segunda-feira, 27 de julho de 2026

Acidente mortal em passagem de nível em Lancashire, UK em 15jun2026

 

https://www.railmagazine.com/news/barriers-were-raised-at-scene-of-fatal-level-crossing-collision

A particularidade deste acidente é de que a investigação concluiu que as barreiras estavam levantadas e as luzes avisadoras não acenderam, o que é obviamente inaceitável. 

O registo de outros  acidentes recentes                                         https://fcsseratostenes.blogspot.com/2026/05/26-de-maio-de-2026-mais-um-acidente-com.html   

mostra que o tempo entre a chegada do comboio à passagem de nível e o fecho das cancelas e início do aviso  pode ser demasiado curto, não deixando tempo a quem iniciou a travessia antes do fecho das cancelas para a concluir.

Embora seja um investimento elevado (não no caso de Lancashire), deveria ser obrigatório por força de intervenção da Comissão Europeia, a substituição de todas as passagens de nível porque a velocidade dos comboios é incompatível com a partilha das PN com a rodovia.

Por cá, continua o martírio, mais cinco vítimas em dois meses,                           https://omirante.pt/sociedade/2026-07-25-cinco-atropelamentos-ferroviarios-na-regiao-em-pouco-mais-de-dois-meses-f64b7c7b                                                                                                                    ignorando-se se atropelamento ou suicídio  mas, atendendo ao elevado número, parecerá tratar-se de acidentes devidos à configuração da infraestrutura. Sem menosprezo pelo profissionalismo dos colegas que trabalham no planeamento das possíveis soluções, que deveria ter sido suportado pelo PRR,    https://www.infraestruturasdeportugal.pt/pt-pt/plano-para-reducao-da-sinistralidade-em-passagens-de-nivel-2024-2030                                                                                                                                                a situação é intolerável.


terça-feira, 21 de julho de 2026

Breves crónicas de Dona Inércia e Dona Opaca

A frustração de Dona Inércia e Dona Opaca com o Mundial de futebol 10jul2026

Não me refiro ao mundial nos USA, mas ao mundial de 2030. Dona Inércia e Dona Opaca já não devem ter de providenciar burocracias e outras dificuldades para que a Alta Velocidade ferroviária entre Badajoz, Lisboa e Porto não consiga estar pronta em 2030. Já se notam atrasos na execução daquela "implementing decision" que a tia de Bruxelas nos mandou em outubro de 2025 para acelerar o Lisboa-Madrid. Ele é falta de certificações, ele é sistemas de sinalização que não combinam, ele é bitolas diferentes, ele é comboios que não llegan, ele é terceiras travessias engasgadas ... O que quer dizer que muito sustentavelmente quem de Madrid queira dar um salto a Portugal para ver alguns jogos ou virá de avião ou então apanha um autocarro. Lá se vai o marketing da sustentabilidade do comboio. 

Que tal revogar as resoluções 98/2024 AR e 77/2025 RCM ?   (deixo ao leitor o cuidado de as ver na internet - https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/resolucao-assembleia-republica/98-2024-895836363                     https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/resolucao-conselho-ministros/77-2025-915239713   )



Dona Inércia e Dona Opaca divertem-se com o sistema eleitoral
14jul2026

Dona Inércia tomava chá numa esplanada com Dona Opaca e ria-se muito. Que tinha lido numa carta ao director o lamento de um cidadão, que ninguém ligava aos esforços de quem alertava para as inconformidades do atual sistema eleitoral e que a Constituição é muito clara, que converter votos em mandatos de deputados tem de respeitar a proporcionalidade. Seja lá o que isso for, comentava alegremente a Dona Opaca, que não convém muita matemática quando as coisas correm como gostamos. Pois é, já viu, repontava Dona Inércia, para um partido poder governar, cada deputado só precisou de 20.000 votos, mas partidos houve, coitados, que tiveram mais de 80.000 votos e não elegeram nenhum deputado ou conseguiram apenas um. É a governabilidade, sublinhava Dona Opaca, mas a gente não tem que dizer aos eleitores que é a proporcionalidade que devia prevalecer, aliás, já diziam os romanos, os lusitanos não se sabem governar. E especialmente não podemos dizer-lhes que o número de círculos eleitorais tem de ser reduzido e que se o sistema eleitoral respeitasse a Constituição a distribuição de deputados seria diferente e o governo não poderia fazer o que tem andado a fazer. Mas podemos estar descansadas, olhe por exemplo, há mais de 5 anos que a lei de bases do clima foi aprovada, e o Parlamento ainda não nomeou o conselho para a ação climática. Podemos estar descansadas. E contentes acabaram o cházinho e de braço dado desceram a rua movimentada, cheia de felizes turistas.



Dona Inércia e Dona Opaca às voltas com a regionalização
16jul2026

Dona Inércia e Dona Opaca foram de férias. Apanharam um autocarro expresso porque ouviram dizer que o ar condicionado dos comboios não andava bem e depois de uma viagem em que tiveram de lidar com o pé da passageira do banco de trás que se enfiou entre os dois assentos e com os pulos da pequenita da mesma passageira, agarrada às costas do banco de Dona Inércia, desembarcaram no Algarve. E como são umas senhoras atentas à realidade nacional, a viagem despertou-lhes os malefícios da desigualdade do PIB per capita nas várias regiões do país (só Lisboa, Algarve e Madeira acima da média nacional, e em todas as regiões, menos uma, inferior à média europeia. Dizia Dona Inércia que por um lado é preocupante já haver tanta gente a falar da regionalização como reforma necessária, mas por outro lado, podemos estar tranquilas. Porque como tantas outras reformas que têm sido feitas por "sucessivos" governos, as quais são mais contra-reformas para ficar tudo como já estava num passado mais ou menos longínquo, há sempre "erros inevitáveis", e porque "tem de se arriscar, tem de se ousar", como dizem os dinâmicos reformistas. Dona Opaca concordava, que uma regionalização a sério daria muito trabalho, exigiria organização e planeamento e especialmente transparência, e não era isso que nem Dona Inércia nem Dona Opaca quereriam. Por exemplo, num território continental com 18 distritos o correto seria reduzir o seu número e o número de NUTs (regiões administrativas com autonomia, para utilizar a designação da tia de Bruxelas), e também o número de câmaras municipais. Mas também não é isso que os poderes locais andam a reivindicar, para tranquilidade de Dona Inércia e Dona Opaca.


A transparência atacou Dona Opaca     
18jul2026

Dona Inércia acordou com o telefonema matutino de Dona Opaca que, indignada, vociferava contra a iniciativa da Investigate Europe. "Uma coisa nunca vista, indecente mesmo, que nunca deveria ter sido divulgada - dizia sem papas na língua - as coisas que realmente interessam às pessoas e à sua felicidade devem manter-se confidenciais, dado o seu interesse público". Dera-se o caso de o grupo de jornalistas da Investigate Europe Secrecy Tracker, com experiência na dificuldade de acesso a certos assuntos da União Europeia, terem divulgado na sua newsletter de julho de 2026 essa mesma dificuldade de acesso. Foram exemplo dessa política oficial da UE contrária à transparência:  alguma interpretação mais permissiva da diretiva anti-lavagem de dinheiro e registo de património e rendimentos, escapatórias ao regulamento 1049/2001 de acesso público a documentos, ocultação de interesses financeiros de juízes do CJEU (Tribunal de Justiça da UE)  a companhias privadas, ocultação dos valores de bens destruidos em Gaza construidos com financiamento da UE, ameaça de limitação da lei de liberdade de informação alemã, divergencias entre a Ombudswoman e a Comissão Europeia sobre a divulgação de mensagens entre lideres.
Ora bem se vê que a Dona Opaca não gosta da Investigate Europe.     



          

terça-feira, 7 de julho de 2026

Julho de 2026 - Incêndios, o governo apelou ao dispositivo da proteção civil da UE e a Força Aérea já os combate no ar

 

Assisti em 4jul2026 no canal Parlamento da RTP Notícias a um interessante debate sobre os incêndios com deputados da AR:  https://www.rtp.pt/play/p16387/e940624/parlamento

Por os intervenientes constatarem o pouco progresso na prevenção e no combate aos incêndios, resolvi voltar ao tema, começando por deixar registadas as ligações para o que há anos escrevi:

https://fcsseratostenes.blogspot.com/2013/08/ouvido-na-praia.html

https://fcsseratostenes.blogspot.com/2012/08/sobre-incendios.html

https://fcsseratostenes.blogspot.com/2012/08/os-tecidos-do-hospital-publico-e-o.html

https://fcsseratostenes.blogspot.com/2017/01/envio-de-sugestoes-para-consulta.html

https://fcsseratostenes.blogspot.com/2009/06/no-meu-pais-morreram-3-criancas-num.html

https://fcsseratostenes.blogspot.com/2017/07/estimativa-de-custos-para-limpeza-de.html

https://fcsseratostenes.blogspot.com/2017/06/os-incendios-florestais.html

https://fcsseratostenes.blogspot.com/2010/09/oratoria-da-floresta-simpatica.html


Achei curiosas e reveladoras do espírito pequenino com são abordadas questões importantes as duas notícias que originaram o título:

1 - o governo, que do alto da sua superioridade não pediu o auxílio do dispositivo de proteção civil da UE nos incêndios de 2025 correspondentes a uma das maiores áreas ardidas, formalizou agora em julho de 2026 esse pedido, por ser urgente e não por a oposição o reivindicar, sem ao mesmo tempo reconhecer a mesquinhês do raciocínio pretensamente justificativo

2 - a Força Aérea declarou ter pela primeira vez equipamentos a intervir no combate aos incêndios, 2 helicopteros. O uso de helicopteros é importante na prevenção e vigilancia e, no combate aos incendios, no controle das suas periferias tentando retardar a sua evolução, uma vez que a capacidade de água que pode descarregar é da ordem de 1 m3 . A eficácia das descargas de água sobre as chamas deve-se principalmente ao abafamento por retirada de comburente e não pela água reduzindo a temperatura de ignição . Por isso o meio mais eficaz consiste nos aviões Canadair de capacidade de descarga de 6 toneladas de água ou 6m3, existindo outros modelos que vão às 12 toneladas. Mas infelizmente os sucessivos governos não têm participado com a UE no reforço da frota de combate, preferindo pedir emprestados Canadairs como fez agora, e insistir no aluguer de helicopteros e fire boss (pequenos aviões que no máximo desarregarão 2 toneladas.   

Alguns comentários:

1 - Incêndios e regionalização

O tema dos incêndios é mais um exemplo da importancia de resolver a questão da regionalização segundo os critérios da Constituição da República. Art.236: No continente as autarquias locais são as freguesias, os municípios e as regiões administrativas. Art,258: As regiões administrativas elaboram planos regionais e participam na elaboração dos planos nacionais.

Permanece a inércia e a visão provinciana no sentido bairrista que impedem a elaboração da respetiva lei, que por força dos compromissos com a UE deverá satisfazer a definição das NUTII, nomeadamente na organização e planeamento das regiões. No Continente estavam previstas as seguintes 5  NUTII : (https://pt.wikipedia.org/wiki/NUTS_de_Portugal): Norte--Centro-Grande Lisboa-Alentejo-Algarve .

Infelizmente, o exagero provinciano/bairrista descentralizador (que ainda mantem o exagerado número de 18 distritos), com a desculpa de que os índices de PIB per capita reduziam os financiamentos europeus, conduziu à criação de mais duas NUTII: Península de Setubal (com uma NUTIII apenas) e Oeste Vale do Tejo (com três NUTIII: Oeste - Médio Tejo - Lezíria do Tejo). Receiam-se grandes dificuldades na preparação dos SUMP da Área Metropolitana de Lisboa e a sua articulação com as infraestruturas de mobilidade dos nós urbanos nos termos dos artigos 40 a 42 do regulamento 2024/1679, especialmente quando a decisão sobre os traçados de AV e dos serviços suburbanos foi delegada na IP pela AR e pelo governo .  Igualmente se esperam dificuldades no planeamento da prevenção e do combate aos incêndios.

2 - Guardas florestais - Recorda-se o erro de gestão da extinção dos guardas florestais e a necessidade de sua reativação para funções de prevenção, vigilância e atualização de cadastros

3 - Torres de vigilância - Recorda-se a necessidade da sua reativação com guarnecimento presencial, eventualmente com recurso a trabalho em part time ou como serviço cívico

4 - Aceiros - a construir novos aceiros de maior largura e divisão dos terrenos 

5 - Vigilancia por satélite - em integração com a UE

6 - Criação de uma rede de centrais de bio massa

7 - Criação de empresas públicas de âmbito regional ou privadas com regulação de preços para limpeza dos terrenos, corte e recolha dos resíduos vegetais e sua condução a centrais de bio massa. Anoto que atualmente são vulgares preços da ordem de 1500 € por ano e por hectare para corte da vegetação e tratamento dos ramos de árvores. Trata-se praticamente de um imposto.