domingo, 2 de agosto de 2026

Mais um comentário sobre o novo aeroporto num momento crítico para o futuro da ferrovia em Portugal

 

Algo inesperadamente, mas como consequencia das novas funções de Mario Centeno como comentador na CNN, o Publico divulgou a sua opinião crítica sobre a eventual falha do novo aeroporto relativamente ao país dadas eventuais restrições associadas à ligação a Lisboa. 

https://www.publico.pt/2026/08/01/opiniao/opiniao/aeroporto-serve-lisboa-falhar-pais-2183667

Excelente artigo algo inesperado para quem não conheça escritos anteriores de Mario Centeno sobre transportes. Identifica corretamente os riscos mas fá-lo de uma forma genérica sem propor medidas concretas. Sugeriria nesse sentido: 

1 – debate público sobre o que o regulamento comunitário 2024/1679 diz nos seus artigos 40 a 42 sobre planos de mobilidade de áreas metropolitanas (coloquialmente poderemos dizer que mesmo sem aeroporto tem de se investir muito dinheiro na TTT e na 4ª travessia ferroviárias para termos uma área metropolitana coesa e em “harmonia territorial”  na perspetiva da anterior NUT II) e se cumprirmos o regulamento poderemos obter algum financiamento também para os acessos ao aeroporto; 

2 – revogação enquanto é tempo (se ainda é tempo) das resoluções 98/2024 da AR e 77/2025 RCM que aprovam o PFN  atribuindo à IP o planeamento das redes AV e serviço do aeroporto à IP , e por essa via, aos seus consultores, sendo por demais conhecidas as ineficiências da sua política ferroviária (não por culpa de quem lá trabalha mas pelos constrangimentos impostos pelas superiores e indiscutíveis decisões).  

Numa altura em que uma interpretação tendenciosamente errada do regulamento 1679 levou os ministérios dos transportes de Espanha e Portugal a enviar uma análise de custos benefícios negativa sobre a "migração" para bitola europeia da totalidade da rede em bitola ibérica (coisa que o regulamento não pediu) e sendo crítico o diferimento da construção das novas linhas em bitola europeia do corredor atlântico (essas sim requeridas pelo regulamento 1679) para o crescimento das exportações de bens para a Europa alémPirineus e para a transferencia da para a ferrovia da carga rodoviária e dos passageiros das ligações aéreas conforme o Green Deal, estaremos  a perder uma oportunidade de mudança benéfica.                                                                       https://fcsseratostenes.blogspot.com/2026/07/a-estranha-recusa-do-ministerio-de.html

As propostas 1 e 2 resultam do absoluto fecho do governo e da IP à discussão e alteração das suas orientações  e o ideal seria concretizarem-se, já que os críticos não são ouvidos, através de um concurso público internacional para seleção de um consultor credenciado para o estudo da inserção do aeroporto ao serviço do país e da área metropolitana (ex NUT II) conforme a regulamentação comunitária. 

Gostaria ainda de discordar da sua afirmação de que a abordagem radial não é possível e sobre o efeito barreira do rio. Quando existem soluções de engenharia (TTT em túnel, parcial ou totalmente, a norte da PVG, mudança da localização da estação principal de AV , corredor da A13 veja-se o aeroporto de Macau, o Schipol. Kansai) naturalmente com custos elevados mas com retorno de benefícios da “harmonia territorial”. 

Quanto à opacidade financeira, é de facto um problema, como aliás as cartas ao  director têm mostrado através  dos diálogos entre Dona Inércia e Dona Opaca. Com os melhores cumprimentos.