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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Culpem as vítimas. Elas são fracas, não resistem.




Encontrei esta referencia ao livro “Blaming the victim”, de William Ryan, sociólogo, ao ler a noticia sobre as mortes de ciclistas nas ciclovias de Londres.
A tendencia é para culpar as vítimas, os mais fracos.
Tal como os comentadores impiedosos das caixas da internet culparam os jovens que morreram na praia, como os racistas culpam a população negra de menores rendimentos por falta de iniciativa, como os jornalistas de serviço aos centros de poder culpam as próprias vítimas do estoiro financeiro (e contudo, o JPMorgan já pagou uma multa de 1,5 mil milhões de euros pelo seu papel no caso Madoff) , como o violador culpa a vítima por provocação, como o atual governo culpa os privilegiados funcionários públicos, pensionistas, reformados do metropolitano com complementos de reforma acima da média pelo défice público.
Interessantíssima a referencia a Adorno:
“Culpar as vítimas é um dos traços mais sinistros do carater fascista”.



Os acidentes mortais nas ciclovias aumentam em Londres

skycycle - fotografia Norman Foster and Partners


Proposta de Norman Foster: viadutos exclusivos para bicicletas, por cima e ao longo das vias férreas suburbanas de Londres com capacidade de 12.000 ciclistas por hora em cada sentido.
É curioso ver uma das capitais do mundo financeiro evoluído pôr como hipótese adotar o modo preferencial de deslocação na China e no Vietname dos anos 50 do século XX.
Penso que não é a melhor solução, nomeadamente pelos custos envolvidos, mas deve ser estudada e comparada com as outras soluções. Por um adicional marginal o viaduto poderia suportar sistemas guiados de itinerários “a pedido”.
Ver:



Esta proposta surge no meio da polémica sobre o acréscimo de acidentes com ciclistas como vitimas mortais nas ciclovias.

No caso de Portugal receia-se que as  novas disposições do código da estrada tenham o memo efeito nefasto, mas há sempre a esperança de que o que acontece lá fora possa não acontecer cá dentro.