quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Jorge de Sena, “tudo o que laboriosamente pilhais”





Recordando P.P.Coelho, na campanha eleitoral em 19 de abril de 2011, a propósito dos cortes progressivos de 3 a 16% sobre as pensões superiores a 1500 euros, no PEC IV. Em Setembro de 2013, propõe-se cortar 10% em pensões de 600 euros:

“Todos aqueles que produziram os seus descontos e que têm hoje direito as suas reformas ou às suas pensões deverão mantê-las no futuro, sob pena do Estado se apropriar daquilo que não é seu”

Fala de Camões aos contemporâneos:

Podereis roubar-me tudo:
as ideias, as palavras, as imagens,
e também as metáforas, os temas, os motivos,
os símbolos, e a primazia
nas dores sofridas de uma língua nova,
no entendimento de outros, na coragem
de combater, julgar, de penetrar
em recessos de amor para que sois castrados.
E podereis depois não me citar,
suprimir-me, ignorar-me, aclamar até
outros ladrões mais felizes.
Não importa nada: que o castigo
será terrível. Não só quando
vossos netos não souberem já quem sois
terão de me saber melhor ainda
do que fingis que não sabeis,
como tudo, tudo o que laboriosamente pilhais,
reverterá para o meu nome. E mesmo será meu,
tido por meu, contado como meu,
até mesmo aquele pouco e miserável
que, só por vós, sem roubo, haveríeis feito.
Nada tereis, mas nada: nem os ossos,
Que um vosso esqueleto há-de ser buscado,
Para passar por meu. E para os outros ladrões,
Iguais a vós, de joelhos, porem flores no túmulo.





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