Vamos continuando, apesar de tudo, a tentar. Podem acusar o nosso povo de letargia perante a opressão dos economistas da escola de Chicago, sediados em Bruxelas ou nos partidos no poder. Mas vamos aos poucos tentando. Há sempre alguém que resiste, ou como escreveu William Yeats, "falta convicção aos melhores, e aos piores sobeja apaixonada intensidade" sem querer dividir os cidadãos e cidadãs em melhores e em piores.
segunda-feira, 27 de abril de 2015
25 de abril de 2015
Publicada por
Fernando de Carvalho Santos e Silva
à(s)
21:04
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
25 de abril
"Todos os políticos são assassinos ou têm de possuir a vontade de assassinar"
Com a devida vénia ao DN e ao seu crítico de cinema João Lopes, esta citação é de Beau Willimon, argumentista da série House of cards, nos bastidores da presidencia dos USA.
Esta série deriva de outra da BBC de 1990, a partir de um romance de Michael Dobbs, conselheiro de Margaret Thatcher.
Uma das técnicas usadas no software de segurança dos sistemas processorizados de controle da sinalização ferroviária consiste em, a partir dos mesmo dados ou condições, fazer as verificações e determinar as saídas através de dois programas ou caminhos diferentes. Se as conclusões forem iguais, estará garantida a segurança da saída (acender o sinal permissivo, por exemplo).
Analogamente, sendo o pensamento de um conselheiro de Thatcher tão diferente do que penso já ter expresso neste blogue, posso concluir que é verdadeira a afirmação "Todos os políticos são assassinos ou têm de possuir a vontade de assassinar".
E disse mais, Beau Willimon: "Encontramos aqui a dramatização do que permite aos políticos fazer o indizível, seja facilitar a morte de um congressista ou mandar cem mil soldados para a guerra...As pessoas podem morrer doutras maneiras. Podem morrer de desespero. A pobreza continuada pode levar-nos ao cemitério. Feitas as contas, a política é uma indústria de vida ou morte".
Impressiona saber que as coisas podem mesmo ser assim.
Ser um crime mandar soldados australianos e neo-zelandeses desembarcar em Galipoli em 1915, mandar soldados portugueses como carne para canhão na Flandres em 1917, ou para matar e ser morto nas guerras coloniais de Salazar e Caetano. Ou telecomandar drones que matam crianças alheias à guerra.
Ou morrer de pobreza porque a escola de Chicago diz que o desemprego baixa os preços e estimula a creatividade dos empreendedores.
Ou nos corredores dos hospitais (como é possível que um secretário de Estado diga que o serviço nacional de saúde tem de obedecer à lei da oferta e da procura, quando qualquer sistema tem um tempo de reação para adaptar a sua oferta à procura; para evitar as falhas nesse período existe o conceito de reserva operacional; e existe ainda a lei de Say, que diz que diz que a oferta estimula a procura, coisa muito utilizada nas leis de tráfego, como na descompressão das pontas).
Criminosos, os políticos e os economistas que mandam reduzir os salários, as pensões, as despesas de segurança social, da educação, da saúde?
Esta série deriva de outra da BBC de 1990, a partir de um romance de Michael Dobbs, conselheiro de Margaret Thatcher.
Uma das técnicas usadas no software de segurança dos sistemas processorizados de controle da sinalização ferroviária consiste em, a partir dos mesmo dados ou condições, fazer as verificações e determinar as saídas através de dois programas ou caminhos diferentes. Se as conclusões forem iguais, estará garantida a segurança da saída (acender o sinal permissivo, por exemplo).
Analogamente, sendo o pensamento de um conselheiro de Thatcher tão diferente do que penso já ter expresso neste blogue, posso concluir que é verdadeira a afirmação "Todos os políticos são assassinos ou têm de possuir a vontade de assassinar".
E disse mais, Beau Willimon: "Encontramos aqui a dramatização do que permite aos políticos fazer o indizível, seja facilitar a morte de um congressista ou mandar cem mil soldados para a guerra...As pessoas podem morrer doutras maneiras. Podem morrer de desespero. A pobreza continuada pode levar-nos ao cemitério. Feitas as contas, a política é uma indústria de vida ou morte".
Impressiona saber que as coisas podem mesmo ser assim.
Ser um crime mandar soldados australianos e neo-zelandeses desembarcar em Galipoli em 1915, mandar soldados portugueses como carne para canhão na Flandres em 1917, ou para matar e ser morto nas guerras coloniais de Salazar e Caetano. Ou telecomandar drones que matam crianças alheias à guerra.
Ou morrer de pobreza porque a escola de Chicago diz que o desemprego baixa os preços e estimula a creatividade dos empreendedores.
Ou nos corredores dos hospitais (como é possível que um secretário de Estado diga que o serviço nacional de saúde tem de obedecer à lei da oferta e da procura, quando qualquer sistema tem um tempo de reação para adaptar a sua oferta à procura; para evitar as falhas nesse período existe o conceito de reserva operacional; e existe ainda a lei de Say, que diz que diz que a oferta estimula a procura, coisa muito utilizada nas leis de tráfego, como na descompressão das pontas).
Criminosos, os políticos e os economistas que mandam reduzir os salários, as pensões, as despesas de segurança social, da educação, da saúde?
Publicada por
Fernando de Carvalho Santos e Silva
à(s)
00:43
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
Beau Willimon,
escola de Chicago,
guerra,
House of cards,
lei de Say
quinta-feira, 23 de abril de 2015
O sapateiro a domicílio, atividade transacionável
O DN relata o caso de um sapateiro que, numa carrinha-oficina, faz consertos ao domicílio. É uma oportunidade que soube aproveitar num tempo de crise, para além da oficina fixa que explora em Campolide. Chega a reparar sapatos Louboutin. O que me leva a pôr a hipótese de que, exercendo a atividade no setor terciário dos serviços, acaba também por ter uma componente transacionável, por sujeita à concorrencia e suscetível de poupar importações (o envio de dinheiro para o exterior para reparação no fabricante ou seu representante nacional). É portanto de aplaudir, sendo que, como empresário com atividade transacionável, deveria ter um desconto na TSU que paga.
Como Vitor Bento explicou, só as empresas que produzem bens ou serviços transacionáveis devem ser contempladas com benefícios fiscais de redução de TSU, coisa que não sei se terá sido considerada nas recentes propostas do PS.
De destacar ainda que procurou em vão "ajudas e incentivos", tendo no entanto conseguido obter um micro-crédito num banco que lhe permitiu arrancar com o negócio, há dois anos. A sua formação profissional foi obtida há 15 anos num estágio de formação profissional.
Como Vitor Bento explicou, só as empresas que produzem bens ou serviços transacionáveis devem ser contempladas com benefícios fiscais de redução de TSU, coisa que não sei se terá sido considerada nas recentes propostas do PS.
De destacar ainda que procurou em vão "ajudas e incentivos", tendo no entanto conseguido obter um micro-crédito num banco que lhe permitiu arrancar com o negócio, há dois anos. A sua formação profissional foi obtida há 15 anos num estágio de formação profissional.
Publicada por
Fernando de Carvalho Santos e Silva
à(s)
17:16
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
sapateiro,
transacionável,
TSU
Manifestação contra a sub-concessão das empresas públicas de transporte em 22 de abril de 2015
Não ceda 1 metro, não fique sem carris.
O prazo para entrega das propostas de interessados na privatização da exploração dos transportes urbanos de Lisboa termina no próximo dia 15 de maio.
Já são públicos os comentários e as críticas das organizações de trabalhadores ao caderno de encargos e às condições em que a sub-concessão é proposta.
Estas são imagens da manifestação de dia 22 de abril de 2015 contra este processo.
Durante a minha vida profissional no metropolitano de Lisboa contactei pessoalmente com vários metropolitanos. Embora com uma rede pequena, o metropolitano de Lisboa apresentava comparativamente indicadores de desempenho proximos ou acima da média.
Por isso, o atual governo, na sua obsessão privatizadora, tripudia quando invoca a maior eficiência de gestão por entidades privadas (e contudo, o ganhador do concurso do Porto foi uma empresa pública espanhola, e os principais concorrentes em Lisboa também).
É pois natural que quem tem experiência nesta área de atividade considere a atuação do governo própria de ignorantes e inexperientes, lamentando que os bons técnicos das empresas ameaçadas sejam obrigados por dever profissional a cumprir as suas orientações.
Aliás, uma das principais críticas ao caderno de encargos é não definir os melhores indicadores de desempenho de uma empresa de transportes (por exemplo, não usa o indicador passageiros.km).
Junto nestas ligações o parecer do colega Vazão de Almeida sobre o caderno de encargos da sub-concessão e o parecer coordenado pelas organizações de trabalhadores:
http://1drv.ms/1G91M3U
Publicada por
Fernando de Carvalho Santos e Silva
à(s)
02:51
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
quarta-feira, 22 de abril de 2015
Beacon Power
A propósito do anterior post
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2015/04/armazenamento-por-flywheels-e-por-sais.html
junto desenhos dos flywheels fabricados pela Beacon Power, retirados do seu site
http://beaconpower.com/
Os flywheels (motor-gerador com volante de inércia) não são a panaceia, mas integrados em redes de produção de energia eólica ou solar podem reduzir os inconvenientes das intermitencias. Juntamente com outros sistemas de armazenamento podem contribuir para a alimentação de comunidades a partir de renováveis, minimizando ou eliminando até o recurso aos combustíveis fósseis.
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2015/04/armazenamento-por-flywheels-e-por-sais.html
junto desenhos dos flywheels fabricados pela Beacon Power, retirados do seu site
http://beaconpower.com/
Os flywheels (motor-gerador com volante de inércia) não são a panaceia, mas integrados em redes de produção de energia eólica ou solar podem reduzir os inconvenientes das intermitencias. Juntamente com outros sistemas de armazenamento podem contribuir para a alimentação de comunidades a partir de renováveis, minimizando ou eliminando até o recurso aos combustíveis fósseis.
Publicada por
Fernando de Carvalho Santos e Silva
à(s)
21:02
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
Beacon Power,
flywheels
domingo, 19 de abril de 2015
Aos trabalhadores do metropolitano de Lisboa, poucos dias antes do 25 de abril de 2015
Aos trabalhadores do metropolitano de Lisboa , poucos dias
antes do 25 de abril de 2015
Escrevo-vos na qualidade de reformado do metropolitano, que
sou desde há 4 anos.
Não posso apoiar-vos em tudo o que disse a Raquel Varela, a
quem envio um beijinho pela frontalidade da sua posição (se ela pode enviar-vos
publicamente um beijinho eu também posso enviar-lho).
Concordo que a greve, para além de um direito, é um dever e
um ato de civilização nas atuais circunstancias, e já digo porquê.
Mas não posso, por acreditar que os técnicos de equipamentos
e sistemas deviam ter um juramento como
os técnicos de medicina, de tudo fazer para que a “máquina” não pare, por mais
degradadas que estejam as condições, que sejam outros a decidir “desligar a
máquina”, não os técnicos.
Por acreditar que só por motivos que excedam as
possibilidades humanas o serviço de transporte possa parar.
Eu sei que assim a greve perde força, mas reparem que é como
no judo. O atual governo está a fazer o mesmo que o judoca que aproveita a
força do adversário para o desequilibrar.
O atual governo está a virar a força da greve contra os
próprios trabalhadores, destacando os prejuízos para os passageiros, também
trabalhadores e muitas vezes mais precários e mal pagos.
Também devia informar-se melhor e não admitir serviços
mínimos de 25% e, se acha que o prejuízo é grande, cumprir a lei e assumir a
responsabilidade pela requisição civil.
Também devia informar-se melhor porque em Portugal é tão
elevada a percentagem de deslocações em transporte automóvel em detrimento do
transporte coletivo, mais eficiente energeticamente (“país desenvolvido não é
aquele em que pobre anda de carro, é aquele em que rico anda de transporte coletivo”).
É fácil explicar que a privatização ou sub-concessão do
serviço de operação é um mau negócio para os contribuintes: os indicadores da
exploração do metro estão e estiveram, ao longo dos anos e quando comparados
com os outros metropolitanos, dentro ou acima da média.
Por isso, por mais que os grupos privados e o senhor
secretário de Estado repitam que “os privados sabem gerir melhor”, é difícil
acreditar que os custos da operação privada mais os lucros que os seus acionistas
vão exigir (a menos que estejam a praticar “dumping”, o que é proibido pela lei
internacional) sejam menores do que os custos da operação pública.
Eu penso que uma greve apenas com perturbações (pequenos
atrasos nas estações) para explicar os motivos aos passageiros e aproveitar
para recordar as medidas de segurança (tal como se faz nos aviões) e o
desinvestimento no metro seria eficaz, com uma boa preparação da opinião
pública nos dias anteriores (denunciando os vencimentos inflacionados que a
senhora Moura Guedes expôs na televisão, por exemplo).
É evidente que ficaria claro que as sub-concessões se
integram na estratégia geral da transferência da parte lucrativa pública para o
privado e da redução da parte do trabalho no rendimento, coisa vista com bons
olhos pelos burocratas de Bruxelas, do BCE e do FMI.
Explico agora porque penso que a greve é um ato de
civilização nas atuais circunstancias.
Ser reformado há uns anos já me dá uma perspetiva abrangente
sobre o que foi a evolução do metro nos últimos 40 anos.
Embora seja uma rede relativamente pequena e tenham sido
cometidos erros por gastos supérfluos e por incoerência do desenvolvimento da
rede (evidentemente não imputáveis a quem trabalhava no metro), o nível de exigência
de qualificação dos trabalhadores para o projeto e construção (partilha com os
trabalhadores das firmas de construção civil e de fornecedores de equipamentos e
sistemas), e para a operação e manutenção da rede foi e é muito elevado.
Transportar pessoas em metropolitanos com requisitos de
segurança é uma função complexa e de grande responsabilidade.
É possível que os senhores da secretaria de Estado, do
governo em geral e dos comentadores que os servem não tenham experiencia profissional
que lhes permita compreender isso, ou pelo menos aceitar quando tal colide com
a sua política de desvalorização de quem trabalha. Mas eu posso atestar, tendo
conhecido diretamente na minha vida profissional mais metropolitanos do que os
consultores que trabalham para aqueles senhores, que é complexo construir,
operar e manter um metropolitano.
Os trabalhadores do metro, ao longo desses 40 anos e atualmente,
têm assim direito ao reconhecimento da comunidade e não merecem o tratamento
que lhes é dado pelo governo e seus mandatados.
Era isto, mais ou menos, que vos queria dizer, desejando-vos
sucesso.
Com consideração,
Fernando Santos e Silva
reformado do metropolitano de Lisboa, onde teve o número
3071
Publicada por
Fernando de Carvalho Santos e Silva
à(s)
19:52
2 comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
greve,
metropolitano de Lisboa
Meu caríssimo DN
Meu caríssimo DN
Escrevo-lhe para lhe chamar a atenção para o perigo em que vem incorrendo já há uns tempos em dar guarida nas suas páginas a perigosos esquerdistas de grupos internacionais de interesses inconfessáveis que põem em causa a excelência das medidas e das orientações do atual governo e seus patronos do BCE,FMI e UE.
O perigo é, concretamente, permitir que cheguem ao público leitor, que também é eleitor, informações e dados que demonstram a falta de fundações sólidas para a versão do atual governo.
Corre-se assim o risco de, nas próximas eleições, os eleitores não votarem nos partidos que compõem a atual maioria.
Não bastavam as citações de prémios Nobel como Stiglitz e Krugmann, embora a sua credibilidade outros colaboradores do DN já foram apoucando.
Também foi dado pelo DN algum relevo a Thomas Picketti e ao seu Capital no século XXI, baseando-se em dados reais demonstrativos de que as desigualdades só podem aumentar enquanto o crescimento do rendimento da parte financeira for superior ao de quem trabalha. Mas como o livro tem quase 900 páginas e é duro de roer, talvez não haja problema com o sentido de voto dos eleitores.
Mais grave foi o DN ter publicada há pouco uma análise de um editor do Financial Times, Munchau, demonstrando que as ferramentas macroeconómicas dos decisores europeus são inuteis.
Que escandalo, contestar assim, despudoradamente, os dogmas trazidos á humanidade por Haiek, Friedman e ou fundamentalistas da escola de Chicago.
É verdade que o DN tem quem lhe responda a um nível superior, como aquele senhor diretor de uma revista espanhola que acredita na regressividade dos impostos e no sucesso da iniciativa privada por si só, ou como o evangélico João Cesar das Neves, para quem os reformados acima de 600 euros são uns privilegiados (já naquela historieta se contava que o ministro sueco teria respondido a Otelo, orgulhoso por ter acabado com os ricos em Portugal, que na Suécia tinham optado por acabar com os pobres).
É verdade que só fica bem a um governo ter uma comunicação social que lhe aponte erros ou omissões, desde que o faça de modo a não atingir a essencia da sua governação.
Esta é, como se sabe, a transferencia do controle da atividade económica e financeira (o pouco que resta) das entidades públicas para entidades privadas, dizendo sempre que o Estado fica com a função de regulador (apesar de só poder exercer a função de regulador quem tem "know how" e este só se consegue se se exercer o mesmo negócio).
Deixar que o interesse individual dos acionistas das empresas privadas, por iluminação divina como Bossuet dizia da origem do poder do soberano absoluto, contribuam para o interesse coletivo.
Repetir isso muitas vezes para que os eleitores acreditem com muita fé, por mais que os dados e a realidade da degradação do serviço nacional de saúde, da segurança social, do sistema educativo, dos níveis do emprego, mostrem o contrário.
Mas há que não exagerar, que não ultrapassar linhas vermelhas.
A entrevista a Mazzucato foi uma ultrapassagem da linha vermelha. A senhora vem demonstrar que para termos crescimento temos de ter, apesar da dívida pública, investimento não só privado mas também público, porque este gera, arrasta, aquele. Além de atacar o desemprego. E sabe-se que isso é verdade, se olharmos para a fórmula do saldo orçamental, igual ao investimento privado ou com fundos comunitários, menos as poupanças, menos as importações e mais as exportações.
Aqui, porém, o comportamento do DN tem sido irrepreensível, uma vez que tem dado destaque às orientações do senhor professor de direito da universidade de Florença que, sem experiencia industrial, tem desviado os fundos comunitários dos investimentos nas infraestruturas que fazem falta ao país para miríficas medidas de aumento de competitividade. Omitir assim as recomendações europeias nos corredores ferroviários de passageiros e mercadorias e no privilégio da produção de energia elétrica a partir de fontes renováveis é um bom contributo para que o país mantenha o seu ritmo lento de crescimento quando comparado com a restante UE, embora naturalmente se repita à saciedade que essas orientações estão no papel e são discutidas nas cimeiras (não se passa é à fase seguinte, sem a qual não há fundos comunitários, que é a elaboração dos projetos,coisa desagradável para quem não tem formação técnica).
Espera-se assim que a entrevista de Mazzucato caia no esquecimento, para que o atual governo possa continuar a repetir que só os investidores privados sabem gerir bem os investimentos. E que não se fale muito no investimento público do KfW, o banco de fomento alemão que se farta de investir em energias renováveis, nem no financiamento público do GPS, do Google Earth, da NASA, nem da Apple nos seus tempos de garagem, nem no financiamento das ligações entre a ciencia e a industria dos centros Fraunhofer alemães, sem esquecer o caso das comunicações por satélite da rede Iridium. Nem que se explique como, sendo a produtividade um quociente, tal como a relação dívida por PIB, a maneira de aumentar a produtividade é aumentar a produção (o numerador) a um ritmo mais elevado do que o fator de produção (o denominador, os recursos humanos, por exemplo, em vez de os despedir). E que para baixar a relação dívida por PIB, o melhor é aumentar o PIB (o denominador) a um ritmo mais elevado do que a dívida (o numerador).
Ainda por cima, a senhora veio dizer que os sábios dirigentes europeus fizeram um diagnóstico errado (polarizado na questão quem gasta demasiado ou não) e deram receita errada (limite de 3% para o défice, que nem a Finlandia cumpre) em vez de "obrigar" a investimento público em atividades inovadoras (produção renovável, ligação ciencia-industria).
Não devemos portanto contrariar o atual governo quando repete que os dirigentes europeus que impuseram a austeridade "tout court"é que sabem. Talvez porque, se se realizasse a reforma estrutural de que falou Mazzucato, a distribuição da nova riqueza deixaria de se fazer como atualmente e é natural que haja oposição a essa mudança de paradigma, desde os grandes escritórios de advogados/deputados, á classe politica oriunda das juventudes partidárias, ao setor não transacionável.
Com os melhores cumprimentos
Escrevo-lhe para lhe chamar a atenção para o perigo em que vem incorrendo já há uns tempos em dar guarida nas suas páginas a perigosos esquerdistas de grupos internacionais de interesses inconfessáveis que põem em causa a excelência das medidas e das orientações do atual governo e seus patronos do BCE,FMI e UE.
O perigo é, concretamente, permitir que cheguem ao público leitor, que também é eleitor, informações e dados que demonstram a falta de fundações sólidas para a versão do atual governo.
Corre-se assim o risco de, nas próximas eleições, os eleitores não votarem nos partidos que compõem a atual maioria.
Não bastavam as citações de prémios Nobel como Stiglitz e Krugmann, embora a sua credibilidade outros colaboradores do DN já foram apoucando.
Também foi dado pelo DN algum relevo a Thomas Picketti e ao seu Capital no século XXI, baseando-se em dados reais demonstrativos de que as desigualdades só podem aumentar enquanto o crescimento do rendimento da parte financeira for superior ao de quem trabalha. Mas como o livro tem quase 900 páginas e é duro de roer, talvez não haja problema com o sentido de voto dos eleitores.
Mais grave foi o DN ter publicada há pouco uma análise de um editor do Financial Times, Munchau, demonstrando que as ferramentas macroeconómicas dos decisores europeus são inuteis.
Que escandalo, contestar assim, despudoradamente, os dogmas trazidos á humanidade por Haiek, Friedman e ou fundamentalistas da escola de Chicago.
É verdade que o DN tem quem lhe responda a um nível superior, como aquele senhor diretor de uma revista espanhola que acredita na regressividade dos impostos e no sucesso da iniciativa privada por si só, ou como o evangélico João Cesar das Neves, para quem os reformados acima de 600 euros são uns privilegiados (já naquela historieta se contava que o ministro sueco teria respondido a Otelo, orgulhoso por ter acabado com os ricos em Portugal, que na Suécia tinham optado por acabar com os pobres).
É verdade que só fica bem a um governo ter uma comunicação social que lhe aponte erros ou omissões, desde que o faça de modo a não atingir a essencia da sua governação.
Esta é, como se sabe, a transferencia do controle da atividade económica e financeira (o pouco que resta) das entidades públicas para entidades privadas, dizendo sempre que o Estado fica com a função de regulador (apesar de só poder exercer a função de regulador quem tem "know how" e este só se consegue se se exercer o mesmo negócio).
Deixar que o interesse individual dos acionistas das empresas privadas, por iluminação divina como Bossuet dizia da origem do poder do soberano absoluto, contribuam para o interesse coletivo.
Repetir isso muitas vezes para que os eleitores acreditem com muita fé, por mais que os dados e a realidade da degradação do serviço nacional de saúde, da segurança social, do sistema educativo, dos níveis do emprego, mostrem o contrário.
Mas há que não exagerar, que não ultrapassar linhas vermelhas.
A entrevista a Mazzucato foi uma ultrapassagem da linha vermelha. A senhora vem demonstrar que para termos crescimento temos de ter, apesar da dívida pública, investimento não só privado mas também público, porque este gera, arrasta, aquele. Além de atacar o desemprego. E sabe-se que isso é verdade, se olharmos para a fórmula do saldo orçamental, igual ao investimento privado ou com fundos comunitários, menos as poupanças, menos as importações e mais as exportações.
Aqui, porém, o comportamento do DN tem sido irrepreensível, uma vez que tem dado destaque às orientações do senhor professor de direito da universidade de Florença que, sem experiencia industrial, tem desviado os fundos comunitários dos investimentos nas infraestruturas que fazem falta ao país para miríficas medidas de aumento de competitividade. Omitir assim as recomendações europeias nos corredores ferroviários de passageiros e mercadorias e no privilégio da produção de energia elétrica a partir de fontes renováveis é um bom contributo para que o país mantenha o seu ritmo lento de crescimento quando comparado com a restante UE, embora naturalmente se repita à saciedade que essas orientações estão no papel e são discutidas nas cimeiras (não se passa é à fase seguinte, sem a qual não há fundos comunitários, que é a elaboração dos projetos,coisa desagradável para quem não tem formação técnica).
Espera-se assim que a entrevista de Mazzucato caia no esquecimento, para que o atual governo possa continuar a repetir que só os investidores privados sabem gerir bem os investimentos. E que não se fale muito no investimento público do KfW, o banco de fomento alemão que se farta de investir em energias renováveis, nem no financiamento público do GPS, do Google Earth, da NASA, nem da Apple nos seus tempos de garagem, nem no financiamento das ligações entre a ciencia e a industria dos centros Fraunhofer alemães, sem esquecer o caso das comunicações por satélite da rede Iridium. Nem que se explique como, sendo a produtividade um quociente, tal como a relação dívida por PIB, a maneira de aumentar a produtividade é aumentar a produção (o numerador) a um ritmo mais elevado do que o fator de produção (o denominador, os recursos humanos, por exemplo, em vez de os despedir). E que para baixar a relação dívida por PIB, o melhor é aumentar o PIB (o denominador) a um ritmo mais elevado do que a dívida (o numerador).
Ainda por cima, a senhora veio dizer que os sábios dirigentes europeus fizeram um diagnóstico errado (polarizado na questão quem gasta demasiado ou não) e deram receita errada (limite de 3% para o défice, que nem a Finlandia cumpre) em vez de "obrigar" a investimento público em atividades inovadoras (produção renovável, ligação ciencia-industria).
Não devemos portanto contrariar o atual governo quando repete que os dirigentes europeus que impuseram a austeridade "tout court"é que sabem. Talvez porque, se se realizasse a reforma estrutural de que falou Mazzucato, a distribuição da nova riqueza deixaria de se fazer como atualmente e é natural que haja oposição a essa mudança de paradigma, desde os grandes escritórios de advogados/deputados, á classe politica oriunda das juventudes partidárias, ao setor não transacionável.
Com os melhores cumprimentos
Publicada por
Fernando de Carvalho Santos e Silva
à(s)
18:36
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
quarta-feira, 15 de abril de 2015
Armazenamento por flywheels e por sais térmicos; as coisas mexem-se
O colega Mário Ribeiro, sempre atento, enviou-me a notícia da construção de uma subestação na Irlanda com flywheels (volantes de inércia no vácuo com rolamentos magnéticos) como dispositivos de armazenamento da energia elétrica produzida em excesso nos períodos de fraco consumo.
Eu, que sou da escola clássica, diria que o despacho da energia não devia depender para além do razoável das questões económicas, mas no contexto atual a ideia é armazenar a energia elétrica nos períodos de baixo consumo em que a remuneração do MWh é baixa (pouca procura), armazená-la e vendê-la depois a melhor preço nos períodos de maior procura (pontas do diagrama de cargas).
Uma pequena incursão pela wikipedia informou-me que a subestação poderá fornecer 20 MW durante 15 minutos, ou 5 MWh. Será um princípio, uma experiencia piloto como outras na Irlanda (foram estendidos cabos submarinos entre a Irlanda e a Inglaterra para alimentar consumos na Inglaterra nos períodos de vazio na Irlanda.
São experiencias de que os beneficiários dos CMEC não gostam, mas parecem-me muito válidas.
Cada volante de inércia pode fornecer 100kW durante 15 minutos, isto é, pode armazenar cerca de 25 kWh. São fabricados pela Beacon Power, a estimativa de custos é de 250 € por kW instalado, e usam a mesma tecnologia dos centrifugadores para produção de uranio enriquecido (vácuo, rolamentos magnéticos sem contacto).
As formas de armazenamento da energia elétrica podem ser as seguintes (é uma pena o atual governo não querer candidatar o desenvolvimento destas formas a fundos comunitários, com a desculpa de que não há dinheiro e que se gastou muito em infraestruturas):
- bombagem em centrais hidráulicas reversíveis
- baterias estacionárias
-depósitos de ar comprimido (a produção de ar comprimido será mais rentável se descentralizada, isto é, em postos locais de produção alimentados pela rede elétrica)
- produção descentralizada por eletrólise de hidrogénio, especialmente para fins de tração rodoviária (idem - 1 kg de hidrogénio consome 60 kWh)
- volantes de inércia (flywheels)
- sais térmicos em centrais solares com concentradores e sais térmicos para conservar o calor depois do por do sol (solução já muito utilizada em Espanha e na Califórnia)
Foi pois com satisfação que na edição da revista Ingenium da Ordem dos Engenheiros de janeiro-fevereiro de 2015 encontrei um artigo dscritivo das vantagens das centrais hibridas de concentradores solares com sais térmicos e back up com combustíveis fósseis (eu preferiria sem a intervenção fóssil, com a diversificação das formas de produção renovável mesmo à custa de menores rendimentos, e a redução até 3% da rentabilidade das PPP de energia, sendo certo que apesar do atual governo as ter reduzido a 8% se deve assinalar o facto como positivo) .
O artigo traça uma perspetiva interessante do panorama energético ibérico, e é da autoria dos profs H.M.I.Pousinho, V.M.F.Mendes, M.Colares Pereira e C.Pereira Cabrita, das universidades de Évora, ISEL e Beira Interior.
Isto é, a coisa irá, vai mexendo, será imparável, apesar do baixo preço do petróleo e do gás natural e da força dos seus comercializadores.
PS - Cheguei a estudar as experiencias de flywheels no metropolitano de Londres. Eram instalados nas subestações de tração, absorvendo a energia de regeneração da travagem dos comboios e devolviam-na, descontando o rendimento, claro, no arranque dos comboios. Penso que o metro de Hamburgo tambem teve uma instalação experimental. Parece que não vingaram as experiencias. Tambem se pensou montá-los nas automotoras (há muitos anos circularam num metro dos USA esses volantes de inércia). Penso que os construtores de autocarros elétricos tambem estão a experimentar isto. E os construtores de fórmula 1 para absorver a energia de travagem e devolvê-la nas acelerações. Enfim, admirável mundo da tecnologia de aplicações à mobilidade. Mas sem certezas... o petróleo está baratinho e o gás não é problema...
Eu, que sou da escola clássica, diria que o despacho da energia não devia depender para além do razoável das questões económicas, mas no contexto atual a ideia é armazenar a energia elétrica nos períodos de baixo consumo em que a remuneração do MWh é baixa (pouca procura), armazená-la e vendê-la depois a melhor preço nos períodos de maior procura (pontas do diagrama de cargas).
Uma pequena incursão pela wikipedia informou-me que a subestação poderá fornecer 20 MW durante 15 minutos, ou 5 MWh. Será um princípio, uma experiencia piloto como outras na Irlanda (foram estendidos cabos submarinos entre a Irlanda e a Inglaterra para alimentar consumos na Inglaterra nos períodos de vazio na Irlanda.
São experiencias de que os beneficiários dos CMEC não gostam, mas parecem-me muito válidas.
Cada volante de inércia pode fornecer 100kW durante 15 minutos, isto é, pode armazenar cerca de 25 kWh. São fabricados pela Beacon Power, a estimativa de custos é de 250 € por kW instalado, e usam a mesma tecnologia dos centrifugadores para produção de uranio enriquecido (vácuo, rolamentos magnéticos sem contacto).
As formas de armazenamento da energia elétrica podem ser as seguintes (é uma pena o atual governo não querer candidatar o desenvolvimento destas formas a fundos comunitários, com a desculpa de que não há dinheiro e que se gastou muito em infraestruturas):
- bombagem em centrais hidráulicas reversíveis
- baterias estacionárias
-depósitos de ar comprimido (a produção de ar comprimido será mais rentável se descentralizada, isto é, em postos locais de produção alimentados pela rede elétrica)
- produção descentralizada por eletrólise de hidrogénio, especialmente para fins de tração rodoviária (idem - 1 kg de hidrogénio consome 60 kWh)
- volantes de inércia (flywheels)
- sais térmicos em centrais solares com concentradores e sais térmicos para conservar o calor depois do por do sol (solução já muito utilizada em Espanha e na Califórnia)
Foi pois com satisfação que na edição da revista Ingenium da Ordem dos Engenheiros de janeiro-fevereiro de 2015 encontrei um artigo dscritivo das vantagens das centrais hibridas de concentradores solares com sais térmicos e back up com combustíveis fósseis (eu preferiria sem a intervenção fóssil, com a diversificação das formas de produção renovável mesmo à custa de menores rendimentos, e a redução até 3% da rentabilidade das PPP de energia, sendo certo que apesar do atual governo as ter reduzido a 8% se deve assinalar o facto como positivo) .
O artigo traça uma perspetiva interessante do panorama energético ibérico, e é da autoria dos profs H.M.I.Pousinho, V.M.F.Mendes, M.Colares Pereira e C.Pereira Cabrita, das universidades de Évora, ISEL e Beira Interior.
Isto é, a coisa irá, vai mexendo, será imparável, apesar do baixo preço do petróleo e do gás natural e da força dos seus comercializadores.
PS - Cheguei a estudar as experiencias de flywheels no metropolitano de Londres. Eram instalados nas subestações de tração, absorvendo a energia de regeneração da travagem dos comboios e devolviam-na, descontando o rendimento, claro, no arranque dos comboios. Penso que o metro de Hamburgo tambem teve uma instalação experimental. Parece que não vingaram as experiencias. Tambem se pensou montá-los nas automotoras (há muitos anos circularam num metro dos USA esses volantes de inércia). Penso que os construtores de autocarros elétricos tambem estão a experimentar isto. E os construtores de fórmula 1 para absorver a energia de travagem e devolvê-la nas acelerações. Enfim, admirável mundo da tecnologia de aplicações à mobilidade. Mas sem certezas... o petróleo está baratinho e o gás não é problema...
Publicada por
Fernando de Carvalho Santos e Silva
à(s)
00:47
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
armazenamento de energia elétrica,
energia
Atlântida, Atlântida, Anticiclone, Anticiclone
http://www.envc.pt/navios/n258/navio258.htm
http://videos.sapo.pt/tlv5LMpPtPQJfslCPirC
Com a devida vénia à revista Ingenium da Ordem dos Engenheiros, edição de janeiro-fevereiro de 2015, comento a noticia da encomenda pelo governo de Timor Leste ao estaleiro da Figueira da Foz de um navioi ferry que, tudo indica, utilizará o material adquirido pelos estaleiros de Viana do Castelo para construção do Anticiclone, "irmão" mais novo do Atlântida. Penso que algum deste material, adquirido apesar das resistencias burocráticas "abençoadas" pelo próprio ministério da defesa, já respondia a algumas questões ligadas à limitação da velocidade (o Atlântida está claramente submotorizado face aos acrescentos que sofreu para correção do projeto inicial (por exemplo, a comporta de 60 toneladas para acesso dos veículos conforme o normativo subsequente ao afundamento do "Estónia" posterior ao projeto).
Entretanto, o infeliz Atlântida aguarda a venda, sabe-se lá a quem, por quem o comprou por 8,7 milhões de euros (posto à bvenda por 50 milhões). A Douro Azul desistiu dos cruzeiros no rio Amazonas , provavelmente porque alguem explicou que não se altera o projeto de um navio porque pode baixar o nivel de segurança.
Estamos então nesta situação: o estaleiro de Viana do Castelo deixou de concorrer com os outros estaleiros, nomeadamente os de Aveiro e da Figueira da Foz e pode agora produzir torres eólicas, É como se tivesse sido comprado pela concorrencia. Não esquecer o papel decisivo do ministério da defesa, atrasando a autorização das encomendas de material para o Anticiclone, para os patrulheiros, para os evanescidos asfalteiros venezuelanos (há que tempos que não se fala desta indeterminação...). Nenhuma empresa pode funcionar assim, Depois foi fácil crucificá-la na praça pública.
Aplausos. Para uma atuação vergonhosa na senda da desindustrialização do país.
http://videos.sapo.pt/tlv5LMpPtPQJfslCPirC
Com a devida vénia à revista Ingenium da Ordem dos Engenheiros, edição de janeiro-fevereiro de 2015, comento a noticia da encomenda pelo governo de Timor Leste ao estaleiro da Figueira da Foz de um navioi ferry que, tudo indica, utilizará o material adquirido pelos estaleiros de Viana do Castelo para construção do Anticiclone, "irmão" mais novo do Atlântida. Penso que algum deste material, adquirido apesar das resistencias burocráticas "abençoadas" pelo próprio ministério da defesa, já respondia a algumas questões ligadas à limitação da velocidade (o Atlântida está claramente submotorizado face aos acrescentos que sofreu para correção do projeto inicial (por exemplo, a comporta de 60 toneladas para acesso dos veículos conforme o normativo subsequente ao afundamento do "Estónia" posterior ao projeto).
Entretanto, o infeliz Atlântida aguarda a venda, sabe-se lá a quem, por quem o comprou por 8,7 milhões de euros (posto à bvenda por 50 milhões). A Douro Azul desistiu dos cruzeiros no rio Amazonas , provavelmente porque alguem explicou que não se altera o projeto de um navio porque pode baixar o nivel de segurança.
Estamos então nesta situação: o estaleiro de Viana do Castelo deixou de concorrer com os outros estaleiros, nomeadamente os de Aveiro e da Figueira da Foz e pode agora produzir torres eólicas, É como se tivesse sido comprado pela concorrencia. Não esquecer o papel decisivo do ministério da defesa, atrasando a autorização das encomendas de material para o Anticiclone, para os patrulheiros, para os evanescidos asfalteiros venezuelanos (há que tempos que não se fala desta indeterminação...). Nenhuma empresa pode funcionar assim, Depois foi fácil crucificá-la na praça pública.
Aplausos. Para uma atuação vergonhosa na senda da desindustrialização do país.
Publicada por
Fernando de Carvalho Santos e Silva
à(s)
00:19
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
terça-feira, 14 de abril de 2015
A macroeconomia precisa de novos instrumentos para desafiar o pensamento dominante
Poderia pensar-se que seria a petulância dum ignorante de economia política coomo é o humilde escriba deste blogue a escrever a frase do título.
Mas não, a frase é o título de um artigo no Finantial Times de Wolfgang Munchau, apreciado especialista editor do FT, e que o DN tambem publicou em 13 de abril de 2015.
Este blogue já criticou , a propósito do filme "Inside Trading", dois dos atores da crise financeira de 2007-2008, Lawrence Summers e Ben Bernanke. O artigo de Munchau parte das justificações destes dois para a crise, estagnação secular e excesso de poupanças contrário ao investimento, criticando-as. Que as teorias e modelos macroeconómicos atuais não conseguem explicar porque se está em estagnação há tanto tempo e porque há um excesso de poupança contrário ao investimento (por mais que o atual governo ache que o PIB português está a crescer) e são necessárias novas ferramentas que existem noutras disciplinas, mas não na macroeconomia (será o que eu costumo dizer, que a política económica e financeira do atual gverno é a de um contabilista que se limita a alinhar as colunas do deve e haver, sem entender os mecanismos físicos que fazem realmente funcionar a economia, sem entender o conceito de produto e de realização humana associada à produção?).
Critica matemática aos modelos de equilíbrio geral dinamico estocástico (DSGE):
1 - não existe um equilibrio macroeconómico que faça retornar a economia ao estado anterior ao choque. Em Física estudam-se as curvas de histerese que explicam isto. As curvas dos rendimentos decrescentes na zona da armadilha da pobreza tambem o ilustram. Não se podem acusar os macroeeconomistas de ignorantes, talvez não queiram saber, por uma questão de fé dogmática
2 - não existe uma relação universal e linear entre acontecimentos. Estudam-se também na Física as curvas de saturação, e de segundo grau, e logaritmicas, e também de baixa correlação. Mais uma vez deveriam os macroeconmistas submeterem as suas leis à realidade e não querer que a realidade se submeta aos seus dogmas (por exemplo, reduzir o valor do trabalho, como quer o primeiro ministro atual do governo português para "aumentar a competitividade", quando é certo que a competitividade só se aumenta com qualificação)
3 - não existem leis universais que sejam válidas ao longo de todo o domínio da mesma forma. Em Física estudam-se as condições aos limites, ou de fronteira, em qualquer fenómeno físico. O efeito de uma baixa das taxas de juro quando próximas de zero não é o mesmo para valores mais altos. São conceitos simples que o dogmatismo não quer aceitar.
Como consequencia da obstinação dos macroeconomistas, que segundo Munchau "continuam a remexer nos seusmodelos esperando que nenhum politico os vá usar" (penso que a ironia significa que os macroeconomistas prefeririam que os seus modelos não saissem das universidades, possivelmente porque as experiencias de Reagan e de Thatcher, à distancia, não pareçam brilhantes; infelizmente, pelo menos em Portugal, a aplicação da "sebenta" macroeconómica do pensamento dominante nas universidades tem sido aplicada pelo atual governo; Munchu critica tambem a utilização destes modelos pelo BCE, conduzindo a previsões demasiado otimistas).
Munchau recorda ainda o economista Hyman Minsky, que desenvolveu análises para compreensão de crises e que "foi banido pelo poder estabelecido", e manifesta receios de que a derrota dos atuais modelos virá de fora da disciplina e de forma brutal.
Interessante, não é? Ouvir uma voz dissonante do pensamento dominante das universidades apoiantes dos economistas que nos dirigem.
Ao meos ainda existe pluralismo no DN.
Mas não, a frase é o título de um artigo no Finantial Times de Wolfgang Munchau, apreciado especialista editor do FT, e que o DN tambem publicou em 13 de abril de 2015.
Este blogue já criticou , a propósito do filme "Inside Trading", dois dos atores da crise financeira de 2007-2008, Lawrence Summers e Ben Bernanke. O artigo de Munchau parte das justificações destes dois para a crise, estagnação secular e excesso de poupanças contrário ao investimento, criticando-as. Que as teorias e modelos macroeconómicos atuais não conseguem explicar porque se está em estagnação há tanto tempo e porque há um excesso de poupança contrário ao investimento (por mais que o atual governo ache que o PIB português está a crescer) e são necessárias novas ferramentas que existem noutras disciplinas, mas não na macroeconomia (será o que eu costumo dizer, que a política económica e financeira do atual gverno é a de um contabilista que se limita a alinhar as colunas do deve e haver, sem entender os mecanismos físicos que fazem realmente funcionar a economia, sem entender o conceito de produto e de realização humana associada à produção?).
Critica matemática aos modelos de equilíbrio geral dinamico estocástico (DSGE):
1 - não existe um equilibrio macroeconómico que faça retornar a economia ao estado anterior ao choque. Em Física estudam-se as curvas de histerese que explicam isto. As curvas dos rendimentos decrescentes na zona da armadilha da pobreza tambem o ilustram. Não se podem acusar os macroeeconomistas de ignorantes, talvez não queiram saber, por uma questão de fé dogmática
2 - não existe uma relação universal e linear entre acontecimentos. Estudam-se também na Física as curvas de saturação, e de segundo grau, e logaritmicas, e também de baixa correlação. Mais uma vez deveriam os macroeconmistas submeterem as suas leis à realidade e não querer que a realidade se submeta aos seus dogmas (por exemplo, reduzir o valor do trabalho, como quer o primeiro ministro atual do governo português para "aumentar a competitividade", quando é certo que a competitividade só se aumenta com qualificação)
3 - não existem leis universais que sejam válidas ao longo de todo o domínio da mesma forma. Em Física estudam-se as condições aos limites, ou de fronteira, em qualquer fenómeno físico. O efeito de uma baixa das taxas de juro quando próximas de zero não é o mesmo para valores mais altos. São conceitos simples que o dogmatismo não quer aceitar.
Como consequencia da obstinação dos macroeconomistas, que segundo Munchau "continuam a remexer nos seusmodelos esperando que nenhum politico os vá usar" (penso que a ironia significa que os macroeconomistas prefeririam que os seus modelos não saissem das universidades, possivelmente porque as experiencias de Reagan e de Thatcher, à distancia, não pareçam brilhantes; infelizmente, pelo menos em Portugal, a aplicação da "sebenta" macroeconómica do pensamento dominante nas universidades tem sido aplicada pelo atual governo; Munchu critica tambem a utilização destes modelos pelo BCE, conduzindo a previsões demasiado otimistas).
Munchau recorda ainda o economista Hyman Minsky, que desenvolveu análises para compreensão de crises e que "foi banido pelo poder estabelecido", e manifesta receios de que a derrota dos atuais modelos virá de fora da disciplina e de forma brutal.
Interessante, não é? Ouvir uma voz dissonante do pensamento dominante das universidades apoiantes dos economistas que nos dirigem.
Ao meos ainda existe pluralismo no DN.
Publicada por
Fernando de Carvalho Santos e Silva
à(s)
01:39
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Citação de Christine Lagarde diretora do FMI
Em entrevista a vários jornais europeus em 11 de abril de 2015, A senhora diretora do FMI descreveu a situação da economia mundial como uma nova mediocridade porque o crescimento económico médio mundial é de 3,5% mas a natureza desse crescimento é problemática. Porque "não estamos a criar os postos de trabalho necessários e a disposição dos que são criados não responde às necessidades."
Pena não explicar quais são os postos de trabalho necessários (penso que são os dos setores transacionáveis).
Pena continuar a invocar a produtividade (nada a objetar, se não significasse aumento de desemprego e se aumentasse o bem estar das populações).
Pena continuar a ter fé na austeridade (nada a objetar se permitisse o investimento e o crescimento nos países endividados).
Pena continuar a crer nos dogmas macroeconómicos de Haiek e Friedman.
Pena não reconhecer como primeira prioridade o combate ao desemprego.
Pena não explicar quais são os postos de trabalho necessários (penso que são os dos setores transacionáveis).
Pena continuar a invocar a produtividade (nada a objetar, se não significasse aumento de desemprego e se aumentasse o bem estar das populações).
Pena continuar a ter fé na austeridade (nada a objetar se permitisse o investimento e o crescimento nos países endividados).
Pena continuar a crer nos dogmas macroeconómicos de Haiek e Friedman.
Pena não reconhecer como primeira prioridade o combate ao desemprego.
Publicada por
Fernando de Carvalho Santos e Silva
à(s)
00:50
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Citação de Serge Haroche, prémio Nobel da Física de 2012
Com a devida vénia ao DN de 12 de abril de 2015, cito Serge Haroche, premio Nobel de Física de 2012: (o meu trabalho na física quantica) "vai trazer inovações tecnológicas, mas é difícil prever quais. As que hoje temos provêm da investigação fundamental feita no século XX, mas nessa altura não eram previsíveis. O laser tem hoje aplicações essenciais, mas as pessoas que o inventaram não tinham qualquer ideia para que poderia servir. O mesmo para a ressonancia magnética, que revolucionou o diagnóstico médico. A investigação fundamental permite compreender o funcionamento das coisas, o que dá meios para inventar novos dispositivos".
"Em França os lugares na investigação para os jovens são cada vez mais raros... quando tento explicar ao poder político que é um erro grave deixar uma geração fora do sistema científico eles respondem com a crise económica, que não há dinheiro. Mas daqui a uns anos, quando a crise acabar, sera tarde demais, porque teremos sacrificado uma geração. Além disso, a ciencia precisa de continuidade, para que a experiencia se transmita entre gerações. Em geral, os países do sul da Europa têm neste momento esse problema...há uma fuga de cérebros e não há postos suficientes para os investigadores em geral."
O humilde escriba deste blogue nunca teve vocação para a investigação fundamental, mas pensa, provavelmente com imodéstia, que colaborou em aplicações úteis para a comunidade de alguns resultados dessa investigação.
Por isso, também pensa ter alguma razão em preocupar-se com a política imobilizadora e danosa para o futuro que o atual governo tem sobre a ciencia e a técnica.
No entanto, a propaganda oficial alinhará argumentos (a natureza é assim, há sempre argumentos para justificar o que quer que seja), como, por exemplo, que patrocina através da direção geral de educação o programa da CE eSkills for jobs, orientado para as competencias nas aplicações informáticas. Que a CE prevê 900 mil ofertas de emprego nas tecnologias de informação na Europa para 2020. Que em Portugal 90% das empresas que recrutam profissionais desta especialidade se queixam de falta de competencias dos candidatos ( que depois emigram para exercer essas funções?!) e de inadequação do ensino universitário.
A mim me parece conversa de burocrata mais assente em papeis que em dados reais. Qualquer que seja a disciplina científica e técnica, ninguém sai duma universidade habilitado a resolver problemas numa empresa. A aprendizagem tem de ser continua, as universidades e as empresas têm de colaborar e as empresas têm de gastar dinheiro com isso.
Entretanto, destaque para o programa da IBM para participantes dos 8 aos 16 anos, na esperança de que a nova geração não se perca nas profissões mais ligadas ao setor não transacionável, EXITE e TryScience.
Num país como Portugal, a necessitar de reindustrialização e de reduzir a predominancia dos serviços, seria desejável
"Em França os lugares na investigação para os jovens são cada vez mais raros... quando tento explicar ao poder político que é um erro grave deixar uma geração fora do sistema científico eles respondem com a crise económica, que não há dinheiro. Mas daqui a uns anos, quando a crise acabar, sera tarde demais, porque teremos sacrificado uma geração. Além disso, a ciencia precisa de continuidade, para que a experiencia se transmita entre gerações. Em geral, os países do sul da Europa têm neste momento esse problema...há uma fuga de cérebros e não há postos suficientes para os investigadores em geral."
O humilde escriba deste blogue nunca teve vocação para a investigação fundamental, mas pensa, provavelmente com imodéstia, que colaborou em aplicações úteis para a comunidade de alguns resultados dessa investigação.
Por isso, também pensa ter alguma razão em preocupar-se com a política imobilizadora e danosa para o futuro que o atual governo tem sobre a ciencia e a técnica.
No entanto, a propaganda oficial alinhará argumentos (a natureza é assim, há sempre argumentos para justificar o que quer que seja), como, por exemplo, que patrocina através da direção geral de educação o programa da CE eSkills for jobs, orientado para as competencias nas aplicações informáticas. Que a CE prevê 900 mil ofertas de emprego nas tecnologias de informação na Europa para 2020. Que em Portugal 90% das empresas que recrutam profissionais desta especialidade se queixam de falta de competencias dos candidatos ( que depois emigram para exercer essas funções?!) e de inadequação do ensino universitário.
A mim me parece conversa de burocrata mais assente em papeis que em dados reais. Qualquer que seja a disciplina científica e técnica, ninguém sai duma universidade habilitado a resolver problemas numa empresa. A aprendizagem tem de ser continua, as universidades e as empresas têm de colaborar e as empresas têm de gastar dinheiro com isso.
Entretanto, destaque para o programa da IBM para participantes dos 8 aos 16 anos, na esperança de que a nova geração não se perca nas profissões mais ligadas ao setor não transacionável, EXITE e TryScience.
Num país como Portugal, a necessitar de reindustrialização e de reduzir a predominancia dos serviços, seria desejável
Publicada por
Fernando de Carvalho Santos e Silva
à(s)
00:38
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Citação de José Braz, ex-diretor da Polícia Judiciária
Com a devida vénia ao DN de 9 de abril de 2015, cito José Braz, ex-diretor da Polícia Judiciária: "É hoje claro que o crime organizado infiltrou o aparelho de Estado".
Já Paulo Morais insiste na tecla da corrupção, e na dificuldade do Estado em se reequiloibar do ponto de vista da Ética enquanto os grandes escritórios de advogados tiverem predominancia no Parlamento.
Parecerá que a sociedade civil tem um papel a desempenhar na luta contra este estado de coisas, mas a dificuldade de organização muito portuguesa é grande obstáculo.
Entretanto vamos registando factos.
Por exemplo, que um antigo diretor do departamento de estudos do BES declarou que só soube das dificuldades do grupo pelos jornais. O que não terá impedido que se tivesse desfeito das ações que possuia com um prejuizo de 50% por comparação com a perda total. Se isto, que foi publicado e não desmentido é verdade, é muito grave, com a agravante do senhor ter atualmente umcargo de relevo nas estruturas económicas públicas, mas é possível que haja um vazio legal e que não seja punível a manipulação por informação privilegiada e assimétrica (inside trading) de ações. E será perfeitamente compatível com a observação de que assistimos simplesmente á transferencia de rendimentos do trabalho para o capital.
Mas não é ético.
Já Paulo Morais insiste na tecla da corrupção, e na dificuldade do Estado em se reequiloibar do ponto de vista da Ética enquanto os grandes escritórios de advogados tiverem predominancia no Parlamento.
Parecerá que a sociedade civil tem um papel a desempenhar na luta contra este estado de coisas, mas a dificuldade de organização muito portuguesa é grande obstáculo.
Entretanto vamos registando factos.
Por exemplo, que um antigo diretor do departamento de estudos do BES declarou que só soube das dificuldades do grupo pelos jornais. O que não terá impedido que se tivesse desfeito das ações que possuia com um prejuizo de 50% por comparação com a perda total. Se isto, que foi publicado e não desmentido é verdade, é muito grave, com a agravante do senhor ter atualmente umcargo de relevo nas estruturas económicas públicas, mas é possível que haja um vazio legal e que não seja punível a manipulação por informação privilegiada e assimétrica (inside trading) de ações. E será perfeitamente compatível com a observação de que assistimos simplesmente á transferencia de rendimentos do trabalho para o capital.
Mas não é ético.
Publicada por
Fernando de Carvalho Santos e Silva
à(s)
00:05
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
quinta-feira, 26 de março de 2015
A privatização/subconcessão do metropolitano de Lisboa em março de 2015
Finalmente, o governo atual conseguiu anunciar o concurso público e respetivo caderno de encargos.
Este blogue não dispõe de informação privilegiada, pelo que conhece apenas os termos do anúncio.
Esta circunstancia é compatível com o secretismo, contrário às disposições constitucionais que garantem o acesso de qualquer cidadão a informação estratégica para o interesse público, com que o governo atual e os seus mandatários de nomeação política na administração do metropolitano de Lisboa desenvolveram o processo de preparação do concurso.
Este esteve inicialmente marcado para dezembro de 2013, o que mostra a dificuldade do que o governo pretende: explorar uma linha de metro sem prejuízos operacionais e sem indemnizações compensatórias.
Por formação e experiencia profissional, o escriba deste blogue prefere que as empresas de transporte de interesse estratégico a nível nacional ou de grande região sejam públicas ou de capital público significativo, de modo a poder integrar as questões desse transporte na planificação e organização do território, coisa que compete naturalmente aos orgãos públicos.
No entanto, admite que, nos casos em que as instituições públicas nunca investiram na constituição de um corpo técnico ou operacional completo para a exploração e manutenção de um metropolitano, como é o caso do Porto, essas exploração e manutenção possam ser executadas por entidades privadas.
No caso do metropolitano de Lisboa, que sempre assegurou a manutenção e exploração, para o que se dotou de um quadro de pessoal técnico e operacional qualificado e de provas dadas ao longo do tempo com indicadores de qualidade ao nível dos outros metropolitanos, é, salvomelhor opinião , um desperdício subconcessionar o serviço nos moldes anunciados (exploração e manutenção corrente das instalações fixas).
Considerando a experiencia do metropolitano de Lisboa, tal decisão poderá ser atribuida a ignorancia dos decisores governamentais, assessorados por consultores não imparciais, ou a uma sua obsessão ideológica ("os privados gerem melhor" e "vamos acabar com as regalias dos trabalhadores"), uma vez que as normas europeias não impõem a privatização dos transportes. Acresce que as experiencias em Londres da privatização da manutenção do metropolitano não correram nada bem.
Considerando os termos do anuncio, verifica-se que o único critério de adjudicação é "o valor mais baixo".
Depreende-se assim que o concedente está a comprar um serviço. Isto é, o subconcessionário vai pagar, e o concedente receber, uma renda negativa.
Este facto, associado à retirada do âmbito do concurso da manutenção do material circulante e da grande manutenção das galerias, viadutos e estações, configura uma efetiva mas disfarçada entrega ao subconcessionário de uma indemnização compensatória.
Com a agravante de, ao limitar o critério ao "valor mais baixo", ignorar a capacidade técnica dos técnicos do metropolitano de Lisboa para avaliar a qualidade técnica das propostas e dos seyus proponentes.
E isso é extremamente grave por ser uma clara desconsideração da engenharia portuguesa, uma exclusão dos seus profissionais do processo de seleção.
Imagine-se os riscos de adjudicar um serviço hospitalar avaliado apenas por contabilistas sem a participação de médicos e sem a respetiva consideração de critérios médicos.
Penso que é caso para a Ordem dos Engenheiros protestar por estarem a ser tomadas decisões sobre problemas técnicos sem a consideração de critérios profissionais.
Quanto ao equilíbrio financeiro, conceito tão do agrado dos decisores governamentais, mais uma vez este blogue recorda os cálculos justificativos (que gostaria de ver contestados se não estão corretos) que apresentou em:
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/search?q=indemniza%C3%A7%C3%A3o+compensat%C3%B3ria
e em:
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2012/10/dedicado-ao-senhor-secretario-de-estado.html
Considerando a renda do subconcessionário positiva ou negativa, e que as indemnizações podem estar disfarçadas na assunção pelo Estado de parte da manutenção, do total dos investimentos ou do serviço da dívida, só tem interesse económico para o Estado subconcessionar se os lucros do subconcessionário forem menores do que o diferencial dos resultados operacionais antes e depois da subconcessão, devido a uma hipotética "melhor gestão privada" (coisa dificil de conseguir sem baixar os indicadores de qualidade).
Ou por outras palavras, se os resultados operacionais com a gestão privada excederem os resultados operacionais com a anterior gestão pública no valor da soma:
lucro + a diferença entre o investimento público e privado depois e antes da
subconcessão + o serviço da dívida pública acumulada anteriormente - a indemnização compensatória anterior à concessão
Em resumo, a pretexto do programa da troika ou por ideologia própria, o atual governo assenhoreou-se, depois de ganhar as eleições com mentiras registadas nas reportagens da campanha eleitoral de 2011, dos mecanismos de decisão dos transportes em Portugal, paralisando os investimentos ferroviários, como bárbaros que tomaram o poder e destroem as estruturas produtivas enquanto estimulam o consumo de combustíveis fósseis através dos automóveis privados e tentam o apoio das grandes empresas privadas de transportes, e ignorando afrontosamente a experiencia profissional e a qualificação dos técnicos de todos os níveis do metropolitano de Lisboa.
Resta no entanto a esperança de já não ser possível resolver o concurso até ao final da legislatura por falta de interesse dos concorrentes.
Este blogue lamenta que, apesar de cumpridos os mecanismos formais da democracia, esta não tenha meios, de natureza participativa pela sociedade civil, para impedir a prepotencia dos governantes, a desvalorização que fazem do fator trabalho e a subversão dos princípios democráticos a que assistimos em casos como este da subconcessão dos transportes urbanos.
Este blogue não dispõe de informação privilegiada, pelo que conhece apenas os termos do anúncio.
Esta circunstancia é compatível com o secretismo, contrário às disposições constitucionais que garantem o acesso de qualquer cidadão a informação estratégica para o interesse público, com que o governo atual e os seus mandatários de nomeação política na administração do metropolitano de Lisboa desenvolveram o processo de preparação do concurso.
Este esteve inicialmente marcado para dezembro de 2013, o que mostra a dificuldade do que o governo pretende: explorar uma linha de metro sem prejuízos operacionais e sem indemnizações compensatórias.
Por formação e experiencia profissional, o escriba deste blogue prefere que as empresas de transporte de interesse estratégico a nível nacional ou de grande região sejam públicas ou de capital público significativo, de modo a poder integrar as questões desse transporte na planificação e organização do território, coisa que compete naturalmente aos orgãos públicos.
No entanto, admite que, nos casos em que as instituições públicas nunca investiram na constituição de um corpo técnico ou operacional completo para a exploração e manutenção de um metropolitano, como é o caso do Porto, essas exploração e manutenção possam ser executadas por entidades privadas.
No caso do metropolitano de Lisboa, que sempre assegurou a manutenção e exploração, para o que se dotou de um quadro de pessoal técnico e operacional qualificado e de provas dadas ao longo do tempo com indicadores de qualidade ao nível dos outros metropolitanos, é, salvomelhor opinião , um desperdício subconcessionar o serviço nos moldes anunciados (exploração e manutenção corrente das instalações fixas).
Considerando a experiencia do metropolitano de Lisboa, tal decisão poderá ser atribuida a ignorancia dos decisores governamentais, assessorados por consultores não imparciais, ou a uma sua obsessão ideológica ("os privados gerem melhor" e "vamos acabar com as regalias dos trabalhadores"), uma vez que as normas europeias não impõem a privatização dos transportes. Acresce que as experiencias em Londres da privatização da manutenção do metropolitano não correram nada bem.
Considerando os termos do anuncio, verifica-se que o único critério de adjudicação é "o valor mais baixo".
Depreende-se assim que o concedente está a comprar um serviço. Isto é, o subconcessionário vai pagar, e o concedente receber, uma renda negativa.
Este facto, associado à retirada do âmbito do concurso da manutenção do material circulante e da grande manutenção das galerias, viadutos e estações, configura uma efetiva mas disfarçada entrega ao subconcessionário de uma indemnização compensatória.
Com a agravante de, ao limitar o critério ao "valor mais baixo", ignorar a capacidade técnica dos técnicos do metropolitano de Lisboa para avaliar a qualidade técnica das propostas e dos seyus proponentes.
E isso é extremamente grave por ser uma clara desconsideração da engenharia portuguesa, uma exclusão dos seus profissionais do processo de seleção.
Imagine-se os riscos de adjudicar um serviço hospitalar avaliado apenas por contabilistas sem a participação de médicos e sem a respetiva consideração de critérios médicos.
Penso que é caso para a Ordem dos Engenheiros protestar por estarem a ser tomadas decisões sobre problemas técnicos sem a consideração de critérios profissionais.
Quanto ao equilíbrio financeiro, conceito tão do agrado dos decisores governamentais, mais uma vez este blogue recorda os cálculos justificativos (que gostaria de ver contestados se não estão corretos) que apresentou em:
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/search?q=indemniza%C3%A7%C3%A3o+compensat%C3%B3ria
e em:
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2012/10/dedicado-ao-senhor-secretario-de-estado.html
Considerando a renda do subconcessionário positiva ou negativa, e que as indemnizações podem estar disfarçadas na assunção pelo Estado de parte da manutenção, do total dos investimentos ou do serviço da dívida, só tem interesse económico para o Estado subconcessionar se os lucros do subconcessionário forem menores do que o diferencial dos resultados operacionais antes e depois da subconcessão, devido a uma hipotética "melhor gestão privada" (coisa dificil de conseguir sem baixar os indicadores de qualidade).
Ou por outras palavras, se os resultados operacionais com a gestão privada excederem os resultados operacionais com a anterior gestão pública no valor da soma:
lucro + a diferença entre o investimento público e privado depois e antes da
subconcessão + o serviço da dívida pública acumulada anteriormente - a indemnização compensatória anterior à concessão
Em resumo, a pretexto do programa da troika ou por ideologia própria, o atual governo assenhoreou-se, depois de ganhar as eleições com mentiras registadas nas reportagens da campanha eleitoral de 2011, dos mecanismos de decisão dos transportes em Portugal, paralisando os investimentos ferroviários, como bárbaros que tomaram o poder e destroem as estruturas produtivas enquanto estimulam o consumo de combustíveis fósseis através dos automóveis privados e tentam o apoio das grandes empresas privadas de transportes, e ignorando afrontosamente a experiencia profissional e a qualificação dos técnicos de todos os níveis do metropolitano de Lisboa.
Resta no entanto a esperança de já não ser possível resolver o concurso até ao final da legislatura por falta de interesse dos concorrentes.
Este blogue lamenta que, apesar de cumpridos os mecanismos formais da democracia, esta não tenha meios, de natureza participativa pela sociedade civil, para impedir a prepotencia dos governantes, a desvalorização que fazem do fator trabalho e a subversão dos princípios democráticos a que assistimos em casos como este da subconcessão dos transportes urbanos.
Publicada por
Fernando de Carvalho Santos e Silva
à(s)
03:27
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
metropolitano de Lisboa,
subconcessão do metropolitano
quarta-feira, 25 de março de 2015
As árvores da avenida Rio de Janeiro, a fala de governante e os reformados do metropolitano
Não sei se a câmara de Lisboa se a nova junta de freguesia de Alvalade decidiram substituir as árvores da avenida Rio de Janeiro.
Que deixavam cair secreções que tornavam o pavimento pegajoso, ou escorregadio se chovia e o calçado era de borracha.
Ou pior ainda, que sujavam os automóveis que estacionavam sob as árvores.
Alguém se terá queixado.
E eu lembrei-me da crónica de há muitos anos, de Isabel da Nóbrega, dos amantilhos que sujavam o peixe que as ambulantes vendiam na praça da avenida D.Carlos e galante, atendendo ao protesto das vendedoras, o inspetor da câmara mandou cortar a tília-mãe que os gerava. E Isabel da Nóbrega perdeu a sua tília.
Ignoro o nome das árvores que a fúria da junta (ou da câmara?) mandou cortar.
Davam uns frutos, não comestíveis, umas bolinhas do tamanho de uma bola de golfe.
Faziam sombra no verão e eram de folha caduca no inverno.
Ninguém deve ter protestado por tirarem a luz. Deve ter sido pelas secreções. Deve ter sido pelo atávico processo. Alguém que conhecia alguém na sede própria, decisória. E sem divulgar o pretendido, a junta (ou a câmara?) executou a sentença.
É verdade que algumas árvores, noutros locais do bairro que não na avenida Rio de Janeiro, estão condenadas, ou porque as raízes ou o porte ultrapassaram o limite,ou por doença.
Mas mesmo assim, dizem as boas práticas que não se cortam todas, só parte, e daói a uns anos, quando as novas já tiverem expressão, cortam-se outras.
Não foi o caso, foi apenas a expressão prepotente de quem tem o poder decisõrio mas não sabe informar e não sabe tornar participativo um debate sobre o que se vai fazer.
E que, pelo vistos, não tem questões mais prementes onde gastar o dinheiro.
Não tem importancia, tudo isto, exceto que é mais um exemplo da falta de respeito pelos cidadãos. Uns poucos conseguem influenciar quem decide, e quem decide considera que o fez legitimamente.
É um conceito de democracia que não me parece correto, por ser secretista.
O segredo estimula a informação assimétrica, que por sua vez impede o funcionamento regular de um coletivo porque beneficia uma minoria.
É por isso que é um conceito de democracia deficiente.
Tal como a fala da governante, orgulhosa de ter os cofres cheios, de dinheiro que não é nosso, que é dos credores, exprimindo a sua limitação de contabilista que fez bem o seu trabalho, ao substituir uma divida de juro alto por uma divida de juro baixo, mas que não compreende como funcionam as coisas para que o PIB cresça, como as importações têm de ser superiores às exportações, e como tem de haver investimento reprodutivo, porque senão a dívida continuará a crescer.
E que na sua prepotencia, sentindo-se investida de missão salvífica como profetisa, ocorre-lhe a diretiva divina: "multiplicai-vos".
É como as árvores da avenida Rio de Janeiro, simples falta de respeito pelos cidadãos, pela forma e pelas ideias que orientam os decisores.
Ou como acontece com o lento castigo dos reformados do metropolitano a quem o governo mandou cortar os complementos de reforma. A quem teve uma carreira contributiva de mais de 40 anos, que começou a trabalhar na adolescencia. A quem aos 55 anos a empresa convidou a partir para a reforma porque lhe pagaria a diferença entre a pensão da segurança social e os últimos vencimentos. A quem chamou privilegiados em vez de valorizar quem ganha menos ou de proporcionar emprego aos desempregados. Por isso me choca ler nas páginas do mesmo jornal que chamou privilegiados aos reformados do metropolitano o que a senhora jornalista olimpicamente escreveu: "... existe ainda um interesse exagerado e mesquinho, embrulhado em preconceito, pelo salário, pelo carro ou pelas férias do vizinho do lado (e pelos complementos de reforma dos reformados do metropolitano, não?). Persiste um apontar do dedo , que resulta no constrangimento de quem tem salários elevados como se fosse pecado trabalhar muito e bem (os reformados do metropolitano não trabalharam muito e bem, não fizeram um metro com indicadores ao nível dos homólogos estrangeiros?) e,por isso, ganhar adequadamente bem (os complementos de reforma são uma remuneração diferida no tempo). Traumas antigos, mesquinhez e miséria de muitos transformam frequentemente os "ricos" (e os reformados do metropolitano) em instrumentos de catarse..."
Curioso, concitar o escandalo dos cidadãos mal pagos ou desempregados contra os reformados do metropolitano com os seus privilégios, como o complemento que lhes cortaram...
Ou simplesmente, desprezar os cidadãos, os privilegiados e os mal pagos e desempregados.
Foi claro objetivo da troika e do governo que quis ir mais além, desvalorizar quem trabalha e o produto do seu trabalho, para aumentar a diferença entre o nosso país e os paises mais desenvolvidos da União Europeia.
Nunca esconderam, ao menos são francos, na manifestação do seu desprezo pelos cidadãos e pelo seu trabalho.
Que deixavam cair secreções que tornavam o pavimento pegajoso, ou escorregadio se chovia e o calçado era de borracha.
Ou pior ainda, que sujavam os automóveis que estacionavam sob as árvores.
Alguém se terá queixado.
E eu lembrei-me da crónica de há muitos anos, de Isabel da Nóbrega, dos amantilhos que sujavam o peixe que as ambulantes vendiam na praça da avenida D.Carlos e galante, atendendo ao protesto das vendedoras, o inspetor da câmara mandou cortar a tília-mãe que os gerava. E Isabel da Nóbrega perdeu a sua tília.
Ignoro o nome das árvores que a fúria da junta (ou da câmara?) mandou cortar.
Davam uns frutos, não comestíveis, umas bolinhas do tamanho de uma bola de golfe.
Faziam sombra no verão e eram de folha caduca no inverno.
Ninguém deve ter protestado por tirarem a luz. Deve ter sido pelas secreções. Deve ter sido pelo atávico processo. Alguém que conhecia alguém na sede própria, decisória. E sem divulgar o pretendido, a junta (ou a câmara?) executou a sentença.
É verdade que algumas árvores, noutros locais do bairro que não na avenida Rio de Janeiro, estão condenadas, ou porque as raízes ou o porte ultrapassaram o limite,ou por doença.
Mas mesmo assim, dizem as boas práticas que não se cortam todas, só parte, e daói a uns anos, quando as novas já tiverem expressão, cortam-se outras.
Não foi o caso, foi apenas a expressão prepotente de quem tem o poder decisõrio mas não sabe informar e não sabe tornar participativo um debate sobre o que se vai fazer.
E que, pelo vistos, não tem questões mais prementes onde gastar o dinheiro.
Não tem importancia, tudo isto, exceto que é mais um exemplo da falta de respeito pelos cidadãos. Uns poucos conseguem influenciar quem decide, e quem decide considera que o fez legitimamente.
É um conceito de democracia que não me parece correto, por ser secretista.
O segredo estimula a informação assimétrica, que por sua vez impede o funcionamento regular de um coletivo porque beneficia uma minoria.
É por isso que é um conceito de democracia deficiente.
Tal como a fala da governante, orgulhosa de ter os cofres cheios, de dinheiro que não é nosso, que é dos credores, exprimindo a sua limitação de contabilista que fez bem o seu trabalho, ao substituir uma divida de juro alto por uma divida de juro baixo, mas que não compreende como funcionam as coisas para que o PIB cresça, como as importações têm de ser superiores às exportações, e como tem de haver investimento reprodutivo, porque senão a dívida continuará a crescer.
E que na sua prepotencia, sentindo-se investida de missão salvífica como profetisa, ocorre-lhe a diretiva divina: "multiplicai-vos".
É como as árvores da avenida Rio de Janeiro, simples falta de respeito pelos cidadãos, pela forma e pelas ideias que orientam os decisores.
Ou como acontece com o lento castigo dos reformados do metropolitano a quem o governo mandou cortar os complementos de reforma. A quem teve uma carreira contributiva de mais de 40 anos, que começou a trabalhar na adolescencia. A quem aos 55 anos a empresa convidou a partir para a reforma porque lhe pagaria a diferença entre a pensão da segurança social e os últimos vencimentos. A quem chamou privilegiados em vez de valorizar quem ganha menos ou de proporcionar emprego aos desempregados. Por isso me choca ler nas páginas do mesmo jornal que chamou privilegiados aos reformados do metropolitano o que a senhora jornalista olimpicamente escreveu: "... existe ainda um interesse exagerado e mesquinho, embrulhado em preconceito, pelo salário, pelo carro ou pelas férias do vizinho do lado (e pelos complementos de reforma dos reformados do metropolitano, não?). Persiste um apontar do dedo , que resulta no constrangimento de quem tem salários elevados como se fosse pecado trabalhar muito e bem (os reformados do metropolitano não trabalharam muito e bem, não fizeram um metro com indicadores ao nível dos homólogos estrangeiros?) e,por isso, ganhar adequadamente bem (os complementos de reforma são uma remuneração diferida no tempo). Traumas antigos, mesquinhez e miséria de muitos transformam frequentemente os "ricos" (e os reformados do metropolitano) em instrumentos de catarse..."
Curioso, concitar o escandalo dos cidadãos mal pagos ou desempregados contra os reformados do metropolitano com os seus privilégios, como o complemento que lhes cortaram...
Ou simplesmente, desprezar os cidadãos, os privilegiados e os mal pagos e desempregados.
Foi claro objetivo da troika e do governo que quis ir mais além, desvalorizar quem trabalha e o produto do seu trabalho, para aumentar a diferença entre o nosso país e os paises mais desenvolvidos da União Europeia.
Nunca esconderam, ao menos são francos, na manifestação do seu desprezo pelos cidadãos e pelo seu trabalho.
Publicada por
Fernando de Carvalho Santos e Silva
à(s)
20:27
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
complementos de reforma
A estação Terreiro do Paço em março de 2015
Embora o momento atual, para o metropolitano de Lisboa, esteja dominado pela crise da nova Transportes de Lisboa e das subconcessões , penso que podemos e devemos reservar alguma parte da nossa atenção para questões aparentemente áridas, mas importantes, pelo menos numa perspetiva de médio e longo prazos, como seja a manutenção das estações (toda e qualquer construção, sistema ou equipamento necessita de manutenção).
A propósito de subconcessões, recordo que a ideia de um operador único (não concedente) é também uma ideia de esquerda; tudo depende do que é que as coisas estão ao serviço, do respeito pela natureza estratégica da atividade de transportes, e da hierarquização dos fatores de produção, incluindo os humanos; os critérios de decisão de uma empresa assim deverão, para cumprir os requisitos científicos, respeitar sempre a segurança, o conforto e a eficiência energética; por exemplo, querer resolver problemas de transporte com veículos de rodas de borracha, por mais evoluido que seja o seu motor de combustão interna, é um desperdício energético pago pelos contribuintes, e infelizmente isso é dificil de compreender pelos decisores, mas a discussão sobre os modos de transporte mais eficientes seria uma conversa muito longa que deveria levar ao estabelecimento de mais uma lista, a dos investimentos a submeter a candidaturas aos fundos comunitários.
Passageiro atento deu-me conta do progresso das infiltrações na estação do Terreiro do Paço e manifestou preocupação pela resistência das armaduras à corrosão marítima.
Eu penso que há na estação 3 tipos de infiltração e que a situação ainda não é grave. Mas num dos casos sê-lo-á a médio prazo com alguma probabilidade.
Sabe-se que se está a reformular o plano de instrumentação e monitorização do túnel e estação, e que decorre o plano de manutenção geral das galerias. No entanto, penso que neste caso conviria tomar algumas medidas para tirar dúvidas.
1 - Infiltrações na placa de cobertura e no piso ao nível da passagem pedonal de poente
Trata-se de estalactites e estalagmites devidas ao calcário nas águas pluviais (figs 1 a 7).
Durante a presidencia portuguesa da União Europeia, em 2007, foram dadas ordens ministeriais proibindo a execução dos arranjos exteriores que incluiam a impermeabilização da cobertura durante a dita presidência. Depois ficou assim, com as pressas de inauguração da estação e depois com o rebentamento da crise (figs 10 e 11).
Notar porém que no pavimento da passagem pedonal aparecem vestígios de infiltrações de água do Tejo, não parecendo haver indícios de ataque às armaduras (o que não dispensa a monitorização, claro) (figs 8 e 9).
Notar ainda que não se encontra corrigida, embora protegida por estrutura metálica, a deslocação de um dos elementos do primeiro arco junto do torreão nascente (figs 12, 13, 14, 16, 29)
que poderá ter sido causada pelo assentamento progressivo do torreão antes da obra da estação (que em princípio veio parar esse assentamento), por solicitação sísmica ao nível do pavimento do primeiro piso, por deformação por dilatação térmica, por assentamento devido à construção da passagem pedonal poente que foi executada depois da estrutura da estação, ou por realização de obras internas debilitando a estrutura de abóbadas.
Penso que deveria esclarecer-se a questão deste arco, em colaboração com o ministério das finanças e a direção do património arquitetónico, notando que existem alvos topográficos para a monitorização (figs 30 e 31) (extensivo à monitorização do torreão poente, cujo assentamento foi parado pela construção do metropolitano -fig.15).
2 - Infiltrações ao nível do 1º piso acima do cais e nas paredes das escadas do lado norte dos cais (figs 18 a 25)
Põe-se a hipótese de serem devidas ao calcário da água, mas nesta zona, já água do Tejo, infiltrando-se através das estacas secantes do lado norte aos níveis referidos.
Tratando-se de água salgada, põe-se também a hipótese do pó que aparece nas colunas junto das escadas ser indício de carbonatação. E neste caso isso teria alguma gravidade por indiciar corrosão eletroquímica em que a armadura funciona como ânodo, oxidando, e o eletrólito é a água salgada, com cloretos, sendo o carbonato de cálcio um dos produtos da reação.
Salvo melhor opinião, poderão alargar-se as zonas afetadas, preenchê-las com resinas e monitorizar o comportamento futuro, mas penso que mais correto seria, para tirar dúvidas, analisar a natureza química do pó que aparece nas colunas (sondagens com fenolftaleína) e, sendo carbonato de cálcio, submeter as armaduras a medições de potencial elétrico (na altura da construção da galeria da Pontinha para a Amadora foi pedido á FERCONSULT para incluir no seu normativo de construção a acessibilidade das armaduras para efeito destas medições de potencial elétrico) e, se comprovada a existencia de processos eletroquímicos, aplicar o tratamento anti-corrosivo eletroquímico, com injeção de corrente contínua através de um elétrodo adicional.
De meu conhecimento, em Portugal apenas existe "know-how" no Laboratório de Engenharia Civil e na empresa iCorr, mas evidentemente que pode haver mais. Em qualquer caso, penso que se impõe a análise química do pó que aparece nas colunas.
3 - Infiltrações ao nível do cais e da via no lado poente (figs 26 a 28)
Trata-se de infiltrações de água do Tejo na zona do emboque poente, podendo ser consideradas normais e não parecendo haver indícios de carbonatação. Neste caso é essencial continuar a monitorização com alvos topográficos para controle dos parâmetros geométricos da galeria e da via. Conviria também monitorizar a corrosão de armários de equipamentos e das esteiras de cabos.
Publicada por
Fernando de Carvalho Santos e Silva
à(s)
19:37
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
manutenção,
metropolitano de Lisboa,
Terreiro do Paço
Conferências Portugal 2020
O DN/Dinheiro Vivo organizou um ciclo de conferências sobre a aplicação de fundos comunitários.
Salvo melhor opinião, a orientação é ignorar que, contrariamente à perceção geral, às ideias do governo e ao interesse de alguns grupos económicos, o país de encontra carente de investimento em infraestruturas, nomeadamente portuárias, ferroviárias e energéticas que o liguem minimamente à Europa.
Registo assim 3 documentos sobre a questão:


Salvo melhor opinião, a orientação é ignorar que, contrariamente à perceção geral, às ideias do governo e ao interesse de alguns grupos económicos, o país de encontra carente de investimento em infraestruturas, nomeadamente portuárias, ferroviárias e energéticas que o liguem minimamente à Europa.
Registo assim 3 documentos sobre a questão:
1 – email enviado em 25 de março de 2015:
Exmo
Senhor Diretor
Referindo-me
ao vosso anúncio do ciclo de conferências Portugal 2020, iniciativa certamente meritória,
venho chamar a sua atenção para o que, salvo melhor opinião, constitui uma
desinformação.
Cito
do anúncio: “A prioridade é a deslocação do investimento das infraestruturas,
onde estamos acima da média europeia, para a competitividade …”
Ora,
se é verdade que os nossos indicadores de autoestradas estão acima da média
europeia, já na ferrovia o país se encontra muito atrasado, com cerca de 31km
de via férrea por 1000 km2 de superfície do país, quando a média europeia é de
cerca de 46 km/1000 km2.
De
referir ainda que, contrariamente á perceção geral (sem que a comunicação
social se tenha preocupado em esclarecer a questão) a aplicação de fundos
comunitários entre 2000 e 2009 foi, de acordo com Marvão Pereira em
Investimento públicos, ed.Fundação Manuel dos Santos, de 13,15% para
autoestradas e de 16,19% para infraestruturas de telecomunicações.
E
segundo o boletim de monitorização dos fundos QREN de 2007-2013, apenas 28% das
verbas foram aplicadas em “Valorização do território”.
Foram
ainda desaproveitados 600 milhões de euros.
Com
base neste números, não parece assim ser verdadeira a afirmação do vosso
anúncio, encontrando-se o nosso país gravemente carente de infraestruturas
portuárias e ferroviárias, onde se deveria investir com o apoio da União
Europeia.
Cito
Juncker: “«Estes investimentos suplementares devem
centrar-se nas infraestruturas, nomeadamente nas redes de banda larga e redes
de energia, bem como nas infraestruturas de transporte em centros industriais; na educação,
investigação e inovação; nas energias renováveis e na eficiência energética. É
conveniente afetar recursos significativos a projetos suscetíveis de ajudar os
jovens a voltarem a encontrar empregos.»
Por
tudo isto, julgo que os termos do vosso anúncio deveriam ser corrigidos.
Com os
melhores cumprimentos
2 - Email enviado em 14 de novembro de 2014:
A propósito do anuncio
na imprensa da vossa iniciativa "Conferencias Portugal 2020", a
qual merece aplauso pela oportunidade e pela utilidade, venho sugerir uma
correção ao texto do anuncio.
Referem V.Exas no
anuncio que "A prioridade é a deslocação do investimento das
infraestruturas, onde estamos acima da média europeia, para a competitividade e
internacionalização das empresas".
Ora, sendo certo que os
índices de auto-estradas nacionais estão acima da média europeia, já não se
poderá dizer o mesmo de setores essenciais para a economia como as
infraestruturas ferroviárias, de águas e saneamento, portuárias ou
aero-portuárias.
Nestas condições, os
termos referidos do anuncio podem induzir em erro a opinião pública, fazendo-a
crer que também nos setores em que Portugal ostenta um atraso enorme
relativamente à Europa o investimento deveria deslocar-se das infraestruturas
para o apoio às empresas.
Deve ainda referir-se
que o atraso nas comunicações ferroviárias, quer de passageiros, quer de
mercadorias, se traduz em grave desperdício energético considerando a menor
eficiencia energética dos modos aéreo ou rodoviário e a grave dependencia do
setor de transportes relativamente à importação de combustíveis fosseis.
Acresce que o
investimento no setor ferroviário é suscetível de contribuição a 85% de fundos
comunitários, o que contribuirá para a redução do defice orçamental. Chama-se a atenção para que o seu aproveitamento
exige a apresentaçãoà comissão europeia de programas-base de
empreendimentos credíveis até ao mês de fevereiro de 2015, o que, pela
proximidade, exigiria que já se estivesse vivendo um período de amplo debate
público sobre as escolhas a fazer.
Pelas razões expostas me
parece que seria útil alterar o texto do anuncio.
Melhores cumprimentos e
votos de sessões produtivas.
3 – “post” no blogue em domingo, 18 de janeiro de 2015
O fim da linha - os fundos comunitários
O fim da linha - os fundos comunitários
O fim da linha, ou o fim da estrada, são expressões coloquiais usadas para marcar o fim de uma atividade, de uma empresa, de um projeto, de uma vida.
O fim da linha chega a 26 de fevereiro.
Ou pelo menos parece, porque o secretismo do governo é grande.
E os decisores, qualquer que seja o seu nível, no governo ou nas instituições, continuam a seguir o costume mau português de segregar a informação, para que a sua insegurança seja compensada com a sensação de superioridade por deterem informação que a maioria desconhece.
26 de fevereiro é o prazo para apresentação de candidaturas aos fundos comunitários.
Atempadamente (outubro de 2013) foi divulgado pela comissão europeia que seriam disponibilizados fundos comunitários, que poderiam atingir 85% a fundo perdido, para investimento, nomeadamente nos corredores ferroviários de ligação à Europa, de que o atlântico, Lisboa-França, detinha a 3ª prioridade em 30.
Este é o programa europeu CEF - connecting Europe facility, a que estão alocados numa primeira fase 11,9 mil milhões de euros, como seed-capital (capital semente), e que considera as ligações ferroviárias Lisboa-Caia-Madrid-Irun e Aveiro-Salamanca.
Para além deste programa, o presidente da comissão europeia Juncker propôs um plano para 3 anos de investimento para a Europa com uma garantia de 21 mil milhões de euros (16 mil milhões para investimentos de longo prazo, mais 5 mil milhões para PME) a induzir investimentos de 315 mil milhões.
Há ainda o novo QREN para 2014-2020 (Horizonte 2020), dotado com 25 mil milhões de euros, incluindo agricultura e pescas.
Os bonzos, porém (que me perdoem os bonzos chineses) acharam que o país já tinha infraestruturas demais.
É natural que achassem.
Bonzos ocidentais não constroem caminhos de ferro, nem portos para porta-contentores de grande capacidade, nem compreendem as variáveis que entram nessas questões, e andam muito, muito pouco, de comboio.
Consta que ainda houve bem intencionados que reenviaram a Bruxelas, para o plano de Juncker, a lista de investimentos do GT-IEVA (grupo de trabalho para investimentos de elevado valor acrescentado, em que parte significativa são investimentos específicos da conta da respetiva empresa), num montante de 16 mil milhões de euros.
Bonzos ocidentais preferem debitar receitas neo-liberais apreendidas nas faculdade de cursos de "papel e lápis" com as doutrinas de Haiek ou Friedman, sempre muito preocupados com o individualismo e a livre iniciativa, nada preocupados com a informação assimétrica, a escassez e as externalidades, que como se sabe, dão cabo de qualquer funcionamento de mercado.
Os atuais governantes insistem que só as empresas funcionando em mercado livre podem fazer o país sair da armadilha económico-financeira em que se encontra.
Por isso aplaudem os seminários que se fazem com os empreendedores ansiosos por beneficiarem de financiamentos europeus, e académicos e divulgadores/comentadores, a maioria com irrelevante experiencia nas frentes de trabalho das empresas, a explicarem as virtudes da competitividade e da inovação como panaceia.
A mensagem que sistematicamente divulgam através da comunicação social é a de que no QREN de 2007-2013 o país desperdiçou os fundos comunitários em infraestruturas de reduzida utilização, nomeadamente autoestradas.
Justificam assim a aplicação dos fundos do programa para 2014-2020.
Só que ... mentem.
De acordo com Marvão Pereira, em "Os investimentos públicos em Portugal", ed. Fundação Francisco Manuel dos Santos, entre 2000 e 2009 os investimentos públicos em infraestruturas foram em média anual 4,52% do PIB, repartindo-se por:
- infraestruturas rodoviárias convencionais.......................................... 20,16%
- ferroviárias .........................................................................................12,37%
- autoestradas ......................................................................................13,15%
- portos e aeroportos ............................................................................ .2,58%
- infraestruturas de saúde ......................................................................5,83%
- de educação ....................................................................................... 5,21%
- de telecomunicações .........................................................................16,19%
- básicas (refinarias, redes de gás, eletricidade, águas e residuos......24,51%
Isto é, gastou-se mais em infraestruturas de telecomunicações do que em autoestradas (a preços atuais, sem contar com os custos financeiros posteriores das PPP, elimináveis se se resgatassem as dívidas pelo valor da obra).
Por outro lado, de acordo com o boletim governamental de monitorização dos fundos QREN 2007-2013 de setembro de 2014, a execução, por grande tema, foi:
- potencial humano......................... 47%,
- fatores de competitividade .......... 25%,
- valorização territorial .................. 28%.
Sendo que na repartição das verbas para o potencial humano se incluem:
- 24% para a rede escolar
- 27% para qualificação de jovens
- 20% para qualificação de adultos
Para os fatores de competitividade foram:
- 62% para inovação e renovação empresarial
Para a valorização territorial:
- 34% para a mobilidade (ferrovia Sines-Caia, metro do Porto, CRIL Buraca-Pontinha, autoestrada transmontana)
- 26% para ambiente e águas urbanas
- 18% para cidades
- 14% para equipamentos sociais, cultura e lazer
Isto é, a aplicação dos fundos em infraestruturas foi minoritária, ao contrário do que a propaganda oficial quer fazer crer.
Receia-se assim, fundadamente, que Portugal perca a oportunidade, por ultrapassagem do prazo de 26 de fevereiro de 2015, de desenvolver as ligações ferroviárias em bitola europeia para passageiros e mercadorias Lisboa/Sines-Poceirão-Caia-Irun e Aveiro-Salamanca (exigindo esta ligação uma linha quase toda nova), ampliação das infraestruturas portuárias de Aveiro e Lisboa (se não construido o terminal de contentores a jusante da Cova do Vapor, pelo menos executar o fecho da Golada), o reforço das interligações de linhas de transmissão com Espanha, a ligação em muito alta tensão de corrente continua à rede elétrica francesa, a construção de barragens com bombagem (potencial de 5 GW) para absorção do excesso de produção eólica, desenvolvimento de frotas de veículos elétricos rodoviários alimentação por baterias ou por hidrogénio produzido descentralizadamente a partir da energia eólica, reabilitação urbana com isolamento térmico e emparcelamento, proteção florestal e desenvolvimento de centrais de biomassa e de resíduos urbanos, desenvolvimento da aquacultura, etc, etc. (no caso do metropolitano de Lisboa, relembram-se as dificuldades burocráticas que têm impedido a alocação de verbas para conclusão da estação Reboleira de correspondência com a CP, da ampliação das estações de Areeiro e de Arroios, e da adaptação das principais estações a pessoas com mobilidade reduzida).
Ressalvo que, dada a natureza secretista do governo, é possivel que alguma coisa de útil se esteja fazendo quanto a infraestruturas, mas isso seria uma agradável surpresa.
Receio que seja mesmo o fim da linha, uma oportunidade perdida, com Espanha a resolver os seus problemas, nomeadamente ferrovia e portos, sem coordenação com a parte portuguesa.
O que apenas continuaria a melhor tradição das questões comuns com Espanha da água, da energia elétrica e vias de transporte rodoviário e ferroviário, e em conformidade com a referência histórica do embaixador de Filipe II ao regressar da sua viagem a Lisboa para apresentar a candidatura à coroa portuguesa: "os portugueses são gente estranha".
Como escreveu Daniel Gros, diretor no Centro de Estudos Politicos Europeu, "A razão pela qual ainda não existe uma boa interligação entre as redes de energia espanhola e francesa não é a falta de financiamento, mas a falta de vontade dos monopólios de ambos os lados da fronteira de abrir os seus mercados. Muitos projetos ferroviários e rodoviários também avançam lentamente, devido à oposição local e não à falta de financiamento. Estas são as verdadeiras barreiras ao investimento em infraestruturas na Europa."
Assenta como uma luva ao atual governo, a opor-se às ligações ferroviárias e a vender a esperança na competitividade das empresas...Depois ofendem-se muito quando a crítica é de que são opções ideológicas neo-liberais.
Sobre este assunto ver documentação, de que a maioria se deve à recolha atenta, que agradeço, pelo colega Mário Ribeiro, em:
http://1drv.ms/1ue6zBE
PS em 19 de janeiro: É interessante comparar o discurso de propaganda, sobre os fundos comunitários, do senhor primeiro ministro e do senhor ministro Poiares Maduro, com o discurso do presidente da CE, Juncker:
«A minha primeira prioridade como Presidente da Comissão será reforçar a competitividade da
Europa e estimular o investimento para a criação de emprego.»
«Precisamos de um investimento mais inteligente e, aquando da utilização dos fundos públicos
[disponíveis a nível da UE], de mais precisão, menos legislação e mais flexibilidade.»
«Se assim atuarmos poderemos mobilizar até 300 mil milhões de EUR de investimento público e privado adicional na economia real nos próximos três anos.»
«Estes investimentos suplementares devem centrar-se nas infraestruturas, nomeadamente nas redes de banda larga e redes de energia, bem como nas infraestruturas de transporte em centros industriais; na educação, investigação e inovação; nas energias renováveis e na eficiência energética. É conveniente afetar recursos significativos a projetos suscetíveis de ajudar os jovens a voltarem a encontrar empregos.»
(Orientações políticas de Jean-Claude Juncker, Presidente da Comissão Europeia, apresentadas ao Parlamento Europeu em 15 de julho de 2014).
O fim da linha chega a 26 de fevereiro.
Ou pelo menos parece, porque o secretismo do governo é grande.
E os decisores, qualquer que seja o seu nível, no governo ou nas instituições, continuam a seguir o costume mau português de segregar a informação, para que a sua insegurança seja compensada com a sensação de superioridade por deterem informação que a maioria desconhece.
26 de fevereiro é o prazo para apresentação de candidaturas aos fundos comunitários.
Atempadamente (outubro de 2013) foi divulgado pela comissão europeia que seriam disponibilizados fundos comunitários, que poderiam atingir 85% a fundo perdido, para investimento, nomeadamente nos corredores ferroviários de ligação à Europa, de que o atlântico, Lisboa-França, detinha a 3ª prioridade em 30.
Este é o programa europeu CEF - connecting Europe facility, a que estão alocados numa primeira fase 11,9 mil milhões de euros, como seed-capital (capital semente), e que considera as ligações ferroviárias Lisboa-Caia-Madrid-Irun e Aveiro-Salamanca.
Para além deste programa, o presidente da comissão europeia Juncker propôs um plano para 3 anos de investimento para a Europa com uma garantia de 21 mil milhões de euros (16 mil milhões para investimentos de longo prazo, mais 5 mil milhões para PME) a induzir investimentos de 315 mil milhões.
Há ainda o novo QREN para 2014-2020 (Horizonte 2020), dotado com 25 mil milhões de euros, incluindo agricultura e pescas.
Os bonzos, porém (que me perdoem os bonzos chineses) acharam que o país já tinha infraestruturas demais.
É natural que achassem.
Bonzos ocidentais não constroem caminhos de ferro, nem portos para porta-contentores de grande capacidade, nem compreendem as variáveis que entram nessas questões, e andam muito, muito pouco, de comboio.
Consta que ainda houve bem intencionados que reenviaram a Bruxelas, para o plano de Juncker, a lista de investimentos do GT-IEVA (grupo de trabalho para investimentos de elevado valor acrescentado, em que parte significativa são investimentos específicos da conta da respetiva empresa), num montante de 16 mil milhões de euros.
Bonzos ocidentais preferem debitar receitas neo-liberais apreendidas nas faculdade de cursos de "papel e lápis" com as doutrinas de Haiek ou Friedman, sempre muito preocupados com o individualismo e a livre iniciativa, nada preocupados com a informação assimétrica, a escassez e as externalidades, que como se sabe, dão cabo de qualquer funcionamento de mercado.
Os atuais governantes insistem que só as empresas funcionando em mercado livre podem fazer o país sair da armadilha económico-financeira em que se encontra.
Por isso aplaudem os seminários que se fazem com os empreendedores ansiosos por beneficiarem de financiamentos europeus, e académicos e divulgadores/comentadores, a maioria com irrelevante experiencia nas frentes de trabalho das empresas, a explicarem as virtudes da competitividade e da inovação como panaceia.
A mensagem que sistematicamente divulgam através da comunicação social é a de que no QREN de 2007-2013 o país desperdiçou os fundos comunitários em infraestruturas de reduzida utilização, nomeadamente autoestradas.
Justificam assim a aplicação dos fundos do programa para 2014-2020.
Só que ... mentem.
De acordo com Marvão Pereira, em "Os investimentos públicos em Portugal", ed. Fundação Francisco Manuel dos Santos, entre 2000 e 2009 os investimentos públicos em infraestruturas foram em média anual 4,52% do PIB, repartindo-se por:
- infraestruturas rodoviárias convencionais.......................................... 20,16%
- ferroviárias .........................................................................................12,37%
- autoestradas ......................................................................................13,15%
- portos e aeroportos ............................................................................ .2,58%
- infraestruturas de saúde ......................................................................5,83%
- de educação ....................................................................................... 5,21%
- de telecomunicações .........................................................................16,19%
- básicas (refinarias, redes de gás, eletricidade, águas e residuos......24,51%
Isto é, gastou-se mais em infraestruturas de telecomunicações do que em autoestradas (a preços atuais, sem contar com os custos financeiros posteriores das PPP, elimináveis se se resgatassem as dívidas pelo valor da obra).
Por outro lado, de acordo com o boletim governamental de monitorização dos fundos QREN 2007-2013 de setembro de 2014, a execução, por grande tema, foi:
- potencial humano......................... 47%,
- fatores de competitividade .......... 25%,
- valorização territorial .................. 28%.
Sendo que na repartição das verbas para o potencial humano se incluem:
- 24% para a rede escolar
- 27% para qualificação de jovens
- 20% para qualificação de adultos
Para os fatores de competitividade foram:
- 62% para inovação e renovação empresarial
Para a valorização territorial:
- 34% para a mobilidade (ferrovia Sines-Caia, metro do Porto, CRIL Buraca-Pontinha, autoestrada transmontana)
- 26% para ambiente e águas urbanas
- 18% para cidades
- 14% para equipamentos sociais, cultura e lazer
Isto é, a aplicação dos fundos em infraestruturas foi minoritária, ao contrário do que a propaganda oficial quer fazer crer.
Receia-se assim, fundadamente, que Portugal perca a oportunidade, por ultrapassagem do prazo de 26 de fevereiro de 2015, de desenvolver as ligações ferroviárias em bitola europeia para passageiros e mercadorias Lisboa/Sines-Poceirão-Caia-Irun e Aveiro-Salamanca (exigindo esta ligação uma linha quase toda nova), ampliação das infraestruturas portuárias de Aveiro e Lisboa (se não construido o terminal de contentores a jusante da Cova do Vapor, pelo menos executar o fecho da Golada), o reforço das interligações de linhas de transmissão com Espanha, a ligação em muito alta tensão de corrente continua à rede elétrica francesa, a construção de barragens com bombagem (potencial de 5 GW) para absorção do excesso de produção eólica, desenvolvimento de frotas de veículos elétricos rodoviários alimentação por baterias ou por hidrogénio produzido descentralizadamente a partir da energia eólica, reabilitação urbana com isolamento térmico e emparcelamento, proteção florestal e desenvolvimento de centrais de biomassa e de resíduos urbanos, desenvolvimento da aquacultura, etc, etc. (no caso do metropolitano de Lisboa, relembram-se as dificuldades burocráticas que têm impedido a alocação de verbas para conclusão da estação Reboleira de correspondência com a CP, da ampliação das estações de Areeiro e de Arroios, e da adaptação das principais estações a pessoas com mobilidade reduzida).
Ressalvo que, dada a natureza secretista do governo, é possivel que alguma coisa de útil se esteja fazendo quanto a infraestruturas, mas isso seria uma agradável surpresa.
Receio que seja mesmo o fim da linha, uma oportunidade perdida, com Espanha a resolver os seus problemas, nomeadamente ferrovia e portos, sem coordenação com a parte portuguesa.
O que apenas continuaria a melhor tradição das questões comuns com Espanha da água, da energia elétrica e vias de transporte rodoviário e ferroviário, e em conformidade com a referência histórica do embaixador de Filipe II ao regressar da sua viagem a Lisboa para apresentar a candidatura à coroa portuguesa: "os portugueses são gente estranha".
Como escreveu Daniel Gros, diretor no Centro de Estudos Politicos Europeu, "A razão pela qual ainda não existe uma boa interligação entre as redes de energia espanhola e francesa não é a falta de financiamento, mas a falta de vontade dos monopólios de ambos os lados da fronteira de abrir os seus mercados. Muitos projetos ferroviários e rodoviários também avançam lentamente, devido à oposição local e não à falta de financiamento. Estas são as verdadeiras barreiras ao investimento em infraestruturas na Europa."
Assenta como uma luva ao atual governo, a opor-se às ligações ferroviárias e a vender a esperança na competitividade das empresas...Depois ofendem-se muito quando a crítica é de que são opções ideológicas neo-liberais.
Sobre este assunto ver documentação, de que a maioria se deve à recolha atenta, que agradeço, pelo colega Mário Ribeiro, em:
http://1drv.ms/1ue6zBE
PS em 19 de janeiro: É interessante comparar o discurso de propaganda, sobre os fundos comunitários, do senhor primeiro ministro e do senhor ministro Poiares Maduro, com o discurso do presidente da CE, Juncker:
«A minha primeira prioridade como Presidente da Comissão será reforçar a competitividade da
Europa e estimular o investimento para a criação de emprego.»
«Precisamos de um investimento mais inteligente e, aquando da utilização dos fundos públicos
[disponíveis a nível da UE], de mais precisão, menos legislação e mais flexibilidade.»
«Se assim atuarmos poderemos mobilizar até 300 mil milhões de EUR de investimento público e privado adicional na economia real nos próximos três anos.»
«Estes investimentos suplementares devem centrar-se nas infraestruturas, nomeadamente nas redes de banda larga e redes de energia, bem como nas infraestruturas de transporte em centros industriais; na educação, investigação e inovação; nas energias renováveis e na eficiência energética. É conveniente afetar recursos significativos a projetos suscetíveis de ajudar os jovens a voltarem a encontrar empregos.»
(Orientações políticas de Jean-Claude Juncker, Presidente da Comissão Europeia, apresentadas ao Parlamento Europeu em 15 de julho de 2014).
Publicada por
Fernando de Carvalho Santos e Silva
à(s)
18:00
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas:
fundos comunitários,
infraestruturas,
QREN
domingo, 15 de março de 2015
McKinney Moller, navio porta contentores, em Algeciras
Mc Kinney Moller, navio porta contentores, que pela primeira vez transportou mais de 18 000 TEU num porto, em Algeciras. 165 000 gr ton, 400m de comprimento, 59m de largura, 16m de calado, 64 MW de potencia, capacidade 18 300 TEU, menos 37% de consumo de energia por contentor relativamente aos navios de 15 000 TEU (verifica-se o desmantelamento de navios mais pequenos até cerca de 250 000 TEU de capacidade por ano).
Movimento anual em milhões de TEU dos principais portos europeus:
Roterdao 11
Hamburgo 9
Antuerpia 8
Bremerhaven 5
Algeciras 4
Sines 1,2
Dimensões dos porta contentores (dimensionamento do terminal do Barreiro para 3000 TEU):
![]() |
| http://maersklinesocial.com/wp-content/uploads/2015/01/IMG_2862.jpg |
Movimento anual em milhões de TEU dos principais portos europeus:
Roterdao 11
Hamburgo 9
Antuerpia 8
Bremerhaven 5
Algeciras 4
Sines 1,2
Dimensões dos porta contentores (dimensionamento do terminal do Barreiro para 3000 TEU):
Publicada por
Fernando de Carvalho Santos e Silva
à(s)
02:40
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Subscrever:
Mensagens (Atom)






































.png)