sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

O talhante qualificado, novamente

Caríssimo cronista do DN, Ferreira Fernandes, e Exmo Senhor diretor do DN

Peço desculpa, porque o assunto já está muito conversado.
Mas precisamente por isso, por nas suas duas crónicas sobre os talhantes (http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=2221785 ), aliás excelentes, como de costume, ter dito que "ninguém ligou" ao desabafo do senhor merceeiro sobre a falta de talhantes, não resisti.
Ora, se tiver a pachorra de seguir o link, verá que também pensei nisso na altura.
Claro que eu ter ligado ou não ter ligado é o mesmo, mas não me queixo de não me ligarem, queixo-me  de, efetivamente, no nosso país termos muita dificuldade em nos organizarmos para resolver problemas.

No fundo, estou a contrariá-lo (ainda bem, não há nada como iluminar o problema de ângulos diferentes; ninguém pode garantir que é ele que tem razão e os outros não), possivelmente por no meu bairro haver muitos talhos e não parecer haver falta de talhantes qualificados.
Mas como digo no meu escrito, palpita-me que há falta de dados suficientes para diagnosticar e passar a receita.
Outro defeito do nosso país, como aliás refere quando fala nos "bitaites", que são o contrário dos dados concretos (e certamente que o senhor merceeiro dispõe de uma base de dados reais invejável e que devia ser aproveitada, não ironizo).

Finalmente, concordo que o facto : "é arrasador sobre a política educativa portuguesa que em décadas de ensino desfasado com a realidade não formou os profissionais necessários".
Mas permito-me acrescentar que as "reformas" da educação de que muito se falou contra os interesses instalados se integraram perfeitamente nesse desfasamento da realidade (confesso que não tenho dados para me pronunciar sobre a política do atual ministro).
Apenas dei 7 meses de aulas numa escola profissional de eletrónica, a Fonseca Benevides, há muitos anos. E consta-me que o seu ensino sempre foi de nível e válidos os profissionais que de lá saíram ao longo dos anos.
Digamos que nesta profissão, os técnicos vão trabalhando nos seus setores restritos, não têm protagonismo político nem mediático, mas a verdade é que sempre foi havendo escolas profissionais (claro que deveria ter havido um ensino profissional a sério mais generalizado).
Quanto à política educativa portuguesa, sou casado com uma professora já reformada, e posso garantir que pelo menos ela e a irmã bem lutaram contra a dita e contra as ditas "reformas".
Mas em vão.
Agora, resta-nos esperar, dado que a tal capacidade de participação e organização no nosso país, para resolver problemas, é limitada.

Peço mais uma vez desculpa pelo tempo tomado e gostaria de lhe transmitir o meu apreço pelo seu trabalho, mesmo quando não concordamos.

Os meus cumprimentos

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