A Associação Estrada Viva reagiu ao acidente no Porto com a morte de uma jovem em trotineta, atirando as culpas para os automóveis: "as trotinetas "não são um problema comparadas com os automóveis"
Enviei o seguinte comentário.
A comparação entre sinistralidade automóveis e sinistralidade trotinetas (para os próprios utilizadores) só é correta multiplicando o número de pessoas transportadas em cada modo pelos km percorridos. A estatística em Portugal mistura bicicletas e trotinetas e oculta a quilometragem percorrida. Por hipótese na área metropolitana de Lisboa 400.000 autos por dia e cada um percorre 30km , dá 12 milhões de passageiros-km/dia (simplificando 1pessoa/auto); 30.000 trotinetas x 5km = 0,15 milhões de passageiros-km/dia.
Se a taxa de sinistralidade se medir em vítimas mortais por milhão de passageiros-km, 1 morte em trotineta equivale em gravidade à morte de cerca de 100 pessoas em automóvel. Segundo a estatistica da União Europeia, em 2024 houve 148 vitimas mortais em acidentes de trotineta cerca de 5 por ano e por país, sendo 58 em colisão com autos e 66 por despiste (números pela mesma ordem para bicicletas 1819-817-498; motas 4162-1787-1493; autos 8712-2675-3805) .
Isto é, a culpa não é só dos automóveis, é de todos, em colisões e em despistes, e não é só cá em Portugal. Necessária a redução das velocidades, o cumprimento do Código (também pelos duas rodas) e campanhas publicitárias obrigatórias de sensibilização com os comportamentos positivos. Falhando alguma destas continuará tudo na mesma com uns a atirarem as culpas para cima dos outros.
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