Poucos dias depois da tempestade Kristin, o cronista manifestou o seu desapontamento, no meio das dificuldades na reação à extensão dos danos, com as limitações das rádios locais, da imprensa regional, com as dificuldades do seus profissionais em rapidamente divulgar o desastre em cada região.
https://www.publico.pt/2026/02/03/opiniao/opiniao/tempestade-noticias-porta-2163520
É na verdade frustrante
ver a “desertificação noticiosa do país ... o relatório do Labcom da Universidade
da Beira Interior ... 83 concelhos sem jornalistas de rádio nem imprensa
periódica”, as limitações das rádios locais, da imprensa regional, a insuficiência
de profissionais. Mas talvez ainda haja solução.
Será que
ajudaria dar mais atenção ao ordenamento do território? Lendo por exemplo o
PNPOT (Plano nacional de Ordenamento do Território) e o que a regulamentação
europeia tem na tentativa de que a passemos à prática, por exemplo, na questão
da mobilidade que é um fator essencial na coesão do território, o regulamento 2024/1679?
Diz o PNPOT
que devemos ter um território policêntrico. Então desenvolvamos cidades que
ajudem a desenvolver as regiões, cada região com a sua ou suas cidades dinamizadoras.
Pelo seu
lado, a regulamentação europeia manda
fazer planos de mobilidade sustentável em torno dos seus núcleos urbanos de
mais de 100.000 habitantes e sua ligação a aeroportos, portos marítimos/fluviais e terminais rodo-ferroviários.
Talvez fosse boa ideia reduzir o número de
distritos, poucas NUTII, não pensar só em criar NUT II para recolher subsídios.
E reduzir o
número de concelhos (Portugal continental com 308 concelhos?!). Há o risco de
estar a reforçar o caciquismo, mas há meios para o evitar, equilíbrios e
contrapesos, como dizem os anglo-saxónicos, ou sistemas independentes de
qualidade, como se usa nas grandes empresas, ou processos de análise e
desenvolvimento coletivos, ou simplesmente acionar o art.48 da CRP.
Conviria
até reduzir o número de círculos eleitorais e assim dar mais voz aos pequenos
partidos, da diversidade quando se cumprem as regras da cooperação resultam
progressos.
Tudo isto é
difícil, num país em que pouco importa a capacidade de planeamento, de organização,
de execução e de monitorização do desempenho, mas talvez ainda haja solução.
Esquecer o
assunto é que não.
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