fcsseratostenes
quarta-feira, 3 de junho de 2026
A diretiva 2024/1069 on protecting persons who engage in public participation from manifestly unfounded claims or abusive court proceedings (anti-Slapp, anti-‘Strategic lawsuits against public participation’)
quinta-feira, 28 de maio de 2026
26 de maio de 2026, mais um acidente com vítimas mortais numa passagem de nível, desta vez na Bélgica, em Buggenhout
O objetivo deste texto é deixar registado que a repetição de acidentes em passagens de nível comprova que é intolerável a existencia de cruzamentos nivelados entre o tráfego ferroviário e o tráfego rodoviário. As passagens de nível (PNs) devem ser substituidas por passagens desniveladas, esperando-se da Comissão Europeia, dado ser uma deficiência crónica associada ao desinvestimento na ferrovia, apesar dos repetidos elogios à contribuição da ferrovia para o combate às alterações climáticas, que contribua para a aceleração do programa de substituição das PNs que normalmente cada Estado membro tem, promovendo os meios financeiros e o apoio técnico à implementação dos investimentos. É urgente.
Infelizmente, há vários anos achou-se que deteção automática de objetos e de aproximação de combios com atuação automática de avisadores e de barreiras era suficiente. Não é. Porque pessoas idosas ou veículos com reboques ou excesso de carga ou com momentânea avaria ou hesitação podem não ter tempo para concluir a travessia. Não usem a desculpa de que as barreiras estavam fechadas, podem ter começado a baixar no preciso momento em que o veículo cruzava a barreira. Convirá que o inquérito averigue a que distancia está um comboio quando é dada a ordem às barreiras para descerem, quanto tempo levam a confirmar que estão descidas e que procedimento existe se não é detetado o fim de curso? (distancia de travagem aproximada para 90km/h sem eletroímans de adesão aos carris com desaceleração de 1m/s2, 300m)
Segundo a estatística europeia https://ec.europa.eu/eurostat/statistics-explained/index.php?title=Railway_safety_statistics_in_the_EU
em 2004 houve na Bélgica 5 vítimas mortais (VMs) em acidentes em passagens de nível num total de 13 VMs em acidentes na ferrovia. Em Portugal, em 2024 verificaram-se 4 VMs em PNs num total de 20 VMs na ferrovia. Estes números não incluem os suicídios (Bélgica 107, Portugal 34). Em termos de VMs por 1000km de rede ferroviária, tivemos em 2024 na Bélgica 2 VMs/1000km e em Portugal 6,2VMs/1000km.
Em resumo, para além do flagelo dos acidentes rodoviário, temos os acidentes ferroviários a exigirem uma atenção e uma ação que as sociedades presentes, possivelmente por deficiencia organizativa da sociedade em si, não conseguem desenvolver.
Sobre o acidente em Buggenhout já se comprovou que a carrinha se deslocava numa estrada paralela à via férrea e em sentido contrário ao do comboio. Tendo de virar à esquerda terá colidido com a barreira baixada (ou a barreira a descer terá colidido com a carrinha), seguindo-se uma hesitação e a colisão de frente com o comboio, recuando e batendo num poste.
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| a posição da barreira levantada após o acidente é compatível com a hipótese, repito hipótese, de se ter dobrado sobre a carrinha e não ter sido colidida por ela |
terça-feira, 26 de maio de 2026
Chico Buarque em Cuba, em maio de 2026 para gravar "Sueño con serpientes"
Maio de 2026 - Um secretário de Estado dos USA declara numa entrevista televisiva, vitimizando-se, que a segurança do seu país está ameaçada pelo terrorismo de Cuba.
Maio de 2026 - Chico Buarque em Cuba, em maio de 2026 para gravar "Sueño con serpientes":
Vem-me à memória o atentado de 22 de abril de 1976 que vitimou dois diplomatas cubanos da embaixada de Cuba em Lisboa, Adriana e Efren. Uma bomba de 6 kg de TNT no 5º andar no prédio da embaixda na avenida Fontes Pereira de Melo matou-os. O atentado foi reivindicado pelo movimento anticomunista português, já o verão quente de 1975 tinha passado. Eu estava perto, reunido com colegas de várias áreas no início do estudo da introdução de máquinas de bilhetes automáticas no metropolitano. Estavamos nas antigas instalações da Direção de Exploração (operação), no Saldanha, onde agora está um centro comercial, quando ouvimos um ruido surdo, o rebentamento da bomba.
Recordo que o presidente Reagan considerava Nelson Mandela o chefe de uma organização terrorista. Só em 2008 foi retirado pelos USA da lista de grupos terroristas.
Recordo ainda o poema de Emma Lazarus, na estátua da Liberdade:
“Give me your tired, your poor, Your huddled masses yearning to breathe free, The wretched refuse of your teeming shore. Send these, the homeless, tempest-tossed to me, I lift my lamp beside the golden door!”
(Tragam-me a vossa gente exausta, pobre e confusa, ansiando por respirar em liberdade, os desgraçados rejeitados pelos vossos países. Enviem-me esses, os sem-abrigo e os desalojados pela tempestade. Eu os guiarei com a minha tocha.)
sexta-feira, 22 de maio de 2026
Comentários a vários artigos
https://www.publico.pt/autor/samuel-alemao
“A ferrovia deixou de ser apenas um modo de transporte. Hoje é um instrumento de política climática, um fator de competitividade económica e um elemento central da coesão territorial.”"
segunda-feira, 11 de maio de 2026
Exmo senhor ministro III - tentativa de avaliação do risco de utilização de bicicleta com base em informação estatística
Não existe informação estatística fiável sobre os riscos de utilização de bicicletas. Porque uma análise estatística correta exige conhecer o número de passageiros-km (número de utilizadores de bicicleta vezes o percurso médio dos utilizadores), ou viagens-km (assumindo 1 pessoa apenas em cada bicicleta) num período e numa zona.
Numa análise para vários modos de transporte, a DG MOVE publicou em 2012 o statistical pocketbook
|
modo |
Vítimas mortais por 1000 Mpass-km |
|
avião |
0,10 |
|
comboio |
0,16 |
|
autocarro |
0,43 |
|
automóvel |
4,45 |
|
duas rodas |
52,59 |
Estes valores carecem de ser atualizados e desagregados (separando trotinetas, bicicletas, motorizadas e motos), o que a DG MOVE não parece ter feito, publicando relatórios de sinistralidade com as estatísticas de acidentes na ferrovia e nas estradas como já mostrado na 1ª carta aberta em https://transport.ec.europa.eu/background/road-safety-statistics-2025_en de que destaco aqui o quadro de vítimas mortais nas estradas da UE em 2024 por modo de transporte:
Informação a integrar na estatística de vítimas mortais nas estradas por país e por milhão de habitantes, de que resulta a posição de Portugal no 5º pior lugar:
Não existindo nestes relatórios informação credível que permita calcular os passageiros-km por modo de transporte, tentarei uma hipótese de cálculo consultando informação sobre a intensidsde de utilização das bicicletas por país, por exemplo em: https://www.theadamstore.com/blogs/blogs/country-most-bicycles?srsltid=AfmBOopOEYAtnaevZqr4dsTLlxLu1J7S_tY4eC7MHVZc2yvoRBSaQLAp
Supondo que o número de deslocações diárias é igual ao da população vezes um fator de cerca de 1,7, e que nesta última ligação se estima na sequência de sondagens a percentagem de população que utiliza a bicicleta e com que periodicidade e extensão o faz (3km diários 2 vezes por semana), construí a seguinte tabela, reiterando tratar-se de hipóteses não confirmadas (o que sugere a necessidade das instituições comunitárias e nacionais melhorarem o tratamento estatístico da utilização dos modos de transporte ditos suaves):
|
País |
População M |
Utilizadores de bicicleta M |
MKm/ano todos utilizadores |
Nº anual vítimas mortais em bicicleta |
Vítimas mortais em
bicicleta/1000Mpass-km
|
|
NL |
18 |
12 |
3600 |
168 |
47 |
|
SE |
9,5 |
3 |
900 |
23 |
25 |
|
DE |
63 |
30 |
9000 |
445 |
49 |
|
DK |
4,7 |
3 |
900 |
22 |
24 |
|
PT |
10 |
2 |
600 |
33 |
55 |
número de vítimas mortais (VMs) em bicicletas por país retirado de https://road-safety.transport.ec.europa.eu/document/download/ed29ad84-b2f1-429e-97ca-2b713e7dc1b1_en?filename=ERSOnext_AnnualReport_20260323.pdf
Comparando com os valores acima do pocketbook de 2012 (valor de 4,45 VMs para o automóvel já é elevado), mais uma vez se estima para Portugal um valor nocivo intolerável. Valores graves na Holanda, contrariando a ideia divulgada da circulação neste país de bicicletas ser segura, e na Alemanha. Valores razoáveis na Suécia e na Dinamarca.
Será importante avaliar a correção destas aproximações, mas julgo que só as instancias oficiais o poderão fazer se houver vontade política para isso, em nome da defesa da segurança rodoviária e do direito das pessoas se moverem em segurança.
No caso da Holanda, considerando 5 milhões de ciclistas com um percurso diário de 5 km em 300 dias por ano teríamos 5 x 5 x 300 = 7500 Mpass-km por ano, o que daria 23 VMs por 1000 Mpass-km, valor razoável comparativamente mas ainda grave segundo o pocketbook de 2012.
O crescimento da utilização dos 2 rodas exige que se façam sondagens e estatísticas rigorosas.
sábado, 9 de maio de 2026
8 de maio de 2026, mais uma morte numa passagem de nível
Sentidas condolencias aos familiares e amigos.
Portugal foi o pior país da União Europeia em 2024 com 6 mortes na ferrovia por 1000 km de rede ferroviária (total 20 vítimas mortais) para uma média europeia de 3 or 1000 km de rede. https://ec.europa.eu/eurostat/statistics-explained/index.php?title=Railway_safety_statistics_in_the_EU
Estes números não incluem suicídios, que em Portugal em 2024 atingiram 17 (entretanto foi criado o número de apoio 1411 mas não é divulgado em campanhas de sensibilização).
Atropelado pelo Alfa na passagem de nível do Loreto, a cerca de 1.100m a norte da estação de Coimbra, faleceu um peregrino integrado num grupo de cerca de 50 pessoas. Algumas das quais já tinham atravessado as vias quando as cancelas baixaram e os sinais acústicos começaram.
Sim, eu sei, os dispositivos de proteção estavam a funcionar conforme projetados. E também decorre presentemente um programa de eliminação de passagens de nível. Mas não existe campanha de sensibilização para os comportamentos positivos (ou a serem imitados) obrigatória para os canais de televisão nem obtenção significativa de financiamento comunitário. Tampouco se divulgam as circunstancias dos acidentes e o que deveria ter sido feito para evitar as vítimas mortais.
Pessoalmente, considero que a exploração de comboios a velocidades da ordem de 160 km/h e 200 km/h é incompatível com a existencia de passagens de nível. No caso de Loreto, estimei para distancias de visibilidade às curvas mais próximas 170m para o percurso ascendente e 480m para o descendente. Isso significa que o comboio atinge a passagem de nível depois de ser visto no percurso ascendente em 4s para 160km/h e em 3s para 200km/h. No caso do percurso descendente o comboio atingirá a PN em 10s ou em 8s, respetivamente. A travessia da PN por um peão a 3,5 km/h demorará cerca de 10s (mesmo fora das vias estará sujeito ao efeito de sucção) . Mesmo que se aumente o tempo de aviso continuará a existir risco com ou sem desobediencia aos sinais.
Em resumo, impõe-se o desenvolvimento de campanhas de sensibilização pela positiva e reforço do financiamento e da capacidade de execução da eliminação das PNs. Assunto a mercer a atenção da comunicação social.
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| vista em planta da PN de Loreto, N para a esquerda |
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| vista para a aproximação do percurso ascendente |
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| vista para a aproximação do percurso descendente |
sexta-feira, 8 de maio de 2026
Exmo Senhor ministro II - Exemplo de proposta de alteração do código após análise de acidente
Exmo Senhor ministro
Como referido na primeira carta aberta desta série, as disciplinas de análise de riscos e de engenharia de transportes têm como finalidade avaliar as causas e circunstancias dos acidentes e propor recomendações para os evitar.
Recordo a morte por atropelamento de Flávia Vasconcelos em outubro de 2025 como exemplo para propor uma alteração do código da Estrada :
https://fcsseratostenes.blogspot.com/2025/10/morte-por-aropelamento-de-flavia.html
O acidente deu-se numa passadeira de peões que a vítima atravessava a correr depois de um automóvel ter parado na via esquerda sendo ultrapasado por outro na via direita que, por falta de visibilidade mútua, colheu mortalmente a vítima.
O que parece conveniente neste caso é promover rapidamente uma alteração do Código no sentido de proibir taxativamente a ultrapassagem e obrigar ao stop se outro carro estiver parado imediatamente antes das passagens de peões, especialmente havendo mais do que uma via, dado que um automóvel parado antes da passagem pode ocultar o peão que atravessa.
Parece também importante impor o limite de 30km/h ao atravessamento de uma passagem de peões pelos veículos (automóveis, biciletas, trotinetas, etc), uma vez que a atual redação do Código parece insuficiente (determina redução da velocidade à aproximação da passagem de peões sem quantificar).
quarta-feira, 6 de maio de 2026
Aporia, poema de Rita Tormenta
Aporia
Responde-me, Theodor
E depois de Homs, de Gaza, de Sbrenica, de Bucha,
Será possível
existir?
Theodor, a
humanidade deste lado ocidental da Terra
É bárbara,
estúpida e exibe traços perturbantes de sociopatia
A Poesia,
essa talvez seja possível
Já a existência,
essa não creio
A Poesia
depois de todos os horrores
durante todas
as matanças
pode até ser
a finta possível
Desenhar numa
bonita letra manhãs claras entre holocaustos,
Holocaustos,
Theodor, no plural, o mal nunca é singular
O Deus
coisa que colocámos no altar
não nos
quer com memória
Quer-nos bêbados
de presente
E sem
memória não saberemos reconhecer pelo cheiro
o leite
negro da madrugada
E voltaremos
a bebê-lo de manhã, ao entardecer e à noite
E a beber e
a beber seguiremos enquanto coisas
Coisas de
valor relativo
Cotadas numa
bolsa que é uma algália na cintura dos acumuladores
Somos agora
coisas, apenas coisas, Theodor
O Espírito
limpa-se em sessões de desintoxicação pagas em moeda
Ninguém quer
essa excrecência
Há-de
tornar-se tão inútil
Como os
restos da cauda do primata escondidos no fundo do cóccix
Não, não
foi a Poesia a tornar-se impossível, Theodor
Foi o Espírito quem não conseguiu fugir à morte
Rita Tormenta, 2024
Aporia, dúvida, hesitação perante a possibilidade de duas conclusões opostas
https://www.rtp.pt/play/p1109/e927096/a-vida-breve
https://pt.wikipedia.org/wiki/Theodor_W._Adorno
https://pt.wikipedia.org/wiki/Aporia
Tell me, Theodor!
Srebrenica and Bucha?
Is it possible to exist?
Theodor,
humankind on this western side of earth is barbaric,
stupid and shows disturbing signs of sociopathic behavior.
Poetry might still be possible,
Existence however, I believe not.
Poetry after all the horrors, among all slaughters
might be the only feint left.
Drawing, in a beautiful handwriting, bright new mornings in the middle of the holocausts.
Holocausts, Theodor, plural, evil is never singular.
The god thing we have placed in the altar
does not want us to keep our memory,
It wants us drunk, caught up in an endless today.
Without memory we won’t be able to recognize the smell of “the dark milk of dusk”
and we will keep on drinking and drinking, morning, evening and night,
and drinking we will follow our path,
turned into things,
things of a relative value
in a stock market that actually is just a water skin hanging on the waist of the hoarders.
We are now things, Theodor, mere things,
spirit is cleansed in detox sessions paid in cash,
nobody wants that inconvenience anymore,
it will become useless and obsolete,
just like the hidden remains of our primate tail on the bottom of our back.
No, Theodor, it wasn´t poetry that became impossible,
it was the spirit that didn’t manage to escape death.
Rita Tormenta
Aporia, 2024







