quarta-feira, 3 de março de 2010

A cultura tem retorno económico

Com a devida vénia, ver o Jornal de Notícias em:
http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Cultura/Interior.aspx?content_id=1508194      ,
comento o estudo do senhor professor Augusto Mateus e seus associados que conclui pela importância económica da cultura.
Repararam no ar catedrático com que desceu à televisão para explicar, como disse, para “qualquer pessoa perceber”, como a cultura tem potencial económico para gerar retorno?
A senhora ministra da cultura ficou muito contente co o estudo, se bem que não me pareça que queira rever a decisão de pôr o museu dos coches no novo edifico em vez da expansão do museu de arte antiga.
Assim como assim, se a cultura tem tanto potencial, quem mais que o museu de arte antiga tem o potencial dos Brughel, Bosch e Grão Vasco (ah, e os venezianos…)?
O senhor professor aproveitou para chamar ignorantes em economia aos que estão sempre a criticar os critérios “economicistas” nas decisões.
Efetivamente eu sou um desses ignorantes, insignificante trabalhador no setor dos transportes, esmagado pela opinião catedrática de Augusto Mateus & Associados de que a extensão do Metropolitano a Santa Apolónia foi um desperdício e que em vez disso deviam desenvolver-se os transportes fluviais entre pontos diferentes da frente ribeirinha de Lisboa (como antigamente, tomava-se o vapor no Cais do Sodré e desembarcava-se em Belém, e como ainda hoje se faz, com muito retorno económico, em Daca, capital do Bangladexe).
Estou de acordo, foi um desperdício não a ter prolongado pelo menos até às Comendadeiras (Santos o Novo), ali à Mouzinho de Albuquerque, onde há muito terreno para urbanizar.
É claro que nas contas teria de entrar o benefício de uma urbanização integrada, mas penso que Augusto Mateus & Associados não autorizariam essa inclusão e possivelmente achariam que o metro em viaduto ali ficava mal (e contudo, ficaria mais barato).
Mas voltando ao tema da cultura.
Estou de acordo, a cultura tem valor económico (eu até diria que se podem contabilizar benefícios, quanto mais não seja o benefício de não ficar catatónico com os programas de telvisão que nos impingem, desde os concursos aos reality shows , às telenovels e aos espetáculos dos grandes ídolos (será que também meteram isto nos ativos da cultura?).
Augusto Mateus & Associados mais a senhora ministra contam com a cultura para melhorar a situação de só 1% das exportações da UE serem as portuguesas (com o contrapeso de a parte portuguesa na EU das suas importações ser de 1,5%). De facto estes números devem ser combatidos com a tónica da exportação (a cultura exporta-se quando se atrai turistas para a ver cá, ou quando se vende uma gravação de uma ópera no S.Carlos às televisões europeias) .
Não se vê bem como é que isso pode ser feito com tanto desemprego, mas os senhores economistas continuam a dizer que tem de ser, para os preços não subirem (lá está um ignorante a citar a lei de Philips).
E, como diz Basílio Horta, era bom combater também a crise em Espanha, porque as exportações portuguesas para Espanha caíram 27% (ai ombre, hermano, donde vas asi? No tienes dinero para nos comprar las mercancias? No ace malo, puedes pagar com títulos de deuda…) , enquanto para o resto da UE caíram 15%.
Enfim, um tema a seguir.

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