sábado, 23 de março de 2013

Ouvido na Antena 2: Prefiro rosas, meu amor, à pátria


Ouvido na Antena2, no dia internacional da Poesia:

Prefiro Rosas, meu Amor, à Pátria

Prefiro rosas, meu amor, à pátria, 
E antes magnólias amo 
Que a glória e a virtude. 

Logo que a vida me não canse, deixo 
Que a vida por mim passe 
Logo que eu fique o mesmo. 

Que importa àquele a quem já nada importa 
Que um perca e outro vença, 
Se a aurora raia sempre, 

Se cada ano com a primavera 
As folhas aparecem 
E com o outono cessam? 

E o resto, as outras coisas que os humanos 
Acrescentam à vida, 
Que me aumentam na alma? 

Nada, salvo o desejo de indiferença 
E a confiança mole 
Na hora fugitiva. 

Ricardo Reis, in "Odes" 
Heterónimo de Fernando Pessoa


Ainda existe serviço público na rádio, agora que os nibelungos que nos governam e à cultura entendem sinergias como maneiras de gastar menos e de baixar a qualidade.
No programa da Antena 2 falou-se da casa de Fernando Pessoa e da introdução de tecnologias visuais eletrónicas, um totem, até jogos (Fernando Pessoa a tentar agarrar Ofélia, ou só a fingir que queria agarrá-la, sabendo-se que Ofélia nem se importaria).
E afirmou-se uma coisa interessantíssima: que Fernando Pessoa, educado em criança na língua inglesa, pensava em inglês e escrevia em português.
Por isso foi inovador.
De facto, a língua portuguesa não é a ideal para a expressão clara de ideias e conceitos e terá provocado desvios de insuficiência de pensamento aos portugueses ao longo dos séculos.
É uma hipótese com muitos exemplos históricos a confirmá-la… com a atualidade a confirmá-la, desde a preferencia por discutir os comentadores em detrimento do estudo e análise das questões por eles comentadas para se pensar pela própria cabeça, de preferir as discussões bizantinas ao trabalho de equipa.
É isso, Fernando Pessoa como saída da crise.

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