O desenvolvimento de uma rede ferroviária em Portugal integrada na rede europeia, com as características de interoperabilidade para Alta Velocidade e mercadorias é uma questão indispensável a médio prazo para o crescimento das exportações de bens para a Europa além Pirineus.
Isso mesmo foi já expresso aos decisores Governo (MIH) e IP, mas não creio que em tempo útil mudem a posição de conservação da bitola ibérica na rede ferroviária, a existente e as novas linhas. Talvez porque a situação atual até parece ter futuro para os atuais operadores que poderão expandir o seu mercado, tal como em Espanha (que ainda tem a maioria do tráfego na rodovia com a quota modal da ferrovia entre 5 e 7%), com a transferência da carga rodoviária para a ferrovia, mas sempre dentro da península, sem os concorrentes estrangeiros.
O caso da Medway é sintomático, tem comboios de bitola europeia do lado de lá dos Pirineus, e comboios de bitola ibérica do lado de cá; estão com o problema do STM/CONVEL, mas também têm locomotivas para circular em Portugal e outras com ETCS para circular em Espanha.
Aos operadores em ação em Portugal convem-lhes deixar estar, desde que lhes consertem as linhas existentes e reduzam a taxa de uso. Eis um exemplo de como o interesse duma empresa pode não ser o interesse nacional.
Sobre este assunto gostava de acrescentar os novos dados do INE para as exportações de bens em 2025:
exportações por ferrovia e rodovia em Mton : para Espanha 11,150 para o resto da UE 5,653
exportações por ferrovia e rodovia em M€ : para Espanha 17468 para o resto da UE 28402
Isto é, exportamos mais em peso para Espanha, mas recebemos mais em euros do resto da UE, sendo que 1% por ferrovia e 99% por rodovia.
Mais uma observação que até é irrelevante neste caso. O transporte marítimo em porta contentores de grande capacidade pode atingir consumo específico de energia por tonelada-km menor do que por comboio, 20 Wh/ton-km, mas se a linha e os comboios forem novos com pendentes e curvas limitadas o consumo pode aproximar-se com a vantagem, em ligações por exemplo de Sines à area de influencia de Roterdão, de menores tempos de percurso (por exemplo eu estimei para uma linha nova da Beira Alta um consumo de 28Wh/ton-km que compara com a linha atual de 38Wh/ton-km). Mas parece que isto não é fator relevante para o MIH ou a IP.
Saúda-se o valor de exportações em 2025 de produtos da industria metalurgica e metalomecânica: cerca de 24,2 mil milhões de euros; as receitas do turismo atingiram 29,4 mil milhões. Não tenho ainda valores de confiança para comparar os saldos exportação-importação nestes domínios.
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