Comentário enviado ao autor do artigo na Railway Gazette de 16out2026 https://www.railwaygazette.com/portugal/2026/10/14/portugal-begins-construction-of-its-first-high-speed-line/
Comentário enviado ao autor do artigo na Railway Gazette de 16out2026 https://www.railwaygazette.com/portugal/2026/10/14/portugal-begins-construction-of-its-first-high-speed-line/
Não se põe em causa que os avisos sonoros e luminosos estavam a funcionar e que as cancelas estavam baixadas. No entanto, para além da hipótese de desrespeito ou desatenção pela vítima, deverá colocar-se em inquérito a hipótese de avaria do veículo sobre o pavimento irregular da PN ou um tempo demasiado curto entre avisos/abaixamento das cancelas e a chegada do comboio. Esta última circunstancia é agravada quando a travessia é feita a 90º (o que não era o caso, mas ajuda a compreender acidentes com reboques pela demora da manobra). Neste caso da PN de Praia do Ribatejo não é aceitável a falta de visibilidade devida à vegetação, devendo considerar-se no plano de fecho de PNs o fecho desta PN por existir outra a 730m para oeste.
video do discurso da Presidente da CE: https://www.youtube.com/watch?v=l3yJwnQw1dk
O discurso nos Connecting Europe Days
Gosto do nome Ursula. Faz-me recordar quando em criança vasculhava o Lello Universal e lia a lenda do martírio das onze mil virgens suas companheiras e admirava a reprodução do óleo do século XVI no Museu de Arte Antiga, o casamento de Santa Ursula com o príncipe Conan.
Por isso fui recetivo à imagem da presidente da Comissão Europeia no youtube, risonha, no seu video dos Connecting Europe Days , em 29set2026 .
Esperava eu ver, depois do início do discurso sublinhando a
coesão entre os 27 países da UE na concretização, não de 27 planos nacionais
mas de 1 só plano da união, mais um elogio à integração na Europa dos países
bálticos que constroem o corredor Rail Baltica em bitola europeia normalizada,
diferente da bitola russa pré-existente, quando a oiço dizer, vejam por exemplo
a ligação entre Lisboa e Madrid, que será feita em 5 horas em 2030 e em 3 horas
em 2034. Quando hoje cerca de 40 voos diários ligam as duas capitais.
Não era a data originalmente prevista no regulamento das
redes interoperáveis trans-europeias TEN-T 2024/1679, mas depois de mais uma
daquelas negociações pedindo adiamentos em que os gestores de infraestruturas
espanhois (ADIF) e portugueses (IP) são pródigos, 2034 foi a data consagrada na
"implementing decision" de 30out2025 para a interoperabilidade plena,
incluindo a bitola europeia e o ERTMS, entre Lisboa e Madrid. E infelizmente
duvido que mesmo a data de 2034 seja possível de alcançar com as graves limitações
na capacidade de organização do trabalho e de planeamento na atual estratégia
ferroviária.
Mas o discurso foi uma agradável surpresa, quando em
Portugal nos debatemos com atrasos infindáveis das obras de modernização (na
verdade, de recuperação parcial pós-ausência persistente de manutenção
eficiente) virem-nos acenar com a substituição das viagens aéreas Lisboa-Porto
e Lisboa-Madrid pela Alta Velocidade ferroviária. Esperemos que a cotação da
TAP não seja afetada nas negociações em curso, até porque ficou combinado com a
União Europeia a interdição dos voos domésticos quando houver alternativa ferroviária
satisfatória (regulamento 2008/1008).
A ligação à Europa dos portos nacionais
Transcreve-se do workplan do coordenador do corredor
atlântico François Bausch apresentado nos
Connecting Europe Days em 1out2026:
“O desenvolvimento da ferrovia de alta velocidade deve
progredir em paralelo com a modernização dos hubs multimodais de passageiros,
incluindo aeroportos principais e estações ferroviárias. Além disso, completar
a infraestrutura requerida por um transporte ferroviário eficiente de
mercadorias permanece essencial, em particular para fortalecer as ligações dos
portos aos hinterland e suportar as cadeias de transporte combinado. ”
Esperemos ainda que se antecipem decididamente as datas
previstas no regulamento 1679, a maior parte para 2050, de ligação dos portos
da costa atlântica à rede de bitola europeia de Irun.
E ainda do workplan do coordenador:
“O desenvolvimento progressivo de uma rede ferroviária de
alta velocidade baseada na bitola standard é essencial para assegurar serviços
sem descontinuidade e com competição justa ao longo do Corredor”.
Podem os promotores dos eixos variáveis para mercadorias (a
quem tecnicamente tiro o chapéu pela complexidade do tema) dizer que a
diferença de bitola em Irun/Hendaye não é problema porque os meios de
transbordo com reach stackers (empilhadores de contentores) e de mudança de
eixos fixos ou bogies são rápidos, e mais rápida ainda a mudança automática da
bitola dos eixos variáveis em movimento nos intercambiadores. Porém, mesmo
neste último caso a simples mudança de locomotiva ou o recurso a trator (não
existem locomotivas para mercadorias de eixos variáveis) introduz uma
demora, incomportável se se pretende transferir significativa carga rodoviária
para a ferrovia. Aliás, dois argumentos são muito fortes contra a generalização
de uma boa solução transitória e localizada como os eixos variáveis: (i) - são
uma barreira para o acesso de operadores exteriores à península ibérica como já
se vem verificando nos concursos de material circulante em Espanha e Portugal;
(ii) - são grandes as dificuldades em caso de avaria longe do fornecedor dos
eixos variáveis.
A razão de defender as ligações ferroviárias à Europa, sem
constrangimentos temporais nos Pirineus, reside no maior valor em 2025 das
exportações nacionais por meios terrestres (29099 milhões de euros ),
maioritariamente por rodovia, para a Europa além Pirineus relativamente ao
valor das exportações para Espanha (18038 milhões de euros), apesar de em peso
serem menores (resto da Europa 5,72 milhões de toneladas ou 5,09€/Kg; Espanha
11,51 milhões de toneladas ou 1,57€/Kg).
Para conseguir a transferência da carga rodoviária para a
ferrovia com as subsequentes melhorias ambientais será essencial antecipar as
datas para a bitola europeia para mercadorias nas ligações à Europa do
regulamento 1679 (2050 -rede "comprehensive" - Anexo I, mapas 7) . O
que obviamente estimulará a atração de investimento estrangeiro.
O exposto obrigará a uma coordenação rigorosa com Espanha de
modo a assegurar a travessia do seu território pelas mercadorias nacionais
através do corredor atlântico progressivamente em bitola europeia. Estimo a
necessidade de construção em Espanha (aliás no seu próprio interesse como
exportadora para o resto da Europa) de cerca de 800 km de linhas novas de
bitola europeia e cerca de 240 km de “migração” de bitola ibérica para
europeia.
E se fizessemos como na Irlanda? e como na Alemanha?
E se fizessemos como na Irlanda, empresa industrial
estrangeira de dimensão razoável que se instalasse junto de uma das linhas de
ligação à Europa beneficiaria por um período de 50 anos de um IRC igual em
função da natureza do negócio e da empresa a 12,5%, 15%, 25% e 33% (https://practiceguides.chambers.com/practice-guides/corporate-tax-2026/ireland)
? Isso seria aplicável aos interland de Leixões, de Aveiro, de Lisboa/Setúbal,
de Sines (e porque não Faro? embora dependente de obras não previstas no acesso
de alguma complexidade, mas que qualquer projetista holandês consideraria
vulgares, tal como o rejeitado projeto do porto de águas profundas da Golada) e
às linhas Aveiro-Salamanca e Lisboa/Sines-Évora-Badajoz. Terá a União Europeia
objeções, por exemplo a condições especiais de acolhimento de investimento
estrangeiro com redução do IRC a 10% por um período de 10 anos em função dos
benefícios obtidos? Mas se as tiver será talvez por estar a pensar em regras de
fiscalidade uniformes e então não deverá opor-se à mutualização de dívidas para
investimentos reprodutivos.
Outro exemplo suscetível de melhorar no estrangeiro a
perceção do ordenamento de empresas em Portugal como fator atrativo poderá ser
uma nova legislação laboral inspirada na legislação alemã, incorporando formas
de cogestão como estímulo a um aumento progressivo e consistente da
produtividade e da eficiência da organização e do planeamento do trabalho, com
possibilidade de participação de trabalhadores ou seus representantes nos
Conselhos de Administração e Conselhos Fiscais
( https://www.deutschland.de/pt-br/topic/economia/a-cogestao-nas-empresas-alemas-regras-e-leis
)
Pode não parecer importante, mas se fugissemos à
disciplina partidária?
Pode não parecer importante, mas se fugissemos à disciplina
partidária e dessemos uma volta ao sistema eleitoral? Calma, não seria preciso
mudar a Constituição que já é muito clara no respeito pela igualdade entre
cidadãos e subsequentemente pela proporcionalidade, pela possibilidade de votos
uninominais e pelos referendos. Bastaria dar um jeito na lei eleitoral 14/79,
nos artigos 12 (circulos eleitorais) e 21 e 23 (candidaturas). Não seria
mau alterar também o 79 (possibilidade de voto eletrónico como na Estónia).
Quando atualmente verificamos nos partidos uma quase
unanimidade no sentido de apoiar a política de exclusividade da bitola ibérica,
naturalmente satisfazendo os setores de atividade e os operadores que não terão
de se preocupar com a introdução de uma bitola diferente (como em qualquer
situação em que tem de adotar-se um componente diferente do instalado, a
solução organizativa é a que foi seguida em Espanha, gestões separadas na ADIF
para a rede convencional, e na ADIF AV para a rede de AV) é legítimo supor que
critérios de natureza política se sobrepõem, por via da disciplina partidária,
às questões técnicas e socio-económicas. Daí a sugestão da votação uninominal.
Já foram propostos diversos sistemas eleitorais nesse sentido, quer por
constitucionalistas, quer por simples cidadãos, indica-se um deles
( https://fcsseratostenes.blogspot.com/2025/06/seguimento-da-publicacao-dos-resultados.html
)
O workplan do coordenador do corredor atlântico François
Bausch ( https://op.europa.eu/en/publication-detail/-/publication/615f8e85-bcb9-11f1-81de-01aa75ed71a1
) e o financiamento
E chegados aqui voltemos atrás para podermos avançar.
Regressemos às declarações de Ursula Von der Leyen sobre o financiamento das
novas linhas ferroviárias. Não terá querido a senhora Presidente falar dos NRPP
(National Regional Partnership Plans) ainda em sérias discussões na União
Europeia, incluindo a dimensão do financiamento (450 mil milhões de euros para
toda a UE e incluindo agricultura e pescas).
O limite que anunciou de 50 mil milhões de euros para
financiamento do CEF-Transport no quadro comunitário 2028-2034 é manifestamente
insuficiente para as necessidades da nova rede TEN-T até porque inclui 17 mil
milhões para a mobilidade militar (500 mil milhões será suficiente
até 2050 para concluir o respetivo programa da rede
"comprehensive"?). Serão necessários outros meios, tal como referido
pelo coordenador do corredor atlântico no seu workplan, apresentado dois dias
depois da intervenção de Ursula von der Leyen.
A estimativa para o programa em França, Espanha e Portugal
até 2040 é de cerca de 90 mil milhões de euros dos quais 78 mil milhões serão
linhas novas de AV. Como reconhecido pelo coordenador, é dada prioridade à AV
para passageiros e à modernização das linhas de mercadorias existentes
(eletrificação, compatibilidade com comprimento dos comboios de 740m,
eliminação de gradientes, transporte de semirreboques por comboio). A
construção de linhas novas para mercadorias em bitola europeia fica adiada na
península ibérica à exceção da ligação do terminal rodo-ferroviáriode
mercadorias de Vitoria e do corredor mediterrânico.
Perante estas limitações, comprometendo a acima referida
urgencia da ligação dos portos nacionais à Europa como estímulo ao crescimento
das exportações, transferência para a ferrovia de carga rodoviária e atração de
investimento, restará uma intervenção firme de cidadãos apoiados pelas
entidades oficiais que aceitem os motivos do protesto.
E isso implica a alteração da estratégia ferroviária de
ligação à rede única europeia e uma atitude mais crítica por parte do
coordenador do corredor atlântico.
Isso mesmo tem de ser compreendido e implementado pelos
governos, no nosso caso de Portugal, Espanha, França e Alemanha, pelos gestores
de infraestruturas desses países, IP, ADIF, SNCF e DB, agrupados no AVEP e no
antigo RFC4 e especialmente pelos assesores nacionais junto da DG MOVE e da IP.
Para alcançar as melhores soluções técnicas e
socio-económicas, o apoio da DG MOVE/coordenador do corredor atlântico poderá
revestir a forma de concurso público internacional para seleção de consultores
com referências internacionais.
O apoio técnico e financeiro da União Europeia perante a
urgencia dos investimentos duma nova estratégia é indispensável
considerando as graves limitações financeiras do nosso país expressas, por
exemplo pelo valor da dívida pública direta do Estado em dez2025 de 315 mil
milhões de euros e o aumento médio anual dessa dívida pública direta do Estado
desde 2017 próximo de 10 mil milhões de euros. Este valor é compatível com um
saldo positivo do orçamento de Estado porque este cobre despesas correntes fora
do perímetro de investimento no setor alargado do Estado ( resume-se este
perímetro: empresas públicas como IP, CP, metros; fundos como o de resolução e
institutos públicos; PPP e concessões; dívida comercial acumulada como
hospitais e universidades; gestão ativa da dívida; reforço de depósitos do
Estado).
Para além de uma melhoria na divulgação pública da
decomposição da dívida pública direta do Estado desejavelmente com a supervisão
do TdC, no setor dos transportes seria razoável integrar as empresas públicas
de transporte e infraestruturas no perímetro orçamental.
A direção financeira da União terá de fazer a sua parte, até
para cumprir os artigos 170 a 172 do Tratado de Funcionamento da União Europeia
(apoio às redes de transporte de ligação de regiões periféricas ao centro da
Europa ), quaisquer que sejam os constrangimentos geo-estratégicos et pour
cause, não só agilizando o cofinanciamento, mas também isentando os
investimentos da contabilização nos défices públicos e suas percentagens dos
PIB.
Como referido no workplan, espera-se o apoio das parcerias
da CE e do BEI, JASPERS e InvestEU Advisory Hub. O workplan também refere que
as PPP em França são definidas em função do tráfego efetivamente realizado, e
não em função da disponibilidade e da capacidade. Igualmente defende o workplan
a taxação ao nível local das NUT II e NUT III como forma de
financiamento.
A alteração da estratégia ferroviária
O primeiro passo para a necessária alteração da estratégia
ferroviária será o reconhecimento da necessidade de dois orçamentos separados
para a ferrovia, um para a gestão corrente da rede convencional, incluindo as
modernizações, e outro para a gestão da futura rede de alta velocidade e
transporte rápido de mercadorias ( considerar o exemplo espanhol, ADIF
para a rede convencional e ADIF AV para a alta velocidade), o que não impede
naturalmente a existencia de zonas de ligação para transbordo ou mesmo curtos
percursos com 3º carril.
Imediatamente a seguir deverá alterar-se a ação diplomática
com Espanha, recordando nas cimeiras a de 2003 da Figueira da Foz e
implementando de forma coordenada uma estratégia de aproximação progressiva da
bitola europeia dos portos portugueses com prazos coincidentes com os do
regulamento 1679 para AV passageiros mas melhores do que os prazos (
maioritariamente 2050) para o transporte rápido de mercadorias. Considerar
porém que um dos requisitos do regulamento 1679, para rentabilizar os
investimentos é o dos novos troços em bitola europeia serem para tráfego misto,
ao qual se veio juntar o requisito de satisfação das condições necessária ao
dual-use.
A oposição a esta estratégia poderá justificar a acusação ao
governo de Espanha de estar a proteger interesses instalados na operação
da rede ferroviária interna em bitola ibérica e na operação do transporte
rodoviário de mercadorias para exportação para o resto da Europa. Acusação que
será uma questão diplomática, análoga à induzida pelos sucessivos adiamentos
pelo governo francês dos novos troços Hendaye-Dax-Bordeus.
A alteração da estratégia, em Portugal, deverá incluir o
cumprimento dos artigos 40 a 42 do regulamento 1679, aliás referidos pelo
coordenador, para elaboração até dez2027 dos SUMP (Sustainable Urban Mobility
Plan) dos nós urbanos, incluindo as Áreas Metropolitanas. Isso colide com a
atribuição à IP através das resoluçoes da AR 98/2024 e da RCM 77/2025 da
definição dos traçados das ligações de AV , da ligação ao NAL e das redes
suburbanas e metropolitanas (a complexidade técnica, nomeadamente para escolha
da localização e dos modos de travessia do Tejo, túnel ou ponte, após sondagens
recomendaria o recurso a concurso público internacional para seleção de
consultor com referências).
Um papel essencial terá de ser desempenhado pelo coordenador
do corredor atlântico, François Bausch apoiado pelo comissário dos Transportes,
Tzitzikostas. Esse papel será principalmente a fiscalização constante da
elaboração de calendários (definição de milestones, datas chave), dos concursos
para os projetos e as obras, da consistencia dos meios financeiros e da
verificação das razões dos atrasos e dos meios de os corrigir.
![]() |
| É dificil mas o ciclista, trajado a rigor e com capacete, conseguiu, cruzou-se com o automóvel em sentido contrário |
Com a devida vénia à Ronda da noite de Luis Caetano, na Antena 2 em 9out2026, em que resumiu a crónica de Lídia Jorge publicada no El País em 16jun2024 , Los que cruzan la Tierra, dedicada aos imigrantes, e incluida no seu livro "O céu cairá sobre nós",
https://www.rtp.pt/play/p1299/e959583/a-ronda-da-noite
ARROZ DO CÉU
José Rodrigues Miguéis
Ao longo dos passeios de Nova York, por sobre as estações e galerias do subway, abrem-se grandes respiradouros gradeados por onde cai de tudo: o sol e a chuva, o luar e a neve, luvas, lunetas e botões, papelada, chewing gum, tacões de sapatos de mulheres que ficam entalados, e até dinheiro. Às vezes, lá no fundo, no lixo acumulado ou em poças de água estagnada, brilham moedas de níquel e mesmo de prata. Os garotos ajoelham de nariz colado às grades, tentando lobrigar tesouros na obscuridade donde sopra um hálito húmido e oleoso e o cheiro dos freios queimados. Fazem prodígios de habilidade e obstinação para pescar as moedas perdidas. Alguns têm êxito nisso, mas depois engalfinham-se em disputas tremendas sobre a posse e a partilha do tesouro: nunca se sabe quem foi que viu primeiro. Outros, quando a colheita promete, chegam a arriscar nisso algum capital: juntam as posses, e entram dois, é quanto basta, no subway; uma vez lá dentro, trepam sub-repticiamente aos respiradouros, o que é uma difícil operação de acrobacia, para colher aquele dinheiro-de-ninguém, enquanto um ou mais camaradas vigilantes os vão guiando cá de fora. Também os há que entram sem pagar, por entre as pernas da freguesia e agachando-se por baixo dos torniquetes.
O limpa-vias trabalhava há muitos anos no subway, sempre de olhos no chão. Uma toupeira, um rato dos canos. Picava papéis na ponta de um pau com um prego, e metia-os no saco. Varria milhões de pontas de cigarros, na maioria quase intactos, de fumadores impacientes, raspava das plataformas o chewing gum odioso, limpava as latrinas, espalhava desinfectantes, ajudava a pôr graxa nas calhas, polvilhava as vias de um pó branco e misterioso, e todas as vezes que o camarada da lanterna soltava um apito estrídulo – lá vem o comboio! – ele encolhia-se contra a parede negra, onde escorriam águas de infiltração, na estreita passagem de serviço. Até já tinha ajudado a recolher pedaços de cadáveres, de gente que se atirava para debaixo dos trens, e a transportar os corpos exangues de velhos que de repente se lembravam de morrer de ataque cardíaco, nas horas de maior ajuntamento, uns e outros perturbando o horário e provocando a curiosidade casual e momentânea dos passageiros apressados. Sempre de olhos no chão, bisonho e calado, como quem nada espera do Alto, e não esperava. A vida dele vinha toda do chão imundo e viscoso. Nem sequer olhava a lívida claridade que resvala dos respiradouros para o negrume interior, onde tremeluzem lâmpadas eléctricas, entre as pilastras inumeráveis daquela floresta subterrânea metalizada: nunca lhos tinham mandado limpar. Eram provavelmente o domínio exclusivo de operários especializados, membros de outro sindicato, que ele não conhecia. Nem talvez soubesse que existiam os respiradouros. Era estrangeiro, imigrante, como tanta gente. Não brincara nem vadiara na voragem empolgante das ruas da grande cidade, e vivia perfeitamente resignado à sua obscuridade. Devia aquele emprego a um camarada que era membro dum clube onde mandavam homens de peso, mas ele de política não entendia nada, nem fazia perguntas. Como tinha nascido na Lituânia, ou talvez na Estónia, só falava em monossílabos; e, debaixo da pátina oleosa e negra que o ar do subway nela imprimira com o tempo, a sua face era incolor e a raça indistinta. Antes disso tinha trabalhado em escavações, um «toupeira». Este emprego era muito melhor, embora também fosse subterrâneo. E não tinha que falar o inglês, que mal entendia.
Ora, à esquina de certa rua, no Uptown, há uma igreja, a de São João Baptista e do Santíssimo Sacramento, a todo o comprimento de cuja fachada barroca e cinzenta os respiradouros do subway formam uma longa plataforma de aço arrendado. Os casamentos são frequentes, ali, por ser chique a paróquia e imponente a igreja. O arroz chove às cabazadas em cima dos noivos, à saída da cerimónia, num grande estrago de alegria. Metade dele some-se logo pelas grelhas dos respiradouros, outra parte fica espalhada nas placas de cimento do passeio. Depois dos casamentos, o sacristão ou porteiro da igreja, de cigarro ao canto da boca, varre o arroz para dentro das grades, por comodidade. Provavelmente é irlandês, o arroz não lhe interessa, nem se ocupa de pombos: pombos é lá com os italianos, que, apesar de se dizerem católicos, são uma espécie de pagãos. O que se derramou no pavimento da rua, lá fica: é com os varredores municipais. Volta e meia há casório, sobretudo no bom tempo, ou aos domingos. E um desperdício de arroz, não sei donde vem o costume: talvez seja um prenúncio votivo de abundância, ou um símbolo do «crescei e multiplicai-vos» (como arroz). A gente pára a olhar, e tem vontade de perguntar: «A como está hoje o arroz de primeira cá na freguesia?» Aquela chuva de grãos atravessa as grades, resvala no plano inclinado do respiradouro, e, se não adere à sujidade pegajosa ou ao chewing gum (o bairro é pouco dado a mastigar o chicle), ressalta para dentro do subterrâneo, numa estreita passagem de serviço vedada aos passageiros.
A primeira vez que viu aquele arroz derramado no chão, e sentiu os bagos a estalar-lhe debaixo das botifarras, o limpa-vias não fez caso; varreu-os com o resto do lixo para dentro do saco cilíndrico, com um aro na boca. Mas como ia agora por ali com mais frequência, notou que a coisa se repetia. O arroz limpo e polido brilhava como as pérolas de mil colares desfeitos no escuro da galeria. O homem matutou: donde é que viria tanto arroz? Intrigado, ergueu os olhos pela primeira vez para o Alto, e avistou a vaga luz de masmorra que escorria da parede. Mas o respiradouro, se bem me compreendem, obliquava como uma chaminé, e a grade, ela própria, ficava-lhe invisível do interior. Era dali, com certeza, que caía o arroz, como as moedas, a poeira, a água da chuva e o resto. O limpa-vias encolheu os ombros, sem entender. Desconhecia os ritos e as elegâncias. No casamento dele não tinha havido arroz de qualidade nenhuma, nem cru, nem doce, nem de galinha. Até que um dia, depois de olhar em roda, não andasse alguém a espiá-lo, abaixou-se, ajuntou os bagos com a mão, num montículo, e encheu com eles um bolso do macaco. Chegado a casa, a mulher cruzou as mãos de assombro: alvo, carolino, de primeira! Dias depois, sempre sozinho, varreu o arroz para dentro de um cartucho que apanhara abandonado num cesto de lixo da estação, e levou-o para casa. Pobres, aquela fartura de arroz enchia-lhes a barriga, a ele, à patroa e aos seis ou sete filhos. Ela habituou-se, e às vezes dizia-lhe: «Vê lá se hoje há arroz, acabou-se-nos o que tínhamos em casa.» Confiada naquele remedeio de vida! O limpa-vias nunca perguntou donde é que chovia tanto grão, sobretudo no bom tempo, pelo Verão, e aos domingos, que até parecia uma colheita regular. Embrulhava-o num jornal ou metia-o num cartucho, e assim o levava à família. Ignorando que lá em cima era a Igreja de São João Baptista e do Santíssimo Sacramento, e como tal de bom-tom, não sabia a que atribuir o fenómeno. Pelo lado da raiz, no subway, os palácios, os casebres e os templos não se distinguem. E foi assim que aquela chuva benéfica, de arroz polido, carolino, de primeira, acabou por lhe dar a noção concreta de uma Providência. O arroz vinha do Céu, como a chuva, a neve, o sol e o raio. Deus, no Alto, pensava no limpa-vias, tão pobre e calado, e mandava-lhe aquele maná para encher a barriga aos filhos. Sem ele ter pedido nada. Guardou segredo – é mau contar os prodígios com que a graça divina nos favorece. Resignou-se a ser o objecto da vontade misericordiosa do Senhor. E começou a rezar-lhe fervorosamente, à noite, o que nunca fizera, ao lado da mulher. Arroz do Céu... O Céu do limpa-vias é a rua que os outros pisam.
in Gente da Terceira Classe, Lisboa, Editorial Estúdios Cor, 1971, pp. 67-71 (1ª ed. 1962)
Tema relacionado: https://fcsseratostenes.blogspot.com/search?q=Ema+Lazarus
duma reportagem sobre Innotrans de Berlim em setembro de 2026:
Dois meses depois da data fixada para o envio da avaliação da viabilidade de mudança de bitola dos troços da rede existente em bitola ibérica que coincidissem com os corredores europeus (art.17.3 do regulamento 2024/1679), e a 15 dias da apresentação em Bruxelas, nos Connecting Europe Days, do workplan do coordenador do corredor atlântico François Bausch, o Ministério dos Transportes y Movilidad Sostentabile de Espanha publicou o relatório do INECO que recusa a mudança de bitola da totalidade da rede em bitola ibérica em Espanha. Sem publicar o seu relatório, apenas o resumindo à comunicação social,o Ministério das Infraestruturas e Habitação português reproduziu mutatis mutantis o relatório espanhol, recusando qualquer mudança, mantendo a rede em bitola ibérica existente e informando que pediu uma isenção até 2040 para introdução da bitola europeia (o que contradiz a implementing decision de out2025 que fixava 2034 para a interoperabilidade plena na LAV Lisboa-Madrid). Seguiu-se uma intensa publicação pela imprensa nacional do resumo do relatório, proclamando-se a recusa da "migração".
https://eco.sapo.pt/2026/09/17/mudar-para-bitola-europeia-custa-ate-sete-mil-milhoes/
Naturalmente tais notícias suscitaram comentários como os que se seguem, nomeadamente lembrando que ninguém nem nenhum documento requer a mudança de toda a rede em bitola ibérica, quer em Espanha quer em Portugal, e que a extensão abusiva do perímetro dessa mudança se deveu à crença inabalável da IP , e pelos vistos do INECO (ou de parte dos seus técnicos), de que a existencia de duas redes de bitola diferente é inconciliável devido aos custos, e afetação do tráfego, das obras e dos interfaces de passageiros e de mercadorias. Será uma opinião que não se fundamenta, por exemplo, nas claras vantagens para a economia da viabilidade do aumento das exportações para a Europa e transferência para a ferrovia da carga rodoviária e dos passageiros das ligações aéreas Lisboa-Madrid e Lisboa-Porto, além de que nem todos os troços coincidentes com corredores europeus justificarão mudança porque pode ser preferível construir linha nova de raíz já prescrita (sem necessidade de ACB) no mapa das redes interoperáveis TEN-T, devendo entrar-se na ACB respetiva com o benefício do financiamento comunitário do CEF, o que o INECO e a IP não terão feito, provavelmente reservando o financiamento para PPPs.
Comentário enviado a vários jornalistas
Tendo o relatório da IP sido enviado em 19jul2026 ( se cumpriu o calendário) é finalmente descrito pela imprensa. Mais uma vez refiro que o que o regulamento 2024/1679 pede, no seu art.17.3, é que as linhas existentes, ou parte delas, em bitola ibérica e que coincidam com troços do corredor europeu (no caso português atlântico, no caso espanhol corredor atlântico na Galiza, Asturias, Castela-Leão, País Basco, Extremadura, Andaluzia, e corredor mediterrânico) sejam alvo de avaliação com uma análise de custos-benefícios (ACB) para a "migração", não sendo mudadas para bitola europeia se a ACB der negativa. O art 17.3 pode ser aplicado ao troço já construido em bitola ibérica Évora N-Elvas . Não aplicável à linha da Beira Alta porque já se sabia, com as pendentes que tem, que tinha de ser uma linha nova Aveiro-Viseu-Salamanca. Não confundir com o art 17.2 que pede o mesmo para linhas novas a construir mas que não estavam previstas nos mapas do regulamento 2024/1679. Atenção que o art 17.5 diz que o Estado membro pode pedir uma isenção temporária para dispensa de construir a nova linha em bitola europeia e que pode justificar não construir em europeia se uma ACB der negativa. Só que, se a linha nova a construir está no mapa das redes interoperáveis TEN-T do regulamento 1679, a Comissão Europeia não pede nenhuma ACB; a ser pedida, ela será pedida pelo Estado membro para justificar o adiamento da isenção com a ACB negativa (eventualmente beneficiando os fornecedores e os operadores já adaptados à rede de bitola ibérica, nomeadamente os operadores rodoviários que assim não recearão a concorrencia da ferrovia cuja quota modal vai decrescendo no tempo no tráfego interno e no tráfego para a Europa além Pirineus). Em resumo, o relatório espanhol analisou 3 alternativas:
1- mudar a bitola ibérica das linhas existentes que coincidem com os corredores europeus totalizando 3600km de via dupla e 2800km de via única (sem analisar a hipótese de construção de linha nova de raíz com financiamento comunitário);
2 - instalar o 3º carril nas mesmas linhas existentes coincidentes com os corredores europeus (nas vias duplas apenas numa das vias);
3 - ampliar o objeto da alternativa 1 estendendo a migração de bitola ibérica a toda a rede existente de bitola ibérica,coincidente ou não com corredores europeus (objetivo não previsto no regulamento 1679).
Os custos aproximados estimados foram em mil milhões de euros: alternativa 1 - 14; alternativa 2 14,6; alternativa 3 - 21,4 . O relatório espanhol aprofundou os custos e beneficios para a alternativa 3 baseando-se nos custos das instalações provisórias para ultrapassar as descontinuidades de bitola no encontro dos novos troços em 1435mm e os não mudados de bitola ibérica. Chegou à conclusão que os custos seriam da ordem de 30 mil milhões considerando esses cuatos e a afetação das obras, com benefícios insuficientes concluindo por uma TIR negativa e um valor atual liquido de - 10, 6 mil milhões de euros. Este resultado não surpreende porque ignoraram o financiamento comunitário (imposto aliás pelo art.170 do TFUE relativo ao apoio a redes de transporte contra os efeitos da periferia e da baixa densidade populacional) e desvalorizaram os benefícios que evitariam as externalidades da continuidade do transporte rodoviário interno e internacional e desvalorizaram também o crescimento da quota modal ferroviária e consequente vantagem económica com o crescimento das exportações e a atração de investimento estrangeiro. No caso espanhol, estão em vigor os estudos informativos que progressivamente prevêem a aproximação da bitola 1435mm de Barcelona a Valencia a curto prazo, revelando assim uma incoerencia aliás compreensível quando o regulamento 1679 não pede a migração de toda a rede de bitola ibérica. Transpondo para o caso português, a IP terá considerado (para além da hipótese de manter a bitola ibérica no caso de Espanha chegar com a bitola 1435mm às fronteiras, instalando equipamento de mudança de bitola nos postos transfronteiriços na estimativa de 180 milhões de euros) dois cenários, 1 - migração apenas dos troços coincidentes com o corredor atlântico (estimativa 6,5 mil milhões de euros); 2 - generalização da migração aos 2500km da rede existente em bitola ibérica (estimativa 6,9 mil milhões de euros). É curioso ver a IP a "alertar" contra os impactos operacionais das obras e das instalações de mudança de bitola que "podem afastar os clientes da ferrovia" quando os atrasos das obras da linha da Beira Alta, da linha do Oeste, da linha da Beira Baixa, das perturbações da linha do Norte Aveiro-Gaia nada têm que ver com a bitola. Também é de referir que em maio de 2025 foi apresentada no 11º congresso do CRP uma ACB para um investimento de 12.000 milhões de euros em Portugal para a construção dos cerca de 1000 km da parte nacional da rede TEN_T com cofinanciamento comunitário de 40%, um crescimento das exportações de 3% ao ano e transferência de 30% de carga rodoviária para a ferrovia, conduzindo a uma TIR de 2,23% e uma relação benefícios/custos de 1,11. Dada a especificidade dos pressupostos das ACB, o assunto deveria ser entregue a especialistas para esclarecimento. Tal como no caso espanhol, verifica-se no relatório da IP uma aversão à hipótese da coexistencia das duas redes, uma de bitola 1435mm para a Alta Velocidade de passageiros e para o serviço de mercadorias >100km/h de ligação dos portos nacionais à Europa além Pirineus, uma bitola 1668mm para a rede pré-existente. No caso espanhol não deixa de ser estranho, uma vez que a ADIF tem a gestão separada das duas redes, uma na ADIF Alta Velocidade, e outra ADIF convencional (sem prejuizo da Alta Velocidade incluir troços de bitola ibérica e de 3ºcarril) . Estranha-se a utilização pela IP do termo "inaceitável" referido à gestão separada das duas redes, quando uma boa organização de uma grande empresa não tem dificuldade em organizar a gestão de atividades de natureza diferente. Num contexto de evolução tecnológica rápida, tem de ser separada a gestão de sistemas a desativar de sistemas a instalar, como é o caso do CONVEL a desativar por força do regulamento 1679 até 2040, ou o ERTMS/GSM-R, quando se colocar a necessidade de substituição pelo FRMCS/5G. Ficou célebre a coexistencia de bitolas diferentes e de tecnologias de tração em estágios diferentes no metropolitano de Barcelona, obviamente em linhas diferentes e com a necessária renovação de quadros técnicos. Como nota final, a concordancia que uma migração total traria vantagens a longo (médio) prazo nomeadamente pelo estímulo do crescimento da quota modal da ferrovia , das exportações de bens e da atração de investimento estrangeiro (impedir este investimento é ilustrar a ideia que só Estados ricos podem rentabilizar no futuro os seus investimentos). E a discordancia do prejuízo de 64 milhões de euros em instalações de ligação entre as duas redes de bitola diferente (deverá recorrer-se a transbordos com guindastes móveis do tipo reach stacker (empilhadores de contentores) em plataformas RRT (rail road terminals) de utilização também para outros fins rentabilizando o investimento, nomeadamente para transporte de semirreboques por comboio conforme previsto pelo regulamento 1679 (considerando 48, arts 16.8, 20.i e 38.2), sem necessidade de continuidade do mesmo comboio). Em vez de recorrer a subterfúgios invocando isenções com ACB de pressupostos orientados para os resultados negativos e de fugir ao especificado no regulamento 1679, melhor seria o INECO, autor do relatório espanhol, e a IP, responsável pelo relatório português, respeitarem os objetivos do regulamento, concretamente o considerando 31 (integração da rede core e do transporte de mercadorias nos corredores europeus) e artigos 12 (prioridades para as redes "core", "extended core" e "comprehensive", 13 (prioridades para os corredores europeus), 17 (bitola 1435mm) , e 19 e 20 (prioridades operacionais e adicionais). Melhores cumprimentos
Comentário enviado a Carlos Cipriano, do Público:
Condolencias aos familiares das vítimas mortais, na tragédia das crianças.
Notícia no DN assinalando as deficientes condições de segurança da estrada, íngreme e sem rails de segurança:
![]() |
| Vista aérea da zona de Campanas de Cima na ilha do Fogo onde ocorreu o acidente |
| Foto Elton Monteiro - Lusa em Acidente em Cabo Verde. Famílias recebem 907 euros por vítima e outros apoios da autarquia e do governo |
![]() |
| Acidente na Ilha do Fogo. Filho do condutor aponta possível falha de travões | Watch |
Notícia do acidente pelo MSN:
Este comentário não é uma crítica ao operador e ao motorista do autocarro porque o que interessa mais é saber as causas e circunstancias que levaram ao acidente e ver o que se deve fazer para evitar a sua repetição. apenas um dos meios de comunicação social noticiou que se tratava de uma zona em obras. O Google earth mostra imagens de 2024 no mesmo troço em obras, tal como a imagem no MSN mostra. A falta de rail de segurança, ou a sua interrupção para acesso ao campo entre a estrada e o rio contribuiram para o capotamento. Os meios de comunicação social deveriam pressionar a autoridade rodoviária para informar num prazo útil as medidas a tomar para evitar a repetição de acidentes como este, desde a melhoria das condições de sinalização das obras, ao controle da velocidade, ao controle dos tempos de condução. Limitarem-se os organismos de segurança a inserir o registo de vítimas nas estatísticas oficiais da UE que tem objetivos bem definidos de redução da sinistralidade não é aceitável.
![]() |
| provável local do acidente, imagem Google earth de 2024 |
![]() |
| imagem Google earth de 2024 próximo do local do acidente em zona de obra, vendo-se ao fundo, do lado esquerdo, o sinal de fim de limittação de 60km/h |