domingo, 13 de novembro de 2011

Como tendes coragem...

Como tendes coragem para escrever o que escrevestes na carta-queixa?
Como tendes coragem de escrever que o direito à propriedade privada está ameaçado?
A propriedade de quem ficou sem capacidade para pagar o empréstimo da sua habitação?
Não, a propriedade  privada de quem tem muitas ações de bancos.
Vós sois edificios bonitos por fora mas por dentro sois o que diz a parábola.
Cegou-vos a ganancia para não verdes que este governo que mentiu na campanha eleitoral é o vosso melhor servidor, mesmo protestando ter a intenção de ser o mais passivo que imaginar se possa como acionista?
Porque protestais agora a  dizer que não quereis o estado como acionista?
Como tendes o descaramento de dizer que os doze mil milhões de euros não podem ser administrados pelo estado, a nação organizada, a comunidade dos portugueses estruturada no poder executivo, legislativo e judicial?
Estranhais que vos peçam para ter uma taxa baixa de empréstimos relativamente aos depósitos ? (desalavancai, diz o senhor presidente da republica)
E tendes lata para ameaçar o estado com uma ação?
Vós que penhorais até ao último alento, de quem montou um negócio, sem esconder faturas e se afundou num momento de quebra da procura.
Tende cuidado, porque nem todos os juizes são o que pensais.
Ainda há juízes em Berlim, dizia o camponês de Potsdam para o grande Frederico que o queria expropriar.
Se tiverdes o azar do processo ir parar às mãos de alguns juízes de Berlim, correis o sério risco de ser acusados de estar a entupir o tribunal com ações espúrias e podereis sair condenados por sabotagem da economia porque  a ineficiência da justiça é um dos fatores apontados pelos investidores estrangeiros para justificar a pouca vontade de investir em Portugal.
Vós sois os meninos maus de que falei há tempos:
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2011/07/os-4-meninos-maus.html

Vós sois os meninos maus, mimados, protegidos, sempre prontos a fazer queixinhas para que os vossos interesses sejam satisfeitos, sempre prontos a chamar a atenção para os vossos sucessos e exigencias de recompensas.
Para poderdes continuar a empurrar e a extorquir os outros meninos e meninas, distraídos que estão com os seus jogos, e incapazes de compreender os prejuízos e os sofrimentos que estão a causar aos outros, porque para vós apenas contam os resultados finais que se traduzam em lucros.

Aplica-se a vós a citação que o deputado do BE  José Manuel Pureza foi buscar para comentar a insensibilidade dos cortes nos rendimentos de quem trabalha:
Tony Judt, um social-democrata que não caiu aos pés da deriva liberal, deu-lhes a resposta certa: "Hoje em dia, ficamos orgulhosos ao ser suficientemente duros para infligir dor nos outros. Se ainda vigorasse um costume mais antigo, pelo qual ser duro consistia em suportar a dor e não em a impor, talvez devêssemos pensar duas vezes antes de preferir com tanta insensibilidade a eficiência à compaixão."

Sabeis o que estais a fazer quando vos queixais de ter medo de serdes nacionalizados como foram nacionalizados os banco dos vossos maiores quando os descapitalizaram em fuga para o Brasil, como dons joãzinhos sextos?
Sabeis que banqueiros com medo são banqueiros que pedem aos seus clientes que vão a correr secar os cofres a levantar os seus depósitos?
Ignorais que a classe média nos anos de quase bancarrota dos anos 20 e 30 do século XX tinha contas em bancos ingleses, franceses, suiços?
E quereis ignorar que nos dias hoje vós ajudais a sangria para as off-shores?

Quisestes há dias que o estado criasse um bad bank para ficar com o vosso crédito mal parado.
Ah, dizeis que muito desse crédito mal parado é do estado.
Mal parado? Deixou de pagar, quando e quanto?
E mal parado de particulares e empresas particulares já é de 5 mil milhões, dos quais 2 mil milhões de interrupção do pagamento dos empréstimos da habitação?
Acreditais então que o "mercado" pode ajudar o PIB a crescer?
Ou isso não vos interessa, só vos interessa o lucro?
Não era o que dizia Adam Smith, que dizia que tinheis de ter uma função social.
Terieis de moderar a vossa ganancia, de vos contentardes com menores lucros, ou então maiores impostos.

Como pois estais agora com exigencias, depois de os vossos homólogos terem desencadeado toda esta crise internacional?
Lestes o artigo "Should some bankers be prosecuted?", de  Jeff Madrick e Frank Partnoy, na "New York Revie of Books", vol.58 - nº17?
Vistes a ópera de Nuno Corte Real, "Banksters" (isso mesmo, aglutinação de bankers e gangsters)?
http://fcsseratostenes.blogspot.com/search?q=banksters

Deixai que vos recorde as palavras do presidente Andrew Jackson em 1834:

Também tenho sido um observador atento do que o Second Bank of the United States tem feito. Tenho colaboradores a vigiar-vos há longo tempo e estou convencido de que vocês usaram os fundos do banco para especular . Quando ganham, dividem os lucros entre vocês; quando perdem, debitam ao banco… vocês são um ninho de víboras e de ladrões”.


Ponderastes a notícia das manifestações contra o vosso poder? Não me refiro só aos "Occupy"

(To fellow citizens occupying Wall Street and peoples protesting across the world:

We stand with you in this struggle for real democracy. Together we can end the capture and corruption of our governments by corporate and wealthy elites, and hold our politicians accountable to serve the public interest. We are united - the time for change has come!) ,  
que para isso melhor será analisardes o artigo do Nobel Krugman (So who’s really being un-American here? Not the protesters, who are simply trying to get their voices heard. No, the real extremists here are America’s oligarchs, who want to suppress any criticism of the sources of their wealth.)

Refiro-me às manifestações em 2011-11-12, em Berlim e em Frankfurt, frente à sede do BCE, com cartazes a dizer "Banken in die Schranken".
Frankfurt, 2011-11-12, com a devida vénia ao DN

Ides continuar como o banqueiro que queria ir além das gorduras e sangrar o mercador de Veneza? 
Poupai-vos a esse risco, considerai ainda o risco explosivo de Guy  Fawkes , aquela máscara afilada, com bigodinho à Errol Flyn e pera à duque de Guise (de como um criminoso se transforma em símbolo de resistencia contra a opressão).

Vá, aceitai o estado como acionista.
Pode ser que as eleições continuem a favorecer quem pensa como os vossos grandes homólogos, e daqui a 3 anos o senhor ministro das finanças vos faça um preço para amigo para ficardes com as ações só para vós.
Que receais? é agora primeiro ministro na Itália quem trabalha para a Goldman Sachs (Goldman Sachs, Goverdman Sachs) , primeiro ministro na Grécia quem foi a eminencia parda do senhor Tricheur, perdão Trichet, no BCE.
Nem sequer foi preciso enganar as populações em campanhas eleitorais.

Contende-vos, pois, deixai-vos de queixinhas de meninos maus.

O pastor. Variações sobre o tema.

sábado, 12 de novembro de 2011

Mats Björsnsson, Agencia Nacional para a Educação da Suécia

Recomendo às senhoras ministras da educação dos governos anteriores e aos apoiantes das suas politicas de reformas, apresentadas como sendo imprescindíveis, e igualmente ao atual ministério da educação, a ponderação do testemunho que Mats Björsnsson apresentou em conferencia na Gulbenkian.
A Suécia introduziu a liberdade de escolha entre escolas públicas e privadas na Suécia nos anos 90.
O risco de segregação social aumentou e, curiosamente, os resultados do PISA pioraram.
Ganhou-se diversidade e liberdade de definição dos curriculos, possibilitou-se o aparecimento e o desenvolvimento de alunos excecionais que não são prejudicados pelo ritmo mais lento dos normais, mas em termos médios os resultados pioraram.
De notar que na Finlandia a critica principal que é feita é a uniformização e falta de diversidade, é o nivelamento pela média. Mas os resultados do PISA são superiores aos da Suécia.
Curiosa, esta problemática.
Curioso como ela reflete as grandes ideologias: a neo-liberal, estimulando o elitismo, de acordo com as melhores leis da selva, e a do estado assistencial, preocupado com a educação das massas, sujeitando-se a que os melhores não se elevem tanto acima da média.
Possivelmente, mais vale numa auto-estrada com tráfego elevado ter uma velocidade média modesta com pouca dispersão, do que ter uns grandes condutores a deslocarem-se a velocidades excessivas e a ultrapassar tudo e todos.
É por isso que este blogue não gosta dos artigos a exaltar os portugueses de sucesso.
Mais vale os portugueses normais, a trabalhar modestamente mas com segurança, em grupo e com trabalho de equipa, com pouco desemprego e com portugueses normais a estudar e aplicar medidas de aumento de produção e de produtividade. 
A competitividade vem depois, também calmamente, de preferência de acordo com as leis da vantagem comparativa (ver David Ricardo).
Salvo melhor opinião, claro.

Vendas a descoberto

Vendas a descoberto, vendas a nu, ou "short-selling" -  venda por uma pessoa, que as detém provisoriamente por empréstimo, de ações pertencentes a terceiros, pelo seu preço no instante t1, esperando ou provocando o abaixamento do seu valor no instante posterior t2, altura em que as volta a comprar pelo preço mais baixo, lucrando a diferença.

Vem isto a propósito da prorrogação em 10 de novembro de 2011 por mais 3 meses da interdição pelo banco nacional francês de vendas a descoberto. Trata-se de uma medida contra a crise, tal como a proposta de taxação das transações financeiras.

O livro "A sabedoria das multidões" dedica um capítulo a este tipo de manipulações bolsistas especulativas. O senhor primeiro ministro diria, embora correndo o risco de melindrar o senhor ministro das finanças, que são malabarices - qualidade de quem pratica jogos malabares -  de investidores com pouco sentido ético; ou talvez não achasse isso e considerasse estas práticas como justas atividades para obter lucros; embora não pareça saudável uma valorização de ações em bolsa a que não corresponda um valor acrescentado efetivo através do crescimento de produção de bens.

Serve tambem de pretexto para contar a história que António Tabucchi, escritor italiano e professor de literatura portuguesa, contou sobre Berlusconi.
Num belo dia de outubro deste ano, Berlusconi pediu ao seu amigo diretor do principal jornal de Milão que publicasse a notícia de que ele, Berlusconi, iria demitir-se.
O jornal publicou a notícia, as ações na bolsa de Milão foram abaixo e os colaboradores de Berlusconi compraram os lotes de ações que mais lhes interessavam. No dia seguinte Berlusconi desmentiu a demissão, as ações voltaram a subir e os colaboradores de Berlusconi venderam novamente as ações, lucrando a diferença.
Ironicamente, um mês depois, o senhor parece que tem mesmo de demitir-se.

Esta história faz-me lembrar também uma câmara municipal do sotavento algarvio em que numa zona de moradias junto da praia existia uma estação de tratamento de esgotos a funcionar de forma incompleta, libertando assim cheiros inconvenientes e desvalorizando as casas. Dizem as más línguas que as obras da  ETAR se prolongaram o tempo suficiente para que o poder económico local pudesse comprar as casas.Seguiu-se a rápida conclusão da ETAR e a valorização das casas, que foram então vendidas novamente.

"Short-selling" é assim mais um exemplo de que o sistema financeiro vigente não serve os interesses das comunidades e, portanto, deverá ser mudado.
Pelo menos era o que Obama dizia, que não tinha sido eleito para fazer a vontade aos senhores de Wall Street, e é o que se verifica na UE, com a incapacidade do poder politico se libertar do poder financeiro, isto para não falar dos cancros das "off-shores" que sugam os dinheiros que fazem falta nos paises.

Com todo o respeito pelos senhores banqueiros, especialmente os portugueses, que andam tão receosos de ser nacionalizados com os 12 mil milhões da troica, parece mesmo que o sistema financeiro devia ser mudado.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

A novela do PET aos 10 de Novembro de 2011

A novela do PET aos 10 de Novembro de 2011-11-11

Finalmente foi publicado o PET, fechando assim o primeiro capítulo da novela, que se espera não seja tão trágica como o “andar da carruagem” , empregando uma expressão dos transportes, ameaça.

Ver em:

O documento é muito semelhante ao divulgado anteriormente, reduzindo-se confessadamente à apresentação de princípios orientadores com base  nalguns dados das empresas.
Penso que um plano estratégico deveria ser mais do que princípios orientadores.
“Princípios” ameaça “afastamento da realidade”, porque a tentação de querer que a realidade siga os princípios é demasiado grande.
Ninguém pode garantir que os princípios são uma lei da realidade.
Ninguém pode garantir que a não aplicação das “reformas” que irão concretizar os “princípios” irá “comprometer o futuro do setor dos transportes”, como diz o PET  (detesto a filosofia do “ou eu ou o abismo”, faz-me lembrar a persuasão dos assaltantes).
Não contempla ainda as propostas concretas do grupo de trabalho para a reformulação dos transportes das áreas metropolitanas.

Gostaria de citar algumas frases do PET:
-  são atuações prioritárias “assegurar a mobilidade e acessibilidade a pessoas
e bens, de forma eficiente e adequada às necessidades … alavancar a competitividade e o desenvolvimento da economia nacional.”
(espera-se assim, apesar do palavrão “alavancar”, de má memória pela taxa entre dinheiro emprestado e dinheiro depositado, que a política de transportes vá contrariar o desemprego)
- “Compete ao Estado o planeamento e ordenamento global do sistema de transportes … compete igualmente ao Estado assegurar, através do estabelecimento de políticas de equidade e coesão social, que nenhum segmento da população se veja privado do
acesso à mobilidade…”     
(espera-se assim que as pessoas de menores rendimentos e as pessoas com mobilidade reduzida tenham acesso ao transporte)
- “… há um compromisso maior que move este Plano. O compromisso
assumido com cada um dos contribuintes. Um compromisso com a realidade.”
 (esta é a frase final do PET, provavelmente o que denuncia a parcialidade deste PET é a comparação com a ultima frase do documento anteriormente divulgado: 
há um compromisso maior que move este plano. O compromisso assumido com cada um dos contribuintes.
O sector dos transportes e das infra-estruturas tem de voltar ao serviço público.
A grande obra pública deste governo vai ser manter as obras dos governos que por aqui passaram antes.” )

Isto é o que nos une.
O que nos separa é o desprezo  expresso pelo senhor ministro pelas competências dos trabalhadores de todos os níveis das empresas públicas de transportes, visando despedimentos.
O que nos separa é esta obsessão por entregar a privados, só por serem privados, isto é, por imperativo ideológico não suportado pela experiencia a nível mundial, por pretender favorecer grupos económicos, a exploração ou em alguns casos, a manutenção de serviços de transportes livres do serviço da dívida dos investimentos.
Por mais escandalosa e depreciativa que seja a forma como o senhor ministro apresenta os dados das empresas publicas, a verdade é que a maioria dos seus indicadores não se encontra na zona negativa quando comparados com as redes homólogas estrangeiras.
Nalguns indicadores, estão até entre os melhores (exemplo, a eficiência energética do material circulante do metropolitano deLisboa).
O colega do metrpolitano de Lisboa, J.Bagarrão (http://www.facebook.com/jose.bagarrao), chamou a atenção para um exemplo de desigualdade de tratamento entre empresas públicas e privadas de transportes, o que contraria os princípios de livre concorrência da EU, uma vez que se está descaradamente desfavorecendo uma empresa pública relativamente a um consórcio de privados.
O exemplo é a comparação entre as indemnizações compensatórias (aquilo que o Estado paga às empresas pela prestação de um serviço com receitas normais abaixo do custo de produção)  pagas em 2010 ao metropolitano de Lisboa e ao metro sul do Tejo.
Veja-se o seguinte quadro:



A principal crítica que faço ao PET é a falta de cálculos fundamentadores e de propostas concretas para um melhor planeamento global, incluindo a transferência do transporte individual/rodoviário para o transporte coletivo/ferroviário, por este ser mais eficiente energeticamente e com menores emissões de gases com efeito de estufa relativamente ao passageiro.km . 

Por isso se mantem a postura crítica ao PET e se apela mais uma vez ao debate aberto com os órgãos representativos e com os profissionais qualificados do setor sem imposições prévias.

Várias notas:
1 – lamenta-se a obsessão do fecho de serviços ferroviários sem horizonte de alternativas feroviárias, desde ligações que até são suscetiveis de melhoramento com fundos comunitários e que servem populações
2 –lamenta-se a suspensão do TGV para passageiros em vez de abrandar o ritmo de construção e de obter maior financiamento europeu
3 – lamenta-se o desprezo pelo aeroporto de Beja, com voos charters já contratados mas esquecido pelas low cost mais populares; ao principio, o Alqueva e o porto de Sines também eram considerados elefantes brancos
4 – gostaria de ser esclarecido sobre que normas contabilísticas internacionais não deixam ver as dividas do metropolitano de Lisboa e da REFER, porque assim há o receio de mais tarde serem invocadas descobertas de novos buracos
5 - lamenta-se a continuação de um aeroporto na capital com rotas sobre hospitais e extremamente limitado, sujeitando a cidade ao ruido e aos riscos, sem a definição de um plano de transição para a situação desejável de um novo aeroporto internacional e com uma subordinação às estratégias das "low cost".



Serviço nacional de saúde

O dr José Correia, convidado pelo DN, publicou no jonal de 7 de novembro de 2011 o texto que podem ler em:
http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=2104851&seccao=Convidados

Pelas propostas concretas que são feitas, porque o SNS, como diz o autor do artigo, foi feito com grande generosidade mas foi-se subvertendo ao longo dos anos (sobrecarga dos serviços de urgencia, abuso de exames complementares, p.ex), pareceria que deveria dar-se inicio a um debate alargado seguido de avaliação da viabilidade das propostas e seleção das que deveriam ser implementadas.
Mas não, segue-se o silencio nos meios de comunicação social.
Não se persegue o tema, não se atinge o objetivo, não se organiza a comunidade em função das necessidades e dos objetivos.
Dependemos dos iluminados que detêm o poder no ministério.
Isto é, fenecemos.
Assim, aplaudindo quem trabalha no SNS com espírito de serviço público, resumo as 5 propostas do dr José Correia:
1 - Liberdade de escolha - possibilidade de escolha por qualquer doente de qualquer médico; tabelas de preço de cada ato médico; taxa moderadora paga pelo doente, o resto pelo SNS. Obstáculo: interesses de classe
2 - Consultas domiciliárias  recuperação das visitas domiciliárias. Vantagem: redução dos internamentos
3 - Hospitais de proximidade - os gestores economicistas não compreendem a necessidade de um nivel intermédio de hospitais apoiados por municipios e misericórdias, apesar de, contabilizando os custos e os riscos do transporte, ser discutivel a vantagem económica da concentração.
4 - Medicamentos - Limitar a 3 genéricos por fármaco, fornecidos por concurso público internacional com validação pelo Infarmed
5 - Obrigatoriedade da unidose

Estas coisas deviam ser discutidas sem secretismos em debates alargados, com a participação dos orgãos ministeriais, dos profissionais e representantes de todas as sensibilidades politicas, formados grupos na especialidade e reunidas e coordenadas as conclusões para implementação.
São conhecidas as técnicas de gestão e resolução de problemas nas empresas, mas para a coisa pública a inércia é grande, e os interesses de classe também, e não me refiro aos que menor poder de decisão têm.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Economicómio LXXV - produção agricola

Duas pequenas noticias no Oje de 10 de novembro de 2011:
-  3º trimestre de 2011
                           -  exportações portuguesas ....................  10.438 milhões de euros (+13,1% )
                           -   importações ......................................  14.194 milhões de euros ( +3,6%)
                           -  défice ...................................................  3.756 milhões de euros (-16,1%)
está-se a melhorar relativamente ao ano passado (entre parenteses variação relativamente a igual período do ano passado) , mas impressiona como continuamos a aumentar a divida, uma vez que julgo que as divisas enviadas pelos emigrantes e deixadas pelos turistas não são suficientes para compensar este défice.
Parece que se devia aumentar a produção nacional, especialmente a agrícola e alimentar, não seria?
Ou pensar a sério em medidas protecionistas, não digo como as de Colbert, mas negociá-las com a UE.
E também seria interessante saber exatamente, quanto mais não seja para lhes agradecer e para tentar melhorar-lhes as condições produtivas,  que setores e que pessoas é que estão a conseguir estes valores nas exportações.

-  quota de Portugal na produção agrícola na UE:
                           -  cereais ............................................. 0,4%
                           -  leite .................................................  2,6%

ainda me recordo quando obrigaram os Açores a pagar uma multa por excesso de produção de leite...
Parece que se deve mesmo aumentar a produção agrícola e alimentar nacional, sendo certo que muita da produção está na economia de subsistencia e não entra nas estatisticas, e que parece que continua a crescer a área de aptidão agricola abandonada.
Como perguntava Henry Fonda no filme As vinhas da ira, sobre o livro de John Steinbeck, que não era nada socialista, "Porque não tem o Estado mais quintas como esta?"
Provavelmente, como responderia Medina Carreira, porque as divisas que se obtivessem seriam imediatamente drenadas para os off-shores ou para mais importações.
Talvez não.
Experimentemos primeiro.

Fuga de combustível no aeroporto da Portela

Foi recentemente noticiada uma fuga de combustivel em depósitos no aeroporto da Portela.
A noticia não explicita se se tratava do combustivel para os aviões ou para os veículos de serviço do aeroporto.
Mas o que interessa é que a fuga se deu em Maio de 2011 e só em Novembro o assunto é tornado público.

Continua o secretismo e a auto-suficiencia  de que detem o poder.
Como Freud explicava, simples demonstração de inseguraça, muita insegurança.
Na verdade, a Expo 98 obrigou ao desmantelamento do pipe-line que da doca dos Olivais até ao aeroporto transportava o combustivel para os aviões. Depois disso, uma média de 80 camiões por dia alimenta os depósitos do aeroporto.
Isto é, para alem do incumprimento da lei do ruido que representa a presença de um aeroporto em zona urbana, estamos sujeitos aos riscos do transporte rodoviário do combustível e ao seu armazenamento no aeroporto.

Salvo melhor opinião, e por maior que seja a desculpa da falta de dinheiro, é uma situação intolerável, por mais que o senhores gestores digam que não há perigo.

Em 1986 o metropolitano correu sérios riscos quando um depósito de um posto de combustível em S.Sebastião se rompeu e produziu vapores no tunel com perigo de explosão.
Simultaneamente, uma explosão num pipe-line de gás natural na Sibéria provocava um acidente no caminho de ferro trans-siberiano com cerca de 80 mortos.

Fugas de combustível podem ser insignificantes, mas são perigosas, muito perigosas.

Economicómio LXXIV - Fluxo de capitais

Dum editorial do DN retiro a seguinte informação:
- cidadãos gregos depositaram em bancos suiços 280 mil milhões de euros, valor superior ao da dívida grega;
- no 3º trimestre de 2011 cidadãos italianos fizeram o mesmo no valor de 80 mil milhões de euros;
De acordo com um discurso de Francisco Louçã, aos 9 de novembro de 2011, a transferencia de divisas de Portugal para off-shores atinge 6 milhões de euros por dia, ou 1.600 milhões de euros por ano.
De acordo com informação de cuja origem não me recordo, os depósitos de particulares nos bancos portugueses atingiram o valor de 127 mil milhões de euros, valor superior à divida pública portuguesa, incluindo autarquias e empresas públicas.

Nestas condições, custa a um ignorante de economia como eu acreditar na tese bancária de que há problemas de liquidez.
Perante a existencia destes numeros, a proposta de Francisco Louçã é a de taxar os bens patrimoniais de luxo, incluindo depósitos elevados.
Isso permitiria reduzir os cortes do 13º e 14º meses.
Porém, subsiste a questão de se ter prometido à troica que as poupanças a obter viriam 1/3 do aumento da receita e 2/3 da diminuição das despesas.
Alguém se enganou na avaliação das "gorduras" do Estado, embora elas tivessem sido muito faladas durante a campanha eleitoral. Tanto falaram nelas que nelas acreditaram.
Afinal o Estado não era tão gordo como isso e os institutos e fundações, embora  tivessem dado abrigo a correlegionários, e apesar da baixa produtividade, até prestavam serviço útil e agora há dificuldade em cortar nas suas despesas.
Mas vamos admitir que há problemas de liquidez.
Os manuais falam na possibilidade de emissão de moeda e de desvalorização da moeda (do euro), pagando o custo do aumento da inflação, mas beneficiando da diminuição do desemprego (lei de Philips: o custo de vida sobe quando o desemprego diminui).
Salvo melhor opinião, seria o programa de trabalho para os governos, mas algo me diz que não é isso que os senhores governantes desejariam, diminuir o desemprego.

É pena, porque Francisco Louçã diz que há alternativa ao orçamento para 2012 e que vai apresentar as contas  que demonstram que não seria necessário cortar os 13º e 14º meses.

Aguardemos então essas contas.


quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Já circulam os primeiros comboios integralmente automáticos na linha 1 do metro de Paris

Notícia retirada de uma publicação ecológica em:
http://www.zegreenweb.com/sinformer/la-ligne-1-du-metro-parisien-sera-entierement-automatisee-fin-2012,43814#comments

La ligne 1 du métro parisien sera entièrement automatisée fin 2012

E tambem do blogue:
http://www.blogencommun.fr/2011-11-1ere-rame-automatique-sur-la-ligne-1/

Desde o dia 3 de novembro de 2011 que circulam na linha 1 do metro de Paris, a mais antiga, os primeiros comboios totalmente automatizados.
Os cais das estações estão protegidos com portas de correr para acesso aos comboios, que circulam sem maquinista.
O objetivo não é suprimir esta categoria profissional, porque tem sempre de haver um grupo de profissionais para conduzir os comboios em caso de degradação do sistema ou simplesmente para manter a forma na condução manual, para além de existirem equipas itinerantes para apoio aos passageiros.
O objetivo é garantir a segurança da circulação com intervalos menores entre comboios para conseguir aumentar a capacidade de transporte, acabando-se com aquela situação pouco simpática de atribuir eventuais acidentes a causas humanas. O sistema está projetado para,  em caso de avaria, se colocar num estado de segurança.
É verdade que é um investimento caro, mas mais caro é desperdiçar dinheiro com o transporte de automóvel, como já foi tratado neste blogue (ver em:
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2011/10/sugestoes-13-para-o-plano-estrategico.html       )

Será talvez mais um exemplo de que só quem tem dinheiro pode poupar e acompanhar a evolução tecnológica. Quem não tem, tem de desperdiçar, porque está numa zona da curva de rendimentos em que estes são  menores.
E como sofro de alguma imodéstia, as adjudicações já foram todas feitas e já passou o tempo de sigilo pedido, recordo com esta notícia a visita que dois dos técnicos que estavam a preparar o concurso para a automatização das linhas da RATP fizeram ao metro de Lisboa.
Vieram perguntar, entre técnicos e sob reserva (, o que pensávamos da prestação do fornecedor do sistema de condução automática (com condutor a bordo para abrir e fechar as portas) que então funcionava na linha vermelha.
Na verdade, há poucas situações em que eu aceito a reserva, e esta foi uma delas, por razões óbvias; decorrendo um processo concursal, o nosso fornecedor não podia ser informado deste contacto.
O colega que geria o projeto ATP/ATO no metro de Lisboa e este humilde escriba, depois de uma viagem na cabina de condução em modo automático, levaram-nos a almoçar ao centro comercial Vasco da Gama,  num restaurante com vistas para o Tejo mas baratinho, que a despesa foi paga por nós os dois.
Parece que as referências e os esclarecimentos prestados foram satisfatórios, porque daí a uns  meses chegou a notícia de que o nosso fornecedor fazia parte do consórcio vencedor.
Infelizmente o senhor presidente da administração do metro de Lisboa não partilhou da opinião dos técnicos da RATP e, provavelmente mal aconselhado por um colega que nas reuniões que se fizeram para discutir o assunto costumava declarar que não percebia nada de ATP/ATO, aproveitou a extensão da linha vermelha até S.Sebastião para desativar o sistema de condução automática.
Foi pena, embora sintomático da forma como as coisas se fazem no retangulo das emoções e do individualismo.

Greve em Paris aos 9 de novembro de 2011

Com a devida vénia ao jornal metro-france, pelo segundo dia consecutivo, aos 9 de novembro de 2011, grandes perturbações no serviço do RER B por se ter descoberto amianto no material circulante, de 1980. Algumas composições foram retiradas de circulação, a RATP acha que não há perigo para os maquinistas e estes solicitaram, em vão, proteções.
É verdade que começa a faltar o dinheiro, mas também é verdade que é ilegal o amianto.
Custa assim tanto arranjar as proteções?
Que dificuldade que o género humano tem para se entender entre si.
Vá lá que, ao menos, a RATP agrupa os modos de transporte urbanos numa perspetiva de serviço público. Mais uma razão para resolver este problema.



rer b grève
Le trafic sur la partie sud du RER B, était quasi nul à la mi-journée. Au nord, un train sur deux circulait.Photo : VM/Metro




Ver tambem o blogue:
http://www.blogencommun.fr/2011-11-ce-matin-a-denfert-rochereau/


34ºcongresso da ANAL

Realizou-se no ultimo fim de semana o 34º congresso da Associação Nacional de Assaltantes e Liquidatários.
As sessões decorreram no grande auditório da sede da Sociedade Lusa de Negócios.
O congresso foi aberto pelo senhor ministro adjunto para os assuntos parlamentares, que se congratulou com o espírito inovador e empreendedor dos membros da associação.
Destacou igualmente a capacidade que os sócios de maior sucesso revelavam, desde muito jovens, de acreditarem em si próprios e na vontade de se realizarem independentemente dos percursos universitários, tal como Cristiano Ronaldo e Steve Jobs, e que isso era um exemplo que os membros da associação davam a todo o país.
As sessões foram presididas por representantes dos ministérios do Emprego, da Administração Interna e da Justiça, revelando assim a excelente colaboração entre o governo e os membros da ANAL.
O presidente da associação lamentou a ainda pequena participação de liquidatários, quando comparada com a representação de assaltantes.
De facto, os banqueiros, os dirigentes das entidades financeiras e seguradoras, os elementos de ligação às off-shores e, de uma maneira geral, os enviados do governo ou os seus parceiros aliados nos conselhos de administração, , não têm , inexplicavelmente, acorrido a inscrever-se na associação, apesar da sua meritória atividade no sentido de liquidar os players económicos mais fracos, e de deslocar a linha separadora entre os rendimentos do capital e do trabalho cada vez mais para o lado do capital, fazendo recair o esforço principal nos trabalhadores por conta de outrem. Por isso lhes foi feito o apelo para nada temerem do poder político, que nunca por nunca os nacionalizará.
Disse o presidente da associação que deste modo as suas atividades se orientavam principalmente para a resolução dos problemas que mais afetam os pequenos assaltantes, criando condições para a prática da profissão e do lançamento na economia das mais valias decorrentes do seu esforço produtivo e ainda propiciando a importação de "know how" estrangeiro mais evoluido em novas tecnicas de assalto e extorsão financeira e atraindo assim o interesse do capital estrangeiro.
São assim de destacar:
- o fornecimento de cursos de formação para rebentamento de caixas multibanco com recurso a gás acetileno e a certificação dos respetivos operadores de abertura não retardada das referidas caixas
- entrega de subsidios aos alunos, que queiram entrar para o mercado dos assaltos, para viabilizar o seu abandono escolar e de prémios às escolas que contribuam para essas saídas
- o aluguer a preços "low cost" de viaturas de alta cilindrada para assaltos a bancos
- constituição de uma base de viaturas deste tipo, normalmente furtadas seletivamente, escolhendo-se o anterior proprietário de modo que não tenha já dinheiro para enviar para o exterior para a compra de novo automóvel
- cursos de formação para furto de automóveis
- levantamento de uma base de dados de cidadãos estrangeiros com casa no Algarve para organização de assaltos com sequestro
- cursos de formação de clonagem de cartões multibanco, na perspetiva humanista de evitar o uso de violencia para obter do proprietário o código do cartão
- cursos teóricos e práticos, na ótica "hands on the job" em postos de transformação para formação de operadores certificados em segurança na desmontagem e roubo de cobre e ferro de postos de transformação e subestações; atividade particularmente contributiva para o aumento do PIB, através do aumento de consumo de cobre e ferro e estimulador do fabrico de transformadores.

O orador seguinte referiu-se às vantagens para os associados da ANAL do aumento do IVA, na medida em que estimula a economia paralela, cujo sucesso é imprescindível para o exito das atividades de assalto e liquidação, com os benefícios subsequentes para a absorção da força de trabalho inscrita nos centros de emprego sem conseguir colocação. De acordo com estudos feitos, o que se perde com a fuga ao fisco na economia paralela é menos do que o que se ganha com a injeção de dinheiro no  mercado fiduciário.

Seguiu-se uma análise sobre as medidas não tomadas pelos sucessivos ministérios da administração interna que pudessem minorar as taxas de sinistralidade rodoviária. Taxas elevadas permitem uma atividade seguradora não tradicional e inovadora que gera receitas e contribui para o PIB de cada vez que ocorre um acidente rodoviário. Neste sentido foi aplaudida a politica de não prevenção seguida pelo atual ministério.

Foi ainda defendido o atual código penal, nomeadamente a possibilidade de, por pormenores formais, ser libertado um assaltante já condenado em julgamento.
Igualmente foi feito o convite para a manutenção dos contratos de permuta, vendas e alugueres de instalações para instalação de tribunais, os quais, por estarem diretamente ligados à área da justiça, servem de exemplo para todos os liquidatários que queiram desenvolver esquemas de rentabilização de imobiliário.

O orador que tratou do turismo realçou a necessidade de regulação do mercado, de modo aos assaltantes de turistas estrangeiros no Algarve,  à saída de discotecas ou em residencias em zonas rurais, ou mesmo em hoteis, saberem até onde podem ir sem receio de, por comparação com outros destinos turisticos, dissuadir as agencias de viagens e as companhias aéreas "low cost" de enviarem mais turistas.

Finalmente, o congresso foi encerrado com uma mensagem de confiança no futuro, por um representante do senhor primeiro ministro, do reforço da aliança entre o setor público e a atividade de assaltantes e liquidatários, no respeito pela sua especificidade e pelos direitos dos seus trabalhadores.


PS - A narrativa acima é ficcional e qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Novas falas de governantes, desta vez motivo de esperança

"Nenhuma capital europeia fecha o metro as 11 da noite. À partida, não  faz sentido", afirmou o senhor ministro da economia e transportes Álvaro Santos Pereira em 8 de novembro de 2011, na conferência "Notação  financeira, transparência e credibilidade dos mercados".


Verifico com satisfação que há uma convergencia. 
Tirando a expressão "à partida", subscrevo a afirmação. 
E como sou ingénuo e bem intencionado, penso que pode haver mais pontos comuns se o diálogo se desenvolver de forma aberta e franca, porque quem trabalha nas empresas públicas de transporte também está interessado em fornecer um serviço sustentável, com custos baixos e com a sobrevivencia dos postos de trabalho.


Por isso mesmo, sem negar a necessidade evidente de combater a divida de 17.000 milhões de euros das empresas públicas, discordo do argumento do senhor ministro quando diz que as dívidas são das empresas e que portanto elas abrirão falencia se nada se fizer.
Discordo porque já se sabe que a parte da divida correspondente a investimentos em infraestruturas de grande duração é do estado. E mesmo que fosse das empresas, o aval dos empréstimos que elas contrairam é do estado. Logo, a haver falencia, é nós todos, contribuintes, e não apenas do setor de transportes.


Mas não haverá faencia porque alguma coisa se via fazer.
Só pedia que desse o benefício da dúvida aos trabalhadores a quem disse que as regalias dos acordos coletivos são para acabar.
Experimente adiar o calendário das privatizações, perdão, das concessões.
Experimente dar às empresas públicas as mesmas condições que pensa pôr nos cadernos de encargos, isto é sem passivos.
Aguarde os resultados.
Pode ser que se surpreenda, pela positiva.
Mas se não quer fazer isso, possivelmente para não contrariar nenhum mantra (é assim que se diz nas faculdades de economia, não é? o nome da biblia da mitologia hindu) do mercado de regulação teórica a la Greenspan-Paulsen-Bernanke, ao menos prepare as empresas publicas de modo a poderem concorrer tambem ao concurso internacional para as concessões (vai haver concurso, não é assim?). Os ideólogos da união europeia defendem a concorrencia e não proibem a existencia de empresas publicas não monopolistas, certo?


Para que não se comprove esta ideia de que o lombo da exploração rentável com redução de custos de produção é para os privados e os ossos das dividas e da manutenão e investimentos não rentáveis é para o público.


Se puder, não esqueça ainda os riscos da redução dos custos na formação de pessoal, que deu em vários acidentes no tempo da Tatcher (coitada, tambem teve de nacionalizar a Chrysler inglesa e parte da BP).
Nem a triste história de um dos consórcios privados das Infracos (manutenção e investimento de um grupo de linhas do metro de Londres) que, apesar da politica de desinvestimento e da dispensa de obediencia às normas concursais europeias, faliu).


Não desperdice o muito de bom que existe nas empresas públicas de transportes.











Idalina Pinto, Fátima Rodrigues e Mónica Cunha, no metropolitano depois das 23:00


Idalina Pinto, trabalhadora de limpeza, fotografada às 00:45

Fátima Rodrigues, trabalhadora estudante, fotografada às 23:46

Mónica Cunha, empregada no Centro Comercial Colombo, fotografada  às 00:20

Com a devida vénia ao DN, que fez o que um jornal deve fazer, ao saber das propostas em estudo no grupo de trabalho para a reformulação dos transportes nas áreas metropolitanas.
Escolhi três das fotografias que ilustram a reportagem, para mostrar como são bonitos os sorrisos e elevado o valor pessoal de quem anda de metropolitano a estas horas.
Por favor, senhores do alto império, não venham agora pedir-lhes que trabalhem mais com menos.
Nem lhes fechem o metro.

Ruinas 25 - Rua Possidónio da Silva, a Campo de Ourique





Não parece possível o "mercado" encontrar soluções para estas ruinas.
Pena as verbas QREN aguardarem propostas.
Então será indispensável começar por preparar projetos de reurbanização, não necessariamente de reabilitação do existente nem limitados a um ou dois edificios.
Mas é dificil, com a dificuldade portuguesa de se organizar.

As duas fotografias seguintes não são ruinas, são incluidas por o seu objeto ser bonito.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Ainda as falas de governantes- o senhor secretário de estado dos transportes

O senhor secretário de estado dos transportes afirmou:
"Acredito muito que se fizermos o que nos propomos fazer, em silêncio, no sentido de não haver ruído para fora, em diálogo dentro dos grupos de trabalho que estão criados, conseguiremos ter um serviço público adequadamente estruturado...Não temos nenhuma agenda escondida, deixemos que o grupo de trabalho cumpra a sua missão sem ruído e sem perturbações"
Não estão em causa os conhecimentos de transportes e a probidade em função do desejo de servir a coisa pública dos membros dos grupos de trabalho, apesar do elevado risco de se defenderem interesses mais ou  menos privados.
O que está em causa é o método e a forma de falar dos senhores governantes.
Trabalhar em silencio, como se se tratasse de um conclave no Vaticano ou de uma reunião de um comité central, é o oposto do método democrático.
Melhorar um sistema de transportes não é eleger um papa nem escolher uma tese que as maiorias terão de  aprovar.
Não é que o método democrático não tenha riscos, cuja solução de forma simplificada está tratada no texto sobre o brainstorming, em:
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2011/10/brain-storming.html

Se forem cumpridas as regras, o método democrático funciona, especialmente nos tempos que correm, em que a Internet permite trabalhar em rede e a informática e as telecomunicações viabilizam a gestão descentralizada.
Não é assim que funcionam as consultas públicas dos estudos de impacto ambiental?
Por isso, as palavras do senhor secretário de estado, defendendo o trabalho em silencio, avesso à audição dos orgãos representativos dos trabalhadores e das empresas, vão ao arrepio do debate aberto e participativo, a que depreciativamente chama ruido.
E não será uma contradição invocar silencio para o grupo de trabalho e dizer que não tem uma agenda escondida?

E esta maneira de falar, primeiro depreciadora para quem trabalha ou trabalhou nas empresas publicas de transporte: "Os sonhos e as fantasias trouxeram-nos até aqui e queremos que os cidadãos conheçam a realidade ..." (é fantasia trabalhar para que as pessoas tenham transporte na cidade? e não é o que todos querem, que os cidadãos saibam que a dívida dos investimentos foi abusivamente descarregada nas empresas públicas?); e depois ameaçadora, que se não for feito o que o governo vai querer fazer, "a exceção do dia de greve sem transportes vai ser todos os dias, uma cidade sem sistema de transportes".
Parafraseando o senhor secretário de estado da juventude, quem não concordar que saia da cidade e volte de automóvel.


Sinceramente, gostaria que os senhores governantes falassem de outro modo.
Seria mais fácil argumentar e contra-argumentar.
Esta a razão por que a greve também não me parece ser a melhor forma de oposição às medidas esperadas do governo, porque prejudica mais os utilizadores do que o governo, embora a lei da greve seja clara no que se refere a serviços mínimos, exatamente para não prejudicar os utilizadores, e sobre a possibilidade de requisição civil.


Pessoalmente, preferiria a divulgação sistemática das razões das empresas públicas, e greves-relampago de 5 minutos, encadeadas no tempo por categorias profissionais distintas  mas limitando a paralisação a menos de uma hora por dia.
É que o conflito, com o governo a preferir o silencio, é capaz de estar para durar, e assim se reduziriam as perdas de quem aderisse à greve, ou os pagamentos pelos sindicatos do tempo perdido .
Mas é capaz de ser apenas uma ideia de branstorming, provavelmente uma ideia de "low cost", como o bilhete a 50% ou o talão de desconto no passe depois das 21:00 ...

Dificil, não fazer publicidade

É dificil não fazer publicidade falando do tema deste texto: caderninhos de notas (apontamentos).
Dado que sofro de alguma imodéstia, tenho uma coisa em comum com Hemingway, que utilizava um caderninho de notas A7 para apontar ideias que lhe surgissem.
Esse caderninho era um Moleskine, uma marca italiana de agendas e artigos de papelaria.
Deu-se o caso de eu ter comprado um conjunto de 3 na FNAC, para ir tomando notas de assuntos a tratar no blogue.
Custou-me 2,99 euros.
É este o ponto comum.
Quando se acabaram os 3 caderninhos, comprei na Livraria Barata  um caderninho das edições 19 de abril por 1,99 euros, com a fotografia dos elevadores da Bica e um excerto de Simone de Beauvoir: "... ruas abruptas por onde se bamboleiam os elétricos, uma cidade do sul, escaldante e fresca, com a promessa do mar no horizonte."
Também ele chegou ao fim, pelo que comprei numa grande superficie comercial um caderninho da Ambar, tambem portuguesa, por 39 centimos.
Pode parecer que não tem importancia, mas talvez tenha.
A marca Moleskine é mesmo simpática, mas porquê importar tantas agendas e caderninhos e encehr prateleiras com elas, quando se podia comprar à Ambar?
Dificil, não fazer publicidade ao equilíbrio da balança de pagamentos.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

A religião da morte e o telefone que escorre sangue

Declaração inicial: este blogue discorda das motivações políticas e da prática do senhor ministro da administração interna, duvida até, possivelmente de forma injusta, mas duvida que ele apreenda as causas das coisas, mas reconhece que é uma pessoa de bem e bem intencionada.
Assim o mostra a sua renuncia ao subsidio de alojamento e a frase que pronunciou, em resposta ás perguntas do entrevistador do Correio da Manhã, quando utilizou a metáfora do seu telemóvel a escorrer sangue.
Transcrevo:


" ...Em termos quantitativos, os relatórios (de segurança interna) espelham um abaixamento do índice de criminalidade. Nos primeiros seis meses do ano de 2011, houve 3,4% de abaixamento de crimes reportados - embora no caso de 2011 os dados sejam provisórios. Mas - e este ‘mas' é muito importante - continua a verificar-se a tendência que se registava em 2010, que é um aumento da criminalidade mais grave e violenta.
- O que levou a esse aumento?
- Bom, foi um conjunto de razões. Isso significa que temos que olhar para esses actos criminosos com muita atenção, e ter a percepção muito clara de que há uma parte da criminalidade em Portugal em relação à qual não havia muito o hábito de lidar mas que merece uma atenção especial.
- Há alguma tendência de crime específica?
- Com armas de fogo. Costumo dizer que o meu telemóvel escorre sangue, porque só recebo aqui as más notícias."

Mas noto, com pena, que o senhor ministro não quis responder à questão sobre o que terá levado ao aumento da criminalidade com armas de fogo.
Existe uma correlação forte entre a criminalidade e a desestruturação de uma sociedade em que o desemprego, a desintegração de imigrantes e o insucesso escolar crescem.
E essa desestruturação, desde despedimentos a arrefecimento da economia, está indissociada da politica do governo a que pertence o senhor  ministro.
Não basta combater a criminalidade com melhorias nas forças de segurança, sobre o que não estou habilitado  a pronunciar-me. Apenas tenho dados sobre a correlação de que falei, e em paises estrangeiros, porque em Portugal é dificil recolher, tratar e disseminar dados.
Esse era o grande erro do antecessor do senhor ministro: fiava-se em estatisticas que não explicavam a realidade palpável. Não têm de explicar, mas devem ser acompanhadas de um tratamento de dados que ponha hipóteses a testar sobre causas e circunstancias. E devem ser analisados e disseminadas as conclusões sobre cada caso ou tipo de caso.
Não só na segurança interna, mas tambem na segurança rodoviária, um cancro crónico na sociedade portuguesa, especialmente entre os jovens.
Lamentavelmente o senhor ministro não estimula a atividade das entidades que tratam da segurança rodoviária. 
Embora o agravamento em termos estatisticos não seja relevante, a verdade é que continua a verificar-se um numero exagerado de mortes em acidentes rodoviários, com destaque para a morte de jovens durante a noite ou  madrugada.
Os meios de comunicação social dão a noticia, por vezes emocionalmente, mas o esquecimento sobrevem rapidamente.
Porque perdeu o controle do seu veículo a jovem grávida que morreu numa rotunda de Peniche, perdendo-se também a criança? Se a análise e disseminação do acidente não é feita, perde-se a oportunidade de prevenir junto de outras pessoas este tipo de acidentes.
Porque não se sabem os resultados da investigação do acidente em que morreu um jovem que seguia na bagageira de um ligeiro de mercadorias, as 6 da manhã de um sábado? ou o casal de jovens namorados que morreu numa colisão frontal em hora semelhante? ou a senhora jovem que morreu entalada numa colisao em cadeia no IC19 numa manhã de sábado?

Porque se despistam os camiões com reboque em dias de chuva?
Porque não se fazem campanhas didáticas e se controla mais apertadamente a velocidade de todos os veículos, em função das condições climáticas e da presença de areia ou lama, como muito bem define o código da estrada?
Os jovens são eternos e têm reflexos rápidos, mas as máquinas não são perfeitas, nem os automóveis se conduzem com um joy-stick dum jogo de computador. Os pedais de travão não imobilizam um automóvel, iniciam um processo de desaceleração. Qualquer condutor deve contar com 2 segundos como reserva de segurança, tempo durante o qual o automóvel mantem a sua velocidade a caminho do obstáculo inesperado.

A morte de jovens na estrada é uma tragédia e um tributo em sacrifícios humanos à religião cega do individualismo rodoviário. Privilegiar o culto da velocidade e da mobilidade do automóvel  privado contribui para esta religião da morte.



quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Continuação das 10 medidas para aumentar a taxa de ocupação do metropolitano de Lisboa

Já se sabe alguma coisa do grupo de trabalho para  a reformulação dos transportes na área metropolitana de Lisboa.
Pode ver-se desse grupo uma apresentação de 27 quadros em:


Como esperado, pelos nomes conhecidos, as propostas deste grupo de trabalho revelam algum conhecimento das questões concretas (eu próprio já tinha referido neste blogue algumas das medidas propostas) e as respetivas medidas serão eficientes, mas muitas delas apenas o serão do ponto de vista meramente economicista.
Isto é, perde-se a componente de serviço público, o que é compreensível se um dos objetivos é abrir caminho para as privatizações e concessões.
Não deve deixar de se criticar, porém, caso se mantenha, a ausencia de cálculos das economias previstas e dos prejuízos consequentes.

É tambem compreensível a discordancia dos orgãos representativos dos trabalhadores das empresas públicas e dos vereadores de mobilidade das câmaras prejudicadas.
Mas seria importantissimo que se desse imediatamente inicio a um processo de discussão e de negociação das medidas.

Retomo por isso o anterior texto das 10 medidas para aumento da taxa de ocupação do metropolitano de Lisboa, escrito antes de ter tido conhecimento da apresentação do grupo de trabalho (reafirmando que uma taxa de 20% não é uma má taxa, atendendo a que uma carruagem tem cerca de 40 lugares sentados e 120 lugares em pé, sendo que este número não corresponde a grande comodidade de transporte).
Ver em:

A propósito do fecho do metropolitano às 23 horas e da supressão de carreiras suburbanas e fluviais, só posso lamentar a referida perda de um serviço público.
Um serviço público, por definição, não deve ter como principal preocupação o lucro e, quando tomadas medidas economizadoras e de racionalização (como em várias empresas públicas já foram tomadas) terá de haver suporte dos custos.
Convirá sempre avaliar e contabilizar os benefícios sociais que poderão compensar esses custos.
Desde a empregadinha que sai do centro comercial Colombo ou Vasco da Gama, aos funcionários das exposições do Parque expo, aos espetadores de cinema, concertos ou teatro,  aos trabalhadores estudantes, aos trabalhadores por turnos, especialmente das áreas da limpeza, recolha de resíduos, vigilancia, são muitos os prejudicados.
Infelizmente, o efeito negativo desta medida, por prejudicar os que menos rendimentos têm, faz recordar a afirmação cruel de Tatcher: "quem precisa de andar de transportes coletivos é um falhado". Afirmação cruel e ignorante, porque transportes coletivos significa maior eficiencia energética e menores emissões de CO2. Sabendo-se que a demonstração da relação entre a emissão de CO2 e as alterações climáticas é relativamente recente, é natural que as cartilhas do neo-liberalismo da escola de Chicago, tão do gosto de Reagan e Tatcher, ignorassem a importancia dos transportes coletivos ferroviários.
Para contabilizar os prejuizos, e comparar com os custos da exploração do metro depois das 23:00, podemos multiplicar o valor do salário médio horário pelo numero de horas.empregado perdidas por não poderem trabalhar por falta de transporte. Esta contabilização decorre do raciocínio de que o transporte do trabalhador até ao local de trabalho é um fator de produção com custos quantificáveis.
Se o grupo de trabalho apresenta esta  medida, sem fazer um inquérito/sondagem para determinar essas horas-empregado perdidas, não haverá suporte científico para ela, validando assim a hipótese de que o objetivo era mesmo aliviar os custos ao futuro concessionário.
Haverá ainda uma externalidade a considerar, para alem do desperdício energético por estimular a utilização do transporte individual e o consequente aumento da sinistralidade (o que deveria ser contabilizado na análise de custos-benefícios do fecho às 23:00).
Fechar o metro contribui para a diminuição do movimento de pessoas depois das 23:00, estimulando o aumento da criminalidade, cuja contabilização deveria também figurar como prejuízo na análise de custos-benefícios.

Esta medida está associada ao ataque à cultura com o pretexto de que não há dinheiro (como disse o governante à jornalista, "que parte é que não percebeu? não há dinheiro?" porque estão os senhores governantes a falar de forma tão agressiva?), porque vai limitar a vida cultural noturna, alguma da qual é oferta turistica. Para não falar nos jovens que dificilmente desistirão dos seus divertimentos noturnos (não quererão sair das suas zonas de conforto, como deselegantemente, muito deselegantemente, diria outro governante) e assim se verão solicitados a abusarem do seu transporte privado, com o cortejo de mortes de jovens na madrugada que lhe está também associado.

Por isso insisto, e não é brincadeira, em adotar desde já, em vez do fecho às 23 horas, medidas do tipo das que as companhias "low cost" lançaram.
Aplicando uma simples regra económica para quando a procura é baixa, proponho que depois das 21:00 o bilhete seja  vendido a metade do preço.
O marketing atual tem tambem soluções para que os compradores de passes não se sintam discriminados, como seja cartões de desconto na compra (carregamento) do passe seguinte, a incrementar de cada vez que viajarem depois das 23:00.
E se mesmo assim os detentores do poder exigirem o fecho às 23:00, a contra-proposta é que se mantenha a hora de fecho normal (01:00 como hora de partida do ultimo metro em cada linha) e que se aumente o intervalo entre comboios, dos atuais 10 minutos para 30 minutos. E se monitorize rigorosamente a reação do sistema.
Impor o fecho simplesmente não pode, como dizem os orgãos representativos dos trabalhadores, ter o acordo de quem trabalha ou trabalhou no setor e nas atividades noturnas.






quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A Grécia





Não quero nem  posso, por desconhecimento, negar os excessos e os abusos cometidos pelos gregos, a todos os níveis.
Desde as pensões das filhas dos funcionários públicos até à lista de ricos que fugiam impostos que o ministro das finanças grego publicou.
Sei dos jornais que o governo anterior ao atual mascarou as contas.
E que o fez com a ajuda da Goldman Sachs. 
Mas não sei se foi tão diferente relativamente ao que se passou cá.
Há anos que se sabia que as dividas das empresas públicas de transportes portuguesas eram dividas do Estado, e isso foi dito a governos laranjas e cor-de-rosa e laranja-azul e cor de rosa-azul-laranja - esta das cores é só para compensar aquilo que se dizia muito dantes, que a culpa era dos comunistas.
Por falar em comunistas, é uma pena as televisões não darem noticia das posições na Grécia de pessoas como Mikos Teodorakis, por exemplo.
Outra coisa que sei, e que me ficou da Física, é que não se deve passar bruscamente de um estado para outro a um nivel muito diferente, para não induzir forças aperiódicas de grande amplitude, suscetíveis de provocarem oscilações de ressonancia por colisão com as estruturas pré-existentes (esta é só para dizer que o atual governo grego não deve acabar com as mordomias das filhas dos funcionários publicos num ai, deve dar pelo menos dois ais antes de acabar com elas, as mordomias; longa vida às filhas dos funcionários).
Como já tive oportunidade de blogar, um dos filmes  mais tristes que vi foi com o Mastroiani, o Apicultor, uma viagem de recolha de mel pela Grécia rural e decadente.
Há mais de 20 anos.
Ver em 

Fica caro, quando se pinta sobre a ferrugem da decadencia.
Quando a pintura é a dos académicos das faculdades de economia neo-liberais e a ferrugem é a das estruturas nacionais desorganizadas pelo império financeiro da globalização.
Tambem sei, da televisão, por ver entrevistas de rua na Atenas de hoje, que quem trabalhava, na privada ou na publica, e ganhava 500 euros, ganha agora 250 (se isso são mordomias...).
Finalmente, a Grécia está em crise, num caos e numa catástrofe. 
Certo, mas estas são palavras gregas e portanto são minhas porque só posso render-me a quem inventou a palavra otorrinolaringologia.
Como grega é a palavra Europa.
Mais um exemplo de que os netos desprezam a avó quando ela é mais pobre.
A história da Europa, desde Carlos Magno (ele tambem alemão, porque as tribos francas distinguem-se das outras por terem aprendido alto latim) tem sido também a de uma preparação e depois pilhagem do que foi o império romano do oriente, e só não foi mais por causa dos turcos, aqueles malandros. 
Os cavalos da praça de S.Marcos (os que estão guardados, claro) talvez ainda estivessem em Constantinopla se os turcos se têm antecipado 2 séculos, e a igreja de Santa Sofia provavelmente já teria sido adulterada e estaria irreconhecivel se tivesse caido sob a jurisdição do bispado de Roma.
Ainda recentemente o ocidente feriu bem fundo na fronteira entre as zonas de influencia histórica das igrejas católica e ortodoxa ao colaborar no eclodir da guerra civil jugoslava e ao participar nela.
Vêm agora os lideres das potencias dominantes da união europeia e os dirigentes dos grandes bancos escandalizar-se (outra palavra grega) porque o primeiro ministro grego convocou um referendo?
Referendo é para situações excecionais  e significa ouvir quem é a fonte do poder.
Como diz o étimo, democracia, uma palavra grega, de dificil aprendizagem pelos lideres políticos e pelos dirigentes dos grandes bancos, que confundem o protagonista do drama (mais palavras gregas), que é o povo, não são eles .
Se querem que o referendo diga sim, façam o favor de ser s-o-l-i-d-á-r-i-o-s, acabem com os juros agiotas de 93%.
Citação do professor de Coimbra José Castro Caldas: "A Grécia está encostada à parede e os lideres europeus podem finalmente perceber que é preciso reforçar o papel do BCE na provisão de liquidez, avançar nas euro-obrigações e ter um orçamento comunitário a sério".

E não demonizem o povo grego.
Demonizar o povo grego é para mim o mesmo que um brasileiro com problemas de identidade demonizar a lingua portuguesa ou ter pena que a lingua holandesa se tivesse limitado ao Suriname.

António Passos Coelho

O DN de 2 de novembro, num artigo de Modesto Navarro, foca a figura do dr António Passos Coelho, médico que dedicou a sua vida profissional ao Serviço Nacional de Saude em Trás os Montes.
O artigo resume um conto da autoria de António Passos Coelho, sobre uma personagem de uma aldeia que se dedicava ao trabalho altruista e que dizia coisas como "a Fazenda não devia obrigar a pagar quem não tem dinheiro".
Ver em
http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=2094748

Este blogue não gosta de falar de portugueses de sucesso, mas gosta de ver exemplos de pessoas normais, dedicadas a ideais de serviço público, e verdadeiramente pessoas de bem.
Por isso deixa a referência.

Aplausos para a Carris

No seguimento do desastre do "bondinho" do bairro d eSanta Teresa no  Rio de Janeiro, com 5 vítimas mortais, com elevada probabilidade de ter sido devido a falhas de manutenção, foi já assinado um protocolo entre o governo do Rio de Janeiro e a Carris para a renovação do serviço de elétricos.
Demonstra-se assim que os funcionários públicos das empresas públicas de transporte podem ser produtivos e gerar receitas no âmbito do setor de bens transacionáveis.
Precisamente por  isso é que, nos países em que a febre das privatizações atacou mais cedo, as empresas privadas contrataram  técnicos das antigas empresas públicas, ou os técnicos se organizaram em gabinetes de prestação de serviços às empresas concessionárias ou operadoras.
Como provavelmente acontecerá em Portugal.
Entretanto, aplausos para  a Carris e votos de que brevemente se circule em segurança no "bondinho".

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Mais falas de governantes - a emigração dos jovens desempregados

O cronista do DN, Ferreira Fernandes, chamou a atenção para mais uma forma desagradável de falar de um senhor governante, o senhor secretário de estado da Juventude e Desportos.
Que os jovens desempregados saiam da sua zona de conforto e emigrem.
Sugere o cronista que o salário do senhor governante fosse reduzido   na proporção da juventude empregada relativamente ao total de jovens, no pressuposto de que a juventude desempregada não é objeto do seu  trabalho.
Mas não seria precisa solução tão radical.
Bastaria que o senhor governante, cujo curriculo universitário no estrangeiro é impressionante, tomasse consciencia da forma sobranceira como fala.
Embora qualquer um perceba, mesmo sem ter a formação superior do senhor governante, que a emigração contribui para a redução do desequilibrio da balança de  pagamentos, é muito importante a forma como se dizem as coisas.
Para que não se diga que os senhores governantes falam como comentadores da internet.
Mas será tambem importante pensar no que um suiço explicou há uns anos, quando a comunidade portuguesa na Suiça ainda não era a terceira comunidade estrangeira, com 200.000 cidadãos e cidadãs: Portugal subsidia a Suiça por cada emigrante que lhe envia como fator de produção, no montante correspondente à sua educação e assistencia social até atingir a idade do trabalho.

10 medidas para aumentar a taxa de ocupação no metropolitano de Lisboa

                           

Nalguma coisa haviamos de estar de acordo, o senhor ministro, da economia e transportes, e eu.
Na conveniencia de aumentar a taxa de ocupação do metropolitano de Lisboa.
Provavelmente por razões diversas, e seguramente sem os mesmos objetivos.
Há anos que os técnicos vinham pedindo a atenção da alta direção do metropolitano de Lisboa para a necessidade de melhorar a taxa de ocupação, por razões de eficiência energética e com o objetivo do metropolitano melhorar a economia dos transportes da área metropolitana de Lisboa, que atualmente padece do desperdício em combustíveis fósseis (não se pense, contudo, que seja possível atingir uma taxa, quociente entre os passageiros.km transportados e os lugares.km oferecidos, superior a 30%).
Os meios propostos giravam em torno da ideia de transferir 10% das deslocações diárias na área metropolitana do transporte privado individual para o transporte ferroviário, mas podemos ensaiar algumas hipóteses, algumas delas sugeridas pelas táticas comerciais das "low-cost".
Será evidentemente desejável pôr em prática mecanismos de participação nas soluções a adotar dos trabalhadores das empresas e dos seus orgãos representativos, em debate alargado.

1 - explorar a linha verde com comboios de 3 carruagens em vez das 4 carruagens atuais. Tem a vantagem de melhorar a eficiência energética porque os comboios de 3 carruagens são mais eficientes do que os de 4. Tem o inconveniente de exigir mais 33% de comboios em linha e, consequentemente, mais 33% de maquinistas para a mesma capacidade de transporte oferecida na hora de ponta; fora das horas de ponta, mantendo os mesmo intervalos atuais, a taxa de ocupação melhora, com o inconveniente de má capacidade de resposta às pontas de afluencia do fim dos espetáculos (decorrendo as obras de ampliação para comboios de 6 carruagens dos cais da estação Areeiro, ficando apenas a faltar a ampliação de Arroios, e considerando que a exploração com 6 carruagens durante as horas de ponta é mais eficiente, considerar a hipótese de obras provisórias dessa ampliação)
2 - manter a solução atual de, ao longo do dia, adaptar os intervalos entre comboios ao diagrama da procura, e, fora das horas de ponta, circular com comboios de 3 carruagens em vez de 6 carruagens
3 - generalizar a aplicação do bilhete combinado parque de estacionamento-metro/Carris
4 - intensificar a fiscalização do estacionamento indevido nas zonas servidas pelo metro (eventual apoio administrativo por pessoal do metro)
5 - portagens rodoviárias à entrada da cidade com criação de parques dissuassores junto de estações de metro
6 - forte penalização fiscal de empresas que abandonem o centro da cidade e estimulos fiscais para a instalação de empresas dos setores secundário e terciário no centro da cidade
7 - estimulos fiscais à construção nova e à reabilitação da habitação nas zonas servidas pelo metro (receia-se que a ideia de sobrecarregar o IMI desincentive a construção e reabilitação; em alternativa a essa sobrecarga, atribuir ao metro competencias de empresa urbanizadora, reabilitadora e comercializadora nas zonas servidas)
8 -instalação de lojas do cidadão nas áreas comerciais do metro, nomeadamente na estação Amadora Este
9 - bilhetes combinados cinema/museus/cinemateca/teatro/concertos-metro/Carris fora das horas de ponta, a preço zero para o metro/Carris e cartões de desconto em centros comerciais associados ao bilhete metro/carris
10 - gestão integrada metro-Carris-suburbanos CP-suburbanos rodoviários

Temos de produzir mais com menos

Os senhores ministros que me perdoem a sensação do déjà entendu.

Temos de produzir mais com menos.
Esse, o aumento da produtividade,  vai ser o segredo da nossa competitividade para conseguirmos responder aos desafios da nossa concorrência.
Temos de trabalhar mais do que até agora mas com menos despesas.
Vamos trabalhar mais horas e vamos repartir os sacrifícios com equidade.
Ganharemos menos por hora, mas produziremos mais.
Vamos utilizar ao máximo as nossas potencialidades, as nossas instalações, os nossos equipamentos.
Vamos estimular a procura e aumentar a taxa de ocupação  das nossas instalações de produção.
Não as vamos deixar vazias.
Poderemos empobrecer nos primeiros tempos, mas depois retornaremos ao desafogo antigo.

Assim falou Claudia às suas colaboradoras, na casa de meninas que gere, com bar e suites privativas, ali por detrás de uma avenida da zona fina de Lisboa.

Aos senhores dos ministérios da educação

No dia de mais um anúncio de restrições na educação, desta vez nas disciplinas de educação visual e de informática




Exposição de trabalhos de alunos de educação visual  da Escola básica e secundária Barbosa du Bocage, de Setubal, na Direção regional de Lisboa e Vale do Tejo


Há sempre muitas esperanças nas crianças.
Elas crescem e a certa altura algo começa a falhar na nossa sociedade.
Começa a acentuar-se a diferença e a desigualdade e a reproduzir-se a estrutura social de antigamente.
Surge o predomínio de uns poucos sobre muitos.
Como em qualquer sociedade restrita e limitada, os códigos de supremacia só são válidos no âmbito restrito dessa sociedade, mas têm  força suficiente para impedir o progresso.
Sim, somos diferentes dos outros povos.
Emocionalmente individualistas, sensíveis e contemporizadores se a depressão não nos cega.
Constituimo-nos espetadores escondidos na nossa periferia.
Refratários aos estrangeirados.
Mas as nossas crianças mostram a sua arte com exuberancia nos breves momentos do esplendor das tintas nas tampas de caixas de sapatos nas escolas.
A vós, senhores dos ministérios da educação, a oportunidade de continuar a cortar no investimento nas crianças, a vós a horrível tarefa de ajudar a enevoar o futuro.
E que horrível tarefa.