domingo, 22 de fevereiro de 2026

Qual o significado dos salmos bíblicos?

Ouvi na Antena 2 um programa sobre musica de Handel com o Dixit Domine, salmo 110, e o seu explícito significado guerreiro.       https://www.rtp.pt/play/p291/e910227/a-proposito-da-musica

Por coincidência, um jornal digital lançou um trabalho sobre o significado bíblico dos salmos.   https://observador.pt/programas/as-historias-da-biblia/

Sem vestir as vestes de exegeta dos textos sagrados, reproduzo uma tradução do salmo 110 e ponho a hipótese de que o significado básico das religiões é o de reforçar os meios de defesa e de ataque duma comunidade para sobreviver e sobrepor-se na luta com outras comunidades e, en passant, desenvolver meios de bem estar, de que se destaca a paz no seio da comundade vencedora. Em resumo, mais uma manifestação de dualidade de conceitos antagónicos.

Impressionante no salmo 110, o desígnio de converter os inimigos (adversários? gente que vive segundo conceitos e objetivos diferentes? ou que pretende o mesmo, subjugar a outra comunidade?) em estrado para os pés (tamborete segundo outra tradução).

Assim se compreende aquela passagem da Bíblia sobre os Amalecitas, Samuel, 15:3, perfeito genocídio ordenado pelo Deus ao profeta Samuel e por este ao rei Saul ("Vai e mata todos, velhos, mulheres, crianças de peito") . Os Amalecitas estavam no caminho entre a saída do Egito e a terra prometida, tinham de sair porque matavam o povo eleito. Tal como os especialistas de propaganda militar continuam hoje a fazer, quer seja na Ucrania, em Gaza, ou no Sudão, é sempre o outro que é o culpado e que deve ser castigado, a culpa nunca é dos dois. Como diria Eisenhower, o complexo político-militar agradece. 

A Paz continua longe, apesar do trabalho e das obras, entre outros, de Benjamin Britten.    https://fcsseratostenes.blogspot.com/2022/02/a-paz.html




    Versículos de Salmo 110 do livro de Salmos da Bíblia.

    1O Senhor disse ao meu Senhor:
    "Senta-te à minha direita
    até que eu faça dos teus inimigos
    um estrado para os teus pés".

    2O Senhor estenderá
    o cetro de teu poder desde Sião,
    e dominarás sobre os teus inimigos!

    3Quando convocares as tuas tropas,
    o teu povo se apresentará voluntariamente.
    Trajando vestes santas,
    desde o romper da alvorada
    os teus jovens virão como o orvalho.

    4O Senhor jurou e não se arrependerá:
    "Tu és sacerdote para sempre,
    segundo a ordem de Melquisedeque".

    5O Senhor está à tua direita;
    ele esmagará reis no dia da sua ira.

    6Julgará as nações, amontoando os mortos
    e esmagando governantes
    em toda a extensão da terra.

    7No caminho beberá de um ribeiro,
    e então erguerá a cabeça.























































































quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Manifesto pela valorização do território, fevereiro de 2026




 

https://www.publico.pt/2026/02/12/opiniao/opiniao/valorizacao-territorio-reforma-estado-regionalizacao-2164450


Se tivesse sido convidado teria assinado este manifesto com muito gosto. E teria pedido aos promotores que divulgassem o meu comentário seguinte:

O que se propõe é, não apenas um objetivo constitucional que a inércia dos políticos mantem afastado, como um conjuunto de medidas que melhorarão o ordenamento do território.

Trata-se de um problema de organização e de planeamento objetivo requerendo divisão em componentes com necessidades de financiamento e datas de execução bem definidas. Da sua complexidade resulta que não haverá soluções universais e que poderá haver uma dualidade em que uma solução será mais eficaz com uma estrutura no continente dividido em 18 distritos, quando outras soluções serão mais eficazes se o continente estiver dividido em menos regiões, como por exemplo no caso das NUT II.

Pessoalmente, gostaria de ver discutido o retorno da divisão em NUT II anterior à recente decomposição da AML Área Metropolitana de Lisboa nas regiões Oeste e Vale do Tejo, Grande Lisboa e Península de Setúbal, cuja única vantagem é o acesso a subsídios da União Europeia (UE) .

Penso que seria eficaz a divisão em 7 regiões coincidentes com as NUT II, eliminando os 18 distritos e reduzindo também o número de concelhos: Norte (redefinindo as fronteiras com o Centro)-Centro (redefinindo as fronteiras com o Norte)-AML-Alentejo-Algarve-Açores(Autónoma)-Madeira (autónoma). A cada região corresponderia uma CCDR com o provimento dos principais cargos decisores e os  de natureza técnica de engenharia de ordenamento do território, mediante concurso público internacional, como aliás previsto pela UE, sem prejuízo da participação das CIM Comunidades Intermunicipais. Assim se contrariaria o argumento de que a criação de mais níveis intermédios geraria burocracias e atrasos, porque esses níveis, sob a forma de CCDR, já existem, mas com o grave inconveniente dos seus decisores serem decididos pelos principais partidos. Os procedimentos de decisão sobre o ordenamento do território, incluindo a mobilidade regional, interregional e internacional, satisfariam os objetivos de participação cidadã expressos por exemplo no art.48 da Constituição, corrigindo a atual insuficiência dos procedimentos de consulta pública em que raramente são considerados relevantes os contributos dos cidadãos.Complementarmente criar-se-ia, para reduzir o risco do caciquismo, uma estrutura única nacional, adstrita à Procuradoria Geral da República (PGR) e organizada segundo os critérios dos sistemas de controle de qualidade das empresas.

Curiosamente poderia associar-se a toda esta reestruturação a reforma do sistema eleitoral, outro objetivo constitucional sistematicamente relegado para um futuro distante por desinteresse dos grandes partidos. O sistema atual, dada a desigualdade do nível populacional dos distritos impede os pequenos partidos de elegerem deputados nos círculos menos populosos além de obrigá-los a recolher nalguns casos cerca de 6 vezes mais votos por deputado do que os grandes partidos. O que manifestamente é inconstitucional por traduzir desigualdade do direito de representação. A solução é conhecida, basta reduzir o número de círculos eleitorais, por exemplo fazendo-os corresponder às NUT II ou, mais decididamente, a um circulo único no continente. A função de controle de qualidade poderia ser exercida também por uma segunda câmara parlamentar, de eleição uninominal (eventualmente reduzindo o atual número de deputados na então primeira câmara), aqui sim com base na atual divisão por distritos.

O atual PNPOT é uma boa base de trabalho, destacando a referência ao objetivo de um território policêntrico em que as cidades integrantes da lista de nós urbanos pela regulamentação comunitária, contribuiriam, incluindo a mobilidade multimodal de passageiros e mercadorias, para o desenvolvimento das regiões, nomeadamente através da fixação de investimento estrangeiro para produção industrial para exportações através das ligações a portos, aeroportos e passagens transfronteiriças ferroviárias. 

Também é de destacar a necessidade de atualização de instrumentos jurídicos de ordenamento do território como o PROTAML, datado de 2002, receando-se que as recentes decisões sobre os grandes investimentos na mobilidade (traçados de Alta Velocidade ferroviária desalinhados com os critérios de interoperabilidade da UE, idem com os PMUS Planos de Mobilidade Urbana Sustentável, atrasos que já se verificam no "roadmap" que a Comissão Europeia aprovou em 30out2025 para a LAV Lisboa-Madrid, deslocalização ou desprezo de plataformas logísticas rodo-ferroviárias, TTT terceira travessia do Tejo, localização do NAL, Parques Tejo, Arco Ribeirinho Sul, túnel Trafaria-Algés, rede ferroviária suburbana integrando as 2 margens do Tejo, revisão do PFN Plano Ferroviário Nacional...) conduzam a soluções mais económicas no curto prazo, que a médio e longo prazo se revelarão nocivas para o ordenamento do território e para a economia nacional.



terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Ponto da situação do aumento da capacidade do AHD em fevereiro de 2026

 A propósito dos comentários do comandante Correia Guedes sobre o incidente do avião da TAP em Praga e  de outro incidente no Brasil, refiro a posição do Governo sobre prescindir do objetivo de 45 movmentos/hora no AHD e implicitamente desistir do prolongamento do taxiway, justificando que os benefícios da obra (que seriam entre outros a redução do risco por cruzamento da pista) são inferiores aos custos.


1 - prolongamento do taxiway - nas negociações em curso entre o concessionário e o governo, ficou expresso que para aumentar a capacidade para 42 movimentos por hora não era necessário evitar o cruzamento da pista pelos wide bodies  (https://www.elmundo.es/economia/2026/02/16/698ddb5de4d4d843398b45a8.html).
O mesmo é dizer que fica remetido para as calendas gregas o prolongamento do taxiway. O anexo 9 do contrato de concessão não fala em prolongamento do taxiway mas nas obrigações específicas  de desenvolvimento do AHD que deveriam ter estado concluidas em 2021:   obrigação 13 (saídas rápidas da pista 3 agora 2) , obrigação 14 (entradas multiplas na pista 21 agora 20), obrigação 16 (remodelação da plataforma de estacionamento 80  de Figo Maduro) e obrigação 17 (expropriação de armazens para construir o prolongamento do taxiway). Isto é, não foi cumprido o contrato com grave risco de acidente no cruzamento da pista.
A expressão de Correia Guedes, não se compreende porque não se prolonga o taxiway é um eufemismo, trata-se simplesmente de fuga à aceitação da realidade pelos deciores, por incapacidade de compreensão ou por protecionismo ao concessionário. Em qualquer caso não um eufemismo mas simples gestão danosa (que entronca no memorando de 2019 que acreditou que o Portela +1 evitava o cumprimento destas obrigações específicas) 


2 - tal como se deduz das hipótese 2 e 3 postas por Correia Guedes é provável que a causa do incidente no avião da TAP em Praga tenha sido, na hipótese 2,  uma deficiência do software que executou um comando sem a autorização dos pilotos (causa semelhante ao acidente com o avião na Índia, que quando corrigiu o comando já não havia altitude para se salvarem). A manobra executada, "picada", é típica duma informação errada da velocidade do avião, típica de sondas de velocidade que não suportem condições meteorológicas adversas (caso dos acidentes dos Boeing indonésios, e com semelhanças com os acidente da Spanair em Madrid e da Air France no Brasil), se a informação é de velocidade reduzida, o comando é "afocinhar" para reforçar o aumento de velocidade. Estas conclusões são legítimas porque os fabricantes recusam-se a divulgar pormenores sobre o funcionamento dos seus programas e sub-rotinas, provavelmente para não agravar as suas dificuldades e as das seguradoras. Não havendo essa divulgação para se entender com base em dados técnicos o que se passou, chega-se áquelas conclusões por dedução e comparação entre os vários acidentes. Sobre a hipótese 3 de interferências, é também provável, mas fica a dúvida porque não aconteceu com outros aviões.

Apesar de tudo mantêm-se os elevados padrões de segurança do transporte aéreo, tal como na Alta Velocidade, apesar das dúvidas sobre o carril e a soldadura fraturados (critica-se neste caso as amostras de carril ainda não terem sido entregues aos laboratórios especializados segundo a notícia do el Mundo de 16 de fevereiro).

Comentário de Correia Guedes:

Sobre o contrato de concessão e anexos:

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Exportações de bens em 2025

 

O desenvolvimento de uma rede ferroviária em Portugal integrada na rede europeia, com as características de interoperabilidade para Alta Velocidade e mercadorias é uma questão indispensável a médio prazo para o crescimento das exportações de bens para a Europa além Pirineus.

Isso mesmo foi já expresso aos decisores Governo (MIH) e IP, mas não creio que em tempo útil mudem a posição de conservação da bitola ibérica na rede ferroviária, a existente e as novas linhas. Talvez porque a situação atual até parece ter futuro para os atuais operadores que poderão expandir o seu mercado, tal como em Espanha (que ainda tem a maioria do tráfego na rodovia com a quota modal da ferrovia entre 5 e 7%), com a transferência da carga rodoviária para a ferrovia, mas sempre dentro da península, sem os concorrentes estrangeiros. 

O caso da Medway é sintomático, tem comboios de bitola europeia do lado de lá dos Pirineus, e comboios de bitola ibérica do lado de cá; estão com o problema do STM/CONVEL, mas também têm locomotivas para circular em Portugal e outras com ETCS para circular em Espanha. 

Aos operadores em ação  em Portugal convem-lhes deixar estar, desde que lhes consertem as linhas existentes e reduzam a taxa de uso. Eis um exemplo de como o interesse duma empresa pode não ser o interesse nacional.

Sobre este assunto gostava de acrescentar os novos dados do INE para as exportações de bens em 2025:

exportações por ferrovia  e rodovia em Mton :                                                                                                                                                                                             para Espanha  11,150                                                                                                                               para o resto da UE    5,653

exportações por ferrovia e rodovia   em M€ :                                                                                                                                                                                            para Espanha       17468                                                                                                                           para o resto da UE        28402

Isto é, exportamos mais em peso para Espanha, mas recebemos mais em euros do resto da UE, sendo que 1% por ferrovia e 99% por rodovia.

Mais uma observação que até é irrelevante neste caso. O transporte marítimo em porta contentores de grande capacidade pode atingir consumo específico de energia por tonelada-km menor do que por comboio, 20 Wh/ton-km, mas se a linha e os comboios forem novos com pendentes e curvas limitadas o consumo pode aproximar-se com a vantagem, em ligações por exemplo de Sines à area de influencia de Roterdão, de menores tempos de percurso  (por exemplo eu estimei para uma linha nova da Beira Alta um consumo de 28Wh/ton-km que compara com a linha atual de 38Wh/ton-km). Mas parece que isto não é fator relevante  para o MIH ou a IP.

Saúda-se o valor de exportações em 2025 de produtos da industria metalurgica e metalomecânica: cerca de 24,2 mil milhões de euros; as receitas do turismo atingiram 29,4 mil milhões. Não tenho ainda valores de confiança para comparar os saldos exportação-importação nestes domínios.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

A ferrovia tem de se preparar para o agravamento do clima, caso do acidente na Catalunha

 


Imagens dos danos nas vias férreas da tempestade Kristin em 28jan2026 em Portugal:

https://share.google/WfHPR916gCM4ySvOa


na Catalunha em 19jan2026

https://railmarket.com/news/infrastructure/50212-gelida-and-rubi-landslides-split-catalonia-s-disruption-into-two-freight-blockages

início dos trabalhos de reparação na kinha R4 de Rodalies a 2km para sul de Gelida : reposição do muro de contenção da autoestrada AP-7






Acidente junto da autoestrada AP-7 visivel no topo da foto. A deformação da carruagem indicia que o muro caiu à passagem do comboio com deslizamento de terras por falta de drenagem e de monitorização, quer da gestora da autoestrada, quer da gestora da ferrovia, enste caso indiciando dificuldades na repartição de competências entre o governo central e o autonómico

ameaça à ferrovia da costa de Barcelona

A necessidade de preparação da ferrovia para os eventos extremos tem sido tratada neste blogue:


destaco os textos de 1out2025 sobre a necessidade de preparação da ferrovia para os efeitos das tempestades, de 15set2010 sobre a manutenção e controle da sua eficácia, e 31jan2010 sobre o secretismo das entidades e sobre o ordenamento do território.

Talvez haja progressos na divulgação dos diagnosticos , normalmente  a posteriori relativamente à ocorrência dos eventos extremos e apenas em curtos períodos de destaque mediático, mas mantem-se a inércia da concretização das medidas para reduzir a probabilidade de danos graves.   

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Morte do revisor de comboio Serkan C

 

Em memória de Serkan C, cidadão turco emigrante na Alemanha, revisor num comboio regional na região de Berlim, assassinado em 4fev2026 por um passageiro grego residente no Luxemburgo, que numa fiscalização reagiu violentamente por não ter bilhete.

https://www.turkiyetoday.com/region/turkish-train-conductor-serkan-c-dies-after-ticket-check-attack-in-germany-3214065?s=3

Uns defendem a diversidade, a inclusão e o direito ao trabalho. Outros querem o uso da força para dominar o próximo. Este é mais um exemplo da desorganização  da sociedade com grande défice no sistema educativo, nas garantias de bem estar e incapaz de prevenir e corrigir os desvios anti-sociais.

Como reconhecido pelo ministro dos transportes alemão, os empregados do caminho de ferro que contactam os passageiros exercem serviço público e devem ser protegidos. Mas a sociedade precisa de corrigir o seu sistema de organização, de acabar com a competição do "chacun pour soi".


sábado, 7 de fevereiro de 2026

Pouco depois da tempestade Kristin, em 28 de janeiro de 2026

 



Poucos dias depois da tempestade Kristin, o cronista manifestou o seu desapontamento, no meio das dificuldades na reação à extensão dos danos, com as limitações das rádios locais, da imprensa regional, com as dificuldades do seus profissionais em rapidamente divulgar o desastre em cada região.

https://www.publico.pt/2026/02/03/opiniao/opiniao/tempestade-noticias-porta-2163520

É na verdade frustrante ver a “desertificação noticiosa do país ... o relatório do Labcom da Universidade da Beira Interior ... 83 concelhos sem jornalistas de rádio nem imprensa periódica”, as limitações das rádios locais, da imprensa regional, a insuficiência de profissionais. Mas talvez ainda haja solução.

Será que ajudaria dar mais atenção ao ordenamento do território? Lendo por exemplo o PNPOT (Plano nacional de Ordenamento do Território) e o que a regulamentação europeia tem na tentativa de que a passemos à prática, por exemplo, na questão da mobilidade que é um fator essencial na coesão do território, o regulamento 2024/1679?

Diz o PNPOT que devemos ter um território policêntrico. Então desenvolvamos cidades que ajudem a desenvolver as regiões, cada região com a sua ou suas cidades dinamizadoras.

Pelo seu lado,  a regulamentação europeia manda fazer planos de mobilidade sustentável em torno dos seus núcleos urbanos de mais de 100.000 habitantes e sua ligação a aeroportos, portos marítimos/fluviais e terminais rodo-ferroviários.

 Talvez fosse boa ideia reduzir o número de distritos, poucas NUTII, não pensar só em criar NUT II para recolher subsídios.

E reduzir o número de concelhos (Portugal continental com 308 concelhos?!). Há o risco de estar a reforçar o caciquismo, mas há meios para o evitar, equilíbrios e contrapesos, como dizem os anglo-saxónicos, ou sistemas independentes de qualidade, como se usa nas grandes empresas, ou processos de análise e desenvolvimento coletivos, ou simplesmente acionar o art.48 da CRP.

Conviria até reduzir o número de círculos eleitorais e assim dar mais voz aos pequenos partidos, da diversidade quando se cumprem as regras da cooperação resultam progressos.

Tudo isto é difícil, num país em que pouco importa a capacidade de planeamento, de organização, de execução e de monitorização do desempenho, mas talvez ainda haja solução.

Esquecer o assunto é que não.

 


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Depois da notícia da inauguração da autoestrada ferroviária Valencia-Entroncamento e da ligação ferro-marítima Alfarelos-Barcelona-Istanbul

 


https://www.transportesenegocios.pt/ae-ferroviaria-valencia-entroncamento-ja-opera/

https://www.transportesenegocios.pt/klog-liga-alfarelos-a-istambul/

Sobre a autoestrada ferroviária Entroncamento-Valencia penso que se pode dizer o mesmo que sobre os 1000 km para Barcelona quando temos o porto de Sines mais perto. 
No fundo, as razões dos respetivos operadores fazem parte da justificação do seu desprezo (dos operadores nacionais e de alguns espanhois) pelo regulamento 2024/1679 das redes transeuropeias TEN-T e da obrigação da interoperabilidade, bitola UIC para as interligações com a Europa. Do anexo II  deste regulamento faz parte uma lista de nós urbanos com terminais rodo-ferroviários que inclui Alfarelos e a Bobadela (esta praticamente eliminada para substituição por um parque de lazer).
Mesmo em Espanha, a quota modal de todo o transporte, o transporte de mercadorias por ferrovia é insignificante, talvez cerca de 5%, sendo em Portugal de cerca de 4%  (se considerarmos apenas o transporte terrestre intra fronteiras, a quota ferroviária é de cerca de 14%). Por exemplo, não está prevista a utilização da ligação Oropesa, na fronteira da provincia de Toledo, para Madrid em bitola UIC para mercadorias; o que estão a fazer na linha Badajoz-Puertollano-Alcazar de San Juan-Madrid é apenas eletrificação e não mudar a bitola.
Logo, sendo reduzido o mercado ferroviário, é possível criar oportunidades de crescimento do mercado interno com as linhas de bitola ibérica existentes, com transporte de semireboques ou camiões nas autoestradas ferroviárias . Para mais, há a vantagem de os operadores existentes se protegerem da invasão de operadores estrangeiros que evidentemente não vão comprar locomotivas de bitola ibérica. Notar que a Medway compra locomotivas de bitola ibérica para o mercado peninsular e locomotivas de bitola UIC para as ligações a França, Alemanha e resto da Europa. Portanto, temos aqui um exemplo de que o interesse de empresas  pode não coincidir com o interesse público (apesar de aumento da receita fiscal) que, no caso português, era ter ligações à Europa em bitola UIC atravessando a Espanha para facilitar a exportação de bens e a transferencia de carga rodo para a ferrovia em termos de redução de emissões do regulamento 1679. Isto é, em termos de concorrência , temos falha de mercado por assimetria no acesso.
A Klog, sendo uma empresa de logística, pode escolher estes trajetos porque a rede ferroviária portuguesa é de facto extremamente limitada em traçados de ligação dos portos a Espanha e à Europa, mesmo em bitola ibérica, além de que o percurso maritimo por Gibraltar tambem tem os seus inconvenientes, engarrafando o tráfego. Junto imagem do "Localizatodo" com o congestionamento de navios em Algeciras e Gibraltar. Sines não é a porta de entrada na Europa.

 


sábado, 31 de janeiro de 2026

Sobre as barragens após a tragédia da tempestade Kristin

 


Claro que, sendo engenheiro mecânico,o autor do video tem autoridade para dizer o que disse e, de facto, as suas observações são corretas. Mas como me ensinaram há muitos anos, a engenharia existe para resolver problemas da comunidade sabendo-se que vão criar-se novos problemas depois de se resolver outros. Competindo depois à engenharia resolver os novos e por aí fora, sucessivamente sem cessar como diziamos na escola. Sendo que o principal problema da humanidade é o de obtenção e conversão de energia útil.
 Então, a crítica que eu faço é que faz uma sinedoque (tomar a parte pelo todo ou vice-versa). As barragens (albufeiras) enchem e têm de descarregar (descarregadores de cheia) porque não há transvazes. Fazendo uma analogia com os circuitos elétricos, as barragens funcionam como os condensadores, que absorvem picos de tensão para estabilizar a tensão. Lá está, só podiamos pôr as barragens no pelourinho se lhe pudermos juntar os transvazes, que aliás já estão projetados para ligar ) . Então se as barragens tiverem caminhos para desviar o excesso de caudal, e se construirmos mais barragens com capacidade de retenção, melhoraremos a capacidade de gestão das cheias na rede. Mas claro, os ambientalistas acham mal haver transvazes e construir mais barragens (a do Pisão enfrenta providencias cautelares, a do Ocreza nem se fala, e os transvazes Douro-Tejo-Alentejo-Algarve estão parcialmente estudados mas não podem sair da gaveta (ou estirador ou computador). Por exemplo, a barragem do Pedrogão (no Guadiana) ajuda a do Alqueva nas descargas (poderiam construir-se mais umas pequenas barragens até ao Pomarão; deveriam construir-se barragens no Vascão e na Foupana e substituir as barragens de aterro do Beliche e de enrocamento de Odeleite por barragens de betão), mas poderia resolver-se aumentar a capacidade do transvaze do Chança para Huelva, mediante monitorização cuidada da repartição dos caudais por Portugal e por Espanha. Duvido que estas questões possam ser resolvidas e planeadas corretamente pelos decisores (gostaria de estar enganado).
Já agora, sobre as areias, que têm também o problema de acabar por entupir as barras de alguns portos (ver a questão do Eikberg na barra da Figueira e ainda o assoreamento da barra do Tejo, questões que só se resolvem, criando outros problemas, claro, com a construção de novos molhes e, no caso de Lisboa, da ligação Cova do Vapor-Bugio), nos custos de manutenção das barragens deve estar incluida a extração dos depósitos e das areias, para isso até há arenadores).
Já agora ainda, saúda-se a construção das bacias de retenção na Alta de Lisboa e no Alto da Ajuda, mas lamenta-se a construção de prédios na linha de água na estrada do Desvio, a construção de um hospital e de blocos de apartamentos de luxo no aterro de Alcântara, a construção do tunel de 5km do plano de drenagem de Lisboa sem antes se ter feito o projeto de ultrapassagem do túnel de metro de Santa Apolónia e por se ter desistido do depósito de retenção de 35.000 m3 do Parque da praça de Espanha , e por ....  (como dizia um comentador - engenheiro geógrafo - das desgraças do Kristin, duvido que os governantes tenham lido a estratégia do ordenamento do território de 2022, duvidas consistentes com a forma de eleição dos decisores e executivos das CCDR).

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Acidente de Adamuz - comentário à nota preliminar do CIAF

 

 

 

 

                 Reproduzo a nota preliminar da CIAF de 23 de janeiro de 2026:









 

Saúdo a divulgação da nota pela CIAF através do jornal El País, sublinhando os agradecimentos e a apreciação muito positiva das entidades envolvidas nela contidos. Destaco os seviços de emergencia, a Guardia Civil na recolha de imagens e a solidariedade de muitos.
Continuo porém, sem retirar a elevada competência técnica dos investigadores da CIAF, a valorizar a postura dos organismos anglo-saxónicos de investigação de acidentes que rapidamente organizam conferências de imprensa para divulgação dos sucessivos resultados obtidos e para recolha de colaboração dos cidadãos.  Julgo tratar-se de uma cultura determinada pelos sucessivos governos.

Tento em seguida estabelecer uma hipótese de cronologia das causas, com base na nota da CIAF , em informação divulgada pela comunicação social, e nalguma experiência profissional no metropolitano de Lisboa (tivemos uma fratura de carril numa zona de soldadura detetada imediatamente pelo maquinista, vários descarrilamentos em aparelhos de mudança de via de ponta; muito recentemente ocorreu uma fratura de carril na linha suburbana da Fertagus  próximo de Sete Rios; em qualquer caso, em domínios de velocidades muito inferiores aos 200km/h do acidente de Adamuz, mas reveladores dos riscos de soldaduras aluminotérmicas ou de outro tipo que podem fragilizar o carril por excesso de temperatura). Evidentemente que se trata apenas de uma hipótese, mais alargada do que a da nota preliminar da CIAF, aguardando-se mais informação para eventual confirmação, tirar conclusões e sugerir recomendações.

Repito o esquema de toda a zona do acidente com base nas informações disponíveis.





1 - Os eixos das quatro primeiras carruagens do Iryo (cada carruagem tem 4 eixos, 2 em cada bogie) vão agravando sucessivamente o alargamento da fissura no carril direito na zona da soldadura (deixando as marcas nas superfícies de rolamento das rodas conforme a nota); estando o carril apoiado na travessa A que faz de apoio à flexão, leva à fratura f1 ao corte junto da travessa B  (nota postrior: após a travessa B). Existe a possibilidade de descompactação do balastro devido ao tráfego intenso ou a infiltração de água e arrastamento de inertes, agravando a suscetibilidade ao corte

a nota do CIAF refere apenas a fratura f1, mas também refere que no local da rotura do carril se encontrou um pedaço de carril solto de cerca de 40 cm . Também não refere por que o troço de carril a seguir à travessa C se deitou para o lado direito; uma hipótese seria por choque de roda da carruagem 6 com o topo do carril, deformando-o e arrancando-o das fixações; ou embate lateral dos rodados em movimentos de lacete (oscilação das carruagens de um lado para o outro)     ATT - ver desenho corrigido mais abaixo em função de nova fotografia da zona das fraturas




          Nesta foto não está visível a porção de cerca de 40cm do carril direito que se soltou (ver nova foto mais abaixo da zona de fraturas)


2 - os eixos do primeiro bogie da carruagem 5 provocam  a fratura f2 ao corte junto  da travessa C por flexão do carril, funcionando a travessa B como apoio à flexão. Como referido na nota da CIAF, solta-se um pedaço de carril de cerca de 40cm e o carril a seguir à travessa C deita-se para o lado direito. Nas figuras seguintes pode ver-se a deformação do carril deitado 






o troço de carril deitado desde a rotura na soldadura até junto da ponta da lança curva da agulha em zona de nova fratura f3 . A qualidade da foto não é boa (tirada de um video da Guardia Civil) mas sugere também a hipótese de abatimento de via por infiltrações e arrastamento de inertes



PS em 27jan2026 -   Foi divulgada a seguinte foto, mostrando melhor a fratura f1 da soldadura e a fratura f2   40 cm depois, bem como  a deslocação do carril deitado sobre a direita. É visível a porção de carril arrancada e as datas de fabrico dos carris, que são diferentes dos dois lados da soldadura, (1989 ou 1992 ?)  do lado antigo e 2023 do lado do aparelho de via (a investigação terá de se pronunciar sobre se isso influenciou a suscetibilidade à fadiga e a fragilidade da soldadura e dos carris, por exemplo em razão de composições químicas diferentes). Igualmente terá de se explicar por que foi arrancada ao carril uma porção de cerca de 40 cm e por que se deslocou e deitou o carril (deformação do carril por libertação de tensões internas devidas a variações de temperatura e pressão lateral dos rodados em movimentos de lacete?)




É assim necessário corrigir o desenho acima com as travessas em corte. Junto de seguida o desenho corrigido:

A fratura f1 ter-se-á formado conforme descrito na nota do CIAF (abaixamento do carril sobre a travessa B e sobreelevação do carril a seguir à soldadura) induzindo a fratura f2 arrancando a porção assinalada a cinzento escuro por pressão dos rodados sobre a ccabeça do carril. Ter-se-á seguido a sobreelevação da cabeça do carril por pressão dos rodados entre as travessas C e D e consequente deslocação do carril e arrancamento das fixações e torção do carril até à fratura f3 junto da ponta da lança da agulha


3 - o troço de carril a seguir à travessa C ter-se-á deitado para a direita e deformado provavelmente por compressão longitudinal e reação à compressão após choque de roda da carruagem 6 (ou por movimentos de lacete com embate lateral dos rodados ou reação às deformações por temperaturas extremas) com uma fratura f3 no carril direito junto das pontas da lanças. As deformações visíveis na figura nos carris e nas lanças serão devidas à pressão lateral dos rodados, supõe-se também por movimentos de lacete, considerando que o comboio Iryo ainda tinha tração antes da colisão (não tenho presente as funcionalidades do sistema LZB de controle do movimento, mas penso que havendo uma descontinuidade num dos carris, o sistema deveria dar ordem de travagem, assunto a esclarecer na investigação).

4 - como o carril deitado formou caminho para o interior da lança curva do aparelho de mudança de via os rodados das carruagens 7 e 8 foram puxados para a via contrária, as rodas direitas guiadas pelo interior da lança curva e as rodas esquerdas a galgar a lança reta

5 - dá-se o embate do lado esquerdo do Alvia com o lado esquerdo do primeiro bogie da 8ªcarruagem do Iryo. Este bogie separa-se da carruagem e é projetado a cerca de 300m para fora da linha enquanto a 8ª carruagem (a motora da cauda) é projetada deitada para a via sentido para Madrid. As duas primeiras carruagens do Alvia descarrilam para o seu lado direito e 3ª para a esquerda por efeito de harmónio após imobilização brusca (possivelmente agravado pela tração da 4ª carruagem, a motora da cauda).

6 - os restos do comboio Alvia imobilizaram-se sobre a agulha no sentido para Cordoba e os do Iryo junto da estação técnica de Adamuz, na via de sentido para Madrid.





Observações

1 - a instalação de agulhas de ponta deve ser evitada em qualquer zona para evitar o risco de queda de objeto na parte interior da lança curva desviando a carruagem, especialmente de alta velocidade. exemplos como os de Eschede (inadmissível ensaio de rodas resilientes em exploração normal), de Bretigny (queda de peça nas lanças) e ainda no túnel de S.Gotard (fratura do rodado de um vagão). Em Portugal tivemos o caso do descarrilamento da Adémia (rodado desalinhado de um vagão na entrada de uma agulha) e dois descarrilamentos por queda de peças nas agulhas na linha de Cascais. No caso de Adamuz, pode pôr-se a hipótese das consequências terem sido menores se não estuvesse lá a agulha. À atenção dos projetistas da LAV Porto-Lisboa. Nestas circunstâncias, se tiverem mesmo de existir os aparelhos e a via adjacente deverão estar em via betonada. Considerar a existencia de aparelhos de dilatação para reduzir os esforços mongitudinais nas junções.
2 - podendo não ter sido o caso em Adamuz, a investigação deverá conferir os valores dimensionais dos rodados do Iryo, sendo certo que o ângulo cónico do perímetro de rolamento, o diâmetro das rodas e a tolerancia relativamente à bitola são essenciais contra os descarrilamentos e para redução da amplitude dos movimentos de lacete e respetivas vibrações.
3 - a averiguação da fragilidade nas zonas de soldadura consequencia da fadiga (algumas informações dizem que parte dos carris e suas soldaduras eram da inauguração da linha em 1992), de temperaturas anormalmente baixas e de sucessivos ciclos de dilatação por calor e contração por frio, deverá ser feita, conforme diz a nota da CIAF, por instituto metalográfico especializado, incluindo a definição da composição química ótima do aço dos carris e respetiva comprovação no ato do fornecimento. Igualmente deverão ser indicados os equipamentos de inspeção de via com meios automáticos e móveis para deteção de zonas de fragilidade e redes de fibra ótica com deteção e transmissão de vibrações anormais ou anomalias na via. Deverão reduzir-se ao mínimo indipensável quaisquer soldaduras (continuidade de circuitos e cabos, por exemplo) substituindo-as por furação de fábrica dos carris e casquilhos para os cabos ou para as placas de junção ("fishplates"). Eventualmente, analisar a hipótese de circuitos de aquecimento para os períodos de baixas temperaturas, com alimentação solar.
4 -  deverá ser seguida a atual evolução no sentido da instalação nos engates e nos bogies de circuitos de sensores de correção do movimento  com deteção automática de descarrilamento , integridade da composição, vibrações anormais, temperatura anormal dos rolamentos, fratura de rodados ou deteção de anomalia na via e integração no sistema ERTMS e em sistema de transmissão para balizas na via, esta  também com sensores nos pontos de maior risco
5 - deverá ser revisto o sistema de tração distribuida ao longo das carruagens da composição, atendendo a que nalgumas condições a continuação do esforço de tração nas carruagens da cauda pode agravar as consequencias dos descarrilamentos.
6 - a analisar os limites de carga por eixo (13 toneladas/eixo ?) e, considerando o objetivo de partilha com o serviço de mercadorias nalgumas linhas de alta velocidade, estudar a viabilidade de comboios de mercadorias com esse limite com vagões de 4 eixos.
7 - finalmente deverá ser analisada a eventual necessidade de reforço dos meios técnicos e humanos dos operadores e gestores de infraestruturas no estudo, projeto, construção, manutenção, inspeção e operação  das infraestruturas e material circulante na ótica do serviço público e no cumprimento dos normativos comunitários.


Reitero que o que deixo escrito não pretende desvalorizar o trabalho da CIAF ou de quem de boa fé tem participado no debate, e que , tal como a CIAF refere, o mais importante, depois de apoiar os feridos e os familiares das vítimas, é determinar com a melhor aproximação as causas e circunstâncias do acidente e propor as recomendações necessárias para o evitar ou mitigar as consequências.
Mais uma vez afirmo que a cultura anglo saxónica no tratamento da averiguação de acidentes é mais eficiente, com conferencias de imprensa no mais curto prazo possível e o debate público das possíveis causas e recomendações. Trata-se até dum direito constitucionalmente previsto em Portugal (art.48 da CRP) cujo desenvolvimento ajudaria a conter o aproveitamento para fins diferentes, como o apelo ao castigo imediato sem provas consistentes, e a muita desinformação.



Notícia da Railway Gazette de 27jan2026:


PS em 30jan2026:
 - video com testemunhos de passageiros da carruagem 5 que reportam o ruido do impacto seguindo-se movimentos laterais que poderão ter deitado o carril

- esquema simplificado do choque duma roda com o carril imediatamente a seguir à fratura da soldadura
Flexão do carril á esquerda, colisão com o carril da direita; para além da compactação constante do balastro ou a instalação em via betonada, aparentemente a soldadura deverá ser calçada para evitar a flexão (placas e blocos fixados ao carril tipo SINAV,  por exemplo)


- Sugestões:



PS em 2fev2026 - informação sobre os períodos de inspeção nas linhas de AV (última inspeção com ultrasons com o comboio-laboratório Seneca terá sido realizada em 10nov2025, última auscultação geométrica em 13out2025, última medição dos parâmetros dos aparelhos de mudança de via em 7jan2026  e reduzido o limite de velocidade a 250km/h tal como na linha Madrid-Barcelona por deteção de vibrações), sobre testemunhos sobre a necessidade de melhorar o investimento e os procedimentos na manutenção e inspeção, e sobre os comboios-laboratório:




Especificações do equipamento de auscultação da via, incluindo medição da geometria dos aparelhos de mudança de via:


- Sem prejuízo das futuras recomendações do inquérito da CIAF a decorrer, os acidentes já verificados com perda de vidas e perdas económicas (tunel de S.Gotardo, por exemplo) já justificam o desenvolvimento, a nível da União Europeia e para regulamentação das redes europeias, de um sistema de sensores embarcados em comboios de passageiros ou de mercadorias  com deteção principalmente de vibrações anómalas com origem na via, em deficiências nas rodas e ou rolamentos e transmissão por rádio para uma central ou por bluetooth para balizas na via integrantes de rede de fibra ótica. Igualmente para sensores na via em pontos de maior risco.

PS em 7fev2026 - a comunicação social e a sociedade civil espanholas continuam a contribuir para o total esclarecimento das causas e circunstancias do acidente. Depois do levantamento das condições em que foram realizados os contratos de manutenção e de subcontratação, incluindo a realização da soldadura que fraturou, parece indispensável que a Comissão Europeia e os Estados membros revejam a regulamentação da subcontratação externa ("outsourcing"), nomeadamente na monitorização das condições de segurança e definição do limite  em toneladas de suporte de passagens sobre troços e soldaduras de carril e de desgaste de carril. Não estou a defender a proibição da subcontratação, mas sim a sua regulação mais rigorosa. Não se trata de uma questão de ideologia de mercado ou não, trata-se de uma questão de segurança. Baseio-me nesta informação;