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sábado, 14 de dezembro de 2013
Fim de outono
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sábado, 28 de setembro de 2013
Voltando ao tema dos incêndios: a metáfora de “Eu pensava que era com água que se apagavam fogos”
No programa Olhos nos Olhos de Judite de Sousa e Medina Carreira dedicado aos incêndios e à prevenção florestal, este ultimo teve um desabafo curioso quando o técnico florestal criticou que nas reportagens televisivas se viam mais mangueiras do que máquinas de arrasto : “Eu pensava que era com água que se apagavam os fogos” .
O técnico pretendia destacar a importância do trabalho de prevenção dos GIPS/GNR, mas a afirmação de Medina Carreira pode também ser utilizada como uma metáfora.
Economistas como ele têm capacidade para diagnosticar situações que conduzem à catástrofe da economia, mas revelam desconhecimento sobre o funcionamento das coisas, e como as coisas podem funcionar para evitar as catástrofes.
Como já foi tratado neste blogue, a cultura económico-financeira tem muita dificuldade em apreender a cultura físico-matemática.
É extremamente grave afirmar-se na televisão que se pensava que era com água que se apagam fogos.
Não culpo quem o diz, o que digo é que revela o falhanço generalizado da educação da população numa cultura de segurança.
O melhor exemplo é imaginar o deflagrar de um incêndio num posto de abastecimento de gasolina.
Devia estar automatizado no cérebro de todos que o inicio de um incêndio desses não se apaga com água.
Apaga-se por abafamento (ou com extintor de espuma não de água, ou abafando o incêndio com um cobertor).
Esta a razão por que se vê na televisão grupos de pessoas armados com ramos de arbustos a tentar conter os fogos, abafando com eles as chamas por falta de oxigénio comburente.
O incêndio desenvolve-se com:
- combustível (madeira, resina dos pinheiros, palha),
- comburente (o oxigénio do ar ou do vapor de água que pode vir da própria água das mangueiras )
- calor (associado à ultrapassagem da temperatura de ignição).
A ideia dos contrafogos (tática extremamente perigosa provavelmente responsável pela morte dos 8 bombeiros e do presidente de junta) pretende diminuir a carga combustível do incêndio principal.
Os ramos de arbustos sobre a base das chamas e as 5 toneladas de água despejadas pelos Canadair, pretendem “abafar” as chamas por falta de comburente .
A água das mangueiras pretende apenas “resfriar” o terceiro elemento do incêndio, de modo a que a temperatura seja inferior à da ignição (obviamente que em incêndios de grande dimensão, fortemente atiçados por vento forte e pelas correntes ascensionais em encostas, isto é, com fornecimento em doses massivas de comburente, a temperatura é tão elevada que o que as mangueiras estão a fazer é fornecer mais comburente).
Enfim, está estabelecida a discussão sobre o desastre dos incêndios , entre algumas entidades de bombeiros, os GIPS/GNR e os técnicos florestais, vindo ao de cima a incompetência técnica do ministério da administração interna para lidar com o problema.
Esta também pode ser outra metáfora sobre os malefícios que a ignorância dos decisores governamentais em questões técnicas vem causando a todo ao país, sem com isto querer isentar o governo anterior nalgumas dessas questões técnicas, nomeadamente das áreas educacionais, culturais e de transportes.
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gestão florestal,
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quinta-feira, 29 de agosto de 2013
Ouvido na praia
A maré cheia obriga à proximidade entre os chapéus. A senhora e um casal conversavam em voz alta sobre os incêndios e eu tive de ouvir. O homem gostava de falar alto, contrastando com a esposa. Ambos falaram como se estivessem escrevendo em caixas de comentários na Internet. Que os incendiários deviam ser perseguidos implacavelmente e que os proprietários dos terrenos por limpar deviam ser multados.
Eu não gosto de falar sobre o que não conheço. Mas neste assunto de incêndios e de limpeza de mato penso que tenho um pouco mais de experiencia do que os comentadores das caixas de comentários. Já andei a combater fogos em ravinas, com ramos de arbustos, enquanto outros vizinhos atrás regavam o mato não ardido e um carro de bombeiros aguardava para intervir apenas se casas estivessem ameaçadas. E paguei mais uma vez 100 euros, este ano, pela limpeza do terreno que tenho na península de Setúbal e de que não retiro rendimento nenhum (bom, não será bem assim, o meu terreno produz canas que o meu vizinho utiliza para erguer tomateiros e feijoeiros de cujos frutos retira depois alguns para me oferecer).
Como não sou de feitio conversador (só desabafo aqui no blogue), não contei isto aos meus vizinhos de chapéu de praia. Mas não precisei, porque a primeira senhora esclareceu rapidamente o casal com o seu próprio exemplo. Que tem um terreno de 5 hectares em Setúbal. Uma parcela de meio hectare ardeu há 30 anos. Reflorestou (tentou) com sementes de pinheiro atlântico que se revelaram inutilizadas em 50%. Quando os poucos pinheiros sobreviventes começavam a crescer sobreveio novo incêndio. Nova semeadura após recusa da direção geral das florestas de apoio técnico e financeiro. As sementes revelaram-se novamente inutilizadas em 50%. E ao fim de 30 anos, novo incêndio. Sobraram alguns pinheiros que foram vendidos a um madeireiro por 150 euros.
Entretanto, ao longo dos 30 anos, a senhora foi pagando de 2 em 2 anos a limpeza do mato do seu terreno de 5 hectares. A pergunta é muito simples.
Querem responsabilizar os proprietários que não mandam limpar o mato pelos incêndios? Sendo que os custos da limpeza são superiores à receita da venda dos pinheiros? A senhora dizia: expropriem-me, era um favor que me faziam (mas então seria o Estado dos contribuintes que pagaria mais pela limpeza do que receberia pelo produto florestal).
E concluia: o meu marido e eu já plantámos eucaliptos naquele terreno. Eu sei que é um risco maior de incêndio que a lei 96/2013 veio proporcionar com ligeireza própria de quem está nos gabinetes e se sente iluminado por intervenção divina, mas não posso estar a perder continuamente dinheiro. Não é isso que dizem os senhores do governo, que não podemos viver acima dos nossos rendimentos?
Este pequeno relato fica aqui no blogue apenas para registar a incompetência e a ignorância dos decisores da politica florestal deste país. Não me refiro apenas ao atual governo. É um mal que vem de longe, para grande satisfação do nemátodo, da velutina nigrotorax e do escaravelho bicudo, cuja problemática já foi tratada no blogue, sem que os sucessivos governos promovam o desejável debate público nem valorizem o estudo e as propostas dos técnicos competentes que existem nos serviços (ou já terão sido reformados com a fúria cega de redução dos quadros do funcionalismo publico?)
Pena os senhores da troika também serem uns ilustres ignorantes nas matérias florestais e não compreenderem que é uma das áreas de aplicação frutuosa dos fundos QREN.
Pena também os não menos ilustres sábios que dão apoio ao senhor ministro Maduro dos fundos QREN parecerem andar longe destas problemáticas.
Assim é difícil, sem debate aberto por quem esteja dentro destes assuntos.
E para que não se diga que este blogue não apresenta propostas alternativas, como seria bom se os ditos sábios concluíssem que uma solução premente é a instalação pelo país fora de centrais de biomassa e de meios mecânicos de recolha do mato (uma pequena alteração legislativa permitiria a recolha dos resíduos em terrenos particulares sem custos nem receitas para estes e permitiria ainda a organização cooperativa dos particulares os casos em que os particulares pagassem a recolha e participassem das receitas ou benefícios das centrais ; o estudo dos meios de recolha em zonas acidentadas já foi desenvolvido por universidades portuguesas, nomeadamente a de Aveiro; os custos de funcionamento das centrais de biomassa serão compensados em grande parte pela economia de importação de combustíveis fosseis e pela taxa de carbono a aplicar pelos consumidores de combustiveis fosseis).
É impressionante, num país de desempregados e de PIB decrescente (em termos anuais) tão poucos sábios e tão poucos políticos impedirem tantos de beneficiarem dos recursos naturais disponíveis.
PS em 29 de agosto de 2013 - Depois de ter escrito o "post" anterior, a que atribui um tom ligeiro por o centrar na experiencia dos rendimentos nulos dos proprietários, tomei conhecimento da morte de mais uma bombeira. São assim 5 os bombeiros mortos, existindo ainda feridos graves (queimaduras ou inalações). Trata-se de uma situação anormal que leva a apresentar condolencias aos familiares e aos bombeiros, mas que me parece justificar a denuncia de uma estratéga errada adotada pelo ministérios da defesa. O senhor ministro é incontestavelmente uma pessoa séria, mas parece-me que acredita ingenuamente nalguns que o rodeiam. Repito que penso poder falar porque já andei a combater fogos e o senhor ministro não. Penso ainda que pratico critérios mais eficazes para aferir da competencia técnica de quem trata de assuntos técnicos. Por isso digo que a estratégia adotada no principio de 2013, possivelmente com graves culpas do primeiro ministro e do ministro das finanças (que igualmente nunca andaram a combater fogos a sério)na definição da contenção orçamental é incorreta por se basear na intervenção apeada dos bombeiros e em meios aéreos ligeiros (a intervenção atempadamente contratada de Canadairs não poderia ter sido comparticipada pela União Europeia? é que incendios em zonas montanhosas com ventos fortes e variáveis combatem-se com estes aviões, não apenas com os helicopteros e aviões ligeiros contratados, E MUITO MENOS A PÉ.) O senhor ministro nunca deveria ter dito que os meios eram suficientes. Agora que 5 bombeiros morreram em menos de um mês, numa estatistica terrivel com indicadores em termos de mortalidade por hectare ardido piores do que no pior ano de 2003, parece que se impõe uma mudança de estratégia, não só em formação (não se deve mandar avançar contra um fogo sem garantir um caminho de fuga e sem que parte do pessoal esteja a molhar as zonas não ardidas e a controlar permanentemente os caminhos de fuga) como em prevenção (contratação de desempregados para vigilancia) e em organização do território com aceiros e exploração de biomassa. Neste capitulo, não nos podendo opor à "eucaliptalização ", deve ela ser contida e acordada em termos de planeamento com as grandes produtoras Portucel e Altri. Sem esperarmos que iniciativa privada resolva as coisas por intervenção de uma mão invisivel benfazeja (na origem do mito a mão invisibvel era tudo menos benfazeja, veja-se Shakespeare)
CORRIJO: REFERIA-ME AO SENHOR MINISTRO DA ADMINISTRAÇÃO INTERNA, E NÃO AO MINISTRO DA DEFESA, O QUAL NUNCA PODERÁ SER CLASSIFICADO COMO INGÉNUO
PS em 1 de setembro - segundo o DN de 31 de agosto, em 30 de agosto, 6 aviões Canadair, 3 franceses e 3 espanhois, lançaram em 26 missões 130 toneladas de água (5 toneladas ou m3 por lançamento) sobre o incendio na serra do Caramulo, que foi em seguida dado por extinto. Dado que cada lançamento corresponde a 5 toneladas ou m3, não pode utilizar-se este método sobre casas que se pretenda salvar e existe o risco para o pessoa apeado. Os aviões estacionaram na base de Monte Real sem problemas de interpretação da Constituiçao sobre se é preciso ou não declarar o estado de sítio para as forças armadas intervirem no território nacional. Chegaram entretanto dois Canadair da Croácia para outros incendios. Infelizmente tambem existe o risco de, a aprtir do momento em que os dias fiquem nublados e a humidade aumente, que se esqueça a necessidade de um novo e eficaz planeamento de estratégia e meios para o próximo ano, para alem da prevenção, naturalmente (atualização de cadastro, vigilancia, cortes de aceiros).
PS em 9 de setembro - são atualmente 8 os bombeiros mortos em consequencia dos incendios de agosto.
junto o endereço de um video explicando o trabalhao dos Canadair da força aérea espanhola ; os helicopteros portugueses, embora uteis, são insuficientes e mandar avançar bombeiros para incendios em encostas é, salvo melhor opinião, devido ao efeito ascensional das correntes de ar quente, tão criminoso como a estratégia dos generais mandarem avançar a infantaria exposta à artilharia inimiga.
http://player.vimeo.com/video/48642618
Referências neste blogue sobre incêndios: https://fcsseratostenes.blogspot.com/search?q=inc%C3%AAndios
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Incompetentes
A 9 de agosto de 2012 este blogue chamou incompetentes ao governo atual. listando entre outros projetos abandonados, o turismo do Alqueva.
Soube hoje que o governo desviou para outros fins 500 milhões de euros que estavam reservados no QREN para o regadio da região do Alentejo (só tem 8 deputados) e que se corre o risco de no próximo programa comunitário não haver verbas para o regadio em geral.
O impacto negativo na economia é de tal ordem que só posso reforçar a acusação: incompetentes.
A produção agrícola e alimentar do país conheceu um defice em 2011 de 3800 milhões de euros.
Importaram-se 1320 milhões de euros de peixes e mariscos, e 842 milhões de euros de cereais.
Paralisar o regadio é incompetencia.
Como diz George Soros, "contrair a economia não reduz a dívida", só reduz o PIB.
Os senhores governantes não quererão ou não sabem ver.
Por exemplo, lembraram-se, só agora, de pedir ajuda de 4 aviões Canadair para combater os incendios de Ourem e Tomar.
Estavam avisados há muito que este tipo de incendios só se resolve com rapidez com aviões pesados, não os meios aéreos ligeiros que têm sido utilizados ou as estratégias terrestres (sem prejuízo do profissionalismo de quem tem combatido os incendios). Ver
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2012/08/sobre-incendios.html
Mas não sabem o que fazem, como no caso da paragem do programa das renováveis.
Um país não pode ser autónomo se tiver de importar alimentos e energia com os valores com que Portugal importa, nem se o seu nivel de endividamento continuar a subir, como está a acontecer.
Mas os senhores governantes não entendem.
Um país assim não pode ter um governo de 2 partidos com a representatividade que eles têm.
Todas as forças politicas deveriam estar a participar.
Mas os senhores governantes não querem, ou não sabem.
Soube hoje que o governo desviou para outros fins 500 milhões de euros que estavam reservados no QREN para o regadio da região do Alentejo (só tem 8 deputados) e que se corre o risco de no próximo programa comunitário não haver verbas para o regadio em geral.
O impacto negativo na economia é de tal ordem que só posso reforçar a acusação: incompetentes.
A produção agrícola e alimentar do país conheceu um defice em 2011 de 3800 milhões de euros.
Importaram-se 1320 milhões de euros de peixes e mariscos, e 842 milhões de euros de cereais.
Paralisar o regadio é incompetencia.
Como diz George Soros, "contrair a economia não reduz a dívida", só reduz o PIB.
Os senhores governantes não quererão ou não sabem ver.
Por exemplo, lembraram-se, só agora, de pedir ajuda de 4 aviões Canadair para combater os incendios de Ourem e Tomar.
Estavam avisados há muito que este tipo de incendios só se resolve com rapidez com aviões pesados, não os meios aéreos ligeiros que têm sido utilizados ou as estratégias terrestres (sem prejuízo do profissionalismo de quem tem combatido os incendios). Ver
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2012/08/sobre-incendios.html
Mas não sabem o que fazem, como no caso da paragem do programa das renováveis.
Um país não pode ser autónomo se tiver de importar alimentos e energia com os valores com que Portugal importa, nem se o seu nivel de endividamento continuar a subir, como está a acontecer.
Mas os senhores governantes não entendem.
Um país assim não pode ter um governo de 2 partidos com a representatividade que eles têm.
Todas as forças politicas deveriam estar a participar.
Mas os senhores governantes não querem, ou não sabem.
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Sobre incêndios
Bom, há o relatório da GNR sobre os incêndios florestais no 1º semestre de 2012.
Merece-me confiança.
O sentimento de desconfiança escondida que os senhores ministros do interior e da defesa manifestam relativamente à GNR não é partilhado por este cidadão.
Toda a estatística não consegue fugir à regra de que, como entidade matemática que é, é uma abstração que pode ser um modelo da realidade mas que só a simula por aproximação.
Mas este é outro sentimento que não deve ser partilhado entre mim e os senhores governantes.
Provavelmente por grande divergência na nossa formação académica.
Mas a estatística é também um sistema de dados que merecem análise.
Nº de fogos …………………………………. 9400 ……. 100%
Nº de fogos por negligencia ……….…………5800 …….. 62%
Nº de fogos postos …………….……………. 1100 …….. 11%
Nº de fogos por causas naturais ……………. 8
Nº de fogos por causas não determinadas ….. 2400 …….. 25%
De notar que os incêndios por negligencia aumentaram relativamente a 2011, e o numero de casos de fogo posto baixou, assim como o numero de incêndios por causas não apuradas.
Perante isto, insisto em análises anteriores:
1 – embora seja um caso a merecer tratamento, o fogo posto não tem a dimensão que o justiceirismo e a fome de pelourinho querem fazer crer
2 – por negligencia entende-se fazer uma queimada em dia de vento e calor, atirar um cigarro ainda aceso para o campo, ou produzir carvão vegetal sem vigilância e sem meios de combate ao fogo por perto …
3 – é muito pequena a percentagem de floresta pública e muito difícil coordenar as ações de proteção entre uma miríade de proprietários; mas tudo seria mais fácil se ao nível de freguesias e câmaras municipais houvesse equipas de técnicos e prevenção de fogos florestais e, ao nível central ou regional, gabinetes de estudo para implementação de medidas de proteção (por exemplo, limpeza dos baldios, alimentação de centrais de cogeração com biomassa, produção de carvão vegetal); porém, a orientação do governo é a de não admitir pessoal que não seja para fiscal das finanças;
4 – a percentagem de hectares ardidos nas florestas que alimentam as grandes produtoras de papel no pais é muito menor do que nas outras florestas
5 – a gravidade dos incêndios é consequência de duas circunstancias principais:
5.1 – a desertificação do interior (fechar escolas, linhas de caminho de ferro e urgências de saúde é desertificar o interior; o que se poupa com os fechos é mais do que o que se gasta em transportes para os elementos centrais e do que se perde com os incêndios?)
5.2 – a insuficiência dos meios aéreos disponíveis (a eficácia dos Canadair é muito superior à dos helicópteros pesados e dos aviões ligeiros envolvidos).
Seria pois muito interessante que os números referidos em 5.1 fossem determinados e revelados pelo governo, e que se comparassem os prejuizos dos incêndios com o diferencial de custos do aluguer dos Canadair relativamente aoaluguer dos outros meios. .
Mas o verão vai passar num instante, e as chuvas do Outono vão fazer esquecer o pesadelo.
O pesadelo e a incapacidade dos decisores de interpretarem uma estatística.
Merece-me confiança.
O sentimento de desconfiança escondida que os senhores ministros do interior e da defesa manifestam relativamente à GNR não é partilhado por este cidadão.
Toda a estatística não consegue fugir à regra de que, como entidade matemática que é, é uma abstração que pode ser um modelo da realidade mas que só a simula por aproximação.
Mas este é outro sentimento que não deve ser partilhado entre mim e os senhores governantes.
Provavelmente por grande divergência na nossa formação académica.
Mas a estatística é também um sistema de dados que merecem análise.
Nº de fogos …………………………………. 9400 ……. 100%
Nº de fogos por negligencia ……….…………5800 …….. 62%
Nº de fogos postos …………….……………. 1100 …….. 11%
Nº de fogos por causas naturais ……………. 8
Nº de fogos por causas não determinadas ….. 2400 …….. 25%
De notar que os incêndios por negligencia aumentaram relativamente a 2011, e o numero de casos de fogo posto baixou, assim como o numero de incêndios por causas não apuradas.
Perante isto, insisto em análises anteriores:
1 – embora seja um caso a merecer tratamento, o fogo posto não tem a dimensão que o justiceirismo e a fome de pelourinho querem fazer crer
2 – por negligencia entende-se fazer uma queimada em dia de vento e calor, atirar um cigarro ainda aceso para o campo, ou produzir carvão vegetal sem vigilância e sem meios de combate ao fogo por perto …
3 – é muito pequena a percentagem de floresta pública e muito difícil coordenar as ações de proteção entre uma miríade de proprietários; mas tudo seria mais fácil se ao nível de freguesias e câmaras municipais houvesse equipas de técnicos e prevenção de fogos florestais e, ao nível central ou regional, gabinetes de estudo para implementação de medidas de proteção (por exemplo, limpeza dos baldios, alimentação de centrais de cogeração com biomassa, produção de carvão vegetal); porém, a orientação do governo é a de não admitir pessoal que não seja para fiscal das finanças;
4 – a percentagem de hectares ardidos nas florestas que alimentam as grandes produtoras de papel no pais é muito menor do que nas outras florestas
5 – a gravidade dos incêndios é consequência de duas circunstancias principais:
5.1 – a desertificação do interior (fechar escolas, linhas de caminho de ferro e urgências de saúde é desertificar o interior; o que se poupa com os fechos é mais do que o que se gasta em transportes para os elementos centrais e do que se perde com os incêndios?)
5.2 – a insuficiência dos meios aéreos disponíveis (a eficácia dos Canadair é muito superior à dos helicópteros pesados e dos aviões ligeiros envolvidos).
Seria pois muito interessante que os números referidos em 5.1 fossem determinados e revelados pelo governo, e que se comparassem os prejuizos dos incêndios com o diferencial de custos do aluguer dos Canadair relativamente aoaluguer dos outros meios. .
Mas o verão vai passar num instante, e as chuvas do Outono vão fazer esquecer o pesadelo.
O pesadelo e a incapacidade dos decisores de interpretarem uma estatística.
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Incendios no 1º semestre de 2011
Continuação da mensagem de 27 de junho de 2011
http://fcsseratostenes.blogspot.com/search?q=incendios
Segundo o relatório da autoridade florestal nacional arderam 9447 hectares no primeiro semestre de 2011.
No mesmo período de 2010 tinham ardido 3504 hectares.
É verdade que este ano tem havido mais vento e que a propriedade dos terrenos ardidos está muito dispersa, sem coordenação de ações preventivas.
Tambem houve contenção nos meios aéreos (decisivos na extinção de fogos em certas condições).
É uma boa metáfora do momento que o país vive.
Arde, reduz a capacidade produtiva, regride.
Enquanto se ouve cada vez mais que há que cortar nos investimentos e muitos desculpam a sua inércia com o não haver dinheiro.
Como se costuma dizer, só os ricos podem poupar e enriquecer, porque têm dinheiro para investir. Aos pobres, sem investimento, resta-lhes ficar mais pobres.
Não é cortando na despesa que se sai da pobreza, nem continuando a politica de desertificação e desinvestimento no interior agricola e florestal.
Salvo melhor opinião, claro.
http://fcsseratostenes.blogspot.com/search?q=incendios
Segundo o relatório da autoridade florestal nacional arderam 9447 hectares no primeiro semestre de 2011.
No mesmo período de 2010 tinham ardido 3504 hectares.
É verdade que este ano tem havido mais vento e que a propriedade dos terrenos ardidos está muito dispersa, sem coordenação de ações preventivas.
Tambem houve contenção nos meios aéreos (decisivos na extinção de fogos em certas condições).
É uma boa metáfora do momento que o país vive.
Arde, reduz a capacidade produtiva, regride.
Enquanto se ouve cada vez mais que há que cortar nos investimentos e muitos desculpam a sua inércia com o não haver dinheiro.
Como se costuma dizer, só os ricos podem poupar e enriquecer, porque têm dinheiro para investir. Aos pobres, sem investimento, resta-lhes ficar mais pobres.
Não é cortando na despesa que se sai da pobreza, nem continuando a politica de desertificação e desinvestimento no interior agricola e florestal.
Salvo melhor opinião, claro.
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