Deuses da guerra, deuses da concórdia, deuses do comércio, deuses das danças e do entertenimento, não poderíeis entender-vos entre vós, já que os humanos já demonstraram a sua incapacidade para tal, e poupar as criancinhas a estes jogos de guerra?
É que elas podem habituar-se, e passam depois a vida em sucessivamente mais graves jogos de guerra, infelizmente muitos deles reais.
Ou... será que vocês são mesmo criados à imagem do homem, e também não se entendem?
Precisamos mesmo de um congresso pluriversal de deuses, para pôr sossego nisto.
sábado, 26 de dezembro de 2015
Deuses da guerra, deuses da concórdia, deuses do comércio, deuses das danças e do entertenimento
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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O palácio das necessidades
Palácio das necessidades no Campo Grande.
Fechado há muitos anos.
Compreende-se a necessidade da tesouraria cortar custos, nomeadamente de pessoal para limpeza, operação e manutenção.
Mas assim é uma pena. Perde-se uma oportunidade de combater o desemprego, e perde-se algum dinheiro por não se aproveitar a ureia desperdiçada sabe-se lá por que cantos de mau cheiro
Metáfora do país que não aproveita o que tem.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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21:19
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Liberdade de expressão, por Ai Weiwei
China, aqui no mapa de Ai Weiwei, com votos de compatibilização do crescimento e planificação económicos com o respeito pelos direitos humanos, de que a liberdade de expressão é um deles, mas que o direito a uma remuneração justa, e não com preços de dumping, é também muito importante.
![]() |
| Free Speech puzzle, peças de porcelana cujo conjunto de carateres chineses significa liberdade de expressão (foto retirada do DN) |
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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Ai Weiwei
O desemprego, segundo Charles Chaplin
Duma entrevista de Charles Chaplin, em 1931. 5 anos antes de Tempos Modernos, e 2 anos depois do rebentar da crise financeira de 1929:
"O desemprego é a questão vital. A maquinaria deve beneficiar a humanidade, não gerar uma tragédia em que os seres humanos não têm trabalho"
Passados estes anos todos, e depois de umas quantas mais crises financeiras, será tão difícil fazer compreender aos eurocratas de Bruxelas e aos teóricos da cartilha do consenso de Washington que a tecnologia tem sido utilizada para desvalorizar o fator trabalho porque permite produzir mais barato, não necessariamente por causa do abaixamento da mão de obra, mas principalmente por razões intrínsecas do progresso tecnológico? Que deveria ser utilizado em benefício coletivo, não de nichos restritos.
Ouçam Chaplin.
"O desemprego é a questão vital. A maquinaria deve beneficiar a humanidade, não gerar uma tragédia em que os seres humanos não têm trabalho"
Passados estes anos todos, e depois de umas quantas mais crises financeiras, será tão difícil fazer compreender aos eurocratas de Bruxelas e aos teóricos da cartilha do consenso de Washington que a tecnologia tem sido utilizada para desvalorizar o fator trabalho porque permite produzir mais barato, não necessariamente por causa do abaixamento da mão de obra, mas principalmente por razões intrínsecas do progresso tecnológico? Que deveria ser utilizado em benefício coletivo, não de nichos restritos.
Ouçam Chaplin.
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quarta-feira, 23 de dezembro de 2015
A incomensurável e insustentável arrogância dos ignorantes
![]() |
| foto retirada do DN de 21 de dezembro |
Os senhores aprumadinhos e de vida despreocupada do FMI, muito acima das misérias deste mundo, apresentaram mais um relatório sobre a concessão do empréstimo de 26 mil milhões de que têm recebido juros e amortizações.
Com a sua superioridade linguística e gongórica, dizem que "foi difícil afirmar categoricamente que havia alta probabilidade de a dívida ser sustentável a médio prazo, mas que, tendo em conta a preocupação de contágios sistémicos internacionais, foi invocada a exceção sistémica para justificar o acesso, excecional, à assistência do FMI".
Parece que o relatório agora divulgado diz que havia dúvidas de que Portugal teria ou tem capacidade de pagar a sua dívida, embora a concessão do empréstimo fosse justificada para o Estado português poder pagar a privados e para evitar o famosos risco sistémico.
São uns ingratos, têm recebido os juros, mais altos do que os da união e do banco mundial, fizeram um bom negócio.
Mas têm razão na dúvida sobre a dívida.
Desde o início do processo que se disse que a dívida deveria ser renegociada depois de identificada a natureza dos credores e a sua legitimidade.
Penhorados e agradecidos perante tanta generosidade de quem cobra juros superiores ao BCE e UE, vemos agora que esses senhores também acham que afinal, considerando as dúvidas sobre a dívida, se enganaram na definição da politica de austeridade, e que os multiplicadores utilizados estavam errados (já se sabia há muito tempo).
Dizem eles que estão a aprender com esta lição e que afinal reestruturar a dívida antes do programa de assistencia dará melhores resultados.
Como logo em 2011 foi dito pelos partidos mais à esquerda, enquanto o então governo dizia , e fez, ir mais além da troika.
Não há paciência para aturar ignorantes e convencidos.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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terça-feira, 22 de dezembro de 2015
Austria, Austria
A notícia discreta de 18 de dezembro dizia que Bruxelas manifestou receios de que quatro países divergissem relativamente à sustentabilidade da dívida pública versus medidas de estabilização do crescimento económico (disciplina orçamental versus orçamento expansionista com investimento público): Itália, Grécia, Portugal e Áustria.
Sobre a Itália, diria que deveríamos apoiar o seu primeiro-ministro quando diz que a união europeia tem de compreender que a sua política austeritária tem de mudar e aceitar o investimento público (eu diria que se esse investimento público vier de fundos comunitários a fundo maioritariamente perdido estariamos todos de acordo).
Quanto à Áustria, que é apresentada na notícia como uma surpresa, como um aluno bem comportado apanhado a portar-se mal, pensei expor aqui umas quantas recordações minhas.
Sempre me surpreendeu o sucesso da Austria no fim do século passado e no inicio deste século.
Julgo que talvez fosse por contágio dos germânicos do norte que tão boa fama tinham, o que me custava a aceitar.
A minha desconfiança austríaca começou nas semelhanças históricas: grandes e pretensiosos impérios , um com esfera armilar, o outro com divisa com o desígnio da Austria a imperar sobre o mundo; anos 30 do século XX, corporativismo criptofascista por cá com Salazar, por lá com Dreyfus.
Recordo a viagem de finalistas de eletrotecnia de 1970, com passagem por Linz e Salzburg antes de enfiarmos pela Baviera até ao museu da ciencia em Munique. Nas aldeias ao longo da estrada era visível a precariedade dos isoladores e das ligações elétricas dos condutores de distribuição.
Pouco depois, encontrei dois colegas austríacos frequentando como eu um estágio na KEMA, o laboratório de alta tensão e normalização eletrotécnica da Holanda. Um deles parecia o típico vivaço português, oportunista e desenrascado, criticado com bonomia pelo colega, mais parecido comigo, sem nada de genial nem digno de ser medalhado, mas sempre interessado em compreender como as coisas funcionam e em que elas funcionem, e em executar as tarefas do trabalho conforme as normas.
Imagino se o colega desenrascado veio a ocupar lugares de decisão. Não certamente o meu semelhante.
Mais tarde, fins dos anos 90, a minha admiração perante os ricos investimentos do metropolitano de Viena em infraestruturas que poderiam ter sido mais modestas, à semelhança no nosso metro de Lisboa. Refiro no entanto a notável contribuição do metro de Viena para a redução das vibrações e ruído por melhoria dos sistemas de fixação da via férrea ao leito de via. de que é exemplo o troço sob o Musikverein.
Logo depois, no século XXI, vieram os cortes cegos no metro de Viena, deixaram de enviar representantes às reuniões dos metros. E agora é isto, reprimendas e avisos de Bruxelas contra os investimentos públicos.
Faz-me lembrar, mais a norte, a gelada indiferença dos cidadãos finlandeses e dos seus políticos como aquele insuportável senhor Oli Rehn, perante a difícil compatibilização dos seus salários médios acima de 3800 euros com 3 anos de recessão económica sem surgir uma providencial, competitiva, produtiva e eficiente nova Nokia. Assim vão ter de esperar que o turismo da Lapónia faça o mesmo que o turismo aos preguiçosos lisboetas e portugueses, que lhes equilibre o saldo externo ("primeiro levaram os comunistas, mas eu não me importei, não era comunista, depois levaram os judeus, mas eu não me importei, não era judeu, depois ...").
Para melhor enquadramento histórico da decadencia austríaca, ver o livro " Declínio e queda do império dos Habsburgo. 1815 -1918", de Alan Sked em:
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2015/08/os-decisores-metternich.html
Sobre a Itália, diria que deveríamos apoiar o seu primeiro-ministro quando diz que a união europeia tem de compreender que a sua política austeritária tem de mudar e aceitar o investimento público (eu diria que se esse investimento público vier de fundos comunitários a fundo maioritariamente perdido estariamos todos de acordo).
Quanto à Áustria, que é apresentada na notícia como uma surpresa, como um aluno bem comportado apanhado a portar-se mal, pensei expor aqui umas quantas recordações minhas.
Sempre me surpreendeu o sucesso da Austria no fim do século passado e no inicio deste século.
Julgo que talvez fosse por contágio dos germânicos do norte que tão boa fama tinham, o que me custava a aceitar.
A minha desconfiança austríaca começou nas semelhanças históricas: grandes e pretensiosos impérios , um com esfera armilar, o outro com divisa com o desígnio da Austria a imperar sobre o mundo; anos 30 do século XX, corporativismo criptofascista por cá com Salazar, por lá com Dreyfus.
Recordo a viagem de finalistas de eletrotecnia de 1970, com passagem por Linz e Salzburg antes de enfiarmos pela Baviera até ao museu da ciencia em Munique. Nas aldeias ao longo da estrada era visível a precariedade dos isoladores e das ligações elétricas dos condutores de distribuição.
Pouco depois, encontrei dois colegas austríacos frequentando como eu um estágio na KEMA, o laboratório de alta tensão e normalização eletrotécnica da Holanda. Um deles parecia o típico vivaço português, oportunista e desenrascado, criticado com bonomia pelo colega, mais parecido comigo, sem nada de genial nem digno de ser medalhado, mas sempre interessado em compreender como as coisas funcionam e em que elas funcionem, e em executar as tarefas do trabalho conforme as normas.
Imagino se o colega desenrascado veio a ocupar lugares de decisão. Não certamente o meu semelhante.
Mais tarde, fins dos anos 90, a minha admiração perante os ricos investimentos do metropolitano de Viena em infraestruturas que poderiam ter sido mais modestas, à semelhança no nosso metro de Lisboa. Refiro no entanto a notável contribuição do metro de Viena para a redução das vibrações e ruído por melhoria dos sistemas de fixação da via férrea ao leito de via. de que é exemplo o troço sob o Musikverein.
Logo depois, no século XXI, vieram os cortes cegos no metro de Viena, deixaram de enviar representantes às reuniões dos metros. E agora é isto, reprimendas e avisos de Bruxelas contra os investimentos públicos.
Faz-me lembrar, mais a norte, a gelada indiferença dos cidadãos finlandeses e dos seus políticos como aquele insuportável senhor Oli Rehn, perante a difícil compatibilização dos seus salários médios acima de 3800 euros com 3 anos de recessão económica sem surgir uma providencial, competitiva, produtiva e eficiente nova Nokia. Assim vão ter de esperar que o turismo da Lapónia faça o mesmo que o turismo aos preguiçosos lisboetas e portugueses, que lhes equilibre o saldo externo ("primeiro levaram os comunistas, mas eu não me importei, não era comunista, depois levaram os judeus, mas eu não me importei, não era judeu, depois ...").
Para melhor enquadramento histórico da decadencia austríaca, ver o livro " Declínio e queda do império dos Habsburgo. 1815 -1918", de Alan Sked em:
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2015/08/os-decisores-metternich.html
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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A escolaridade e a entropia
O conceito de entropia não é intuitivo.
Está associado à conservação da energia num sistema isolado ou à impossibilidade de produzir trabalho útil sem converter parte da energia em calor.
Por outras palavras, num sistema abandonado a si próprio a desordem molecular, termodinâmica, tende para o seu estado máximo.
É portanto necessário fornecer energia a um sistema para que ele assuma o estado que nos interessa.
Por exemplo, levantar as paredes de um edifício.
Ou transportar pessoas ou materiais (transformando a energia química do combustível fóssil, já de si transformada a partir da energia solar, em energia de deslocação e em calor).
Sendo certo que será sempre necessário "ir buscar" a energia a algum sítio, que degradará parte do sistema de forma irreversível, por mais que nos pareça eterno o tempo de decaímento radioativo que emite a energia solar ou o aquecimento do interior da Terra.
Posto isto, considere-se a seguinte fotografia e o zoom do pormenor:
Representa a embalagem de um brinquedo de criança deixada no pavimento público.
Isto é, a entropia do sistema de distribuição do brinquedo aumentou ao não ter sido fornecida energia para a sua recolha em recipiente adequado.
Recorde-se agora o indicador dos 50% de analfabetismo. No século XVI, 50% da população dinamarquesa atingiu a alfabetização. Isso aconteceu na Inglaterra, Alemanha e Holanda no século XVII, mas em França no século XVIII e em Espanha no século XIX. Em Portugal e na Turquia aconteceu no século XX.
A maior parte das nossas avós, senhoras im idade fértil no início do século XX, eram analfabetas. Muitas delas sábias e produtivas, mas analfabetas.
Isso teve consequencias através dos mecanismos de afetividade familiar e de reprodução de conceitos e práticas por quem esteve mais tempo em casa em contacto com as crianças.
Por meio de um grande esforço, o país conseguiu subir o nível de escolaridade da população jovem.
Mas é ainda insuficiente, como mostram as análises críticas comparativas com os países europeus. Os senhores economistas falam em défice de qualificações, apesar de sermos um país exportador de qualificados.
Existe uma grande entropia, uma desordenada organização social que requer enorme energia para modificar o seu estado. Que encontra relutancia entre os próprios sujeitos para essa mudança. Essa relutancia manifesta-se como consequencia de insegurança própria, desconfiança de normas externas. Muitos técnicos (felizmente há exceções) têm dificuldade em seguir os procedimentos, de segurança ou específicos da tarefa porque se considerariam inferiorizados se o fizessem.
É por exemplo o caso dos condutores de automóvel ao não cumprirem os limites de velocidade, ao não respeitarem a distancia para o veículo que os precedem, ao deixar as portas abertas para a via de rodagem.
É também o caso das crianças que deitam embalagens para o chão, e dos seus pais que validam esse procedimento enquanto a entropia aumenta.
Não basta o indicador dos 50% de alfabetização, é necessário para o país ser civilizado e desenvolvido, que a entropia seja contida.
Contenção da entropia, precisa-se.
Está associado à conservação da energia num sistema isolado ou à impossibilidade de produzir trabalho útil sem converter parte da energia em calor.
Por outras palavras, num sistema abandonado a si próprio a desordem molecular, termodinâmica, tende para o seu estado máximo.
É portanto necessário fornecer energia a um sistema para que ele assuma o estado que nos interessa.
Por exemplo, levantar as paredes de um edifício.
Ou transportar pessoas ou materiais (transformando a energia química do combustível fóssil, já de si transformada a partir da energia solar, em energia de deslocação e em calor).
Sendo certo que será sempre necessário "ir buscar" a energia a algum sítio, que degradará parte do sistema de forma irreversível, por mais que nos pareça eterno o tempo de decaímento radioativo que emite a energia solar ou o aquecimento do interior da Terra.
Posto isto, considere-se a seguinte fotografia e o zoom do pormenor:
Representa a embalagem de um brinquedo de criança deixada no pavimento público.
Isto é, a entropia do sistema de distribuição do brinquedo aumentou ao não ter sido fornecida energia para a sua recolha em recipiente adequado.
Recorde-se agora o indicador dos 50% de analfabetismo. No século XVI, 50% da população dinamarquesa atingiu a alfabetização. Isso aconteceu na Inglaterra, Alemanha e Holanda no século XVII, mas em França no século XVIII e em Espanha no século XIX. Em Portugal e na Turquia aconteceu no século XX.
A maior parte das nossas avós, senhoras im idade fértil no início do século XX, eram analfabetas. Muitas delas sábias e produtivas, mas analfabetas.
Isso teve consequencias através dos mecanismos de afetividade familiar e de reprodução de conceitos e práticas por quem esteve mais tempo em casa em contacto com as crianças.
Por meio de um grande esforço, o país conseguiu subir o nível de escolaridade da população jovem.
Mas é ainda insuficiente, como mostram as análises críticas comparativas com os países europeus. Os senhores economistas falam em défice de qualificações, apesar de sermos um país exportador de qualificados.
Existe uma grande entropia, uma desordenada organização social que requer enorme energia para modificar o seu estado. Que encontra relutancia entre os próprios sujeitos para essa mudança. Essa relutancia manifesta-se como consequencia de insegurança própria, desconfiança de normas externas. Muitos técnicos (felizmente há exceções) têm dificuldade em seguir os procedimentos, de segurança ou específicos da tarefa porque se considerariam inferiorizados se o fizessem.
É por exemplo o caso dos condutores de automóvel ao não cumprirem os limites de velocidade, ao não respeitarem a distancia para o veículo que os precedem, ao deixar as portas abertas para a via de rodagem.
É também o caso das crianças que deitam embalagens para o chão, e dos seus pais que validam esse procedimento enquanto a entropia aumenta.
Não basta o indicador dos 50% de alfabetização, é necessário para o país ser civilizado e desenvolvido, que a entropia seja contida.
Contenção da entropia, precisa-se.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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segunda-feira, 21 de dezembro de 2015
O ministério público, as ondas de rebentação na barra da Figueira da Foz e o julgamento do mestre do "Jesus dos Navegantes"
O tribunal de Coimbra condenou em pena suspensa por 2 anos e mestre do "Jesus dos Navegantes", por homicídio por negligencia dos 4 pescadores, por não os obrigar a envergar os coletes de segurança.
Não o condenou por negligencia no governo da embarcação, por entretanto o ministério público ter retirado a acusação de não ter cumprido a rota da carta náutica.
Pode haver a interpretação generosa de que os senhores juízes pretendem tornar obrigatório o uso do colete na barra perigosa da Figueira.
Não é de facto obrigatório, tal como não é o uso do cinto de segurança para os motoristas de autocarro. Por isso morreu recentemente um motorista da Carris abalroado por um descontrolado no Campo Pequeno.
Os próprios profissionais são refratários ao seu uso (de facto, o cinto de segurança aumenta os riscos em caso de incendio do veículo, mas estatisticamente é vantajoso).
No caso dos pescadores o colete dificulta o escape do interior de uma embarcação virada. A menos que o colete seja insuflável (portanto mais caro e de revisão periódica). Ignoro se os senhores juízes recomendaram o uso de colete insuflável e a proibição de botas-calça (os pescadores que sobreviveram tiveram de descalçar as botas-calça antes de escaparem do interior da embarcação virada) e a obrigatoriedade de vestuário isotérmico (portanto mais caro).
Custa-me pois aceitar a condenação por negligência.
Estas coisas, nomeadamente a análise da obrigatoriedade do colete, deviam ser tratadas em comissões de técnicos que estejam dentro dos assuntos, mas tenho pouca esperança de que o ministério do mar, a marinha e a autoridade marítima, por esta ordem ou a que quiserem resolva o assunto, em colaboração com associações profissionais, universitárias e seguradoras (sendo certo que estas não devem usar subterfígios jurídicos para se furtarem ao pagamento das indemnizações), possibilidade de participação cidadã e com divulgação pública do andamento dos trabalhos.
No fundo, o que estou a discutir é o valor de um julgamento por quem não pratica o que o acusado vive no seu quotidiano profissional, pese embora terem sido chamadas testemunhas da especialidade (como pode o juiz avaliar a competencia técnica do técnico que testemunha?). O que põe a questão dos relatórios técnicos (o relatório da autoridade marítima sobre este acidente pareceu-me insuficiente) cujo objetivo principal deve ser evitar a repetição dos acidentes e não a condenação de eventuais responsáveis.
Trata-se de uma questão difícil, mas penso que podíamos começar pelo alargamento das comissões de inquérito com a participação acima referida.
Quanto ao ministério público e à sua ingrata tarefa de acusar, ou imputar com base na gravidade dos indícios (como pode avaliar-se o grau de gravidade dos indícios se não se pratica o que imputado exerce e sem reunir uma quantidade de técnicos especialista que garanta a diversidade de opiniões sobre o tema?), interessa-me destacar a precipitação com que imputou ao mestre negligência no governo da embarcação.
Desistiu da acusação depois de ter verificado que se tinha precipitado.
O video seguinte foi feito em dia em que o mar estava relativamente calmo, e apesar de não ser muito claro, pode ver-se que se formam ondas de rebentação junto da extremidade do molhe norte, devido á pouca profundidade. O mestre estava a tentar fugir a essa zona. Não foi negligência. Não pode invocar-se cegamente a carta náutica e a sua rota.
É possível que esta precipitação revele o que me parece uma fragilidade da justiça em Portugal: a inexistencia de orgãos de controle mútuo à semelhança das direções de qualidade das empresas produtoras de sistemas ou serviços envolvendo segurança de pessoas e bens. Os mecanismos de controle da qualidade estão descritos em normas, como a definição do processo de verificação em "V", que me parecem de difícil aceitação pela cultura dominante na justiça portuguesa.
Mas posso estar enganado.
https://youtu.be/Kf6Iyox3Jho
Mais informação sobre o acidente em
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/search?q=navegantes
Não o condenou por negligencia no governo da embarcação, por entretanto o ministério público ter retirado a acusação de não ter cumprido a rota da carta náutica.
Pode haver a interpretação generosa de que os senhores juízes pretendem tornar obrigatório o uso do colete na barra perigosa da Figueira.
Não é de facto obrigatório, tal como não é o uso do cinto de segurança para os motoristas de autocarro. Por isso morreu recentemente um motorista da Carris abalroado por um descontrolado no Campo Pequeno.
Os próprios profissionais são refratários ao seu uso (de facto, o cinto de segurança aumenta os riscos em caso de incendio do veículo, mas estatisticamente é vantajoso).
No caso dos pescadores o colete dificulta o escape do interior de uma embarcação virada. A menos que o colete seja insuflável (portanto mais caro e de revisão periódica). Ignoro se os senhores juízes recomendaram o uso de colete insuflável e a proibição de botas-calça (os pescadores que sobreviveram tiveram de descalçar as botas-calça antes de escaparem do interior da embarcação virada) e a obrigatoriedade de vestuário isotérmico (portanto mais caro).
Custa-me pois aceitar a condenação por negligência.
Estas coisas, nomeadamente a análise da obrigatoriedade do colete, deviam ser tratadas em comissões de técnicos que estejam dentro dos assuntos, mas tenho pouca esperança de que o ministério do mar, a marinha e a autoridade marítima, por esta ordem ou a que quiserem resolva o assunto, em colaboração com associações profissionais, universitárias e seguradoras (sendo certo que estas não devem usar subterfígios jurídicos para se furtarem ao pagamento das indemnizações), possibilidade de participação cidadã e com divulgação pública do andamento dos trabalhos.
No fundo, o que estou a discutir é o valor de um julgamento por quem não pratica o que o acusado vive no seu quotidiano profissional, pese embora terem sido chamadas testemunhas da especialidade (como pode o juiz avaliar a competencia técnica do técnico que testemunha?). O que põe a questão dos relatórios técnicos (o relatório da autoridade marítima sobre este acidente pareceu-me insuficiente) cujo objetivo principal deve ser evitar a repetição dos acidentes e não a condenação de eventuais responsáveis.
Trata-se de uma questão difícil, mas penso que podíamos começar pelo alargamento das comissões de inquérito com a participação acima referida.
Quanto ao ministério público e à sua ingrata tarefa de acusar, ou imputar com base na gravidade dos indícios (como pode avaliar-se o grau de gravidade dos indícios se não se pratica o que imputado exerce e sem reunir uma quantidade de técnicos especialista que garanta a diversidade de opiniões sobre o tema?), interessa-me destacar a precipitação com que imputou ao mestre negligência no governo da embarcação.
Desistiu da acusação depois de ter verificado que se tinha precipitado.
O video seguinte foi feito em dia em que o mar estava relativamente calmo, e apesar de não ser muito claro, pode ver-se que se formam ondas de rebentação junto da extremidade do molhe norte, devido á pouca profundidade. O mestre estava a tentar fugir a essa zona. Não foi negligência. Não pode invocar-se cegamente a carta náutica e a sua rota.
É possível que esta precipitação revele o que me parece uma fragilidade da justiça em Portugal: a inexistencia de orgãos de controle mútuo à semelhança das direções de qualidade das empresas produtoras de sistemas ou serviços envolvendo segurança de pessoas e bens. Os mecanismos de controle da qualidade estão descritos em normas, como a definição do processo de verificação em "V", que me parecem de difícil aceitação pela cultura dominante na justiça portuguesa.
Mas posso estar enganado.
https://youtu.be/Kf6Iyox3Jho
Mais informação sobre o acidente em
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Banif, Banif - uma análise por um ignorante
Reconheço que não sei, nem de perto, se a solução do atual governo para o Banif é a melhor, ou a menos má, ou sequer se é boa ou má.
No estado a que se chegou, não sei o que se deveria fazer.
O que não quer dizer que tenha confiança nos seus decisores, quer do atual governo, quer do BP, quer da douta união europeia.
Porém, não posso deixar de recordar a minha estupefação na época da liberalização da banca em Portugal e do surgimento de tantos bancos.
Era o tempo em que a menina dos olhos era um banco chamado Nova Rede, em que o grande fundador de um grande banco ia e vinha de sua casa em Galamares para o emprego de helicóptero, e em que a família Espírito Santo retomava o seu poder sobre os políticos.
Escrevo estupefação porque era o que eu sentia e dizia a quem me queria ouvir, (felizmente poucos, não fosse eu ter alguma influencia nas decisões e poder vir a ser acusado de responsável pela catástrofe financeira do país como agora acuso os decisores, gestores privados ou públicos, ao longo de todos estes anos), que este país não podia ter capacidade para tantos bancos.
Por isso, sendo ignorante e não sábio como os decisores de então e os decisores de agora, sinto que posso escrever, como ignorante, os 4 atos da tragédia da queda de um banco:
I - são absurdos os boatos sobre as fragilidades desse banco, os depósitos estão seguros
II - existem dificuldades, mas as medidas que tomámos para as vencer, com a anuência de Bruxelas, são as melhores e não terão custos para ninguém
III - vamos perder muito dinheiro, mas perderíamos mais se fossem outros a tomar outras medidas
IV - desde sempre avisámos os perigos e ameaças sobre esse banco, pelo que as pensões e reformas dos decisores privados e públicos não estarão comprometidas com a sua resolução, muito menos os planos de reforma dos eurocratas de Bruxelas, só as pensões e reformas dos outros.
Ainda como ignorante, volto a citar Tim Harford, no seu livro "Adapte-se", que não é propriamente um ignorante como eu: a solução Bulow/Klemperer do banco mau "de retaguarda" e do banco bom "ponte de transição" só funciona se o banco mau for o proprietário do banco bom.
Infelizmente não é isso que vemos fazer por tão perclaros decisores, desde a nacionalização dos prejuízos do BPN/SLN enquanto as lucrativas empresas Galilei seguiam o seu caminho, até ao Banif, Banif.
E ainda como não especialista destas coisas, só posso também referir algumas anedotas históricas, entre decisores que detinham o poder e especialistas de assuntos de que os políticos nada percebiam:
1 - Prokofief, respondendo a Stalin que tinha acusado a sua musica de ser politicamente fraca: "a sua política é musicalmente fraca"
2 - David Hilbert, o grande matemático do início do século XX, respondendo a um ministro nazi que lhe perguntara se a matemática se tinha ressentido das medidas anti-semitas dos nazis: "Não senhor ministro, a matemática não está ressentida, morreu"
3 - Anónimo, numa visita de Cavaco Silva que então se vangloriava de ser um primeiro-ministro eleito com maioria absoluta: "num país em que o consumo de alcool per capita é dos maiores do mundo, em que a música preferida é o fado e em que a maior parte do tempo televisivo é dedicada ao futebol, não admira que tenha a maioria"
4 - Francisco Louçã, comentando o caso Banif num programa televisivo, mostrou uma reportagem de 2005 sobre uma sessão de promoção do Banif em Londres, com Horácio Roque e esposa, e Cavaco Silva e esposa, num ambiente requintado e de auto-satisfação, que serviu também para se saber que Cavaco Silva ia candidatar-se à presidência da República.
O que eu me fartei de pedir aos meus amigos que não ficassem em casa e que votassem nos outros candidatos...
PS em 23 de dezembro - depois dos esclarecimentos que têm aparecido na comunicação social, continuam as dúvidas, nomeadamente como foi possível manter em segredo as 8 reprovações dos planos de reestruturação pela direção da concorrencia da UE e sobre a urgencia da venda (com a desculpa da entrada em vigor de regras que não protegem o excesso dos depósitos acima de 100.000 euros).
Este programa da RTP3 é interessante:
http://www.rtp.pt/play/p2039/os-numeros-do-dinheiro
Um dos intervenientes diz que há quem chame jihadistas à direção de concorrencia. Considerando os artigos 107 e 349 do tratado da união europeia, que explicitamente autorizam auxílios estatais no caso dos Açores e da Madeira, onde o Banif detinha um terço dos depósitos, parece-me que têm razão no epíteto. De assinalar ainda a afirmação de Ricardo Pais Mamede de que no partidos existem economistas de elevado nível.
No estado a que se chegou, não sei o que se deveria fazer.
O que não quer dizer que tenha confiança nos seus decisores, quer do atual governo, quer do BP, quer da douta união europeia.
Porém, não posso deixar de recordar a minha estupefação na época da liberalização da banca em Portugal e do surgimento de tantos bancos.
Era o tempo em que a menina dos olhos era um banco chamado Nova Rede, em que o grande fundador de um grande banco ia e vinha de sua casa em Galamares para o emprego de helicóptero, e em que a família Espírito Santo retomava o seu poder sobre os políticos.
Escrevo estupefação porque era o que eu sentia e dizia a quem me queria ouvir, (felizmente poucos, não fosse eu ter alguma influencia nas decisões e poder vir a ser acusado de responsável pela catástrofe financeira do país como agora acuso os decisores, gestores privados ou públicos, ao longo de todos estes anos), que este país não podia ter capacidade para tantos bancos.
Por isso, sendo ignorante e não sábio como os decisores de então e os decisores de agora, sinto que posso escrever, como ignorante, os 4 atos da tragédia da queda de um banco:
I - são absurdos os boatos sobre as fragilidades desse banco, os depósitos estão seguros
II - existem dificuldades, mas as medidas que tomámos para as vencer, com a anuência de Bruxelas, são as melhores e não terão custos para ninguém
III - vamos perder muito dinheiro, mas perderíamos mais se fossem outros a tomar outras medidas
IV - desde sempre avisámos os perigos e ameaças sobre esse banco, pelo que as pensões e reformas dos decisores privados e públicos não estarão comprometidas com a sua resolução, muito menos os planos de reforma dos eurocratas de Bruxelas, só as pensões e reformas dos outros.
Ainda como ignorante, volto a citar Tim Harford, no seu livro "Adapte-se", que não é propriamente um ignorante como eu: a solução Bulow/Klemperer do banco mau "de retaguarda" e do banco bom "ponte de transição" só funciona se o banco mau for o proprietário do banco bom.
Infelizmente não é isso que vemos fazer por tão perclaros decisores, desde a nacionalização dos prejuízos do BPN/SLN enquanto as lucrativas empresas Galilei seguiam o seu caminho, até ao Banif, Banif.
E ainda como não especialista destas coisas, só posso também referir algumas anedotas históricas, entre decisores que detinham o poder e especialistas de assuntos de que os políticos nada percebiam:
1 - Prokofief, respondendo a Stalin que tinha acusado a sua musica de ser politicamente fraca: "a sua política é musicalmente fraca"
2 - David Hilbert, o grande matemático do início do século XX, respondendo a um ministro nazi que lhe perguntara se a matemática se tinha ressentido das medidas anti-semitas dos nazis: "Não senhor ministro, a matemática não está ressentida, morreu"
3 - Anónimo, numa visita de Cavaco Silva que então se vangloriava de ser um primeiro-ministro eleito com maioria absoluta: "num país em que o consumo de alcool per capita é dos maiores do mundo, em que a música preferida é o fado e em que a maior parte do tempo televisivo é dedicada ao futebol, não admira que tenha a maioria"
4 - Francisco Louçã, comentando o caso Banif num programa televisivo, mostrou uma reportagem de 2005 sobre uma sessão de promoção do Banif em Londres, com Horácio Roque e esposa, e Cavaco Silva e esposa, num ambiente requintado e de auto-satisfação, que serviu também para se saber que Cavaco Silva ia candidatar-se à presidência da República.
O que eu me fartei de pedir aos meus amigos que não ficassem em casa e que votassem nos outros candidatos...
PS em 23 de dezembro - depois dos esclarecimentos que têm aparecido na comunicação social, continuam as dúvidas, nomeadamente como foi possível manter em segredo as 8 reprovações dos planos de reestruturação pela direção da concorrencia da UE e sobre a urgencia da venda (com a desculpa da entrada em vigor de regras que não protegem o excesso dos depósitos acima de 100.000 euros).
Este programa da RTP3 é interessante:
http://www.rtp.pt/play/p2039/os-numeros-do-dinheiro
Um dos intervenientes diz que há quem chame jihadistas à direção de concorrencia. Considerando os artigos 107 e 349 do tratado da união europeia, que explicitamente autorizam auxílios estatais no caso dos Açores e da Madeira, onde o Banif detinha um terço dos depósitos, parece-me que têm razão no epíteto. De assinalar ainda a afirmação de Ricardo Pais Mamede de que no partidos existem economistas de elevado nível.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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18:27
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TAP, um interessante "case study"
A TAP tornou-se num interessante estudo de caso.
São honoráveis os argumentos dum lado e doutro, do lado dos defensores da manutenção na esfera pública e do lado da privatização.
Numa análise simplista, dir-se-ia que era aqui aplicável o princípio de Melo Antunes, de deslocar a linha de delimitação dos setores público e privado até onde mais servisse o interesse público.
Ou assentar que quem deve decidir, a exemplo do que fazem as assembleias de acionistas, são os contribuintes, e, a exemplo do que fazem as cooperativas, serem também os próprios trabalhadores da empresa.
A mim me parece que temos aqui um caso semelhante ao dos estaleiros de Viana do Castelo, em que o então governo manobrou de modo a piorar os resultados da gestão, já de si ineficiente, através da retenção das autorizações de compra de materiais para a conclusão dos patrulheiros, ou através da gestão ruinosa da venda do Atlantida, vendido abaixo do preço razoável.
No caso da TAP, foi gritante a colaboração do então governo na degradação da situação financeira da companhia através dos prejuízos da manutenção brasileira (que aliás só mantém Boeing, marca que não existe na TAP) e da não requisição civil durante a greve decretada por sindicatos independentes.
Outro aspeto interessante é a assinatura final do contrato ser a de um governo já demitido, sabendo-se que os proponentes do governo seguinte defendiam a manutenção na esfera pública de 51% do capital da empresa.
Ocorre-me que há uns anos, dispondo de uns dinheiros por venda de uma casa, pensei comprar um moinho adaptado a habitação de férias, perto da praia da Calada, a seguir à Ericeira. Estive quase a fazer o negócio mas desisti quando soube que a filha da senhora vendedora em cujo nome estava o registo de propriedade, se opunha à venda.
Penso ser elementar da parte de um comprador não precipitar um negócio nestas condições.
Ora não pensou assim o consórcio do senhor Neeleman e do senhor Barraqueiro, beneficiário do aval do próprio vendedor para poder obter os empréstimos necessários ao negócio (coisa estranha).
Por outro lado, já se fala abertamente que, afinal, as regras da união europeia permitem a intervenção estatal, como foi o caso da companhia polaca. Mas à custa de despedimentos, dizem os adeptos da privatização. Ora, no caso da TAP não seria dificil um "spin off" para o mundo das agencias de viagens, além de que a alienação da manutenção brasileira teria peso significativo na reestruturação exigida pelas regras da união europeia.
Mas não fiquemos por aqui, chame-se a atenção para que há diferenças para o caso polaco. Diz o tratado da união europeia no seu artigo 349º que são autorizados auxílios estatais para combater a insularidade de regiões como os Açores e Madeira, o que naturalmente diz respeito às condições de financiamento do transporte. Reproduzo o artigo 349º no final do texto, bem como o artigo 107º que a ele se refere, sobre os auxílios estatais. Como pode ver-se, as regras da união europeia não proibem auxílios estatais, aliás o artigo 107º já foi invocado para fundamentar apoios à Auto-Europa.
Quanto às ideias do senhor Neeleman de alterar a ponta das asas dos aviões para reduzir o consumo de combustível, devo dizer que as regras de prudencia técnica são contra alterações de projeto, por mais que a Airbus garanta a segurança da operação. Há exemplo de modificações que, por razões de fadiga do material, se tornaram catastróficas (caso da reparação certificada pela Boeing do anteparo da cauda do avião da JAL que se despenhou por perda da cauda). Como exemplo ferroviário, dou o caso da queda dos motores do metropolitano de Lisboa por substituição da natureza das tampas das caixas de engrenagem.
Tudo ponderado, parece-me que, como qualquer questão entre nacionalização e privatização, é um caso de boa ou má gestão em função do objetivo pretendido, que é o de servir as necessidades de transporte entre continente e ilhas, entre países lusófonos, entre Portugal e as comunidades de emigrantes, e as do turismo que capta divisas.
Salvo melhor opinião, que sejam os contribuintes e os trabalhadores da empresa a decidir, não os senhores do consórcio.
São honoráveis os argumentos dum lado e doutro, do lado dos defensores da manutenção na esfera pública e do lado da privatização.
Numa análise simplista, dir-se-ia que era aqui aplicável o princípio de Melo Antunes, de deslocar a linha de delimitação dos setores público e privado até onde mais servisse o interesse público.
Ou assentar que quem deve decidir, a exemplo do que fazem as assembleias de acionistas, são os contribuintes, e, a exemplo do que fazem as cooperativas, serem também os próprios trabalhadores da empresa.
A mim me parece que temos aqui um caso semelhante ao dos estaleiros de Viana do Castelo, em que o então governo manobrou de modo a piorar os resultados da gestão, já de si ineficiente, através da retenção das autorizações de compra de materiais para a conclusão dos patrulheiros, ou através da gestão ruinosa da venda do Atlantida, vendido abaixo do preço razoável.
No caso da TAP, foi gritante a colaboração do então governo na degradação da situação financeira da companhia através dos prejuízos da manutenção brasileira (que aliás só mantém Boeing, marca que não existe na TAP) e da não requisição civil durante a greve decretada por sindicatos independentes.
Outro aspeto interessante é a assinatura final do contrato ser a de um governo já demitido, sabendo-se que os proponentes do governo seguinte defendiam a manutenção na esfera pública de 51% do capital da empresa.
Ocorre-me que há uns anos, dispondo de uns dinheiros por venda de uma casa, pensei comprar um moinho adaptado a habitação de férias, perto da praia da Calada, a seguir à Ericeira. Estive quase a fazer o negócio mas desisti quando soube que a filha da senhora vendedora em cujo nome estava o registo de propriedade, se opunha à venda.
Penso ser elementar da parte de um comprador não precipitar um negócio nestas condições.
Ora não pensou assim o consórcio do senhor Neeleman e do senhor Barraqueiro, beneficiário do aval do próprio vendedor para poder obter os empréstimos necessários ao negócio (coisa estranha).
Por outro lado, já se fala abertamente que, afinal, as regras da união europeia permitem a intervenção estatal, como foi o caso da companhia polaca. Mas à custa de despedimentos, dizem os adeptos da privatização. Ora, no caso da TAP não seria dificil um "spin off" para o mundo das agencias de viagens, além de que a alienação da manutenção brasileira teria peso significativo na reestruturação exigida pelas regras da união europeia.
Mas não fiquemos por aqui, chame-se a atenção para que há diferenças para o caso polaco. Diz o tratado da união europeia no seu artigo 349º que são autorizados auxílios estatais para combater a insularidade de regiões como os Açores e Madeira, o que naturalmente diz respeito às condições de financiamento do transporte. Reproduzo o artigo 349º no final do texto, bem como o artigo 107º que a ele se refere, sobre os auxílios estatais. Como pode ver-se, as regras da união europeia não proibem auxílios estatais, aliás o artigo 107º já foi invocado para fundamentar apoios à Auto-Europa.
Quanto às ideias do senhor Neeleman de alterar a ponta das asas dos aviões para reduzir o consumo de combustível, devo dizer que as regras de prudencia técnica são contra alterações de projeto, por mais que a Airbus garanta a segurança da operação. Há exemplo de modificações que, por razões de fadiga do material, se tornaram catastróficas (caso da reparação certificada pela Boeing do anteparo da cauda do avião da JAL que se despenhou por perda da cauda). Como exemplo ferroviário, dou o caso da queda dos motores do metropolitano de Lisboa por substituição da natureza das tampas das caixas de engrenagem.
Tudo ponderado, parece-me que, como qualquer questão entre nacionalização e privatização, é um caso de boa ou má gestão em função do objetivo pretendido, que é o de servir as necessidades de transporte entre continente e ilhas, entre países lusófonos, entre Portugal e as comunidades de emigrantes, e as do turismo que capta divisas.
Salvo melhor opinião, que sejam os contribuintes e os trabalhadores da empresa a decidir, não os senhores do consórcio.
Artigo 349.o
(ex-segundo, terceiro e quarto parágrafos do n.o 2
do artigo 299.o TCE)
Tendo em conta a situação social e económica estrutural da
Guadalupe, da Guiana Francesa, da Martinica, da Reunião, de Saint-Barthélemy,
de Saint-Martin, dos Açores, da Madeira e das ilhas Canárias, agravada pelo
grande afastamento, pela insularidade, pela pequena superfície, pelo relevo e
clima difíceis e pela sua dependência económica em relação a um pequeno número
de produtos, factores estes cuja persistência e conjugação prejudicam
gravemente o seu desenvolvimento, o Conselho, sob proposta da Comissão e após
consulta ao Parlamento Europeu, adoptará medidas específicas destinadas, em
especial, a estabelecer as condições de aplicação dos Tratados a essas regiões,
incluindo as políticas comuns. Quando as medidas específicas em questão sejam
adoptadas pelo Conselho de acordo com um processo legislativo especial, o
Conselho delibera igualmente sob proposta da Comissão e após consulta ao
Parlamento Europeu.
As medidas a que se refere o primeiro parágrafo incidem
designadamente sobre as políticas aduaneira e comercial, a política fiscal, as
zonas francas, as políticas nos domínios da agricultura e das pescas, as
condições de aprovisionamento em matérias-primas e bens de consumo de primeira
necessidade, os auxílios estatais e as condições de acesso aos fundos
estruturais e aos programas horizontais da União.
OS AUXÍLIOS CONCEDIDOS PELOS ESTADOS
Artigo 107.o
(ex-artigo 87.o TCE)
1.
Salvo disposição em contrário dos Tratados, são
incompatíveis com o mercado interno, na medida em que afectem as trocas
comerciais entre os Estados-Membros, os auxílios concedidos pelos Estados ou
provenientes de recursos estatais, independentemente da forma que assumam, que
falseiem ou ameacem falsear a concorrência, favorecendo certas empresas ou
certas produções.
2.
São compatíveis com o mercado interno:
a) Os
auxílios de natureza social atribuídos a consumidores individuais com a
condição de seremconcedidos sem qualquer discriminação relacionada com a origem
dos produtos;
b) Os
auxílios destinados a remediar os danos causados por calamidades naturais ou
por outrosacontecimentos extraordinários;
c) Os
auxílios atribuídos à economia de certas regiões da República Federal da
Alemanha afectadaspela divisão da Alemanha, desde que sejam necessários para
compensar as desvantagens económicas causadas por esta divisão. Cinco anos após
a entrada em vigor do Tratado de Lisboa, o Conselho, sob proposta da Comissão,
pode adoptar uma decisão que revogue a presente alínea.
3. Podem
ser considerados compatíveis com o mercado interno:
a) Os
auxílios destinados a promover o desenvolvimento económico de regiões em que o
nível devida seja anormalmente baixo ou em que exista grave situação de
subemprego, bem como o desenvolvimento das regiões referidas no artigo 349.o,
tendo em conta a sua situação estrutural, económica e social;
b)
Os auxílios destinados a fomentar a realização
de um projecto importante de interesse europeucomum, ou a sanar uma perturbação
grave da economia de um Estado-Membro;
c) Os
auxílios destinados a facilitar o desenvolvimento de certas actividades ou
regiões económicas,quando não alterem as condições das trocas comerciais de
maneira que contrariem o interesse comum;
d) Os
auxílios destinados a promover a cultura e a conservação do património, quando
não alteremas condições das trocas comerciais e da concorrência na União num
sentido contrário ao interesse comum;
e)
As outras categorias de auxílios determinadas
por decisão do Conselho, sob proposta da Comissão.
PS em 4 de janeiro de 2016 - Passado o fim de ano, retomam-se as negociações entre o consórcio Neeleman/Barraqueiro e o ministério do planeamento e infraestruturas para alteração do contrato de modo a 61% do capital ser público. Mais uma vez analistas e comentadores expõem argumentos e opiniões, muitas vezes emotivamente. Uns querem a confirmação da privatização para que o contribuinte não pague os prejuízos da TAP (e contudo, o aval do empréstimo ao consórcio é do Estado, sabendo-se que a Azul de Neeleman teve 56 milhões de euros de prejuízo no primeiro semestre de 2015); outros querem assumir os custos da propriedade por razões de interesse estratégico ("hub" e ligações às regiões e às comunidades emigrantes). Como disse, é um interessante estudo de caso, especialmente a discussão jurídica sobre a viabilidade de alterar o contrato contra a vontade do consórcio. Pela minha parte, noto o seguinte como razões para reverter o contrato:
1 - é estranho o senhor presidente ser mantido pelo consórcio, depois de este ter publicamente justificado a privatização com o estado caótico da companhia; trata-se de um indício de criação artificial de pretextos para a privatização
2 - repito que os sharklet têm contraindicações do ponto de vista de uma análise de riscos, e os planos de reformulação dos interiores são de duvidoso retorno, a menos que as condições de conforto sejam degradadas, de acordo com uma lógica extremada "low cost"
3 - desconfio também da decisão de mudar o tipo de avião a comprar por indiciar uma estratégia diferente do interesse nacional
4 - desconfio da facilidade com que o consórcio já injetou 180 milhões de euros e diz que vai injetar mais 120 milhões para as ações de 2 , quando a Azul teve prejuízos de 56 milhões de euros no primeiro semestre e foi parcialmente vendida à Hainan, empresa chinesa de capitais mistos; sendo o Estado avalista do empréstimo obtido pelo consórcio, a situação é de ameaça
5 - o facto de quem controla a empresa ser o senhor Neeleman pela simples razão da Barraqueiro não ter conhecimentos para gerir uma companhia aérea será fundamento suficiente, de acordo com o normativo da união europeia, juntamente com a exigencia de qualidade aos gestores, para a anulação do contrato (dito de outro modo, o sr Neeleman ignoraria o que os técnicos de transporte portugueses pensam do senhor gestor da venda do Novo Banco Sérgio Monteiro? isto é, acharia que estava a assinar um contrato normal?)
6 - o normativo da UE não obriga nenhum Estado membro a vender as suas empresas de transporte e reconhece que muitas vezes elas podem não ter interesse comercial, e que, nos casos em que concede a exploração a um privado, deve poder decidir as suas estratégias; por outras palavras, a probabilidade da TAP não ser rentável, com gestão privada ou pública, é muito grande, como acontece com qualquer empresa de transporte quando se contabilizam todos os componentes de operação, manutenção e investimento em aviões e infraestruturas
7 - considerando a conclusão de 7, parecerá que o destino da TAP deve ser decidido pelos seus trabalhadores e pelos contribuintes, e não pelo consórcio; os contribuintes podem querer assumir os custos de propriedade, não esquecendo os custos das decisões divergentes da liquidação (custos para a segurança social e para a economia do turismo) e da privatização (aval do Estado); encontrado o processo referendárioi de decisão, não poderemos depois propor outra soluções. Mas por enquanto, salvo melhor opinião, podemos.
PS em 4 de janeiro de 2016 - Passado o fim de ano, retomam-se as negociações entre o consórcio Neeleman/Barraqueiro e o ministério do planeamento e infraestruturas para alteração do contrato de modo a 61% do capital ser público. Mais uma vez analistas e comentadores expõem argumentos e opiniões, muitas vezes emotivamente. Uns querem a confirmação da privatização para que o contribuinte não pague os prejuízos da TAP (e contudo, o aval do empréstimo ao consórcio é do Estado, sabendo-se que a Azul de Neeleman teve 56 milhões de euros de prejuízo no primeiro semestre de 2015); outros querem assumir os custos da propriedade por razões de interesse estratégico ("hub" e ligações às regiões e às comunidades emigrantes). Como disse, é um interessante estudo de caso, especialmente a discussão jurídica sobre a viabilidade de alterar o contrato contra a vontade do consórcio. Pela minha parte, noto o seguinte como razões para reverter o contrato:
1 - é estranho o senhor presidente ser mantido pelo consórcio, depois de este ter publicamente justificado a privatização com o estado caótico da companhia; trata-se de um indício de criação artificial de pretextos para a privatização
2 - repito que os sharklet têm contraindicações do ponto de vista de uma análise de riscos, e os planos de reformulação dos interiores são de duvidoso retorno, a menos que as condições de conforto sejam degradadas, de acordo com uma lógica extremada "low cost"
3 - desconfio também da decisão de mudar o tipo de avião a comprar por indiciar uma estratégia diferente do interesse nacional
4 - desconfio da facilidade com que o consórcio já injetou 180 milhões de euros e diz que vai injetar mais 120 milhões para as ações de 2 , quando a Azul teve prejuízos de 56 milhões de euros no primeiro semestre e foi parcialmente vendida à Hainan, empresa chinesa de capitais mistos; sendo o Estado avalista do empréstimo obtido pelo consórcio, a situação é de ameaça
5 - o facto de quem controla a empresa ser o senhor Neeleman pela simples razão da Barraqueiro não ter conhecimentos para gerir uma companhia aérea será fundamento suficiente, de acordo com o normativo da união europeia, juntamente com a exigencia de qualidade aos gestores, para a anulação do contrato (dito de outro modo, o sr Neeleman ignoraria o que os técnicos de transporte portugueses pensam do senhor gestor da venda do Novo Banco Sérgio Monteiro? isto é, acharia que estava a assinar um contrato normal?)
6 - o normativo da UE não obriga nenhum Estado membro a vender as suas empresas de transporte e reconhece que muitas vezes elas podem não ter interesse comercial, e que, nos casos em que concede a exploração a um privado, deve poder decidir as suas estratégias; por outras palavras, a probabilidade da TAP não ser rentável, com gestão privada ou pública, é muito grande, como acontece com qualquer empresa de transporte quando se contabilizam todos os componentes de operação, manutenção e investimento em aviões e infraestruturas
7 - considerando a conclusão de 7, parecerá que o destino da TAP deve ser decidido pelos seus trabalhadores e pelos contribuintes, e não pelo consórcio; os contribuintes podem querer assumir os custos de propriedade, não esquecendo os custos das decisões divergentes da liquidação (custos para a segurança social e para a economia do turismo) e da privatização (aval do Estado); encontrado o processo referendárioi de decisão, não poderemos depois propor outra soluções. Mas por enquanto, salvo melhor opinião, podemos.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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domingo, 20 de dezembro de 2015
Sinistralidade rodoviária - a curva do Mónaco
A curva do Mónaco, poema de Pedro Mexia, no programa "A vida breve", na Antena 2 :
http://cdn-ondemand.rtp.pt/nas2.share/wavrss/at2/1512/3891473_194693-1512152350.mp3
"... corações ao alto seguíamos,
intocáveis
...
plácidos de algumas certezas
e ainda mais ambições
...
avançávamos contra as luzes em sentido contrário
...
um jovem é um moribundo levado aos ombros
...
mas a noite com os seus artifícios
durou um fogacho ainda
...
e na paz tempestuosa dos 20 anos
avisaste que à nossa frente
a estrada fazia uma guinada acidentada,
fatal,
a que um príncipe trocista chamou,
comovido,
a curva do Mónaco"
Registo os excertos deste poema aludindo aos números desoladores da sinistralidade rodoviária.
Choca o silêncio das autoridades que deveriam promover um debate alargado, uma campanha publicitária intensa, pela positiva (isto é, mostrando o comportamento preventivo e não as consequencias tragicas, que as pessoas têm a tendencia de achar que só acontece aos outros) e uma divulgação pública dos resultados dos inquéritos aos acidentes (como podem ser eficazes um inquérito e as suas recomendações, se a área do acidente não é imediatamente isolada e se os veículos acidentados são retirados antes dos autores do inquérito chegarem ao local?) .
A ANSR limita-se a fazer estatísticas, não tem autoridade para impor regras, desde o controle da publicidade, ao debate público do comportamento dos condutores, à organização dos inquéritos, à revisão do código da estrada.
http://www.ansr.pt/Estatisticas/RelatoriosDeSinistralidade/Pages/default.aspx
Vai-se satisfazendo a opinião pública com a diminuição dos acidentes ao longo dos últimos anos, o que é devido à melhoria das estradas, das condições de segurança dos fabricantes e da diminuição do tráfego devido à crise (é impressionante comparar os gráficos dos acidentes e vítimas com os gráficos dos indicadores económicos: descem de 2011 a 2013 e sobem depois com um diferimento).
Fica de fora a possibilidade de melhoria por adoção de condução mais prudente, nomeadamente por redução das velocidades e adaptação da condução às condições ambientais e do tráfego.
Assim, vão continuar a morrer jovens noutras curvas do Mónaco.
http://cdn-ondemand.rtp.pt/nas2.share/wavrss/at2/1512/3891473_194693-1512152350.mp3
"... corações ao alto seguíamos,
intocáveis
...
plácidos de algumas certezas
e ainda mais ambições
...
avançávamos contra as luzes em sentido contrário
...
um jovem é um moribundo levado aos ombros
...
mas a noite com os seus artifícios
durou um fogacho ainda
...
e na paz tempestuosa dos 20 anos
avisaste que à nossa frente
a estrada fazia uma guinada acidentada,
fatal,
a que um príncipe trocista chamou,
comovido,
a curva do Mónaco"
Registo os excertos deste poema aludindo aos números desoladores da sinistralidade rodoviária.
Choca o silêncio das autoridades que deveriam promover um debate alargado, uma campanha publicitária intensa, pela positiva (isto é, mostrando o comportamento preventivo e não as consequencias tragicas, que as pessoas têm a tendencia de achar que só acontece aos outros) e uma divulgação pública dos resultados dos inquéritos aos acidentes (como podem ser eficazes um inquérito e as suas recomendações, se a área do acidente não é imediatamente isolada e se os veículos acidentados são retirados antes dos autores do inquérito chegarem ao local?) .
A ANSR limita-se a fazer estatísticas, não tem autoridade para impor regras, desde o controle da publicidade, ao debate público do comportamento dos condutores, à organização dos inquéritos, à revisão do código da estrada.
http://www.ansr.pt/Estatisticas/RelatoriosDeSinistralidade/Pages/default.aspx
Vai-se satisfazendo a opinião pública com a diminuição dos acidentes ao longo dos últimos anos, o que é devido à melhoria das estradas, das condições de segurança dos fabricantes e da diminuição do tráfego devido à crise (é impressionante comparar os gráficos dos acidentes e vítimas com os gráficos dos indicadores económicos: descem de 2011 a 2013 e sobem depois com um diferimento).
Fica de fora a possibilidade de melhoria por adoção de condução mais prudente, nomeadamente por redução das velocidades e adaptação da condução às condições ambientais e do tráfego.
Assim, vão continuar a morrer jovens noutras curvas do Mónaco.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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sábado, 19 de dezembro de 2015
Meditação na Angelina Vidal
Meditação na rua Angelina Vidal, perto do largo de Sapadores.
Nas janelas já não vejo vida.
No rés do chão havia aqui um fotógrafo.
Ao lado uma mercearia, e depois uma tasca.
Havia um alfaiate. Fatos e arranjos por medida, a preços compatíveis com o nível de vida dos vizinhos.
Estão as portas fechadas, a apodrecer, e as janelas a cair.
Também ardeu o madeiramento do telhado da oficina de automóveis.
Morreram os moradores.
Não tiveram filhos ou estes foram viver para longe.
Inútil procurar culpados, em leis de arrendamento, burocracias ou inoperâncias crónicas dos orgãos municipais ou governamentais.
As casas antigas tinham os quartos e as salas pequenas, o chão era de barrote, os sanitários de recurso.
Foram viver para longe, os novos. Preferem ouvir o rádio nos engarrafamentos do IC19. Dar-lhes-á a sensação de algum trabalho realizado, o do seu próprio transporte.
E parece que só das receitas do turismo ou da venda de património a estrangeiros, que tanto entusiasmam os ditos orgãos municipais ou governamentais, se pode esperar dinheiro para investimento na reabilitação urbana.
E contudo, existem programas comunitários que poderiam ajudar a financiá-la.
Mas como quase tudo em Portugal, fala-se em reabilitação e não se acha que onde estão dois ou três prédios só se pode remodelar fundindo-os num, pelo que se disse, salas pequenas, falta de sanitários, falta de estacionamento automóvel.
Nas janelas já não vejo vida.
No rés do chão havia aqui um fotógrafo.
Ao lado uma mercearia, e depois uma tasca.
Havia um alfaiate. Fatos e arranjos por medida, a preços compatíveis com o nível de vida dos vizinhos.
Estão as portas fechadas, a apodrecer, e as janelas a cair.
Também ardeu o madeiramento do telhado da oficina de automóveis.
Morreram os moradores.
Não tiveram filhos ou estes foram viver para longe.
Inútil procurar culpados, em leis de arrendamento, burocracias ou inoperâncias crónicas dos orgãos municipais ou governamentais.
As casas antigas tinham os quartos e as salas pequenas, o chão era de barrote, os sanitários de recurso.
Foram viver para longe, os novos. Preferem ouvir o rádio nos engarrafamentos do IC19. Dar-lhes-á a sensação de algum trabalho realizado, o do seu próprio transporte.
E parece que só das receitas do turismo ou da venda de património a estrangeiros, que tanto entusiasmam os ditos orgãos municipais ou governamentais, se pode esperar dinheiro para investimento na reabilitação urbana.
E contudo, existem programas comunitários que poderiam ajudar a financiá-la.
Mas como quase tudo em Portugal, fala-se em reabilitação e não se acha que onde estão dois ou três prédios só se pode remodelar fundindo-os num, pelo que se disse, salas pequenas, falta de sanitários, falta de estacionamento automóvel.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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sexta-feira, 18 de dezembro de 2015
Ainda as palmeiras e o escaravelho bicudo, em dezembro de 2015
No seguimento deste triste assunto,
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/search?q=escaravelho
junto fotografias de mais estragos em particulares.
De realçar a inoperância dos poderes públicos, com ou sem apoio comunitário, em apoiar a investigação de antídotos e facultá-los.
Num dos casos o tratamento foi insuficiente. No outro, em menos de 4 meses uma palmeira aparentemente saudável morreu.
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/search?q=escaravelho
junto fotografias de mais estragos em particulares.
![]() |
| observe-se o recipiente para o tratamento |
De realçar a inoperância dos poderes públicos, com ou sem apoio comunitário, em apoiar a investigação de antídotos e facultá-los.
Num dos casos o tratamento foi insuficiente. No outro, em menos de 4 meses uma palmeira aparentemente saudável morreu.
Publicada por
Fernando de Carvalho Santos e Silva
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00:24
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Triunfo, a competitividade que nos querem vender
A coincidencia será apenas no nome, visto que o motivo é o mesmo nos dois casos, a decisão de acionistas que naturalmente sobrepõem os seus interesses aos dos seus empregados e aos do nosso país, contrariando a utopia de Adam Smith (o interesse egoista do empresário respone às necessidades do cidadão...).
A fábrica de bolachas Triunfo em Sintra fechou. É o triste fim de mais um episódio das privatizações de anteriores participações do Estado no IPE:
http://www.publico.pt/economia/noticia/antiga-fabrica-das-bolachas-triunfo-encerra-e-deixa-perto-de-100-sem-emprego-1713118
A fábrica de confeções texteis Triunfo Internacional vai fechar.
As multinacionais preferem a competitividade através de custos cada vez mais baixos de pessoal, incluindo, no caso das bolachas, menores custos de produção marginal por aumento da dimensão.
Isto só é possivel graças à inexistencia de penalização do transporte de longa distancia.
E a impunidade de quem pratica dumping.
Em qualquer dos casos, é de assinalar comoo estas empresas escapam a impostos punitivos.
A fábrica de bolachas Triunfo em Sintra fechou. É o triste fim de mais um episódio das privatizações de anteriores participações do Estado no IPE:
http://www.publico.pt/economia/noticia/antiga-fabrica-das-bolachas-triunfo-encerra-e-deixa-perto-de-100-sem-emprego-1713118
A fábrica de confeções texteis Triunfo Internacional vai fechar.
As multinacionais preferem a competitividade através de custos cada vez mais baixos de pessoal, incluindo, no caso das bolachas, menores custos de produção marginal por aumento da dimensão.
Isto só é possivel graças à inexistencia de penalização do transporte de longa distancia.
E a impunidade de quem pratica dumping.
Em qualquer dos casos, é de assinalar comoo estas empresas escapam a impostos punitivos.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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quarta-feira, 16 de dezembro de 2015
No seguimento das felicitações a Ana Sofia Antunes
No seguimento das felicitações a Ana Sofia Antunes em
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2015/11/finalmente-os-arrogantes-dos-xix-e-xx.htm
faço aqui um ponto da situação das obras de adaptação da estação Colégio Militar a pessoas com mobilidade reduzida, tristemente suspensas, sem que me interesse saber porquê e em que condições, mas apenas que se concluam.
Recordo que a administração em 2009 recusou o caderno de encargos e anteprojeto da obra, completos, que lhe enviámos, colocando-os na gaveta, que estas ações podem beneficiar de fundos comunitários, e que estações como Campo Grande, Baixa e Jardim Zoológico continuam em incumprimento, apesar de já estudadas e projetadas várias soluções ao longo dos anos e das administrações.
As fotografias são, também tristemente, atuais.
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2015/11/finalmente-os-arrogantes-dos-xix-e-xx.htm
faço aqui um ponto da situação das obras de adaptação da estação Colégio Militar a pessoas com mobilidade reduzida, tristemente suspensas, sem que me interesse saber porquê e em que condições, mas apenas que se concluam.
Recordo que a administração em 2009 recusou o caderno de encargos e anteprojeto da obra, completos, que lhe enviámos, colocando-os na gaveta, que estas ações podem beneficiar de fundos comunitários, e que estações como Campo Grande, Baixa e Jardim Zoológico continuam em incumprimento, apesar de já estudadas e projetadas várias soluções ao longo dos anos e das administrações.
As fotografias são, também tristemente, atuais.
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| malhas que o marketing tece: trabalhamos a pensar em si? |
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| questão não diretamente ligada à obra para adaptação a pessoas com mobilidade reduzida, mas fazendo conjunto com ela |
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| há anos, um estaleiro falhado ocupando a via pública |
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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metropolitano de Lisboa,
mobilidade reduzida
Larmanjat no século XXI
Nota prévia: o texto seguinte é uma ficção e o seu autor insta os eventuais e indulgentes leitores a, por razões de tranquilidade mental, não acreditar em nada. Excetua-se evidentemente a citação da Wikipedia.
https://pt.wikipedia.org/wiki/O_Larmanjat_em_Portugal
Por vezes os genes reagrupam-se de forma muito semelhante à de um antepassado.
A trineta de Larmanjat, embora economista, e portanto sem a formação técnica do seu trisavô, não resistiu à tentativa de ressuscitar a ideia.
Preocupada com o conceito de eficiência energética, raciocinou que se o atrito do contacto do rodado de ferro com os dois carris num comboio é menor do que no contacto pneus-asfalto num autocarro, então o atrito de uma única fila de rodas de ferro num único carril será ainda menor. Essa já era a ideia do trisavô.
A locomotiva Larmanjat e as carruagens tinham uma fila central de rodas que assentavam no monocarril e rodas laterais que se apoiavam em passadeiras de madeira.
Outra medida foi a redução do peso dos veículos para consumirem menos energia.
Numa via férrea normal o veículo tem de ter um peso acima de um determinado valor para garantir a estabilidade sobre os dois carris da via.
Porém, o trisavô não dispunha da tecnologia atual.
Para o novo Larmanjat, a trineta registou uma patente em que o equilibrio se consegue com eletroímans de supracondutores que evitam o contacto com as guias laterais metálicas a meia altura dos veículos, viabilizando a redução substancial do peso.
Um pequeno veiculo com 6m de comprimento e 2m de largura poderá transportar 12 passageiros (4 bancos de 3 passageiros), sem condutor. Ou de 10m para 24 passageiros. Será assim o transporte ideal para ligações entre pequenos centros populacionais e estações de caminho de ferro ou de camionagem.
A tração será por baterias recarregáveis em andamento por indução com carregadores embebidos no pavimento ou em estruturas laterais.
De visita a Portugal, a trineta percorreu os trajetos das duas linhas do Larmanjat que funcionaram em Portugal entre 1873 e 1877: Lisboa-Sintra e Lisboa-Torres Vedras. Chegou a funcionar ainda um troço experimental, entre Arroios e o Lumiar, 131 anos antes da linha de metropolitano.
Colocada perante o problema das auto-estradas desertas, sugeriu a utilização do princípio do Larmanjat para transporte de passageiros e mercadorias. O apoio vertical em carril embebido no pavimento, portanto compatível com o tráfego rodoviário, e o apoio lateral do lado do separador central em peças em L. Para evitar o escorregamento ou patinhagem das rodas no monocarril a tração poderá ser por motores lineares associados à guia lateral.
https://pt.wikipedia.org/wiki/O_Larmanjat_em_Portugal
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| o Larmanjat nas portas do Rego, vendo-se em cada via o monocarril central e as duas passadeiras de madeira, o seu ponto fraco (foto retirada da Wikipedia) |
Por vezes os genes reagrupam-se de forma muito semelhante à de um antepassado.
A trineta de Larmanjat, embora economista, e portanto sem a formação técnica do seu trisavô, não resistiu à tentativa de ressuscitar a ideia.
Preocupada com o conceito de eficiência energética, raciocinou que se o atrito do contacto do rodado de ferro com os dois carris num comboio é menor do que no contacto pneus-asfalto num autocarro, então o atrito de uma única fila de rodas de ferro num único carril será ainda menor. Essa já era a ideia do trisavô.
A locomotiva Larmanjat e as carruagens tinham uma fila central de rodas que assentavam no monocarril e rodas laterais que se apoiavam em passadeiras de madeira.
Outra medida foi a redução do peso dos veículos para consumirem menos energia.
Numa via férrea normal o veículo tem de ter um peso acima de um determinado valor para garantir a estabilidade sobre os dois carris da via.
Porém, o trisavô não dispunha da tecnologia atual.
Para o novo Larmanjat, a trineta registou uma patente em que o equilibrio se consegue com eletroímans de supracondutores que evitam o contacto com as guias laterais metálicas a meia altura dos veículos, viabilizando a redução substancial do peso.
Um pequeno veiculo com 6m de comprimento e 2m de largura poderá transportar 12 passageiros (4 bancos de 3 passageiros), sem condutor. Ou de 10m para 24 passageiros. Será assim o transporte ideal para ligações entre pequenos centros populacionais e estações de caminho de ferro ou de camionagem.
A tração será por baterias recarregáveis em andamento por indução com carregadores embebidos no pavimento ou em estruturas laterais.
De visita a Portugal, a trineta percorreu os trajetos das duas linhas do Larmanjat que funcionaram em Portugal entre 1873 e 1877: Lisboa-Sintra e Lisboa-Torres Vedras. Chegou a funcionar ainda um troço experimental, entre Arroios e o Lumiar, 131 anos antes da linha de metropolitano.
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| Traçado das linhas do Larmanjat no século XIX com locomotivas de vapor e monocarril. As oficinas encontravam-se em S.Sebastião (foto retirada da Wikipedia) |
Colocada perante o problema das auto-estradas desertas, sugeriu a utilização do princípio do Larmanjat para transporte de passageiros e mercadorias. O apoio vertical em carril embebido no pavimento, portanto compatível com o tráfego rodoviário, e o apoio lateral do lado do separador central em peças em L. Para evitar o escorregamento ou patinhagem das rodas no monocarril a tração poderá ser por motores lineares associados à guia lateral.
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| aproveitamento das auto-estradas desertas |
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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Larmanjat
COP21, uma opinião
Com as limitações próprias, mas exercendo o respetivo direito, expresso a minha opinião sobre a conferencia do clima de Paris.
Não serei tão rigoroso como James Hansen, 74 anos, reformado da NASA e da universidade de Columbia, militante desde a conferencia de 1988 contra a contribuição humana para as alterações climáticas, com prisões por protestos junto da Casa Branca, que qualificou o acordo de Paris como "uma fraude, uma farsa", por ser insuficiente e não fixar medidas realmente concretas nem definir uma taxa efetiva sobre as emissões (até o FMI já publicou estudos que qualificam a inexistencia dessas taxas como subsidio aos produtores e distribuidores de combustíveis fósseis).
Será injusto qualificá-lo assim quando certamente entre os representantes dos 195 países que assinaram o acordo haverá gente séria e bem intencionada, especialmente se considerarmos o empenho de Christiana Figueres, 59 anos, porto-riquenha, secretária executiva da convenção-quadro da ONU para as alterações climáticas.
Mas é deprimente ver a hipocrisia dominante, ver o desinteresse e a ineficência, na prática, pela monitorização efetiva da concretização das medidas contra as alterações climáticas, e ver o tempo passar e continuar a assistir à subordinação de grande parte, a maior parte da humanidade, aos interesses dos grandes produtores e distribuidores de combustíveis fósseis.
Christiana Figueres será parte interessada, como qualquer português, porque o seu país não é produtor de petróleo, na redução da sua produção global.
Mas recusará, como também nós deveremos recusar, desistir perante a superioridade dos produtores e dos políticos que servem os seus interesses. No nosso caso, é essencial, com apoio de fundos comunitários, aumentar a produção de renováveis e construir infraestruturas para exportação da energia produzida e para a sua conversão em vetores de transporte (hidrogénio, ar comprimido, baterias).
Apesar de, efetivamente, a mecânica quântica confirmar que é impossível uma energia competitiva em termos de eficiência energética (1 litro de gasolina ou gasóleo, ou 1 m3 de gás natural, contêm 10 kWh de energia, equivalentes a 70 kg de baterias lítio-ferro) e de facilidade de utilização.
Tal como a idade da pedra já passou, e continuam a existir pedreiras, mas sem que a sua exploração deva prejudicar as comunidades, também a idade do petróleo tem de passar, deixando-o nas jazidas cuja extração prejudica as comunidades (a melhor prova foi a recusa de um CEO duma petrolífera da extração por fracking no subsolo da sua quinta privada).
Com a devida vénia à RTP, registo as seguintes imagens de uma sua reportagem sobre a COP21:
Não serei tão rigoroso como James Hansen, 74 anos, reformado da NASA e da universidade de Columbia, militante desde a conferencia de 1988 contra a contribuição humana para as alterações climáticas, com prisões por protestos junto da Casa Branca, que qualificou o acordo de Paris como "uma fraude, uma farsa", por ser insuficiente e não fixar medidas realmente concretas nem definir uma taxa efetiva sobre as emissões (até o FMI já publicou estudos que qualificam a inexistencia dessas taxas como subsidio aos produtores e distribuidores de combustíveis fósseis).
Será injusto qualificá-lo assim quando certamente entre os representantes dos 195 países que assinaram o acordo haverá gente séria e bem intencionada, especialmente se considerarmos o empenho de Christiana Figueres, 59 anos, porto-riquenha, secretária executiva da convenção-quadro da ONU para as alterações climáticas.
Mas é deprimente ver a hipocrisia dominante, ver o desinteresse e a ineficência, na prática, pela monitorização efetiva da concretização das medidas contra as alterações climáticas, e ver o tempo passar e continuar a assistir à subordinação de grande parte, a maior parte da humanidade, aos interesses dos grandes produtores e distribuidores de combustíveis fósseis.
Christiana Figueres será parte interessada, como qualquer português, porque o seu país não é produtor de petróleo, na redução da sua produção global.
Mas recusará, como também nós deveremos recusar, desistir perante a superioridade dos produtores e dos políticos que servem os seus interesses. No nosso caso, é essencial, com apoio de fundos comunitários, aumentar a produção de renováveis e construir infraestruturas para exportação da energia produzida e para a sua conversão em vetores de transporte (hidrogénio, ar comprimido, baterias).
Apesar de, efetivamente, a mecânica quântica confirmar que é impossível uma energia competitiva em termos de eficiência energética (1 litro de gasolina ou gasóleo, ou 1 m3 de gás natural, contêm 10 kWh de energia, equivalentes a 70 kg de baterias lítio-ferro) e de facilidade de utilização.
Tal como a idade da pedra já passou, e continuam a existir pedreiras, mas sem que a sua exploração deva prejudicar as comunidades, também a idade do petróleo tem de passar, deixando-o nas jazidas cuja extração prejudica as comunidades (a melhor prova foi a recusa de um CEO duma petrolífera da extração por fracking no subsolo da sua quinta privada).
Com a devida vénia à RTP, registo as seguintes imagens de uma sua reportagem sobre a COP21:
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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terça-feira, 15 de dezembro de 2015
Reflexão sobre a Zara
Em 11 de dezembro a notícia era que o grupo Inditex, que inclui a Zara, criou, nos primeiros nove meses de 2015, 13.000 postos de trabalho, dos quais 2391 em Espanha. O total de empregados do grupo é de 146.000 .
Mais dizia a notícia que os lucros do grupo foram nesse período de dois mil milhões de euros para um total de vendas de 14,7 mil milhões.
O grupo continua a expandir-se, possuindo em todo o mundo 6913 lojas, das quais 230 abertas nos primeiros nove meses do ano, em 88 países.
Parece portanto longe do ponto da curva dos rendimentos decrescentes.
A notícia do dia 13 de dezembro era que desde 2009 fábricas clandestinas em Mataró, Catalunha, forneciam a Zara, o grupo Inditex e outras marcas internacionais da moda com vestuário confecionado por operários chineses escravizados. Por escravizados entende-se que trabalhavam 15 horas por dia de segunda a domingo recebendo 25 euros por dia, com que tinham de pagar a dívida da viagem desde a China.
A reflexão é sobre a conjetura de Adam Smith, de que talvez fosse mais difícil a uma democracia liberal abolir a escravatura do que a um tirano esclarecido. Porque o lucro é maior se se conseguir, pela força, reduzir a parte do trabalho no rendimento. A Marx pareceu que o progresso tecnológico poderia libertar os operários dessa opressão. Mas assiste-se atualmente à utilização da tecnologia para aumentar o desemprego e assim reduzir oo custo do trabalho. No caso dos fornecedores clandestinos da Zara foi-se mais longe, escravizou-se.
E contudo, os economistas da escola de Chicago e do consenso de Washington continuam, com os jornalistas que os aplaudem, a insistir que a competitividade e a produtividade são a chave do crescimento.
Crêem firmemente, ou querem que acreditemos que crêem, que desregulando, a economia cresce.
No caso da Zara crescem de facto, mas à custa de "dumping". Os senhores economistas devem ter pouca experiencia da vida empresarial. Acreditarão mesmo que é possível vender tão barato sem "dumping"?
Estou cansado dos jornalistas papagaios que insistem na conversa da competitividade e a acusar os trabalhadores portugueses de falta de produtividade (e contudo ela sobe, enquanto quociente entre o produto e a população, também à custa da emigração, porque o PIB diminui menos do que a população, coisa perfeitamente natural porque o quadro de pessoal não é o principal fator de produção).
Leio esta notícia e recordo o caso da barca Charles e George, apresada ao largo de Lourenço Marques no século XIX, com o negreiro francês a beneficiar do testemunho dos escravos algemados, que estavam assim melhor do que libertos porque iam trabalhar.
E também recordo o comentário anónimo citado por Tim Harford, no livro Adapte-se, para tranquilidade dos financeiros, que podem estar descansados, as pensões dos reformados garantirão sempre as suas especulações falhadas.
Acreditarão mesmo nas virtudes dos mercados a funcionar livremente? Ignorarão que a liberdade termina onde a igualdade e a fraternidade começam?
Mais dizia a notícia que os lucros do grupo foram nesse período de dois mil milhões de euros para um total de vendas de 14,7 mil milhões.
O grupo continua a expandir-se, possuindo em todo o mundo 6913 lojas, das quais 230 abertas nos primeiros nove meses do ano, em 88 países.
Parece portanto longe do ponto da curva dos rendimentos decrescentes.
A notícia do dia 13 de dezembro era que desde 2009 fábricas clandestinas em Mataró, Catalunha, forneciam a Zara, o grupo Inditex e outras marcas internacionais da moda com vestuário confecionado por operários chineses escravizados. Por escravizados entende-se que trabalhavam 15 horas por dia de segunda a domingo recebendo 25 euros por dia, com que tinham de pagar a dívida da viagem desde a China.
A reflexão é sobre a conjetura de Adam Smith, de que talvez fosse mais difícil a uma democracia liberal abolir a escravatura do que a um tirano esclarecido. Porque o lucro é maior se se conseguir, pela força, reduzir a parte do trabalho no rendimento. A Marx pareceu que o progresso tecnológico poderia libertar os operários dessa opressão. Mas assiste-se atualmente à utilização da tecnologia para aumentar o desemprego e assim reduzir oo custo do trabalho. No caso dos fornecedores clandestinos da Zara foi-se mais longe, escravizou-se.
E contudo, os economistas da escola de Chicago e do consenso de Washington continuam, com os jornalistas que os aplaudem, a insistir que a competitividade e a produtividade são a chave do crescimento.
Crêem firmemente, ou querem que acreditemos que crêem, que desregulando, a economia cresce.
No caso da Zara crescem de facto, mas à custa de "dumping". Os senhores economistas devem ter pouca experiencia da vida empresarial. Acreditarão mesmo que é possível vender tão barato sem "dumping"?
Estou cansado dos jornalistas papagaios que insistem na conversa da competitividade e a acusar os trabalhadores portugueses de falta de produtividade (e contudo ela sobe, enquanto quociente entre o produto e a população, também à custa da emigração, porque o PIB diminui menos do que a população, coisa perfeitamente natural porque o quadro de pessoal não é o principal fator de produção).
Leio esta notícia e recordo o caso da barca Charles e George, apresada ao largo de Lourenço Marques no século XIX, com o negreiro francês a beneficiar do testemunho dos escravos algemados, que estavam assim melhor do que libertos porque iam trabalhar.
E também recordo o comentário anónimo citado por Tim Harford, no livro Adapte-se, para tranquilidade dos financeiros, que podem estar descansados, as pensões dos reformados garantirão sempre as suas especulações falhadas.
Acreditarão mesmo nas virtudes dos mercados a funcionar livremente? Ignorarão que a liberdade termina onde a igualdade e a fraternidade começam?
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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segunda-feira, 7 de dezembro de 2015
AACAES e CEF
Acrónimos são quase sempre antipáticos. Obrigam a um esforço de memória inglório.
Mas podem esconder coisas de muito interesse.
Que deixamos, nós a comunidade, passar.
CEF significa Conneting Europe Facility, o que significa meio, instalação ou mecanismo para interligar a Europa.
Por exemplo, CEF Transportes, em que sucessivas datas para apresentação de propostas concretas e projetos de ligação à Europa de redes de transportes vão sendo queimadas (calls for proposals).
Ou CEF Energy, para as interligações energéticas, para poder exportar-se o excesso de energia produzida graças às intermitencias das eólicas e à capacidade instalada.
Vão-se apresentando umas propostasinhas, pelas grandes empresas do setor, com assinalável descoordenação dos departamentos oficiais, talvez por não menos assinalável insegurança e incerteza sobre objetivos a atingir.
E é aqui que entre o AACAES.
Não se trata de nenhum parente dos CAE (contrato de aquisição de energia) ou dos CMEC (custos para a manutenção do equilíbrio contratual), ou rendas de rentabilidade de 17% quando o máximo razoável seria 7,5% , e que herdámos da liberalização do setor elétrico e que contribuem para o défice tarifário da eletricidade que consumimos:
http://www.jornaldenegocios.pt/empresas/detalhe/dez_perguntas_e_respostas_sobre_um_palavrao_chamado_cmec.html
AACAES também está relacionada com as intermitências das eólicas, mas significa:
Advanced Adiabatic Compressed Air Energy Storage (armazenamento avançado adiabático de energia por ar comprimido).
Isto é, pretende-se armazenar a energia em excesso das eólicas em períodos de baixo consumo para devolução posterior à rede em períodos de grande consumo. A energia em excesso pode ser armazenada em albufeiras de centrais hidroelétricas com bombagem, ou pode ser exportada (se houver interligações com Espanha e desta com França), ou pode ser utilizada em pequenas instalações locais de armazenamento por baterias ou produção de hidrogénio.
No caso do AACAES a eletricidade produzida pelas eólicas alimenta um compressor cujo ar comprimido é armazenado em cavernas para ser utilizado quando a procura o exigir, acionando uma turbina e esta um gerador que injeta a eletricidade na rede (capacidade instalada de 300 MW e fornecimento à rede durante 6 horas).
Advanced porque as instalações CAES existentes requerem consumo de fuel ou gás natural para aquecer o ar comprimido antes de acionar a turbina, com um rendimento entre 50 e 60%, da ordem das centrais de gás natural de ciclo combinado.
Adiabático porque o sistema está isolado, a menos da eletricidade produzida, aquecendo o ar comprimido antes da turbina do gerador aproveitando o calor da compressão do primeiro estágio, calor esse que também tem de ser armazenado.
A primeira central deste tipo AACAES está a ser desenvolvida com fundos comunitários do CEF Energy.
Descrição dos sistemas CAES e de formas locais em pequena escala de armazenamento em:
https://www.rwe.com/web/cms/mediablob/en/391748/data/364260/1/rwe-power-ag/innovations/Brochure-ADELE.pdf
http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S100200710800381X
http://cdn.intechopen.com/pdfs/42268/InTech-Compressed_air_energy_storage.pdf
e
http://energystorage.org/about
Pena em Portugal ficarmos a ver de longe estes desenvolvimentos, enquanto a nossa elite se queixa do excesso de produção eólica instalada e se consome em seminários auto-gratificantes incensando a competitividade das pequenas, médias e grandes empresas.
Mas podem esconder coisas de muito interesse.
Que deixamos, nós a comunidade, passar.
CEF significa Conneting Europe Facility, o que significa meio, instalação ou mecanismo para interligar a Europa.
Por exemplo, CEF Transportes, em que sucessivas datas para apresentação de propostas concretas e projetos de ligação à Europa de redes de transportes vão sendo queimadas (calls for proposals).
Ou CEF Energy, para as interligações energéticas, para poder exportar-se o excesso de energia produzida graças às intermitencias das eólicas e à capacidade instalada.
Vão-se apresentando umas propostasinhas, pelas grandes empresas do setor, com assinalável descoordenação dos departamentos oficiais, talvez por não menos assinalável insegurança e incerteza sobre objetivos a atingir.
E é aqui que entre o AACAES.
Não se trata de nenhum parente dos CAE (contrato de aquisição de energia) ou dos CMEC (custos para a manutenção do equilíbrio contratual), ou rendas de rentabilidade de 17% quando o máximo razoável seria 7,5% , e que herdámos da liberalização do setor elétrico e que contribuem para o défice tarifário da eletricidade que consumimos:
http://www.jornaldenegocios.pt/empresas/detalhe/dez_perguntas_e_respostas_sobre_um_palavrao_chamado_cmec.html
AACAES também está relacionada com as intermitências das eólicas, mas significa:
Advanced Adiabatic Compressed Air Energy Storage (armazenamento avançado adiabático de energia por ar comprimido).
Isto é, pretende-se armazenar a energia em excesso das eólicas em períodos de baixo consumo para devolução posterior à rede em períodos de grande consumo. A energia em excesso pode ser armazenada em albufeiras de centrais hidroelétricas com bombagem, ou pode ser exportada (se houver interligações com Espanha e desta com França), ou pode ser utilizada em pequenas instalações locais de armazenamento por baterias ou produção de hidrogénio.
No caso do AACAES a eletricidade produzida pelas eólicas alimenta um compressor cujo ar comprimido é armazenado em cavernas para ser utilizado quando a procura o exigir, acionando uma turbina e esta um gerador que injeta a eletricidade na rede (capacidade instalada de 300 MW e fornecimento à rede durante 6 horas).
Advanced porque as instalações CAES existentes requerem consumo de fuel ou gás natural para aquecer o ar comprimido antes de acionar a turbina, com um rendimento entre 50 e 60%, da ordem das centrais de gás natural de ciclo combinado.
Adiabático porque o sistema está isolado, a menos da eletricidade produzida, aquecendo o ar comprimido antes da turbina do gerador aproveitando o calor da compressão do primeiro estágio, calor esse que também tem de ser armazenado.
A primeira central deste tipo AACAES está a ser desenvolvida com fundos comunitários do CEF Energy.
Descrição dos sistemas CAES e de formas locais em pequena escala de armazenamento em:
https://www.rwe.com/web/cms/mediablob/en/391748/data/364260/1/rwe-power-ag/innovations/Brochure-ADELE.pdf
http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S100200710800381X
http://cdn.intechopen.com/pdfs/42268/InTech-Compressed_air_energy_storage.pdf
e
http://energystorage.org/about
Pena em Portugal ficarmos a ver de longe estes desenvolvimentos, enquanto a nossa elite se queixa do excesso de produção eólica instalada e se consome em seminários auto-gratificantes incensando a competitividade das pequenas, médias e grandes empresas.
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quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
Estratégia nacional para a segurança e saúde no trabalho, RCM 77/2015 de 18 de setembro
Resolução do conselho de ministros 77/2015 de 18 de setembro: estratégia nacional para a segurança e saúde no trabalho.
Não longe do local e das deficientes condições de segurança no trabalho retratados em
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2015/10/seguranca-no-trabalho.html
registo esta fotografia:
Um trabalhador corta com uma rebarbadora de motor térmico o lancil para a zona curva com declive e sinalização tátil para pessoas com mobilidade reduzida.
Não usa óculos de proteção, não usa máscara, não usa luvas, não usa protetores auriculares. Sorri quando lhe digo que seria melhor usar. Apenas usam coletes refletores.
Sugiro ao fiscal que promova junto do empreiteiro a utilização dos equipamentos de proteção.
Responde que não usam porque não querem. Eu que reclame na CML.
Ele próprio não usa máscara, nem protetores auriculares.
Como não gosto de delações, limito-me a lamentar.
A propósito da estratégia nacional para a segurança e saúde no trabalho.
Para mim é esta a principal necessidade para nos mantermos na União Europeia, com as suas normas.
Não são cumpridas, mas ao menos existem.
Talvez seja isso que caracteriza os portugueses, serem relapsos aos procedimentos estudados e acordados.
Por insegurança própria sentir-se-ão menorizados se os cumprirem.
Pode ser, mas como conheci muitos trabalhadores que cumpriam as regras e os procedimentos da sua profissão e colaboravam na segurança, discordo.
Discordo da classificação precipitada de que os portugueses cultivam a superficialidade na análise e a boçalidade, termo que ouvi a Mário Cláudio, na prática das suas tarefas.
Acho que é antes a boçalidade de alguns fiscais, de algumas chefias intermédias, de algumas elites.
Talvez para justificarem economia de custos, para poderem ganhar os concursos públicos pelo menor preço (ocorrer-lhes-á que isso é dumping punível por lei?).
Não longe do local e das deficientes condições de segurança no trabalho retratados em
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2015/10/seguranca-no-trabalho.html
registo esta fotografia:
Um trabalhador corta com uma rebarbadora de motor térmico o lancil para a zona curva com declive e sinalização tátil para pessoas com mobilidade reduzida.
Não usa óculos de proteção, não usa máscara, não usa luvas, não usa protetores auriculares. Sorri quando lhe digo que seria melhor usar. Apenas usam coletes refletores.
Sugiro ao fiscal que promova junto do empreiteiro a utilização dos equipamentos de proteção.
Responde que não usam porque não querem. Eu que reclame na CML.
Ele próprio não usa máscara, nem protetores auriculares.
Como não gosto de delações, limito-me a lamentar.
A propósito da estratégia nacional para a segurança e saúde no trabalho.
Para mim é esta a principal necessidade para nos mantermos na União Europeia, com as suas normas.
Não são cumpridas, mas ao menos existem.
Talvez seja isso que caracteriza os portugueses, serem relapsos aos procedimentos estudados e acordados.
Por insegurança própria sentir-se-ão menorizados se os cumprirem.
Pode ser, mas como conheci muitos trabalhadores que cumpriam as regras e os procedimentos da sua profissão e colaboravam na segurança, discordo.
Discordo da classificação precipitada de que os portugueses cultivam a superficialidade na análise e a boçalidade, termo que ouvi a Mário Cláudio, na prática das suas tarefas.
Acho que é antes a boçalidade de alguns fiscais, de algumas chefias intermédias, de algumas elites.
Talvez para justificarem economia de custos, para poderem ganhar os concursos públicos pelo menor preço (ocorrer-lhes-á que isso é dumping punível por lei?).
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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21:11
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quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
O melhor do mundo
A espécie humana tem o melhor do mundo, apesar de infelizmente também ter o pior.
Com a devida vénia ao DN e aos autores das suas fotos, apesar de não ser um grande utilizador do facebook, insistindo em que deve mesmo negociar-se, seja com quem for (neste caso o pai da menina foi libertado depois da mediação do Qatar com um dos grupos terroristas na Síria), e achando que talvez Adam Smith e Karl Marx gostassem de saber do gesto de Zuckerberg e sua esposa:
Com a devida vénia ao DN e aos autores das suas fotos, apesar de não ser um grande utilizador do facebook, insistindo em que deve mesmo negociar-se, seja com quem for (neste caso o pai da menina foi libertado depois da mediação do Qatar com um dos grupos terroristas na Síria), e achando que talvez Adam Smith e Karl Marx gostassem de saber do gesto de Zuckerberg e sua esposa:
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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21:47
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terça-feira, 1 de dezembro de 2015
Túneis em Portugal
Sucedeu há uns dias dar com a notícia da visita do presidente da câmara de Londres à obra do túnel da nova linha transversal do metro de Londres. Vários troços por tuneladoras. Fiz uns cálculos grosseiros e pareceu-me que em Portugal poderíamos fazer o mesmo trabalho por metade do preço.
Existem em Portugal conhecimento e experiencia na execução de túneis, por mais complexos que sejam.
É provável que possam ser utilizados no estrangeiro, mas sabe-se pouco.
Por coincidência, reparei também por essa altura na notícia da entrada em serviço da central hidroelétrica Venda Nova III, 750 MW de potencia instalada, 420m de queda e caudal de 100m3/s, em dois grupos reversíveis. Isto é, podem funcionar como bombagem em períodos de vazio de consumo. Por outras palavras, embora a correção das rendas e CMEC esteja por fazer, é uma instalação complementar das eólicas, anulando a sua intermitencia. A potencia total instalada em Venda Nova passou a ser 1040 MW. Perto de Vieira do Minho, no rio Rabagão, no caminho de uma interligação energética com Espanha.
A obra incluiu a realização de dois túneis num total aproximado de 5000 m, e chaminés de equilíbrio de 360 m, constituindo um conjunto verdadeiramente artístico.
É penoso assistir ao deficiente aproveitamento da capacidade de realização portuguesa. Quando ainda existe a possibilidade de construir centrais hidroelétricas com capacidade até 4 GW. É penoso ver a má utilização das candidaturas a fundos comunitários. Portugal poderia exportar energia elétrica com origem renovável desde que se reforçassem as interligações, tudo de acordo com as orientações da União Europeia.
Faz pena ver e ouvir os ignorantes e os incapazes, por vezes em lugares com poder de decisão, ou de omissão de decisão, ou de influência, oporem-se ao desenvolvimento do país, perdendo-se em discussões estéreis.
Para testemunhar a capacidade de realização de alguns portugueses na área dos túneis, ver o livro antologia "Túneis em Portugal" ed.Raul Sarra Pistone, António Pinto da Cunha, Sociedade Portuguesa de Geotecnia, Comissão Portuguesa de Túneis, Laboratório Nacional de Engenharia Civil.
http://www.spgeotecnia.pt/cptuneis/content.asp?startAt=2&categoryID=1193
O livro cobre todo o tipo de túneis construidos em Portugal, incluindo os túneis de metropolitanos e os túneis hidráulicos. As gravuras e as informações sobre Venda Nova III foram retiradas deste livro.
Existem em Portugal conhecimento e experiencia na execução de túneis, por mais complexos que sejam.
É provável que possam ser utilizados no estrangeiro, mas sabe-se pouco.
Por coincidência, reparei também por essa altura na notícia da entrada em serviço da central hidroelétrica Venda Nova III, 750 MW de potencia instalada, 420m de queda e caudal de 100m3/s, em dois grupos reversíveis. Isto é, podem funcionar como bombagem em períodos de vazio de consumo. Por outras palavras, embora a correção das rendas e CMEC esteja por fazer, é uma instalação complementar das eólicas, anulando a sua intermitencia. A potencia total instalada em Venda Nova passou a ser 1040 MW. Perto de Vieira do Minho, no rio Rabagão, no caminho de uma interligação energética com Espanha.
A obra incluiu a realização de dois túneis num total aproximado de 5000 m, e chaminés de equilíbrio de 360 m, constituindo um conjunto verdadeiramente artístico.
É penoso assistir ao deficiente aproveitamento da capacidade de realização portuguesa. Quando ainda existe a possibilidade de construir centrais hidroelétricas com capacidade até 4 GW. É penoso ver a má utilização das candidaturas a fundos comunitários. Portugal poderia exportar energia elétrica com origem renovável desde que se reforçassem as interligações, tudo de acordo com as orientações da União Europeia.
Faz pena ver e ouvir os ignorantes e os incapazes, por vezes em lugares com poder de decisão, ou de omissão de decisão, ou de influência, oporem-se ao desenvolvimento do país, perdendo-se em discussões estéreis.
Para testemunhar a capacidade de realização de alguns portugueses na área dos túneis, ver o livro antologia "Túneis em Portugal" ed.Raul Sarra Pistone, António Pinto da Cunha, Sociedade Portuguesa de Geotecnia, Comissão Portuguesa de Túneis, Laboratório Nacional de Engenharia Civil.
O livro cobre todo o tipo de túneis construidos em Portugal, incluindo os túneis de metropolitanos e os túneis hidráulicos. As gravuras e as informações sobre Venda Nova III foram retiradas deste livro.
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Fernando de Carvalho Santos e Silva
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22:31
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