma obrigação de conquistar os outros povos. E muito menos matá-los, claro. Isso estará nos textos sagrados acrescentados depois da morte do profeta.
Como diz a senhora, e muito bem, o que há a fazer é rever esses livros sagrados.
Para que quem quiser possa crer nas pedras, sem que atire as pedras a ninguém.
Penso que vale a pena ver esta entrevista de 2006 à Al-Jazzeera.
A senhora é síria-árabe-americana, psicóloga, e vive atualmente em Los Angeles.
Pessoalmente, parece-me que o entusiasmo da senhora deixa na sombra as atrocidades praticadas pelas outras religiões, desde a Inquisição aos ataques a Sabra e Chatila e à faixa de Gaza.
Mas não é por aí que devemos ir.
O essencial é que o choque é entre o humanismo (interessante a senhora chamar a atenção para o papel da ciência na história da humanidade) e a Idade Média, independentemente de religiões.
Até porque o profeta Maomé era um chefe político que tinha de conquistar as tribos árabes unificando-as.
Salvo melhor opinião, não vejo no Alcorão nenhuma obrigação de conquistar os outros povos. E muito menos matá-los, claro. Isso estará nos textos sagrados acrescentados depois da morte do profeta.
Como diz a senhora, e muito bem, o que há a fazer é rever esses livros sagrados.
Para que quem quiser possa crer nas pedras, sem que atire as pedras a ninguém.
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pensamento islâmico
Discordo IV - a reunião de Bruxelas de 4 de Fevereiro de 2011
1 - Discordo do fim da indexação dos aumentos salariais à inflação - parece que os políticos estão com dificuldades matemáticas; indexação significa a manutenção de uma co-relação; acresce que a quota da contribuição dos salários para a inflação não é a que tem maior peso (OK, tentemos baixar esse peso com os tais aumentos de produtividade, mas isso é outra conversa, até porque o crescimento dos salários em Portugal tem sido inferior ao da inflação, por mais que desagrade aos senhores economistas que nos querem fazer a opinião);
2 - Discordo do aumento para 67 anos da idade da reforma - aos 67 anos os neurónios e os neurotransmissores, nomeadamente a acetilcolina, não têm o mesmo rendimento dos anos anteriores; além de que continuam aqui a verificar-se dificuldades de compreensão matemática: o indicador correto deveria ser o número de anos de desconto para a segurança social, afetado do coeficiente de desgaste das profissões exercidas;
3 - Concordo com a inclusão na Constituição de limites para o défice público e para todos os endividamentos (400% do PIB em Portugal): público (83% em Portugal), das empresas públicas, das parcerias público-privadas, privado (empresas e particulares), e dos bancos (públicos e privados); sem sigilos, doutra maneira não;
4 - Concordo com a harmonização da tributação das empresas - a bem dizer, até concordo com uma taxa a aplicar às empresas exteriores à união europeia que nos vendem produtos a preços de dumping
5 - Discordo da preocupação dos senhores governantes dos países dominantes em querer "flexibilizar" as leis laborais em Portugal; é falta de conhecimento das realidades concretas ; nós portugueses, ligamos pouco às leis, é como já estivessem flexíveis; preocupem-se antes em reduzir o coeficiente de Gini, das desigualdades de rendimentos, em todos os países da união europeia; isto para não falar do cumprimento das cláusulas da declaração universal dos direitos do homem.
2 - Discordo do aumento para 67 anos da idade da reforma - aos 67 anos os neurónios e os neurotransmissores, nomeadamente a acetilcolina, não têm o mesmo rendimento dos anos anteriores; além de que continuam aqui a verificar-se dificuldades de compreensão matemática: o indicador correto deveria ser o número de anos de desconto para a segurança social, afetado do coeficiente de desgaste das profissões exercidas;
3 - Concordo com a inclusão na Constituição de limites para o défice público e para todos os endividamentos (400% do PIB em Portugal): público (83% em Portugal), das empresas públicas, das parcerias público-privadas, privado (empresas e particulares), e dos bancos (públicos e privados); sem sigilos, doutra maneira não;
4 - Concordo com a harmonização da tributação das empresas - a bem dizer, até concordo com uma taxa a aplicar às empresas exteriores à união europeia que nos vendem produtos a preços de dumping
5 - Discordo da preocupação dos senhores governantes dos países dominantes em querer "flexibilizar" as leis laborais em Portugal; é falta de conhecimento das realidades concretas ; nós portugueses, ligamos pouco às leis, é como já estivessem flexíveis; preocupem-se antes em reduzir o coeficiente de Gini, das desigualdades de rendimentos, em todos os países da união europeia; isto para não falar do cumprimento das cláusulas da declaração universal dos direitos do homem.
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reunião da UE de 4 de fevereiro de 2011
Arquitectorium 8 - Notícias do coiso conspícuo da baía de Cascais
Já estão quase todas vendidas as habitações que substituiram o antigo hotel Estoril-Sol.
Ver em:
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2009/10/arquitectorium-4-o-coiso-conspicuo.html
Segundo informações do orgulhoso representante da agência imobiliária, as vendas foram um sucesso.
60% dos compradores são portugueses.
Os apartamentos mais baratos são T2 com 170 m2 e custam 1,4 milhões de euros.
Fica assim provado que os investimentos podem ser rentáveis, até porque a eficiência energética de um edificio em condomínio é superior à da urbanização em moradias e porque 40% dos clientes são estangeiros.
Fica tambem a compreender-se por que se demoliu o Estoril -Sol.
Mas ficam três grandes dúvidas:
- do ponto de vista estético foi cometido um atentado com a demolição;
- as técnicas de manutenção estarão dominadas para garantir a longevidade do edifício, estruturado em perfis e chapas metálicas, na vizinhança do oceano?
- ficando mais uma vez provado o elevado rendimento per capita dos habitantes da região de Cascais, qual será o coeficiente de Gini, ou indicador das desigualdades de rendimento, desta região?
Permanece a certeza que já tinha sido incluida nos textos evengélicos: que os filhos das trevas têm muito maior capacidade gestionária do que os filhos da luz.
Ver em:
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2009/10/arquitectorium-4-o-coiso-conspicuo.html
Segundo informações do orgulhoso representante da agência imobiliária, as vendas foram um sucesso.
60% dos compradores são portugueses.
Os apartamentos mais baratos são T2 com 170 m2 e custam 1,4 milhões de euros.
Fica assim provado que os investimentos podem ser rentáveis, até porque a eficiência energética de um edificio em condomínio é superior à da urbanização em moradias e porque 40% dos clientes são estangeiros.
Fica tambem a compreender-se por que se demoliu o Estoril -Sol.
Mas ficam três grandes dúvidas:
- do ponto de vista estético foi cometido um atentado com a demolição;
- as técnicas de manutenção estarão dominadas para garantir a longevidade do edifício, estruturado em perfis e chapas metálicas, na vizinhança do oceano?
- ficando mais uma vez provado o elevado rendimento per capita dos habitantes da região de Cascais, qual será o coeficiente de Gini, ou indicador das desigualdades de rendimento, desta região?
Permanece a certeza que já tinha sido incluida nos textos evengélicos: que os filhos das trevas têm muito maior capacidade gestionária do que os filhos da luz.
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estoril-sol
O mercado do chão do loureiro
Uma importante companhia de construção civil está prestes a concluir o novo silo de estacionamento da EMEL onde era o mercado do chão do loureiro.
Seis pisos de estacionamento para 200 viaturas.
O que é positivo.
A possibilidade de estacionamento favorece a fixação de moradores na cidade desertificada.
No rés do chão está previsto um supermercado.
Facto tambem positivo.
No último piso prevê-se um restaurante ou um bar, envidraçado, com vistas para o Tejo.
Onde está então a questão?
Primeiro, o projeto não foi debatido com clareza, esclarecendo as dúvidas sobre o supermercado e sobre o aproveitamento do terraço.
Teria sido fácil divulgar o projeto nos meios de comunicação social.
Segundo, a altura do novo edificio ultrapassou a do anterior edificio, o que é um facto sensível por retirar a vista a quem passa na Calçada do Marquês de Abrantes(e também à esplanada do bar aí existente).
Porém, o porta-voz da EMEL afirma que a sércea do novo edificio é a mesma do antigo.
Não é, mas a sobranceria, a arrogancia e a auto-suficiencia do poder municipal definem as suas verdades que têm de ser aceites pelos cidadãos.
É uma hipótese de probabilidade elevada, que são a arrogancia, a sobranceria e a auto-suficiencia dos grandes empreiteiros e dos grandes donos de obra que impedem o debate aberto com os cidadãos.
Daí a termos uma má solução apesar dos objetivos corretos é um pequeno passo.
E há finalmente o "chico-espertismo", de acrescentar uns metros à sércea antiga.
Só dois ou três.
Quem quiser ver a vista que suba ao terraço.
É isso, a arrogancia, a sobranceria e a auto-suficiencia nova-rica, provinciana e chico-esperta caracterizam as decisões dos assuntos públicos.
Talvez que o principal problema das comunidades portuguesas não seja a dificuldade que temos em nos organizarmos.
Talvez seja antes o deficiente método de tomada de decisões.
Por isso estou sempre a falar na Sabedoria das Multidões.
Com assinalável insucesso...
Seis pisos de estacionamento para 200 viaturas.
O que é positivo.
A possibilidade de estacionamento favorece a fixação de moradores na cidade desertificada.
No rés do chão está previsto um supermercado.
Facto tambem positivo.
No último piso prevê-se um restaurante ou um bar, envidraçado, com vistas para o Tejo.
Onde está então a questão?
Primeiro, o projeto não foi debatido com clareza, esclarecendo as dúvidas sobre o supermercado e sobre o aproveitamento do terraço.
Teria sido fácil divulgar o projeto nos meios de comunicação social.
Segundo, a altura do novo edificio ultrapassou a do anterior edificio, o que é um facto sensível por retirar a vista a quem passa na Calçada do Marquês de Abrantes(e também à esplanada do bar aí existente).
Porém, o porta-voz da EMEL afirma que a sércea do novo edificio é a mesma do antigo.
Não é, mas a sobranceria, a arrogancia e a auto-suficiencia do poder municipal definem as suas verdades que têm de ser aceites pelos cidadãos.
É uma hipótese de probabilidade elevada, que são a arrogancia, a sobranceria e a auto-suficiencia dos grandes empreiteiros e dos grandes donos de obra que impedem o debate aberto com os cidadãos.
Daí a termos uma má solução apesar dos objetivos corretos é um pequeno passo.
E há finalmente o "chico-espertismo", de acrescentar uns metros à sércea antiga.
Só dois ou três.
Quem quiser ver a vista que suba ao terraço.
É isso, a arrogancia, a sobranceria e a auto-suficiencia nova-rica, provinciana e chico-esperta caracterizam as decisões dos assuntos públicos.
Talvez que o principal problema das comunidades portuguesas não seja a dificuldade que temos em nos organizarmos.
Talvez seja antes o deficiente método de tomada de decisões.
Por isso estou sempre a falar na Sabedoria das Multidões.
Com assinalável insucesso...
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mercado chão do loureiro,
método de decisão
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Detroit, 1967
Em 1967, em Detroit, uma revolta de rua provocou cerca de 40 mortos durante a repressão policial.
Havia um problema na cidade que se traduzia por um muro que separava a zona em que a população branca podia construir habitações porque tinha acesso ao crédito, da zona em que a população negra não tinha acesso ao crédito (informação retirada de um programa Odisseia sobre as crises financeiras).
Em 1974, na Irlanda do Norte, a polícia, sem qualquer provocação, disparou a matar sobre manifestantes irlandeses (o governo inglês veio anos mais tarde a apresentar desculpas).
Estes dois pequenos exemplos servem apenas para mostrar que as populações ocidentais não têm razão para se sentirem superiores a quem quer que seja que tenha necessidade de se manifestar, com mais ou menos ingenuidade ou melhor ou pior enganado.
E seria bom que os meios de comunicação social não incentivassem esse sentimento de superioridade, esse “espírito de cruzados”.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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revoltas
Vanessa, Vanessa
Se, por acaso, este texto chegar a ti, quero que acredites que desejo sinceramente que ultrapasses os teus problemas de momento e que te sintas bem em voltar a competir.
Escrevo isto porque posso ser mal interpretado nas considerações que vou fazer.
Nós, portugueses, somos inseguros, e como tal, achamos que, sempre que alguém se distingue ou sempre que realizamos uma obra notável, somos os melhores do mundo.
Por teres sido campeã, os portugueses exerceram sobre ti uma pressão para que fosses sempre a melhor.
Sabes, a competição de uma pessoa consigo própria é, em princípio, saudável.
A alta competição, por aquilo de que a pessoa tem de abdicar e pelas expetativas e exigências da opinião pública, pode ultrapassar os limites do aceitável.
Quando todos se entusiasmavam com os teus êxitos, eu impressionava-me com a vida que tu fazias.
Fechada num retiro, a treinar assim que acordavas, até que te deitavas.
Lembras-te de como foi engraçado vestires-te e maquilhares-te para aquela série de fotografias para “promover Portugal”, aquela campanha do ministro Pinho?
Ficaste gira.
Mas voltaste logo à vida monástica que fazias.
A opinião pública é perigosa.
Especialmente porque exprime com clareza a insegurança e a necessidade de a compensar.
De preferência com sucessos de pessoas como tu, que não exijam esforços aos espetadores.
Como seria bom para todos nós se, em vez de querermos ser os melhores, nos contentássemos em ser esforçados e honestos naquilo que fazemos, mesmo que os resultados dos alemães, dos franceses, dos ingleses, dos australianos, sejam melhores do que os nossos.
O problema é que muitos dos que exigem os teus sucessos não se esforçam no seu próprio trabalho.
E bastava definir uns objetivos razoáveis, na faixa de cima da mediania, por exemplo.
Como dizia o sargento da polícia no Ovo da Serpente de Ingmar Bergmann, que naquele momento, o que ele queria era apenas que cada um exercesse a sua profissão, que o equilibrista no arame que ele tinha na frente fosse fazer os seus números.
E bastava definir uns objetivos razoáveis, na faixa de cima da mediania, por exemplo.
Como dizia o sargento da polícia no Ovo da Serpente de Ingmar Bergmann, que naquele momento, o que ele queria era apenas que cada um exercesse a sua profissão, que o equilibrista no arame que ele tinha na frente fosse fazer os seus números.
Não te preocupes.
Podes não continuar a ser a melhor, mas basta que dês aquilo que é razoável dares.
Mais não; que a saúde está primeiro.
Mais vale competir honestamente do que ser a primeira à custa de violência.
Felicidades para ti.
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alta competição
sábado, 5 de fevereiro de 2011
Economicómio LXVIII - Portugal tem de se reindustrializar
O título pertence a uma frase de João Ferreira do Amaral, economista professor do ISEG: "Portugal tem uma agenda clarissima: tem de se reindustrializar".
Quando uma afirmação é feita por um professor e é também feita de forma independente por um ignorante, a probabilidade de estar certa é elevadissima.
Como ignorante de economia, sempre achei que o setor industrial em Portugal andava a ser desprezado.
Logo, parece-me altamente provável que a reindustrialização seja uma diretiva correta.
Continuação do testemunho de João Fereira do Amaral: "Inserimo-nos mal na globalização: especializámo-nos em setores não transacionáveis e o resultado foi perder mercados e acumular défice na balança de pagamentos".
É isso, tem de se investir na industria.
Para a minha geração (e para a de João Ferreira do Amaral), há um pouco de nostalgia nisto. Quando "tirámos" os nossos cursos, como se dizia na altura (quando havia 30.000 cidadãos e 15.000 cidadãs com curso superior no país, o que era um indicador de grave atraso cultural ), a opinião dominante era que a industria devia desenvolver-se.
Apesar do "condicionamento industrial" imposto pelo regime anterior ao 25 de Abril de 1974, que dificultava o surgimento de novas industrias, técnicos desse regime, como Rafael Duque e Ferreira Dias tentaram a industrialização do país.
Nos anos 80 e 90 do século XX, contrariando a opinião de muitos técnicos, fecharam fábricas de metalomecanica como a Sorefame, a Mague, a Lisnave, a Precix.
Foram invocadas razões de mercado.
A história demonstrou que eram más razões (por exemplo, o preço dos petroleiros sul-coreanos subiu quando perdeu a concorrencia de estaleiros como os da Lisnave).
Logo, a reindustrialização é a diretiva a seguir.
Dispensa-se a vitimização da falta de dinheiro porque para estas coisas ainda existe o QREN.
Quando uma afirmação é feita por um professor e é também feita de forma independente por um ignorante, a probabilidade de estar certa é elevadissima.
Como ignorante de economia, sempre achei que o setor industrial em Portugal andava a ser desprezado.
Logo, parece-me altamente provável que a reindustrialização seja uma diretiva correta.
Continuação do testemunho de João Fereira do Amaral: "Inserimo-nos mal na globalização: especializámo-nos em setores não transacionáveis e o resultado foi perder mercados e acumular défice na balança de pagamentos".
É isso, tem de se investir na industria.
Para a minha geração (e para a de João Ferreira do Amaral), há um pouco de nostalgia nisto. Quando "tirámos" os nossos cursos, como se dizia na altura (quando havia 30.000 cidadãos e 15.000 cidadãs com curso superior no país, o que era um indicador de grave atraso cultural ), a opinião dominante era que a industria devia desenvolver-se.
Apesar do "condicionamento industrial" imposto pelo regime anterior ao 25 de Abril de 1974, que dificultava o surgimento de novas industrias, técnicos desse regime, como Rafael Duque e Ferreira Dias tentaram a industrialização do país.
Nos anos 80 e 90 do século XX, contrariando a opinião de muitos técnicos, fecharam fábricas de metalomecanica como a Sorefame, a Mague, a Lisnave, a Precix.
Foram invocadas razões de mercado.
A história demonstrou que eram más razões (por exemplo, o preço dos petroleiros sul-coreanos subiu quando perdeu a concorrencia de estaleiros como os da Lisnave).
Logo, a reindustrialização é a diretiva a seguir.
Dispensa-se a vitimização da falta de dinheiro porque para estas coisas ainda existe o QREN.
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reindustrialização
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Ainda a Ameixoeira
1 - Comecemos por esta imagem, perto da calçada do forte da Ameixoeira e sobranceira à estrada do desvio.
Carneiros admirados com o humano e o humano admirado com os carneiros.
Diz-me o pastor que só cuida dos bichos para manter a tradição, que número de bichos não rentabiliza a produção de queijo (lá está outra vez a lei oculta dos rendimentos decrescentes), que o que justifca o trabalho é a venda de cordeiros (são sempre os inocentes que pagam) e que a câmara está a exigir plantas rigorosas com os terrenos ocupados pelos ovinos.
Salvo melhor opinião, se os senhores da câmara tivessem um pingo de amor vivido pela sua cidade, não deixavam morrer os rebanhos.
2 - Dois recantos com potencial turístico

3 - As ruínas das fotos do dia 22 de Julho de 2010 mantêm-se.
Ver
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2010/07/ruinas-6-ameixoeira.html
4 - A junta de freguesia. Mostro novamente o edificio da junta de freguesia.
Que lhe reserva o plano tão incensado de redução de 53 para 24 freguesias em Lisboa?
O plano conduzirá mesmo a poupanças?
Ou será o reconhecimento da derrota que é a desertificação da cidade?
Se uma freguesia tem poucos habitantes deve fechar-se ou deve repovoar-se?
Se uma cidade que tinha há 30 anos 800.000 habitantes e tem agora 500.000 deve preocupar-se primeiro com o número das suas freguesias ou deve estudar o alargamento dos seus limites para recuperar habitantes?
Quem louva o plano estará só a pensar nas economias decorrentes da redução de orgãos e de autarcas?
Não haverá trabalho para os atuais autarcas executarem?
Quem integra o rebanho da Ameixoeira na sua urbanização?
Quem projeta a instalação de centros de interesse (hoteis, rstaurantes, salas de espetáculo, museus) para o turismo neste bairro, à semelhança do que as cidades europeias fazem, recuperando os bairros tradicionais para o turismo?
Fundindo freguesias e afastando as pessoas dos pontos de decisão?
Quanto vale o trabalho que vai deixar de se fazer, mais ou menos do que as poupanças?
Não querem os senhores da câmara acreditar que a inteligencia distribui-se, não se concentra.
Amam a sua cidade?
Querem que as pessoas acredite?
5 - Estrada da Ameixoeira. A estrada é estreita e tem dum lado a igreja da Ameixoeira e um antigo solar onde está instalada uma universidade privada, e, do outro, uma encosta íngreme que se prolonga até à Calçada de Carriche.

Seria interessante que a junta de freguesia ou a CML contratassem especialistas de geologia para avaliação dos riscos de deslizamentos de terras e elaboração de recomendações.
Pelo menos a garantia de um caminho de escoamento das águas e enxurradas era boa ideia.
O mesmo para a cumeada do outro lado da estrada do desvio, sobranceira à quinta das Lavadeiras.

6 - Um pouco de abstracionismo. Liquens sobre o muro da estrada da Ameixoeira, do lado do norte. Sinal também de que a poluição não é tanta como se poderia temer.
7 - O jardim. E de repente, um jardim do século XVIII ao dispor dos munícipes, com bancos de azulejos de fazer inveja aos antiquários, com reformados a gozar o sol de inverno. Nem tudo é mau nesta cidade.
Carneiros admirados com o humano e o humano admirado com os carneiros.
Diz-me o pastor que só cuida dos bichos para manter a tradição, que número de bichos não rentabiliza a produção de queijo (lá está outra vez a lei oculta dos rendimentos decrescentes), que o que justifca o trabalho é a venda de cordeiros (são sempre os inocentes que pagam) e que a câmara está a exigir plantas rigorosas com os terrenos ocupados pelos ovinos.
Salvo melhor opinião, se os senhores da câmara tivessem um pingo de amor vivido pela sua cidade, não deixavam morrer os rebanhos.
2 - Dois recantos com potencial turístico

Ver
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2010/07/ruinas-6-ameixoeira.html
4 - A junta de freguesia. Mostro novamente o edificio da junta de freguesia.
Que lhe reserva o plano tão incensado de redução de 53 para 24 freguesias em Lisboa?
O plano conduzirá mesmo a poupanças?
Ou será o reconhecimento da derrota que é a desertificação da cidade?
Se uma freguesia tem poucos habitantes deve fechar-se ou deve repovoar-se?
Se uma cidade que tinha há 30 anos 800.000 habitantes e tem agora 500.000 deve preocupar-se primeiro com o número das suas freguesias ou deve estudar o alargamento dos seus limites para recuperar habitantes?
Quem louva o plano estará só a pensar nas economias decorrentes da redução de orgãos e de autarcas?
Não haverá trabalho para os atuais autarcas executarem?
Quem integra o rebanho da Ameixoeira na sua urbanização?
Quem projeta a instalação de centros de interesse (hoteis, rstaurantes, salas de espetáculo, museus) para o turismo neste bairro, à semelhança do que as cidades europeias fazem, recuperando os bairros tradicionais para o turismo?
Fundindo freguesias e afastando as pessoas dos pontos de decisão?
Quanto vale o trabalho que vai deixar de se fazer, mais ou menos do que as poupanças?
Não querem os senhores da câmara acreditar que a inteligencia distribui-se, não se concentra.
Amam a sua cidade?
Querem que as pessoas acredite?
5 - Estrada da Ameixoeira. A estrada é estreita e tem dum lado a igreja da Ameixoeira e um antigo solar onde está instalada uma universidade privada, e, do outro, uma encosta íngreme que se prolonga até à Calçada de Carriche.

Seria interessante que a junta de freguesia ou a CML contratassem especialistas de geologia para avaliação dos riscos de deslizamentos de terras e elaboração de recomendações.
Pelo menos a garantia de um caminho de escoamento das águas e enxurradas era boa ideia.
O mesmo para a cumeada do outro lado da estrada do desvio, sobranceira à quinta das Lavadeiras.

6 - Um pouco de abstracionismo. Liquens sobre o muro da estrada da Ameixoeira, do lado do norte. Sinal também de que a poluição não é tanta como se poderia temer.
7 - O jardim. E de repente, um jardim do século XVIII ao dispor dos munícipes, com bancos de azulejos de fazer inveja aos antiquários, com reformados a gozar o sol de inverno. Nem tudo é mau nesta cidade.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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Ameixoeira,
redução das freguesias de Lisboa
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Deolinda - Que parva que eu sou
O concerto dos Deolinda foi um exito. A sua nova canção "Que parva que eu sou" começou logo a circular na Internet:
Sou da geração sem remuneração
e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar,
já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.
Sou da geração ‘casinha dos pais’,
se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
e ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.
Sou da geração ‘vou queixar-me pra quê?’
Há alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou!
Sou da geração ‘eu já não posso mais!’
que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.
e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar,
já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.
Sou da geração ‘casinha dos pais’,
se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
e ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.
Sou da geração ‘vou queixar-me pra quê?’
Há alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou!
Sou da geração ‘eu já não posso mais!’
que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.
É toda uma geração que se identifica com esta letra.
Já se proclama que é a nova canção de intervenção.
E quando os protestos começam nos jovens, o poder pode tremer.
Sabes, Deolinda, quase que me apetece concordar, que parva que és.
Mas como diria Inês Pedrosa ("Fazes-me falta"), serás antes uma garota zonza.
Demasiado ingénua para pensares, enquanto andaste a estudar, que o mundo talvez não fosse o que lias nos jornais (ou vias na televisão), o que te diziam os teus professores de gestão que os mercados têm de ser competitivos e livres, que as maravilhas da Internet e das novas tecnologias tudo resolviam por si.
Garota zonza, que deste prioridade às noites da 24 de Julho ou da Ribeira.
Que te orgulhaste de, repentinamente, o teu país começar a ter a juventude nas universidades; já não havia aquela separação antipática dos filhos família que podiam tirar os cursos superiores enquanto os teus pais e os pais dos teus vizinhos tinham de procurar cedo trabalho nas lojas, nas oficinas, a aprenderem na universidade da vida em lugar de aprenderem nas escolas indutriais ou comerciais ou nos liceus, como se dizia antigamente das escolas secundárias.
Não reparaste, ocupada como estavas com os teus testes de gestão e com os programas de socialização e normalização que tinhas de preparar para as noites de fim de semana (porque senão não te integravas entre os teu pares e isso seria uma rejeição insuportável), que no teu país se estava a criar uma separação escandalosa entre os cada vez menos que têm a cada vez maior fatia do rendimento e os cada vez mais que têm a cada vez mais pequena fatia do rendimento.
Mas foste sempre acreditando que a culpa era dos malcheirosos que não queriam trabalhar nas fábricas, ou nos transportes públicos, ou então que a culpa era dos professores que ganhavam mais do que os colegas finlandeses.
E para ti nunca houve sindicatos, essa coisa do passado, já ultrapassada.
Nunca achaste importante ir votar.
Aliás, ainda nas últimas eleições, garota zonza, deixaste a abstenção ganhar a votação.
Tiveste coisas mais importantes para fazer, um filme em DVD, ou jogos na Wi.
Ou não tinhas confiança nos politicos.
Eu acho que não podes meter todos os politicos no mesmo saco, mas eu pertenço a uma geração já muito antiga, ultrapassada, jurássica como gostas de dizer, do tempo em que havia 30.000 homens e 15.000 mulheres com um curso superior (não era bom, evidentemente).
Não tenho os números de agora, mas quando acabaste o teu curso superior os numeros eram 260.000 homens e 370.000 mulheres. Essa foi uma vitória do teu país, juntamente com a diminuição espetacular da mortalidade infantil.
Coisas do estado social, ou providencia, como te habituaste, acrítica, a ouvir classificar, sempre para valorizar a iniciativa privada, o mercado desregulado.
Nunca pensaste que era isso, o acriticismo permissivo da desregulação, que os grandes grupos económicos estavam interessados em que tu e a tua geração pensasse, para poderem fazer as suas especulações mais descansados, os seus negócios com as "off-shores", os seus negócios entre amigos.
Achavas bem ires aos grandes centros comerciais e comprar fruta barata, embora ela viesse de países em que os apanhadores de fruta são explorados como se fossem escravos (estes sim,como se fossem escravos: só são aceites como apanhadoras de morangos na Andaluzia marroquinas com filhos, para haver a garantia de que regressam a Marrocos), ou comprares uns sapatos de marca italiana de tiras prateadas feitos na India por um miúdo cheio de fome.
Nunca quiseste saber desses pormenores desagradáveis.
Interessavam-te os melhores preços, mesmo que as empresas de cá fechassem.
Nunca quiseste saber desses pormenores desagradáveis.
Interessavam-te os melhores preços, mesmo que as empresas de cá fechassem.
Enquanto os teus amigos iam acabando os seus cursos, iam ganhando os seus recibos verdes, iam, como tu dizes,tendo a sorte de poder estagiar, ou, tendo ainda mais sorte, iam arranjando um emprego numa empresa pública, com garantia de trabalho remunerado, com um recibo suficientemente credivel junto dos bancos para viabilizar o empréstimo para a compra do andar nos suburbios de Lisboa ou para a compra da carrinha de prestígio para impressionar os vizinhos.
Isso não tem mal, tirando talvez essa ideia de querer impressionar a vizinhança com o carro potente, mas a cidade deixou de ser uma cidade para jovens.
Mas mesmo assim não te importaste muito.
Tu e os teus amigos têm o Facebook para trocar as mensagens de socialização e de normalização em torno da vitimização de quem é mal pago e vê as prestações do crédito subir.
Não terão estudado nos seus cursos o ponto de vista freudiano, que quem se sente remunerado abaixo do que considera o próprio valor, sofre de um problema grave de insegurança e de deficiencia de auto-análise?
Não tens uma palavra, Deolinda, para quem perde os seus empregos, para quem procura trabalho e não encontra?
E não tens nada a dizer sobre os senhores importantes que vão para a televisão dizer que agora não há dinheiro para fazer investimentos, apesar de ser isso que gera empregos (desde que reprodutivos e úteis, claro)?
E não tens nada a dizer sobre os senhores importantes que vão para a televisão dizer que agora não há dinheiro para fazer investimentos, apesar de ser isso que gera empregos (desde que reprodutivos e úteis, claro)?
O que te choca é ter um curso superior e ganhar mal?
Que mal tem se a tua amiga médica e o teu amigo engenheiro ganharem tanto como o teu vizinho serralheiro ou o teu primo pedreiro?
E se isso acontecer porque o bolo total do rendimento afinal é pequeno e não dá para mais?
Que mal terá isso se o bolo for nosso?
Será pequeno mas será nosso, e seremos nós que mandamos nele, no bolo do rendimento e na distribuição equilibrada do rendimento, não aqueles senhores importantes que falam com um ar tão sério na televisão.
Não vamos poder passar férias nas Caraibas, mas que importa se o bolo for nosso?
Que mal tem se a tua amiga médica e o teu amigo engenheiro ganharem tanto como o teu vizinho serralheiro ou o teu primo pedreiro?
E se isso acontecer porque o bolo total do rendimento afinal é pequeno e não dá para mais?
Que mal terá isso se o bolo for nosso?
Será pequeno mas será nosso, e seremos nós que mandamos nele, no bolo do rendimento e na distribuição equilibrada do rendimento, não aqueles senhores importantes que falam com um ar tão sério na televisão.
Não vamos poder passar férias nas Caraibas, mas que importa se o bolo for nosso?
Este país seguirá dentro de momentos.
Graças a quem trabalha em algo que possa ser exportado ou vendido no estrangeiro, que é o que poderá suportar isto.
Sabes, Deolinda, cantas bem e os teus músicos tocam bem.
Mas não deixes que o sucesso te estrague.
O teu poema é minimalista e coloquial.
Não tem mal, mas não é um bom poema.
Procura quem faça bons poemas ou já os tenha.
Procura quem faça bons poemas ou já os tenha.
Vai ser utilizado na Internet como aquelas mensagens em que se critica tudo, em que todos nos vitimizamos, mas em que não há soluções.
Reivindicar melhoria de remunerações para uma classe média enganada (desviada dos objetivos durante o seu período de formação)e que não conseguiu erguer uma estrutura produtiva saudável para a economia do país, pode colher muitas palmas nos coliseus (porque os ouvintes se sentem identificados com as tuas palavras, porque os seus centros de prazer antecipam o que lhes vais dizer), mas não resolve o problema da produção de bens uteis, dos investimentos reprodutivos e da distribuição equilibrada dos rendimentos.
Peço desculpa pelas minhas palavras amargas.
Não és a geração rasca nem és parva.
Mas achaste, tu e a tua geração, que a minha estava ultrapassada.
Está, de facto, na sua capacidade de mudar o mundo (onde vão os Beatles e o "Imagine")e na sua energia.
Mas, Deolinda, tu e a tua geração afastaram-se da realidade e acreditaram nas fadas virtuais do poder económico que nos dirige.
Não acredites agora nos mesmos que há 3 anos atrás propagandeavam os mercados desregulados.
Não enfies mais barretes, garota zonza, deixa-me tambem falar coloquialmente.
Vê se votas como deve ser nas próximas eleições e continua a cantar.
Publicada por
Fernando de Carvalho Santos e Silva
à(s)
19:30
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