A propósito dos comentários do comandante Correia Guedes sobre o incidente do avião da TAP em Praga e de outro incidente no Brasil, refiro a posição do Governo sobre prescindir do objetivo de 45 movmentos/hora no AHD e implicitamente desistir do prolongamento do taxiway, justificando que os benefícios da obra (que seriam entre outros a redução do risco por cruzamento da pista) são inferiores aos custos.
fcsseratostenes
terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
Ponto da situação do aumento da capacidade do AHD em fevereiro de 2026
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
Exportações de bens em 2025
O desenvolvimento de uma rede ferroviária em Portugal integrada na rede europeia, com as características de interoperabilidade para Alta Velocidade e mercadorias é uma questão indispensável a médio prazo para o crescimento das exportações de bens para a Europa além Pirineus.
Isso mesmo foi já expresso aos decisores Governo (MIH) e IP, mas não creio que em tempo útil mudem a posição de conservação da bitola ibérica na rede ferroviária, a existente e as novas linhas. Talvez porque a situação atual até parece ter futuro para os atuais operadores que poderão expandir o seu mercado, tal como em Espanha (que ainda tem a maioria do tráfego na rodovia com a quota modal da ferrovia entre 5 e 7%), com a transferência da carga rodoviária para a ferrovia, mas sempre dentro da península, sem os concorrentes estrangeiros.
O caso da Medway é sintomático, tem comboios de bitola europeia do lado de lá dos Pirineus, e comboios de bitola ibérica do lado de cá; estão com o problema do STM/CONVEL, mas também têm locomotivas para circular em Portugal e outras com ETCS para circular em Espanha.
Aos operadores em ação em Portugal convem-lhes deixar estar, desde que lhes consertem as linhas existentes e reduzam a taxa de uso. Eis um exemplo de como o interesse duma empresa pode não ser o interesse nacional.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026
A ferrovia tem de se preparar para o agravamento do clima, caso do acidente na Catalunha
Imagens dos danos nas vias férreas da tempestade Kristin em 28jan2026 em Portugal:
https://share.google/WfHPR916gCM4ySvOa
na Catalunha em 19jan2026
| ameaça à ferrovia da costa de Barcelona |
A necessidade de preparação da ferrovia para os eventos extremos tem sido tratada neste blogue:
domingo, 8 de fevereiro de 2026
Morte do revisor de comboio Serkan C
Em memória de Serkan C, cidadão turco emigrante na Alemanha, revisor num comboio regional na região de Berlim, assassinado em 4fev2026 por um passageiro grego residente no Luxemburgo, que numa fiscalização reagiu violentamente por não ter bilhete.
Uns defendem a diversidade, a inclusão e o direito ao trabalho. Outros querem o uso da força para dominar o próximo. Este é mais um exemplo da desorganização da sociedade com grande défice no sistema educativo, nas garantias de bem estar e incapaz de prevenir e corrigir os desvios anti-sociais.
Como reconhecido pelo ministro dos transportes alemão, os empregados do caminho de ferro que contactam os passageiros exercem serviço público e devem ser protegidos. Mas a sociedade precisa de corrigir o seu sistema de organização, de acabar com a competição do "chacun pour soi".
sábado, 7 de fevereiro de 2026
Pouco depois da tempestade Kristin, em 28 de janeiro de 2026
Poucos dias depois da tempestade Kristin, o cronista manifestou o seu desapontamento, no meio das dificuldades na reação à extensão dos danos, com as limitações das rádios locais, da imprensa regional, com as dificuldades do seus profissionais em rapidamente divulgar o desastre em cada região.
https://www.publico.pt/2026/02/03/opiniao/opiniao/tempestade-noticias-porta-2163520
É na verdade frustrante
ver a “desertificação noticiosa do país ... o relatório do Labcom da Universidade
da Beira Interior ... 83 concelhos sem jornalistas de rádio nem imprensa
periódica”, as limitações das rádios locais, da imprensa regional, a insuficiência
de profissionais. Mas talvez ainda haja solução.
Será que
ajudaria dar mais atenção ao ordenamento do território? Lendo por exemplo o
PNPOT (Plano nacional de Ordenamento do Território) e o que a regulamentação
europeia tem na tentativa de que a passemos à prática, por exemplo, na questão
da mobilidade que é um fator essencial na coesão do território, o regulamento 2024/1679?
Diz o PNPOT
que devemos ter um território policêntrico. Então desenvolvamos cidades que
ajudem a desenvolver as regiões, cada região com a sua ou suas cidades dinamizadoras.
Pelo seu
lado, a regulamentação europeia manda
fazer planos de mobilidade sustentável em torno dos seus núcleos urbanos de
mais de 100.000 habitantes e sua ligação a aeroportos, portos marítimos/fluviais e terminais rodo-ferroviários.
Talvez fosse boa ideia reduzir o número de
distritos, poucas NUTII, não pensar só em criar NUT II para recolher subsídios.
E reduzir o
número de concelhos (Portugal continental com 308 concelhos?!). Há o risco de
estar a reforçar o caciquismo, mas há meios para o evitar, equilíbrios e
contrapesos, como dizem os anglo-saxónicos, ou sistemas independentes de
qualidade, como se usa nas grandes empresas, ou processos de análise e
desenvolvimento coletivos, ou simplesmente acionar o art.48 da CRP.
Conviria
até reduzir o número de círculos eleitorais e assim dar mais voz aos pequenos
partidos, da diversidade quando se cumprem as regras da cooperação resultam
progressos.
Tudo isto é
difícil, num país em que pouco importa a capacidade de planeamento, de organização,
de execução e de monitorização do desempenho, mas talvez ainda haja solução.
Esquecer o
assunto é que não.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026
Depois da notícia da inauguração da autoestrada ferroviária Valencia-Entroncamento e da ligação ferro-marítima Alfarelos-Barcelona-Istanbul
https://www.transportesenegocios.pt/ae-ferroviaria-valencia-entroncamento-ja-opera/
https://www.transportesenegocios.pt/klog-liga-alfarelos-a-istambul/
sábado, 31 de janeiro de 2026
Sobre as barragens após a tragédia da tempestade Kristin
segunda-feira, 26 de janeiro de 2026
Acidente de Adamuz - comentário à nota preliminar do CIAF
Saúdo a divulgação da nota pela CIAF através do jornal El País, sublinhando os agradecimentos e a apreciação muito positiva das entidades envolvidas nela contidos. Destaco os seviços de emergencia, a Guardia Civil na recolha de imagens e a solidariedade de muitos.
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a nota do CIAF refere apenas a fratura f1, mas também refere que no local da rotura do carril se encontrou um pedaço de carril solto de cerca de 40 cm . Também não refere por que o troço de carril a seguir à travessa C se deitou para o lado direito; uma hipótese seria por choque de roda da carruagem 6 com o topo do carril, deformando-o e arrancando-o das fixações; ou embate lateral dos rodados em movimentos de lacete (oscilação das carruagens de um lado para o outro) ATT - ver desenho corrigido mais abaixo em função de nova fotografia da zona das fraturas![]() |
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| o troço de carril deitado desde a rotura na soldadura até junto da ponta da lança curva da agulha em zona de nova fratura f3 . A qualidade da foto não é boa (tirada de um video da Guardia Civil) mas sugere também a hipótese de abatimento de via por infiltrações e arrastamento de inertes |
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| A fratura f1 ter-se-á formado conforme descrito na nota do CIAF (abaixamento do carril sobre a travessa B e sobreelevação do carril a seguir à soldadura) induzindo a fratura f2 arrancando a porção assinalada a cinzento escuro por pressão dos rodados sobre a ccabeça do carril. Ter-se-á seguido a sobreelevação da cabeça do carril por pressão dos rodados entre as travessas C e D e consequente deslocação do carril e arrancamento das fixações e torção do carril até à fratura f3 junto da ponta da lança da agulha |
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| Flexão do carril á esquerda, colisão com o carril da direita; para além da compactação constante do balastro ou a instalação em via betonada, aparentemente a soldadura deverá ser calçada para evitar a flexão (placas e blocos fixados ao carril tipo SINAV, por exemplo) |
PS em 2fev2026 - informação sobre os períodos de inspeção nas linhas de AV (última inspeção com ultrasons com o comboio-laboratório Seneca terá sido realizada em 10nov2025, última auscultação geométrica em 13out2025, última medição dos parâmetros dos aparelhos de mudança de via em 7jan2026 e reduzido o limite de velocidade a 250km/h tal como na linha Madrid-Barcelona por deteção de vibrações), sobre testemunhos sobre a necessidade de melhorar o investimento e os procedimentos na manutenção e inspeção, e sobre os comboios-laboratório:
segunda-feira, 19 de janeiro de 2026
Acidente na linha de Alta Velocidade Cordoba-Madrid em 18 de janeiro de 2026
Sentidas condolencias aos familiares as vítimas mortais e votos de recuperação dos feridos. Para quem como eu deseja uma rede europeia de AV também em Portugal servindo o interesse das comunidades, um acidente deste tipo é profundamente chocante.
No momento em que escrevo estão confirmadas 21 mortes (subiu para 45 à data de 23jan2026). Certamente que as causas serão esclarecidas e divulgadas. Sabe-se como ocorreu o acidente. O comboio Iryo (fabrico Hitachi-Alstom, ex Bombardier da companhia italiana TreneItalia) terá descarrilado as duas últimas carruagens junto da estação técnica de Adamuz, a cerca de 26km a norte de Cordoba, no sentido para Madrid. Essas carruagens (uma carruagem simples e uma motora na retaguarda da composição) colidiram com um comboio da Renfe Alvia que ligava Madrid a Huelva provocando o descarrilamento deste caindo por um taludede cerca de 4m. Como hipótese não confirmada, poderá ter havido uma interferência entre algum rodado com falha ou peça do comboio Iryo com algum componente da agulha ou falha desta. Só o inquérito poderá esclarecer.
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| troço da linha de AV entre Cordoba e arredores de Adamuz |
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| em 20janeiro2026 substituição de figura inicial com posição relativa dos comboios acidentados aproximadamente conforme video da Guardia Civil (colisão cerca de 500m a sul do edificio técnico) https://www.ondacero.es/noticias/sociedad/que-sabe-rotura-rail-23117-punto-mira-investigadores-tragedia-adamuz_20260120696fab6cf21351044da32bb7.html?utm_module=explore |
PS em 19jan2026 - A cerca de 500m para norte do provável local do acidente encontra-se um edificio técnico para controle dos aparelhos de mudança de via. Existe um aparelho de mudança de via com lanças de ponta a cerca de 370m a sul do local provável do acidente, sendo provável que tenha sido aí que o descarrilamento das duas carruagens da cauda do comboio Iryo se tenha iniciado. Sendo a última motora, os bogies são mais complicados, pondo-se a hipótese de avaria nos rodados ou nos bogies ou nos motores, o que só poderá confirmar-se se tiverem ficado vestígios na via. Se foi assim, é a repetição dum acidente com um ICE na Alemanha, com uma roda defeituosa ou no túnel de S.Gotardo com uma roda partida. Se foi assim confirma-se a necessidade do material circulante dispor de sensores que detetem o defeito e automaticamente desencadeiem a paragem. Tambem terá de ser investigada a hipótese de defeito no aparelho de via ou na via e análise dos planos de manutenção (a via tinha sido renovada há cerca de um ano). Mas confio que o inquérito com as recomendações será divulgado em tempo útil.
PS em 21jan2026 - Numa das imagens seguintes pode ver-se a fratura do carril direito a cerca de 880m para sul do edifício técnico e da posição final da última carruagem do comboio Iryo. Analisadas as imagens, parece que a origem do descarrilamento estará aí, seguindo-se o "enganchar" na lança do aparelho de mudança de via de bogies descarrilados em consequencia do buraco dessa fratura, concretizando o descarrilamento das 3 últimas carruagens (que a seguir foram embatidas pelo comboio RENFE) e o desprendimento do troço seguinte de carril das respetivas fixações à via.| em primeiro plano o comboio Alvia da RENFE; em cima à direita o edifício técnico de Adamuz e o comboio Iryo; video da Guardia Civil |
| foto da Guardia Civil sem video do carril partido ao km318,7; estimo o início do aparelho de via a cerca de 10m para a esquerda, no sentido de Madrid; só após a investigação do CIAF se poderá dizer a causa da fratura (fragilidade da junta soldada? influencia da contração por temperatura baixa extrema? inserção entre roda e carril de obstáculo externo ou peça caída de carruagem ou vibração de lacete extrema por deficiência de roda?; notar que foi exercida pressão contra o carril a seguir à fratura que o desprendeu das fixações de via; notar que os danos da via estão localizados em pequena extensão, antes da colisão; muito provável, a seguir ao choque de sucessivos rodados nesta zona eles tenham "enganchado" na lança curva do aparelho de mudança de via desviando as 3 últimas carruagens para o gabari do comboio RENFE na via contrária |
| imagem de um video de 29s da Guardia Civil junto do início do aparelho de mudança de via (sentido para a esquerda para Madrid) |
| imagem do mesmo video 15s depois da anterior, vendo-se as lanças deformadas do aparelho de via, cuja deformação não foi provocada pela colisão com o comboio da RENFE; ao fundo a penúltima carruagem do comboio RENFE atravessada a toda a largura das vias, estando o local da colisão por trás da posição dessa carruagem; notar o carril deitado arrancado das fixações; o sentido na foto é o do comboio Iryo para Madrid |
| foto do final do video de 29s ; a via da esquerda é a afetada pelos choques seguintes à passaagem pela fratura do carril e o sentido do comboio Iryo era da direita oara a esquerda; estimo a distancia ao local da colisão em cerca de 370m para a esquerda |
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| estimativa das distancias com base nos videos e no Google Earth (nomeadamente para as dimensões e localização do aparelho de via); a informação sobre os pontos quilométricos é oficial da ADIF para o edificio técnico, e da comunicação social para o local da fratura do carril |
| distancias conforme o Googl Earth em função da informação dos videos da Guardia Civil; local da colisão estimado com base nas respetivas imagens de deformações da via e da posição final do comboio RENFE |



















