Estava a linda Inês posta em seu sossego, como dizia Luis Vaz.
O tema foi objeto de uma ópera por Persiani.
Cecilia Bartoli canta aqui a à ria Cari,giorni serenni...
Seria interessante conhecer pormenores psicológicos do senhor D.Pedro para percebre melhor a evolução politica da época.
Entretanto, a musica é mesmo bonita, não é?
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Cecilia Bartoli cantando Inês de Castro, de Persiani
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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Agricultura na segunda metade de 2011
Com a devida vénia ao DN e ao seu colaborador Ricardo Freixial, autor do artigo de que retirei os dados.
É preocupante ver os senhores importantes que tomam decisões neste país falarem e não referirem um facto elementar, que alguns cidadãos e cidadãs já vinham comentando, antes da crise se tornar evidente.
Nenhum país é sustentável se não for autónomo em energia e na alimentação.
A Islandia, apesar da sua pequenez e das suas dívidas, está a resolver o problema, não só porque a participação na solução é alargada, mas porque é autónoma na energia (hidrica e geotérmica) e na alimentação (o setor das pescas nunca foi debilitado).
Em Portugal, é preocupante que alguns senhores muito importantes e apreciados nas questões energéticas se escandalizem tanto com os custos das energias renováveis até ao ponto de fazerem queixa aos senhores da troica e se preocuparem com a falta de consumidores para as eólicas durante a noite (e contudo, lembro-me de ver alguns nas mesmas aulas em que o professor falava da bombagem nas horas de vazio; era o tempo em que ainda não era possível produzir hidrogénio para alimentar motores de automóvel).
Mais preocupante ainda é não se monitorizar publicamente a evolução da balança de pagamentos, para tentarmos conter e substituir as importações e cobri-las com as exportações.
Principalmente no caso da alimentação.
É verdade que as exportações estão a crescer, mas as importações também, embora a menor taxa, continuando a ser quase o dobro das exportações.
O panorama internacional está a piorar com o aumento do custo das matérias primas como cereais (entre outras razões, por causa dos biocombustiveis).
Valor das importações de bens alimentares em 2009 ........... 7.481 milhões de euros (14,6% do
total das importações)
défice alimentar (importações-exportações) ........................ 3.300 milhões de euros (aumento
de 23,7% em 10 anos)
dependencia do exterior em cereais .................................... 70%
aumento dos custos de produção de
bens alimentares em 2010 .................................................. 30%
Conclusão : aguarda-se uma politica de crescimento da produção agrícola e de fixação de populações produtoras no interior para substituir importações e para produzir para exportar
É preocupante ver os senhores importantes que tomam decisões neste país falarem e não referirem um facto elementar, que alguns cidadãos e cidadãs já vinham comentando, antes da crise se tornar evidente.
Nenhum país é sustentável se não for autónomo em energia e na alimentação.
A Islandia, apesar da sua pequenez e das suas dívidas, está a resolver o problema, não só porque a participação na solução é alargada, mas porque é autónoma na energia (hidrica e geotérmica) e na alimentação (o setor das pescas nunca foi debilitado).
Em Portugal, é preocupante que alguns senhores muito importantes e apreciados nas questões energéticas se escandalizem tanto com os custos das energias renováveis até ao ponto de fazerem queixa aos senhores da troica e se preocuparem com a falta de consumidores para as eólicas durante a noite (e contudo, lembro-me de ver alguns nas mesmas aulas em que o professor falava da bombagem nas horas de vazio; era o tempo em que ainda não era possível produzir hidrogénio para alimentar motores de automóvel).
Mais preocupante ainda é não se monitorizar publicamente a evolução da balança de pagamentos, para tentarmos conter e substituir as importações e cobri-las com as exportações.
Principalmente no caso da alimentação.
É verdade que as exportações estão a crescer, mas as importações também, embora a menor taxa, continuando a ser quase o dobro das exportações.
O panorama internacional está a piorar com o aumento do custo das matérias primas como cereais (entre outras razões, por causa dos biocombustiveis).
Valor das importações de bens alimentares em 2009 ........... 7.481 milhões de euros (14,6% do
total das importações)
défice alimentar (importações-exportações) ........................ 3.300 milhões de euros (aumento
de 23,7% em 10 anos)
dependencia do exterior em cereais .................................... 70%
aumento dos custos de produção de
bens alimentares em 2010 .................................................. 30%
Conclusão : aguarda-se uma politica de crescimento da produção agrícola e de fixação de populações produtoras no interior para substituir importações e para produzir para exportar
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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18:03
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Como resolver problemas?
Com a devida vénia à Ingenium e a Jorge Buescu, pelo seu artigo "Matemática, arma de construção maciça".
Grandes problemas da ciência foram resolvidos por grandes vultos da história da Ciência.
Já Newton dizia que conseguia ver longe porque estavam em cima de ombros dos gigantes que o precederam (deselegancia de Newton, que escreveu isto para achincalhar Halley, o do cometa, que tinha menos de um metro e meio de altura).
Lá está, pelo facto de se ser sobredotado, não podem conceder-se direitos especiais, que afinal são pessoas também com defeitos.
Então Newton. Nunca ficou esclarecida aquela disputa com Leibnitz, este muito mais urbano, sobre o cálculo diferencial e integral.
Ou Einstein, que nunca conseguiu ultrapassar o desgosto de ter um filho intelectualmente deficiente.
Mas a ciência evoluiu e nos tempos que correm o cientista isolado e as descobertas isoladas vão-se esbatendo.
Já tinhamos o "matemático" Bourbakis, que era o resultado do trabalho de investigação de um grupo de matemáticos.
Temos agora o exemplo descrito por Jorge Buescu na Ingenium: Timothy Gowers, matemático de Cambridge, resolveu fazer um blogue para receber ideias para tentar demonstrar o teorema da densidade de Hales-Jewitt de forma elementar e interna ao domínio do teorema, a análise combinatória (ver pormenores no artigo, sff). E conseguiu, a demonstração ficou a dever-se à colaboração de centenas de comentadores do blogue. Gowers chamou a este método projeto Polymath. Pensa agora abordar os problemas matemáticos do milénio. Só há um problema, é a repartição do prémio da sociedade Clay Mathematics (1 milhão de dólares). Problema esse que poderá ser resolvido pelo próprio método colaborativo, ou mais simplesmente ainda, pelo método cooperativo: uma voz, um voto (independentemente do numero de ações), uma participação válida, um voto.
Assim se resolvem assuntos complexos, independentemente da dinamica do lucro em que acreditam os grandes dirigentes politicos que conseguem arrastar multidões para o seu método fulanizado de atacar as questões.
Este blogue, correndo o risco de incorrer em imodéstia, aproveita para recordar os já aqui falados métodos de "crowdsourcing" propostos pelos livros "A Sabedoria das Multidões", de James Surowiecky, claramente defensores do trabalho de grupo (constituido por elementos dentro dos assuntos, evidentemente), "Wikinomics", de Dan Tapscott (http://fcsseratostenes.blogspot.com/search?q=wikinomics) e "Muitas cabeças pensam melhor", de Barry Libert, Jon Spector e comentadores na Internet (http://fcsseratostenes.blogspot.com/search?q=spector).
Salvo melhor opinião, a humanidade (pelo menos muita gente dentro da humanidade) aprendeu nas últimas décadas que não há detentores de verdades únicas nem partidos únicos que possam chamar a si a responsabilidade única das tentativas de solução dos problemas. Sem prejuizo das opiniões de cada um, claro, mas o que se pretende é a tal linha divisória que possa ser puxada, em cada caso concreto, mais para um lado ou para o outro, com a colaboração do maior numero possivel de sensibilidades minimamente informadas sobre o assunto.
Dir-se-ia que os problemas do país (e da UE também?) e das suas empresas deveriam ser abordados com base nos métodos dos 3 livros referidos.
Salvo melhor opinião, claro.
Grandes problemas da ciência foram resolvidos por grandes vultos da história da Ciência.
Já Newton dizia que conseguia ver longe porque estavam em cima de ombros dos gigantes que o precederam (deselegancia de Newton, que escreveu isto para achincalhar Halley, o do cometa, que tinha menos de um metro e meio de altura).
Lá está, pelo facto de se ser sobredotado, não podem conceder-se direitos especiais, que afinal são pessoas também com defeitos.
Então Newton. Nunca ficou esclarecida aquela disputa com Leibnitz, este muito mais urbano, sobre o cálculo diferencial e integral.
Ou Einstein, que nunca conseguiu ultrapassar o desgosto de ter um filho intelectualmente deficiente.
Mas a ciência evoluiu e nos tempos que correm o cientista isolado e as descobertas isoladas vão-se esbatendo.
Já tinhamos o "matemático" Bourbakis, que era o resultado do trabalho de investigação de um grupo de matemáticos.
Temos agora o exemplo descrito por Jorge Buescu na Ingenium: Timothy Gowers, matemático de Cambridge, resolveu fazer um blogue para receber ideias para tentar demonstrar o teorema da densidade de Hales-Jewitt de forma elementar e interna ao domínio do teorema, a análise combinatória (ver pormenores no artigo, sff). E conseguiu, a demonstração ficou a dever-se à colaboração de centenas de comentadores do blogue. Gowers chamou a este método projeto Polymath. Pensa agora abordar os problemas matemáticos do milénio. Só há um problema, é a repartição do prémio da sociedade Clay Mathematics (1 milhão de dólares). Problema esse que poderá ser resolvido pelo próprio método colaborativo, ou mais simplesmente ainda, pelo método cooperativo: uma voz, um voto (independentemente do numero de ações), uma participação válida, um voto.
Assim se resolvem assuntos complexos, independentemente da dinamica do lucro em que acreditam os grandes dirigentes politicos que conseguem arrastar multidões para o seu método fulanizado de atacar as questões.
Este blogue, correndo o risco de incorrer em imodéstia, aproveita para recordar os já aqui falados métodos de "crowdsourcing" propostos pelos livros "A Sabedoria das Multidões", de James Surowiecky, claramente defensores do trabalho de grupo (constituido por elementos dentro dos assuntos, evidentemente), "Wikinomics", de Dan Tapscott (http://fcsseratostenes.blogspot.com/search?q=wikinomics) e "Muitas cabeças pensam melhor", de Barry Libert, Jon Spector e comentadores na Internet (http://fcsseratostenes.blogspot.com/search?q=spector).
Salvo melhor opinião, a humanidade (pelo menos muita gente dentro da humanidade) aprendeu nas últimas décadas que não há detentores de verdades únicas nem partidos únicos que possam chamar a si a responsabilidade única das tentativas de solução dos problemas. Sem prejuizo das opiniões de cada um, claro, mas o que se pretende é a tal linha divisória que possa ser puxada, em cada caso concreto, mais para um lado ou para o outro, com a colaboração do maior numero possivel de sensibilidades minimamente informadas sobre o assunto.
Dir-se-ia que os problemas do país (e da UE também?) e das suas empresas deveriam ser abordados com base nos métodos dos 3 livros referidos.
Salvo melhor opinião, claro.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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O sistema educativo na Finlandia
O DN traz na sua revista de domingo, 4 de setembro, uma reportagem sobre a educação na Finlandia, tentando perceber por que os alunos finlandeses ocupam os primeiros lugares no PISA (compreensão de textos na lingua materna, de matemática, de ciencias da natureza) e os portugueses uma muito modesta posição a meio da tabela.
São sempre perigosas estas comparações e há a tentação de importar soluções que funcionam noutros contextos e no nosso não.
Além disso, ninguém quererá que num liceu português, como já aconteceu num liceu finlandês, um aluno mate a tiros de espingarda alguns colegas e professores (na Finlandia não é exigida licença de porte de armas, como nos USA).
Mas centremo-nos nas diferenças que interessam: na Finlandia o ensino é universal e gratuito, são raras as escolas privadas, o ordenado dos professores estará na classe média-baixa, não há sistema de avaliação de professores (o que confirma a hipótese: insistir num sistema de avaliação significa desconfiança dos potenciais avaliados e subserviencia às firmas fornecedoras de sistemas de avaliação), a influencia das limitações financeiras e culturais dos pais no rendimento escolar é baixa.
Este blogue já referiu um exemplo ilustrativo de uma diferença que lhe parece essencial: um aluno português do programa Erasmo na Finlandia copiou num exame; o professor detetou e comunicou ao aluno a expulsão do programa; o pai do menino pediu ao embaixador em Helsinquia e ele foi falar com o diretor da universidade pedindo a reintegração; sem sucesso, claro.
Moral da história: agradece-se muito ao criador ter dotado este nosso povo com uma capacidade de desenrascanço tão grande, mas sinceramente, não precisava; mais valia voar mais baixinho e saber que copiar é proibido e tem sanções, e que nunca deveria ter passado pela cabeça do senhor embaixador tentar uma cunha como esta (ou como qualquer cunha, que sociedade do conhecimento é outra coisa; não é esta mania portuguesa de procurar alguem que conheça alguem que conheça alguem que é o melhor para resolver o problema, em vez de ir à loja aberta a todos os cidadãos e cidadãs onde esses problemas se resolvem).
Preocupação na Finlandia: o ensino nivela tudo e todos, impedindo os sobredotados de evoluirem mais depressa.
Não há sistemas perfeitos, mas isso poderá remediar-se com pequenos acertos, lá na Finlandia.
Desde que não caiam no portuguesissimo defeito de eleger sobredotados.
Como dizia, mais vale voar baixinho, mais vale que um problema complexo seja resolvido com a participação de muitos medianos do que por um sobredotado ou por um grupo restrito de sobredotados fechado em gabinetes a anunciar a conta gotas como vão salvar a pátria.
É que os direitos são iguais, sobredotados ou não; até vem na Constituição.
São sempre perigosas estas comparações e há a tentação de importar soluções que funcionam noutros contextos e no nosso não.
Além disso, ninguém quererá que num liceu português, como já aconteceu num liceu finlandês, um aluno mate a tiros de espingarda alguns colegas e professores (na Finlandia não é exigida licença de porte de armas, como nos USA).
Mas centremo-nos nas diferenças que interessam: na Finlandia o ensino é universal e gratuito, são raras as escolas privadas, o ordenado dos professores estará na classe média-baixa, não há sistema de avaliação de professores (o que confirma a hipótese: insistir num sistema de avaliação significa desconfiança dos potenciais avaliados e subserviencia às firmas fornecedoras de sistemas de avaliação), a influencia das limitações financeiras e culturais dos pais no rendimento escolar é baixa.
Este blogue já referiu um exemplo ilustrativo de uma diferença que lhe parece essencial: um aluno português do programa Erasmo na Finlandia copiou num exame; o professor detetou e comunicou ao aluno a expulsão do programa; o pai do menino pediu ao embaixador em Helsinquia e ele foi falar com o diretor da universidade pedindo a reintegração; sem sucesso, claro.
Moral da história: agradece-se muito ao criador ter dotado este nosso povo com uma capacidade de desenrascanço tão grande, mas sinceramente, não precisava; mais valia voar mais baixinho e saber que copiar é proibido e tem sanções, e que nunca deveria ter passado pela cabeça do senhor embaixador tentar uma cunha como esta (ou como qualquer cunha, que sociedade do conhecimento é outra coisa; não é esta mania portuguesa de procurar alguem que conheça alguem que conheça alguem que é o melhor para resolver o problema, em vez de ir à loja aberta a todos os cidadãos e cidadãs onde esses problemas se resolvem).
Preocupação na Finlandia: o ensino nivela tudo e todos, impedindo os sobredotados de evoluirem mais depressa.
Não há sistemas perfeitos, mas isso poderá remediar-se com pequenos acertos, lá na Finlandia.
Desde que não caiam no portuguesissimo defeito de eleger sobredotados.
Como dizia, mais vale voar baixinho, mais vale que um problema complexo seja resolvido com a participação de muitos medianos do que por um sobredotado ou por um grupo restrito de sobredotados fechado em gabinetes a anunciar a conta gotas como vão salvar a pátria.
É que os direitos são iguais, sobredotados ou não; até vem na Constituição.
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sábado, 3 de setembro de 2011
Semiótica V - os três símbolos japoneses
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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Noticias de Angola no principio de Setembro de 2011
A noticia dizia que o presidente da Republica de Angola tinha nomeado o sucessor no seu cargo.
É verdade que isso sucede ainda nalguns países do planeta, com melhor ou pior submissão ao sufrágio popular, mas em nome da própria tranquilidade de Angola o procedimento para provimento neste cargo deveria ser alterado.
Quando bons exemplos nos chegam no Brasil, esta não é uma boa noticia.
As ligações plutocráticas da familia do presidente e dos principais dirigentes não são uma boa noticia, porque interessava à economia portuguesa investir em Angola. Segundo se ouve em Luanda, a percentagem de distribuição dos dividendos aos acionistas deste grupo familiar e dirigente chega a ser comunicada por email às administrações.
Inversamente, não é bom que o representante dos acionistas do BIC Angola não queira que 5% do BPN fique para os seus trabalhadores ("a ideia era que os acionistas do BIC Portugal sejam os mesmos do BIC Angola", informou o senhor presidente do BIC Portugal, Mira Amaral, que pretende agora pagar 95% dos tais 40 milhões de euros - que confusão,as contratações públicas, quando eu fazia concursos públicos não podia usar estes critérios...).
Enfim, assim vai o mundo financeiro lusófono.
É verdade que isso sucede ainda nalguns países do planeta, com melhor ou pior submissão ao sufrágio popular, mas em nome da própria tranquilidade de Angola o procedimento para provimento neste cargo deveria ser alterado.
Quando bons exemplos nos chegam no Brasil, esta não é uma boa noticia.
As ligações plutocráticas da familia do presidente e dos principais dirigentes não são uma boa noticia, porque interessava à economia portuguesa investir em Angola. Segundo se ouve em Luanda, a percentagem de distribuição dos dividendos aos acionistas deste grupo familiar e dirigente chega a ser comunicada por email às administrações.
Inversamente, não é bom que o representante dos acionistas do BIC Angola não queira que 5% do BPN fique para os seus trabalhadores ("a ideia era que os acionistas do BIC Portugal sejam os mesmos do BIC Angola", informou o senhor presidente do BIC Portugal, Mira Amaral, que pretende agora pagar 95% dos tais 40 milhões de euros - que confusão,as contratações públicas, quando eu fazia concursos públicos não podia usar estes critérios...).
Enfim, assim vai o mundo financeiro lusófono.
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18:33
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sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Semiótica IV - Leiam os meus dedos
Em que pensa o senhor ministro?
Podemos imaginar pelos sinais?
Pelo ar compenetrado pensará em como obter poupanças com cortes nas despesas públicas que em dois terços cubram o que falta tapar, deixando o outro terço para as receitas dos impostos.
E pensará nisso com a penosidade de não estar certo de não estar a enganar ninguém (é assim que o senhor ministro gosta de construir frases) , com isso dos dois terços da poupança virem dos cortes, e que nunca se consegue enganar toda a gente durante todo o tempo.
Pelo ar compenetrado pode pensar-se que os tais cortes de dois terços serão preferencialmente na saúde, na educação, na segurança social, numa palavra, nas gorduras do Estado e naquilo de que os cidadãos e cidadãs necessitam.
É então aqui que estão as gorduras e o ar compenetrado vem de pensar que estamos a chamar gorduras a pessoas que trabalham na função publica e que agora são postas no pelourinho antes de irem para o desemprego ... que tal mudar de alimentação, fazer exercício, mas sem cortar na alimentação como o escocês cortou?
Estará a pensar naquele empresário português que tinha uma fábrica de componentes para máquinas de café na Alemanha com 90 empregados. E quando veio para Portugal montou a mesma fábrica com 120 empregados e diz que é mesmo assim, que a culpa nem é dos funcionários, que têm de levar as crianças ao médico, à escola, que não têm metro, que tiveram de arranjar o telhado da casa, que tiveram de sair da escola para irem trabalhar sem formação profissional, etc, etc. E que se numa equipa de trabalho de 10 elementos só há 7 que trabalham com eficiencia, se reduzirmos a equipa para 7, passarão a ser 5 os que trabalham com eficiência.
Ou o senhor ministro não está a pensar nada disto.
Está a fazer como o Bush pai : "Read my lips".
Leiam os meus dedos.
Vejam como formam um losango.
Não parece mesmo o emblema da Renault?
Renault, a grande empresa que os senhores economistas politicos, eurocratas de Bruxelas pró plutocratas, disseram que tinha de ser privatizada para poder aumentar a sua presença no mercado internacional (?).
E assim se privatizou a Renault em 1996. Só que os governos franceses, quer sejam de direita ou não, e os técnicos que trabalham na Renault, não lhes passa pela cabeça venderem num mercado em baixa os 15,7% que o Estado francês mantem na Renault.
Conceitos diferentes sobre o que é servir o interesse público, e que alguém se deve ter esquecido de explicar aos senhores da troica.
Foi pena não terem explicado, porque vem agora o senhor Poul Thomsen manifestar muita preocupação e escandalo com o desemprego juvenil e com a falta de preparação profissional da maioria dos jovens em Portugal (ver http://sol.sapo.pt/inicio/Economia/Interior.aspx?content_id=26332), e que isso o surpreende mais dos que os desvios dos objetivos (confesso que a mim tambem me preocupa, o insucesso escolar, os maus resultados no PISA e o desemprego juvenil).
Talvez o memorando fosse outro, se tivessem explicado bem isto tudo, e talvez o senhor ministro Vitor Gaspar não tivesse de ficar tão calado, com as mãos em losango, quando pensa no programa das privatizações do que dá dinheiro ao Estado ao fim do ano e que vai deixar de dar.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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Conta do Twitter de P.P.Coelho até ao dia 5 de Junho de 2011
Com a devida vénia ao DN, transcrevo alguns textos do Twitter da conta de P.P.Coelho, atual primeiro ministro de Portugal, no dia seguinte à sua visita à Alemnha, onde manifestou grande interesse em que a Eon, empresa alemã de energia compre os 20,4% da EDP que dão dividendos ao Estado português, e tranquilizou os investidores garantindo que a sua política taxará preferencialmente os rendimentos do trabalho e não os do capital :
1 - "não se põe um país a pão e água por precaução"
2 - "nas despesas correntes do Estado, há 10 a 15% de despesas que podem ser reduzidas"
3 - "vamos ter de cortar em gorduras e de poupar"
4 - "os que têm mais terão de ajudar os que têm menos"
5 - "o governo está-se a refugiar em desculpas para não dizer como é que tenciona concretizar a baixa da TSU"
6 - "a ideia de que o PSD vai aumentar o IVA não tem fundamento"
7 - "se formos governo, posso garantir que não será necessário despedir pessoas nem cortar mais salários para sanear o sistema financeiro português"
8 - "o PSD chumbou o PEC4 porque ... a austeridade não pode incidir sempre no aumento de impostos e no corte do rendimento"
9 - "nós nunca falámos disso (acabar com o 13º mês) e é um disparate"
10- "como é possível manter um governo em que um primeiro ministro mente?"
A interrogação 10 tem a data de 5 de junho, anterior às eleições, mas parece ter validade alargada.
Hoje mesmo no DN vem a noticia do fecho de mais escolas do 1º ciclo até 60 alunos, do fim de quase 5000 contratos com professores de todos os ciclos e da não colocação de 35.000 professores.
Diminuir o numero de professores é uma medida de poupança, que segundo a terminologia acima do Twitter corresponde a eliminar gorduras.
Salvo melhor opinião, é uma ofensa às pessoas que têm dado o seu esforço a ensinar crianças e que não são gorduras.
É também um fator de risco de crescimento do insucesso escolar e correspondente repercussão na criminalidade juvenil daqui por 5 anos.
Quanto ao fecho das escolas, temos aqui um exemplo simples de caciquismo, que é uma forma portuguesa de tribalismo. As próprias câmaras concordam, talvez porque se estimulam o negócio do transporte e benefícios para as sedes dos agrupamentos, em detrimento das pequenas povoações, que cada vez serão menos habitadas. Verifica-se mais uma vez aqui o teorema de Fermat-Weber, de agravamento das concentações, de que também é exemplo o sucesso das grandes superficies comerciais à custa da falencia das pequenas lojas e da assunção dos gastos de combustível pelos clientes.
Não é claro que os custos e os prejuízos para o seu descanso e paz de espírito com o transporte das crianças (acrescem os riscos da sinistralidade rodoviária especialmente nos dias de mau tempo) sejam inferiores aos custos da manutenção da escola e colocação de professores.
Prevaleceu assim a vontade de um governo e das câmaras em detrimento das freguesias, o que é sintomático, quando vemos o governo, ao arrepio do memorando da troica (que inscreveu a redução de câmaras e de freguesias, e não só freguesias), não querer beliscar o clientelismo das câmaras municipais.
Tenho pena de ver o professor Nuno Crato no meio desta tormenta sem ao menos lançar uma âncora para ver se a educação não bate nos rochedos.
Antes os tempos em que ele falava da implosão.
Ao menos podia-se dizer dos ministros que não sabiam o que estavam a fazer.
1 - "não se põe um país a pão e água por precaução"
2 - "nas despesas correntes do Estado, há 10 a 15% de despesas que podem ser reduzidas"
3 - "vamos ter de cortar em gorduras e de poupar"
4 - "os que têm mais terão de ajudar os que têm menos"
5 - "o governo está-se a refugiar em desculpas para não dizer como é que tenciona concretizar a baixa da TSU"
6 - "a ideia de que o PSD vai aumentar o IVA não tem fundamento"
7 - "se formos governo, posso garantir que não será necessário despedir pessoas nem cortar mais salários para sanear o sistema financeiro português"
8 - "o PSD chumbou o PEC4 porque ... a austeridade não pode incidir sempre no aumento de impostos e no corte do rendimento"
9 - "nós nunca falámos disso (acabar com o 13º mês) e é um disparate"
10- "como é possível manter um governo em que um primeiro ministro mente?"
A interrogação 10 tem a data de 5 de junho, anterior às eleições, mas parece ter validade alargada.
Hoje mesmo no DN vem a noticia do fecho de mais escolas do 1º ciclo até 60 alunos, do fim de quase 5000 contratos com professores de todos os ciclos e da não colocação de 35.000 professores.
Diminuir o numero de professores é uma medida de poupança, que segundo a terminologia acima do Twitter corresponde a eliminar gorduras.
Salvo melhor opinião, é uma ofensa às pessoas que têm dado o seu esforço a ensinar crianças e que não são gorduras.
É também um fator de risco de crescimento do insucesso escolar e correspondente repercussão na criminalidade juvenil daqui por 5 anos.
Quanto ao fecho das escolas, temos aqui um exemplo simples de caciquismo, que é uma forma portuguesa de tribalismo. As próprias câmaras concordam, talvez porque se estimulam o negócio do transporte e benefícios para as sedes dos agrupamentos, em detrimento das pequenas povoações, que cada vez serão menos habitadas. Verifica-se mais uma vez aqui o teorema de Fermat-Weber, de agravamento das concentações, de que também é exemplo o sucesso das grandes superficies comerciais à custa da falencia das pequenas lojas e da assunção dos gastos de combustível pelos clientes.
Não é claro que os custos e os prejuízos para o seu descanso e paz de espírito com o transporte das crianças (acrescem os riscos da sinistralidade rodoviária especialmente nos dias de mau tempo) sejam inferiores aos custos da manutenção da escola e colocação de professores.
Prevaleceu assim a vontade de um governo e das câmaras em detrimento das freguesias, o que é sintomático, quando vemos o governo, ao arrepio do memorando da troica (que inscreveu a redução de câmaras e de freguesias, e não só freguesias), não querer beliscar o clientelismo das câmaras municipais.
Tenho pena de ver o professor Nuno Crato no meio desta tormenta sem ao menos lançar uma âncora para ver se a educação não bate nos rochedos.
Antes os tempos em que ele falava da implosão.
Ao menos podia-se dizer dos ministros que não sabiam o que estavam a fazer.
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Stetson Kennedy
O DN de hoje dedica a sua secção Obituário a Stetson Kennedy, escritor e ativista dos direitos humanos nos anos 40 e 50 nos USA.
Defensor da abolição das restrições ao voto, chegou a infiltrar-se no Ku Klux Klan para poder denunciar o racismo.
Apesar de tudo e apesar de ser possível haver retrocessos, alguma evolução positiva se vai verificando na humanidade.
Não consta que o Tea Party queira voltar aos conceitos de diferenciação dos direitos dos cidadãos e cidadãs ao voto e de supremacia de grupos étnicos sobre outros.
Pode o Tea Party ou a sua versão portuguesa querer voltar aos conceitos económicos do século XVIII anteriores à revolução francesa, à supremacia de grupos de população sobre sobre outros e à diferenciação da taxação entre cidadãos e cidadãs, mas a etapa ganha por Stetson Kennedy não está em causa.
Defensor da abolição das restrições ao voto, chegou a infiltrar-se no Ku Klux Klan para poder denunciar o racismo.
Apesar de tudo e apesar de ser possível haver retrocessos, alguma evolução positiva se vai verificando na humanidade.
Não consta que o Tea Party queira voltar aos conceitos de diferenciação dos direitos dos cidadãos e cidadãs ao voto e de supremacia de grupos étnicos sobre outros.
Pode o Tea Party ou a sua versão portuguesa querer voltar aos conceitos económicos do século XVIII anteriores à revolução francesa, à supremacia de grupos de população sobre sobre outros e à diferenciação da taxação entre cidadãos e cidadãs, mas a etapa ganha por Stetson Kennedy não está em causa.
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quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Fala de José Blanco, ministro do Fomento do governo espanhol, para Álvaro Pereira, ministro da Economia do governo português
Fala de José Blanco, ministro do Fomento do governo espanhol, para Álvaro Pereira, ministro da Economia do governo português:
Hola Álvaro.
Me alegro de verte.
Me da gran placer tenerlos aquí en Madrid, usted y tu personal super, y tu jefe de gabinete es mismo super, bajo todos los puntos de vista.
Prefieria que habían venido de AVE, pero está bien, mientras no lo tendremos, tendrás que venir de avion.
Me da gran placer tenerlos aquí en Madrid, usted y tu personal super, y tu jefe de gabinete es mismo super, bajo todos los puntos de vista.
Prefieria que habían venido de AVE, pero está bien, mientras no lo tendremos, tendrás que venir de avion.
Pero hombre, vamos a ver, cuando vengas de avion desde Lisboa hasta aqui, estás consumiendo alrededor de 250 Kg de CO2, tu solo.
Entonces, si vienes en Boeing 737 y la ocupacion es de 80%, tu y los otros 110 pasajeros, en un ida y vuelta, han emitido 55 toneladas de CO2.
Si hubieras venido de AVE, habías emitido en la ida y vuelta50 kg de CO2 y tus compañeros de viaje 5,5 toneladas de CO2.
Entonces, si vienes en Boeing 737 y la ocupacion es de 80%, tu y los otros 110 pasajeros, en un ida y vuelta, han emitido 55 toneladas de CO2.
Si hubieras venido de AVE, habías emitido en la ida y vuelta
Hombre, no hagas esa cara, ya sé que no tienes dinero, pero este discurso de CO2 la tia de Bruselas le gusta oir, y por supuesto que le puedes pedir unas subvenciones.
A los precios actuales, 55 toneladas de CO2 costan en licencias € 770, lo que no es demasiado caro, puedes seguir ayudando a destruir el planeta con las emisiones de gases de efecto invernadero.
Y cuántos litros consome el 737 en Lisboa-Madrid?
Alrededor de 3.000 litros , equivalente a 60 ml / pasagero.km, o, utilizando la equivalencia 1 litro de gasolina = 10 kWh, el consumo especifico es de 0,6 kWh / pasagero.km, que es aproximadamente cuatro veces el consumo específico de un pasajero del AVE. Con la ventaja de la energia elétrica del AVE poder ser producida desde las energías renovables que os hacen tanta confusión y miedo que no haya consumidores para elas.
El consumo del 737 es elevado porque el pobre consome la mayor parte del combustible en el despegue y el ascenso y pronto comienza a descender, no se puede ahorrar com el menor consumo en velocidad de cruzero.
Y por eso no se puede usar aeronaves de gran tamaño, mayor capacidad, porque el viaje es sólo 515 kilometros (también es cierto que el A-380 no "encaja" en Portela, es lo que sucede cuando se ahorra en las inversiones en infraestructura).
Siempre es posible realizar grandes progresos en la eficiencia de un nuevo avión, pero hay leyes de la física que no se pueden superar.
Siempre es posible realizar grandes progresos en la eficiencia de un nuevo avión, pero hay leyes de la física que no se pueden superar.
Mira, el viaje de Lisboa-Madrid es casi como el viaje Londres-París.
Si tu no crees en mí, por ser un ministro de Felipe, además un Bourbon, sabes tu que Eurostar hizo un estudio comparativo del enlace de Londres a París, que es un poco más corto:460 km ? Y las conclusiones fueron las mismas: cada viajero de Eurostar emite 25 kg de CO2 y de avión 250 kg de CO2.
Si tu no crees en mí, por ser un ministro de Felipe, además un Bourbon, sabes tu que Eurostar hizo un estudio comparativo del enlace de Londres a París, que es un poco más corto:
¿Cuál es, los tios de la técnica en Portugal no te han explicado esto?
No hablaste con ellos, con los técnicos?
Solamente hablaste con los administradores y economistas?
Solamente?
Jove.
Y vienes con el mensaje de los políticos para parar al AVE sine die?
De los políticos?
Coño.
No hablaste con ellos, con los técnicos?
Solamente hablaste con los administradores y economistas?
Solamente?
Jove.
Y vienes con el mensaje de los políticos para parar al AVE sine die?
De los políticos?
Coño.
Si, las mercancias de ancho internacional, si, claro, por supuesto, pero el AVE, el AVE?.
Hombre, ten cuidado, cada día perdemos dinero, ustedes y el resto de nosotros.
Así, que ahora tenemos entre 15 y 20 viajes diarios de ida y vuelta en avión, lo que da alrededor de 1900 pasajeros por día, entonces tenemos alrededor de 800 toneladas más de CO2 por día, lo que da para tener todavía una apoplejía .
En materia de energía, son casi 800.000 kWh por día perdido en los aviones*.
Haciendo 10 centavos de euro por kWh, el precio comercial (y estoy simplificando, ya que1 litro de petróleo en la planta de energía produce un poco menos de 5 kWh), tenemos una pérdida diaria de 80.000 euros.
Jove.
En materia de energía, son casi 800.000 kWh por día perdido en los aviones*.
Haciendo 10 centavos de euro por kWh, el precio comercial (y estoy simplificando, ya que
Jove.
Asimismo, no digo para reemplazar todos los viajes aéreos, pero que debriamos reemplazar al menos la mitad, lo debriamos.
Vamos, un perjuicio al día de € 40.000, sin contar las 400 toneladas de CO2, que son cacahuetes.
Hombre, los tipos de la técnica allá en Lisboa tiene que explicarlo bien.
Estoy seguro de que son capaces de eso, sino que también los políticos tendrán de se esfuerzar por realizar la question.
Hombre, los tipos de la técnica allá en Lisboa tiene que explicarlo bien.
Estoy seguro de que son capaces de eso, sino que también los políticos tendrán de se esfuerzar por realizar la question.
Vale?
OK, venga.
No te olvides de hablar del CO2 a la tia de Bruselas.
No puede ser, no nos podemos quedar sin AVE, Álvaro, ustedes y nosotros, sin AVE, no.
OK, venga.
No te olvides de hablar del CO2 a la tia de Bruselas.
No puede ser, no nos podemos quedar sin AVE, Álvaro, ustedes y nosotros, sin AVE, no.
Pero ahora, vamos al Parque del Retiro a almorzar, que tu super jefe de gabinete se quedará a mi derecha, por supuesto.
Venga.
________________________________
________________________________
* 2 x
PS 1 - A não proporcionalidade entre os consumos específicos e as emissões de CO2 deve-se a que as emissões de CO2 correspondentes a 1 kWh consumido pelo TGV são muito menores (por vir duma rede elétrica em que a produção se deve tambem a fontes renováveis e nucleares) do que as emissões da queima da gasolina.
Acresce que o estudo da Eurostar foi feito entre os centros das cidades de Londres e Paris, o que favorece o TGV.
PS 2 - O mesmo raciocinio se aplica ao transporte rodoviário, embora se verifiquem neste momento, quer nos automóveis, quer nos autocarros, progressos no consumo específico
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TGV Lisboa-Madrid
terça-feira, 30 de agosto de 2011
De Pablo Neruda, Ode à cebola
Ode à Cebola
Cebola
Luminosa redoma
Pétala a pétala
Cresceu a tua formosura
Escamas de cristal te acrescentaram
E no segredo da terra escura
se foi arredondando o teu ventre de orvalho.
Sob a terra
foi o milagre
e quando apareceu
o teu rude caule verde
e nasceram as tuas folhas como espadas na horta,
a terra acumulou o seu poderio
mostrando a tua nua transparência,
e como em Afrodite o mar remoto
duplicou a magnólia
levantando os seus seios,
a terra
assim te fez
cebola
clara como um planeta
a reluzir,
constelação constante,
redonda rosa de água,
sobre
a mesa
das gentes pobres.
Generosa
desfazes
o teu globo de frescura
na consumação
fervente da frigideira
e os estilhaços de cristal
no calor inflamado do azeite
transformam-se em frisadas plumas de ouro.
Também recordarei como fecunda
a tua influência, o amor, na salada
e parece que o céu contribui
dando-te fina forma de granizo
a celebrar a tua claridade picada
sobre os hemisférios de um tomate,
mas ao alcance
das mãos do povo regada
com azeite polvilhada
com um pouco de sal,
matas a fome
do jornaleiro no seu duro caminho.
Estrela dos pobres,
fada madrinha
envolvida em delicado papel,
sais do chão eterna,
intacta,
pura como semente de um astro
e ao cortar-te a faca na cozinha
sobe a única lágrima sem pena.
Fizeste-nos chorar sem nos afligir.
Em tudo o que existe celebrei,
cebola
Mas para mim
és mais formosa
que uma ave de penas radiosas
és para os meus olhos globo celeste,
taça de platina baile imóvel de nívea anêmona
e vive a fragrância da Terra
na tua natureza cristalina.
Pablo Neruda
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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cebola,
Pablo Neruda
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
O plano estratégico de transportes
Em Agosto de 2009 o governo de então apresentou, sob a responsabilidade da secretária de estado dos transportes, Ana Paula Vitorino, antiga colaboradora de uma empresa do grupo do Metropolitano de Lisboa, o Plano Estratégico de Transportes.
Embora sofrendo da falta de estatisticas fiáveis para fundamentação sólida das diretrizes e com demasiadas declarações de principio ou generalidades para orientações, era um documento válido.
As suas deficiencias eram devidas tambem à extensão e complexidade dos temas.
Um plano de transportes está indissoluvelmente ligado às politicas de urbanismo (o que obrigava logo a corrigir o infeliz plano de expansão do metropolitano de Lisboa associado ao plano), de ordenamento do território e da energia e ambiente, com o inconveniente grave destas ligações exigirem dados concretos para basear decisões. Isto contraria a politica de decisões por sentimento ou por ideologia, por exemplo, declarar que o TGV não pode construir-se sem conhecer os dados todos do problema e sem fazer uma análise comparativa cobrindo todos os encargos das infraestruturas e da exploração e todos os prejuzos e beneficios, com os outros modos de transporte.
De modo que era necessário fazer a atualização do plano estratégico dos transportes, coisa que o senhor ministro dos transportes do governo seguinte prometeu "a muito curto prazo" em Fevereiro de 2010.
Infelizmente, o senhor ex-ministro e o senhor ex-secretário de estado eram conhecidos como os teóricos universitários e, de facto, não passaram da teoria à prática.
Periodicamente iam anunciando a breve publicação da atualização do plano estratégico, mas ele nunca saiu.
Vem isto a propósito das intenções do atual senhor ministro dos transportes, Álvaro Santos Pereira, de publicar o plano de transportes em Setembro de 2011.
Ver
http://sol.sapo.pt/inicio/Politica/Interior.aspx?content_id=27273
O senhor ministro é uma pessoa culta, não só na sua especialidade, mas com capacidade para pensar com caracteristicas de integração das questões. É inclusive autor literário não apenas de temas económicos.
Porem, eu diria que será um tanto juvenil em questões de transportes, talvez porque no Canadá não há grande problema com os combustíveis fósseis nem preocupação com as emissões de CO2. Talvez que a posição contra o TGV fosse diferente se no Canadá houvesse aquele problema e aquela preocupação.
De modo que me parece imprudente a promessa de emitir um plano estratégico de transportes, coisa que me parece em si mesma também algo complexa, já em Setembro de 2011.
Mas pode ser que, com a super-chefe de gabinete que tem, pode ser que seja possível.
No entanto, se a qualidade do plano for má será como se não tivesse sido publicado ou pior ainda (terão sido ouvidos os técnicos das especialidades? em Agosto? sinceramente duvido; não me refiro aos técnicos reconhecidos pelo sistema, mas aos técnicos que estão dentro das questões e nas frentes de trabalho; terão sido ouvidos? é que um dos problemas do setor dos transportes é demasiadas vezes estarem à frente das empresas pessoas que não têm conhecimento do negócio...).
Por melhores que sejam as qualidade dos senhores colaboradores do senhor ministro, as expetativas são muito fracas relativamente à qualidade do plano que aí vem.
Mas pode ser que eu esteja enganado.
O que seria bom para o setor dos transportes.
Embora sofrendo da falta de estatisticas fiáveis para fundamentação sólida das diretrizes e com demasiadas declarações de principio ou generalidades para orientações, era um documento válido.
As suas deficiencias eram devidas tambem à extensão e complexidade dos temas.
Um plano de transportes está indissoluvelmente ligado às politicas de urbanismo (o que obrigava logo a corrigir o infeliz plano de expansão do metropolitano de Lisboa associado ao plano), de ordenamento do território e da energia e ambiente, com o inconveniente grave destas ligações exigirem dados concretos para basear decisões. Isto contraria a politica de decisões por sentimento ou por ideologia, por exemplo, declarar que o TGV não pode construir-se sem conhecer os dados todos do problema e sem fazer uma análise comparativa cobrindo todos os encargos das infraestruturas e da exploração e todos os prejuzos e beneficios, com os outros modos de transporte.
De modo que era necessário fazer a atualização do plano estratégico dos transportes, coisa que o senhor ministro dos transportes do governo seguinte prometeu "a muito curto prazo" em Fevereiro de 2010.
Infelizmente, o senhor ex-ministro e o senhor ex-secretário de estado eram conhecidos como os teóricos universitários e, de facto, não passaram da teoria à prática.
Periodicamente iam anunciando a breve publicação da atualização do plano estratégico, mas ele nunca saiu.
Vem isto a propósito das intenções do atual senhor ministro dos transportes, Álvaro Santos Pereira, de publicar o plano de transportes em Setembro de 2011.
Ver
http://sol.sapo.pt/inicio/Politica/Interior.aspx?content_id=27273
O senhor ministro é uma pessoa culta, não só na sua especialidade, mas com capacidade para pensar com caracteristicas de integração das questões. É inclusive autor literário não apenas de temas económicos.
Porem, eu diria que será um tanto juvenil em questões de transportes, talvez porque no Canadá não há grande problema com os combustíveis fósseis nem preocupação com as emissões de CO2. Talvez que a posição contra o TGV fosse diferente se no Canadá houvesse aquele problema e aquela preocupação.
De modo que me parece imprudente a promessa de emitir um plano estratégico de transportes, coisa que me parece em si mesma também algo complexa, já em Setembro de 2011.
Mas pode ser que, com a super-chefe de gabinete que tem, pode ser que seja possível.
No entanto, se a qualidade do plano for má será como se não tivesse sido publicado ou pior ainda (terão sido ouvidos os técnicos das especialidades? em Agosto? sinceramente duvido; não me refiro aos técnicos reconhecidos pelo sistema, mas aos técnicos que estão dentro das questões e nas frentes de trabalho; terão sido ouvidos? é que um dos problemas do setor dos transportes é demasiadas vezes estarem à frente das empresas pessoas que não têm conhecimento do negócio...).
Por melhores que sejam as qualidade dos senhores colaboradores do senhor ministro, as expetativas são muito fracas relativamente à qualidade do plano que aí vem.
Mas pode ser que eu esteja enganado.
O que seria bom para o setor dos transportes.
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Citação de Canavilhas
Classificação da politica cultural do atual governo por Gabriela Canavilhas, em entrevista ao DN:
"Parece que uma turma liceal de contabilidade aplicada tomou o poder".
Quem diria que, depois da politica confrangedora enquanto ministra da cultura (sobranceria na destituição dos diretores do Museu de Arte Antiga e do S.Carlos, ausencia de uma politica de transportes para os principais museus, deslocação do museu dos coches) , este blogue ia concordar com a senhora ex-ministra, a propósito da postura economicista do atual governo e da até agora aparente falta de cultura dos senhores ministros (com a agravante do equivalente a ministro da cultura ser o senhor primeiro ministro).
Talvez o senhor ministro Vitor Gaspar não goste destas afirmações, ele, um leitor atento do Candide de Voltaire, embora pareça ainda não ter lido o pobre mercador de Veneza às mãos de Shylock, que entretanto já exigiu 46% de juros à Grécia. E com o compromisso de apresentar os cortes em Setembro, não sei se terá tempo para leituras.
A citação de Canavilhas faz-me lembrar tambem um dito do tirano de Santa Comba:
"Os economistas são aqueles guarda-livros (era como se dizia, na altura) a quem ensinaram inglês".
Não sei se o senhor presidente da República, emérito doutorado em Inglaterra, gostaria de ler isto, ele, de quem Saramago dizia que não sabia distinguir Tomas More de Thomas Mann.
Mas já dizia Eduardo Lourenço, cultura é quando o homem se liberta do ciclo da sobrevivência.
E com estas dívidas, dizem os guarda-livros no poder que não há libertação do ciclo e não pode haver cultura.
Aguardam-se as decisões sobre cultura do senhor primeiro ministro para, como as diretrizes do governo dizem, reavaliar as questões.
"Parece que uma turma liceal de contabilidade aplicada tomou o poder".
Quem diria que, depois da politica confrangedora enquanto ministra da cultura (sobranceria na destituição dos diretores do Museu de Arte Antiga e do S.Carlos, ausencia de uma politica de transportes para os principais museus, deslocação do museu dos coches) , este blogue ia concordar com a senhora ex-ministra, a propósito da postura economicista do atual governo e da até agora aparente falta de cultura dos senhores ministros (com a agravante do equivalente a ministro da cultura ser o senhor primeiro ministro).
Talvez o senhor ministro Vitor Gaspar não goste destas afirmações, ele, um leitor atento do Candide de Voltaire, embora pareça ainda não ter lido o pobre mercador de Veneza às mãos de Shylock, que entretanto já exigiu 46% de juros à Grécia. E com o compromisso de apresentar os cortes em Setembro, não sei se terá tempo para leituras.
A citação de Canavilhas faz-me lembrar tambem um dito do tirano de Santa Comba:
"Os economistas são aqueles guarda-livros (era como se dizia, na altura) a quem ensinaram inglês".
Não sei se o senhor presidente da República, emérito doutorado em Inglaterra, gostaria de ler isto, ele, de quem Saramago dizia que não sabia distinguir Tomas More de Thomas Mann.
Mas já dizia Eduardo Lourenço, cultura é quando o homem se liberta do ciclo da sobrevivência.
E com estas dívidas, dizem os guarda-livros no poder que não há libertação do ciclo e não pode haver cultura.
Aguardam-se as decisões sobre cultura do senhor primeiro ministro para, como as diretrizes do governo dizem, reavaliar as questões.
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Citação de Oscar Niemeyer
Citação de Oscar Niemeyer, por Carlos do Carmo, em entrevista ao DN:
"Os homens têm de ser mais modestos".
Mas Freud diria provavelmente, em relação ao caso português, que há aqui um grande problema.
É que na psicologia portuguesa tem um lugar fundamental a auto-valorização.
O que dificulta as coisas e complica qualquer debate.
Até porque há a tal teoria que diz que o debate não é a troca de argumentos, é a tentativa de sobreposição ao adversário.
"Os homens têm de ser mais modestos".
Mas Freud diria provavelmente, em relação ao caso português, que há aqui um grande problema.
É que na psicologia portuguesa tem um lugar fundamental a auto-valorização.
O que dificulta as coisas e complica qualquer debate.
Até porque há a tal teoria que diz que o debate não é a troca de argumentos, é a tentativa de sobreposição ao adversário.
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debate,
modéstia,
Oscar Niemeyer
domingo, 28 de agosto de 2011
Taxez-nous - III - Correção: o senhor presidente...
Correção: o senhor presidente da República não pretende que o esforço fiscal seja apenas sobre o IRS. Também discordou da abolição do imposto sucessório. Nalguma coisa havia este blogue de concordar com o senhor presidente da República.
No entanto, continuam as reflexões sobre o assunto.
Por exemplo, este blogue não quer participar no que os comentadores já chamam "caça aos ricos". Apenas defende que não deve haver isenções.
Já se sabe de há muito que a taxação dos ricos não resolve as dividas (já Rotschild dizia que a sua fortuna não resolvia a pobreza), embora o mesmo não pudesse dizer-se da taxação do capital especulativo.
Que diabo, custa assim tanto flexibilizar os preconceitos de cada um?
Por exemplo, o tea party acha que os impostos se deviam reduzir.
Este blogue tambem concorda, mas enquanto o tea party taxa o trabalho em favor do capital, recorda-se aqui a linha divisória entre o setor público e o privado de Melo Antunes.
Dir-se-ia que o Estado não precisaria de tantos impostos se tivesse empresas públicas lucrativas, mas em Portugal entende-se que elas devem ser vendidas, mesmo que o momento do mercado esteja em baixa.
Melhor para a Petrobras, que se declara francamente interessada nos 20,4% da EDP.
É uma pena, porque muitos cidadãos e cidadãs portugueses também gostariam que os lucros da EDP ajudassem a minorar os impostos e, ironia, a Petrobras é uma sociedade de economia mista, cujo acionista maioritário é o governo brasileiro.
Conceções diferentes da realidade, dum e doutro lado do Atlantico.
PS - A Eletrobras manifestou o seu interesse em adquirir os 20,4% à venda. É também curioso, respeitando a devida economia de escala, ver quem é a Eletrobras. É também uma companhia de capital misto, de maioria do governo brasileiro, com 39.000 MW instalados, responsável pela produção de 38% da energia produzida no Brasil, com um fator de produção de gases de efeito de estufa de cerca de 50 gr/kWh! Principais centros produtores: 30 centrais hidroelétricas, 15 termoelétricas e 2 nucleares. Sem os condicionalismos que ignorantes da eletricidade (não é ofensa nenhuma, ninguém é obrigado a estudar de tudo) e adeptos do mercado cego impuseram na Europa às empresas que assim não podem simultaneamente produzir, transmitir e distribuir a energia.
Conceitos diferentes de um e outro lado do Atlântico.
Conceitos diferentes do que é servir o interesse público.
No entanto, continuam as reflexões sobre o assunto.
Por exemplo, este blogue não quer participar no que os comentadores já chamam "caça aos ricos". Apenas defende que não deve haver isenções.
Já se sabe de há muito que a taxação dos ricos não resolve as dividas (já Rotschild dizia que a sua fortuna não resolvia a pobreza), embora o mesmo não pudesse dizer-se da taxação do capital especulativo.
Que diabo, custa assim tanto flexibilizar os preconceitos de cada um?
Por exemplo, o tea party acha que os impostos se deviam reduzir.
Este blogue tambem concorda, mas enquanto o tea party taxa o trabalho em favor do capital, recorda-se aqui a linha divisória entre o setor público e o privado de Melo Antunes.
Dir-se-ia que o Estado não precisaria de tantos impostos se tivesse empresas públicas lucrativas, mas em Portugal entende-se que elas devem ser vendidas, mesmo que o momento do mercado esteja em baixa.
Melhor para a Petrobras, que se declara francamente interessada nos 20,4% da EDP.
É uma pena, porque muitos cidadãos e cidadãs portugueses também gostariam que os lucros da EDP ajudassem a minorar os impostos e, ironia, a Petrobras é uma sociedade de economia mista, cujo acionista maioritário é o governo brasileiro.
Conceções diferentes da realidade, dum e doutro lado do Atlantico.
PS - A Eletrobras manifestou o seu interesse em adquirir os 20,4% à venda. É também curioso, respeitando a devida economia de escala, ver quem é a Eletrobras. É também uma companhia de capital misto, de maioria do governo brasileiro, com 39.000 MW instalados, responsável pela produção de 38% da energia produzida no Brasil, com um fator de produção de gases de efeito de estufa de cerca de 50 gr/kWh! Principais centros produtores: 30 centrais hidroelétricas, 15 termoelétricas e 2 nucleares. Sem os condicionalismos que ignorantes da eletricidade (não é ofensa nenhuma, ninguém é obrigado a estudar de tudo) e adeptos do mercado cego impuseram na Europa às empresas que assim não podem simultaneamente produzir, transmitir e distribuir a energia.
Conceitos diferentes de um e outro lado do Atlântico.
Conceitos diferentes do que é servir o interesse público.
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Citação do Ouro do Reno
"Quem te deu o direito de submeter à servidão o teu próprio irmão?"
Fala de Loge, o deus braço direito de Wotan, para Mime, irmão de Alberich, o Nibelungo, que explorava o seu trabalho e do povo nibelungo, no Ouro do Reno.
O deus Wotan teve de se endividar para mandar construir o palácio Wahalala.
As engenharias financeiras com o Nibelungo não correram bem, a posse do ouro para pagar a questão da dívida tinha uma maldição e sobreveio o Crepúsculo dos deuses, depois da Valquiria e do Siegfried.
Toda e qualquer semelhança com a realidade, como se costuma dizer, é pura coincidencia, e a citação ocorreu-me a propósito dos prejuizos que a EDP e a PT têm tido com os roubos de cobre.
Pelos vistos, a cotação do ouro e do cobre no mercado negro é compensadora para quem o rouba para fundição.
À primeira vista, não pareceria dificil organizar brigadas policiais para detetar o transporte e os locais de fundição. O roubo de uma ourivesaria é rapidamente detetado através de vulgares sistemas de alarme. O roubo de um transformador ou de barras ou cabos de cobre (de média tensão) é rapidamente detetado pela impossibilidade de religação. Dado que o material é pesado, não seria complicada a deteção.
À segunda vista, dir-se-á que os cortes nas forças de segurança limitam a sua capacidade de resposta.
Tambem poderá pensar-se que os cortes na despesa das empresas através da redução dos quadros de pessoal e o panorama geral de desemprego estimulam a atividade do roubo do ouro e do cobre que vai aumentar o PIB através do aumento do consumo por parte dos ladrões e o aumento das despesas de manutenção da EDP e da PT para repor os cabos roubados (agora de liga de aluminio e aço, para reduzir a apetência, à custa de maiores perdas elétricas).
Por isso terá aplicação a citação do ouro do Reno.
Com que direito se condenam cidadãos à marginalidade, à servidão de andarem a roubar as subestações e os postos de transformação?
Em nome da liberdade do mercado e da contenção do défice público e privado?
Para não se gastar dinheiro na prevenção e na repressão vai continuar a deixar-se agravar o fenómeno?
Deveria talvez, salvo melhor opinião, desviar-se o rendimento de outras áreas e canalizá-lo para a prevenção e a repressão deste fenómeno.
Tambem poderá dizer-se que estamos perante mais um exemplo em que uma empresa tem prejuizos cuja fatura deveria poder apresentar ao ministério da administração interna por não exercer o seu dever de garantia de vigilancia e segurança de pessoas e bens; neste caso, da integridade das instalações de média tensão.
Registo de furtos de cobre na EDP desde 2008:
2008 - 2,853 milhões de euros
2009 - 4,507 milhões de euros
2010 - 9,087 milhões de euros
2011 (até 15JUL) - 7,977 milhões de euros
Pode ser que um dia um senhor ministro ache que isto não pode continuar assim (isto, o roubo de ourivesarias e de subestações), mas parece que o assunto não tem grande interesse mediático, pelo menos enquanto não começar a faltar a luz em casa de senhores importantes.
Fala de Loge, o deus braço direito de Wotan, para Mime, irmão de Alberich, o Nibelungo, que explorava o seu trabalho e do povo nibelungo, no Ouro do Reno.
O deus Wotan teve de se endividar para mandar construir o palácio Wahalala.
As engenharias financeiras com o Nibelungo não correram bem, a posse do ouro para pagar a questão da dívida tinha uma maldição e sobreveio o Crepúsculo dos deuses, depois da Valquiria e do Siegfried.
Toda e qualquer semelhança com a realidade, como se costuma dizer, é pura coincidencia, e a citação ocorreu-me a propósito dos prejuizos que a EDP e a PT têm tido com os roubos de cobre.
Pelos vistos, a cotação do ouro e do cobre no mercado negro é compensadora para quem o rouba para fundição.
À primeira vista, não pareceria dificil organizar brigadas policiais para detetar o transporte e os locais de fundição. O roubo de uma ourivesaria é rapidamente detetado através de vulgares sistemas de alarme. O roubo de um transformador ou de barras ou cabos de cobre (de média tensão) é rapidamente detetado pela impossibilidade de religação. Dado que o material é pesado, não seria complicada a deteção.
À segunda vista, dir-se-á que os cortes nas forças de segurança limitam a sua capacidade de resposta.
Tambem poderá pensar-se que os cortes na despesa das empresas através da redução dos quadros de pessoal e o panorama geral de desemprego estimulam a atividade do roubo do ouro e do cobre que vai aumentar o PIB através do aumento do consumo por parte dos ladrões e o aumento das despesas de manutenção da EDP e da PT para repor os cabos roubados (agora de liga de aluminio e aço, para reduzir a apetência, à custa de maiores perdas elétricas).
Por isso terá aplicação a citação do ouro do Reno.
Com que direito se condenam cidadãos à marginalidade, à servidão de andarem a roubar as subestações e os postos de transformação?
Em nome da liberdade do mercado e da contenção do défice público e privado?
Para não se gastar dinheiro na prevenção e na repressão vai continuar a deixar-se agravar o fenómeno?
Deveria talvez, salvo melhor opinião, desviar-se o rendimento de outras áreas e canalizá-lo para a prevenção e a repressão deste fenómeno.
Tambem poderá dizer-se que estamos perante mais um exemplo em que uma empresa tem prejuizos cuja fatura deveria poder apresentar ao ministério da administração interna por não exercer o seu dever de garantia de vigilancia e segurança de pessoas e bens; neste caso, da integridade das instalações de média tensão.
Registo de furtos de cobre na EDP desde 2008:
2008 - 2,853 milhões de euros
2009 - 4,507 milhões de euros
2010 - 9,087 milhões de euros
2011 (até 15JUL) - 7,977 milhões de euros
Pode ser que um dia um senhor ministro ache que isto não pode continuar assim (isto, o roubo de ourivesarias e de subestações), mas parece que o assunto não tem grande interesse mediático, pelo menos enquanto não começar a faltar a luz em casa de senhores importantes.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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