fcsseratostenes
sábado, 10 de outubro de 2026
O plano impossível de compatibilização de tráfego automóvel, tráfego de 2 rodas, árvores e estacionamento da Av.Almirante Reis
Uma história num metropolitano - Arroz do Céu, de José Rodrigues Miguéis
Com a devida vénia à Ronda da noite de Luis Caetano, na Antena 2 em 9out2026, em que resumiu a crónica de Lídia Jorge publicada no El País em 16jun2024 , Los que cruzan la Tierra, dedicada aos imigrantes, e incluida no seu livro "O céu cairá sobre nós",
https://www.rtp.pt/play/p1299/e959583/a-ronda-da-noite
ARROZ DO CÉU
José Rodrigues Miguéis
Ao longo dos passeios de Nova York, por sobre as estações e galerias do subway, abrem-se grandes respiradouros gradeados por onde cai de tudo: o sol e a chuva, o luar e a neve, luvas, lunetas e botões, papelada, chewing gum, tacões de sapatos de mulheres que ficam entalados, e até dinheiro. Às vezes, lá no fundo, no lixo acumulado ou em poças de água estagnada, brilham moedas de níquel e mesmo de prata. Os garotos ajoelham de nariz colado às grades, tentando lobrigar tesouros na obscuridade donde sopra um hálito húmido e oleoso e o cheiro dos freios queimados. Fazem prodígios de habilidade e obstinação para pescar as moedas perdidas. Alguns têm êxito nisso, mas depois engalfinham-se em disputas tremendas sobre a posse e a partilha do tesouro: nunca se sabe quem foi que viu primeiro. Outros, quando a colheita promete, chegam a arriscar nisso algum capital: juntam as posses, e entram dois, é quanto basta, no subway; uma vez lá dentro, trepam sub-repticiamente aos respiradouros, o que é uma difícil operação de acrobacia, para colher aquele dinheiro-de-ninguém, enquanto um ou mais camaradas vigilantes os vão guiando cá de fora. Também os há que entram sem pagar, por entre as pernas da freguesia e agachando-se por baixo dos torniquetes.
O limpa-vias trabalhava há muitos anos no subway, sempre de olhos no chão. Uma toupeira, um rato dos canos. Picava papéis na ponta de um pau com um prego, e metia-os no saco. Varria milhões de pontas de cigarros, na maioria quase intactos, de fumadores impacientes, raspava das plataformas o chewing gum odioso, limpava as latrinas, espalhava desinfectantes, ajudava a pôr graxa nas calhas, polvilhava as vias de um pó branco e misterioso, e todas as vezes que o camarada da lanterna soltava um apito estrídulo – lá vem o comboio! – ele encolhia-se contra a parede negra, onde escorriam águas de infiltração, na estreita passagem de serviço. Até já tinha ajudado a recolher pedaços de cadáveres, de gente que se atirava para debaixo dos trens, e a transportar os corpos exangues de velhos que de repente se lembravam de morrer de ataque cardíaco, nas horas de maior ajuntamento, uns e outros perturbando o horário e provocando a curiosidade casual e momentânea dos passageiros apressados. Sempre de olhos no chão, bisonho e calado, como quem nada espera do Alto, e não esperava. A vida dele vinha toda do chão imundo e viscoso. Nem sequer olhava a lívida claridade que resvala dos respiradouros para o negrume interior, onde tremeluzem lâmpadas eléctricas, entre as pilastras inumeráveis daquela floresta subterrânea metalizada: nunca lhos tinham mandado limpar. Eram provavelmente o domínio exclusivo de operários especializados, membros de outro sindicato, que ele não conhecia. Nem talvez soubesse que existiam os respiradouros. Era estrangeiro, imigrante, como tanta gente. Não brincara nem vadiara na voragem empolgante das ruas da grande cidade, e vivia perfeitamente resignado à sua obscuridade. Devia aquele emprego a um camarada que era membro dum clube onde mandavam homens de peso, mas ele de política não entendia nada, nem fazia perguntas. Como tinha nascido na Lituânia, ou talvez na Estónia, só falava em monossílabos; e, debaixo da pátina oleosa e negra que o ar do subway nela imprimira com o tempo, a sua face era incolor e a raça indistinta. Antes disso tinha trabalhado em escavações, um «toupeira». Este emprego era muito melhor, embora também fosse subterrâneo. E não tinha que falar o inglês, que mal entendia.
Ora, à esquina de certa rua, no Uptown, há uma igreja, a de São João Baptista e do Santíssimo Sacramento, a todo o comprimento de cuja fachada barroca e cinzenta os respiradouros do subway formam uma longa plataforma de aço arrendado. Os casamentos são frequentes, ali, por ser chique a paróquia e imponente a igreja. O arroz chove às cabazadas em cima dos noivos, à saída da cerimónia, num grande estrago de alegria. Metade dele some-se logo pelas grelhas dos respiradouros, outra parte fica espalhada nas placas de cimento do passeio. Depois dos casamentos, o sacristão ou porteiro da igreja, de cigarro ao canto da boca, varre o arroz para dentro das grades, por comodidade. Provavelmente é irlandês, o arroz não lhe interessa, nem se ocupa de pombos: pombos é lá com os italianos, que, apesar de se dizerem católicos, são uma espécie de pagãos. O que se derramou no pavimento da rua, lá fica: é com os varredores municipais. Volta e meia há casório, sobretudo no bom tempo, ou aos domingos. E um desperdício de arroz, não sei donde vem o costume: talvez seja um prenúncio votivo de abundância, ou um símbolo do «crescei e multiplicai-vos» (como arroz). A gente pára a olhar, e tem vontade de perguntar: «A como está hoje o arroz de primeira cá na freguesia?» Aquela chuva de grãos atravessa as grades, resvala no plano inclinado do respiradouro, e, se não adere à sujidade pegajosa ou ao chewing gum (o bairro é pouco dado a mastigar o chicle), ressalta para dentro do subterrâneo, numa estreita passagem de serviço vedada aos passageiros.
A primeira vez que viu aquele arroz derramado no chão, e sentiu os bagos a estalar-lhe debaixo das botifarras, o limpa-vias não fez caso; varreu-os com o resto do lixo para dentro do saco cilíndrico, com um aro na boca. Mas como ia agora por ali com mais frequência, notou que a coisa se repetia. O arroz limpo e polido brilhava como as pérolas de mil colares desfeitos no escuro da galeria. O homem matutou: donde é que viria tanto arroz? Intrigado, ergueu os olhos pela primeira vez para o Alto, e avistou a vaga luz de masmorra que escorria da parede. Mas o respiradouro, se bem me compreendem, obliquava como uma chaminé, e a grade, ela própria, ficava-lhe invisível do interior. Era dali, com certeza, que caía o arroz, como as moedas, a poeira, a água da chuva e o resto. O limpa-vias encolheu os ombros, sem entender. Desconhecia os ritos e as elegâncias. No casamento dele não tinha havido arroz de qualidade nenhuma, nem cru, nem doce, nem de galinha. Até que um dia, depois de olhar em roda, não andasse alguém a espiá-lo, abaixou-se, ajuntou os bagos com a mão, num montículo, e encheu com eles um bolso do macaco. Chegado a casa, a mulher cruzou as mãos de assombro: alvo, carolino, de primeira! Dias depois, sempre sozinho, varreu o arroz para dentro de um cartucho que apanhara abandonado num cesto de lixo da estação, e levou-o para casa. Pobres, aquela fartura de arroz enchia-lhes a barriga, a ele, à patroa e aos seis ou sete filhos. Ela habituou-se, e às vezes dizia-lhe: «Vê lá se hoje há arroz, acabou-se-nos o que tínhamos em casa.» Confiada naquele remedeio de vida! O limpa-vias nunca perguntou donde é que chovia tanto grão, sobretudo no bom tempo, pelo Verão, e aos domingos, que até parecia uma colheita regular. Embrulhava-o num jornal ou metia-o num cartucho, e assim o levava à família. Ignorando que lá em cima era a Igreja de São João Baptista e do Santíssimo Sacramento, e como tal de bom-tom, não sabia a que atribuir o fenómeno. Pelo lado da raiz, no subway, os palácios, os casebres e os templos não se distinguem. E foi assim que aquela chuva benéfica, de arroz polido, carolino, de primeira, acabou por lhe dar a noção concreta de uma Providência. O arroz vinha do Céu, como a chuva, a neve, o sol e o raio. Deus, no Alto, pensava no limpa-vias, tão pobre e calado, e mandava-lhe aquele maná para encher a barriga aos filhos. Sem ele ter pedido nada. Guardou segredo – é mau contar os prodígios com que a graça divina nos favorece. Resignou-se a ser o objecto da vontade misericordiosa do Senhor. E começou a rezar-lhe fervorosamente, à noite, o que nunca fizera, ao lado da mulher. Arroz do Céu... O Céu do limpa-vias é a rua que os outros pisam.
in Gente da Terceira Classe, Lisboa, Editorial Estúdios Cor, 1971, pp. 67-71 (1ª ed. 1962)
Tema relacionado: https://fcsseratostenes.blogspot.com/search?q=Ema+Lazarus
quinta-feira, 8 de outubro de 2026
Já há programa para o cruzamento da drenagem com o0 túnel do metro em Santa Apolónia?
quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Predominância dos comboios de baterias elétricas sobre a tração por hidrogénio verde
duma reportagem sobre Innotrans de Berlim em setembro de 2026:
sábado, 19 de setembro de 2026
Depois da publicação do relatório espanhol da recusa de mudança da bitola de toda a rede espanhola em bitola ibérica
Dois meses depois da data fixada para o envio da avaliação da viabilidade de mudança de bitola dos troços da rede existente em bitola ibérica que coincidissem com os corredores europeus (art.17.3 do regulamento 2024/1679), e a 15 dias da apresentação em Bruxelas, nos Connecting Europe Days, do workplan do coordenador do corredor atlântico François Bausch, o Ministério dos Transportes y Movilidad Sostentabile de Espanha publicou o relatório do INECO que recusa a mudança de bitola da totalidade da rede em bitola ibérica em Espanha. Sem publicar o seu relatório, apenas o resumindo à comunicação social,o Ministério das Infraestruturas e Habitação português reproduziu mutatis mutantis o relatório espanhol, recusando qualquer mudança, mantendo a rede em bitola ibérica existente e informando que pediu uma isenção até 2040 para introdução da bitola europeia (o que contradiz a implementing decision de out2025 que fixava 2034 para a interoperabilidade plena na LAV Lisboa-Madrid). Seguiu-se uma intensa publicação pela imprensa nacional do resumo do relatório, proclamando-se a recusa da "migração".
https://eco.sapo.pt/2026/09/17/mudar-para-bitola-europeia-custa-ate-sete-mil-milhoes/
Naturalmente tais notícias suscitaram comentários como os que se seguem, nomeadamente lembrando que ninguém nem nenhum documento requer a mudança de toda a rede em bitola ibérica, quer em Espanha quer em Portugal, e que a extensão abusiva do perímetro dessa mudança se deveu à crença inabalável da IP , e pelos vistos do INECO (ou de parte dos seus técnicos), de que a existencia de duas redes de bitola diferente é inconciliável devido aos custos, e afetação do tráfego, das obras e dos interfaces de passageiros e de mercadorias. Será uma opinião que não se fundamenta, por exemplo, nas claras vantagens para a economia da viabilidade do aumento das exportações para a Europa e transferência para a ferrovia da carga rodoviária e dos passageiros das ligações aéreas Lisboa-Madrid e Lisboa-Porto, além de que nem todos os troços coincidentes com corredores europeus justificarão mudança porque pode ser preferível construir linha nova de raíz já prescrita (sem necessidade de ACB) no mapa das redes interoperáveis TEN-T, devendo entrar-se na ACB respetiva com o benefício do financiamento comunitário do CEF, o que o INECO e a IP não terão feito, provavelmente reservando o financiamento para PPPs.
Comentário enviado a vários jornalistas
Tendo o relatório da IP sido enviado em 19jul2026 ( se cumpriu o calendário) é finalmente descrito pela imprensa. Mais uma vez refiro que o que o regulamento 2024/1679 pede, no seu art.17.3, é que as linhas existentes, ou parte delas, em bitola ibérica e que coincidam com troços do corredor europeu (no caso português atlântico, no caso espanhol corredor atlântico na Galiza, Asturias, Castela-Leão, País Basco, Extremadura, Andaluzia, e corredor mediterrânico) sejam alvo de avaliação com uma análise de custos-benefícios (ACB) para a "migração", não sendo mudadas para bitola europeia se a ACB der negativa. O art 17.3 pode ser aplicado ao troço já construido em bitola ibérica Évora N-Elvas . Não aplicável à linha da Beira Alta porque já se sabia, com as pendentes que tem, que tinha de ser uma linha nova Aveiro-Viseu-Salamanca. Não confundir com o art 17.2 que pede o mesmo para linhas novas a construir mas que não estavam previstas nos mapas do regulamento 2024/1679. Atenção que o art 17.5 diz que o Estado membro pode pedir uma isenção temporária para dispensa de construir a nova linha em bitola europeia e que pode justificar não construir em europeia se uma ACB der negativa. Só que, se a linha nova a construir está no mapa das redes interoperáveis TEN-T do regulamento 1679, a Comissão Europeia não pede nenhuma ACB; a ser pedida, ela será pedida pelo Estado membro para justificar o adiamento da isenção com a ACB negativa (eventualmente beneficiando os fornecedores e os operadores já adaptados à rede de bitola ibérica, nomeadamente os operadores rodoviários que assim não recearão a concorrencia da ferrovia cuja quota modal vai decrescendo no tempo no tráfego interno e no tráfego para a Europa além Pirineus). Em resumo, o relatório espanhol analisou 3 alternativas:
1- mudar a bitola ibérica das linhas existentes que coincidem com os corredores europeus totalizando 3600km de via dupla e 2800km de via única (sem analisar a hipótese de construção de linha nova de raíz com financiamento comunitário);
2 - instalar o 3º carril nas mesmas linhas existentes coincidentes com os corredores europeus (nas vias duplas apenas numa das vias);
3 - ampliar o objeto da alternativa 1 estendendo a migração de bitola ibérica a toda a rede existente de bitola ibérica,coincidente ou não com corredores europeus (objetivo não previsto no regulamento 1679).
Os custos aproximados estimados foram em mil milhões de euros: alternativa 1 - 14; alternativa 2 14,6; alternativa 3 - 21,4 . O relatório espanhol aprofundou os custos e beneficios para a alternativa 3 baseando-se nos custos das instalações provisórias para ultrapassar as descontinuidades de bitola no encontro dos novos troços em 1435mm e os não mudados de bitola ibérica. Chegou à conclusão que os custos seriam da ordem de 30 mil milhões considerando esses cuatos e a afetação das obras, com benefícios insuficientes concluindo por uma TIR negativa e um valor atual liquido de - 10, 6 mil milhões de euros. Este resultado não surpreende porque ignoraram o financiamento comunitário (imposto aliás pelo art.170 do TFUE relativo ao apoio a redes de transporte contra os efeitos da periferia e da baixa densidade populacional) e desvalorizaram os benefícios que evitariam as externalidades da continuidade do transporte rodoviário interno e internacional e desvalorizaram também o crescimento da quota modal ferroviária e consequente vantagem económica com o crescimento das exportações e a atração de investimento estrangeiro. No caso espanhol, estão em vigor os estudos informativos que progressivamente prevêem a aproximação da bitola 1435mm de Barcelona a Valencia a curto prazo, revelando assim uma incoerencia aliás compreensível quando o regulamento 1679 não pede a migração de toda a rede de bitola ibérica. Transpondo para o caso português, a IP terá considerado (para além da hipótese de manter a bitola ibérica no caso de Espanha chegar com a bitola 1435mm às fronteiras, instalando equipamento de mudança de bitola nos postos transfronteiriços na estimativa de 180 milhões de euros) dois cenários, 1 - migração apenas dos troços coincidentes com o corredor atlântico (estimativa 6,5 mil milhões de euros); 2 - generalização da migração aos 2500km da rede existente em bitola ibérica (estimativa 6,9 mil milhões de euros). É curioso ver a IP a "alertar" contra os impactos operacionais das obras e das instalações de mudança de bitola que "podem afastar os clientes da ferrovia" quando os atrasos das obras da linha da Beira Alta, da linha do Oeste, da linha da Beira Baixa, das perturbações da linha do Norte Aveiro-Gaia nada têm que ver com a bitola. Também é de referir que em maio de 2025 foi apresentada no 11º congresso do CRP uma ACB para um investimento de 12.000 milhões de euros em Portugal para a construção dos cerca de 1000 km da parte nacional da rede TEN_T com cofinanciamento comunitário de 40%, um crescimento das exportações de 3% ao ano e transferência de 30% de carga rodoviária para a ferrovia, conduzindo a uma TIR de 2,23% e uma relação benefícios/custos de 1,11. Dada a especificidade dos pressupostos das ACB, o assunto deveria ser entregue a especialistas para esclarecimento. Tal como no caso espanhol, verifica-se no relatório da IP uma aversão à hipótese da coexistencia das duas redes, uma de bitola 1435mm para a Alta Velocidade de passageiros e para o serviço de mercadorias >100km/h de ligação dos portos nacionais à Europa além Pirineus, uma bitola 1668mm para a rede pré-existente. No caso espanhol não deixa de ser estranho, uma vez que a ADIF tem a gestão separada das duas redes, uma na ADIF Alta Velocidade, e outra ADIF convencional (sem prejuizo da Alta Velocidade incluir troços de bitola ibérica e de 3ºcarril) . Estranha-se a utilização pela IP do termo "inaceitável" referido à gestão separada das duas redes, quando uma boa organização de uma grande empresa não tem dificuldade em organizar a gestão de atividades de natureza diferente. Num contexto de evolução tecnológica rápida, tem de ser separada a gestão de sistemas a desativar de sistemas a instalar, como é o caso do CONVEL a desativar por força do regulamento 1679 até 2040, ou o ERTMS/GSM-R, quando se colocar a necessidade de substituição pelo FRMCS/5G. Ficou célebre a coexistencia de bitolas diferentes e de tecnologias de tração em estágios diferentes no metropolitano de Barcelona, obviamente em linhas diferentes e com a necessária renovação de quadros técnicos. Como nota final, a concordancia que uma migração total traria vantagens a longo (médio) prazo nomeadamente pelo estímulo do crescimento da quota modal da ferrovia , das exportações de bens e da atração de investimento estrangeiro (impedir este investimento é ilustrar a ideia que só Estados ricos podem rentabilizar no futuro os seus investimentos). E a discordancia do prejuízo de 64 milhões de euros em instalações de ligação entre as duas redes de bitola diferente (deverá recorrer-se a transbordos com guindastes móveis do tipo reach stacker (empilhadores de contentores) em plataformas RRT (rail road terminals) de utilização também para outros fins rentabilizando o investimento, nomeadamente para transporte de semirreboques por comboio conforme previsto pelo regulamento 1679 (considerando 48, arts 16.8, 20.i e 38.2), sem necessidade de continuidade do mesmo comboio). Em vez de recorrer a subterfúgios invocando isenções com ACB de pressupostos orientados para os resultados negativos e de fugir ao especificado no regulamento 1679, melhor seria o INECO, autor do relatório espanhol, e a IP, responsável pelo relatório português, respeitarem os objetivos do regulamento, concretamente o considerando 31 (integração da rede core e do transporte de mercadorias nos corredores europeus) e artigos 12 (prioridades para as redes "core", "extended core" e "comprehensive", 13 (prioridades para os corredores europeus), 17 (bitola 1435mm) , e 19 e 20 (prioridades operacionais e adicionais). Melhores cumprimentos
Comentário enviado a Carlos Cipriano, do Público:
sexta-feira, 11 de setembro de 2026
Acidente com autocarro na ilha do Fogo em Cabo Verde
Condolencias aos familiares das vítimas mortais, na tragédia das crianças.
Notícia no DN assinalando as deficientes condições de segurança da estrada, íngreme e sem rails de segurança:
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| Vista aérea da zona de Campanas de Cima na ilha do Fogo onde ocorreu o acidente |
| Foto Elton Monteiro - Lusa em Acidente em Cabo Verde. Famílias recebem 907 euros por vítima e outros apoios da autarquia e do governo |
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| Acidente na Ilha do Fogo. Filho do condutor aponta possível falha de travões | Watch |
Acidente com autocarro na Suiça em Susch
Notícia do acidente pelo MSN:
Este comentário não é uma crítica ao operador e ao motorista do autocarro porque o que interessa mais é saber as causas e circunstancias que levaram ao acidente e ver o que se deve fazer para evitar a sua repetição. apenas um dos meios de comunicação social noticiou que se tratava de uma zona em obras. O Google earth mostra imagens de 2024 no mesmo troço em obras, tal como a imagem no MSN mostra. A falta de rail de segurança, ou a sua interrupção para acesso ao campo entre a estrada e o rio contribuiram para o capotamento. Os meios de comunicação social deveriam pressionar a autoridade rodoviária para informar num prazo útil as medidas a tomar para evitar a repetição de acidentes como este, desde a melhoria das condições de sinalização das obras, ao controle da velocidade, ao controle dos tempos de condução. Limitarem-se os organismos de segurança a inserir o registo de vítimas nas estatísticas oficiais da UE que tem objetivos bem definidos de redução da sinistralidade não é aceitável.
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| provável local do acidente, imagem Google earth de 2024 |
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| imagem Google earth de 2024 próximo do local do acidente em zona de obra, vendo-se ao fundo, do lado esquerdo, o sinal de fim de limittação de 60km/h |
domingo, 30 de agosto de 2026
Notícia sobre a promulgação do decreto de 6ago2026 sobre o licenciamento de modos de transporte ferroviário ligeiro incluindo funiculares
No seguimento da nottícia em título, https://sapo.pt/artigo/seguro-promulga-novo-regime-de-licenciamento-ferroviario-apos-descarrilamento-do-elevador-da-gloria-6a8cbbecd0cbd78bc7ceb971#goog_rewarded enviei à editora o seguinte comentário, na janela "reportar um erro"
sábado, 29 de agosto de 2026
A concorrência na ferrovia
quinta-feira, 27 de agosto de 2026
Sobre o LIOS oriental (elétrico Terreiro do Paço-Oriente)
segunda-feira, 24 de agosto de 2026
Avarias em elevadores e escadas mecânicas no metropolitano de Lisboa
https://share.google/GM1t9Ea9jMwEUg82g
Muito bom
trabalho de Ana Suspiro e seu entrevistador. Permito-me contar a minha
experiencia. Talvez 2003 ou 2004 o metro resolveu deixar de investir na sua
própria equipa de manutenção de elevadores e escadas rolantes e adjudicar a manutenção
a empresas exteriores, seguindo o manta de que empresas privadas têm maior
eficiência e produtividade, e ao esmo tempo cortavam custos. Disse ao meu
colega da manutenção desses equipamentos (pessoalmente só tive experiencia de
manutenção no metro em equipamentos de telecomunicações, sinalização ferroviária
e controle de entradas) que não se metesse nisso porque o mercado em Portugal
não tinha dimensão para garantir uma assistência em permanência (prontidão) com
turnos e garantia de stocks de peças de reserva. Mas era uma decisão da
administração e do governo da altura pelo que foi para a frente. Curiosamente,
na primeira intervenção, no tapete rolante de Entrecampos, um jovem sem
experiencia, contratado pela empresa ganhadora provavelmente a recibos verdes,
esqueceu-se de um desperdício embebido
em óleo que, por atrito nos degraus quando se pôs o tapete a funcionar,
provocou um pequeno incêndio. De vez em quando, quando encontrava antigos
funcionários, lamentavam-se que só estavam à espera da reforma sem terem sido substituídos
e transmitido a sua prática aos novos que nunca entraram. Conhece-se o
resultado desta prática, baixam os
custos a curto prazo e sobem os de reposição das condições mais tarde ou
indemnizações por acidente.
Não se
trata de serem melhor ou piores empresas públicas ou privadas, trata-se de
analisar o que é preciso para garantir segurança, comodidade e rapidez, quanto
custa um quadro bem dimensionado e ver se o mercado tem condições para fornecer
o serviço (claro que dividindo em lotes, cada um correspondendo a uma ou duas
linhas poderá ser melhor que um contrato único). Se me vêm dizer que a
produtividade é superior numa privada, o diferencial de custos a favor da
privada terá de ser inferior ao lucro por ela esperado para o custo total ficar
abaixo do custo da pública. Mas a questão não é essa, é se o mercado nacional
dispõe de empresas que garantam as condições referidas acima. Porque se não tem
(confesso que não tenho neste momento elementos para concluir mas tenho
reservas que possam prestar a assistência nas condições que a equipa do metro
nos anos noventa prestava) .
Tive ainda
outra experiencia, para cumprimento da lei 163/2006 (atualizada com a 125/2017)
para a promoção da acessibilidade de pessoas com mobilidade reduzida. As administrações
formaram uma equipa pluridisciplinar para elaborar e concretizar um plano de elevadores
e sanitários ,as nunca a dotou nem de orçamento nem de autoridade hierárquica.
E os anos foram passando com graves insuficiências refletidas também pelas
sucessivas avarias e degradação dos equipamentos por falta de meios do metropolitano.
Foram olimpicamente desprezadas as soluções que propus para Jardim Zoológico, Entrecampos, Campo Grande e especialmente Baixa Chiado, em que o projeto inicial de elevador de ligação à superficie através de um prédio da Rua Ivens foi rejeitado devido a alguma mania das grandezas do arquiteto projetista mas que apesar de tudo se justificava.
Sem deixar
de ter alguma esperança na ação da atual administração, as principais sugestões
minhas são:
i) a constituição dum quadro interno do metro com
orçamento e poder hierárquico interdisciplinar para projeto e manutenção de
elevadores e escadas rolantes com recurso a fundos comunitários ao abrigo do
cumprimento do DL 163/2006 do PNPA (não
ter aproveitado o PRR foi mais um exemplo da negligência no tratamento deste
tema);
ii) recurso a rampas (evidentemente com câmaras
de vigilânica não obstaculizadas por pruridos de privacidade) em vez de
elevadores de superfície (há um bom exemplo, com rampas em espiral, no centro
comercial de Campo Pequeno);
iii) preferencialmente elevadores de superfície
com acesso direto aos cais e respetivas máquinas de venda de títulos e canais
de acesso, 2 elevadores por estação em vez de 3 como em Roma e já em Martim
Moniz, com economia de investimento e manutenção.
Quem tiver
paciência, muita e tempo, pode ver nesta ligação o que tenho escrito sobre o
assunto:
https://fcsseratostenes.blogspot.com/search?q=pnpa
sábado, 8 de agosto de 2026
Notícias sobre a nova estratégia de segurança rodoviária
No seguimento da publicação em junho de 2026 do relatório do European Transport Safety Council (ETSC) https://etsc.eu/wp-content/uploads/ETSC-2026-Annual-PIN-Report-DIGITAL-v3.pdf e do anúncio da aprovação pelo Governo da nova estratégia de segurança rodoviária que aguardava aprovação desde 2021 no seguimento da definição pela CE do objetivo de redução em 2030 para metade das mortes na estrada relativamente a 2019 e para zero mortes em 2050 (22800 mortes em 2019; objetivo para 2030 - 11400 ; mortes em 2025 - 19400 ) https://visaozero2030.pt/ foi publicada uma série de artigos sobre mortes na estrada com excelente informação e análise, mas limitadas propostas concretas e calendarizadas. Comento a seguir o tema.
www.publico.pt/2026/08/07/opiniao/editorial/mortes-estrada-caso-deveriamos-discutir-2184309
https://www.publico.pt/2026/08/07/infografia/cuidado-estrada-sei-fizeste-agostos-passados-907
Comentário:
Segundo a base de dados do EU CARE publicada em 2026 (annual statistical report) , a média na Europa de mortes na estrada por país e por milhão de habitantes foi em 2024 de 43 (51 em 2019). Em Portugal em 2024 foram 60 (total 642 mortes; população 10,7 milhões; em 2019 foram 67 mortes por milhão de habitantes ). https://transport.ec.europa.eu/background/road-safety-statistics-2025_en
O relatório
mostra que só os indicadores de Letonia, Hungria, Romenia e Bulgaria são
piores. A situação é semelhante na sinistralidade ferroviária (pior indicador
europeu de mortes na ferrovia por 1000 km de via, suicídios excluidos).
Talvez seja
um indício de um problema cultural, que poderá inviabilizar em Portugal o objetivo de metade das mortes na estrada em 2030, uma conceção egocêntrica de que liberdade é
fazer o que apetece, conduzir com desprezo pelos limites de velocidade e pelas
regras de condução (ou um caso de iliteracia se incapacidade de interpretação
do código da estrada). Será talvez o facilitismo que se instalou na condução, que o espaço livre visível dá garantia de possibilidade de travagem que evite qualquer embate, não dá, a velocidade e a proximidade do veículo precedente ou duma curva encoberta devem ser ajustadas para isso, especialmente em condições climatéricas de má visibilidade. Entretanto sucessivos governos, com a desculpa de não
quererem interferir no negócio rodoviário (ou de que a obrigatoriedade de capacetes nos duas rodas iria desmobilizar a prática da mobilidade suave e aumentar as doenças sedentárias como se não houvesse outras oportunidades para o exercício físico) e de que os investimentos de
segurança nas infraestruturas são elevados (ter-se-ão esquecido do PRR) , se demitem de resolver o problema.
E demitindo-se, tornam-se cúmplices do flagelo e tornam mais difícil atingir o objetivo.
De notar
que mais rigoroso do que o indicador número de mortes na estrada por milhão de
habitantes será o número de mortes por modo de transporte e por mil milhões de
passageiros-km (ver o statisticpocketbook da DG MOVE de 2012). Só que é difícil estabelecer o número
médio de km percorridos e o número de utilizadores de cada modo, mas é possível
tentar uma aproximação, por exemplo uma estimativa para 2023 em Portugal, destacando-se os elevados riscos
para motos, velocípedes, trotinetas e peões e a percentagem de vítimas mortais relativamente
ao total de VMs nos ocupantes de automóveis por terem maior quilometragem https://fcsseratostenes.blogspot.com/2024/05/o-momento-da-seguranca-rodoviaria.html:
Proponho as
seguintes medidas concretas na alteração do código da estrada (duvido que os decisores as considerem em tempo útil, mas
gostaria de estar enganado):
1 - lançamento de campanhas de sensibilização com divulgação
obrigatória em todos os canais em horário nobre (isto é, seria uma forma de imposto a compensar pelas receitas publicitárias), orientada para exibição de
comportamentos positivos (por exemplo paragem para deixar peões nas passadeiras, recusa de segundo passageiro em velocipede ou trotineta, abrandamento em auto-estrada à aproximação de portagens ou obstáculos), de preferência a mostrar as imagens dos acidentes, os quais "só acontecem aos outros".
2 - investigação sistemática dos acidentes mais mediáticos
ou de consequencias mais gravosas, não para apurar responsabilidades e castigo
dos culpados mas deteção das causas e circunstancias dos acidentes com
recomendações para evitar ou mitigar sua repetição e divulgação de
relatório no prazo de 1 mês (exemplos: não sabemos as circunstancias da morte
das duas jovens médicas em Formentera; nem se se confirmam as descrições dos
acidentes mortais com trotinetas em abril no Porto e em julho em Setubal; nem se
a existencia de rails de segurança poderia ter evitado as mortes de Claudia
Isabel em dezembro de 2022 e de uma
senhora na A1ao km 167 em janeiro de
2024; nem porque ainda não foram colocados rails de proteção que teriam evitado
a morte dos 6 jovens contra o pilar do viaduto de Sete Rios em dezembro de
2025; nem porque não foi analisada a hipótese de sobreviragem motivada pelo
controle eletrónico da tração de 4 rodas no acidente de Diogo Jota; porque não foi explicada a morte duma família alemã em Alvalade do Sado em abril de 2026 porque a lomba da estrada, que lá continua, ocultou a presença do seu carro ao causador do acidente que cometia uma ultrapassagem imprudente; porque não foi explicada a razão do despiste e morte do casal de septuagenários na avenida da Índia em julho de 2026 ... etc , etc.). A
recusa de realização de relatórios eficientes e sua divulgação é uma das causas
da continuação da intolerável elevada sinistralidade, é uma contribuição para a cumplicidade dos decisores nesta tragédia.
3 - generalização nas áreas urbanas de limitação a 30km/h com elaboração de estudos prévios para expansão das zonas de limitação de velocidade e de partilha e coexistência, e construção de vias segregadas para modos suaves e veículos autónomos a pedido. A velocidade não é um direito. A fiscalização do cumprimento dos limites de velocidade não deverá ficar limitada a sistemas de radares, mas implicará brigadas móveis com filmagem dos infratores
4 - generalização nas estradas e nas zonas urbanas para todo
e qualquer veículo da obrigatoriedade de manter uma distancia d para o veículo
precedente na mesma via igual à distancia percorrida em 2 segundos à mesma
velocidade ( d em metros = 2 em segundos x v em km/h a dividir por
3,6) e divulgação pública duma tabela com os valores para várias
velocidades. Deverá o código de estrada ser mais explícito nesta restrição em condições climatéricas de visibilidade reduzida
5 - proibição de ultrapassagem nas rotundas considerando
como ultrapassagem de um veículo A por um veículo B quando a velocidade angular
(relativamente ao centro da circunferencia inserida na rotunda ) do veículo B é
superior à do veículo A
6 - proibição de ultrapassagem de qualquer veículo de 4
rodas por um veículo de 2 rodas na mesma via (risco dos ângulos mortos no caso de ultrapassagem pela direita) e distancia mínima entre dois
veículos desses tipos de 1,5 m a ser garantida por cada um desses veículos
7 - reposição do artigo 82-5 do código da estrada de obrigatoriedade de uso de
capacete por utilizadores de veículos de 2 rodas com motor auxiliar e
velocidade máxima de 25km/h (7m/s) indevidamente eliminado por um secretário de Estado em dezembro de 2018 e intensificação da fiscalização não só dos automóveis mas também dos veículos da mobilidade suave https://fcsseratostenes.blogspot.com/2019/09/o-cavaleiro-andante-e-conferencia-wise.html https://fcsseratostenes.blogspot.com/2026/04/mortes-na-estrada-em-17-e-18abr2026.html
8 – proibição absoluta de ultrapassagem de veículo, parado ou não, numa passadeira de peões e obrigatoriedade de stop antes de arrancar, caso esse veículo esteja imobilizado, porque pode impedir a visibilidade de um peão a atravessar a passadeira
9 - o código da estrada, embora esteja correto quando fala no abrandamento à aproximação da passadeira de peões, deveria fixar uma velocidade máxima autorizada: 30 km/h; igualmente, quando condena as travagens bruscas, deveria voltar ao conceito antigo, quando atribuía as culpas a quem batesse por trás, porque a velocidade é excessiva sempre que não se consegue parar no espaço livre visível à frente do veículo.







