quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Sobre incêndios

Bom, há o relatório da GNR sobre os incêndios florestais no 1º semestre de 2012.
Merece-me confiança.
O sentimento de desconfiança escondida que os senhores ministros do interior e da defesa manifestam relativamente à GNR não é partilhado por este cidadão.
Toda a estatística não consegue fugir à regra de que, como entidade matemática que é, é uma abstração que pode ser um modelo da realidade mas que só a simula por aproximação.
Mas este é outro sentimento que não deve ser partilhado entre mim e os senhores governantes.
Provavelmente por grande divergência na nossa formação académica.
Mas a estatística é também um sistema de dados que merecem análise.

Nº de fogos …………………………………. 9400 ……. 100%
Nº de fogos por negligencia ……….…………5800 …….. 62%
Nº de fogos postos …………….……………. 1100 …….. 11%
Nº de fogos por causas naturais ……………. 8
Nº de fogos por causas não determinadas ….. 2400 …….. 25%

De notar que os incêndios por negligencia aumentaram relativamente a 2011, e o numero de casos de fogo posto baixou, assim como o numero de incêndios por causas não apuradas.

Perante isto, insisto em análises anteriores:

1 – embora seja um caso a merecer tratamento, o fogo posto não tem a dimensão que o justiceirismo e a fome de pelourinho querem fazer crer

2 – por negligencia entende-se fazer uma queimada em dia de vento e calor, atirar um cigarro ainda aceso para o campo, ou produzir carvão vegetal sem vigilância e sem meios de combate ao fogo por perto …

3 – é muito pequena a percentagem de floresta pública e muito difícil coordenar as ações de proteção entre uma miríade de proprietários; mas tudo seria mais fácil se ao nível de freguesias e câmaras municipais houvesse equipas de técnicos e prevenção de fogos florestais e, ao nível central ou regional, gabinetes de estudo para implementação de medidas de proteção (por exemplo, limpeza dos baldios, alimentação de centrais de cogeração com biomassa, produção de carvão vegetal); porém, a orientação do governo é a de não admitir pessoal que não seja para fiscal das finanças;

4 – a percentagem de hectares ardidos nas florestas que alimentam as grandes produtoras de papel no pais é muito menor do que nas outras florestas

5 – a gravidade dos incêndios é consequência de duas circunstancias principais:
5.1 – a desertificação do interior (fechar escolas, linhas de caminho de ferro e urgências de saúde é desertificar o interior; o que se poupa com os fechos é mais do que o que se gasta em transportes para os elementos centrais e do que se perde com os incêndios?)
5.2 – a insuficiência dos meios aéreos disponíveis (a eficácia dos Canadair é muito superior à dos helicópteros pesados e dos aviões ligeiros envolvidos).

Seria pois muito interessante que os números referidos em 5.1 fossem determinados e revelados pelo governo, e que se comparassem os prejuizos dos incêndios com o diferencial de custos do aluguer dos Canadair relativamente aoaluguer dos outros meios. .

Mas o verão vai passar num instante, e as chuvas do Outono vão fazer esquecer o pesadelo.

O pesadelo e a incapacidade dos decisores de interpretarem uma estatística.

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