25 de abril de 2026
Aporia
Responde-me, Theodor
E depois de Homs, de Gaza, de Sbrenica, de Bucha,
Será possível
existir?
Theodor, a
humanidade deste lado ocidental da Terra
É bárbara,
estúpida e exibe traços perturbantes de sociopatia
A Poesia,
essa talvez seja possível
Já a existência,
essa não creio
A Poesia
depois de todos os horrores
durante todas
as matanças
pode até ser
a finta possível
Desenhar numa
bonita letra manhãs claras entre holocaustos,
Holocaustos,
Theodor, no plural, o mal nunca é singular
O Deus
coisa que colocámos no altar
não nos
quer com memória
Quer-nos bêbados
de presente
E sem
memória não saberemos reconhecer pelo cheiro
o leite
negro da madrugada
E voltaremos
a bebê-lo de manhã, ao entardecer e à noite
E a beber e
a beber seguiremos enquanto coisas
Coisas de
valor relativo
Cotadas numa
bolsa que é uma algália na cintura dos acumuladores
Somos agora
coisas, apenas coisas, Theodor
O Espírito
limpa-se em sessões de desintoxicação pagas em moeda
Ninguém quer
essa excrecência
Há-de
tornar-se tão inútil
Como os
restos da cauda do primata escondidos no fundo do cóccix
Não, não
foi a Poesia a tornar-se impossível, Theodor
Foi o Espírito quem não conseguiu fugir à morte
Rita Tormenta, 2024
Aporia, dúvida, hesitação perante a possibilidade de duas conclusões opostas
https://www.rtp.pt/play/p1109/e927096/a-vida-breve
https://pt.wikipedia.org/wiki/Theodor_W._Adorno
https://pt.wikipedia.org/wiki/Aporia
Tell me, Theodor!
Aporia, 2024
Com base
nos números da DG MOVE (Direção de Mobilidade da Comissão Europeia) de vítimas
mortais a 30 dias em colisões com outros veículos ou despistes, tivemos em 2025
em UE:
Peões 3560
Trotinetas
148 das quais 45% em despistes
Ciclistas 1819
das quais 27% em despistes
Motorizadas
e motos 4162 das quais 36% em despistes
Ligeiros 8712
das quais 44% em despistes
Estes
números são suficientes para dizer que a estratégia zero mortes está ainda
muito longe da realidade, sendo que afinal a causa despiste é significativa,
isto é, não pode desprezar-se o risco de acidentes por tipo de veículo isolado.
Isso é particularmente importante nas trotinetas e nos automóveis ligeiros. Num
caso por dificuldade de controle, noutro por desadaptação à infraestrutura, nos
dois casos por excesso de velocidade ou distração
Seguimento de: https://fcsseratostenes.blogspot.com/2026/04/ponto-de-situacao-em-9-de-abril-de-2026.html
A Associação Estrada Viva reagiu ao acidente no Porto com a morte de uma jovem em trotineta, atirando as culpas para os automóveis: "as trotinetas "não são um problema comparadas com os automóveis"
Enviei o seguinte comentário.
A comparação entre sinistralidade automóveis e sinistralidade trotinetas (para os próprios utilizadores) só é correta multiplicando o número de pessoas transportadas em cada modo pelos km percorridos. A estatística em Portugal mistura bicicletas e trotinetas e oculta a quilometragem percorrida. Por hipótese na área metropolitana de Lisboa 400.000 autos por dia e cada um percorre 30km , dá 12 milhões de passageiros-km/dia (simplificando 1pessoa/auto); 30.000 trotinetas x 5km = 0,15 milhões de passageiros-km/dia.
Se a taxa de sinistralidade se medir em vítimas mortais por milhão de passageiros-km, 1 morte em trotineta equivale em gravidade à morte de cerca de 100 pessoas em automóvel. Segundo a estatistica da União Europeia, em 2024 houve 148 vitimas mortais em acidentes de trotineta cerca de 5 por ano e por país, sendo 58 em colisão com autos e 66 por despiste (números pela mesma ordem para bicicletas 1819-817-498; motas 4162-1787-1493; autos 8712-2675-3805) .
Isto é, a culpa não é só dos automóveis, é de todos, em colisões e em despistes, e não é só cá em Portugal. Necessária a redução das velocidades, o cumprimento do Código (também pelos duas rodas) e campanhas publicitárias obrigatórias de sensibilização com os comportamentos positivos. Falhando alguma destas continuará tudo na mesma com uns a atirarem as culpas para cima dos outros.
Relacionado:
https://fcsseratostenes.blogspot.com/2026/04/mortes-na-estrada-em-17-e-18abr2026.html
Transcrevo de
https://energy.ec.europa.eu/news/april-infringements-package-key-decisions-energy-2026-04-29_en
Referrals to the Court of Justice
Commission decides to refer Greece, Malta and Portugal to the Court of Justice of the European Union to ensure transposition of the reinforced rules to promote renewable energy
Today, the European Commission decided to refer Greece (INFR(2025)0214), Malta (INFR(2025)0233) and Portugal (INFR(2025)0241) to the Court of Justice of the European Union for failing to fully transpose into national law the provisions of the amending Directive (EU) 2023/2413 on the promotion of energy from renewable sources. The new rules aim to accelerate the deployment of renewable energy and the roll-out of homegrown clean energy across the EU in order to reduce greenhouse gas emissions, strengthen energy independence and lower energy prices. It seeks to deploy renewable energy in all sectors of the economy, not only in the power sector, but also and especially in those sectors where progress is more difficult like heating and cooling, buildings, transport and industry, where new or strengthened targets have been set. They introduce horizontal and cross-cutting measures to promote the deployment of renewables, such as the strengthening of guarantees of origin, facilitating energy system integration through the promotion of electrification and renewable hydrogen, and safeguards to ensure a more sustainable bioenergy production. The promotion of renewable energy is crucial for Europe's competitiveness and path to climate neutrality and a key element of the Affordable Energy Action Plan as well as the REPowerEU plan. The Directive was adopted in 2023. Member States had to notify the transposition of the Directive by 21 May 2025, except for some provisions related to permitting, which were already due by 1 July 2024. The Commission sent Greece, Malta and Portugal a letter of formal notice in July 2025 and a reasoned opinion in December 2025 for not having transposed the Directive. Greece and Portugal have not yet notified any transposition measures. Malta has not provided sufficiently clear and precise information on how the directive has been transposed. The Commission is therefore referring Greece, Malta and Portugal to the Court of Justice of the European Union, with requests to impose financial sanctions. More information is in the press release.
Trata-se do procedimento de infração INFR(2025)0241 .
Um dos aspetos deste incumprimento é a não transposição para a legislaçao nacional dos objetivos de produção de hidrogénio dito verde.
Mais uma vez os senhores decisores nacionais se consideram superiores aos eurocratas, acima das decisões da UE . Já no tempo de Julio Cesar os romanos faziam apelos aos lusitanos para não serem tão cabeçudos, que era uma forma simpática de não dizerem tão provincianos (Sophia dixit, provincianos a sul e bairristas no norte).
Junta-se este procedimento de infração ao que a CE levantou por incumprimento das diretivas de segurança ferroviária (por exemplo, a 2016/798), assunto mais ou menos ligado ao acidente do elevador da Glória e aos de Alfarelos, Ademia e Soure. INFR(2020)2092.
Pessoalmente critico a CE por deixar andar a inoperancia dos sucessivos governos, em vez de mandar para cá uma equipa de assistência técnica e explicar o que é preciso fazer, por exemplo para cumprir a regulamentação europeia das redes interoperáveis de ligação à Europa,por exemplo o 2024/1679 (Portugal, um pequeno país periférico...).
E sem esquecer a vergonha de virem dois técnicos da UE verificar in loco que não se tinham aplicado as regras do controle de fronteiras no AHD ...
Vergonha por tudo isto.
Intervenção da senhora presidente do metro numa conferencia sobre inovação: