sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

No reino da Ivalandia em fevereiro de 2013





Anunciado um corte de 30% na contribuição pública para a Fundação Serralves.

O atual governo acha que assim deve ser, como medida de consolidação orçamental para mostrar à troika.

Feitas as contas à atividade da Fundação em 2010, foram 450.000 visitantes e uma contribuição para o PIB de 40 milhões de euros.

Ora, o subsidio público em 2010 foi de 4 milhões de euros, mais outro tanto de mecenato de grandes empresas e de particulares.

Isto é, o fator multiplicador para o PIB do subsidio publico foi (40/2)/4 = 5

Imaginemos, à moda de um problema de Fermi, que não estou dentro dos pormenores, que a evolução negativa afetou o multiplicador, e que ele agora será metade: 2,5 .

A contribuição para o PIB do subsidio estatal, mantendo-se os 4 milhões, seria de 4x2,5=10 milhões de euros.

Afinal, o mal não está nas parceiras em si, pode haver parceiras que funcionem.

Não depende da estrutura, depende das pessoas…

Porem, o governo, aliás com o apoio dos vociferantes das caixas de comentários da Internet, contra tudo que seja subsidio a fundações ou institutos, anunciou o corte de 30% (a história do corte das gorduras, que como é cego vai ao osso).

O que quer dizer que o governo atual não quer que o PIB fique a dever ao apoio público à Fundação de Serralves 10x0,3= 3 milhões de euros. Contenta-se que o benefício para o PIB seja de 7 milhões de euros.

São números pequenos, dirão os macroeconómicos.

E os mecenatos particulares substituir-se-ão aos apoios estatais, dirão os ultraliberais.

Pois.

Diz este blogue que é apenas um exemplo da incompetência técnica dos senhores governantes.

Como ainda há pouco tempo disse Daniel Bessa (e este blogue também) o nosso problema é termos pouco PIB.

Essencial aumentá-lo.

E não venham com essa das faturas.

Como também disse Vítor Bento, de cada vez que se ameaça com o cruzamento das bases fiscais, alguém inventa uma forma eficaz de fuga.

Confiança é uma condição essencial entre as partes.

Não há confiança na competência deste governo (ou na mentira premeditada, como diz José Manuel Pureza; começar por falar numa recessão contida e depois fazer um orçamento retificativo com uma “previsão” mais gravosa).

Numa primeira fase, para compor isto, bastava remodelar o primeiro ministro, o ministro das finanças e aquele senhor ministro dos assuntos parlamentares. O resto do governo podia ficar, já que o mandato é até 2015, não sou tão radical como isso, esperando-se que na campanha eleitoral desse ano não haja mentiras premeditadas seja de quem for.







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