Os governantes voluntariosos falavam em outubro de 2011 que poderiam dar seguimento ao requisito da Comissão Europeia de avançar com a ligação ferroviária de passageiros para Madrid com um quarto dos custos anteriormente previstos.
Isto porque a Comissão Europeia chamou a atenção que não bastava a ligação para mercadorias.
Na altura foi anotada a capacidade de fazer orçamentos e a rapidez com que dominavam todas as variáveis que entram num processo tão complexo e pluridisciplinar.
Mas nunca mais disseram nada, os governantes, sobre o novo projeto que ficaram de apresentar à Comissão Europeia.
Ela até contribuía, mas precisa de ver o projeto.
Ai o que acontece quando os governantes não se contêm ou falam de coisas que não dominam.
Mais tinha a Comissão Europeia chamado a atenção para que o plano estratégico apresentado pelo governo carecia exatamente do que ostentava no título, de estratégia, que um plano não é apenas um enunciado de intenções e de princípios, e que num plano estratégico de transportes tem de haver um diagnóstico e medidas de eficiência energética (o consumo do setor dos transportes é cerca de um terço da energia primária consumida).
É possível que o grupo de trabalho para a reformulação dos transportes nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto tenha recebido do governo também a incumbência de atenuar, no que lhes diz respeito, aquelas falhas do PET.
É possível, porque o secretismo continua, mais de um mês depois da entrega do relatório.
Este secretismo é inaceitável.
Os próprios deputados da Assembleia da Republica não têm ainda acesso ao relatório.
A democracia, por definição, é anti secretismos, e infelizmente verifica-se que a democracia não dispõe de mecanismos para evitar o secretismo.
O secretismo não é a alma do negócio, é o seu assassino.
Sabe-se isso desde o desenvolvimento do método científico, assente na partilha do conhecimento.
Consta que os dados que fundamentam o relatório até são consistentes e em quantidade razoável, embora continue a não se realizar um inquérito fiável à mobilidade nas áreas metropolitanas.
Consta ainda, apesar do secretismo, que uma das propostas estudadas no grupo de trabalho foi a criação d um passe-cidade Carris-Metro-CP, mas que as empresas privadas se opuseram terminantemente, agarradas que estão à distribuição de receitas que as favorece, conforme o inquérito desatualizado de 1998, porque nessa altura a rede do metro era menor.
Aliás, consta também que as empresas privadas não estão interessadas em divulgar o número de passageiros.km que transportam (e que é o produto de uma empresa de transportes de passageiros), só o número de passageiros.
E consta também que o grupo chegou à conclusão que a cobertura dos custos operacionais (incluindo gastos com pessoal) pelas receitas na Carris e no Metro até é muito razoável no contexto dos transportes metropolitanos dos outros países , contrariando assim as críticas escandalizadas do senhor ministro da economia e transportes aos preguiçosos e privilegiados trabalhadores do setor dos transportes.
Enfim, como o secretismo é compatível com a colocação de hipóteses, e constando também que o ministério da economia e transportes se sente obrigado a apresentar qualquer coisa brevemente, receia-se que a política demagógica e ignorante de cortar por cortar, sempre com o argumento de não haver dinheiro (e contudo, há dinheiro para desperdiçar em combustíveis fósseis na entrada e passagem de automóveis em Lisboa e Porto), se sobreponha à análise profissional.
Aguardemos.
Ver:
http://www.cm-lisboa.pt/archive/doc/MOV_21_2_Jan_2012.pdf
PS - Pouco depois de escrever esta mensagem, leio no DN de hoje que o senhor ministro da economia e transportes adiou sine die a audiência pedida pela comissão de coesão social da assembleia metropolitana de Lisboa (AML) e marcada para 16 de janeiro.
O objetivo era debater questões como o desemprego na AML, as politicas de emprego e a rede de transportes das áreas metropolitanas.
Se é verdade, trata-se de uma manifestação de desprezo e uma falta de respeito pelos cidadãos e cidadãs representados pela AML e pelos princípios básicos da democracia representativa.
Se é verdade que nem se consegue marcar uma data, só pode revelar ignorância e incompetência técnica sobre as questões de transportes.
Se é verdade, é provável que a razão tenha sido porque o grupo de trabalho tratou seriamente os dados recolhidos que contrariam os disparates que os senhores governantes anteriormente disseram sobre o tema (por exemplo, que 10.000 passageiros por dia é uma procura baixa, ou aquela da oferta ser 400% da procura), apregoando a aplicação como panaceia universal da religião da minimização do estado e das privatizações.
É apenas uma hipótese, mas o secretismo imposto pelo governo faz pensar assim.
Na verdade, pode não haver dinheiro, mas a incapacidade já revelada para os senhores governantes dominarem as questões de transportes ultrapassou, do ponto de vista técnico, os limites do razoável.
Deontologicamente, compete aos técnicos do setor denunciar isso.
E se não há dinheiro, só pode fazer-se o que qualquer entidade, singular ou empresarial faz num caso desses: uma auditoria para saber por tipo de despesas e de receitas quanto está a gastar e quanto está a receber.
Para se saber onde, quanto e em quê se pode ainda investir.
Mas a compreensão da necessidade de haver dados fiáveis para servirem de base a decisões não faz parte do dicionário.
Não pretendo que tudo isto seja mais uma razão para as greves do setor dos transportes, porque neste momento estas dão pretexto ao governo para pôr a população contra os trabalhadores do setor, e portanto a própria greve acaba por servir os interesses que pretendia combater. Por isso, seria mais lógico utilizar os mecanismos legais para fazer greves com serviços mínimos superiores a 90% ou outros protestos como a realização de paineis de debate das questões, convidando os senhores governantes para participarem, para apresentarem dados fiáveis e argumentos, seguindo-se a divulgação pública das conclusões. Isto é, dar a prioridade aos argumentos relativamente à tomada de posições de força, segundo o princípio de que a força da razão está na própria razão e não na força, podendo perder-se a razão se a força é mal utilizada.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
A novela do PET aos 13 de janeiro de 2012
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
O parque da Belavista
Lisboa, Chelas, parque da Belavista.
Ruído de obras de arranjos para o próximo Rock in Rio.
Existe um contrato entre a câmara de Lisboa e a organização deste espetáculo.
Tem vantagens e terá inconvenientes.
O que me interessa focar é a prioridade que se dá a esta atividade.
Durante o ano, o parque permite o usufruto pelas pessoas que moram perto, em Chelas, e é um gosto vê-las felizes a passear e a piquenicar.
Mas assim se vê a hierarquia de valores dos decisores.
O parque não tem infraestruturas para os seus beneficiários habituais.
Não tem instalações sanitárias, não tem um café, não tem edifícios de apoio.
Tem uma vedação em grande parte da sua extensão inestética.
Tem um campo de golfe abandonado com as respetivas infraestruturas de apoio fechadas.
Podia ser um pequeno Central Parque.
Podia não ser monopolizado pelo Rock in Rio.
Mas não vale a pena chorar no leite derramado.
E até dá jeito, para que se deixe estar o parque como está, manter o preconceito de que o local é inseguro, e que os moradores são os moradores da zona N de Chelas.
Há dinheiro para o Rock in Rio, não há dinheiro para o parque da Belavista.
É uma questão de opção.
| Chelas, zona N |
| Fim de tarde, chegada do trabalho |
| Parque de merendas |
| O palco do Rock in Rio, com o Tejo muito ao fundo |
| Contraluz de sobreiros, alfarrobeiras e pinheiros |
| Sobreiros, alfarrobeiras e pinheiros |
| A pérgola abandonada |
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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terça-feira, 10 de janeiro de 2012
A novela do PET - a canção das vindimas
A televisão não liga, mas ainda há quem se dedique a cantar as canções populares recolhidas e harmonizadas por Fernando Lopes Graça e Michel Giacometti.
E o mesmo para as canções heróicas de Lopes Graça.
Ainda há, até, quem continue a harmonizar e compor canções populares, como Eurico Carrapatoso e Vasco Pierce de Azevedo.
Nunca se consegue erradicar completamente a cultura de um povo.
Não se me dá que vindimem
vinhas que eu já vindimei.
Não se me dá que outros logrem
amores que eu já rejeitei.
Fui um ano à vindima,
pagaram-me a trinta réis;
Dei um vintém ao barqueiro, Ai
Fui p´ra casa com dez réis,
Dei um vintém ao barqueiro, Ai,
Fui p'ra casa com dez réis.
Pela folha da vindima,
pagaram-me a trinta réis;
Faço-me desatendida, Ai,
A mim não me escapa nada,
Faço-me desatendida, Ai,
A mim não me escapa nada.
Estou debaixo da latada,
nem à sombra, nem ao sol;
Estou ao pé do meu amor, Ai,
Nã há regalo maior,
Estou ao pé do meu amor, Ai,
Não há regalo maior.
Engraçada, a sabedoria popular, sem ter lido nenhum manual de finanças, identificar claramente que o salário é reduzido de 30 para 10 depois de pagar o transporte. Há que considerar o transporte como um fator de produção e taxar a atividade económica que dele beneficie para financiar as infraestruturas de transporte. Neste caso parece exagerado e mal direcionado, à vindimadora. Antes direcionar a taxa ao transporte privado, não sei se o PET vai direcionar assim ou se prefere castigar a vindimadora.
Por mais voltas que dêem os detentores do poder, a guerra é uma estupidez que mata quem deve produzir.
Acordai,
homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis!
Vinde, no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raiz!
Acordai,
raios e tufões
que dormis no ar
e nas multidões!
Vinde incendiar
de astros e canções
as pedras e o mar,
o mundo e os corações!
Acordai!
Acendei
de almas e de sóis
este mar sem cais
nem luz de faróis!
E acordai, depois
das lutas finais,
os nossos heróis
que dormem nos covais
Acordai!
Trata-se de uma canção heróica de Lopes Graça, sobre texto de José Gomes Ferreira. Não será necessário cantá-la agora com a força com que se cantava antes do 25 de abril, mas ainda há razões para cantá-la.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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Leitura rápida do DN de 9 de janeiro de 2012
Página 4 - o orçamento de estado para 2012 prevê o pagamento de 254 milhões de euros a colégios particulares dentro do que se vem fazendo há anos, quando a oferta do ensino público não é, teoricamente, suficiente. Problema: o DN não conseguiu obter esclarecimentos sobre o destino concreto de 12 milhões de euros. Mas perdoemos isso, pode ser que quem fez o orçamento estivesse de férias e não tivesse transmitido corretamente a informação aos colegas, ou os cortes de pessoal tenham extinto os colegas. O que não se pode perdoar, por contrariar as regras da boa gestão, é não terem sido fornecidos ao DN, por desconhecimento assumido, os números dos alunos saidos do ensino privado para o publico, em 2010-2011 e em 2011-2012. Os serviços do ministério desculpam-se que só tem números provisórios, mas o seu secretismo significa que a comunidade não dispõe de dados para analisar e propor soluções, o que não tem perdão.
Página 7 - ilmenite - minério de óxido de ferro e titânio, para produção de tintas e pigmentos. Foi notícia pela condenação na Guiné-Bissau de empresas chinesas por extração ilegal nas suas praias
Página 9 - ainda as nomeações para a EDP - tudo legal, ninguém discute, tudo de acordo com a vontade dos acionistas, mas assim se mostra a promiscuidade entre o poder económico e o poder político (porque o cálculo de probabilidades demonstra que é pequena a probabilidade de ser num grupo restrito de simpatizantes, de partidos que representam uma percentagem minoritária de eleitores, que se encontram os melhores gestores para uma área específica) e a assimetria de acesso a lugares de decisão (porque existem técnicos mais ligados ao negócio da produção de eletricidade com formação universitária e experiencia profissional mais qualificada do que a maioria dos propostos)
Página 10 - o Atlântida continua atracado no Alfeite, à espera. Faz impressão, por um lado os cadernos de encargos são para serem cumpridos, e o Atlântida não o cumpre. Mas os alugueres que foram e são pagos são muito elevados e justificariam a revisão da decisão. Choca também como não se explica aos contribuintes por que razão o Atlântida não cumpre a velocidade do caderno de encargos.
Porque o projeto do navio foi comprado na Russia. Alguém achou que se poupava no projeto. O regime de correntes e de ondulação nos Açores é diferente do mar de Azof e do Mar Negro. Foi necessário acrescentar robaletes (protuberancias longitudinais no casco submerso) para reduzir o rolamento (oscilação em torno do eixo longitudinal do navio). Os robaletes, pelo peso e pela resistencia ao deslocamento, reduziram a velocidade máxima.
Temos aqui um exemplo simples de pressas e más decisões na fase de um projeto, que afetou a fase de receção.
É pena nãp se falar muito nisto, porque muitas vezes se repete este erro, projetos feitos à pressa ou sem atenção às condições concretas de exploração.
Página 11 - rivalidades entre os senhores presidentes das câmaras do Porto e de Gaia - posso esstar a incorrer no erro expresso por um dos corolários da lei de Murphy, aquilo que corre bem lá fora pode não correr bem em Portugal, e se pode, certamente que correrá mal. Mas uma área metropolitana não deveria estar pulverizada em pequenas câmaras. Gaia e Porto deveriam ser a mesma municipalidade. Como em Londres, como em Budapeste.
Página 20 - o bairro do calhau, em S.Domingos de Benfica, arrisca-se a ficar sem a carreira 70 da Carris. Mais uma vez têm todos muita razão nas análises que fazem à pouca procura pelos passageiros, mas continua a não se falar e a não atacar a raiz do problema: que é a de que o planeamento dos transportes tem de estar intimamente associado ao planeamento da urbanização. Isto é, não vale a pena fazer um plano estratégico de transportes. Tem de se fazer um plano estratégico de urbanização e transportes.
Página 23 - o senhor presidente da república beneficiou de informação assimétrica sobre canais de acesso, não disponíveis para os comuns cidadãos e cidadãs, a financiamento em melhores condições e não quer que se fale nisso. Não fica bem. Refiro-me ao presidente Wulff da Alemanha
Página 26 - continuam os atentados pelo Boko Haram, fundamentalista islâmico, na Nigéria. Estas coisas combatem-se, principalmente, com condições económicas de emprego e com argumentos. É preciso argumentar que não estão a ser bons muçulmanos (islam significa paz) , e que não estão a seguir os ensinamentos do primeiro presidente do Paquistão, Muhamad Ali Jinnah, os quais infelizmente são tão pouco divulgados: "os hindus deixarão de ser hindus e os muçulmanos deixarão de ser muçulmanos, não no sentido religioso, porque isso é com a fé de cada um, mas no sentido político, como cidadãos do
Estado"
Página 32 - finalmente, a taxa Tobin sobre as transações financeiras, há tanto tempo defendida aqui neste blogue. Finalmente a senhora Merkel dá o seu acordo, ressalvando embora que no seio do seu governo e dos fiscalistas alemães ainda não há acordo. Melhor confissão não poderia haver, vinda de quem vem, da inadmissível separação entre os economistas políticos no poder e os contribuintes, e da promiscuidade entre o poder económico e o poder político que lhe está subordinado
Página 54 - Bandeira, o caricaturista do DN, perante a avalanche de declarações de colaboradores do DN que não escrevem segundo o novo acordo ortográfico, confessou-se, tal como este blogue, incompetente para escrever segundo qualquer acordo, e por isso escreveu a seguinte nota: "este cartoonista declara que não saabe escreveer segundo as regras do novo achordo orthográphico". Será assim tão difícil, a quem tem a garantia oficial de que até 2015 pode continuar a escrever segundo o acordo anterior sem que ninguém os acuse de cometer erros, prescindir de declarações redundantes?
Página 7 - ilmenite - minério de óxido de ferro e titânio, para produção de tintas e pigmentos. Foi notícia pela condenação na Guiné-Bissau de empresas chinesas por extração ilegal nas suas praias
Página 9 - ainda as nomeações para a EDP - tudo legal, ninguém discute, tudo de acordo com a vontade dos acionistas, mas assim se mostra a promiscuidade entre o poder económico e o poder político (porque o cálculo de probabilidades demonstra que é pequena a probabilidade de ser num grupo restrito de simpatizantes, de partidos que representam uma percentagem minoritária de eleitores, que se encontram os melhores gestores para uma área específica) e a assimetria de acesso a lugares de decisão (porque existem técnicos mais ligados ao negócio da produção de eletricidade com formação universitária e experiencia profissional mais qualificada do que a maioria dos propostos)
Página 10 - o Atlântida continua atracado no Alfeite, à espera. Faz impressão, por um lado os cadernos de encargos são para serem cumpridos, e o Atlântida não o cumpre. Mas os alugueres que foram e são pagos são muito elevados e justificariam a revisão da decisão. Choca também como não se explica aos contribuintes por que razão o Atlântida não cumpre a velocidade do caderno de encargos.
Porque o projeto do navio foi comprado na Russia. Alguém achou que se poupava no projeto. O regime de correntes e de ondulação nos Açores é diferente do mar de Azof e do Mar Negro. Foi necessário acrescentar robaletes (protuberancias longitudinais no casco submerso) para reduzir o rolamento (oscilação em torno do eixo longitudinal do navio). Os robaletes, pelo peso e pela resistencia ao deslocamento, reduziram a velocidade máxima.
Temos aqui um exemplo simples de pressas e más decisões na fase de um projeto, que afetou a fase de receção.
É pena nãp se falar muito nisto, porque muitas vezes se repete este erro, projetos feitos à pressa ou sem atenção às condições concretas de exploração.
Página 11 - rivalidades entre os senhores presidentes das câmaras do Porto e de Gaia - posso esstar a incorrer no erro expresso por um dos corolários da lei de Murphy, aquilo que corre bem lá fora pode não correr bem em Portugal, e se pode, certamente que correrá mal. Mas uma área metropolitana não deveria estar pulverizada em pequenas câmaras. Gaia e Porto deveriam ser a mesma municipalidade. Como em Londres, como em Budapeste.
Página 20 - o bairro do calhau, em S.Domingos de Benfica, arrisca-se a ficar sem a carreira 70 da Carris. Mais uma vez têm todos muita razão nas análises que fazem à pouca procura pelos passageiros, mas continua a não se falar e a não atacar a raiz do problema: que é a de que o planeamento dos transportes tem de estar intimamente associado ao planeamento da urbanização. Isto é, não vale a pena fazer um plano estratégico de transportes. Tem de se fazer um plano estratégico de urbanização e transportes.
Página 23 - o senhor presidente da república beneficiou de informação assimétrica sobre canais de acesso, não disponíveis para os comuns cidadãos e cidadãs, a financiamento em melhores condições e não quer que se fale nisso. Não fica bem. Refiro-me ao presidente Wulff da Alemanha
Página 26 - continuam os atentados pelo Boko Haram, fundamentalista islâmico, na Nigéria. Estas coisas combatem-se, principalmente, com condições económicas de emprego e com argumentos. É preciso argumentar que não estão a ser bons muçulmanos (islam significa paz) , e que não estão a seguir os ensinamentos do primeiro presidente do Paquistão, Muhamad Ali Jinnah, os quais infelizmente são tão pouco divulgados: "os hindus deixarão de ser hindus e os muçulmanos deixarão de ser muçulmanos, não no sentido religioso, porque isso é com a fé de cada um, mas no sentido político, como cidadãos do
Estado"
Página 32 - finalmente, a taxa Tobin sobre as transações financeiras, há tanto tempo defendida aqui neste blogue. Finalmente a senhora Merkel dá o seu acordo, ressalvando embora que no seio do seu governo e dos fiscalistas alemães ainda não há acordo. Melhor confissão não poderia haver, vinda de quem vem, da inadmissível separação entre os economistas políticos no poder e os contribuintes, e da promiscuidade entre o poder económico e o poder político que lhe está subordinado
Página 54 - Bandeira, o caricaturista do DN, perante a avalanche de declarações de colaboradores do DN que não escrevem segundo o novo acordo ortográfico, confessou-se, tal como este blogue, incompetente para escrever segundo qualquer acordo, e por isso escreveu a seguinte nota: "este cartoonista declara que não saabe escreveer segundo as regras do novo achordo orthográphico". Será assim tão difícil, a quem tem a garantia oficial de que até 2015 pode continuar a escrever segundo o acordo anterior sem que ninguém os acuse de cometer erros, prescindir de declarações redundantes?
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
Holanda, Holanda
Difíceis, ao longo dos tempos, as relações económicas com a Holanda.
Em 1579 foi proclamada a União de Utreque.
Era a republica holandesa dos Paises Baixos, uma oligarquia de burgueses mercadores, agricultores e industriais.
Defendiam-se da ocupação espanhola e austríaca, os Habsburgo.
Porque cargas de água, teria sido por presunção do direito divino do rei, terem-se os Habsburdo espanhois convencido da missão divina de governar a Europa?
O livre comércio e a tolerância religiosa foram fatores para a prosperidade económica da Holanda, a qual veio a permitir-lhe expulsar os invasores.
Por esse tempo, em 1580, formou-se a união ibérica entre Portugal e a Espanha, mas isso não impediu que o comércio entre Portugal e a Holanda prosseguisse.
Os navios holandeses traziam para Portugal cereais da Polónia (o pão do mar), artefatos da Alemanha, texteis da Inglaterra, armas e tecidos luxuosos da Itália.
E levavam de volta, para a Holanda e para o Báltico, sal, vinho, azeite e pimenta.
Lisboa tinha uma vida comercial intensa, agora que os surtos da peste negra amansavam, depois do grande morticinio do fim do século XIV e de recidivas esporádicas até ao início da união ibérica.
Num desses episódios de peste negra, em 1506, ocorreu um massacre de judeus e cristãos novos com origem na igreja de S.Domingos em Lisboa (quando alguém gritou, vendo a imagem de um santo a chorar, que era a humidade a escorrer, milagre, milagre, e um cristão novo, contrariado ter acrescentado que maior milagre seria o santo ter poupado a cidade à peste; seguiu-se um frade a pregar a perseguição aos judeus) o que originou a criação da praça da tolerancia, em frente da igreja de S.Domingos:
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2010/10/de-lisboa-cidade-da-tolerancia-luanda.html
Muitos judeus e cristãos novos emigraram na altura por causa disso, uns para aTurquia, outros para a Holanda.
Foi um episódio que deixou muito má fama dos portugueses, na Holanda, e que ainda hoje é lá do domínio público.
Mas voltemos aos primeiros tempos da união ibérica; estamos agora no princípio do século XVII; o negócio de importação e exportação florescia, que em Portugal sempre se privilegiou a importação, mas os cristãos novos continuavam a ser incomodados, por mais eficiente que fosse a sua atividade económica.
E a família de Spinoza emigrou por isso para a Holanda.
Spinoza, polidor e lapidador de lentes e diamantes e extraordinário filósofo, de uma família portuguesa de mercadores.
Poderia ter sido também português, não fora a intolerancia e a estreiteza de vistas dos governantes.
A principal riqueza transacionável (se não considerarmos transacionável a capacidade intelectual e produtiva de Spinoza) exportada por Portugal era o sal, cuja produção, por razões meteorológicas, se fazia com maior produtividade em Portugal.
O sal era importante para a conservação dos alimentos, nomeadamente o peixe que a Holanda exportava.
Entretanto as companhias holandesas, sempre financiadas por armadores particulares, expandiam-se pelo Índico e pelo Atlantico sul, colidindo os seus interesses económicos com a companhia estatal (real) portuguesa ou os seus concessionários.
O facto de Portugal estar integrado na união ibérica não ajudou, especialmente quando rebentou a guerra dos 30 anos , que infernizou os povos da Holanda, que se libertava, e da Espanha, que enviava os seus filhos a oprimir outros povos.
Agravada, com o endividamento da guerra, a situação económica do império espanhol, a partir de 1621 o vice rei em Portugal, duque de Olivares, sobe constantemente os impostos; a proteção aos mercadores de Sevilha, servidos pelo porto de Cadis, prejudica os mercadores de Lisboa; pior do que isso, Espanha proibe o comércio com a Holanda e os mercadores holandeses abandonam os portos portugueses.
As companhias holandesas financiam corsários para interceção das cargas e navios de guerra para ocupação de extensas zonas das colónias no Brasil (principal exportação: açúcar) e em Angola (principal exportação: escravos).
Interessante era o facto de metade da frota comercial portuguesa se ter perdido com as ações de corso holandesas no atlântico sul, mas as companhias de seguros, que já as havia nesse tempo, serem holandesas, assim como sociedades de capital de risco. Os prémios eram da ordem de 15% do valor da carga (açúcar e prata, esta do Uruguai), e os juros dos empréstimos aos mercadores de 120% , o que suportava as perdas (cada navio faria mais do que viagem de ida e volta na sua vida útil.
Difíceis, as relações entre Portugal e a Holanda.
Porque tinha a Holanda tanto exito, apesar do imperialismo espanhol-austríaco?
Devido à livre iniciativa comercial e marítima dos seus mercadores e à parcimoniosa política fiscal da república.
Isto prova que, em determinadas circunstancias, um sistema económico de cariz liberal é a melhor solução, mas noutras não, como se verá adiante, pelo que, perante um problema, não há que aplicar panaceias ideológicas, mas ver quais as medidas acertadas.
E talvez a razão seja também a lei de Fermat-Weber.
(ver:
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2010/08/o-problema-de-fermat-weber-da.html )
Fermat foi contemporâneo de Spinoza. Diz a lei que um sistema que esteja a crescer é porque tem capacidade atrativa sobre os elementos de outros sistemas, e quanto mais cresce por atrair os capitais, perdão, os elementos dos outros sistemas, mais força tem para atrair mais elementos de outros sistemas.
É tambem o que explica que num sistema entregue a si próprio, os ricos fiquem cada vez mais ricos (porque podem investir em atividades produtivas) aumentando a diferença entre os mais ricos e os mais pobres (porque aumentam sucessivamente o seu nível de austeridade) , embora o nível médio de riqueza possa subir, isto é o valor médio e a dispersão sobem.
As finanças de Portugal, à aproximação da restauração, em 1640, estão nas últimas, e a carga fiscal ultrapassara os limites do suportável.
Uma das medidas saneadoras depois da restauração foi o reatar oficial das relações comerciais com a Holanda e a recuperação dos territórios do Brasil, e para isso a diplomacia de D.João IV teve de assinar uma série de tratados entre 1654 e1661, em que Portugal pagou uma indemnização à Holanda sob a forma de uma renda anual de cerca de 300 contos de reis durante 40 anos, ficando os mercadores holandeses, regressados a Portugal, com o monopólio do sal.
Para uma ordem de grandeza do índice de preços, multiplique-se por 6.000 para ter o valor atual da renda referida (300x6000x5=9 milhões de euros; base de cálculo do fator: o quociente entre o salário médio atual e o salário médio no século XVII, 30.000 reis)
Pode ainda ver-se na marginal da Figueira da Foz um interessante edificio construido nesta época com os capitais holandeses para este negócio, decorado com azulejos de Delft.
A descoberta do ouro do Brasil veio resolver o problema da balança de pagamentos, aliviar a carga fiscal e iniciar um processo de industrialização. Mas só funcionou no século XVIII.
Entretanto a Holanda entrou em leve decadencia por motivo da guerra da sucessão de Espanha entre os interesses franceses e ingleses, no princípio do século XVIII , por motivo das medidas não liberais de Colbert em França (o mercantilismo) e porque a Inglaterra iniciou o seu período de supremacia clara, castigando a Holanda com o tratado de paz da guerra de sucessão de Espanha.
Difíceis, as relações com a Holanda.
Fontes:
- História Económica de Portugal, Leonor Freire Costa, Pedro Lains e Susana Munch Miranda,
ed.A esfera dos livros
- História Económica do Mundo, Rondo Cameron, ed. Publicações Europa-América
nota: evidentemente, as opiniões expressas neste texto poderão não ser as
dos autores dos livros citados
Em 1579 foi proclamada a União de Utreque.
Era a republica holandesa dos Paises Baixos, uma oligarquia de burgueses mercadores, agricultores e industriais.
Defendiam-se da ocupação espanhola e austríaca, os Habsburgo.
Porque cargas de água, teria sido por presunção do direito divino do rei, terem-se os Habsburdo espanhois convencido da missão divina de governar a Europa?
O livre comércio e a tolerância religiosa foram fatores para a prosperidade económica da Holanda, a qual veio a permitir-lhe expulsar os invasores.
Por esse tempo, em 1580, formou-se a união ibérica entre Portugal e a Espanha, mas isso não impediu que o comércio entre Portugal e a Holanda prosseguisse.
Os navios holandeses traziam para Portugal cereais da Polónia (o pão do mar), artefatos da Alemanha, texteis da Inglaterra, armas e tecidos luxuosos da Itália.
E levavam de volta, para a Holanda e para o Báltico, sal, vinho, azeite e pimenta.
Lisboa tinha uma vida comercial intensa, agora que os surtos da peste negra amansavam, depois do grande morticinio do fim do século XIV e de recidivas esporádicas até ao início da união ibérica.
Num desses episódios de peste negra, em 1506, ocorreu um massacre de judeus e cristãos novos com origem na igreja de S.Domingos em Lisboa (quando alguém gritou, vendo a imagem de um santo a chorar, que era a humidade a escorrer, milagre, milagre, e um cristão novo, contrariado ter acrescentado que maior milagre seria o santo ter poupado a cidade à peste; seguiu-se um frade a pregar a perseguição aos judeus) o que originou a criação da praça da tolerancia, em frente da igreja de S.Domingos:
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2010/10/de-lisboa-cidade-da-tolerancia-luanda.html
Muitos judeus e cristãos novos emigraram na altura por causa disso, uns para aTurquia, outros para a Holanda.
Foi um episódio que deixou muito má fama dos portugueses, na Holanda, e que ainda hoje é lá do domínio público.
Mas voltemos aos primeiros tempos da união ibérica; estamos agora no princípio do século XVII; o negócio de importação e exportação florescia, que em Portugal sempre se privilegiou a importação, mas os cristãos novos continuavam a ser incomodados, por mais eficiente que fosse a sua atividade económica.
E a família de Spinoza emigrou por isso para a Holanda.
Spinoza, polidor e lapidador de lentes e diamantes e extraordinário filósofo, de uma família portuguesa de mercadores.
Poderia ter sido também português, não fora a intolerancia e a estreiteza de vistas dos governantes.
A principal riqueza transacionável (se não considerarmos transacionável a capacidade intelectual e produtiva de Spinoza) exportada por Portugal era o sal, cuja produção, por razões meteorológicas, se fazia com maior produtividade em Portugal.
O sal era importante para a conservação dos alimentos, nomeadamente o peixe que a Holanda exportava.
Entretanto as companhias holandesas, sempre financiadas por armadores particulares, expandiam-se pelo Índico e pelo Atlantico sul, colidindo os seus interesses económicos com a companhia estatal (real) portuguesa ou os seus concessionários.
O facto de Portugal estar integrado na união ibérica não ajudou, especialmente quando rebentou a guerra dos 30 anos , que infernizou os povos da Holanda, que se libertava, e da Espanha, que enviava os seus filhos a oprimir outros povos.
Agravada, com o endividamento da guerra, a situação económica do império espanhol, a partir de 1621 o vice rei em Portugal, duque de Olivares, sobe constantemente os impostos; a proteção aos mercadores de Sevilha, servidos pelo porto de Cadis, prejudica os mercadores de Lisboa; pior do que isso, Espanha proibe o comércio com a Holanda e os mercadores holandeses abandonam os portos portugueses.
As companhias holandesas financiam corsários para interceção das cargas e navios de guerra para ocupação de extensas zonas das colónias no Brasil (principal exportação: açúcar) e em Angola (principal exportação: escravos).
Interessante era o facto de metade da frota comercial portuguesa se ter perdido com as ações de corso holandesas no atlântico sul, mas as companhias de seguros, que já as havia nesse tempo, serem holandesas, assim como sociedades de capital de risco. Os prémios eram da ordem de 15% do valor da carga (açúcar e prata, esta do Uruguai), e os juros dos empréstimos aos mercadores de 120% , o que suportava as perdas (cada navio faria mais do que viagem de ida e volta na sua vida útil.
Difíceis, as relações entre Portugal e a Holanda.
Porque tinha a Holanda tanto exito, apesar do imperialismo espanhol-austríaco?
Devido à livre iniciativa comercial e marítima dos seus mercadores e à parcimoniosa política fiscal da república.
Isto prova que, em determinadas circunstancias, um sistema económico de cariz liberal é a melhor solução, mas noutras não, como se verá adiante, pelo que, perante um problema, não há que aplicar panaceias ideológicas, mas ver quais as medidas acertadas.
E talvez a razão seja também a lei de Fermat-Weber.
(ver:
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2010/08/o-problema-de-fermat-weber-da.html )
Fermat foi contemporâneo de Spinoza. Diz a lei que um sistema que esteja a crescer é porque tem capacidade atrativa sobre os elementos de outros sistemas, e quanto mais cresce por atrair os capitais, perdão, os elementos dos outros sistemas, mais força tem para atrair mais elementos de outros sistemas.
É tambem o que explica que num sistema entregue a si próprio, os ricos fiquem cada vez mais ricos (porque podem investir em atividades produtivas) aumentando a diferença entre os mais ricos e os mais pobres (porque aumentam sucessivamente o seu nível de austeridade) , embora o nível médio de riqueza possa subir, isto é o valor médio e a dispersão sobem.
As finanças de Portugal, à aproximação da restauração, em 1640, estão nas últimas, e a carga fiscal ultrapassara os limites do suportável.
Uma das medidas saneadoras depois da restauração foi o reatar oficial das relações comerciais com a Holanda e a recuperação dos territórios do Brasil, e para isso a diplomacia de D.João IV teve de assinar uma série de tratados entre 1654 e1661, em que Portugal pagou uma indemnização à Holanda sob a forma de uma renda anual de cerca de 300 contos de reis durante 40 anos, ficando os mercadores holandeses, regressados a Portugal, com o monopólio do sal.
Para uma ordem de grandeza do índice de preços, multiplique-se por 6.000 para ter o valor atual da renda referida (300x6000x5=9 milhões de euros; base de cálculo do fator: o quociente entre o salário médio atual e o salário médio no século XVII, 30.000 reis)
Pode ainda ver-se na marginal da Figueira da Foz um interessante edificio construido nesta época com os capitais holandeses para este negócio, decorado com azulejos de Delft.
A descoberta do ouro do Brasil veio resolver o problema da balança de pagamentos, aliviar a carga fiscal e iniciar um processo de industrialização. Mas só funcionou no século XVIII.
Entretanto a Holanda entrou em leve decadencia por motivo da guerra da sucessão de Espanha entre os interesses franceses e ingleses, no princípio do século XVIII , por motivo das medidas não liberais de Colbert em França (o mercantilismo) e porque a Inglaterra iniciou o seu período de supremacia clara, castigando a Holanda com o tratado de paz da guerra de sucessão de Espanha.
Difíceis, as relações com a Holanda.
Fontes:
- História Económica de Portugal, Leonor Freire Costa, Pedro Lains e Susana Munch Miranda,
ed.A esfera dos livros
- História Económica do Mundo, Rondo Cameron, ed. Publicações Europa-América
nota: evidentemente, as opiniões expressas neste texto poderão não ser as
dos autores dos livros citados
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domingo, 8 de janeiro de 2012
A TDT
Realmente é uma pena, o progresso tecnológico ser apropriado por grupos e gestores económicos.
Aquilo que Marx escreveu, que esse progresso permitiria disponibilizar às pessoas cada vez mais benefícios com cada vez menos custos, foi pervertido.
Também foi pervertido um princípio científico e técnico, que qualquer nova tecnologia permite fazer o mesmo que a anterior, mais o que corresponde ao progresso técnico (por exemplo, uma emissão a cores podia ser vista a preto e branco num televisor antigo). Quando isso não é razoável, há que estabelecer um plano de transição para minimizar os prejuízos dos cidadãos e cidadãs.
Mas em Portugal, com aquela mentalidadezinha oportunista, aproveitou-se o aumento do numero de canais, tornado possível pela nova tecnologia digital, para aumentar as receitas dos grupos económicos através da sua venda, sem reverter parte desses ganhos para os habitantes em zonas de pior cobertura (15% do território!?), para compensação dos custos mais elevados (por exemplo, receção por satélite, ou distribuição por cabo a partir de um recetor em local de melhor receção).
É a "esperteza" habitual nos níveis de decisão.
Compatível aliás com o baixo nível cultural da programação televisiva de muitos canais. Parece que a moda que está a nascer agora é a "mediunidade", com programas em que aparecem crianças a relatar os contactos com pessoas familiares falecidas.
Que impressão.
http://www.tabonito.pt/tdt-a-vergonha-nacional-sabiam-disto/
Aquilo que Marx escreveu, que esse progresso permitiria disponibilizar às pessoas cada vez mais benefícios com cada vez menos custos, foi pervertido.
Também foi pervertido um princípio científico e técnico, que qualquer nova tecnologia permite fazer o mesmo que a anterior, mais o que corresponde ao progresso técnico (por exemplo, uma emissão a cores podia ser vista a preto e branco num televisor antigo). Quando isso não é razoável, há que estabelecer um plano de transição para minimizar os prejuízos dos cidadãos e cidadãs.
Mas em Portugal, com aquela mentalidadezinha oportunista, aproveitou-se o aumento do numero de canais, tornado possível pela nova tecnologia digital, para aumentar as receitas dos grupos económicos através da sua venda, sem reverter parte desses ganhos para os habitantes em zonas de pior cobertura (15% do território!?), para compensação dos custos mais elevados (por exemplo, receção por satélite, ou distribuição por cabo a partir de um recetor em local de melhor receção).
É a "esperteza" habitual nos níveis de decisão.
Compatível aliás com o baixo nível cultural da programação televisiva de muitos canais. Parece que a moda que está a nascer agora é a "mediunidade", com programas em que aparecem crianças a relatar os contactos com pessoas familiares falecidas.
Que impressão.
http://www.tabonito.pt/tdt-a-vergonha-nacional-sabiam-disto/
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TDT
A novela do PET aos 7 de janeiro de 2012
Não tem sido muito falado, o PET, nos últimos dias.
Por um lado, continua o secretismo sobre as medidas concretas que se esperaria sucedessem ao enunciado de intenções que é o PET.
Não transpareceram com clareza as propostas do grupo de trabalho para a reformulação dos transportes de Lisboa e Porto.
Circularam até histórias pitorescas, como a de um dos membros, que terá aconselhado a contratar a PSP e a GNR para apoio à extinção de linhas.
Por exemplo, a supressão do elétrico 18 da Ajuda, em Lisboa. Não se poderia em vez disso pedir às agencias de viagens que inscrevessem o 18 nos roteiros turísticos para o palácio da Ajuda, para o jardim botânico, para o parque de Monsanto, para os moinhos da Ajuda?
Falou-se também, com o entusiasmo juvenil dos yuppies, em desenvolver técnicas de yeld management nas empresas de Lisboa e Porto, com a criatividade e inovação das low cost.
Como se os passes sociais não fossem um exemplo de yeld management, de pagamento diferenciado entre clientes.
E como se não fosse necessário ter prudencia, numa altura em que a American Airlines, o supra sumo das companhias de yeld management, acabou de declarar falencia.
Mas o melhor do PET nestes dias foi, sem dúvida, a manifestação pelo suburbano Coimbra-Lousã, em frente do ministério da Economia e Transportes. O senhor presidente da câmara veio tranquilizar os manifestantes; que os carris iriam ser postos (já estaria feito o caderno de encargos? e o concurso público e internacional, terá respeitado as regras da contratação pública? foi rápido, muito rápido). E o senhor ministro, agora com um visual mais simpático, sem os repentes incomodados que às vezes exibe quando acha que assim resiste melhor à resistência dos interesses instalados, com uma menina bonita ao colo (vou ser ministro para os meus filhos terem um país melhor, foi uma das motivações confessadas quando assumiu a pasta), a dizer para a TV que as pessoas do interior têm sido esquecidas, mas que vão ter a sua ligação ferroviária a Coimbra. Tocante, verdadeiramente tocante.
Esperemos que sim, que não tarde estamos de acordo (mas será como a promessa do caminho de ferro para Viseu?), até porque suspender uma obra contratada fica sempre caro, muito caro (a propósito, como está a questão do túnel do Marão?).
Por um lado, continua o secretismo sobre as medidas concretas que se esperaria sucedessem ao enunciado de intenções que é o PET.
Não transpareceram com clareza as propostas do grupo de trabalho para a reformulação dos transportes de Lisboa e Porto.
Circularam até histórias pitorescas, como a de um dos membros, que terá aconselhado a contratar a PSP e a GNR para apoio à extinção de linhas.
Por exemplo, a supressão do elétrico 18 da Ajuda, em Lisboa. Não se poderia em vez disso pedir às agencias de viagens que inscrevessem o 18 nos roteiros turísticos para o palácio da Ajuda, para o jardim botânico, para o parque de Monsanto, para os moinhos da Ajuda?
Falou-se também, com o entusiasmo juvenil dos yuppies, em desenvolver técnicas de yeld management nas empresas de Lisboa e Porto, com a criatividade e inovação das low cost.
Como se os passes sociais não fossem um exemplo de yeld management, de pagamento diferenciado entre clientes.
E como se não fosse necessário ter prudencia, numa altura em que a American Airlines, o supra sumo das companhias de yeld management, acabou de declarar falencia.
Mas o melhor do PET nestes dias foi, sem dúvida, a manifestação pelo suburbano Coimbra-Lousã, em frente do ministério da Economia e Transportes. O senhor presidente da câmara veio tranquilizar os manifestantes; que os carris iriam ser postos (já estaria feito o caderno de encargos? e o concurso público e internacional, terá respeitado as regras da contratação pública? foi rápido, muito rápido). E o senhor ministro, agora com um visual mais simpático, sem os repentes incomodados que às vezes exibe quando acha que assim resiste melhor à resistência dos interesses instalados, com uma menina bonita ao colo (vou ser ministro para os meus filhos terem um país melhor, foi uma das motivações confessadas quando assumiu a pasta), a dizer para a TV que as pessoas do interior têm sido esquecidas, mas que vão ter a sua ligação ferroviária a Coimbra. Tocante, verdadeiramente tocante.
Esperemos que sim, que não tarde estamos de acordo (mas será como a promessa do caminho de ferro para Viseu?), até porque suspender uma obra contratada fica sempre caro, muito caro (a propósito, como está a questão do túnel do Marão?).
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Flor de amendoeira
Não será certamente menos consideração pelo MAMAOT - Ministério da Agricultura, do Mar, do Ambiente e de Organização do Território, que não emitiu nenhum despacho sobre o assunto, a autorizar, a regular, a cortar ou a anunciar.
Mas as flores e os rebentos das amendoeiras já despontam neste janeiro, como prunus que são.
Como Brecht dizia, o trigo cresce, quer o ministério da agricultura queira ou não.
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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Leonel Costa
Não conhecia Leonel Costa.
Tomei conhecimento da sua morte por um artigo de Manuel Pinho, antigo ministro da Economia, que o conheceu graças à sua industria de moldes, em Maceira Liz, perto de Leiria.
O seu trabalho foi interrompido, mas serve como lição e exemplo de que é possível produzir e bem.
Precisamos de pessoas assim.
Mais informação nas ligações:
http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=2221735
http://economico.sapo.pt/noticias/leonel-costa-faleceu_134899.html
Junto fotografias da cápsula para a máquina de café expresso Delta Q, um dos seus trabalhos. Os moldes para o seu fabrico são uma peça de engenharia linda:
Tomei conhecimento da sua morte por um artigo de Manuel Pinho, antigo ministro da Economia, que o conheceu graças à sua industria de moldes, em Maceira Liz, perto de Leiria.
O seu trabalho foi interrompido, mas serve como lição e exemplo de que é possível produzir e bem.
Precisamos de pessoas assim.
Mais informação nas ligações:
http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=2221735
http://economico.sapo.pt/noticias/leonel-costa-faleceu_134899.html
Junto fotografias da cápsula para a máquina de café expresso Delta Q, um dos seus trabalhos. Os moldes para o seu fabrico são uma peça de engenharia linda:
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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Leonel Costa,
moldes
Pedro Osório
Conheci Pedro Osório, embora fosse um contacto breve, há muitos anos, quando a minha companheira cantava num pequeno grupo, o Introito, que aparecia na televisão.
Posso testemunhar que todos os elogios que são feitos agora que morreu, são verdadeiros
Era uma excelente pessoa, engenheiro mecânico, sem vaidades nem pretenciosismos tão vulgares no meio dos espetáculos.
E era um excelente músico.
Ficou interrompido o seu trabalho de transcrições de musicas de Carlos Seixas.
Para além da lição da sua humanidade e humildade, fica a da sua dedicação à música e ao bom trabalho que desenvolveu.
Isto é, precisamos de pessoas assim.
Reproduzo novamente um dos seus últimos trabalhos, exemplo de solidariedade:
Posso testemunhar que todos os elogios que são feitos agora que morreu, são verdadeiros
Era uma excelente pessoa, engenheiro mecânico, sem vaidades nem pretenciosismos tão vulgares no meio dos espetáculos.
E era um excelente músico.
Ficou interrompido o seu trabalho de transcrições de musicas de Carlos Seixas.
Para além da lição da sua humanidade e humildade, fica a da sua dedicação à música e ao bom trabalho que desenvolveu.
Isto é, precisamos de pessoas assim.
Reproduzo novamente um dos seus últimos trabalhos, exemplo de solidariedade:
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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21:25
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Pedro Osório
O talhante qualificado, novamente
Caríssimo cronista do DN, Ferreira Fernandes, e Exmo Senhor diretor do DN
Peço desculpa, porque o assunto já está muito conversado.
Mas precisamente por isso, por nas suas duas crónicas sobre os talhantes (http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=2221785 ), aliás excelentes, como de costume, ter dito que "ninguém ligou" ao desabafo do senhor merceeiro sobre a falta de talhantes, não resisti.
Ora, se tiver a pachorra de seguir o link, verá que também pensei nisso na altura.
Claro que eu ter ligado ou não ter ligado é o mesmo, mas não me queixo de não me ligarem, queixo-me de, efetivamente, no nosso país termos muita dificuldade em nos organizarmos para resolver problemas.
No fundo, estou a contrariá-lo (ainda bem, não há nada como iluminar o problema de ângulos diferentes; ninguém pode garantir que é ele que tem razão e os outros não), possivelmente por no meu bairro haver muitos talhos e não parecer haver falta de talhantes qualificados.
Mas como digo no meu escrito, palpita-me que há falta de dados suficientes para diagnosticar e passar a receita.
Outro defeito do nosso país, como aliás refere quando fala nos "bitaites", que são o contrário dos dados concretos (e certamente que o senhor merceeiro dispõe de uma base de dados reais invejável e que devia ser aproveitada, não ironizo).
Finalmente, concordo que o facto : "é arrasador sobre a política educativa portuguesa que em décadas de ensino desfasado com a realidade não formou os profissionais necessários".
Mas permito-me acrescentar que as "reformas" da educação de que muito se falou contra os interesses instalados se integraram perfeitamente nesse desfasamento da realidade (confesso que não tenho dados para me pronunciar sobre a política do atual ministro).
Apenas dei 7 meses de aulas numa escola profissional de eletrónica, a Fonseca Benevides, há muitos anos. E consta-me que o seu ensino sempre foi de nível e válidos os profissionais que de lá saíram ao longo dos anos.
Digamos que nesta profissão, os técnicos vão trabalhando nos seus setores restritos, não têm protagonismo político nem mediático, mas a verdade é que sempre foi havendo escolas profissionais (claro que deveria ter havido um ensino profissional a sério mais generalizado).
Quanto à política educativa portuguesa, sou casado com uma professora já reformada, e posso garantir que pelo menos ela e a irmã bem lutaram contra a dita e contra as ditas "reformas".
Mas em vão.
Agora, resta-nos esperar, dado que a tal capacidade de participação e organização no nosso país, para resolver problemas, é limitada.
Peço mais uma vez desculpa pelo tempo tomado e gostaria de lhe transmitir o meu apreço pelo seu trabalho, mesmo quando não concordamos.
Os meus cumprimentos
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Ainda o novo acordo ortográfico
O novo acordo ortográfico, na realidade, já é "velhinho" de 1990.
E só agora entrou em vigor nos documentos oficiais por força da legislação seguinte:
DR de 17 de setembro de 2010 e RCM de 8 de janeiro de 2011.
De acordo com esta legislação, não escrever segundo o acordo é erro ortográfico nas escolas a partir do ano 2011-2012, em documentos oficiais a partir de janeiro de 2012 e, para os particulares, será erro a partir do fim do período de transição, que ocorrerá em 13 de maio de 2015, 6 anos após o depósito oficial conforme o DR de 17 de setembro de 2010 e a convenção com os outros paises.
Continuam distintos escritores a pedir aos jornais que acrescentem em nota de rodapé aos seus escritos que o autor, por decisão pessoal, não escreve segundo o novo acordo.
Quisera eu escrever segundo o novo acordo, e também (alguem, perdão, alguém me explique por que é preciso pôr o acento nestas palavras oxítonas, que no meu tempo se chamavam palavras agudas) segundo qualquer acordo, porque não consigo fixar as regras todas do hífen e da acentuação, quer do novo acordo quer dos outros acordos, e os corretores automáticos nem sempre se entendem.
Por isso não faço finca pé, perdão finca-pé (por que carga de águas está aqui este hífen segundo o novo acordo, terá sido por causa das unidades sintagmáticas e semânticas?), em informar se escrevo segundo o novo ou segundo outro acordo, o do provàvelmente, o do producto e fructo, ou o mais antigo, o do intellecto, da Ruth e da phleugma.
Deixem-me apenas escrever sem os c e os p que não pronuncio.
É que se pusesse em nota que não escrevo segundo o novo acordo, e se o novo acordo é mandado cumprir um período de transição de 6 anos, não escrever segundo o novo acordo significa não escrever segundo as regras desse período de transição. O que, segundo a lógica, poderia querer dizer que não se aceita o período de transição e se começa já a escrever segundo o novo acordo; mas tinha-se dito que não se escrevia segundo o novo acordo. Ou então não se considera sequer o inicio do periodo de transição e se escreve segundo o acordo antigo; mas segundo o novo acordo estamos no período em que se pode escrever segundo o acordo antigo, logo escrever durante o período de transição segundo o antigo acordo é compatível com a vigência do novo acordo. Ou ainda então, estarão os ilustres escritores a querer escrever noutro vocabulário que não o português?
Aplausos para Manuel Maria Carrilho, que vejo prescindir, a contra corrente (sem hífen, claro) da notinha de rodapé anti novo (estará bem sem hifen?) acordo.
Passará pela cabeça de algum alemão escrever num jornal que não quer cumprir uma norma publicada em legislação? Não sei, mas o facto (pois, se eu pronunciar "facto" o novo acordo dá-me o direito de escrever "facto"; e deixem-se de complexos de inferioridade relativamente aos amigos brasileiros porque se eles pronunciam "fato" deixem-nos escrever "fato", e que não se confunde com "terno", que de facto está muito mais próximo da mãe latina do que "fato", que descende do germânico) de eu insistir tanto com os jovens colegas que continuaram no metropolitano que dêem o máximo de atenção às atividades de normalização técnica, pode querer dizer que nestas coisas eu seja mau português.
Mas animem-se todos; arco-íris, o da homenagem à deusa radiosa e apressada, continua a escrever-se arco-íris.
E não sofram de complexos de inferioridade. Os nossos amigos brasileiros deixaram de escrever "antiinflamatório" para escrever "anti-inflamatório"; e deixaram também cair o trema; já não escrevem seqüência; escrevem só sequência (por que carga de águas deixou aqui o novo acordo este circunflexo, enquanto sequenciar não leva chapelinho nenhum? já é vontade de não querer dispensar umas quantas teclas no teclado dos computadores) .
Em caso de dúvida, sugiro a consulta da lista das palavras que mudam e das que não mudam no vocabulário da mudança em:
http://www.portaldalinguaportuguesa.org/novoacordo.php?action=novoacordo&act=list&search=
ou escrevendo a palavra na janelinha de pesquisa do canto superior direito em qualquer página do portal:
http://www.portaldalinguaportuguesa.org/
E só agora entrou em vigor nos documentos oficiais por força da legislação seguinte:
DR de 17 de setembro de 2010 e RCM de 8 de janeiro de 2011.
De acordo com esta legislação, não escrever segundo o acordo é erro ortográfico nas escolas a partir do ano 2011-2012, em documentos oficiais a partir de janeiro de 2012 e, para os particulares, será erro a partir do fim do período de transição, que ocorrerá em 13 de maio de 2015, 6 anos após o depósito oficial conforme o DR de 17 de setembro de 2010 e a convenção com os outros paises.
Continuam distintos escritores a pedir aos jornais que acrescentem em nota de rodapé aos seus escritos que o autor, por decisão pessoal, não escreve segundo o novo acordo.
Quisera eu escrever segundo o novo acordo, e também (alguem, perdão, alguém me explique por que é preciso pôr o acento nestas palavras oxítonas, que no meu tempo se chamavam palavras agudas) segundo qualquer acordo, porque não consigo fixar as regras todas do hífen e da acentuação, quer do novo acordo quer dos outros acordos, e os corretores automáticos nem sempre se entendem.
Por isso não faço finca pé, perdão finca-pé (por que carga de águas está aqui este hífen segundo o novo acordo, terá sido por causa das unidades sintagmáticas e semânticas?), em informar se escrevo segundo o novo ou segundo outro acordo, o do provàvelmente, o do producto e fructo, ou o mais antigo, o do intellecto, da Ruth e da phleugma.
Deixem-me apenas escrever sem os c e os p que não pronuncio.
É que se pusesse em nota que não escrevo segundo o novo acordo, e se o novo acordo é mandado cumprir um período de transição de 6 anos, não escrever segundo o novo acordo significa não escrever segundo as regras desse período de transição. O que, segundo a lógica, poderia querer dizer que não se aceita o período de transição e se começa já a escrever segundo o novo acordo; mas tinha-se dito que não se escrevia segundo o novo acordo. Ou então não se considera sequer o inicio do periodo de transição e se escreve segundo o acordo antigo; mas segundo o novo acordo estamos no período em que se pode escrever segundo o acordo antigo, logo escrever durante o período de transição segundo o antigo acordo é compatível com a vigência do novo acordo. Ou ainda então, estarão os ilustres escritores a querer escrever noutro vocabulário que não o português?
Aplausos para Manuel Maria Carrilho, que vejo prescindir, a contra corrente (sem hífen, claro) da notinha de rodapé anti novo (estará bem sem hifen?) acordo.
Passará pela cabeça de algum alemão escrever num jornal que não quer cumprir uma norma publicada em legislação? Não sei, mas o facto (pois, se eu pronunciar "facto" o novo acordo dá-me o direito de escrever "facto"; e deixem-se de complexos de inferioridade relativamente aos amigos brasileiros porque se eles pronunciam "fato" deixem-nos escrever "fato", e que não se confunde com "terno", que de facto está muito mais próximo da mãe latina do que "fato", que descende do germânico) de eu insistir tanto com os jovens colegas que continuaram no metropolitano que dêem o máximo de atenção às atividades de normalização técnica, pode querer dizer que nestas coisas eu seja mau português.
Mas animem-se todos; arco-íris, o da homenagem à deusa radiosa e apressada, continua a escrever-se arco-íris.
E não sofram de complexos de inferioridade. Os nossos amigos brasileiros deixaram de escrever "antiinflamatório" para escrever "anti-inflamatório"; e deixaram também cair o trema; já não escrevem seqüência; escrevem só sequência (por que carga de águas deixou aqui o novo acordo este circunflexo, enquanto sequenciar não leva chapelinho nenhum? já é vontade de não querer dispensar umas quantas teclas no teclado dos computadores) .
Em caso de dúvida, sugiro a consulta da lista das palavras que mudam e das que não mudam no vocabulário da mudança em:
http://www.portaldalinguaportuguesa.org/novoacordo.php?action=novoacordo&act=list&search=
ou escrevendo a palavra na janelinha de pesquisa do canto superior direito em qualquer página do portal:
http://www.portaldalinguaportuguesa.org/
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acordo ortográfico
Uma noite na ópera - Portugal e a Hungria
Como já se disse neste blogue, a ópera, para alem de criar mecanismos injustificados de rejeição junto de alguns cidadãos e cidadãs, tem uma forte componente interventiva e está intimamente ligada à forma como a sociedade se organiza.
Além de que, apesar de tudo, é um espetáculo popular.
Em Portugal
Em Portugal criou-se a ideia de que não é, o que só ilustra um dos aspetos do pensamento português, de deixar que um grupo restrito dite o que todos devem pensar.
Ora, já é possivel ir ao S.Carlos à ópera, sem gravata.
Verdade que raramente lá se vê o senhor presidente da Republica e nunca o senhor primeiro ministro.
Este é tambem um sintoma do nivel cultural dos cidadãos que desempenham esses cargos e não deve portanto escandalizar ninguem.
As pessoas que não têm cultura são cidadãos como os outros e podem desempenhar esses cargos, sujeitos naturalmente ao juízo e à classificação na história em função da ausencia de nivel cultural nas suas decisões.
Em Portugal, o ataque cerrado dos bárbaros que tomaram conta do poder sobre questões de cultura de âmbito nacional, insistindo na tecla de que "não há dinheiro" (pode ser verdade, mas não de forma absoluta; além de que, sendo verdade, esperar-se-ia a declaração do estado de emergencia, porque um país sem cultura é uma situação de emergencia, salvo melhor opinião, que será talvez a dos governantes), conseguiu anular a apresentação de 3 espetáculos de ópera já programados para o S.Carlos (a programação de ópera é contratada com 2 anos de antecedencia, e os economistas queriam forçar os produtores estrangeiros a reduzir custos, dentro daquela velha máxima de fazer mais com menos, que evidentemente não foi aceite pelos produtores).
E o curioso desta história é que as pessoas do S.Carlos reagiram como eu costumo dizer aos meus jovens colegas que continuaram no ativo: não baixem os braços e criem estratégias de recuo, como o quadrado do condotieri Nuno Álvares.
E assim vamos ter ópera em janeiro: Cosi fan tutte, já programada, e outra em maio, La rondine de Puccini.
Perderam-se as outras, mas ainda temos ópera no S.Carlos, pode ser que os bárbaros tropecem ao longo da temporada, como os inimigos do condotieri em Aljubarrota.
A orquestra, o coro e o cantores vão ainda realizar alguns espetáculos para manter a atividade e não faltará o festival do largo, no verão, para espanto dos turistas que nos visitarem nessa altura, e que estarão à espera de que a cultura tenha desaparecido pelos fundos do orçamento.
O programa que recebi em casa, em carta que começa assim: "Caro assinante: Perante as contingencias provocadas pela delicada situação financeira e económica do país, e na sequencia das indicações do ministério das finanças referentes ao orçamento de 2012 ..." (eu que pensava que o S.Carlos recebia indicações da secretaria da cultura ou da presidencia do conselho de ministros ...) leva-me portanto a aplaudir quem toma decisões e quem trabalha no S.Carlos, e a não ir já este ano ao teatro da Zarzuela em Madrid ou ao da Bastilha em Paris, para ver ópera, o que é bom para a balança de pagamentos.
Na Hungria
Na Hungria, a tradição musical tem outra implantação na classe politica, e o primeiro ministro dirigiu-se ao teatro de ópera para assistir a um espetáculo.
Tenho pena de não saber que ópera era. Talvez o "crepusculo dos deuses", não sei.
Mas o facto é que os manifestantes aguardavam-no à entrada e eram muitos, com cartazes a dizer "eleg volt", que em bom hungaro significa "basta".
"Basta" porque o senhor primeiro ministro quer alterar a constituição para controlar melhor o banco central hungaro, para controlar melhor os meios de comunicação social incluindo a inernet, e para evitar a representação proporcional dos partidos menores que possam opor-se-lhe, numa prática que em Portugal tambem há quem defenda: alterar as regras eleitorais ao arrepio da matemática para conservar o poder.
Engraçado que a comissão europeia tambem não gostou das medidas do senhor primeiro ministro hungaro, embora não tenha autoridade moral para o fazer porque os dirigentes do BCE tambem não submeteram a sua politica a discussão e sufrágio universal.
Aguarda-se a evolução da ópera em Portugal e na Hungria.
Além de que, apesar de tudo, é um espetáculo popular.
Em Portugal
Em Portugal criou-se a ideia de que não é, o que só ilustra um dos aspetos do pensamento português, de deixar que um grupo restrito dite o que todos devem pensar.
Ora, já é possivel ir ao S.Carlos à ópera, sem gravata.
Verdade que raramente lá se vê o senhor presidente da Republica e nunca o senhor primeiro ministro.
Este é tambem um sintoma do nivel cultural dos cidadãos que desempenham esses cargos e não deve portanto escandalizar ninguem.
As pessoas que não têm cultura são cidadãos como os outros e podem desempenhar esses cargos, sujeitos naturalmente ao juízo e à classificação na história em função da ausencia de nivel cultural nas suas decisões.
Em Portugal, o ataque cerrado dos bárbaros que tomaram conta do poder sobre questões de cultura de âmbito nacional, insistindo na tecla de que "não há dinheiro" (pode ser verdade, mas não de forma absoluta; além de que, sendo verdade, esperar-se-ia a declaração do estado de emergencia, porque um país sem cultura é uma situação de emergencia, salvo melhor opinião, que será talvez a dos governantes), conseguiu anular a apresentação de 3 espetáculos de ópera já programados para o S.Carlos (a programação de ópera é contratada com 2 anos de antecedencia, e os economistas queriam forçar os produtores estrangeiros a reduzir custos, dentro daquela velha máxima de fazer mais com menos, que evidentemente não foi aceite pelos produtores).
E o curioso desta história é que as pessoas do S.Carlos reagiram como eu costumo dizer aos meus jovens colegas que continuaram no ativo: não baixem os braços e criem estratégias de recuo, como o quadrado do condotieri Nuno Álvares.
E assim vamos ter ópera em janeiro: Cosi fan tutte, já programada, e outra em maio, La rondine de Puccini.
Perderam-se as outras, mas ainda temos ópera no S.Carlos, pode ser que os bárbaros tropecem ao longo da temporada, como os inimigos do condotieri em Aljubarrota.
A orquestra, o coro e o cantores vão ainda realizar alguns espetáculos para manter a atividade e não faltará o festival do largo, no verão, para espanto dos turistas que nos visitarem nessa altura, e que estarão à espera de que a cultura tenha desaparecido pelos fundos do orçamento.
O programa que recebi em casa, em carta que começa assim: "Caro assinante: Perante as contingencias provocadas pela delicada situação financeira e económica do país, e na sequencia das indicações do ministério das finanças referentes ao orçamento de 2012 ..." (eu que pensava que o S.Carlos recebia indicações da secretaria da cultura ou da presidencia do conselho de ministros ...) leva-me portanto a aplaudir quem toma decisões e quem trabalha no S.Carlos, e a não ir já este ano ao teatro da Zarzuela em Madrid ou ao da Bastilha em Paris, para ver ópera, o que é bom para a balança de pagamentos.
Na Hungria
Na Hungria, a tradição musical tem outra implantação na classe politica, e o primeiro ministro dirigiu-se ao teatro de ópera para assistir a um espetáculo.
Tenho pena de não saber que ópera era. Talvez o "crepusculo dos deuses", não sei.
Mas o facto é que os manifestantes aguardavam-no à entrada e eram muitos, com cartazes a dizer "eleg volt", que em bom hungaro significa "basta".
"Basta" porque o senhor primeiro ministro quer alterar a constituição para controlar melhor o banco central hungaro, para controlar melhor os meios de comunicação social incluindo a inernet, e para evitar a representação proporcional dos partidos menores que possam opor-se-lhe, numa prática que em Portugal tambem há quem defenda: alterar as regras eleitorais ao arrepio da matemática para conservar o poder.
Engraçado que a comissão europeia tambem não gostou das medidas do senhor primeiro ministro hungaro, embora não tenha autoridade moral para o fazer porque os dirigentes do BCE tambem não submeteram a sua politica a discussão e sufrágio universal.
Aguarda-se a evolução da ópera em Portugal e na Hungria.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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O cais das colunas
| As colunas, uma das quais nova |
| Tambem algumas das pedras são novas; desmontagem e reconstrução por conta do metropolitano de Lisboa |
| A serra da Arrábida ao fundo |
| A praia do Terreiro doPaço |
| Vista mais geral da praia, semeada com estacas de contenção dos terrenos à volta do tunel do metro, na sua vertical; zona perigosa para a navegação |
| Canal de águas pluviais |
| Outra vista do canal de águas pluviais; as águas residuais são conduzidas a Alcantara-Mar, donde são bombeadas para a ETAR da Av.Ceuta |
Os "posts" dos dias anteriores sobre Santa Apolónia e o Terreiro do Paço acordaram-me sentimentalismos.
Durante as obras dos tuneis para a estação Baixa e para a estação Cais do Sodré, reunia todas as segundas feiras no estaleiro junto do Tejo com os colegas da construção civil e com o membro do conselho de administração encarregado de acompanhar o empreendimento de modo a que a sua entrada em serviço coincidisse com a da linha que serviria a Expo98.
Ainda não tinha ocorrido o acidente do Terreiro do Paço, mas já se tinha abandonado a ideia de chegar a Santa Apolónia juntamente com a extensão a Baixa e Cais Sodré.
Eu funcionava como cliente impaciente dos colegas de construção civil, aguardando que os seus empreiteiros concluissem os seus trabalhos, ou pelo menos atingissem um estado que permitisse a entrada dos empreiteiros ou fornecedores dos sistemas e equipamentos, sem os quais os comboios não circulariam em segurança, e sofrendo com os seus atrasos sucessivos.
E foi atingido o objetivo em abril de 1998 para o Cais do Sodré e em agosto para a ligação Restauradores-Baixa, com grande escândalo dos economistas e do tribunal de contas, atendendo aos desvios orçamentais da obra (na realidade, os concursos tinham sido lançados com muitas indefinições, e a natureza aluvionar e de aterro dos terrenos dava à obra uma complexidade técnica não entendível por economistas ou juristas, sendo certo que na altura não havia, internacionalmente, muita experiencia na construção de tuneis em terrenos deste tipo; mais ou menos na mesma altura o metro de Londres teve sérias dificuldades junto da abadia de Westminster, enquanto no Japão e na Holanda se dominava a tecnologia).
O acidente sobreveio em junho de 2000, nas circunstancias já referidas neste blogue:
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2011/01/terreiro-do-paco-9-de-junho-de-2000.html?showComment=1295446088150#c1878702850844960404
Recordo a ironia do metropolitano ter devolvido verbas da comissão europeia por ter adjudicado sem concurso publico a construção do tunel entre a Baixa e Santa Apolónia, onde veio a dar-se o acidente, e depois ter feito um concurso publico para construção da estação Terreiro do Paço, a qual obrigava à destruição de parte do tunel.
O empreiteiro que ganhou o concurso não foi o mesmo que o tinha construido.
Como se sabe, qualquer bem perde a garantia quando um terceiro intervem de forma destrutuiva e com o desconhecimento revelado ao provocar o acidente.
Pode assim dizer-se que o acidente foi consequencia indireta do rigoroso cumprimento das regras de contratação publica, coisa que evidentemente o tribunal de contas não quererá reconhecer. (Seria um estudo académico interessante, a avaliação da viabilidade de um pedido de indemnização à comissão europeia por iposição de regras que conduzem ao desastre; embora a dita comissão pudesse utilizar o argumento das exceções devido à complexidade técnica, expresso nas diretivas 17 e 18 de 2004).
Mais tarde, já depois do acidente, mudou a estratégia de acompanhamento das administrações, confirmando assim a regra genérica de que a tendencia é para piorar; mas continuei a reunir com os colegas da construção civil, embora noutro local mais distante, e a visitar a obra.
Infelizmente, tambem por opção das administrações, não se prescindiu da prática mecenática de contratar, sem concurso público, arquitetos e artistas plásticos, que impuseram soluções sem dar ouvidos aos técnicos que tentavam explicar-lhes os inconvenientes do ponto de vista de custos de construção e de manutenção, por exemplo.
Mas o que interessa agora é rentabilizar o espaço bonito que o metro pagou (o metro pode dever ainda uma parte aos bancos, mas parecerá que o Estado deve ainda toda a divida ao metro, não será?) e enchê-lo de turistas, como antigamente.
Convinha confirmar se as fotografias do cais das colunas vêm em todos os guias turisticos.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Variações sobre o tema da felicidade
Depois da felicidade de Jorge de Sena em:
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2011/04/felicidade-de-jorge-de-sena.html
oiço na Antena2, no programa Ultima edição de 2 de janeiro de 2012, uma entrevista com Nelida Pinon, escritora brasileira, autora de "Coração andarilho".
A escritora leu um excerto sobre a felicidade:
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2011/04/felicidade-de-jorge-de-sena.html
oiço na Antena2, no programa Ultima edição de 2 de janeiro de 2012, uma entrevista com Nelida Pinon, escritora brasileira, autora de "Coração andarilho".
A escritora leu um excerto sobre a felicidade:
“Felicidade é aquela que te escraviza ao cotidiano, ao pão nosso de cada dia, e não altera a rota das tuas quimeras fracassadas.
Felicidade é quando alguém apara as tuas asas, justo aquelas que te levam a sonhar, para que tenhas como escusa do teu tropeço o nome do teu algoz.
Felicidade é olhar o espelho com a ilusão de que ninguém, em todo o planeta, reduziu o diâmetro do teu espaço na casa e na vida. Mas que, a despeito de algum vizinho cercear os teus direitos, há sempre aquele instante em que estás no jardim do parque Montsouris, no coraçao do meu bairro, a olhar os corpos entregues ao sol, como se todos, em um átimo, entretidos com as tentações da carne e do mal, houvessem se libertado do pecado original.
Felicidade é dar alimento à família e, conquanto ela seja um fardo, sufocar a ânsia que temos de nos matar ao primeiro bom-dia da manhã.
Felicidade é transmitir ao vizinho a crença moral de cuja eficácia duvidaste e defender o bem que a humanidade tenta projetar entre homens de boa vontade.
Felicidade é prorrogar a noção dos dias que se têm para viver e ignorar a sombra da morte que nos quer cobrir com seu manto fétido e surpreendente.
Felicidade é reivindicar o saber advindo da trajetória humana, e descobrir que somos carrasco, deus, herói e amante de um passado de que somos parte. E, mediante a participação nos pecados coletivos, celebrar a páscoa dos povos.
Felicidade é rebelar-se contra o amor dito perfeito, é filtrar as impurezas afetivas e, ainda assim, empenhar-se em viver.”
Não sei, especialmente numa altura em que o desânimo ameaça tantos, se a intenção da autora não seria antes pedir uma reação por contraste a essa ameaça, uma resistencia à escravização pela rotina e pela resignação.
Não digo que se desate a sonhar com salvações miraculosas, mas manter um fogo brando de utopia que convide à iniciativa e contrarie os braços caídos, acho que sim, que vale a pena.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Acordo ortográfico
Para desgosto do poeta, escritor, tradutor e homem de cultura Vasco Graça Moura, que tem uma particular aversão ao acordo ortográfico, este já é cumprido nos documentos oficiais.
Este blogue sugere.em caso de dúvidas, incluindo o vocabulário, a consulta de
http://www.portaldalinguaportuguesa.org/main.html
Este blogue sugere.em caso de dúvidas, incluindo o vocabulário, a consulta de
http://www.portaldalinguaportuguesa.org/main.html
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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Cais das colunas - Recordação de 2008
As imagens bonitas do cais das colunas, os primeiros passageiros do dia e o poema "Quando a harmonia chega" do programa Câmara Clara que referi no "post" de ontem fizeram-me lembrar um email que enviei ao senhor presidente da câmara de Lisboa, quando ele declarou publicamente que pretendia fechar a estação de Santa Apolónia e transformá-la em apoio ao terminal de cruzeiros.
Este já lá está, não na estação ferroviária, mas no cais.
O senhor presidente estaria provavelmente influenciado por um senhor ex-ministro da economia, que lamentava o dinheiro gasto na expansão do metro a Santa Apolónia (e na reconstrução do cais das colunas, acrescente-se), quando o transporte de passageiros poderia ser feito por barco (na verdade podia, mas o transporte fluvial de massas tem os inconvenientes da incomodidade, da rápida saturação de tráfego fluvial, da limitação da capacidade de transporte acima de 10 barcos por hora)
Felizmente a estação ferroviária ainda funciona, em correspondencia com a estação de metropolitano.
Eis o email que em 2008 enviei ao senhor presidente da câmara:
Este já lá está, não na estação ferroviária, mas no cais.
O senhor presidente estaria provavelmente influenciado por um senhor ex-ministro da economia, que lamentava o dinheiro gasto na expansão do metro a Santa Apolónia (e na reconstrução do cais das colunas, acrescente-se), quando o transporte de passageiros poderia ser feito por barco (na verdade podia, mas o transporte fluvial de massas tem os inconvenientes da incomodidade, da rápida saturação de tráfego fluvial, da limitação da capacidade de transporte acima de 10 barcos por hora)
Felizmente a estação ferroviária ainda funciona, em correspondencia com a estação de metropolitano.
Eis o email que em 2008 enviei ao senhor presidente da câmara:
O martírio de Santa Apolónia
"O que nos une é uma mesma ignorância."
(Pedro Paixão, Rosa vermelha em quarto escuro)
Exmo Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lisboa
O Senhor Presidente da Câmara participou, sorridente, na cerimónia de inauguração da chegada do metropolitano a Santa Apolónia.
No metro já desesperávamos, e por isso entregámo-nos aos trabalhos que deixamos que chamem “de acabamentos”, neste caso também conhecidos por “especialidades ferroviárias”, e que o senso comum compreende que são os mais demorados, mas que aqui não foram e assim conseguimos que o senhor presidente da câmara estivesse sorridente naquele dia 14 de Dezembro de 2007 e que nós escapássemos ao castigo de inviabilizarmos tão esperada consagração, embora ainda agora continuemos nos trabalhos e ensaios finais.
Graves foram os erros cometidos em todo o processo construtivo.
Corrigimos os erros.
Pagámos (somos tanto Povo como o Povo).
Demolimos os tampões de betão que protegeram o metro enquanto o túnel era consolidado com as obras de reforço.
Fixámos os carris ao fundo do túnel.
Estendemos os cabos eléctricos e os cabos de comunicações que aguardavam a demolição do betão protector para prolongar a rede até Santa Apolónia.
Pusemos a funcionar o posto de ventilação do pátio do Arsenal da Marinha que devia ter começado a funcionar em 1998.
Enchemos as estações novas com tudo o que nos habituámos nas outras estações.
Orgulhámo-nos de ver, finalmente, os comboios cheios de cidadãos e cidadãs que chegam da Azambuja, de Vila Franca, do Barreiro, do Lavradio, na sua caminhada diária para o PIB.
E vem agora o Senhor Presidente propôr o martírio de Santa Apolónia, mandando parar os comboios no Oriente, vendendo terreno e aproveitando o convento da santa para terminal de cruzeiros.
Eu digo martírio porque para nós é doloroso ver quebrar-se o elo de ligação do metropolitano aos comboios da Azambuja.
Felizmente os colegas da CP já vieram dizer que os terrenos são precisos (não digo que umas franjazinhas de terreno não se pudessem converter em euros…) para alojar infraestruturas; isto de comboios é uma maçada, não são só os comboios, há sempre necessidade de mais coisas para eles funcionarem, às vezes até um núcleo museológico para os colegas do estrangeiro, na reforma, cá virem deixar mais umas divisas, e que o serviço até Santa Apolónia se justifica também com a ligação ao metro.
Não terá estado o Senhor Presidente à altura do contributo que deu para a melhoria dos transportes colectivos quando venceu a corrida com o Ferrari, essa ficou o metro a dever-lhe, e a resposta correcta da CP não é suficiente para nos tranquilizar.
Terá havido um aconselhamento de economista.
Mas o Senhor Presidente sabe que o economista sabe quanto custam as coisas mas ignora quanto valem as coisas (definição dada por um economista).
Se ele soubesse, sabia que a chegada de comboio a Santa Apolónia daqueles cidadãos e cidadãs vale mais, muito mais do que as mais valias ganhas com a venda de terrenos para cobrir o deficit da REFER.
E se lhe vierem dizer que o projecto da RAVE para a linha do Oriente já tem infraestruturas que chegam para dispensar todas as de Santa Apolónia, seja cartesiano, não acredite.
E se mesmo assim o economista lhe disser que já há correspondência com o metro na estação Oriente, então diga-lhe calmamente que os transportes urbanos numa cidade não são linhas, são redes de linhas, para que os cidadãos e cidadãs possam distribuir-se por várias linhas e por vários nós de correspondência.
É por isso que esta missiva começa com aquela citação de Pedro Paixão.
Poderá parecer deselegante, mas o objectivo é chamar a atenção para a complexidade dos problemas dos transportes urbanos, a que corresponde uma grande ignorância das soluções, e que todos partilhamos.
Deixem-nos porém, já que temos obrigação de ser um bocadinho menos ignorantes em questões de transportes, continuar a transportar os passageiros da Azambuja pela cidade dentro.
E não leve a mal pedir-lhe que acredite nos técnicos de transportes. Quando De Gaule pediu o helicóptero para ver as “embouteillages” em Paris, em 1956, deu apenas uma ordem: “Resolvam-me esta merda” . Não disse como, nem disse ao ministro dos transportes para lhe explicar como. E foi assim que nasceu o RER (suburbanos de Paris).
E muito menos leve a mal que chame a sua atenção para um problema gravíssimo, em termos de transportes, que se gerou em Alcântara, graças a governos e câmaras anteriores (recorda-se do disparate de um anterior Presidente de Câmara propondo a supressão do caminho de ferro entre Alcântara e o Cais do Sodré e a venda do terreno para urbanizações de luxo? Como pode a Democracia, como podem os cidadãos defender-se destes ataques?) – a natureza geológica dos terrenos em Alcântara e a proximidade do caneiro e da sua foz recomendam que as estações futuras do metro e da CP sejam em viaduto (não vale falar em agressões ambientais quando estiveram previstas as duas torres Siza, ainda se pensa nos blocos Jean Nouvel e os edifícios novos que lá estão têm 6 pisos) e que os cruzamentos rodoviários se lhes subordinem.
Caso para dizer agora que terão de ser os técnicos da especialidade a descobrir como fazer um terminal de cruzeiros sem erguer um muro segregador de 6 m de altura nem violar o convento de Santa Apolónia.
Mas, por favor, que não sejam técnicos só de uma entidade, para haver um bocadinho de diversidade (é a diversidade a mãe das grandes soluções, diria o Padre António Vieira se as técnicas de gestão já estivessem no tempo dele tão evoluídas como agora), e não acontecer o que aconteceu com a Ota e com o TGV (ai as soluções sigilosas…).
E que não venha assim a haver nenhum martírio, que seria histórico, de Santa Apolónia, a virgem alexandrina heroína de um martírio lendário no século III, precursora do martírio real de Hipátia de Alexandria, a matemática lapidada por fundamentalistas cristãos um século e meio depois.
E se chamo Apolónia (a cultura que emerge) e Hipátia (a cultura que resiste), é porque são bons exemplos de que é fácil escrever a história quando se tem o poder; e fechar ou deixar a funcionar a estação ferroviária de Santa Apolónia será sempre a melhor solução se, quem o decidir, fôr quem tiver o poder de deixar escrito que terá sido a melhor solução, deixando porém a amargura em alguns: como evitar uma má solução para os transportes colectivos em Lisboa?
Pedindo desculpa pelo tempo tomado, apresenta os melhores cumprimentos, o cidadão munícipe de Lisboa
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Para que a alegria se reconstrua e continue
Para que a alegria se reconstrua e continue, com a modesta contribuição do setor dos transportes:
Quando a harmonia chega
de Carlos de Oliveira
crianças que passam ao ar livre gargalhando.
Como um rio lento e irrevogável,
a humanidade está na rua.
E a harmonia, que se desprende dos seus olhos,
densos ao encontro da luz,
parece de repente uma ave de fogo
Podem ver imagens muito bonitas de Lisboa, ilustrando o poema, a partir do minuto 4:20 deste video com o programa camara clara da RTP2 de 29 de dezembro de 2011:
http://www.rtp.pt/programas-rtp/index.php?p_id=26022&e_id=258&c_id=8&dif=tv
Recordo uma iniciativa em dezembro de 2004 do ministério dos transportes.
Reuniu administradores e diretores de todas as empresas públicas de transporte na sala de congressos do estádio municipal de Coimbra.
Tinha sido contratada uma empresa de consultoria de gestão que nos dividiu em grupos para análise dos problemas de transportes em Portugal.
Cada grupo entregou as suas conclusões que foram depois sistematizadas no painel de conclusões.
O objetivo era diagnosticar os problemas e dinamizar as suas soluções.
Uma das medidas propostas foi mesmo para a frente, a contratação pelas empresas de um numero significativo de recem licenciados com as melhores classificações.
Tive o prazer de trabalhar com alguns no metropolitano de Lisboa.
Outras medidas amplamente discutidas na reunião perderam-se entretanto nas vicissitudes de um ministério atribulado.
Mas ficou o contacto franco entre técnicos de todo o país.
E ficou também, a abrir a reunião, o texto da consultora, citando o poema de Carlos de Oliveira e homenageando quem muito cedo começa a animar as ruas das cidades para tomar os transportes operados por quem tem tambem de se levantar cedo.
Será justo que os governantes continuem a criticar a produtividade e a competitividade destes cidadãos e cidadãs, que são os "construtores terrenos, a humanidade na rua", atribuindo-lhes culpas do endividamento?
Era ministro dos transportes António Mexia, e secretário de estado Jorge Borrego.
Não há segunda intenção ao citar os nomes.
Apenas registar que foi uma iniciativa meritória, que aplicou o método correto de abordar os problemas concretos, e que contrasta de forma chocante com o secretismo do atual ministério dos transportes e do seu plano estratégico.
Quando a harmonia chega
de Carlos de Oliveira
Escrevo na madrugada as últimas palavras deste livro;
e tenho o coração tranquilo,
sei que a alegria se reconstrói e continua.
Acordam pouco a pouco os construtores terrenos,
gente que desperta no rumor das casas,
forças surgindo da terra inesgotável,crianças que passam ao ar livre gargalhando.
Como um rio lento e irrevogável,
a humanidade está na rua.
E a harmonia, que se desprende dos seus olhos,
densos ao encontro da luz,
parece de repente uma ave de fogo
Podem ver imagens muito bonitas de Lisboa, ilustrando o poema, a partir do minuto 4:20 deste video com o programa camara clara da RTP2 de 29 de dezembro de 2011:
http://www.rtp.pt/programas-rtp/index.php?p_id=26022&e_id=258&c_id=8&dif=tv
Recordo uma iniciativa em dezembro de 2004 do ministério dos transportes.
Reuniu administradores e diretores de todas as empresas públicas de transporte na sala de congressos do estádio municipal de Coimbra.
Tinha sido contratada uma empresa de consultoria de gestão que nos dividiu em grupos para análise dos problemas de transportes em Portugal.
Cada grupo entregou as suas conclusões que foram depois sistematizadas no painel de conclusões.
O objetivo era diagnosticar os problemas e dinamizar as suas soluções.
Uma das medidas propostas foi mesmo para a frente, a contratação pelas empresas de um numero significativo de recem licenciados com as melhores classificações.
Tive o prazer de trabalhar com alguns no metropolitano de Lisboa.
Outras medidas amplamente discutidas na reunião perderam-se entretanto nas vicissitudes de um ministério atribulado.
Mas ficou o contacto franco entre técnicos de todo o país.
E ficou também, a abrir a reunião, o texto da consultora, citando o poema de Carlos de Oliveira e homenageando quem muito cedo começa a animar as ruas das cidades para tomar os transportes operados por quem tem tambem de se levantar cedo.
Será justo que os governantes continuem a criticar a produtividade e a competitividade destes cidadãos e cidadãs, que são os "construtores terrenos, a humanidade na rua", atribuindo-lhes culpas do endividamento?
Era ministro dos transportes António Mexia, e secretário de estado Jorge Borrego.
Não há segunda intenção ao citar os nomes.
Apenas registar que foi uma iniciativa meritória, que aplicou o método correto de abordar os problemas concretos, e que contrasta de forma chocante com o secretismo do atual ministério dos transportes e do seu plano estratégico.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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domingo, 1 de janeiro de 2012
VENDE-SE
VENDE-SE
Por não poder estar à testa do negócio, motivos a justificar à vista, uma das mais importantes firmas de consultoria jurídica e financeira de Portugal.
Estrutura acionista solidamente ligada a deputados e outros cargos politicos de relevancia.
Especialização em preparação à peça de legislação de geração de ambiguidades, em dirimição de questões entre orgãos do estado ou autárquicos e particulares, em agilização de concursos públicos e em legalização de empreendimentos a sul do Tejo.
Cláusula de rescisão sem encargos para ambas as partes no caso de resultados eleitorais posteriores permitirem a retoma das ações pelos agora acionistas vendedores.
O procedimento de venda será por qualificação prévia, seguido de ajuste direto e leilão eletrónico.
Forma de pagamento: em dinheiro vivo distribuido por 12 malas tipo Vuiton, aceitando-se apenas renminbi ou quanzas.
Contacto: pedidos de mais informações através dos contactos habituais.
Por não poder estar à testa do negócio, motivos a justificar à vista, uma das mais importantes firmas de consultoria jurídica e financeira de Portugal.
Estrutura acionista solidamente ligada a deputados e outros cargos politicos de relevancia.
Especialização em preparação à peça de legislação de geração de ambiguidades, em dirimição de questões entre orgãos do estado ou autárquicos e particulares, em agilização de concursos públicos e em legalização de empreendimentos a sul do Tejo.
Cláusula de rescisão sem encargos para ambas as partes no caso de resultados eleitorais posteriores permitirem a retoma das ações pelos agora acionistas vendedores.
O procedimento de venda será por qualificação prévia, seguido de ajuste direto e leilão eletrónico.
Forma de pagamento: em dinheiro vivo distribuido por 12 malas tipo Vuiton, aceitando-se apenas renminbi ou quanzas.
Contacto: pedidos de mais informações através dos contactos habituais.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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