Não existe informação estatística fiável sobre os riscos de utilização de bicicletas. Porque uma análise estatística correta exige conhecer o número de passageiros-km (número de utilizadores de bicicleta vezes o percurso médio dos utilizadores), ou viagens-km (assumindo 1 pessoa apenas em cada bicicleta) num período e numa zona.
Numa análise para vários modos de transporte, a DG MOVE publicou em 2012 o statistical pocketbook
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modo |
Vítimas mortais por 1000 Mpass-km |
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avião |
0,10 |
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comboio |
0,16 |
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autocarro |
0,43 |
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automóvel |
4,45 |
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duas rodas |
52,59 |
Estes valores carecem de ser atualizados e desagregados (separando trotinetas, bicicletas, motorizadas e motos), o que a DG MOVE não parece ter feito, publicando relatórios de sinistralidade com as estatísticas de acidentes na ferrovia e nas estradas como já mostrado na 1ª carta aberta em https://transport.ec.europa.eu/background/road-safety-statistics-2025_en de que destaco aqui o quadro de vítimas mortais nas estradas da UE em 2024 por modo de transporte:
Informação a integrar na estatística de vítimas mortais nas estradas por país e por milhão de habitantes, de que resulta a posição de Portugal no 5º pior lugar:
Não existindo nestes relatórios informação credível que permita calcular os passageiros-km por modo de transporte, tentarei uma hipótese de cálculo consultando informação sobre a intensidsde de utilização das bicicletas por país, por exemplo em: https://www.theadamstore.com/blogs/blogs/country-most-bicycles?srsltid=AfmBOopOEYAtnaevZqr4dsTLlxLu1J7S_tY4eC7MHVZc2yvoRBSaQLAp
Supondo que o número de deslocações diárias é igual ao da população vezes um fator de cerca de 1,7, e que nesta última ligação se estima na sequência de sondagens a percentagem de população que utiliza a bicicleta e com que periodicidade e extensão o faz (3km diários 2 vezes por semana), construí a seguinte tabela, reiterando tratar-se de hipóteses não confirmadas (o que sugere a necessidade das instituições comunitárias e nacionais melhorarem o tratamento estatístico da utilização dos modos de transporte ditos suaves):
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País |
População M |
Utilizadores de bicicleta M |
MKm/ano todos utilizadores |
Nº anual vítimas mortais em bicicleta |
Vítimas mortais em
bicicleta/1000Mpass-km
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NL |
18 |
12 |
3600 |
169 |
47 |
|
SE |
9,5 |
3 |
900 |
23 |
25 |
|
DE |
63 |
30 |
9000 |
445 |
49 |
|
DK |
4,7 |
3 |
900 |
22 |
24 |
|
PT |
10 |
2 |
600 |
30 |
50 |
Comparando com os valores acima do pocketbook de 2012 (valor de 4,45 VMs para o automóvel já é elevado), mais uma vez se estima para Portugal um valor nocivo intolerável. Valores graves na Holanda, contrariando a ideia divulgada da circulação neste país de bicicletas ser segura, e na Alemanha. Valores razoáveis na Suécia e na Dinamarca. Será importante avaliar a correção destas aproximações, mas julgo que só as instancias oficiais o poderão fazer se houver vontade política para isso, em nome da defesa da segurança rodoviária e do direito das pessoas se moverem em segurança.
No caso da Holanda, considerando 5 milhões de ciclistas com um percurso diário de 5 km em 300 dias por ano teríamos 5 x 5 x 300 = 7500 Mpass-km por ano, o que daria 23 VMs, valor razoável comparativamente mas ainda grave segundo o pocketbook de 2012. O crescimento da utilização dos 2 rodas exige que se façam sondagens e estatísticas rigorosas.




