domingo, 8 de maio de 2011

E os ingleses votaram não no referendo

Este blogue ficou triste com o resultado do referendo. A Inglaterra vai continuar a permitir que um governo com 30% de eleitores tenha a maioria absoluta.
Tenho pena porque a Inglaterra é o país da Magna Carta - já que temos de ter um rei, que ele tenha limites, que os nossos (dos senhores feudais) limites háo-de aparecer depois com o tempo. Foi de facto difícil a imposição de limites aos senhores feudais de Inglaterra. A Republica de Cromwell não funcionou no século XVII,  foi possível criar mecanismos de democratização apesar disso, mas ainda se mantêm privilégios dos tempos feudais (basta ver o nome da câmara dos lords - nascer-se lord está de acordo com as regras da égalité-liberté-frsternité?!).
Por isso havia um ténue esperança de que o referndo pelo voto alternativo ou preferencial fosse mais um passo no sentido da democratização. Talvez quem o promoveu (parte interessada, é certo, mas bem fundamentada) devesse ter dado um passo mais pequenino, ter-se limitado a propor o método de Hondt, a proporcionalidade à 25 de Abril.
Mas não sei, a sociedade anglo-saxónica está muito agarrada à tradição, apesar de Kenneth Arrow, o prémio Nobel da Economia que definiu os grandes teoremas a que se sujeitam as regras eleitorais, ser inglês.
Mais uma vez se vê que os eleitores não votam de acordo com as conquistas da matemática (o domínio das regras eleitorais é, de facto, matematicamente complexo).
Como dizia Agstinho da Silva (cito de cor), isso não significa ignorancia dos eleitores, porque às vezes a votação menos certa é a mais correta, desde que as pessoas sejam livres de pensar como bem entendem e de o exprimir. (Vá-se lá entender a lógica da natureza e da especie humana).
(ver a problemática das regras eleitorais em:
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2009/08/homenagem-schulberg-e-governabilidade.html  )

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