segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Exportações de bens em 2025

 

O desenvolvimento de uma rede ferroviária em Portugal integrada na rede europeia, com as características de interoperabilidade para Alta Velocidade e mercadorias é uma questão indispensável a médio prazo para o crescimento das exportações de bens para a Europa além Pirineus.

Isso mesmo foi já expresso aos decisores Governo (MIH) e IP, mas não creio que em tempo útil mudem a posição de conservação da bitola ibérica na rede ferroviária, a existente e as novas linhas. Talvez porque a situação atual até parece ter futuro para os atuais operadores que poderão expandir o seu mercado, tal como em Espanha (que ainda tem a maioria do tráfego na rodovia com a quota modal da ferrovia entre 5 e 7%), com a transferência da carga rodoviária para a ferrovia, mas sempre dentro da península, sem os concorrentes estrangeiros. 

O caso da Medway é sintomático, tem comboios de bitola europeia do lado de lá dos Pirineus, e comboios de bitola ibérica do lado de cá; estão com o problema do STM/CONVEL, mas também têm locomotivas para circular em Portugal e outras com ETCS para circular em Espanha. 

Aos operadores em ação  em Portugal convem-lhes deixar estar, desde que lhes consertem as linhas existentes e reduzam a taxa de uso. Eis um exemplo de como o interesse duma empresa pode não ser o interesse nacional.

Sobre este assunto gostava de acrescentar os novos dados do INE para as exportações de bens em 2025:

exportações por ferrovia  e rodovia em Mton :                                                                                                                                                                                             para Espanha  11,150                                                                                                                               para o resto da UE    5,653

exportações por ferrovia e rodovia   em M€ :                                                                                                                                                                                            para Espanha       17468                                                                                                                           para o resto da UE        28402

Isto é, exportamos mais em peso para Espanha, mas recebemos mais em euros do resto da UE, sendo que 1% por ferrovia e 99% por rodovia.

Mais uma observação que até é irrelevante neste caso. O transporte marítimo em porta contentores de grande capacidade pode atingir consumo específico de energia por tonelada-km menor do que por comboio, 20 Wh/ton-km, mas se a linha e os comboios forem novos com pendentes e curvas limitadas o consumo pode aproximar-se com a vantagem, em ligações por exemplo de Sines à area de influencia de Roterdão, de menores tempos de percurso  (por exemplo eu estimei para uma linha nova da Beira Alta um consumo de 28Wh/ton-km que compara com a linha atual de 38Wh/ton-km). Mas parece que isto não é fator relevante  para o MIH ou a IP.

Saúda-se o valor de exportações em 2025 de produtos da industria metalurgica e metalomecânica: cerca de 24,2 mil milhões de euros; as receitas do turismo atingiram 29,4 mil milhões. Não tenho ainda valores de confiança para comparar os saldos exportação-importação nestes domínios.

Sem comentários:

Enviar um comentário