Podem ver-se as duas últimas notas da CIAF (comissão de investigação de acidentes ferroviários), de 12fev2026 e de 27fev2026, no sítio da CIAF: https://www.transportes.gob.es/organos-colegiados/ciaf/investigaciones-en-curso/adamuz
Mantem-se a informação anterior de que o relatório final poderá ser divulgado cerca de um ano após o acidente
Faço entretanto os seguintes comentários:
1 - continua a faltar o acesso às caixas negras dos comboios e a consequente divulgação, aguardando-se a coordenação com a investigação judicial (que nunca deveria ter a primazia sobre a questão técnica porque um acidente é uma questão técnica primeiro e jurídica eventualmente, mencionando-se pela positiva a divulgação de vários relatórios pela Guardia Civil)
2 - depois de selecionado o laboratório para análise das amostras de carril e de soldaduras depois de 12fev2026, aguardam-se os resultados, lamentando-se o atraso na seleção o que pode indiciar a não dotação do gestor da infraestrutura e do regulador com meios laboratoriais
3 - 18 dos 19 maquinistas que passaram no dia do acidente no mesmo sentido declararam que não notaram vibrações anormais no lado direito (informação no Cordopolis de 4mar2026) , o que mostra que a essas velocidades, é indispensável ter no comboio um sistema de monitorização e sensorização com transmissão telemática, para o maquinista e para a central, da deteção da integridade e carrilamento da composição e de análise por ultrasons por amostragem dos carris e soldaduras
4 - dado que a causa próxima do acidente não foi uma mas duas fraturas . Estas limitaram o troço de carril deitado o qual conduziu um bogie da 5ª carruagem de encontro à ponta da lança aberta do AMV (aparelho de mudança de via), desviando-o para o gabari da via contrária. Aguarda-se informação sobre as características geométricas dos rodados do Iryo, nomeadamente o angulo de conicidade das rodas, que possam estar na origem dos movimentos laterais de lacete que terão induzido o arranque das fixações do lado esquerdo do carril direito, a segunda fratura e o deitar do troço de carril. Igualmente deverá ser fornecida informação, após acesso às caixas negras do Iryo, sobre se no momento das fraturas terá sido registada uma redução da velocidade e uma pressão por inércia da motora da cauda contribuindo para o movimento lateral na origem do carril deitado
5 - lamenta-se existirem lugares vazios na equipa de investigação da CIAF , estranhando-se o conceito de conflito de interesses como justificação, oposto ao dos sistemas de qualidade nas empresas de independencia hierárquica e deontológica
6 - receia-se que o atraso na elaboração e emissão do relatório final contribua para o arrastar da definição da normalização ao nível da Comissão Europeia do sistema de monitorização e sensorização referido no ponto 3, esperando-se:
6.1 - proposta de normalização nas redes de AV na UE do tempo útil dos carris e das soldaduras em função dos vários níveis de velocidade e de toneladas por eixo (qual o limite de toneladas que podem passar pelo carril ao longo da sua vida útil).
6.2 - proposta de normalização nas redes de AV na UE, em função dos níveis de velocidade, da instalação de AMV de ponta eventualmente com encarrilador (em princípio não deveriam instalar-se AMV de ponta em zonas de AV) e de talão, incluindo a distancia de segurança entre as pontas das lanças e as juntas soldadas aos restantes carris, a obrigatoriedade de instalação de "fishplates" (placas de ligação entre carris contíguos com fixação com furação) , o recurso a via betonada e as condições mínimas de atacamento no caso de via com balastro enquanto não se instala a via betonada.
7 - estranha-se a ausencia de referência, como circunstancia que possa ter contribuido para a fragilidade das soldaduras que partiram, às amplitudes térmicas na zona do acidente, considerando a sucessão de tensões internas nos carris de sinal contrário devidas às dilatações e contrações. Igualmente se julga deverem ser referidas as condições de instalação de aparelhos de dilatação nesta zona, instalados ou a instalar.
Informação anterior:
https://fcsseratostenes.blogspot.com/2026/01/acidente-de-adamuz-comentario-nota.html
PS em 12mar2026: Segundo informação do Cordoba Hoy, as caixas negras já começaram a ser analisadas pela CIAF com a indicação das velocidades a que os comboios seguiam quando foram iniciadas travagens automáticas por deteção de temperatura elevada no caso do Iryo (sentido para Madrid) e, provavelmente, rotura de carril na via do Alvia por fratura devida às ultimas carruagens descarriladas do Iryo:


