segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Manfestação em 29 de julho de 2026 contra a linha circular do metro

Pequeno relato da manifestação: 

https://sapo.pt/artigo/peticionarios-contra-linha-circular-do-metro-de-lisboa-apelam-a-moedas-para-linha-em-laco-6a6a6ec3428c8106470a40bc

Notícia sobre a recusa da linha em laço pelo governo:

https://www.publico.pt/2026/08/01/local/noticia/dez-milhoes-governo-afasta-opcao-linha-laco-metro-lisboa-2183601

Convirá insistir que o que se pretende é a operação em todo o horário como linha em laço, sem misturas com uma operação da linha circular que obrigaria a cruzamentos de nível de comboios. O fornecedor da sinalização poderá fazer sem atrasos, dado que a mudança é só de software, um preço mais baixo que os dez milhões de euros de que fala o governo. Em termos de mobilidade da área metropolitana a linha circular é um erro e uma ilegalidade que ignora o PROTAML de 2002 que previa o prolongamento de Rato para Alcântara Mar com correspondência com a linha de Cascais em viaduto dispensando o erro da ligação desta à linha da cintura já saturada. Poupar agora implicará maior despesa no futuro para corrigir o erro, nomeadamente por causa da menor fiabilidade de uma linha circular relativamente a duas independentes. As validações no metro em Odivelas-Campo Grande já eram superiores às de Cais do Sodré. E se agora o governo diz que “estudos” mostram que a linha circular gerará menos transbordos, viagens mais rápidas (o problema aqui está na falta de comboios e de maquinistas, não chegando os encomendados para um intervalo de 3 minutos em toda a rede) e menos constrangimentos nas expansões (é precisamente o contrário, a ida ao Cais do Sodré complica as expansões futuras) que tenha a coragem de publicar esses “estudos” para serem discutidos, coisa que também não fez para “justificar” o erro  da localização da futura estação de metro de Alcântara, preferindo o medieval magister dixit quando em experiência de metros, lamento dizê-lo, nada tem de magister.


Dadas as caraterísticas dos decisores, não se espera que seja aceite a proposta de adoção exclusiva da linha em laço. Será acenada uma improvável extensão da linha de Odivelas de Campo Grande a Benfica ou até ao Hospital Fernando da Fonseca e Algés ou Jamor, constituindo um troço da linha circular externa prevista no PROTAML 2002. Mas serão apenas promessas não cumpridas.


Mais informação sobre o assunto, incluindo o esquema dos percursos na circular e no Campo Grande:
https://fcsseratostenes.blogspot.com/2026/06/o-problema-da-exploracao-da-linha.html

Contributos anteriores relacionados:

ordenamento área metropolitana Lisboa
https://1drv.ms/w/c/1ebc954ed8ae7f5f/IQC1Wq77cvVVQKkRQT0-fhr7AWfMeZGu1r2JeFYhi0x3N5k?e=Vj2yXb

orientações para novas linhas de metro
https://1drv.ms/b/c/1ebc954ed8ae7f5f/IQD0vUiL9rfhQqtyuKgGx6WOAYun_ashLjT-GCodIIaPl6k?e=6QQRIz

TTT e ligações AV a NAL
https://1drv.ms/w/c/1ebc954ed8ae7f5f/IQDkWT31QPArQrp0hT33bIPhAcO0pBChd2a4L9EVh3IE_JI?e=jEJE9Z










domingo, 2 de agosto de 2026

Mais um comentário sobre o novo aeroporto num momento crítico para o futuro da ferrovia em Portugal

 

Algo inesperadamente, mas como consequencia das novas funções de Mario Centeno como comentador na CNN, o Publico divulgou a sua opinião crítica sobre a eventual falha do novo aeroporto relativamente ao país dadas eventuais restrições associadas à ligação a Lisboa. 

https://www.publico.pt/2026/08/01/opiniao/opiniao/aeroporto-serve-lisboa-falhar-pais-2183667

Excelente artigo algo inesperado para quem não conheça escritos anteriores de Mario Centeno sobre transportes. Identifica corretamente os riscos mas fá-lo de uma forma genérica sem propor medidas concretas. Sugeriria nesse sentido: 

1 – debate público sobre o que o regulamento comunitário 2024/1679 diz nos seus artigos 40 a 42 sobre planos de mobilidade de áreas metropolitanas (coloquialmente poderemos dizer que mesmo sem aeroporto tem de se investir muito dinheiro na TTT e na 4ª travessia ferroviárias para termos uma área metropolitana coesa e em “harmonia territorial”  na perspetiva da anterior NUT II) e se cumprirmos o regulamento poderemos obter algum financiamento também para os acessos ao aeroporto; 

2 – revogação enquanto é tempo (se ainda é tempo) das resoluções 98/2024 da AR e 77/2025 RCM que aprovam o PFN  atribuindo à IP o planeamento das redes AV e serviço do aeroporto à IP , e por essa via, aos seus consultores, sendo por demais conhecidas as ineficiências da sua política ferroviária (não por culpa de quem lá trabalha mas pelos constrangimentos impostos pelas superiores e indiscutíveis decisões).  

Numa altura em que uma interpretação tendenciosamente errada do regulamento 1679 levou os ministérios dos transportes de Espanha e Portugal a enviar uma análise de custos benefícios negativa sobre a "migração" para bitola europeia da totalidade da rede em bitola ibérica (coisa que o regulamento não pediu) e sendo crítico o diferimento da construção das novas linhas em bitola europeia do corredor atlântico (essas sim requeridas pelo regulamento 1679) para o crescimento das exportações de bens para a Europa além Pirineus e para a transferencia da para a ferrovia da carga rodoviária e dos passageiros das ligações aéreas conforme o Green Deal, estaremos  a perder uma oportunidade de mudança benéfica.                                                                       https://fcsseratostenes.blogspot.com/2026/07/a-estranha-recusa-do-ministerio-de.html

As propostas 1 e 2 resultam do absoluto fecho do governo e da IP à discussão e alteração das suas orientações  e o ideal seria concretizarem-se, já que os críticos não são ouvidos, através de um concurso público internacional para seleção de um consultor credenciado para o estudo da inserção do aeroporto ao serviço do país e da área metropolitana (ex NUT II) conforme a regulamentação comunitária. 

Gostaria ainda de discordar da sua afirmação de que a abordagem radial não é possível e sobre o efeito barreira do rio. Quando existem soluções de engenharia (TTT em túnel, parcial ou totalmente, a norte da PVG, mudança da localização da estação principal de AV , corredor da A13 veja-se o aeroporto de Macau, o Schipol. Kansai) naturalmente com custos elevados mas com retorno de benefícios da “harmonia territorial”. 

Quanto à opacidade financeira, é de facto um problema, como aliás as cartas ao  director têm mostrado através  dos diálogos entre Dona Inércia e Dona Opaca. Com os melhores cumprimentos.  


Este momento é crítico. A oposição sistemática à mudança pelo governo, IP e consultores, com a manutenção do PFN e das decisões sobre a TTT e traçados das linhas de AV condicionarão negativamente o futuro da ferrovia em Portugal, nomeadamente continuando a dificultar as exportações pelo corredor atlântico norte e sul. e duvidando-se que sequer o calendário aprovado pela DG MOVE para a ligação AV Lisboa-Madrid em 2034 com bitola europeia e ERTMS possa vir a ser cumprido.


Algumas referências bibliográficas:

crítica da política ferroviária
https://1drv.ms/w/c/1ebc954ed8ae7f5f/IQD6ooI7p63ITIeJ_Q--KVDIAWM_pe-J1MJHhuKJyLCyOtk?e=OMOqfg

terça-feira, 28 de julho de 2026

A estranha recusa do Ministerio de Transportes espanhol de "migração" de toda a rede de bitola ibérica para europeia

 


 

A IP e a comunicação social criaram a convicção que o regulamento 2024/1679 no artigo 17.2 determinava a realização até 19jul2026 de uma avaliação e ACB justificando eventualmente a não construção de novas linhas em bitola europeia. 

Recentemente a imprensa espanhola e a seguir a portuguesa divulgaram o envio pelo Ministerio de Transportes espanhol à Comissão Europeia/DG MOVE de um relatório recusando a "migração" da rede de bitola ibérica existente para bitola europeia. Dir-se-ia que o relatório terá tido importante colaboração da IP e seus consultores dada a similitude de argumentos e o conservdorismo assumido de manutenção a todo o preço da bitola ibérica.

https://observador.pt/2026/07/24/espanha-recusa-mudar-rede-ferroviaria-para-a-bitola-europeia-e-caro-demora-30-anos-e-iria-afetar-o-servico/

 É curioso, parece mesmo que a IP e os seus habituais consultores fizeram para o Ministério de Transportes espanhol o relatório/análise de custos-benefícios que recusa a "migração" da rede em bitola ibérica espanhola para bitola europeia. Estão lá todos os argumentos utilizados cá para fugir à instalação da bitola europeia. Só que ... ninguém pediu, nem a regulamentação europeia nem ninguém, nem em Espanha nem em Portugal, que toda a rede em ibérica seja mudada para europeia. O que o regulamento 2024/1679 determina, e trata-se de uma determinação vinculativa que os governos portugueses têm ignorado, é: art.17.1 - a construção de linhas novas em bitola europeia segundo os corredores internacionais da rede única europeia interoperável TEN-T (o que a nova linha Porto-Lisboa viola); art.17.3 - a avaliação até 19 de julho de 2026 da viabilidade da "migração" , não de toda a rede pré-existente em ibérica,  mas apenas e só daqueles troços em bitola ibérica que coincidam com um corredor internacional e possam satisfazer os requisitos de interoperabilidade do regulamento (em Portugal este artigo apenas se aplica aos 90 km Évora N-Caia, enquanto em Espanha serão seguramente menos de 3.000 km, não os 13.000 km de toda a rede ibérica). Isto é, alguém leu mal o regulamento ou então leu muito bem o manual de estratagemas de Scopenhauer para ter sempre razão (obrigado à Bárbara Reis) e decidiu aplicar o mutatio controversiae, desviando o foco dos corredores internacionais para o âmbito mais vasto de toda a rede ibérica, que não tinha que ver com a questão regulamentar.  Mas pode ser que os decisores não engulam o estratagema, pelo menos em Espanha, onde já há protestos por quem compreende que a bitola europeia é mais um fator (já sabemos que não é o mais importante, esse é o estrategema para relativizar o argumento do outro) para estimular o crescimento das exportações para a Europa sem subsídios para os transbordos, sem fornecedores exclusivos e com a acalmia do tráfego internacional de camiões. 


Posso estar errado, mas a minha interpretação do texto do regulamento é diferente. Não existia em julho de 2024 nenhum planeamento de linha de ligação transfronteiriça de acordo com o Anexo I que não estivesse já planeada (ver os mapas abaixo com indicação dos respetivos calendários core, extended core e comprehensive), logo não havia que realizar nenhuma ACB naquele sentido (nem na avaliação da migração para europeia de toda a rede ibérica pré existente). O que o artigo 17.3 determinava era essa ACB para o caso de em julho de 2024 existirem linhas de bitola ibérica coincidentes com corredores internacionais (caso do troço ÉvoraN-Caia).

 

Excerto do reg.1679, art.17.2, versão inglesa e versão portuguesa:

 

2.   By way of derogation from paragraph 1 of this Article, the Member States on the territory of which, on 18 July 2024, no new railway line is planned to be connected to the land border of another Member State according to Annex I, shall draw up a plan identifying the new railway line to be built in accordance with the European standard nominal track gauge of 1 435 mm … The plan shall include a socio-economic cost-benefit analysis justifying the decision of the Member State, where relevant, not to build new railway infrastructure to the European standard nominal track gauge of 1 435 mm and an assessment of the impact on interoperability. That plan shall be submitted to the Commission by 19 July 2026.

 

2.   Em derrogação do n.o 1 do presente artigo, os Estados-Membros em cujo território não exista, em 18 de julho de 2024, nenhum plano de construção de uma nova linha ferroviária de ligação à fronteira terrestre de outro Estado-Membro, de acordo com o anexo I, elaboram um plano que indique a nova linha ferroviária a construir, em conformidade com a bitola nominal da norma europeia de 1435 mm ...  O plano deve incluir uma análise dos custos e benefícios socioeconómicos que justifique a decisão do Estado-Membro no sentido de, se for caso disso, não construir novas infraestruturas ferroviárias em conformidade com a bitola nominal da norma europeia de 1 435 mm e uma avaliação do impacto na interoperabilidade. Esse plano é apresentado à Comissão até 19 de julho de 2026

 

 

 

Ora, como pode ver-se nos mapas do Anexo I, em julho de 2024 já estavam planeadas para ligações transfronteiriças Lisboa-Madrid, Lisboa-Porto e Aveiro-Viseu (core -2030); Viseu-Salamanca e Porto-Vigo (extended core - 2040); e Faro-Huelva (comprehensive - 2050) . Trata-se portanto de um plano determinado bem definido, não sujeito a ACB negativas.

O que o art.17.5 diz é que a pedido do Estado membro e em coordenação com o vizinho pode ser concedida uma isenção temporária de cumprimento da bitola europeia, mas sempre temporária, não definitiva (em notícia informal, anunciou-se a intenção da IP de pedir uma isenção temporária até 2040, o que obrigará a uma duplicação de custos, no início em bitola ibérica, em 2040 mudqança para bitola europeia com as perturbações de tráfego decorrentes, mais grave se troços em via única). [1]

 

É interessante ver o desvio de tradução: em vez de, relativamente a julho de 2024,  "no new railway line is planned to be connected to the land border"  a versão portuguesa diz  "nenhum plano de construção de uma nova linha ferroviária de ligação à fronteira terrestre".  De facto, em julho de 2024 não havia contratos para construção e respetivos planos de construção (à exceção de ÉvoraN-Caia que se insere no art.17.3). Trata-se portanto de um erro de tradução ou um ardil para apresentar uma ACB previamente orientada no sentido negativo (até porque omitindo os custos energéticos da reduzida quota modal ferroviária comparativamente com a rodoviária, ao arrepio do Green Deal) quando o regulamento 1679 não requer qualquer avaliação e ACB para as ligações transfronteiriças elencadas no Anexo I, mas apenas para os troços em bitola ibérica coincidentes com corredores internacionais conforme o art. 17.3.

 

No caso da versão inglesa, original, art.17.2:

“… the Member States on the territory of which, on 18 July 2024, no new railway line is planned to be connected to the land border of another Member State according to Annex I, shall draw up a plan identifying the new railway line to be built in accordance with the European standard nominal track gauge of 1 435 mm.”

parece -me correta a seguinte interpretação:

“... os Estados membros em cujo território em 18jul2024 não exista nenhuma linha prevista para ligação transfronteiriça diferente das previstas já no Anexo I (datas previstas: core 20230, extended core 2040 e comprehensive 2050) elaborarão um plano identificando essa nova linha para ser construida com bitola 1435 mm.” (o que seria aplicável à proposta nova linha Porto-Trás os Montes - Zamora, por exemplo).

 

Não foi essa a interpretação do tradutor para português, o qual abusivamente introduziu o termo “nenhum plano de construção” o que é diferente de linhas planeadas com indicação de datas objetivo no Anexo I.

 

Por curiosidade, vejam-se as traduções em francês, espanhol e italiano do art. 17.2:

 

·       Francês:

les États membres sur le territoire desquels, le 18 juillet 2024, il n’est pas prévu de relier de nouvelle ligne ferroviaire à la frontière terrestre d’un autre État membre conformément à l’annexe I, établissent un plan définissant la nouvelle ligne ferroviaire à construire conformément à l’écartement nominal standard européen de 1 435 mm.

 

·       Espanhol:

aquellos Estados miembros en cuyo territorio no esté prevista a 18 de julio de 2024 la conexión de ninguna nueva línea ferroviaria con la frontera terrestre de otro Estado miembro de conformidad con el anexo I desarrollarán un plan en el que se determine la nueva línea ferroviaria que se debe construir de conformidad con el ancho de vía nominal estándar europeo de 1 435 mm

 

·       Italiano:

 

gli Stati membri sul cui territorio, il 18 luglio 2024, non è prevista la connessione di una nuova linea ferroviaria alla frontiera terrestre di un altro Stato membro conformemente all'allegato I, elaborano un piano che individua la nuova linea ferroviaria da costruire con scartamento nominale secondo la norma europea di 1 435 mm.

 

 

Salvo melhor opinião, caso a avaliação enviada pelo governo português à Comissão Europeia/DG MOVE se baseou nos critérios do Ministerio de Transportes espanhol para uma “migração” ibérica-europeia, a ACB realizada deve ser revista e reduzida, no caso português, ao troço ÉvoraN-Caia[2], deixando em paz a rede ibérica existente que deverá permanecer independente da rede de bitola UIC  (exceto interligações locais com terceiro carril). A prioridade deve ser a execução das redes TEN-T do regulamento 2024/1679 .

 

 

 



[1] Transcrição do artigo 17 do regulamento 2024/1679:

European standard nominal track gauge for rail

1.   Member States shall ensure that any new railway line of the core network and the extended core network, including connections referred to in Article 14(1), point (d), provides for the European standard nominal track gauge of 1 435 mm. That requirement is considered to be met when 1 435 mm track gauge trains can circulate on the infrastructure by 31 December 2030 for the core network and by 31 December 2040 for the extended core network. For the purposes of this Article, new railway line means any line for which construction works have not started by 18 July 2024.

2.   By way of derogation from paragraph 1 of this Article, the Member States on the territory of which, on 18 July 2024, no new railway line is planned to be connected to the land border of another Member State according to Annex I, shall draw up a plan identifying the new railway line to be built in accordance with the European standard nominal track gauge of 1 435 mm. That plan shall take account of the impact on interoperability with the neighbouring Member State or Member States, by taking account of, notably, the possible migration of existing railway lines to the European standard nominal track gauge of 1 435 mm in accordance with paragraph 3 of this Article. The plan shall include a socio-economic cost-benefit analysis justifying the decision of the Member State, where relevant, not to build new railway infrastructure to the European standard nominal track gauge of 1 435 mm and an assessment of the impact on interoperability. That plan shall be submitted to the Commission by 19 July 2026.

3.   Member States with an existing rail network, or a part thereof, with a track gauge different from that of the European standard nominal track gauge of 1 435 mm shall carry out an assessment, by 19 July 2026, identifying the existing railway lines located on the European Transport Corridors in view of their possible migration to the European standard nominal track gauge of 1 435 mm. The assessment shall be coordinated with the neighbouring Member State or Member States in the case of cross-border sections. The assessment shall include a socio-economic cost-benefit analysis on the viability of the possible migration to the European standard nominal track gauge of 1 435 mm and an assessment of the impact on interoperability.

Based on the assessment under the first subparagraph, Member States shall draw up a plan for migration to the European standard nominal track gauge of 1 435 mm where relevant, at the latest one year following the completion of the assessment, identifying the existing railway lines located on the European Transport Corridors to be migrated to the European standard nominal track gauge of 1 435 mm and provide for an indication of the timeline of that migration.

First and second subparagraphs shall apply mutatis mutandis to the railway lines for which construction works have started on 18 July 2024.

4.   The priorities for infrastructure and investment planning resulting from the plans referred to in paragraphs 2 and 3 of this Article shall be included in the first work plan of the European Coordinator for a European Transport Corridor of which the freight railway lines with a track gauge different from that of the European standard nominal track gauge is part, in accordance with Article 54.

5.   At the request of a Member State, in duly justified cases, the Commission shall adopt implementing acts granting a temporary exemption from the requirements referred to in paragraph 1 for new railway lines of the core network and extended core network, or for part thereof, on the ground of negative results of socio-economic cost-benefit analysis. Any request for exemption shall be based on sufficient justification. The requests for exemption shall be coordinated with the neighbouring Member State or Member States in the case of cross-border sections. The neighbouring Member States may provide an opinion to the Member State requesting the exemption. The Member State shall attach the opinions of the neighbouring Member States to its request. A Member State may request the granting of several exemptions in a single request.

The Commission shall assess the request in the light of the justification provided as well as in terms of its significant impact on interoperability and continuity of the railway network, where relevant. The Commission shall take duly into account the opinions of the neighbouring Member States concerned.

The Commission may ask for additional information from the Member State no later than 30 calendar days following the receipt of request pursuant to the first subparagraph. If the Commission considers that the information provided is insufficient, it may ask the Member State to supplement that additional information within 30 calendar days from the receipt of that additional information.

The Commission shall take a decision on the requested exemption no later than six months following the receipt of the request pursuant to the first subparagraph or, in the event that further information has been provided by the Member States concerned pursuant to the third subparagraph, no later than four months following the latest receipt of such information, whichever is later. The decision shall indicate the period for which the exemption is granted.

The Commission shall inform other Member States of the exemptions granted pursuant to this Article.

 

[2]

No caso de Évora N-Caia deverá ter-se em consideração que os custos de compatibilização com os requisitos do regulamento não são apenas o da “migração” da bitola ibérica para bitola europeia, mas também os custos da duplicação da via , que nos viadutos incluem a construção dos tabuleiros para a segunda via

Também deverá considerar-se a hipótese de pagamento dos direitos de projeto do consórcio Elos, evitando-se o pagamento da indemnização transitada em julgado, em traçado de AV em bitola europeia de raiz diferente do traçado atual convencional e compatível com circulação noturna de mercadorias.

Eventualmente, dependente da localização das plataformas logísticas rodo-ferroviárias, poderão ser abrangidos pela avaliação e ACB do art.17.3 os troços coincidentes com o corredor atlântico sul e norte (estimativa 600km/6.000 milhões €):

- Poceirão-Bombel em fase de duplicação da linha convencional em bitola ibérica

- Setúbal-Poceirão-Évora N

-Leixões-Porto

-Entroncamento-Torre das Vargens-Caia

-Entroncamento-Guarda-Vilar Formoso


ARGUMENTAÇÃO DA RECUSA DA MIGRAÇÃO DA BITOLA PARA EUROPEIA

Argumento do Ministerio Transportes espanhol para recusar a migração de toda a rede convencional de bitola ibérica para europeia

Contra argumentação (não em defesa da migração global)

Transformação socioeconomicamente inviável e não aconselhável

 

Nem o regulamento 2024/1679 nem ninguém, nem em Espanha nem em Portugal alguma vez propôs a prazo curto ou médio a migração para bitola europeia de toda a rede de bitola ibérica. Trata-se portanto de um estratagema de mudança de objetivos para contrariar objetivos distintos como investir no corredor atlântico

 

Adaptação de 13.000km custaria até 30.000 milhões de euros

 

A rede ibérica da ADIF  e ADIF AV totaliza 11.053 km. Estimo que apenas 3.000 km (9.000 milhões de euros?) coincidem com corredores internacionais (condição em que o art 17.3 do regulamento 1679  obriga a uma avaliação para migração de ibérica para europeia) e grande parte obrigaria em vez de migração à construção de novos troços com pendentes inferiores a 1,2% e raios de curva inferiores a 5.000 m (o regulamento manda dar prioridade à integração das mercadorias nos corredores internacionais), isto é, o regulamento obriga muitas vezes a linhas novas e não à migração, são investimentos distintos

 

Período de obras de 30 anos

 

 

Estimativa excessiva considerando a menor extensão 3.000 km e parte de construção nova ou duplicação

 

 

Prejuízo pela perturbação de serviço da migração para bitola europeia

 

Estimativa exagerada até porque a construção das linhas novas não perturbam o tráfego das pré-existentes

 

 

 

 

ACB negativa com TIR negativa

Estranha-se o resultado, o que leva a considerar a hipótese de que a ACB não satifaz os requisitos regulamentares. Por exemplo, é provável que tenham sido omitidas poupanças nos custos energéticos, de emissões de CO2 e de congestionamento  rodoviário. Igualmente não terá previsto o crescimento do tráfego ferroviário em detrimento do rodoviário e o crescimento das exportações. Uma ACB para um investimento de 12.000 milhões de euros em Portugal para a construção dos cerca de 1000 km da parte nacional da rede TEN_T  com cofinanciamento comunitário de 40%, um crescimento de 3% ao ano e transferência de 30%  de carga rodoviária para a ferrovia, conduziu a uma TIR de 2,23% e uma relação benefícios/custos de 1,11.

Como contraste, a IP validou um relatório em 2014 que concluia por uma economia de 6% num transporte de carga Leixões-Paris se adotada a bitola europeia (12% para cruzamentos de comboios com 750m, 3% para ERTMS e 2% para 25kVAC) . E o  instituto Fraunhofer realizou em 2015  o estudo “Cost of non completion of the TEN-T”.

Aguardemos a análise do relatório pela DG MOVE (escrito em 30jul2026)

 

No corredor mediterrânico o custo de mudança de bitola ou de instalação de 3º carril é mais baixo (1800 Meuros) do que no corredor atlântico e evitará o custo de transbordo na fronteira Figueres-Perpignan do troço Tarragona-França (tunel de el Pertus) já com bitola europeia


Estranha-se o argumento, uma vez que o tráfego ferroviário no tunel de el Pertus é superior ao de Irun por o corredor atlantico ainda não dispor de percurso em bitola europeia (sofre inclusive de limitações de capacidade no percurso Hendaye-Dax-Bordeus  por obstrução do governo francês ao cumprimento do regulamento 1679). Isto é, como habitualmente, a ausencia de um investimento implica ausencia de retorno. De salientar a dinamismo das associações empresariais do corredor mediterrânico ( ver o site  https://elcorredormediterraneo.com/) em contraste com   a região da Estremadura, aliás a região de menor PIB de Espanha, até agora incapaz de entender a importancia duma ligação ferroviária interoperável à Europa para estímulo das exportações e fixação de investimento estrangeiro. Segundo aquele site, o investimento no corredor tem um retorno de 3,5 vezes.


Apesar de já existir um troço de 50km de 3º carril (bitola mista) em Pajares, Asturias, o relatório propõe a suspensão de instalações de 3º carril no corredor atlântico


Só pode estranhar-se a discriminação entre o corredor mediterrânico e o atlântico, com a agravante de neste último, ao adiar-se a aproximação da bitola euopeia dos portos portugueses está  colocar-se um travão ao crescimento das exportações por ferrovia para a Europa. Isto beneficia o setor da camionagem e do fabrico de intercambiadores e eixos variáveis (notar que não existem locomotivas para mercadorias de eixos variáveis e que o consumo específico de energia no veículo em Wh/ton-km  para o comboio, em linha conforme os requisitos regulamentares, é da ordem de 30  contra 120 do camião elétrico e 230  do camião de combustível fóssil). Atualmente (2025) Portugal exporta por modos terrestres para a Europa além Pirineus (1%!!! por ferrovia) 5,7 milhões de toneladas (para Espanha 11,1 milhões de toneladas) no valor de 28 mil milhões de euros (para Espanha 17mil milhões de euros) ou 800 camiões diários em Irun e 200 em La Jonquera. O tráfego espanhol em Irun e fronteira oriental foi estimado no relatório para cálculo dos 20 milhões de subsídios para o custo do transbordo e mudança de eixos no intercambiador de Irun em 30 comboios diários . Estimados 10.000 camiões diários em Irun e 11.000 em La Jonquera. Trata-se de estimativas que revelam um problema de sustentabilidade energética que na ACB do relatório deveria ter proposto uma transferencia de pelo menos 30% do tráfego rodoviário, incluindo o desenvolvimento de autopistas ferroviárias (transporte de semirreboques por comboio)

  

A instalação do 3º carril é complexa devido à necessidade de aparelhos de mudança de via

 

Estranha-se a utilização deste argumento técnico quando a instalação de aparelhos de mudança de via desviada para o lado oposto ao da fixação do 3º carril tem praticamente a complexidade dos aparelhos normais. Igualmente nos casos em que é suficiente uma velocidade baixa é económico o recurso ao sistema SINAV (suporte do 3º carril em “sapatas” intermédias entre as travessas normais) 

 

O relatório propõe os eixos variáveis


Compreende-se o interesse de desenvolvimento do sistema de eixos variáveis em que a ADIF já tem investido. Recentemente foi adjudicada a transformação de 16 comboios S106 Talgo para eixos variáveis. Deverá porém recordar-se que não existem locomotivas de eixos variáveis e que apesar da propaganda, tem havido problemas na AV com os comboios Talgo que não podem imputar-se apenas à infraestrutura. Como qualquer equipamento, o aumento da complexidade do sistema de eixos variáveis relativamente aos rodados fixos contribui para maior exigencia da manutenção e risco de menor fiabilidade. No caso dos comboios Talgo é uma discussão técnica, a complexidade das suspensões e das alavancas de controle das rodas independentes Talgo contra a simplicidade da conicidade da superfície de rolamento para centrar as rodas nos carris

O relatório propõe um subsídio de 20 milhões de euros anuais para o custo do transbordo ou mudança de eixos nas fronteiras


Ver comentário à suspensão da instalação do 3º carril no corredor atlântico contrariamente ao corredor mediterrânico criticando-se o protecionismo para desenvolvimento dos eixos variáveis em vez de desbloquear a ligação sem transbordos ou intercambiadores através da instalação de bitola europeia que permita as ligações entre os portos portugueses e espanhois e a Alemanha através do corredor atlântico potenciando o crescimento das exportações, a atração de investimento estrangeiro e a transferencia para a ferrovia de passageiros de ligações aéreas e de carga rodoviária

 

 

 

Argumentos da  IP

 

 

 

 

Contra argumentação

  


 

É necessária uma avaliação da migração de toda a rede ferroviária nacional para a bitola europeia incluindo análise de custos benefícios

 

Não. A regulamentação europeia não impõe a migração de toda a rede, apenas dos troços em bitola ibérica coincidentes com os corredores internacionais

Portugal justifica a opção ibérica no corredor internacional no caso da AV Porto-Lisboa com a  duplicação da capacidade da atual linha do Norte e servir cidades não previstas na rede TEN-T


Se o troço transfronteiriço a construir não estava planeado em julho de 2024 no Anexo I do regulamento 1679 este determina uma ACB para avaliação da viabilidade de construção em bitola europeia ou em ibérica (art.17.2);  se o troço coincide com o corredor internacional (caso ÉvoraN-Caia e Poceirão-Bombel) a  avaliação é apenas para fundamentar a bitola europeia (art.17.3). A regulamentação europeia não prevê a utilização das novas linhas TEN-T para duplicação de linhas de bitola diferente da nominal nem todo o serviço regional. Não parece assim justificada a bitola ibérica.


As opções técnicas da linha de AV Porto -Lisboa foram definidas antes do regulamento entrar em vigor.

 

Não. O regulamento 1679 que entrou em vigor em julho de 2024 substituiu o regulamento 1315 que já determinava que as linhas novas do mapa das redes TEN-T como Porto-Lisboa seriam em bitola europeia. Existe documentação da anterior comissária dos Transportes que clarifica que, qualquer que seja a bitola inicial, em 2030 ela deve ser europeia integrando a rede “core”. Investir de raiz em bitola ibérica significa custos adicionais de conversão

 

Portugal pretende pedir uma isenção para derrogação da bitola europeia até 2040

 

O art.17.5 do regulamento 1679 admite isenções mas sempre temporárias  e em coordenação com o Estado membro vizinho. Embora a linha AV Plasencia-Badajoz esteja em ibérica, a nova ligação Navalmoral de la Mata/Oropesa a Madrid está prevista em bitola europeia. Isto obriga, se não se mudar a bitola ibérica, a material circulante de eixos variáveis de fabricante único com o inconveniente de afetar o livre acesso de operadores. Entretanto, a implementing decision de outubro de 2025 fixou 2034 como limite para a compatibilidadde da linha AV Lisboa-Madrid com todos os requisitos regulamentares. Também Porto-Vigo, enquanto troço transfronteiriço da rede “extended core” tem a data regulamentar de 2040. É portanto possível que a IP tenha convencido a DG MOVE à isenção 2034 para Lisboa-Madrid e 2040 para Porto-Vigo, assunto a confirmar

 

O Ministério dos Transportes português considera que são vários os fatores de interoperabilidade

 

Sendo verdade a diversidade de fatores de interoperabilidade , comprimento mínimo de comboios 740m, declive máximo 1,2%, velocidade 200km/h em AV e 120 km/h mercadorias, ERTMS/FRMCS, 25 kVAC, bitola 1435 mm, dizer que os outros fatores além da bitola são “frequentemente mais determinantes para a concretização do objetivo de interoperabilidade” é uma forma tendenciosa de desvalorização do argumento da bitola por mais um recurso ao estratagema de Scopenhauer de mudança de tema, especialmente quando, como refrido acima, a própria IP validou um relatório em 2014 que concluia por uma economia de 6% num transporte de carga Leixões-Paris se adotada a bitola europia (12% para cruzamentos de comboios com 750m, 3% para ERTMS e 2% para 25kVAC) . Recorda-se ainda o estudo do instituto Fraunhofer de 2015 “Cost of non completion of the TEN-T”.

 

 

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Acidente mortal em passagem de nível em Lancashire, UK em 15jun2026

 

https://www.railmagazine.com/news/barriers-were-raised-at-scene-of-fatal-level-crossing-collision

A particularidade deste acidente é de que a investigação concluiu que as barreiras estavam levantadas e as luzes avisadoras não acenderam, o que é obviamente inaceitável. 

O registo de outros  acidentes recentes                                         https://fcsseratostenes.blogspot.com/2026/05/26-de-maio-de-2026-mais-um-acidente-com.html   

mostra que o tempo entre a chegada do comboio à passagem de nível e o fecho das cancelas e início do aviso  pode ser demasiado curto, não deixando tempo a quem iniciou a travessia antes do fecho das cancelas para a concluir.

Embora seja um investimento elevado (não no caso de Lancashire), deveria ser obrigatório por força de intervenção da Comissão Europeia, a substituição de todas as passagens de nível porque a velocidade dos comboios é incompatível com a partilha das PN com a rodovia.

Por cá, continua o martírio, mais cinco vítimas em dois meses,                           https://omirante.pt/sociedade/2026-07-25-cinco-atropelamentos-ferroviarios-na-regiao-em-pouco-mais-de-dois-meses-f64b7c7b                                                                                                                    ignorando-se se atropelamento ou suicídio  mas, atendendo ao elevado número, parecerá tratar-se de acidentes devidos à configuração da infraestrutura. Sem menosprezo pelo profissionalismo dos colegas que trabalham no planeamento das possíveis soluções, que deveria ter sido suportado pelo PRR,    https://www.infraestruturasdeportugal.pt/pt-pt/plano-para-reducao-da-sinistralidade-em-passagens-de-nivel-2024-2030                                                                                                                                                a situação é intolerável.


terça-feira, 21 de julho de 2026

Breves crónicas de Dona Inércia e Dona Opaca

A frustração de Dona Inércia e Dona Opaca com o Mundial de futebol 10jul2026

Não me refiro ao mundial nos USA, mas ao mundial de 2030. Dona Inércia e Dona Opaca já não devem ter de providenciar burocracias e outras dificuldades para que a Alta Velocidade ferroviária entre Badajoz, Lisboa e Porto não consiga estar pronta em 2030. Já se notam atrasos na execução daquela "implementing decision" que a tia de Bruxelas nos mandou em outubro de 2025 para acelerar o Lisboa-Madrid. Ele é falta de certificações, ele é sistemas de sinalização que não combinam, ele é bitolas diferentes, ele é comboios que não llegan, ele é terceiras travessias engasgadas ... O que quer dizer que muito sustentavelmente quem de Madrid queira dar um salto a Portugal para ver alguns jogos ou virá de avião ou então apanha um autocarro. Lá se vai o marketing da sustentabilidade do comboio. 

Que tal revogar as resoluções 98/2024 AR e 77/2025 RCM ?   (deixo ao leitor o cuidado de as ver na internet - https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/resolucao-assembleia-republica/98-2024-895836363                     https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/resolucao-conselho-ministros/77-2025-915239713   )



Dona Inércia e Dona Opaca divertem-se com o sistema eleitoral
14jul2026

Dona Inércia tomava chá numa esplanada com Dona Opaca e ria-se muito. Que tinha lido numa carta ao director o lamento de um cidadão, que ninguém ligava aos esforços de quem alertava para as inconformidades do atual sistema eleitoral e que a Constituição é muito clara, que converter votos em mandatos de deputados tem de respeitar a proporcionalidade. Seja lá o que isso for, comentava alegremente a Dona Opaca, que não convém muita matemática quando as coisas correm como gostamos. Pois é, já viu, repontava Dona Inércia, para um partido poder governar, cada deputado só precisou de 20.000 votos, mas partidos houve, coitados, que tiveram mais de 80.000 votos e não elegeram nenhum deputado ou conseguiram apenas um. É a governabilidade, sublinhava Dona Opaca, mas a gente não tem que dizer aos eleitores que é a proporcionalidade que devia prevalecer, aliás, já diziam os romanos, os lusitanos não se sabem governar. E especialmente não podemos dizer-lhes que o número de círculos eleitorais tem de ser reduzido e que se o sistema eleitoral respeitasse a Constituição a distribuição de deputados seria diferente e o governo não poderia fazer o que tem andado a fazer. Mas podemos estar descansadas, olhe por exemplo, há mais de 5 anos que a lei de bases do clima foi aprovada, e o Parlamento ainda não nomeou o conselho para a ação climática. Podemos estar descansadas. E contentes acabaram o cházinho e de braço dado desceram a rua movimentada, cheia de felizes turistas.



Dona Inércia e Dona Opaca às voltas com a regionalização
16jul2026

Dona Inércia e Dona Opaca foram de férias. Apanharam um autocarro expresso porque ouviram dizer que o ar condicionado dos comboios não andava bem e depois de uma viagem em que tiveram de lidar com o pé da passageira do banco de trás que se enfiou entre os dois assentos e com os pulos da pequenita da mesma passageira, agarrada às costas do banco de Dona Inércia, desembarcaram no Algarve. E como são umas senhoras atentas à realidade nacional, a viagem despertou-lhes os malefícios da desigualdade do PIB per capita nas várias regiões do país (só Lisboa, Algarve e Madeira acima da média nacional, e em todas as regiões, menos uma, inferior à média europeia. Dizia Dona Inércia que por um lado é preocupante já haver tanta gente a falar da regionalização como reforma necessária, mas por outro lado, podemos estar tranquilas. Porque como tantas outras reformas que têm sido feitas por "sucessivos" governos, as quais são mais contra-reformas para ficar tudo como já estava num passado mais ou menos longínquo, há sempre "erros inevitáveis", e porque "tem de se arriscar, tem de se ousar", como dizem os dinâmicos reformistas. Dona Opaca concordava, que uma regionalização a sério daria muito trabalho, exigiria organização e planeamento e especialmente transparência, e não era isso que nem Dona Inércia nem Dona Opaca quereriam. Por exemplo, num território continental com 18 distritos o correto seria reduzir o seu número e o número de NUTs (regiões administrativas com autonomia, para utilizar a designação da tia de Bruxelas), e também o número de câmaras municipais. Mas também não é isso que os poderes locais andam a reivindicar, para tranquilidade de Dona Inércia e Dona Opaca.


A transparência atacou Dona Opaca     
18jul2026

Dona Inércia acordou com o telefonema matutino de Dona Opaca que, indignada, vociferava contra a iniciativa da Investigate Europe. "Uma coisa nunca vista, indecente mesmo, que nunca deveria ter sido divulgada - dizia sem papas na língua - as coisas que realmente interessam às pessoas e à sua felicidade devem manter-se confidenciais, dado o seu interesse público". Dera-se o caso de o grupo de jornalistas da Investigate Europe Secrecy Tracker, com experiência na dificuldade de acesso a certos assuntos da União Europeia, terem divulgado na sua newsletter de julho de 2026 essa mesma dificuldade de acesso. Foram exemplo dessa política oficial da UE contrária à transparência:  alguma interpretação mais permissiva da diretiva anti-lavagem de dinheiro e registo de património e rendimentos, escapatórias ao regulamento 1049/2001 de acesso público a documentos, ocultação de interesses financeiros de juízes do CJEU (Tribunal de Justiça da UE)  a companhias privadas, ocultação dos valores de bens destruidos em Gaza construidos com financiamento da UE, ameaça de limitação da lei de liberdade de informação alemã, divergencias entre a Ombudswoman e a Comissão Europeia sobre a divulgação de mensagens entre lideres.
Ora bem se vê que a Dona Opaca não gosta da Investigate Europe.