terça-feira, 10 de novembro de 2009

A casa nova de Joana e o desperdício II

Joana está orgulhosa da casa nova.
Toda em tons de branco, com iluminação indirecta.
A casa não é bem nova, é o primeiro andar de um prediosinho de 2 andares, dos anos 20 do século passado, laboriosamente remodelado em tons claros, eu não diria reconstruído, numa rua da Lapa a descer para o Tejo.
Nesta casa de Joana não terá havido desperdício na iluminação. As lâmpadas são economizadoras, do tipo fluorescentes compactas, e não há que temer a exposição às radiações não ionizantes devidas às altas frequências que elas produzem porque estão lá em cima, por trás das sancas do tecto.
Enquanto esperamos a afinação das formas comerciais de grande consumo da iluminação por leds, é uma boa solução.
Não temos aqui a restituição de cores quentes da iluminação por halogéneo, mas temos a claridade.
Então porque falo de desperdício?
Porque, deuses e deusas dos lares, a casa é pequenina. A sala , o quarto, a cozinha. Tudo se ajusta ao ar delicado e discreto de Joana sem que se expanda em grandes espaços.
Assim se desperdiça Joana numa casa pequenina, como qualquer jovem que queira morar em Lisboa e não possa adquirir um andar de áreas grandes.
Porque a construção antiga raramente era espaçosa e a recuperação dos edifícios teria de passar pelo sacrifício ou pelo “emparcelamento” (anexação) de alguns prédios para que as áreas por fogo aumentassem.
Que possibilidades terão a nova associação de casas antigas (http://www.ap-casas-antigas.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=7&Itemid=8&lang=pt) e também o Grémio das empresas de conservação e restauro do património arquitectónico (http://www.gecorpa.pt/gecorpa1.html), ou outras associações de cariz mais ou menos democratizante, privadas, públicas, municipais, seja o que for, para executar ou participar na execução de um programa consistente de reabilitação dos prédios de Lisboa?
Assim se desertifica a cidade, perante o olhar impotente dos cidadãos e a sobranceria auto-satisfeita dos eleitos da vereação, porque os jovens preferem os andares espaçosos da periferia, a espera nas filas do transito e o estacionamento nos passeios.
Que desperdício, deixar fenecer esta cidade (e os seus habitantes?).

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