sábado, 19 de setembro de 2015
Campanha eleitoral, Psicologia social III - falas de governantes
A atual senhora ministra das finanças é cabeça de lista por Setúbal nas eleições legislativas de outubro de 2015.
Em debate com as outras candidatas e candidato, não me surpreende o distanciamento com que ouve a crítica de outra candidata relatando a recusa do atual governo em promover a linha ferroviária (tem de ser nova devido aos declives da existente) para servir o porto de Sines e também o desenvolvimento deste. A senhora ministra não tem conhecimentos de gestão industrial e não tem sensibilidade para avaliar a necessidade de incluir os dados dessa disciplina nos seus quadros de Excel.
Mas o que reteve a minha atenção foi a resposta que ela deu ao outro candidato quando se discutia um problema relativamente complexo da área bancária: "Para mim é fácil explicar, o senhor é que poderá ter dificuldade em perceber".
Temos assim, dum lado, quem teve acesso à sabedoria e que tem capacidade para entender as coisas. E do outro os ignorantes e de capacidade de entendimento limitada.
Pode ter sido um lapso, uma sobreposição do subconsciente, mas que revela, por uma falta de controle temporária, o verdadeiro pensamento da senhora, quem se opõe é inferior.
Consulto então o já citado "Livro da Psicologia" para me esclarecer como pode isto acontecer. E ele explica, a propósito dos trabalhos de Anna Freud, filha de Sigmund, sobre a divisão do aparelho psíquico em 3 partes: o ego, o superego e o id.
O id procura a satisfação das necessidades básicas; o superego é virtuoso (no caso da senhora ministra resultará da sua formação superior na escola de Chicago); o ego toma as decisões.
Porém, o contexto adverso (candidatos da oposição contrariando o superego com os podres e os falhanços da governação) pode criar ansiedade e então o ego tem necessidade de desenvolver mecanismos de defesa. Não tendo a senhora ministra vocação para os mecanismos habituais que recorrem ao humor ou à sublimação, resta-lhe a negação (por mais evidente que seja um facto, ela continuará a dizer que não; por exemplo, o aumento do défice devido à injeção de 3900 milhões de euros no fundo de resolução do banco bom é apenas um efeito "meramente estatístico") ou o distanciamento (a recusa de considerar dados).
Salvo melhor opinião, a Constituição da República devia prever mecanisnos de controle psicológico dos orgãos do seu Estado. Para melhorar a sua eficiencia, claro.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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01:57
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As minorias, por vezes, também se ouvem
Devemos todos conviver, as maiorias e as minorias. E convém ouvir estas, por vezes. Nada obriga, na Física e na Estatística, que as melhores decisões sejam tomadas sempre pelas maiorias, embora seja dificil definir "melhores decisões".
Surpreendentemente, leio nas notícias um bispo jesuíta concordar com o entrevistador que se deve tentar uma solução negociada para a guerra com o Estado Islamico, que devem procurar-se mediadores. Contraria os estereotipos veiculados pela comunicação social.
Também surpreendentemente, vejo no programa Prós e Contras, que tantas vezes é apenas uma montra de exibicionistas, Nuno Garoupa afirmar que o poder judicial em Portugal não deve continuar em "auto-governo".
Trata-se de questão importantissima para o nosso país. O poder judicial deve ser independente, mas não pode viver em isolamento autista, corporativo e imune à crítica.
Há muitos anos que a gestão das empresas sabe que o departamento de qualidade tem de ser independente da hierarquia da empresa. Mas que todos os departamentos da empresa, incluindo o departamento da qualidade, devem viver em controle mútuo.
Não pode haver pensamentos e ações únicos, mesmo que sejam decididos ou delegados por maiorias.
Salvo melhor opinião, claro.
PS em 20 de setembro de 2015 - A propósito da guerra na Síria, origem de muitos refugiados, é vergonhosa a recusa das grandes potencias (USA, Russia, China, Irão, Arabia Saudita) em encontrar soluções pela diplomacia; ver
https://www.youtube.com/watch?v=nvo755oezdQ#t=10
Surpreendentemente, leio nas notícias um bispo jesuíta concordar com o entrevistador que se deve tentar uma solução negociada para a guerra com o Estado Islamico, que devem procurar-se mediadores. Contraria os estereotipos veiculados pela comunicação social.
Também surpreendentemente, vejo no programa Prós e Contras, que tantas vezes é apenas uma montra de exibicionistas, Nuno Garoupa afirmar que o poder judicial em Portugal não deve continuar em "auto-governo".
Trata-se de questão importantissima para o nosso país. O poder judicial deve ser independente, mas não pode viver em isolamento autista, corporativo e imune à crítica.
Há muitos anos que a gestão das empresas sabe que o departamento de qualidade tem de ser independente da hierarquia da empresa. Mas que todos os departamentos da empresa, incluindo o departamento da qualidade, devem viver em controle mútuo.
Não pode haver pensamentos e ações únicos, mesmo que sejam decididos ou delegados por maiorias.
Salvo melhor opinião, claro.
PS em 20 de setembro de 2015 - A propósito da guerra na Síria, origem de muitos refugiados, é vergonhosa a recusa das grandes potencias (USA, Russia, China, Irão, Arabia Saudita) em encontrar soluções pela diplomacia; ver
https://www.youtube.com/watch?v=nvo755oezdQ#t=10
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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01:25
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quinta-feira, 17 de setembro de 2015
Campanha eleitoral, Psicologia social II - Homem irracional
Coincidencia curiosa. Estreia-se em Portugal em plena campanha eleitoral o filme Homem irracional de Woody Allen. E encontro o texto de Fernando Pessoa, agressivo para os eleitores que preferem ter um automóvel a viver numa sociedade de pleno emprego (se admitirmos que o emprego é um pilar indispensável para a felicidade), o Homem é um animal irracional:
Curiosa a coincidencia entre o pensamento de Woody Allen e o de Fernando Pessoa. Se este diz que "toda a vida da humanidade é uma coisa fútil, não se percebe para que há", Woody Allen diz "o universo é aleatório, moralmente neutro e inimaginavelmente violento" (Setembro, filme de 1987).
Perante estas afirmações desencorajadoras, convinha que a campanha eleitoral se centrasse nas capacidades dos cidadãos e cidadãs para ultrapassar estas complexidades.
Nomeadamente exigindo que o próximo governo, providenciando os necessários projetos, resolva as questões da energia primária, das infraestruturas de transporte ferroviário e portuárias, e da reabilitação urbana efetiva (isto é, suscetível de contribuir para o repovoamento dos centros das cidades) com o apoio dos fundos comunitários.
É isso, fazer uma campanha eleitoral sem falar nisto é irracional.
Socorramo-nos pois, para reagir pela oposição, do já citado "O livro da Psicologia", ed.Marcador, no seu capítulo de Psicologia social: "As preferencias não são racionais. A preferencia pelos estímulos conhecidos (as decisões de um governo, comento eu), mesmo subliminares, baseia-se exclusivamente na história da exposição aos mesmos e não é afetada pelas convicções ou atitudes manifestadas pela pessoa. Gosta-se mais daquilo com que se tem familiaridade. Associamos à novidade a incerteza e o conflito, estados que provocam afetos negativos. Não há aqui uma opinião racional, antes uma opinião formada a nível subconsciente" (Robert Zajonc, 1968).
1. O homem é um animal irracional, exactamente como os outros. A única
diferença é que os outros são animais irracionais simples, o homem é um animal
irracional complexo. É esta a conclusão que nos leva a psicologia científica,
no seu estado actual de desenvolvimento. O subconsciente, inconsciente, é que
dirige e impera, no homem como no animal. A consciência, a razão, o raciocínio
são meros espelhos. O homem tem apenas um espelho mais polido que os animais
que lhe são inferiores.
2. Sendo assim, toda a vida social procede de irracionalismos vários, sendo absolutamente impossível (excepto no cérebro dos loucos e dos idiotas) a ideia de uma sociedade racionalmente organizada, ou justiceiramente organizada, ou, até, bem organizada.
3. A única coisa superior que o homem pode conseguir é um disfarce do instinto, ou seja o domínio do instinto por meio de instinto reputado superior. Esse instinto é o instinto estético. Toda a verdadeira política e toda a verdadeira vida social superior é uma simples questão de senso estético, ou de bom gosto.
4. A humanidade, ou qualquer nação, divide-se em três classes sociais verdadeiras: os criadores de arte; os apreciadores de arte; e a plebe. As épocas maiores da humanidade são aquelas em que sobressaem os criadores de arte, mas não se sabe como se realizam essas épocas, porque ninguém sabe como se produzem homens de génio.
5. Toda a vida e história da humanidade é uma coisa, no fundo, inteiramente fútil, não se percebe para que há, e só se percebe que tem que haver.
6. A plebe só pode compreender a civilização material. Julgar que ter automóvel é ser feliz é o sinal distintivo do plebeu.
O homem não sabe mais que os outros animais; sabe menos. Eles sabem o que precisam saber. Nós não.
Fernando Pessoa, in 'Reflexões Sobre o Homem - Textos de 1926-1928'
2. Sendo assim, toda a vida social procede de irracionalismos vários, sendo absolutamente impossível (excepto no cérebro dos loucos e dos idiotas) a ideia de uma sociedade racionalmente organizada, ou justiceiramente organizada, ou, até, bem organizada.
3. A única coisa superior que o homem pode conseguir é um disfarce do instinto, ou seja o domínio do instinto por meio de instinto reputado superior. Esse instinto é o instinto estético. Toda a verdadeira política e toda a verdadeira vida social superior é uma simples questão de senso estético, ou de bom gosto.
4. A humanidade, ou qualquer nação, divide-se em três classes sociais verdadeiras: os criadores de arte; os apreciadores de arte; e a plebe. As épocas maiores da humanidade são aquelas em que sobressaem os criadores de arte, mas não se sabe como se realizam essas épocas, porque ninguém sabe como se produzem homens de génio.
5. Toda a vida e história da humanidade é uma coisa, no fundo, inteiramente fútil, não se percebe para que há, e só se percebe que tem que haver.
6. A plebe só pode compreender a civilização material. Julgar que ter automóvel é ser feliz é o sinal distintivo do plebeu.
O homem não sabe mais que os outros animais; sabe menos. Eles sabem o que precisam saber. Nós não.
Fernando Pessoa, in 'Reflexões Sobre o Homem - Textos de 1926-1928'
Curiosa a coincidencia entre o pensamento de Woody Allen e o de Fernando Pessoa. Se este diz que "toda a vida da humanidade é uma coisa fútil, não se percebe para que há", Woody Allen diz "o universo é aleatório, moralmente neutro e inimaginavelmente violento" (Setembro, filme de 1987).
Perante estas afirmações desencorajadoras, convinha que a campanha eleitoral se centrasse nas capacidades dos cidadãos e cidadãs para ultrapassar estas complexidades.
Nomeadamente exigindo que o próximo governo, providenciando os necessários projetos, resolva as questões da energia primária, das infraestruturas de transporte ferroviário e portuárias, e da reabilitação urbana efetiva (isto é, suscetível de contribuir para o repovoamento dos centros das cidades) com o apoio dos fundos comunitários.
É isso, fazer uma campanha eleitoral sem falar nisto é irracional.
Socorramo-nos pois, para reagir pela oposição, do já citado "O livro da Psicologia", ed.Marcador, no seu capítulo de Psicologia social: "As preferencias não são racionais. A preferencia pelos estímulos conhecidos (as decisões de um governo, comento eu), mesmo subliminares, baseia-se exclusivamente na história da exposição aos mesmos e não é afetada pelas convicções ou atitudes manifestadas pela pessoa. Gosta-se mais daquilo com que se tem familiaridade. Associamos à novidade a incerteza e o conflito, estados que provocam afetos negativos. Não há aqui uma opinião racional, antes uma opinião formada a nível subconsciente" (Robert Zajonc, 1968).
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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Campanha eleitoral, Psicologia social I, teoria do conformismo
A senhora jornalista tristemente comentava a quase inutilidade de debater dados e propostas concretos durante a campanha eleitoral, porque as pessoas votam mais por emoção e pelas suas opções de grupo do que por motivos racionais.
De facto, analisar uma questão técnica que tem consequencias no dia a dia e no bolso dos cidadãos cansa, como por exemplo as necessidades de energia primária, ou de infraestruturas de comunicação ferroviária, e é dificil de concentrar e manter a atenção no seu estudo.
Desligados das razões que provocam realmente as coisas, os eleitores podem até votar em quem os prejudique, ou simplesmente absterem-se.
Ficou na história uma petição de escravos libertos, que pediam o regresso à escravatura por ser dificil viver em liberdade.
Então, tudo isto é um problema do cérebro humano quando se vive em grupo.
O cérebro humano acomoda-se às situações por mais incómodas que sejam e receia a mudança.
Não sou eu que o afirmo, encontro esta explicação no "livro da psicologia", de uma equipa de psicólogos, ed.Marcador (Dorling Kindersley, www.dk.com), no capítulo Psicologia Social.
Esta seria uma razão para os governos saídos de eleições não exibirem tanto orgulho na sua vitória. E por outro lado, seria uma boa razão para os partidos abdicarem do monopólio da intervenção política e consentirem numa maior participação na vida pública dos cidadãos e cidadãs, das entidades da sociedade civil, das associações profissionais, das empresas quando deixam que os seus conhecimentos técnicos se sobreponham ao interesse do lucro e da ligação ao poder político... porque as simples campanhas eleitorais não parecem ser suficientes para vencer a acomodação e a resignação.
Sem querer dar razão em todos os assuntos ao autor da citação seguinte, nomeadamente à caraterização da "corrente materialista" (eu diria a submissão ao lucro e ao mercado), parece aplicável a proposta de Alexander Soljenitsine para reduzir a parte emocional nas decisões da vida política:
"Só através de um movimento voluntário de moderação das nossas paixões, serena e aceite por nós, a humanidade pode alçar-se acima da corrente materialista que aprisiona o mundo. Ainda que nos fosse poupado sermos destruídos pela guerra, a nossa vida tem de mudar se não quiser perecer por sua própria culpa"
De facto, analisar uma questão técnica que tem consequencias no dia a dia e no bolso dos cidadãos cansa, como por exemplo as necessidades de energia primária, ou de infraestruturas de comunicação ferroviária, e é dificil de concentrar e manter a atenção no seu estudo.
Desligados das razões que provocam realmente as coisas, os eleitores podem até votar em quem os prejudique, ou simplesmente absterem-se.
Ficou na história uma petição de escravos libertos, que pediam o regresso à escravatura por ser dificil viver em liberdade.
Então, tudo isto é um problema do cérebro humano quando se vive em grupo.
O cérebro humano acomoda-se às situações por mais incómodas que sejam e receia a mudança.
Não sou eu que o afirmo, encontro esta explicação no "livro da psicologia", de uma equipa de psicólogos, ed.Marcador (Dorling Kindersley, www.dk.com), no capítulo Psicologia Social.
Esta seria uma razão para os governos saídos de eleições não exibirem tanto orgulho na sua vitória. E por outro lado, seria uma boa razão para os partidos abdicarem do monopólio da intervenção política e consentirem numa maior participação na vida pública dos cidadãos e cidadãs, das entidades da sociedade civil, das associações profissionais, das empresas quando deixam que os seus conhecimentos técnicos se sobreponham ao interesse do lucro e da ligação ao poder político... porque as simples campanhas eleitorais não parecem ser suficientes para vencer a acomodação e a resignação.
Sem querer dar razão em todos os assuntos ao autor da citação seguinte, nomeadamente à caraterização da "corrente materialista" (eu diria a submissão ao lucro e ao mercado), parece aplicável a proposta de Alexander Soljenitsine para reduzir a parte emocional nas decisões da vida política:
"Só através de um movimento voluntário de moderação das nossas paixões, serena e aceite por nós, a humanidade pode alçar-se acima da corrente materialista que aprisiona o mundo. Ainda que nos fosse poupado sermos destruídos pela guerra, a nossa vida tem de mudar se não quiser perecer por sua própria culpa"
Alexander Soljenitsine
Ultimato para uma mudança profunda
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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terça-feira, 15 de setembro de 2015
O futuro do metropolitano de Lisboa
Caro colega e amigo
Não me tendo sido possível comparecer no plenário de dia 15 de setembro de 2015 sobre o futuro do nosso metropolitano, para o qual amavelmente me convidou, envio-lhe este pequeno texto.
Como reformado do metro, tenho assistido impotente à ofensiva do atual governo contra as empresas públicas de transporte enquanto prestadoras de um serviço público.
Não reconheço competência técnica, na área dos transportes, nem aos decisores do governo, nem aos seus mentores da troika, para as decisões que têm tomado. Estes, especialmente, deveriam conhecer os resultados negativos das privatizações dos transportes ferroviários em Inglaterra.
Esta ofensiva é um insulto a todos os que dedicaram ou dedicam o seu esforço à construção, exploração e crescimento do metropolitano.
Todos sabemos que se integra na desvalorização do fator trabalho e na transferência dos rendimentos para o capital, contribuindo para o acentuar das desigualdades e das dificuldades de desenvolvimento das novas gerações (as privações na infancia dificultam o desenvolvimento intelectual).
A gestão privada da exploração do metropolitano, precisamente por ser privada, terá sempre como objetivo apresentar lucro, em detrimento da segurança, da qualidade e de perspetivas de desenvolvimento.
Mesmo que a curto prazo suporte um défice, como parece ser o caso da subconcessão à Avanza, em cujo primeiro ano eu estimo um prejuízo de 9 milhões de euros se cumprido o caderno de encargos, o que configurará uma prática de dumping.
Por mais que o repitam, o lucro obtido nunca será menor do que o diferencial de eficiência dos resultados entre a gestão pública e uma eventual mais eficiente gestão privada.
Isto é, o que a gestão privada possa vir a ganhar, reduzindo custos de pessoal com o consequente comprometimento da segurança e qualidade (desde o guarnecimento das estações, à redução das tarefas de manutenção, aos tempos de condução, à redução dos rendimentos do trabalho, à redução de ações de formação e reciclagem) não será suficiente para garantir lucro aos acionistas, considerando a razoabilidade dos indicadores que a gestão pública do metropolitano apresentava quando comparado com os metropolitanos estrangeiros.
Ou então, sem redução da qualidade, o lucro é conseguido à custa de maiores encargos para o Estado concedente.
É justificável que num serviço público de transportes as receitas de exploração possam não cobrir as despesas.
O diferencial a suportar pelas contas públicas servirá assim de contribuição para o rendimento dos particulares e das empresas, nestas como componente nos custos gerais dos custos de transporte dos seus funcionários (esta é também a fundamentação para a taxa de financiamento dos transportes que a legislação francesas aplica às empresas com mais de 5 funcionários em zonas metropolitanas, o chamado “versement transport”).
Seguramente que as receitas não poderão cobrir os encargos dos juros e amortizações devidos aos elevados investimentos realizados, que desde há muitos anos o metropolitano vinha reivindicando deverem ser levados às contas públicas e não da empresa.
Porque o que fundamenta a existência de um metropolitano é a sua maior eficiência energética quando comparado com o transporte individual ou com o transporte rodoviário.
Daí resulta uma economia na importação de combustíveis fósseis, de que o país sofre forte dependencia, sempre que se transferem deslocações do transporte individual para o metropolitano, coisa que o atual governo não verá com bons olhos, dadas as receitas fiscais que obtem com a venda de combustíveis.
E é aqui que assentará o futuro do metropolitano.
Com a garantia do conhecimento e do profissionalismo dos seus trabalhadores, a todos os níveis, o metropolitano manterá esse carater de economizador de energia no panorama nacional.
É portanto essencial manter os níveis de conhecimento das tarefas e funções em todas as categorias profissionais, preservando os procedimentos devidamente registados nas respetivas fichas de funções, nomeadamente as normas que se relacionam com a segurança, mantendo as ações de reciclagem e os setores de estudos, qualidade e projetos.
Não deveremos cruzar os braços perante a falta de dinheiro para novos investimentos.
As normas europeias permitem aplicar fundos comunitários no desenvolvimento dos metropolitanos, precisamente porque isso aumenta a eficiência energética e reduz, comparativamente com o transporte individual, a emissão de gases com efeito de estufa de acordo com os objetivos da união europeia.
A extensão à Reboleira é exemplo disso, pois beneficia do QREN 2007-2013. Foi escandaloso o atraso com que o processo se arrastou na comissão de coordenação de Lisboa e Vale do Tejo e sabe-se lá mais por onde, quando os projetos estavam mais que concluidos, mas não interessa agora perseguir culpados. Interessa que todos se dediquem a que o prolongamento à Reboleira seja levado a bom termo e que a sua colocação em serviço siga as normas de segurança.
Para beneficiar dos fundos comunitários é necessário porém que os projetos estejam devidamente concluídos e fundamentada a sua utilidade. Esta é mais uma razão para manter o “saber como” no metropolitano, uma vez que não é possível encontrá-lo no mercado nacional em todas as especialidades necessárias.
Outros exemplos de aplicação de fundos comunitários que requerem a colaboração de todos:
- a adaptação dos cais a 6 carruagens, acesso a pessoas de mobilidade reduzida e remodelação da ventilação principal nas estações de Areeiro e Arroios,
- acesso de pessoas com mobilidade reduzida nas principais estações que dele ainda não dispõem, nomeadamente nas estações de correspondencia,
- reforço dos níveis de segurança da circulação com sistemas de proteção automáticos do tipo ATP/ATO para redução da probabilidade de ocorrencia de acidentes,
- completamento do esquema básico da rede com prolongamento da linha vermelha até à linha suburbana de Cascais, com correspondência entre Alcantara e Algés e com correspondência com parque de estacionamento em Campolide para o transporte individual da A5,
- estudo de novo material circulante para satisfação do previsível aumento da procura a médio prazo (por um lado é expetável que a economia venha a crescer com consistência, e por outro lado é provável que o preço do petróleo suba, desincentivando o transporte individual)
Parece-me ser este o caminho a tentar no futuro, a empenhar os trabalhadores do metro, uma vez que na concessão em curso não se prevê que o subconcessionário contribua com estudos para o desenvolvimento do metro.
E aguardar que a subconcessão possa ser renegociada e revertida.
Relativamente aos reformados, mantém-se a esperança, enquanto os tribunais não decidem, que um novo governo reponha, pelo menos parcialmente, os complementos de reforma.
Penso que a maioria dos reformados concorda com a formalização de uma contribuição saída dos seus complementos de reforma, no pressuposto de que todos temos de fazer sacrificios, esperando-se que, nessa perspetiva, ideias como a taxação sobre as transações financeiras e sobre os lucros das financeiras e dos bancos sejam igualmente postas em prática (notar que o famoso sigilo bancário está sendo mitigado internacionalmente).
Votos das maiores felicidades
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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segunda-feira, 14 de setembro de 2015
Carissima senhora jornalista
O seu texto foi publicado já há uns dias no DN, mas eu penso que concordará que o tema é oportuno.
Escrevo-lhe porque na sua crónica diz com desalento que não tem uma conclusão esclarecedora.
E contudo, depois do acidente que relata, fez o que devia. Sofreu com a sua reconstituição mas divulgou como pôde as causas e as circunstancias em que ele se deu, não guardou silencio.
Quem não fez o que devia foram "as autoridades", como costumam designar-se as entidades que, mais do que exercerem a autoridade deveriam, ao serviço da comunidade, aplicar soluções para diminuir a sinistralidade rodoviária.
Dificilmente diminuiremos a sinistralidade sem a realização de análises rigorosas a cada acidente e proposta de soluções para os evitar.
E não vemos "as autoridades" a fazê-lo.
Quando se pedem relatórios de acidentes, o que as "autoridades" mostram são estatísticas não comentadas.
Eu penso que o jornalismo poderia aqui ajudar, levando a opinião pública a exigir o esclarecimento dos acidentes e publicando os resultados dos inquéritos.
Já teria então uma conclusão esclarecedora.
Não para o seu acidente, mas para contribuir para parar a morte nas estradas.
Escolhi para ilustrar este meu comentário a imagem de um acidente na VCI do Porto, felizmente sem mortes nem feridos graves, que retirei do DN.
O leitor ao vê-la poderá pensar que são coisas que só acontecem aos outros, ou que teve a sorte de não estar lá. Mas se fosse informado, uns dias mais tarde, das recomendações e conclusões do inquérito, poderia corrigir algum erro de condução que inconscientemente pratique, ou poderia ir criando uma cultura de exigência de segurança. Neste caso, pelo rasto dos pneus no asfalto e pela posição do camião deitado e da carrinha que o precedia, a primeira hipótese a analisar (sublinho hipótese, porque só um inquérito poderá apurar as causas) será excesso de velocidade, não respeito da distancia de segurança para o veículo de frente, com eventual colisão com a carrinha que o precedia, e insuficiente fixação do tanque ao trator (é importante investigar se a ligação ao pivot se soltou antes ou depois do camião se ter deitado; no primeiro caso a fixação era deficiente e ter-se-à partido durante a travagem e derrapagem, no segundo caso as condições de estabilidade do camião eram precárias).
Mas sobre o assunto cairá o silencio, tal como na generalidade dos casos. Fica-se sem se saber como e porque aconteceram os acidentes, embora os técnicos das companhias de seguros cheguem normalmente a conclusões corretas. E aqui entramos num domínio delicado, uma vez que as conclusões dos inquéritos das seguradoras estão relacionadas com os montantes a pagar e certamente as companhias invocarão sigilo profissional (mais uma vez o sigilo como inimigo do interesse comum).
Os inquéritos devem ser realizados por entidades oficiais ou independentes de seguradoras e não ter por objetivo a atribuição de culpas, coisa que faz parte da nossa cultura de pelourinho, antes devem ser realizados para determinar as circunstancias e as causas dos acidentes de modo a encontrar soluções para os evitar, conforme a cultura anglo-saxónica dos organismos de investigação de acidentes.
Salvo melhor opinião e sem querer ofender os seus profissionais, seria desejável que o jornalismo, se deu a notícia de um acidente, considerasse também como notícia o resultado da sua investigação e pressionar para que ela se fizesse em tempo útil.
Permito-me assim resumir o que proponho como medidas de redução da sinistralidade rodoviária, para o que julgo da maior importância a colaboração do jornalismo:
1 - divulgação sistemática da necessidade de conduzir sem excesso de velocidade, adaptando a condução às condições ambientais e guardando a distancia de segurança para o veículo precedente. Baixar a velocidade é uma medida de segurança para redução de atropelamentos, colisões e despistes, mas serve também para reduzir o consumo de energia e para preparar a aceitação de veículos elétricos
2 - divulgação obrigatória em todos os canais de TV, em horário nobre, de esclarecimentos sobre o código da estrada (regra das rotundas, restrições à mudança de via e de ultrapassagens)
3 - avaliação permanente do código da estrada e divulgação das novas medidas para aperfeiçoamento (o atual código da estrada é suscetível de melhorias na definição das condições ambientais como condicionadoras da condução, na regulação da circulação nas rotundas, na definição das condições de prioridade nas passadeiras de peões)
4 - existencia de orgãos independentes para análise de acidentes e divulgação pública das suas conclusões
5 - campanhas publicitárias intensivas de prevenção nas TVs em horário nobre, pela positiva, isto é, mostrando o comportamento correto em vez do comportamento de risco e evitando mostrar as consequencias trágicas, considerando que a reação normal das pessoas é que isso só acontece aos outros.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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sábado, 12 de setembro de 2015
Intervenção politica em período eleitoral
Vou fazer uma intervenção política neste período eleitoral, sob a forma de uma análise técnica de um problema de transito.
Os senhores jornalistas já explicaram que não se devem utilizar argumentos técnicos para discutir politica, porque afasta as pessoas.
Mas eu sou teimoso. Já o senhor comissário político que o governo de então nomeou, de acordo com a cor partidária dominante, como administrador principal do metro, começava as reuniões dizendo que não lhe viessemos com questões técnicas.
Mas eu era teimoso e fundamentava com argumentos técnicos.
Vá lá que o senhor se limitou a pôr-me na prateleira, sem mais danos.
É um dos principais problemas em Portugal, nas empresas públicas e nas privadas, a seleção dos decisores, escolhidos por quem não conhece o negócio ou quer favorecer quem convida.
E pensar que na Inglaterra o governador do banco central é escolhido por concurso público internacional... (claro que a esperteza provinciana por cá saberia contornar os escolhos do concurso público, veja-se o peso dos ajustes diretos nas contratações que o senhor governo faz).
E o enunciado do problema de transito é: 30% de condutores em todo o planeta conduzem pela esquerda, e 70% pela direita. Vale a pena pensar em uniformizar?
Não estou a fazer a ligação entre as ideologias de esquerda e de direita e os sentidos de circulação. Estabelecerei a relação depois, do ponto de vista comportamental, embora com reflexos politicos.
Pequena história do sentido de circulação: há vestígios históricos que mostram que nos hipófromos gregos e romanos o sentido de circulação era contrário aos ponteiros do relógio, mas há também vestígios arquelógicos que mostram que os traços deixados na pedra das estradas romanas são mais profundos do lado esquerdo da estrada, correspondendo aos percursos em que as carroças iam carregadas de produtos para a cidades, regressando vazias. Acresce que como a maioria dos humanos é destra, desde sempre se subia para os cavalos pelo lado esquerdo destes, seguindo naturalmente escostado à esquerda da estrada (seria mais perigoso sair da estrada do que colidir com o veículo em sentido contrário, seria tambem perigoso seguir pela estrada com a mão direita ocupada com as rédeas, não fosse preciso defender-se de um atacante) . O primeiro documento que confirma a circulação pela esquerda é uma bula papal de Bonifácio VIII dirigida aos peregrinos no século XIII.
Só depois no século XVIII surge na Russia, em 1752 um decreto da imperatriz a impor a circulação pela direita. Seguiu-se a Inglaterra em 1752, pela esquerda, a Dinamarca em 1758 pela direita e a França e os USA em 1792 pela direita.
Provavelmente a escolha pela direita terá sido dos cocheiros que tinham e conduzir carroças maiores, com pares de cavalos. Enquanto na Inglaterra se continuou a subir para os cavalos pelo seu lado esquerdo e se adotou o postilhão que seguia montado no cavalo da esquerda enquanto o cocheiro se sentava no lado direito da boleia para controlar os cruzamentos com os veiculos em sentido contrário, na Russia, Dinamarca, França e USA o cocheiro seguiria montado no cavalo da esquerda mas conduzindo pela direita para controlar os cruzamentos com os outros veículos.
Outra explicação, em período de revolução, seria que os nobres, habituados a circular pela esquerda, teriam sido obrigados a desviar-se do povo que trabalhava preferindo o lado direito.
Feita a pequena história, analisemos as vantagens e inconvenientes, realçando que a regra básica da prioridade no transito é a de que quem se apresenta pela direita tem a prioridade.
Vantagens da circulação pela direita:
- facilidade de circulação internacional devido ao maior número de paises aderentes
- maior facilidade e economia na encomenda de veículos já preparados para circulação pela direita
Vantagens da circulação pela esquerda:
- dado que a circulação nas rotundas se faz no sentido dos ponteiros do relógio, à chegada às rotundas não é necessário colocar um sinal de perda de prioridade
- pela mesma razão, o risco de distração ou falta de atenção ao sinal de perda de prioridade é menor
- como consequencia, por haver mais uniformidade do que na condução pela direita, é provável que o indice de sinistralidade tenda para ser menor nos países com condução pela esquerda
- na condução pela esquerda o lugar do condutor é à direita, pelo que pode segurar o guiador com a mão direita enquanto move a alavanca de mudança de velocidades com a mão esquerda; sendo a maioria dos condutores destros, esta é uma vantagem relativamente à condução pela direita
- ainda devido à posição do condutor, na condução pela esquerda é mais fácil ao condutor detetar a aproximação de outro veículo vindo da direita e portanto , com prioridade, visto que se encontra desse lado
- finalmente, à aproximação de uma estrada principal vindo de uma estrada secundária, na condução pela esquerda, o condutor sabe que os veículos na primeira via que encontra na estrada principal têm prioridade, contrariamente ao caso da condução pela direita, independentemente da existencia de sinal de perda de prioridade
Tudo ponderado, parece que a principal vantagem da condução pela direita é económica (menor preço devido à maior quantidade de veiculos fabricados com condução á direita), embora a principal vantagem da condução pela esquerda seja maior segurança devido à uniformidade da sinalização (prioridade natural de quem está nas rotundas por vir da direita).
O interessante, e aqui entra a comparação com a política, é que, havendo vantagens na condução pela esquerda, ninguém quer mudar da direita para a esquerda. Nem sequer, obviamente, adotar a regra de prioridade a quem se apresenta pela esquerda, o que transferiria as vantagens para a condução pela direita.
Há uma razão psicológica para isso, expressa pelo provérbio popular, "mais vale um diabo conhecido do que um diabo desconhecido". Isto é, o cérebro humano é acomodatício, independentemente da análise racional que é capaz de fazer. Assim, a verdadeira mudança no sentido do progresso social será conseguido em democracia, não por simples campanha eleitoral, mas através de estudo e disseminação pela sociedade do conhecimento (não confundir com "conhecimentos") e atividade a nivel de estudos e divulgação pela sociedade civil. Pelo que os partidos que ganham eleições não deveriam iludir-se com o seu falso sucesso.
Salvo melhor opinião, claro.
Os senhores jornalistas já explicaram que não se devem utilizar argumentos técnicos para discutir politica, porque afasta as pessoas.
Mas eu sou teimoso. Já o senhor comissário político que o governo de então nomeou, de acordo com a cor partidária dominante, como administrador principal do metro, começava as reuniões dizendo que não lhe viessemos com questões técnicas.
Mas eu era teimoso e fundamentava com argumentos técnicos.
Vá lá que o senhor se limitou a pôr-me na prateleira, sem mais danos.
É um dos principais problemas em Portugal, nas empresas públicas e nas privadas, a seleção dos decisores, escolhidos por quem não conhece o negócio ou quer favorecer quem convida.
E pensar que na Inglaterra o governador do banco central é escolhido por concurso público internacional... (claro que a esperteza provinciana por cá saberia contornar os escolhos do concurso público, veja-se o peso dos ajustes diretos nas contratações que o senhor governo faz).
E o enunciado do problema de transito é: 30% de condutores em todo o planeta conduzem pela esquerda, e 70% pela direita. Vale a pena pensar em uniformizar?
Não estou a fazer a ligação entre as ideologias de esquerda e de direita e os sentidos de circulação. Estabelecerei a relação depois, do ponto de vista comportamental, embora com reflexos politicos.
Pequena história do sentido de circulação: há vestígios históricos que mostram que nos hipófromos gregos e romanos o sentido de circulação era contrário aos ponteiros do relógio, mas há também vestígios arquelógicos que mostram que os traços deixados na pedra das estradas romanas são mais profundos do lado esquerdo da estrada, correspondendo aos percursos em que as carroças iam carregadas de produtos para a cidades, regressando vazias. Acresce que como a maioria dos humanos é destra, desde sempre se subia para os cavalos pelo lado esquerdo destes, seguindo naturalmente escostado à esquerda da estrada (seria mais perigoso sair da estrada do que colidir com o veículo em sentido contrário, seria tambem perigoso seguir pela estrada com a mão direita ocupada com as rédeas, não fosse preciso defender-se de um atacante) . O primeiro documento que confirma a circulação pela esquerda é uma bula papal de Bonifácio VIII dirigida aos peregrinos no século XIII.
Só depois no século XVIII surge na Russia, em 1752 um decreto da imperatriz a impor a circulação pela direita. Seguiu-se a Inglaterra em 1752, pela esquerda, a Dinamarca em 1758 pela direita e a França e os USA em 1792 pela direita.
Provavelmente a escolha pela direita terá sido dos cocheiros que tinham e conduzir carroças maiores, com pares de cavalos. Enquanto na Inglaterra se continuou a subir para os cavalos pelo seu lado esquerdo e se adotou o postilhão que seguia montado no cavalo da esquerda enquanto o cocheiro se sentava no lado direito da boleia para controlar os cruzamentos com os veiculos em sentido contrário, na Russia, Dinamarca, França e USA o cocheiro seguiria montado no cavalo da esquerda mas conduzindo pela direita para controlar os cruzamentos com os outros veículos.
Outra explicação, em período de revolução, seria que os nobres, habituados a circular pela esquerda, teriam sido obrigados a desviar-se do povo que trabalhava preferindo o lado direito.
Feita a pequena história, analisemos as vantagens e inconvenientes, realçando que a regra básica da prioridade no transito é a de que quem se apresenta pela direita tem a prioridade.
Vantagens da circulação pela direita:
- facilidade de circulação internacional devido ao maior número de paises aderentes
- maior facilidade e economia na encomenda de veículos já preparados para circulação pela direita
Vantagens da circulação pela esquerda:
- dado que a circulação nas rotundas se faz no sentido dos ponteiros do relógio, à chegada às rotundas não é necessário colocar um sinal de perda de prioridade
- pela mesma razão, o risco de distração ou falta de atenção ao sinal de perda de prioridade é menor
- como consequencia, por haver mais uniformidade do que na condução pela direita, é provável que o indice de sinistralidade tenda para ser menor nos países com condução pela esquerda
- na condução pela esquerda o lugar do condutor é à direita, pelo que pode segurar o guiador com a mão direita enquanto move a alavanca de mudança de velocidades com a mão esquerda; sendo a maioria dos condutores destros, esta é uma vantagem relativamente à condução pela direita
- ainda devido à posição do condutor, na condução pela esquerda é mais fácil ao condutor detetar a aproximação de outro veículo vindo da direita e portanto , com prioridade, visto que se encontra desse lado
- finalmente, à aproximação de uma estrada principal vindo de uma estrada secundária, na condução pela esquerda, o condutor sabe que os veículos na primeira via que encontra na estrada principal têm prioridade, contrariamente ao caso da condução pela direita, independentemente da existencia de sinal de perda de prioridade
Tudo ponderado, parece que a principal vantagem da condução pela direita é económica (menor preço devido à maior quantidade de veiculos fabricados com condução á direita), embora a principal vantagem da condução pela esquerda seja maior segurança devido à uniformidade da sinalização (prioridade natural de quem está nas rotundas por vir da direita).
O interessante, e aqui entra a comparação com a política, é que, havendo vantagens na condução pela esquerda, ninguém quer mudar da direita para a esquerda. Nem sequer, obviamente, adotar a regra de prioridade a quem se apresenta pela esquerda, o que transferiria as vantagens para a condução pela direita.
Há uma razão psicológica para isso, expressa pelo provérbio popular, "mais vale um diabo conhecido do que um diabo desconhecido". Isto é, o cérebro humano é acomodatício, independentemente da análise racional que é capaz de fazer. Assim, a verdadeira mudança no sentido do progresso social será conseguido em democracia, não por simples campanha eleitoral, mas através de estudo e disseminação pela sociedade do conhecimento (não confundir com "conhecimentos") e atividade a nivel de estudos e divulgação pela sociedade civil. Pelo que os partidos que ganham eleições não deveriam iludir-se com o seu falso sucesso.
Salvo melhor opinião, claro.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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sexta-feira, 11 de setembro de 2015
Mobilidade elétrica
Mais uma vez, semana da mobilidade em setembro. Oportunidade para se dizerem umas banalidades.
Eis as minhas:
Simpatizo com a EDP, apesar de ter uma dívida próxima de 17 mil milhões, de ter na presidencia da sua assembleia geral o senhor com a maior reforma do país e de não gostar que lhe falem na revisão dos CMEC e na participação na redução do defice tarifário.
É que tem um site muito interessante sobre paineis fotovoltaicos, sobre bombas de calor e sobre automóveis elétricos, incluindo as suas características.
https://energia.edp.pt/particulares/servicos/mobilidade-eletrica/#estilo-vida
Fico assim a saber que os grandes fabricantes, VW, Audi, Mercedes, Renault, já desenvolveram automóveis 100% elétricos sobre modelos de sucesso de gasolina ou gasóleo.
E seguem o velho sistema: o seu consumo anunciado é da ordem de 170 Wh/km e, graças a baterias de lítio de 28 kWh, a sua autonomia chegaria aos 170 km.
Não é verdade, é publicidade enganosa.
Calculando a energia necessária para mover uma massa de 2 toneladas com rodas de borracha (com a taxa média de ocupação, 1,3 passageiros,isto é, 0,1 ton, e considerando o peso específico da bateria, 100 Wh/kg , isto é, 0,28 ton),
num percurso de 1000 m
com uma aceleração de 2m/s2 até atingir 60 km/h
e manutenção dessa velocidade no patamar de 722m
seguindo-se travagem com regeneração de 10% da energia cinética,
através da fórmula da resistencia ao movimento
Ft=ma+R
aplicada por incrementos de intervalos do espaço,
e considerando um rendimento de 0,7 para o motor e 0,9 para as transmissões,
obtive um consumo teórico da ordem de 270 Wh/km
Admitindo um fator de utilização para a bateria de 0,8, teremos 22 kWh uteis e 22/0,27 = 81 km para a autonomia do automóvel elétrico.
Este valor, bem diferente dos 170km anunciados, é ainda assim utilizável no quotidiano urbano. Mas choca ver a sugestão dos fabricantes: alugar um automóvel térmico para viagens por estrada. Não quererão encarar soluções mais eficazes? como por exemplo a normalização de baterias substituiveis nos postos das áreas de serviço, o que implicaria a submissão de todos os fabricantes a um projeto novo de automóveis compativeis com o mecanismo de substituição das baterias e a consideração destas como consumíveis.
Ou, em alternativa, disponibilização para aluguer nos postos das áreas de serviço de reboques com gerador térmico para alimentação do motor elétrico.
No entanto, continuo a pensar que o futuro do automóvel elétrico não será com alimentação por baterias, mas por célula de combustível alimentada por hidrogénio produzido de forma descentralizada a partir de fontes de energia renovável.
Mas parece que não é a tendencia "do mercado", enquanto países dependentes do petróleo vão continuando a perder dinheiro todos os anos com a respetiva importação.
Eis as minhas:
Simpatizo com a EDP, apesar de ter uma dívida próxima de 17 mil milhões, de ter na presidencia da sua assembleia geral o senhor com a maior reforma do país e de não gostar que lhe falem na revisão dos CMEC e na participação na redução do defice tarifário.
É que tem um site muito interessante sobre paineis fotovoltaicos, sobre bombas de calor e sobre automóveis elétricos, incluindo as suas características.
https://energia.edp.pt/particulares/servicos/mobilidade-eletrica/#estilo-vida
Fico assim a saber que os grandes fabricantes, VW, Audi, Mercedes, Renault, já desenvolveram automóveis 100% elétricos sobre modelos de sucesso de gasolina ou gasóleo.
E seguem o velho sistema: o seu consumo anunciado é da ordem de 170 Wh/km e, graças a baterias de lítio de 28 kWh, a sua autonomia chegaria aos 170 km.
Não é verdade, é publicidade enganosa.
Calculando a energia necessária para mover uma massa de 2 toneladas com rodas de borracha (com a taxa média de ocupação, 1,3 passageiros,isto é, 0,1 ton, e considerando o peso específico da bateria, 100 Wh/kg , isto é, 0,28 ton),
num percurso de 1000 m
com uma aceleração de 2m/s2 até atingir 60 km/h
e manutenção dessa velocidade no patamar de 722m
seguindo-se travagem com regeneração de 10% da energia cinética,
através da fórmula da resistencia ao movimento
R=m
(c0 + c1 V)+ cD.A.V2
e da equação do movimentoFt=ma+R
aplicada por incrementos de intervalos do espaço,
e considerando um rendimento de 0,7 para o motor e 0,9 para as transmissões,
obtive um consumo teórico da ordem de 270 Wh/km
Admitindo um fator de utilização para a bateria de 0,8, teremos 22 kWh uteis e 22/0,27 = 81 km para a autonomia do automóvel elétrico.
Este valor, bem diferente dos 170km anunciados, é ainda assim utilizável no quotidiano urbano. Mas choca ver a sugestão dos fabricantes: alugar um automóvel térmico para viagens por estrada. Não quererão encarar soluções mais eficazes? como por exemplo a normalização de baterias substituiveis nos postos das áreas de serviço, o que implicaria a submissão de todos os fabricantes a um projeto novo de automóveis compativeis com o mecanismo de substituição das baterias e a consideração destas como consumíveis.
Ou, em alternativa, disponibilização para aluguer nos postos das áreas de serviço de reboques com gerador térmico para alimentação do motor elétrico.
No entanto, continuo a pensar que o futuro do automóvel elétrico não será com alimentação por baterias, mas por célula de combustível alimentada por hidrogénio produzido de forma descentralizada a partir de fontes de energia renovável.
Mas parece que não é a tendencia "do mercado", enquanto países dependentes do petróleo vão continuando a perder dinheiro todos os anos com a respetiva importação.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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quinta-feira, 10 de setembro de 2015
Meu caro amigo, concordo consigo
Meu caro amigo, que me mandou um texto de um colega nosso apelando a que sim, se fale à exaustão do caso Sócrates, com as suas trocas secretas de dinheiro com o amigo.
Claro que concordo, sou um defensor do debate público e da limitação dos segredos, quer sejam bancários, quer sejam de justiça (claro, claro, com limites neste caso).
Mas vamos sobrecarregar o debate. Não podemos esquecer-nos de que nos lotes da praia da Coelha figuram artistas da especialidade, vizinhos do atual senhor presidente da República. Tal como o tratamento assimétrico que ele e a sua filha receberam do amigo Oliveira e Costa. Não esquecer que por um motivo semelhante (obtenção de um empréstimo de 100 mil euros em condições não acessíveis ao comum dos cidadãos) se demitiu o presidente da Alemanha. E da proximidade do conselheiro de Estado com negócios nos off-shores que teve de se demitir. Há ainda o caso da herdade dos sobreiros que os tribunais inocentaram e o não menos famoso caso dos submarinos (a comissão propôs os submarinos franceses e alguem arranjou um consultor que declarou que os alemães eram muito melhores para os contribuintes; na Alemanha houve prisões porque a lei tinha sido alterada, na sequencia de luvas que a Siemens pagara nos USA, e os artistas da especialidade não tinham reparado). Tudo isto são simples casos de cronycapitalism, ou tráfico de influencias, ou uso de conhecimentos para fazer andar negócios com favorecimento de uns, ou promiscuidade entre gabinetes de advogados e deputados. Recordemos o desabafo de Helena Roseta: Miguel Relvas, o promotor da ascensão do atual primeiro ministro, veio prometer-me financiamento para a ordem se fosse a Tecnoforma a fazer os cursos. Desabafos destes deviam ser investigados pelo ministério público, tal como o caso do aerodromo cujos operadores tinham de ser preparados pela Tecnoforma para se defenderem de ataques terroristas. E isto com fundos comunitários, os tais que o atual governo se esforça por nos convencer que foram desperdiçados em autoestradas desertas (14% do total dos fundos entre 2000 e 2009 foram-no, em autoestradas desertas e noutras menos desertas).
Pobre António Seguro, que fez da luta contra os negócios na política a sua bandeira.
Falemos pois disto tudo, deste cronycapitalism crónico, mas eu preferia que fosse o ministerio público.
Claro que concordo, sou um defensor do debate público e da limitação dos segredos, quer sejam bancários, quer sejam de justiça (claro, claro, com limites neste caso).
Mas vamos sobrecarregar o debate. Não podemos esquecer-nos de que nos lotes da praia da Coelha figuram artistas da especialidade, vizinhos do atual senhor presidente da República. Tal como o tratamento assimétrico que ele e a sua filha receberam do amigo Oliveira e Costa. Não esquecer que por um motivo semelhante (obtenção de um empréstimo de 100 mil euros em condições não acessíveis ao comum dos cidadãos) se demitiu o presidente da Alemanha. E da proximidade do conselheiro de Estado com negócios nos off-shores que teve de se demitir. Há ainda o caso da herdade dos sobreiros que os tribunais inocentaram e o não menos famoso caso dos submarinos (a comissão propôs os submarinos franceses e alguem arranjou um consultor que declarou que os alemães eram muito melhores para os contribuintes; na Alemanha houve prisões porque a lei tinha sido alterada, na sequencia de luvas que a Siemens pagara nos USA, e os artistas da especialidade não tinham reparado). Tudo isto são simples casos de cronycapitalism, ou tráfico de influencias, ou uso de conhecimentos para fazer andar negócios com favorecimento de uns, ou promiscuidade entre gabinetes de advogados e deputados. Recordemos o desabafo de Helena Roseta: Miguel Relvas, o promotor da ascensão do atual primeiro ministro, veio prometer-me financiamento para a ordem se fosse a Tecnoforma a fazer os cursos. Desabafos destes deviam ser investigados pelo ministério público, tal como o caso do aerodromo cujos operadores tinham de ser preparados pela Tecnoforma para se defenderem de ataques terroristas. E isto com fundos comunitários, os tais que o atual governo se esforça por nos convencer que foram desperdiçados em autoestradas desertas (14% do total dos fundos entre 2000 e 2009 foram-no, em autoestradas desertas e noutras menos desertas).
Pobre António Seguro, que fez da luta contra os negócios na política a sua bandeira.
Falemos pois disto tudo, deste cronycapitalism crónico, mas eu preferia que fosse o ministerio público.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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21:28
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O ajuste direto dos patrulheiros à West Sea e a asfixia deliberada dos estaleiros de Viana do Castelo
Graças ao DN/Dinheiro Vivo, é publicada a lista de ajustes diretos pelo atual governo em 2015.
Os ajustes diretos devem ser evitados por serem menos imunes a procedimentos de favorecimento do que os concursos públicos.
A lei, embora elaborada segundo o método top-down, sem ouvir as partes interessadas (como as empresas públicas, que necessitavam de introduzir disposições na lei que lhes facilitassem a vida, isto é, que lhes aumentassem a produtividade encurtando prazos, como por exemplo, poder submeter a aprovação o procedimento concursal enquanto se terminavam os pormenores técnicos do caderno de encargos sem prejuízo da quantificação dos montantes) só autoriza o ajuste direto em circunstancias excecionais.
É por isso que não é aceitável, e configura favorecimento da West Sea (e prejuizo anterior dos estaleiros de Viana do Castelo; uma empresa pública não deve ser favorecida, mas também não deve ser intencionalmente prejudicada; ver
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2015/07/where-is-mvatlantida-ship.html ) o argumento do atual governo dizendo que o ajuste direto foi feito por "interesse público e imperiosa urgência". A lei é explícita: "...pode adotar-se o ajuste direto quando ... por motivos de urgência imperiosa resultante de acontecimentos imprevisíveis pela entidade adjudicante...e desde que as circunstancias invocadas não sejam, em caso algum, imputáveis à entidade adjudicante".
Ora, o atual governo já sabia em 2013, quando cancelou o contrato dos 8 patrulheiros com os ENVC limitando-o aos dois primeiros, que eram precisos mais patrulheiros por razões de interesse público (defesa nacional e patrulha) e que o atraso entretanto verificado é uma circunstancia imputável à entidade adjudicante.
Isto é, a adjudicação de 77 milhões de euros á West Sea não terá cobertura legal, tal como os partidos de esquerda do Parlamento já formalizaram o protesto.
É mais um exemplo da obsessão privatizadora do atual governo (interessante ver também associadas a ajustes diretos, um deles relacionado tambem com os patrulheiros, empresas de engenharia entretanto privatizadas, a Edisoft e a EID), confirmando a constatação do antigo chefe do Estado Maior: a iniciativa privada gere muito melhor os assuntos de interesse público quando é financiada pelos contribuintes.
Os ajustes diretos devem ser evitados por serem menos imunes a procedimentos de favorecimento do que os concursos públicos.
A lei, embora elaborada segundo o método top-down, sem ouvir as partes interessadas (como as empresas públicas, que necessitavam de introduzir disposições na lei que lhes facilitassem a vida, isto é, que lhes aumentassem a produtividade encurtando prazos, como por exemplo, poder submeter a aprovação o procedimento concursal enquanto se terminavam os pormenores técnicos do caderno de encargos sem prejuízo da quantificação dos montantes) só autoriza o ajuste direto em circunstancias excecionais.
É por isso que não é aceitável, e configura favorecimento da West Sea (e prejuizo anterior dos estaleiros de Viana do Castelo; uma empresa pública não deve ser favorecida, mas também não deve ser intencionalmente prejudicada; ver
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2015/07/where-is-mvatlantida-ship.html ) o argumento do atual governo dizendo que o ajuste direto foi feito por "interesse público e imperiosa urgência". A lei é explícita: "...pode adotar-se o ajuste direto quando ... por motivos de urgência imperiosa resultante de acontecimentos imprevisíveis pela entidade adjudicante...e desde que as circunstancias invocadas não sejam, em caso algum, imputáveis à entidade adjudicante".
Ora, o atual governo já sabia em 2013, quando cancelou o contrato dos 8 patrulheiros com os ENVC limitando-o aos dois primeiros, que eram precisos mais patrulheiros por razões de interesse público (defesa nacional e patrulha) e que o atraso entretanto verificado é uma circunstancia imputável à entidade adjudicante.
Isto é, a adjudicação de 77 milhões de euros á West Sea não terá cobertura legal, tal como os partidos de esquerda do Parlamento já formalizaram o protesto.
É mais um exemplo da obsessão privatizadora do atual governo (interessante ver também associadas a ajustes diretos, um deles relacionado tambem com os patrulheiros, empresas de engenharia entretanto privatizadas, a Edisoft e a EID), confirmando a constatação do antigo chefe do Estado Maior: a iniciativa privada gere muito melhor os assuntos de interesse público quando é financiada pelos contribuintes.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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21:05
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Festa do Avante
Imagem obtida na exposição bienal da festa do Avante em setembro de 2015.
Carrier of nothing, Transportador de nada, ou a metáfora do que a humanidade anda fazendo, deixando nas mãos de uns poucos as decisões sobre o destino de muitos.
Valha a verdade que são dificeis, as tarefas de organização das sociedades de modo a produzirem-se bens e serviços úteis e tender-se, como diz a constituição norte-americana, para a felicidade.
Mas podiam ser melhor aproveitadas as conquistas tecnológicas (em vez de contribuirem para o desemprego por dispensa de trabalhadores) e os conhecimentos conseguidos na psicologia social e e organização e métodos.
Dei por mim a pensar assim vindo de outro barracão da festa, onde se expunham as propostas no campo da energia do partido organizador da festa:
Combate ao defice tarifário a suportar também pelas empresas de produção e distribuição, e não apenas pelos cidadãos que têm os seus rendimentos reduzidos, e revisão dos PRE, CAE e CMEC...
Assim como estamos, o transportador está vazio de esperança.
Diz o partido organizador da festa que essa esperança estará mais ou menos ligada à apropriação dos meios de produção de bens e serviços, especialmente os transacionáveis, o que contraria os teóricos de Chicago e os seus seguidores incondicionais de Bruxelas e o atual governo português (pobrs privatizadores compulsivos).
É verdade que a experiência dos partidos que se reclamavam do marxismo foi trágica e falhou.
Mas essa experiencia não incorporou os referidos avanços tecnológicos e do conhecimento das ciencias sociais e de gestão. E ensinou-nos que não deve haver pensamento único. É necessária diversidade, cooperação entre todos e não competição e supremacias , nem partidos únicos nem maiorias absolutas.
Já passaram 25 anos sobre a queda do muro de Berlim. Mas temos mais muros agora, está estabelecida a insegurança mundial , 20% dos europeus estão na pobreza e os gráficos de Picketty demonstraram que a desigualdade tem aumentado. Claro que a ONU mostra os indicadores do aumento da esperança de vida, mas não pode negar as desigualdades e a miséria dos sem abrigo nos paises dessenvolvidos; de que serve a profundidade média do rio ser de 1 metro se quem não sabia nadar se afogou na zona da profundidade de 3 m?
Será o mercado a funcionar na sua ordem espontânea (como combater a contribuição das emissões de CO2 para as alterações climáticas apenas com a ordem espontânea?).
Salvo melhor opinião, esses 25 anos provam que a "culpa" não estava nas experiencias ditas comunistas (longe de mim estar a propor tal modelo, mas que se devia ouvir com atenção o que os partidos comunistas têm para dizer, devia, e de preferência abrir-se-lhe a cooperação), que já houve tempo suficiente para se ter organizado melhor a economia mundial. Não se conseguiu, aparentemente porque a estrutura do sistema financeiro e económico não admite melhorias (porque não aplica o pensamento único a teoria das reformas estruturais ao seu próprio sistema financeiro, em vez de, com a insegurança dos adolescentes, atribuir culpas aos pensionistas, aos desempregados e aos trabalhadores de baixos rendimentos?).
Enfim, se não acontecer nenhuma catástrofe, natural ou social, teremos nova festa do Avante par ao ano.
Esperando que o Carrier of nothing tenha alguma coisa para transportar, mesmo pequenina.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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terça-feira, 25 de agosto de 2015
Os decisores - hipócritas e especialistas de ressemantização
Não vale a pena gastar cera com ruins defuntos, sempre disse o meu amigo, mas eu não resisto.
Vocês, os decisores de Bruxelas e os vossos seguidores locais, sois uns hipócritas.
Hipócrita - que demonstra um pensamento diferente do que realmente tem
Dizem que querem combater o desemprego, mas quando pregam as vossas reformas, isto é, a desvalorização do fator trabalho e a baixa dos salários e das pensões, sabem muito bem que estimular o desemprego faz baixar os custos dos salários e dos preços (é a lei de Philips, como muito bem sabem mas nunca citam, invocando o mandato do BCE para manter o indice de preços no máximo de 1,9% ).
A experiencia já demonstrou que isso já não é inflação, é deflação. Pelo que seria interessante subir o objetivo do nivel de preços, até porque as taxas de juro têm margem para subir para o controlar.
Vocês são assim especialistas na arte da sangria, que de facto faz baixar a tensão arterial do sangrado, permitindo-lhe retomar esforços, mas à custa de sangue.
Vocês também conhecem a fórmula do saldo orçamental, investimento menos poupanças mais exportações menos importações. Mas insistem em não facilitar os investidores (quem investe? sabendo que os produtos que iria fabricar seriam vendidos muito, muito baratos, graças aos salários baixos e ao desemprego elevado; só em procuras rígidas, mas essas já estão tomadas...).
E então repetem sem cessar, é preciso continuar as reformas, as reestruturações e a competitividade.
Tudo isso tem uma tradução: cortes, redução de custos do trabalho, dos salários à facilidade de despedimento. O que quer dizer que vocês são também, para além de hipócritas, especialistas de ressemantização.
Ressemantização - neologismo semântico, atribuição a uma palavra de outro significado para além do existente.
Eu acho que a Academia das Ciências (das Letras, no Brasil), devia proibir. Chamem as coisas pelos seus nomes.
PS - Devo a aprendizagem da palavra ressemantização ao programa da Antena 2 Páginas de português, transmitido aos domingos.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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18:36
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Os decisores - Metternich
Que podia um pobre cidadão fazer ao assistir contrariado à tortura dos negociadores gregos submetidos ao poder tão firmemente estabelecido dos decisores na Europa?
Meditar um pouco nos mecanismos de legitimação dos decisores, não eleitos pelos cidadãos mas nomeados e nalguns casos eleitos pelos representantes dos partidos mais votados.
Também Bossuet legitimava o poder absoluto pelo desígnio divino e as pessoas (algumas) acreditavam.
Também Metternich, chanceler emergente do congresso de Viena como representante da grande aristocracia alemã e vienense, estava legitimado pelo seu imperador, o "pai" dos seus súbditos.
Atribuo aos atuais decisores da União Europeia, sucessores de Metternich, a mesma legitimidade que os poderes contrarevolucionários apostados em anular as ideias da revolução francesa tiveram?
Sim, atribuo, isto é, nenhuma.
Como pobre cidadão impotente entretive-me a ler algumas passagens dum livro que descreve o declínio da Austria como potencia aglutinadora da ideia de Europa no século XIX, até à explosão na derrota na primeira guerra mundial - Declínio e queda do império dos Habsburgo. 1815 -1918, de Alan Sked.
Lá se descreve o reacionarismo de Metternich, ilustrado com o facto de ter cortado relações com Portugal depois da queda de D.Miguel.
Os cidadãos conformistas da altura também achavam que Metternich era um grande político.
Como agora os cidadãos conformistas acham que os decisores do Eurogrupo e os seus suportes bancários e financeiros têm razão.
O conformismo faz parte da psicologia da espécie humana. Perante um assunto complexo (e como é complexa a ideia de uma Europa unida, que já era a do império austro hungaro, embora de uma forma autocrática), o movimento do individuo aguarda a formação da opinião pelo grupo e depois obedece à orientação da autoridade, ou de quem em quem confia. Por isso os eleitores se conformam com os seus dirigentes, mesmo que eles os conduzam aos infernos austeritários e à desvalorizaçõ dos seus salários e pensões em detrimento dos equilíbrios orçamentais dos bancos e grupos financeiros.
Pôde portanto Meternich pavonear-se e ostentar o seu poder tentando conduzir a politica europeia pós Napoleão.
Porém, a revolução de 1848 forçou a sua destituição e a abdicação do imperador.
Mas o sistema imperial manteve-se, reprimindo a democracia, dissipando dinheiro com os gastos militares (ocupação da Itália, por exemplo), assistindo à ascensão prussiana e conduzindo a Austria à decadencia e guerra. Apesar da vida cultural e científica florescer em Viena, de Mahler, Klimt a Freud.
Habilmente, as "santas" democracias ocidentais aproveitaram para dividir os restos do império, atrasando a concretização da ideia europeia, seguindo as suas politicas anteriores (guerra da Crimeia, guerra dos Balcans).
Esperemos que os burocratas de Bruxelas, aparentemente tão preclaros como os imperadores austríacos, não produzam os mesmos efeitos.
Dependerá dos eleitores conformistas e dos não conformistas.
Meditar um pouco nos mecanismos de legitimação dos decisores, não eleitos pelos cidadãos mas nomeados e nalguns casos eleitos pelos representantes dos partidos mais votados.
Também Bossuet legitimava o poder absoluto pelo desígnio divino e as pessoas (algumas) acreditavam.
Também Metternich, chanceler emergente do congresso de Viena como representante da grande aristocracia alemã e vienense, estava legitimado pelo seu imperador, o "pai" dos seus súbditos.
Atribuo aos atuais decisores da União Europeia, sucessores de Metternich, a mesma legitimidade que os poderes contrarevolucionários apostados em anular as ideias da revolução francesa tiveram?
Sim, atribuo, isto é, nenhuma.
Como pobre cidadão impotente entretive-me a ler algumas passagens dum livro que descreve o declínio da Austria como potencia aglutinadora da ideia de Europa no século XIX, até à explosão na derrota na primeira guerra mundial - Declínio e queda do império dos Habsburgo. 1815 -1918, de Alan Sked.
Lá se descreve o reacionarismo de Metternich, ilustrado com o facto de ter cortado relações com Portugal depois da queda de D.Miguel.
Os cidadãos conformistas da altura também achavam que Metternich era um grande político.
Como agora os cidadãos conformistas acham que os decisores do Eurogrupo e os seus suportes bancários e financeiros têm razão.
O conformismo faz parte da psicologia da espécie humana. Perante um assunto complexo (e como é complexa a ideia de uma Europa unida, que já era a do império austro hungaro, embora de uma forma autocrática), o movimento do individuo aguarda a formação da opinião pelo grupo e depois obedece à orientação da autoridade, ou de quem em quem confia. Por isso os eleitores se conformam com os seus dirigentes, mesmo que eles os conduzam aos infernos austeritários e à desvalorizaçõ dos seus salários e pensões em detrimento dos equilíbrios orçamentais dos bancos e grupos financeiros.
Pôde portanto Meternich pavonear-se e ostentar o seu poder tentando conduzir a politica europeia pós Napoleão.
Porém, a revolução de 1848 forçou a sua destituição e a abdicação do imperador.
Mas o sistema imperial manteve-se, reprimindo a democracia, dissipando dinheiro com os gastos militares (ocupação da Itália, por exemplo), assistindo à ascensão prussiana e conduzindo a Austria à decadencia e guerra. Apesar da vida cultural e científica florescer em Viena, de Mahler, Klimt a Freud.
Habilmente, as "santas" democracias ocidentais aproveitaram para dividir os restos do império, atrasando a concretização da ideia europeia, seguindo as suas politicas anteriores (guerra da Crimeia, guerra dos Balcans).
Esperemos que os burocratas de Bruxelas, aparentemente tão preclaros como os imperadores austríacos, não produzam os mesmos efeitos.
Dependerá dos eleitores conformistas e dos não conformistas.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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terça-feira, 18 de agosto de 2015
Os decisores - as bolinhas e os tributários das praias
O vendedor de bolinhas explica calmamente: este ano é diferente, só posso vender bolinhas, não posso vender pasteis de amendoa. É preciso uma licença para vender bolas de Berlim, que não é considerado bolo, e outra para vender pasteis e outros bolos. Ah, mas posso vender donuts, com a mesma massa das bolinhas. Mas a patroa só pagou licença para vender deste lado da praia. Do outro lado são outros colegas que vendem. E só há licenças para o conjunto dos 12 meses do ano, tivemos de pagar o ano todo.
Felicitações aos tributários que assim combatem a economia paralela e satisfazem o seu complexo de escrúpulo de regulamentar ao ínfimo pormenor (sintoma de provável insegurança com raízes em traumas de infancia), em vez de adotar critérios amigáveis de acordo mútuo por volume de vendas estimado. Os vendedores aceitam, precisamente porque o fator trabalho já foi tão desvalorizado que é a única maneira de ganhar algum dinheiro no verão.
E retiremos a lição, uma bola de Berlim não é um bolo.
Preocupante? Talvez, o surrealismo expandiu-se nos anos 30, imediatamente antes da segunda guerra mundial. Esperemos que sejam só coincidencias.
Felicitações aos tributários que assim combatem a economia paralela e satisfazem o seu complexo de escrúpulo de regulamentar ao ínfimo pormenor (sintoma de provável insegurança com raízes em traumas de infancia), em vez de adotar critérios amigáveis de acordo mútuo por volume de vendas estimado. Os vendedores aceitam, precisamente porque o fator trabalho já foi tão desvalorizado que é a única maneira de ganhar algum dinheiro no verão.
E retiremos a lição, uma bola de Berlim não é um bolo.
Preocupante? Talvez, o surrealismo expandiu-se nos anos 30, imediatamente antes da segunda guerra mundial. Esperemos que sejam só coincidencias.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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domingo, 16 de agosto de 2015
Decisores - o inexperiente Sergio Monteiro
Este blogue não se regozija por ter ficado sem efeito o contrato de subconcessão do metro do Porto e dos STCP, antes lamenta a impreparação e as desajeitadas ações do senhor secretário de Estado ao intervir em assuntos de transportes.
Mexer em empresas públicas que em comparação com homólogas estrangeiras apresentavam indicadores razoáveis com o argumento de ir poupar milhões de euros só podia revelar desconhecimento e ímpeto e fervor adolescente nas suas convicções neoliberais.
Preocupante neste momento a obsessão de lançar novo concurso "antes do fim do mês".
O que aconteceu neste concurso deslustra o governo português e o setor dos transportes nacional em geral. Quem iria responder a um concurso assim, numa altura em que ainda se discutem remunerações do anterior subconcessionário?
Também preocupante o caso da subconcessão aos especialistas de autocarros, a Avanza, do metro de Lisboa. Estimo um prejuízo de 10 milhões de euros para o subconcessionário no primeiro ano.
E recordo a frase desalentada de Thatcher; "Não quero que os transportes sejam o meu Waterloo".
Tenhamos ao menos a esperança deste governo perder as eleições.
Mexer em empresas públicas que em comparação com homólogas estrangeiras apresentavam indicadores razoáveis com o argumento de ir poupar milhões de euros só podia revelar desconhecimento e ímpeto e fervor adolescente nas suas convicções neoliberais.
Preocupante neste momento a obsessão de lançar novo concurso "antes do fim do mês".
O que aconteceu neste concurso deslustra o governo português e o setor dos transportes nacional em geral. Quem iria responder a um concurso assim, numa altura em que ainda se discutem remunerações do anterior subconcessionário?
Também preocupante o caso da subconcessão aos especialistas de autocarros, a Avanza, do metro de Lisboa. Estimo um prejuízo de 10 milhões de euros para o subconcessionário no primeiro ano.
E recordo a frase desalentada de Thatcher; "Não quero que os transportes sejam o meu Waterloo".
Tenhamos ao menos a esperança deste governo perder as eleições.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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20:00
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segunda-feira, 10 de agosto de 2015
Os decisores
Imagem retirada do DN, com a devida vénia, após a reeleição do senhor Daisselblum como presidente do Eurogrupo.
É talvez, se tentarmos uma abordagem semiótica, uma boa imagem do que são os nossos decisores. Foram eleitos, não pelos cidadãos contribuintes, mas por ministros nomeados por vencedores de eleições nos respetivos países.
Decidem de modo que condicionam a vida dos cidadãos eleitores, e a verdade é que uma grande parte dos cidadãos eleitores europeus acreditam que é legitimador o vínculo entre as eleições para os governos e a eleição pelos ministros das finanças no Eurogrupo.
Bossuet também no século XVII convenceu muita gente que era legítimo o vínculo entre o nascimento do filho do rei e o poder absoluto que ele depois exerceria sobre o povo, nomeadamente exaurindo as finanças em aventuras guerreiras ou luxos na corte.
A ciencia política já evoluiu o suficiente para pôr em causa qualquer destes vínculos.
Que garantias existem, sem mecanismos referendadores como os desenvolvidos pelas comunidades científicas, que a vontade de eleitorados é respeitada por um grupo de ministros que raramente conheceu diretamente as dificuldades quotidianas dos cidadãos ou das empresas produtivas? Alguma vez estes senhores terão analisado ou resolvido problemas de pessoal numa empresa que tivesse de apresentar indicadores de produção, para virem agora pregar academicamente medidas de liberalização de despedimentos para aumento de competitividade? E eles são competitivos em quê? em ganhar eleições ou em apresentar indicadores razoáveis numa empresa de produção?
Observo a imagem e vem-me à memória um filme de guerra dos anos setenta.
Não me recordo do nome nem do realizador e atores. Recordo-me que o heroi, soldado americano prisioneiro do exercito nazi, esteve quase a ser fuzilado porque na recolha dos bens nas ruinas de uma casa destruida pelo exército alemão guardara uma estatueta que lá encontrara. Uma estatueta igual à da sua infancia (e vêm agora encher a boca com a globalização...). O filme terminava muitos anos depois, com o heroi velhinho a fazer conferencias nos USA em defesa da paz universal, e a ser assassinado por um adepto do militarismo republicano. Penso que o realizador se terá inspirado em Garry Davis (https://en.wikipedia.org/wiki/Garry_Davis ).
Recordo o filme porque o ator que fazia o papel de major das SS do destacamento que tinha o heroi como prisioneiro era extremamente parecido com o senhor ministro do canto esquerdo da imagem.E
o ator que representava o gauleiter colaboracionista da povoação mais próxima da ação era extremamente parecido com o senhor ministro eleito presidente do Eurogrupo, zeloso cumpridor, a personagem de ficção do filme, das regras dominantes.
Mas não me lembro no filme de ninguém parecido com a terceira personagem (será o senhor ministro finlandês? tão cioso de cumprir o mandato dos seus eleitores de não emprestar a preguiçosos, ou como recordo da instrução primária, os meninos bem comportados e bem alimentados, com apoio extra em casa, que chamavam a atenção da senhora professora que já tinham a redação pronta, ou os exercícios de matemática feitos, e que nunca ajudavam o colega do lado?). Esta figura faz-me lembrar antes uma personagem da Tosca, que vi há muitos anos no Coliseu, e que os encenadores se empenham em apoucar, o esbirro de Scarpia. Os maestros também não ajudam. Talvez até Puccini não quisesse ajudar, ele que ao princípio até se deixou hipnotizar pelo canto de sereia do duce. Põem-no sempre com voz de falsete, a papaguear as instruções contra-revolucionárias de Scarpia. E sempre com um ar de menino bem comportado apesar de sádico e bem alimentado...
Mas deixem-me deixar bem claro, são os atores que representavam aqueles papeis que me parecem parecidos com as figuras da imagem, nada mais.
PS em 12 de agosto - Em intenção de algum dos comentadores que no Observador clamam que os eleitores alemães têm o direito de não querer emprestar mais dinheiro à Grécia e que poderia escandalizar-se ao ler o meu texto, complemento-o com a convicção de que sim, o mandato dos eleitores alemães será o de quererem garantir a segurança do seu futuro. Mas também penso que esse é mandato dos eleitores gregos. Se eles são incompatíveis isso só poderá significar a incompetencia destes senhores decisores. Não são capazes , desculpando-se com o tratado de Lisboa (algum tratado é infalível e imutável?), de fazer o que os USA fizeram com a bancarrota da Califórnia...
Gostaria também de deixar registado o que vários think tanks, alguns alemães, já colocaram como hipótese com elevada probabilidade de confirmação. Se é verdade que o agravamento das taxas de juro do financiamento da Grécia coincide com a baixa das taxas de juro do financiamento alemão (o que confirmaria a natureza física da conservação da massa monetária e da sua capacidade de reprodução concentrada nas zonas de maior potencial económico, como reza o teorema de Fermat-Weber), isto é, que se não houvesse Grécia as taxas de juro da Alemanha eram superiores, então é possível contabilizar quanto esta já poupou em juros. As contas deram 100 mil milhões de euros. Ora, a contribuição da Alemanha para os resgates da Espanha, Portugal e Grécia foi de 90 mil milhões. Quer dizer que a desgraça alheia grega significou um lucro alemão de 10 mil milhões. Pegaram neles e investiram na Grecia (não me dês o peixe, dirão os gregos, dá-me a cana para pescar)? Não parece. Como pois posso deixar de chamar incompetentes a estes decisores?
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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sexta-feira, 31 de julho de 2015
Sapatos baratos
Sou um piegas, não ganho nada em disfarçar.
Nem consigo.
De vez em quando dá-me isto, ou por ver coisas ou por ler.
Dei por mim a ler a notícia de que as estatísticas do sucesso das exportações portuguesas de calçado tinham de ser revistas, para menos, porque 18 milhões de pares de sapatos que tinham sido considerados como exportados por Portugal, afinal tinham sido importados da China e depois reexportados como se tivessem sido fabricados em Portugal.
O país precisa desesperadamente de aumentar a sua taxa de exportações.
Infelizmente a sua balança comercial continua negativa, pese embora a propaganda oficial que os estipendiados, como diz Batista Bastos, irrefletidamente reproduzem.
O que quer dizer que o saldo orçamental continua mal, como se pode ver pela fórmula:
saldo orçamental = investimento privado e estrangeiro - poupanças + exportações - importações
O peso das exportações é de cerca de 40% do PIB, mas esses 40% incorporam 15% de importações. Isto é, só 25% do PIB são exportações de Portugal. No caso dos sapatos chineses foi 0% (do ponto de vista económico a atividade administrativa foi incorporação nacional, assim como se contabilizássemos quem provoca acidentes na estrada como promotores do aumento do PIB por dinamizarem o negócio de reparação e sucata de automóveis e dos hospitais e cemitérios).
E assim, por tudo isto, e porque importar 1000 contentores carregados de pares de sapatos (um terço de um porta-contentores médio) é uma manifestação clara de esperteza boçal, de espírito de desenrascanço em proveito próprio e em prejuízo do próximo, leio a notícia e sinto uma lágrima a cair-me na cara.
Sou mesmo piegas, lacrimejar por 18 milhões de pares de sapatos baratos, "made in Portugal", na União Europeia.
Ou por ver os senhores governantes e os senhores opositores a acharem que "o mercado a funcionar" pode resolver estas coisas.
Nem consigo.
De vez em quando dá-me isto, ou por ver coisas ou por ler.
Dei por mim a ler a notícia de que as estatísticas do sucesso das exportações portuguesas de calçado tinham de ser revistas, para menos, porque 18 milhões de pares de sapatos que tinham sido considerados como exportados por Portugal, afinal tinham sido importados da China e depois reexportados como se tivessem sido fabricados em Portugal.
O país precisa desesperadamente de aumentar a sua taxa de exportações.
Infelizmente a sua balança comercial continua negativa, pese embora a propaganda oficial que os estipendiados, como diz Batista Bastos, irrefletidamente reproduzem.
O que quer dizer que o saldo orçamental continua mal, como se pode ver pela fórmula:
saldo orçamental = investimento privado e estrangeiro - poupanças + exportações - importações
O peso das exportações é de cerca de 40% do PIB, mas esses 40% incorporam 15% de importações. Isto é, só 25% do PIB são exportações de Portugal. No caso dos sapatos chineses foi 0% (do ponto de vista económico a atividade administrativa foi incorporação nacional, assim como se contabilizássemos quem provoca acidentes na estrada como promotores do aumento do PIB por dinamizarem o negócio de reparação e sucata de automóveis e dos hospitais e cemitérios).
E assim, por tudo isto, e porque importar 1000 contentores carregados de pares de sapatos (um terço de um porta-contentores médio) é uma manifestação clara de esperteza boçal, de espírito de desenrascanço em proveito próprio e em prejuízo do próximo, leio a notícia e sinto uma lágrima a cair-me na cara.
Sou mesmo piegas, lacrimejar por 18 milhões de pares de sapatos baratos, "made in Portugal", na União Europeia.
Ou por ver os senhores governantes e os senhores opositores a acharem que "o mercado a funcionar" pode resolver estas coisas.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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16:49
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quinta-feira, 9 de julho de 2015
Algumas privatizações em julho de 2015
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"O sector privado está totalmente envolvido em corrupção. A agenda de privatizações e liberalização tem sido corrompida em si mesma gerando rendas elevadas, usadas para exercer influência política. Por exemplo, com Obama foram combatidas tentativas de se responsabilizar as instituições financeiras pelas suas atividades. Em Massachusetts, quando o procurador-geral do Estado entrou com uma ação contra alguns bancos, um banco controlado pelo governo federal ameaçou cessar suas atividade nesse Estado.(Pag 160)
Em vez do governo moderar os excessos das forças de mercado, trabalha conjuntamente para aumentar as disparidades de rendimento. (p. 50) Nos EUA um estudo mostrou que, em média, os serviços privatizados cobram ao governo mais do dobro do que seria pago a trabalhadores de serviço público para efetuarem serviços comparáveis. (p. 143). Esta captação de rendas permite às grandes empresas obter vantagens sobre o resto da sociedade(Pag 46)"
J. Stiglitz, The price of inequality, p. 7, Ed. W. W. NORTON & COMPANY, 2013. Existe também edição portuguesa da Ed. Bertrand. Os números de página entre parêntesis são os da edição em língua inglesa e referem-se a conteúdos ou ideias expressas por Stiglitz
Extraído dum texto de Vaz de Carvalho
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
O texto acima foi retirado, com a devida vénia, do blogue ladroesdebibicletas
http://ladroesdebicicletas.blogspot.pt/2015/05/lembrem-se-do-oceanario-ii.html
http://ladroesdebicicletas.blogspot.pt/2015/04/lembrem-se-do-oceanario.html
Não subscrevo integralmente porque não devemos generalizar e no caso do Oceanário até é compreensível o interesse privado dada a formação afim do administrador principal da Jerónimo Martins.
No entanto, mantem-se válida a observação de um dos comentadores: se um procurador privado vendesse um bem à sua guarda que estivesse a dar lucro arriscava-se a um processo grave pelos acionnistas.
Por outro lado, o argumento de outro comentador, de que o Estado não tem vocação e não deve ser distraído com funções como esta (e contudo, o Oceanário tem uma função educativa) é contrariado por este: não é o Estado que faz mexer as empresas públicas, são as pessoas que lá trabalham. E é muito feio ter inveja dessas pessoas, dizer mal do seu trabalho e querer ficar com o poder decisório dessas empresas.
É pena as pessoas terem esquecido a linha de Melo Antunes, para quem o setor público e o setor privado são perfeitamente compatíveis. Tal como vem expresso no tratado da união.
Mas podemos ter a infelicidade de ter um governo que obssessivamente faz privatizações.
Mesmo que timidamente o tribunal de contas venha explicar que cometeu erros de avaliação (terá? se o objetivo era privatizar, com ou sem avaliação...).
Mesmo que se recorde que o senhor secretário de Estado dos transportes, enquanto administrador do BI da CGD, foi um dos estrategas do TGV Poceirão-Caia, para agora o governo continuar a vangloriar-se de ter parado um investimento com fundos comunitários que até tinha uma componente de mercadorias (depois ficam escandalizados quando dizemos que conseguiram transformar Portugal numa ilha ferroviária e numa ilha energética).
Veja-se outro exemplo: o sr. Neeeleman já veio explicar que não quer os A350 que poderiam servir as ligações à China (o tratado da união prevê apoios às ligações à Martinica e à Reunião, colónias francesas, seria assim tão complicado recordar aos burocratas de Bruxelas que a ligação a Macau é do interesse da Europa?), e também explicou que é ele que terá o poder decisório porque, apesar de ter menos ações do que o dono da Barraqueiro, cada ação dele vale mais do que cada ação deste.
Confesso que já não gosto da regra básica das assembleias de acionistas, um voto por cada ação. Desde a revolução francesa que a ideia é uma voz, um voto. Agora assembleias de acionistas em que as ações de um valem mais do que as ações de outros, peço desculpa mas isso não é democracia, mesmo que para se viver em democracia se tenham menores rendimentos.
E eis que uma sondagem do centro de estudos e sondagens de opinião pública da universidade Católica vem esclarecer a opinião dos cidadãos sobre a gestão pública e privada.
Por exemplo, no caso dos transportes, 69% dos inquiridos preferem a gestão pública (é provável que depois de várias greves do metropolitano, que por isso mesmo não deveriam revestir a forma de paralisação total, de modo a garantir o apoio da população, essa percentagem baixe).
Eu concluo que se o atual governo respeitasse os princípios democráticos, a decisão de privatização de um bem público só deveria ser tomada com 75% de votos dos representantes no Parlamento. Ou então por referendo...
Extrato do artigo sobre a sondagem do CESOP da Universidade Católica:
Descida do IRS deve ser prioritária
por Octávio Lousada Oliveira20 junho 2015
Portugueses
acreditam que já há condições para baixar impostos e defendem a gestão pública
dos serviços que utilizam.
Os portugueses não têm dúvidas e dizem que
há condições para que os impostos sejam reduzidos na próxima legislatura.
Segundo o barómetro de junho, 57% (mais um ponto percentual que em outubro do
ano passado) afirma que é possível baixá-los e 28% (menos um ponto percentual
em relação à anterior sondagem do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da
Universidade Católica) responde que tal não é viável.
Quando chamados a responder qual deles
seria prioritário que descesse para estimular a economia, a maioria (57%) pende
para o lado do imposto sobre os rendimentos do trabalho, o IRS, ao passo que
23% defende que a redução deve incidir em primeiro lugar sobre as empresas, no
IRC. Já 20% frisa que não sabe por onde se deve começar ou opta por não
responder.
Quanto à gestão dos principais serviços e
à dicotomia público/privado, os portugueses são contundentes: preferem, nos
nove serviços sobre os quais foram questionados, a esfera estatal. São eles a
eletricidade, a água, o gás/combustíveis, a educação (até ao 12.º ano), a
saúde, os transportes, os sistemas de pensões, a justiça e a segurança. Em
todos a margem de preferência é arrasadora.
No caso dos hospitais, 84% é favorável à
gestão pública (e apenas 11% à privada), ponderação que é reforçada no caso das
escolas de ensino não superior (86% pende para o Estado e 8% para privados).
Nos transportes, a balança é mais equilibrada, sendo que 25% vê com bons olhos
a gestão privada nesse setor (e 69% prefira a pública). No caso do gás e dos
combustíveis, 61% defende a detenção pública e 31% é apologista da gestão
privada. Nas funções tradicionais do Estado, como a segurança e a justiça,
também não existem dúvida - 84% e 85%, respetivamente, advogam a gestão estatal.
Sobre a Segurança Social, cuja
sustentabilidade tem sido usada como arma de arremesso sobretudo entre PS e a
maioria PSD-CDS, 42% vinca que será determinante no seu sentido de voto e 48%
refere o oposto, embora 80% entenda que deve haver uma clarificação de posições
por parte dos partidos antes das legislativas.
Ficha técnica
Esta sondagem foi realizada pelo
CESOP-Universidade Católica Portuguesa para a Antena 1, a RTP, o Jornal de
Notícias e o Diário de Notícias nos dias 13, 14, 15 e 16 de junho de 2015. O
universo alvo é composto pelos indivíduos com 18 ou mais anos recenseados
eleitoralmente e residentes em Portugal Continental. Foram selecionadas
aleatoriamente dezanove freguesias do país, tendo em conta a distribuição da
população recenseada eleitoralmente por regiões NUT II e por freguesias com
mais e menos de 3200 recenseados. A seleção aleatória das freguesias foi
sistematicamente repetida até que os resultados eleitorais das últimas eleições
legislativas nesse conjunto de freguesias (ponderado o número de inquéritos a
realizar em cada uma) estivessem a menos de 1% dos resultados nacionais dos
cinco maiores partidos. Os domicílios em cada freguesia foram selecionados por
caminho aleatório e foi inquirido em cada domicílio o próximo aniversariante
recenseado eleitoralmente na freguesia. Foram obtidos 1048 inquéritos válidos,
sendo 55% dos inquiridos do sexo feminino, 31% da região Norte, 24% do Centro,
32% de Lisboa, 6% do Alentejo e 7% do Algarve. Todos os resultados obtidos
foram depois ponderados de acordo com a distribuição de eleitores residentes no
Continente por sexo, escalões etários, região e habitat na base dos dados do
recenseamento eleitoral e do Censos 2011. A taxa de resposta foi de 77%*. A
margem de erro máximo associado a uma amostra aleatória de 1048 inquiridos é de
3%, com um nível de confiança de 95%.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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privatizações e concessões
Where is MV.Atlântida ship?
![]() |
| Navio MV.Atlântida, foto do blogue olharvianadocastelo |
Caro leitor
Eu sei que tenho tratado o assunto de forma alongada e não interessante.
Pode ver nas duas ligações seguintes como já escrevi muito neste blogue sobre o navio Atlântida e os estaleiros de Viana do Castelo. Contrariamente ao que tenho visto em outros blogues, mais lidos que este, as minhas análises não foram objeto de comentários exaltados de críticos das empresas públicas que, no fundo, têm validado as políticas do atual governo.
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/search?q=atl%C3%A2ntida
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/search?q=viana+do+castelo
Porém, recentemente aconteceu um facto deveras interessante, e que eu lhe pedia, se não abuso da sua benevolência, que ajudasse a divulgar, primeiro por ser do interesse dos contribuintes, e depois porque a comunicação social mantem o secretismo.
Dele tive conhecimento através do económico.sapo/diário económico (a previsão do facto), de um blogue de Viana do Castelo (que ele estava a decorrer) e do site de localização de navios "localizatodo" (que o facto aconteceu).
O acontecimento responde à pergunta "onde está o navio Atlântida?"
E a resposta é:
- Está no estaleiro de Landskrona, na Suécia, perto de Copenhague, no outro lado do estreito de Oresund.
http://www.worldportsource.com/ports/map.3377.1718.php
http://olharvianadocastelo.blogspot.pt/2015/07/navio-atlantida-muda-de-nome-e-ruma.html
Saiu de Viana do Castelo em 1 de julho às 14:00 e chegou a Landskrona no dia 6 de julho às 05:15.
Fez a viagem à velocidade média de 11,6 nós (20,9 km/h) com velocidade máxima de 16,6 nós (29,9 km/h).
Estes são dados retirados do "localizatodo" (também pode pesquisar em "vesselfind"). Mas não pesquise por Atlântida. Escreva antes "Norway Explorer", o seu novo nome.
O navio foi comprado à Douro Azul pela Hurtigruten, uma companhia norueguesa de cruzeiros, principalmente nos fiordes.
![]() |
| O Norway Explorer depois da reconversão, antevisão da Hurtigruten |
Nos estaleiros de Landskrona será reconvertido em navio de cruzeiros simplesmente. O número de cabinas subirá de 27 para 180 e a lotação baixará de 750 para 320 passageiros, deixando de ter capacidade de transporte de viaturas (anteriormente: 145). Terá de ser dotado de quebra gelos, mas o peso adicional será compensado pela retirada da porta de acesso de viatura anti emborcamento (instalada como alteração ao projeto depois do afundamento do ferry Estónia). A hipótese de montagem de quebra gelos já tinha sido colocada em 2009, depois da rejeição pelo governo dos Açores, quando foi estudada e recusada pelo governo de então uma parceria com estaleiros noruegueses.
A Douro Azul tinha comprado em setembro de 2014 o Atlântida em concurso público por 8,75 milhões de euros e vendeu-o agora por 17 milhões (se a informação do diário económico está correta).
Eu peço, leitor, que não pense que estou a criticar o empresário que fez o negócio. Ele trabalha para ganhar dinheiro e não enganou os noruegueses porque estes percebem de navios, mais do que ele (não é uma crítica) e mais do que as instâncias oficiais que conduziram todo o processo de encerramento dos estaleiros de Viana do Castelo (é uma crítica).
Contrariamente ao que se lia nas caixas de comentários de comentadores mal educados e aparentemente frustrados, ao que a propaganda oficial dizia para desmerecer no trabalho dos estaleiros de Viana do Castelo, de trabalhadores e projetistas, e para "desculpar" a recusa pelo governo dos Açores, o Atlântida não era sucata e valia mais do que 8,75 milhões de euros.
Fica provado, com a ida para a Noruega, que a venda pública foi mal feita e que o argumento do navio ter sido mal construido era falacioso. E poderá dizer-se que os contribuintes ficaram prejudicados no negócio (admitindo que a Douro Azul tenha gasto 3 milhões em manutenção, combustível e impostos, terá havido um prejuízo de 5 milhões para os contribuintes, confirmando-se os valores do diário económico, por incapacidade das instâncias oficiais).
Este facto vem juntar-se às outras provas de má gestão do processo de encerramento dos estaleiros de Viana do Castelo, desde a recusa das parcerias com estaleiros holandeses e noruegueses em 2009-2010, invocando razões burocráticas, à demora injustificada em autorizar a encomenda de chapa para conclusão do segundo patrulheiro, ao ter-se deixado cair a encomenda dos asfalteiros para a Venezuela, à rescisão do contrato dos restantes 6 patrulheiros invocando o tratado da união que, afinal, prevê apoios estatais em assuntos de defesa, para recentemente ser anunciada a possibilidade de ajuste direto dos 6 patrulheiros á West Sea (o que poderá configurar favorecimento).
Em todo este processo ficou patente que a tomada de decisões raramente se baseou em razões técnicas, o que até pode ser mais um exemplo da maneira de ser portuguesa, não querer perder tempo a fazer e analisar cálculos que fundamentem as soluções técnicas.
Faço votos para que o Norway Explorer encontre bons ventos e que manobre com todas as suas capacidades de manobrabilidade (2 propulsores azimutais sem leme, 2 impulsores de proa para atracação, 5 metros de calado) e de navegação eletrónica pelos fiordes noruegueses.
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terça-feira, 7 de julho de 2015
A imigração
A comunicação social relata os casos de mortes de imigrantes que tentam entrar no Europa. Há ainda os casos de mortes na tentativa de travessia do canal e túnel da Mancha.
Recordo dois filmes já falados neste blogue: Welcome de Philippe Loiret de 2009 e Villagio di cartone de Ermanno Olmi de 2011.
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2012/05/imigracao-clandestina-welcome-il.html
Já passou tempo suficiente para se poder afirmar que os senhores governantes e decisores da Europa são incapazes de mitigar sequer o problema. Provavelmente porque não querem demonstrar solidariedade para com os imigrantes, achando que os europeus são superiores.
Será assim tão dificil aceitar a ideia de uma integração a sério, impondo o respeito por todos da declaração universal dos direitos humanos, incluindo a obrigatoriedade do ensino laico e do emprego?
Sendo certo que as forças do mercado nunca concretizarão essa ideia porque assentam na competição e não na cooperação.
Vamos continuar a assistir à já denunciada tragédia da imigração?
Recordo dois filmes já falados neste blogue: Welcome de Philippe Loiret de 2009 e Villagio di cartone de Ermanno Olmi de 2011.
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2012/05/imigracao-clandestina-welcome-il.html
Já passou tempo suficiente para se poder afirmar que os senhores governantes e decisores da Europa são incapazes de mitigar sequer o problema. Provavelmente porque não querem demonstrar solidariedade para com os imigrantes, achando que os europeus são superiores.
Será assim tão dificil aceitar a ideia de uma integração a sério, impondo o respeito por todos da declaração universal dos direitos humanos, incluindo a obrigatoriedade do ensino laico e do emprego?
Sendo certo que as forças do mercado nunca concretizarão essa ideia porque assentam na competição e não na cooperação.
Vamos continuar a assistir à já denunciada tragédia da imigração?
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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21:04
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segunda-feira, 6 de julho de 2015
Zonas verdes em Lisboa
A imagem com a rede desmantelada é a do campo de golfe abandonado da Belavista, perto do aeroporto de Lisboa.
Está assim há anos, não se sabe se por deficiente gestão da câmara de Lisboa se por impossibilidade física de rentabilizar o campo e o restaurante.
É um contraste com o exito do novo jardim da cerca da Graça.
Pode também ser uma imagem do insucesso da ideia do fecho da estação de Santa Apolónia com a urbanização de luxo dos terrenos do terminal de contentores de Santa Apolónia (com fundos de 10 metros, com transferencia para o porto do Barreiro com fundos de 5 metros).
Pessoalmente quer-me parecer que o parque da Belavista e o seu campo de golfe podiam ser rentabilizados, disponibilizados à população da cidade, mas confesso que não tenho conhecimento dos pormenores.
Pena a câmara não informar.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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22:09
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cãmara de Lisboa
Pobreza e efeitos nas crianças
No dia 2 de julho de 2015 a TVI24 apresentou um debate impressionante sobre a pobreza em Portugal:
http://www.tvi24.iol.pt/videos/proximo-governo-devia-ter-um-plano-contra-a-pobreza/5595b35b0cf2788e673775d7/3
Não me interessa agora argumentar ou apreciar as políticas do atual governo e da sua troika, ou as de qualquer partido.
O principal efeito da pobreza é sobre as crianças e consequentemente sobre o futuro.
Assim, se se pode contabilizar 20% de pobres ou em risco de pobreza em Portugal, o que é ainda mais grave é que 24% das crianças portuguesas vivem nessas condições. Como consequencia, o seu desenvolvimento intelectual fica afetado, e as diferenças entre classes sociais acentuam-se, contrariamente aos objetivos internacionalmente aceites.
Se os setores conservadores acusam muitos portugueses de terem vivido acima das suas possibilidades e de defenderem com os seus sindicatos aquilo que podem, e assim terem conduzido o país à falencia, não podem de modo nenhum acusar as crianças de qualquer culpa.
Mas são as crianças que são castigadas, pelo menos 24% delas, o seu futuro condicionado e é a continuação do aumento das desigualdades.
Por isso, não parecem corretas as medidas de austeridade.
Para sair disto, mais uma vez invoco a fórmula do saldo orçamental. Não é com poupanças que se pode melhorar a educação das crianças, a sua qualificação profissional e as condições sociais em que crescem.
É com investimento, e se esse investimento não vem de dentro do país, terá de vir de fora, sob a forma de fundos comunitários que exigem a elaboração de projetos concretos que o atual governo não quer fazer, com a desculpa de que se gastou demais em infraestruturas de transportes (é mentira, utulizaram-se mais fundos comunitários em telecomunicações, ou em saneamento e redes de águas). Ou sob a forma de investimentos como a Auto Europa, a Grundig, a Boch, a Continental, a Siemens. Perdemos soberania e PNB, mas combatemos o desemprego. Ou sob a forma de um mini plano Marshall. Substituindo importações de energia primária e de alimentos.
Mas parece que os partidos estão pouco virados para isto, e não ajuda nada o crescimento da venda de automóveis, com a autoridade tributária a encher os seus cofres com os impostos sobre veículos e combustíveis.
Repito a fórmula do saldo orçamental:
saldo orç.= investimento estrangeiro/fundos comunitários/inv.privado - poupanças +exportações - importações
http://www.tvi24.iol.pt/videos/proximo-governo-devia-ter-um-plano-contra-a-pobreza/5595b35b0cf2788e673775d7/3
Não me interessa agora argumentar ou apreciar as políticas do atual governo e da sua troika, ou as de qualquer partido.
O principal efeito da pobreza é sobre as crianças e consequentemente sobre o futuro.
Assim, se se pode contabilizar 20% de pobres ou em risco de pobreza em Portugal, o que é ainda mais grave é que 24% das crianças portuguesas vivem nessas condições. Como consequencia, o seu desenvolvimento intelectual fica afetado, e as diferenças entre classes sociais acentuam-se, contrariamente aos objetivos internacionalmente aceites.
Se os setores conservadores acusam muitos portugueses de terem vivido acima das suas possibilidades e de defenderem com os seus sindicatos aquilo que podem, e assim terem conduzido o país à falencia, não podem de modo nenhum acusar as crianças de qualquer culpa.
Mas são as crianças que são castigadas, pelo menos 24% delas, o seu futuro condicionado e é a continuação do aumento das desigualdades.
Por isso, não parecem corretas as medidas de austeridade.
Para sair disto, mais uma vez invoco a fórmula do saldo orçamental. Não é com poupanças que se pode melhorar a educação das crianças, a sua qualificação profissional e as condições sociais em que crescem.
É com investimento, e se esse investimento não vem de dentro do país, terá de vir de fora, sob a forma de fundos comunitários que exigem a elaboração de projetos concretos que o atual governo não quer fazer, com a desculpa de que se gastou demais em infraestruturas de transportes (é mentira, utulizaram-se mais fundos comunitários em telecomunicações, ou em saneamento e redes de águas). Ou sob a forma de investimentos como a Auto Europa, a Grundig, a Boch, a Continental, a Siemens. Perdemos soberania e PNB, mas combatemos o desemprego. Ou sob a forma de um mini plano Marshall. Substituindo importações de energia primária e de alimentos.
Mas parece que os partidos estão pouco virados para isto, e não ajuda nada o crescimento da venda de automóveis, com a autoridade tributária a encher os seus cofres com os impostos sobre veículos e combustíveis.
Repito a fórmula do saldo orçamental:
saldo orç.= investimento estrangeiro/fundos comunitários/inv.privado - poupanças +exportações - importações
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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20:58
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quinta-feira, 2 de julho de 2015
Estaleiros de Viana do Castelo, junho de 2015
Continuação de
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2015/05/estaleiros-de-viana-do-castelo-em-maio.html
As notícias vão correndo discretamente.
Material que tinha sido comprado para o Anticiclone, o "irmão" mais pequeno do Atlântida, estará no estaleiro da Figueira da Foz para a construção de um navio para Timor. Porém, o estaleiro está com dificuldades financeiras, ignorando-se se vai mesmo iniciar a construção. É evidente que , por uma questão de escala, a construção em pequenos estaleiros ou em pequenas séries nunca poderá ser competitiva relativamente aos grandes estaleiros coreanos, finlandeses e italianos, o que explica alguns dos prejuízos dos ENVC.
Em dezembro de 2014 a Martifer/West Sea, subconcessionária dos estaleiros de Viana, assinaram o o contrato para a cosntrução de um navio de cruzeiros para a Douro Azul, no valor de 12 milhões de euros.
Consta que o Atlântida terá sido vendido em maio de 2015 para a Noruega por 14 milhões (a Douro Azul tinha-o comprado por 8 milhões).
Ainda em dezembro de 2014 o senhor ministro da Defesa, segundo informação da Cargo News, contratou por ajuste direto de 77 milhões de euros a construção de dois patrulheiros pela Martifer/West Sea. Ver:
http://www.cargoedicoes.pt/site/Default.aspx?tabid=380&id=11519&area=Cargo
Em maio de 2015 a união europeia informou que o governo português nunca defendeu junto dela o estabelecido nos artigos 107, 346 e 349 do tratado da união, relativos a equipamentos de defesa e a regiões em dificuldades ou de custos insulares, como era o caso dos patrulheiros ou do Atlântida. Ver:
http://www.cargoedicoes.pt/site/Default.aspx?tabid=380&id=11578&area=Cargo
Parece assim que este argumento será usado para justificar o ajuste direto agora, com a Martifer/West Sea, quando anteriormente o governo afirmou que os dois patrulheiros construidos pelos ENVC tinham sido objeto de ajudas ilegais do Estado, cancelando a encomenda de novos patrulheiros e estrangulando assim os ENVC.
A confirmarem-se estes factos, parecerá evidente o favorecimento pelo governo de grupos privados, o que por sua vez só confirmaria a economia política clássica e a justeza da utilização das palavras infâmia e indignidade para referir a extinção forçada dos ENVC. Citando um antigo chefe das forças armadas, é um exemplo da superioridade da gestão privada quando é financiada pelo erário público.
Ver:
http://www.cargoedicoes.pt/site/Default.aspx?tabid=380&id=11444&area=Cargo
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2015/05/estaleiros-de-viana-do-castelo-em-maio.html
As notícias vão correndo discretamente.
Material que tinha sido comprado para o Anticiclone, o "irmão" mais pequeno do Atlântida, estará no estaleiro da Figueira da Foz para a construção de um navio para Timor. Porém, o estaleiro está com dificuldades financeiras, ignorando-se se vai mesmo iniciar a construção. É evidente que , por uma questão de escala, a construção em pequenos estaleiros ou em pequenas séries nunca poderá ser competitiva relativamente aos grandes estaleiros coreanos, finlandeses e italianos, o que explica alguns dos prejuízos dos ENVC.
Em dezembro de 2014 a Martifer/West Sea, subconcessionária dos estaleiros de Viana, assinaram o o contrato para a cosntrução de um navio de cruzeiros para a Douro Azul, no valor de 12 milhões de euros.
Consta que o Atlântida terá sido vendido em maio de 2015 para a Noruega por 14 milhões (a Douro Azul tinha-o comprado por 8 milhões).
Ainda em dezembro de 2014 o senhor ministro da Defesa, segundo informação da Cargo News, contratou por ajuste direto de 77 milhões de euros a construção de dois patrulheiros pela Martifer/West Sea. Ver:
http://www.cargoedicoes.pt/site/Default.aspx?tabid=380&id=11519&area=Cargo
Em maio de 2015 a união europeia informou que o governo português nunca defendeu junto dela o estabelecido nos artigos 107, 346 e 349 do tratado da união, relativos a equipamentos de defesa e a regiões em dificuldades ou de custos insulares, como era o caso dos patrulheiros ou do Atlântida. Ver:
http://www.cargoedicoes.pt/site/Default.aspx?tabid=380&id=11578&area=Cargo
Parece assim que este argumento será usado para justificar o ajuste direto agora, com a Martifer/West Sea, quando anteriormente o governo afirmou que os dois patrulheiros construidos pelos ENVC tinham sido objeto de ajudas ilegais do Estado, cancelando a encomenda de novos patrulheiros e estrangulando assim os ENVC.
A confirmarem-se estes factos, parecerá evidente o favorecimento pelo governo de grupos privados, o que por sua vez só confirmaria a economia política clássica e a justeza da utilização das palavras infâmia e indignidade para referir a extinção forçada dos ENVC. Citando um antigo chefe das forças armadas, é um exemplo da superioridade da gestão privada quando é financiada pelo erário público.
Ver:
http://www.cargoedicoes.pt/site/Default.aspx?tabid=380&id=11444&area=Cargo
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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02:56
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Atlântida,
estaleiros de Viana do Castelo
quarta-feira, 1 de julho de 2015
Dilos, Grécia, no ano 2791 da era das olimpíadas
Saúde para Telémaco, Niarcos, Larissa, Diogenes, Sofia, Alexandre, Ifigénia e
todos os amigos.
Escrevo-vos da montanha sagrada de Dilos, contemplo Mikonos, não muito longe, e o pequeno porto de Dilos, enquanto vou
imaginando que os antepassados escolheram esta ilha para sede da confederação
porque a baía era abrigada do vento norte, apesar da proximidade do rochedo que
a separa de Rinia.
A rapidez com que os barcos entrariam no porto, e depois
saíam para sul, ao longo do canal estreito, quase sempre com vento forte…
Não existia ainda a alameda dos leões quando os atenienses vieram
cá buscar o tesouro.
Que era necessário centralizar a gestão da união, que em
Atenas ficava melhor, preparando a defesa contra os persas.
Romperam assim a confederação.
Teriam os dirigentes da democracia nascente ponderado bem o
risco da guerra do Peloponeso que se seguiu? Comprometendo a própria democracia
submetida à aristocracia segregacionista de Esparta?
Julgar-se-iam superiores aos habitantes das pequenas ilhas?
Detentores da sabedoria, da riqueza mercantil e da cultura suméria com os seus
juros compostos?
Orgulhosos porque
Atenas tinha 320 mil habitantes, dos quais 150 mil escravos, 90 mil mulheres e crianças
e apenas 80 mil cidadãos com direito de voto. Um eleitor por cada quatro
habitantes.
Escrevo-vos esta carta também porque neste desgraçado ano o
tesouro não está em Atenas. E quem o guarda,
lá onde a Europa se reclina sobre a sua riqueza, parece não ligar muita importância à necessidade
de que esse indicador, o número de cidadãos de pleno direito a dividir pelo
número total de habitantes, se aproxime o mais possível da unidade. Querem que sejam bem menores os rendimentos daqueles que produzem ou, já velhos, produziram, do que os dos evoluídos decisores e seus colaboradores privilegiados.
Com superioridade dizem: têm de fazer sacrifícios, têm de
aceitar o que vos propomos. Têm de reduzir os vossos rendimentos que são
superiores aos de outros povos que também fizeram os sacrifícios.
Esquecem esses evoluidos e superiores decisores que esses povos foram vergonhosamente condicionados para isso e que deveriam também ser ajudados a produzir com reconhecimento do justo valor da sua produção, e não a pagar dívidas com mais dívida.
Esquecem, certamente por distração, não por ignorancia simples, que o próprio tratado que regula a sua confederação prevê auxílios comunitários a ilhas (a da Martinica, a da Reunião, por exemplo, colónias francesas em pleno ano 2791...).
Esquecem esses evoluidos e superiores decisores que esses povos foram vergonhosamente condicionados para isso e que deveriam também ser ajudados a produzir com reconhecimento do justo valor da sua produção, e não a pagar dívidas com mais dívida.
Esquecem, certamente por distração, não por ignorancia simples, que o próprio tratado que regula a sua confederação prevê auxílios comunitários a ilhas (a da Martinica, a da Reunião, por exemplo, colónias francesas em pleno ano 2791...).
No momento em que vos escrevo ninguém sabe qual vai ser o
resultado do referendo.
Mecanismo democrático de que os evoluídos decisores têm
receio.
Nem eu sei nem devo dizer-vos como será melhor responderem.
Aceitar a submissão temporária e com raiva surda, a pouco e
pouco, repor a primazia da declaração universal dos direitos humanos?
Ou não aceitar e assumir já a diferença em relação a esses
presumidos decisores, fechando-vos numa economia de moeda paralela ? (a pressa
com que o banco central austríaco, há 82 anos, proibiu a moeda de Worgl, com a
mesma sanha com que o imperador Teodósio proibiu os jogos olímpicos…)
reconstituindo os laços com os sucessores do principado de Vladimir? Retomando a
rota da seda e fazendo as pazes com os netos e bisnetos do antigo opressor otomano e do ainda mais antigo inimigo das Termópilas?
Vou esperar aqui em Dilos, no centro da confederação helénica,
a vossa decisão.
Publicada por
Fernando de Carvalho Santos e Silva
à(s)
21:44
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