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| parabens à privada Ana, o seu aeroporto está um mimo, aproxima-se dos volumes do aeroporto de Málaga de há 10 anos atrás (já é um progresso) |
domingo, 28 de fevereiro de 2016
Aeroporto, aeroporto, fevereiro de 2016
As taxas de juro em fevereiro de 2016
Não, não são as taxas que as obrigações do tesouro português têm de pagar "aos mercados".
Refiro-me à taxa Euribor a 6 meses, aquela que às vezes é notícia por ser "manipulada" à conveniência de grandes bancos (com a devida vénia ao DN):
A teoria económica diz que se a taxa de inflação está alta aumentar a taxa de juro reduz a inflação e que se queremos aumentar a inflação devemos baixar a taxa de juro. Mas o que vemos é as taxas de juro a baixar, até negativas(!?) e a inflação a manter-se muito abaixo dos 2%.
http://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/convidados/interior/o-dinheiro-de-helicoptero-pode-nao-estar-muito-distante-5046431.html
http://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/yanis-varoufakis/interior/europa-a-democracia-ou-o-fim-5046361.html
http://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/wolfgang-munchau/interior/o-regresso-dos-gemeos-toxicos-das-financas-europeias-5029863.html
Refiro-me à taxa Euribor a 6 meses, aquela que às vezes é notícia por ser "manipulada" à conveniência de grandes bancos (com a devida vénia ao DN):
A teoria económica diz que se a taxa de inflação está alta aumentar a taxa de juro reduz a inflação e que se queremos aumentar a inflação devemos baixar a taxa de juro. Mas o que vemos é as taxas de juro a baixar, até negativas(!?) e a inflação a manter-se muito abaixo dos 2%.
Taxas de juro baixas e inflação e nível de
preços baixos podem ser muito interessantes para quem quer obter empréstimos e
comprar barato. Mas se quem quer obter empréstimos quer investir numa fábrica,
como é que se vai lançar nisso se a inflação e o nível de preços
estiverem baixos, pelo que teria de vender os seus produtos abaixo do preço de
produção e abaixo dos próprios juros?
É evidente: a economia europeia foi a que
reagiu pior à depressão de 2008.
Pobre Mario Draghi que parece que já
percebeu e que está a falar sozinho. Os sábios da troika não querem ouvir falar
de estímulos à produção (nem em combater o desemprego, nem em valorizar o fator
trabalho em detrimento do fator capital - claro que tem de se ampliar o plano
Juncker para além dos programas 2020, com a colaboração de equipas mistas para
estudo de investimentos, especialmente em países em que os decisores são
pessoas tão importantes que sabem sempre tudo, quer sejam presidentes de
empresas públicas ferroviárias ou rodoviárias, quer sejam presidentes de
câmaras de cidades com circulares entupidas).
E contudo, graças ao DN, é interessante
registar as opiniões de:
- Martin Wolf, economista chefe do
Financial Times: "os principais governos podem pedir emprestado com taxas
de juro reais nulas, ou até negativas a longo prazo. A obsessão pela
austeridade, mesmo quando os custos dos empréstimos são tão baixos, é de
loucos"... "os bancos centrais poderiam enviar dinheiro , de
preferencia em formato eletrónico, a todos os cidadãos adultos"...
Quando um ignorante como eu diz isto (ver
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2016/01/conto-fantastico-o-petroleo-ou-um-dia.html
) , e um economista como Martin Wolf também , a probabilidade de ser
verdade que os decisores estão loucos deve ser muito próxima de 1. Talvez
porque uma lei não obedece a curvas lineares, pode variar a sua derivada
consoante o domínio em que as variáveis se encontram . Não esperem que
aumentando o valor absoluto de taxas de juro negativas que a taxa de inflação
suba. É física, não é economia. A taxa de juro que uma empresa produtiva paga
depende das suas coordenadas geográficas, não da sua produtividade.
- Yanis Varoufakis, ex-ministro das
finanças da Grécia "embora os países europeus tenham permanecido
democráticos, as instituições da UE, para onde a soberania sobre as decisões
cruciais foi transferida, permaneceram sem democracia" ... "tal como
acontece com todos os gestores de carteis, os tecnocratas da UE trataram a
verdadeira democracia pan-europeia como uma ameaça ... quem se opõe à abordagem
tecnocrática é rotulado de anti-europeu" ... (nota minha: esta deve ser
dedicada ao senhor deputado Paulo Rangel).
O valor e a segurança de um depósito de um
cidadão europeu depende das coordenadas geográficas do seu banco. Mais uma vez
a física, não a economia.
Vale ainda a pena uma terceira opinião:
- Wolfgang Munchau: "Olhando para trás, o
erro crasso cometido pelas autoridades europeias foi não terem conseguido
limpar o sistema bancário em 2008, após o colapso do Lehman Brothers. Esse foi
o pecado original. Posteriormente, muitos mais erros agravaram o problema: a
austeridade orçamental pró-cíclica, as várias falhas de política do BCE e o
fracasso na criação de uma união bancária adequada. O mais curioso é que cada
uma dessas decisões foi, essencialmente, resultado da pressão exercida pelos
políticos alemães"
http://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/convidados/interior/o-dinheiro-de-helicoptero-pode-nao-estar-muito-distante-5046431.html
http://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/yanis-varoufakis/interior/europa-a-democracia-ou-o-fim-5046361.html
http://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/wolfgang-munchau/interior/o-regresso-dos-gemeos-toxicos-das-financas-europeias-5029863.html
Irlanda, fevereiro de 2016
Interessam-me alguns factos da Irlanda nestes tempos.
Primeiro, o seu sistema eleitoral para as legislativas: por voto preferencial, transferível para respeitar a ordem de preferencia expressa pelo eleitor (se o candidato X não puder ser eleito por insuficiencia de votos, então, por mim, que seja o candidato Y). Em princípio, parecerá que os pequenos partidos poderão ser menos representados. No entanto, pode suceder que o candidato Y, que atépoderá ser independente, obtenha uma votação elevada.
Para as presidenciais penso que é o sistema ideal, especialmente se houvesse vice-presidente (não duplas fixas presidente-vice-presidente).
Para as legislativas, continuo a preferir o método de Hondt (existem variantes do método proporcional). Por mim, a variante seria aproveitar todos os votos perdidos e atribuir proporcionalmente , de acordo com a menor média (eleitores por eleito), n deputados por um círculo nacional (além de diminuir o número de círculos distritais, precisamente para diminuir as perdas dos pequenos partidos.
Devemos aproveitar as lições da história, de que partidos únicos e falta de diversidade não dão bons resultados, devemos apoiar a existencia da diversidade de partidos e de formas de participação cívica. A questão da "governabilidade" está relacionada com a dificuldade de compreensão entre as pessoas e isso combate-se com técnicas de organização e métodos, e é normalmente invocada por quem consegue obter o apoio de maiorias para infernizar a vida de minorias.
Infelizmente o sistema eleitoral é um tema de matemática complexa, objeto de estudo desde finais dos século XVIII (Condorcet, Bordas...) e de teses que já deram um prémio Nobel de Economia. Mas enfim, apesar de tudo a sabedoria popular, mesmo ignorando os teoremas, pode chegar a uma conclusão útil, desde que a informação circule e não seja manipulada pela comunicação social e pelos políticos interesseiros.
Sistemas como o americano, "quem tiver mais votos leva tudo" é primitivo porque anterior ao desenvolvimento matemático do tema. Infelizmente cristalizou e os norte-americanos não saem dele.
Mas vamos à Irlanda, que apesar de tudo, e o tudo é o cumprimento escrupuloso do diktat da troika, além de que o peso financeiro das colónias irlandesas nos USA e no mundo inte,iro garante investimento estrangeiro que equilibra o saldo orçamental.
Quanto aso indicadores, temos, com a devida vénia ao DN e Dinheiro Vivo:
Apesar de uma boa evolução do PIB, mantem-se o défice público e uma dívida pública elevada (provavelmente a privada não será tão elevada, pela razão exposta, alto investimento estrangeiro, o que mostrará a inoperancia das medidas da troika). Notar que apesar da existencia de défice a dívida diminuiu (provavelmente devido a privatizações mais rentáveis do que as portuguesas).
Para comparar a evolução do PIB com a da Alemanha, zona euro e Espanha:
Aparentemente, não são os governos de países de economias periféricas que são inteiramente responsáveis pelos descalabros e pelos exitos. As curvas movem-se de forma semelhante, são interdependentes, com já a economia clássica sabia. Quando muito, os governos serão responsáveis por parte da diferença entre os melhores e os piores indicadores. E mesmo assim o condicionalismo externo é extremamente forte. Não culpemos os pensionistas e os funcionários públicos pela desgraça nem pela evidência de que a economia europeia foi a que pior reagiu à depressão de 2008.
Mas confesso, tenho inveja de alguns factos irlandeses. Por exemplo, aproveitaram fundos comunitários para estudo da ligação entre os seus parques eólicos e as redes elétricas francesa e inglesa através de cabos submarinos de muito alta tensão contínua (exemplo que deveria servir para Portugal para exportação do seu excesso de capacidade instalada através de cabo submarino entre o Minho ou Galiza e o golfo da Biscaia).
Primeiro, o seu sistema eleitoral para as legislativas: por voto preferencial, transferível para respeitar a ordem de preferencia expressa pelo eleitor (se o candidato X não puder ser eleito por insuficiencia de votos, então, por mim, que seja o candidato Y). Em princípio, parecerá que os pequenos partidos poderão ser menos representados. No entanto, pode suceder que o candidato Y, que atépoderá ser independente, obtenha uma votação elevada.
Para as presidenciais penso que é o sistema ideal, especialmente se houvesse vice-presidente (não duplas fixas presidente-vice-presidente).
Para as legislativas, continuo a preferir o método de Hondt (existem variantes do método proporcional). Por mim, a variante seria aproveitar todos os votos perdidos e atribuir proporcionalmente , de acordo com a menor média (eleitores por eleito), n deputados por um círculo nacional (além de diminuir o número de círculos distritais, precisamente para diminuir as perdas dos pequenos partidos.
Devemos aproveitar as lições da história, de que partidos únicos e falta de diversidade não dão bons resultados, devemos apoiar a existencia da diversidade de partidos e de formas de participação cívica. A questão da "governabilidade" está relacionada com a dificuldade de compreensão entre as pessoas e isso combate-se com técnicas de organização e métodos, e é normalmente invocada por quem consegue obter o apoio de maiorias para infernizar a vida de minorias.
Infelizmente o sistema eleitoral é um tema de matemática complexa, objeto de estudo desde finais dos século XVIII (Condorcet, Bordas...) e de teses que já deram um prémio Nobel de Economia. Mas enfim, apesar de tudo a sabedoria popular, mesmo ignorando os teoremas, pode chegar a uma conclusão útil, desde que a informação circule e não seja manipulada pela comunicação social e pelos políticos interesseiros.
Sistemas como o americano, "quem tiver mais votos leva tudo" é primitivo porque anterior ao desenvolvimento matemático do tema. Infelizmente cristalizou e os norte-americanos não saem dele.
Mas vamos à Irlanda, que apesar de tudo, e o tudo é o cumprimento escrupuloso do diktat da troika, além de que o peso financeiro das colónias irlandesas nos USA e no mundo inte,iro garante investimento estrangeiro que equilibra o saldo orçamental.
Quanto aso indicadores, temos, com a devida vénia ao DN e Dinheiro Vivo:
Apesar de uma boa evolução do PIB, mantem-se o défice público e uma dívida pública elevada (provavelmente a privada não será tão elevada, pela razão exposta, alto investimento estrangeiro, o que mostrará a inoperancia das medidas da troika). Notar que apesar da existencia de défice a dívida diminuiu (provavelmente devido a privatizações mais rentáveis do que as portuguesas).
Para comparar a evolução do PIB com a da Alemanha, zona euro e Espanha:
Aparentemente, não são os governos de países de economias periféricas que são inteiramente responsáveis pelos descalabros e pelos exitos. As curvas movem-se de forma semelhante, são interdependentes, com já a economia clássica sabia. Quando muito, os governos serão responsáveis por parte da diferença entre os melhores e os piores indicadores. E mesmo assim o condicionalismo externo é extremamente forte. Não culpemos os pensionistas e os funcionários públicos pela desgraça nem pela evidência de que a economia europeia foi a que pior reagiu à depressão de 2008.
Mas confesso, tenho inveja de alguns factos irlandeses. Por exemplo, aproveitaram fundos comunitários para estudo da ligação entre os seus parques eólicos e as redes elétricas francesa e inglesa através de cabos submarinos de muito alta tensão contínua (exemplo que deveria servir para Portugal para exportação do seu excesso de capacidade instalada através de cabo submarino entre o Minho ou Galiza e o golfo da Biscaia).
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
O acidente em Dalfsen, na Holanda
Este acidente coloca a questão da segurança do maquinista, num caso em que ele não poderia evitar o acidente.
Com as informações disponíveis baseadas em testemunhos visuais, não é possível evitar este tipo de acidentes (colisão do comboio com uma grua do tipo caterpillar que atravessava a linha numa passagem de nível).
Isto é, o tempo de atravessamento da linha por um veículo do tipo da grua é superior ao intervalo entre comboios suburbanos.
Não é possível explorar em segurança uma linha de suburbanos, para mais em via única, com passagens de nível. Por mais cancelas automatizadas que se ponham, por mais alarmes que se ponham (as distancias de travagem para 80 km/h são de cerca de 350m), por mais sistemas de pedido de atravessamento com interrupção da circulação ferroviária.
Não dá.
Na Holanda, em 2015, houve 30 acidentes em passagens de nível, com 13 mortos.
É inadmissível, é intolerável.
As pessoas têm direito a viajar de comboio e nas estradas sem correrem estes riscos.
No caso de Dalfsen já se quer transformar o condutor da grua em bode expiatório (o código da estrada na Holanda não obriga a acompanhar a grua por um agente da polícia? o caminho era privado e atravessava a linha?), não os decisores que não preparam as infraestruturas para o tráfego requerido.
Com as informações disponíveis baseadas em testemunhos visuais, não é possível evitar este tipo de acidentes (colisão do comboio com uma grua do tipo caterpillar que atravessava a linha numa passagem de nível).
Isto é, o tempo de atravessamento da linha por um veículo do tipo da grua é superior ao intervalo entre comboios suburbanos.
Não é possível explorar em segurança uma linha de suburbanos, para mais em via única, com passagens de nível. Por mais cancelas automatizadas que se ponham, por mais alarmes que se ponham (as distancias de travagem para 80 km/h são de cerca de 350m), por mais sistemas de pedido de atravessamento com interrupção da circulação ferroviária.
Não dá.
Na Holanda, em 2015, houve 30 acidentes em passagens de nível, com 13 mortos.
É inadmissível, é intolerável.
As pessoas têm direito a viajar de comboio e nas estradas sem correrem estes riscos.
No caso de Dalfsen já se quer transformar o condutor da grua em bode expiatório (o código da estrada na Holanda não obriga a acompanhar a grua por um agente da polícia? o caminho era privado e atravessava a linha?), não os decisores que não preparam as infraestruturas para o tráfego requerido.
domingo, 21 de fevereiro de 2016
Vende-se
Vende-se, não a estátua, não o candeeiro, nem a ave que excrementiza a cabeça da estátua do Dona Maria.
Vende-se o edifício da CP, lá em cima.
Vítima do critério de "produtividade espacial", o inverso de m2 por funcionário, isto é, número de funcionários por m2.
Curioso Musk, o empresário do Tesla, achar que precisa de muitos m2 livres na sua fábrica.
Diferenças de conceções.
Até quando? como perguntava Catão.
Vende-se o edifício da CP, lá em cima.
Vítima do critério de "produtividade espacial", o inverso de m2 por funcionário, isto é, número de funcionários por m2.
Curioso Musk, o empresário do Tesla, achar que precisa de muitos m2 livres na sua fábrica.
Diferenças de conceções.
Até quando? como perguntava Catão.
Odeon, fevereiro de 2016
Saudosismo
Sou um saudosista, pronto. Tenho saudades do símbolo antigo do metro de Lisboa. Mas ainda há algumas estações que o mantêm. M clássico. Nos anos noventa uma credenciada empresa de publicidade ganhou um concurso para"uma nova identidade". Também é bonito, mas eu gostava mais do clássico. Não digo onde está. Tenho medo que se lembrem dele.
sábado, 20 de fevereiro de 2016
Portugal na balança da Europa de Almeida Garrett
"Quando pois, ó varões athenienses, quando o que vos cumpre haveis de fazer? Quando alguma coisa accontecer? Quando a desgraça vier? E do presente estado de coisas qual deve ser a vossa opinião? ... querereis continuar a andar como vadios pelas praças perguntando uns aos outros: o que ha de novo? - e que maior novidade póde haver do que subjugar o Macedónio os Athenienses, e estar dando leis à Grécia? ... cedo vos fareis vos mesmos outro Philippe (o Macedónio) se, como atequi haveis feito, continuardes a cuidar assim de vossas coisas."
Demosthen, Philipp
Transcrição, com a grafia da época, da citação de Demostenes com que Almeida Garrett iniciou o seu livro Portugal na balança da Europa (edição fac-simile da Universidade de Coimbra e Edições a Bela e o Monstro,2013, sobre a edição de 1830 de S.W.Sustenance, 162 Piccadilly, Londres, preço 6 s).
O autor analisa a condução catastrófica dos destinos do país ao longo da história pela oligarquia (o governo de poucos) em lugar do que hoje chamamos meritocracia, mas a que na altura chamou aristocracia (o governo dos ótimos, do grego aristos).
Para concluir, dada a penúria de recursos, que se não for possível a soberania plena, ao menos, "talvez uma federação..." (na altura, a federação seria com a Espanha; na atualidade a federação será com a União Europeia).
Eu diria federação, não protetorado, e mais diria que se passa tempo demais nas praças, sem produzir... e que no esforço coletivo de maior número possível de cidadãos e cidadãs participantes nos processos políticos a todos os níveis, se concretizará a ideia do "governo dos ótimos", ou democracia participativa (passe a redundância).
Demosthen, Philipp
Transcrição, com a grafia da época, da citação de Demostenes com que Almeida Garrett iniciou o seu livro Portugal na balança da Europa (edição fac-simile da Universidade de Coimbra e Edições a Bela e o Monstro,2013, sobre a edição de 1830 de S.W.Sustenance, 162 Piccadilly, Londres, preço 6 s).
O autor analisa a condução catastrófica dos destinos do país ao longo da história pela oligarquia (o governo de poucos) em lugar do que hoje chamamos meritocracia, mas a que na altura chamou aristocracia (o governo dos ótimos, do grego aristos).
Para concluir, dada a penúria de recursos, que se não for possível a soberania plena, ao menos, "talvez uma federação..." (na altura, a federação seria com a Espanha; na atualidade a federação será com a União Europeia).
Eu diria federação, não protetorado, e mais diria que se passa tempo demais nas praças, sem produzir... e que no esforço coletivo de maior número possível de cidadãos e cidadãs participantes nos processos políticos a todos os níveis, se concretizará a ideia do "governo dos ótimos", ou democracia participativa (passe a redundância).
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| junto da Ginjinha do Rossio, de copinho de plástico na mão,"o que há de novo?" |
What a wonderfull world, the lady in nº6
Que mundo maravilhoso, e não é só uma recordação de Louis Armstrong, é o encantamento perante a senhora retratada na reportagem televisiva da Reed Entertainement, que a RTP3 retransmitiu, que Ferreira Fernandes "apanhou" na sua crónica, e que o pseudónimo Dom Dinis "pregou" no youtube. Senhora de 109 anos.
Maravilhoso mundo da internet (e do resto), ainda que... fica bem clara na reportagem a monstruosidade dos campos de concentração nazis, onde a senhora esteve presa, no extraordinário campo de Teresienstadt.
Extraordinário porque os nazis quiseram fazer crer que protegiam os artistas até que a guerra acabasse. E convenceram disso os visitantes da Cruz Vermelha que os visitaram periodicamente. Ocorre-me que as grandes potencias, atualmente, fazem o mesmo com a guerra da Síria e da Líbia, ignoram...Uma sobrevivente de Auschwitz, violoncelista, tocou para o demente dr Mengele...
Mas a senhora do nº6 faz acreditar na espécie humana, "eu olho para o lado bom...não odeio, nem nunca odiarei, o ódio gera ódio... devíamos agradecer a Bach ..."
Isto vai, ao longo do processo histórico...
Maravilhoso mundo da internet (e do resto), ainda que... fica bem clara na reportagem a monstruosidade dos campos de concentração nazis, onde a senhora esteve presa, no extraordinário campo de Teresienstadt.
Extraordinário porque os nazis quiseram fazer crer que protegiam os artistas até que a guerra acabasse. E convenceram disso os visitantes da Cruz Vermelha que os visitaram periodicamente. Ocorre-me que as grandes potencias, atualmente, fazem o mesmo com a guerra da Síria e da Líbia, ignoram...Uma sobrevivente de Auschwitz, violoncelista, tocou para o demente dr Mengele...
Mas a senhora do nº6 faz acreditar na espécie humana, "eu olho para o lado bom...não odeio, nem nunca odiarei, o ódio gera ódio... devíamos agradecer a Bach ..."
Isto vai, ao longo do processo histórico...
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016
O Titanic em Portugal em 2016
A propósito da crónica do professor João Cesar das Neves no
DN de 18 de fevereiro de 2016
Caro Professor
Com muita pena minha, eu, membro do grupo dos reformados do
metropolitano a quem cortaram o complemento de reforma, não tenho tido
oportunidade de comentar as suas quase sempre apreciadas crónicas no DN.
Discordando normalmente de si, gosto porém de apreciar os
seus argumentos e, pelo meu lado, de protestar, sabendo embora que fui, e sou,
um privilegiado cujos privilégios ajudaram a afundar o Titanic, conforme se
poderia interpretar a sua metáfora do DN de 18 de fevereiro.
Embora, de cada vez que o professor fala em austeridade e
privilégios insustentáveis na parte dos rendimentos do trabalho, eu me lembre
do gráfico que circulou recentemente, a riqueza dos 50% com registos bancários
mais pobres no mundo a perder rendimentos e as 62 pessoas mais ricas a
ganhá-los:
O seu Titanic é de facto uma interessante metáfora, que eu
gostaria de comentar da seguinte forma.
Não há dúvida, o navio da economia portuguesa chocou com o
iceberg em 2008.
Mas olhe que a bordo havia quem dava atenção ao rumo errado.
Por exemplo, o professor Medina Carreira, e até eu, em comunicações que fazia
no metropolitano, com base em análises sobre o problema da energia.
Se a companhia do Titanic não tivesse já implementado alguns
cortes, como o corte da compra de binóculos mais eficazes, talvez o piloto
tivesse avistado o iceberg a tempo de uma manobra salvadora. Estes critérios
economicistas às vezes vão contra a segurança…
Ou talvez se a administração da companhia, que não percebia
nada de navegação (sei do que falo, como técnico do metropolitano fartei-me de
ver ignorantes na sua administração) não tivesse aquela ideia maluca de provar
a sua competitividade chegando mais depressa a Nova York do que os
competidores, em vez de estar sossegadinha como o capitão queria, para não bater
em icebergs, talvez que, talvez que…
Mas são suposições.
Mais certo é dizer que a sua ficção está correta. O navio
bateu no iceberg e só 10% foi abaixo.
Quem dera que a realidade do Titanic tivesse sido essa. Mas
não foi. O piloto torceu todo o leme para tentar fugir (errado, devia bater com
a proa, mais resistente do que o bordo e isolada por paredes estanques do resto
do casco; ao contrário do rasgo lateral, em que o iceberg foi sucessivamente
abrindo todos os compartimentos estanques que não puderam assim cumprir a sua
missão de projeto, manter a flutuabilidade) e gritou para a casa das máquinas “máxima
força à ré” (errado, se queria virar, devia acelerar; certo, se queria bater de
frente).
Eu diria que bater de frente era manter uma política de
investimento (se não havia dinheiro em Portugal teria de vir da União europeia,
certo? Mas esse Tricheur, perdão, Trichet…) e tentar virar seria uma política
de austeridade que abre um rasgo no bordo do casco de muito mais do que 10% (por
causa dos multiplicadores errados conforme disse a sra Lagarde, não foi?).
Mas não é este o sentido da sua metáfora.
Embora eu concorde com a ideia do flutuador, mas estava a
pensar mais no flutuador ( e do combustível, claro) do investimento.
Até o almirante Draghi já veio dizer, com todas as letras, que
as políticas orçamentais têm de considerar mais investimento público, que isso
se está a perceber cada vez mais…palavras do almirante… e que pena se ouvir
falar tão pouco do CEF, cujas candidaturas por Portugal estão entregues sabe-se
lá a quem, sem discussão pública…
E também concordo com o flutuador do trabalho nas chapas
rasgadas do Titanic (rasgadas, como diz, ao nível do cavername do BES e do
BANIF, sem qualquer culpa dos reformados do metro, perdão, dos marinheiros) ou em
infraestruturas de um país civilizado, que nunca me neguei, nem eu nem os meus
colegas reformados privilegiados do metropolitano, a trabalhar nelas, mesmo que
fosse preciso fazê-lo no natal ou no ano novo.
Aceito a sua dúvida sobre outros critérios de flutuabilidade, mas desculpará dizer-lhe
que não está próxima da realidade a sua afirmação de que não havia alternativa
contra o risco de afogamento (TINA? Penso antes que TIAA) e nunca foi explicada
“qual a opção credível e viável de flutuação” .
Como assim? Dito por quem escreveu, como dizia a viúva
Helmsley, “os ricos não pagam impostos”. Quando ainda há tantas entidades para
isentar da isenção de IMI? quando ainda temos a taxa Tobin nos arquétipos?
quando é insignificante a deslocação do rendimento do capital para o trabalho e
quando o engenheiro de finanças, perdão, de máquinas do navio, do novo capitão
(não, não votei nele, mas confesso que votei num dos partidos que o sentaram na
ponte de comando), consegue armar o quadro Excel das transferências de
rendimentos de modo a manter a carga
fiscal e os critérios do tratado de funcionamento da UE, já criticados pelo
almirante Draghi?
Que fugirão, os fornecedores de flutuadores e de
combustível, perdão, os investidores? Para onde? se até a Suiça acabou com o
sigilo bancário e o presidente dos USA aplica multas a off-shores e a bancos
manipuladores (será verdade que o Deutsche Bank imparidadou 6 mil milhões? Terão
sido os marinheiros do Titanic?).
E não digo isto por achar bem o tal cartaz da JCP que
criticou. Que também não acho, com os peixinhos pequenos a querer comer o peixe
grande (lembra-se do Padre António Vieira a ralhar aos peixes? "Não só vos comeis uns aos outros, senão que
os grandes comem os pequenos. Se fora pelo contrário, era menos mal. Se os
pequenos comeram os grandes, bastara um grande para muitos pequenos; mas como
os grandes comem os pequenos, não bastam cem pequenos, nem mil, para um só
grande... A diferença que há entre o pão e os outros comeres é que para a carne
há dias de carne, e para o peixe dias de peixe, e para as frutas diferentes meses
do ano; porém, o pão é comer de todos os dias, que sempre e continuadamente se
come: e isto é o que padecem os pequenos. São o pão quotidiano dos grandes; e
assim como o pão se come com tudo, assim com tudo e em tudo são comidos os
miseráveis pequenos").
Não diga por isso (no sentido de ser uma proposta que eu
faço, não quero impor nem proibir nada) que os marinheiros só pensam em “reduzir
os preços dos restaurantes, aumentar os consumos” (sim, mas também os impostos
sobre os combustíveis e o crédito, para equilibrar o navio…) , “retomar a festa”
(se cumprirmos o artigo da CRP sobre as políticas ativas de emprego reduzimos o
tempo para as festas, certo? Não ao desemprego e ao excesso de tempo livre para
festa) e “redecorar os camarotes dos pensionistas”.
Enfim, professor, a propósito desta sua última frase, muito
gostaria que comentasse, se lhes achar algum interesse, uns pequenos cálculos
que fiz sobre o valor de investimento do diferencial de vencimentos ao longo
dos anos em que os vencimentos no metropolitano foram substancialmente
inferiores aos do setor privado e simplesmente inferiores aos de outras
empresas públicas, e que justificava o conceito de complementos de reforma, vigente
na contratação coletiva para admitidos até 2004:
Com os melhores cumprimentos e votos de saúde
Fernando Santos e Silva
Etiquetas:
João Cesar das Neves,
Titanic
Os hipermercados e o imposto sobre os combustíveis
Queixam-se as virgens púdicas de que o imposto sobre produtos petrolíferos, 6 centimos por litro, vai repercutir-se ao longo da cadeia da economia e encarecer as coisas.
Até nem seria muito mau, já se viu que a deflação é como a austeridade, mata a economia.
Mas não e o essencial, o que interessa é limitar as importações, no caso de combustíveis fosseis.
Analisemos o caso da grande distribuição e da procura pelos consumidores através da utilização do seu transporte privado, assunto já tratado neste blogue, a propósito da lei de Fermat-Weber (cujo estudo devia ser obrigatório nas faculdades de Economia):
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/search?q=fermat+weber
Seja D os custos de combustível duma grande distribuidora para abastecimento de uma sua grande superfície comercial, representada na figura da situação I por um quadrado.
Seja "a" a distancia média entre os consumidores e o hipermercado, admitindo que corresponde aos custos de combustível para os consumidores se abastecerem.
Temos assim para a situação I:
custos de combustível dos consumidores: 8a
custos de combustível da distribuidora: D
Admitamos agora que os consumidores perceberam que estavam a suportar custos de combustível da distribuidora por terem de se deslocar demasiado longe, o que obrigou a distribuidora a repensar a sua estratégia e a construir hipermercados mais pequenos mas mais perto dos consumidores, a metade da distancia entre o grande hipermercado e os consumidores e ente os pequenos hipermercados, e representados estes por quadrados mais pequenos na figura da situação II.
O balanço de custos, admitindo que se mantém o primitivo hipermercado como logística de distribuição e não contando os consumidores mais próximos do grande hipermercado, passou a ser, considerando o número de consumidores suficientemente grande para que o custo unitário do transporte da distribuidora seja semelhante aos dos consumidores:
custos de combustível dos consumidores: 4a
custos de combustível da distribuidora: 3a+D
variação da situação I para a II:
consumidores: -4a
distribuidora: +3a
variação total: -a
Isto é, com a situação II o país ficou a ganhar porque tem de importar menos "a" . Mas a distribuidora ficou a perder 3a.
Dá para pensar, não dá?
Sobre a fundamentação dos impostos, por exemplo...
Até nem seria muito mau, já se viu que a deflação é como a austeridade, mata a economia.
Mas não e o essencial, o que interessa é limitar as importações, no caso de combustíveis fosseis.
Analisemos o caso da grande distribuição e da procura pelos consumidores através da utilização do seu transporte privado, assunto já tratado neste blogue, a propósito da lei de Fermat-Weber (cujo estudo devia ser obrigatório nas faculdades de Economia):
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/search?q=fermat+weber
Seja D os custos de combustível duma grande distribuidora para abastecimento de uma sua grande superfície comercial, representada na figura da situação I por um quadrado.
Seja "a" a distancia média entre os consumidores e o hipermercado, admitindo que corresponde aos custos de combustível para os consumidores se abastecerem.
Temos assim para a situação I:
custos de combustível dos consumidores: 8a
custos de combustível da distribuidora: D
Admitamos agora que os consumidores perceberam que estavam a suportar custos de combustível da distribuidora por terem de se deslocar demasiado longe, o que obrigou a distribuidora a repensar a sua estratégia e a construir hipermercados mais pequenos mas mais perto dos consumidores, a metade da distancia entre o grande hipermercado e os consumidores e ente os pequenos hipermercados, e representados estes por quadrados mais pequenos na figura da situação II.
O balanço de custos, admitindo que se mantém o primitivo hipermercado como logística de distribuição e não contando os consumidores mais próximos do grande hipermercado, passou a ser, considerando o número de consumidores suficientemente grande para que o custo unitário do transporte da distribuidora seja semelhante aos dos consumidores:
custos de combustível dos consumidores: 4a
custos de combustível da distribuidora: 3a+D
variação da situação I para a II:
consumidores: -4a
distribuidora: +3a
variação total: -a
Isto é, com a situação II o país ficou a ganhar porque tem de importar menos "a" . Mas a distribuidora ficou a perder 3a.
Dá para pensar, não dá?
Sobre a fundamentação dos impostos, por exemplo...
Etiquetas:
combustíveis,
lei de Fermat-Weber
Deniz Gamze Erguven
Quem é Deniz Gamze Erguven?
Vou recuar no tempo para responder.
Há muitos anos, a minha professora de História propôs aos seus meninos do 4ºano (atual 8º) um trabalho de grupo sobre um tema do império romano.
Juntamente com um parceiro, resolvemos fazer a lista de todos os imperadores romanos e dos reis da Gália pré-francesa. Claro que a crítica foi a desatenção dos movimentos sociais e suas causas.
No ano seguinte, o meu professor de português passou como tema para o teste, uma redação sobre um tema que nos tivesse impressionado. Ora eu tinha ganho um certo gosto pelas histórias imperiais. Tinha comprado um livrinho com a história do império bizantino e outro, da coleção PUF (Presses universitaires de France) sobre a história da Turquia. Tinha ficado impressionado com a brutalidade de um episódio dos janízaros, a guarda pretoriana do sultão de Constantinopla, isto é, Istambul, e foi isso que pus na redação. Claro que o professor não gostou, ele que queria detetar sensibilidades artísticas e literárias para poder exibir nos seus encontros interpares.
Isto para dizer que me interesso pelos acontecimentos na Turquia e no médio oriente. Admiro o esforço de Ataturk para passar do império medieval dos otomanos para uma república laica moderna (e contudo, o senhor Erdogan é um retrógrado que tem feito o povo regredir no sentido de uma república islâmica, um pouco como seria se um partido democrata cristão reimpusesse a santa inquisição).
Achei curioso o alinhamento da Turquia com a Alemanha na I Grande Guerra, o episódio do desastre dos Dardanelos (que faziam soldados australianos em Galipoli, nos Dardanelos,a morrer tão longe da sua terra?). Compreendi por isso porque o museu de Berlim das antiguidades clássicas é tão rico. Arqueólogos alemães tinham trabalhado intensamente desde o século XIX na Asia Menor (descoberta das ruinas de Troia) e no Egito (busto de Nefertiti em Berlim). Ainda hoje a Turquia se orgulha de cuidar melhor dos vestígios da cultura grega clássica do que os próprios gregos.
O desfecho da I Grande Guerra foi fatal para o império otomano. A Inglaterra imperial, que tinha sido aliada da Turquia na guerra da Crimeia, em 1854, quando a Alemanha ainda não se tinha unificado, quis então conter o expansionismo russo e ao mesmo tempo criar espaço para os seus capitais (estava-se na revolução industrial) nos territórios do império otomano, ricos em petróleo. Foi uma aliança interesseira. Com o fim da I Grande Guerra, contida a influencia germânica, a Inglaterra pôde assenhorear-se dos poços de petróleo do Iraque ao Cáucaso e à Pérsia, ou obter alianças com a tribo saudita. E retalhar autistamente o mapa do médio oriente, com grandes culpas na situação atual. É por isso que não gostei de ver Peter O´Toole a fazer de Lawrence da Arábia.
Tem sido difícil o progresso civilizacional da Turquia. A censura dos sultões impediu até a difusão da imprensa, só vulgarizada no fim do século XIX. Os indicadores do analfabetismo eram catastróficos. A religião opôs-se ao progresso civilizacional.
E chegamos à Turquia de hoje, que eu desejaria ver integrada na União europeia, desde que respeite e cumpra os princípios básicos de uma sociedade laica, em que as mulheres possam andar de cabelos ao vento, como vemos as suas artistas nos festivais europeus, e os seus cidadãos e cidadãs a participar nas ações comuns, como eu testemunhei nas reuniões com os meus colegas do metro de Istambul. E que os orgãos institucionais respeitem e apoiem a autonomia dos curdos, em vez de criminosamente os culparem da guerra síria.
Não é só o facto da Turquia ser dos países com maior número de jornalistas presos, de manter preso Oçalan, político curdo que defende soluções pacíficas não obstante o aliado USA classificar facciosamente a sua organização como terrorista (como fez aliás com Mandela), de ser gritante a desigualdade de género devido à força religiosa. A sua política externa é perigosa principalmente por ser um aliado da NATO e reprimir a autonomia curda e por tomar partido no eterno conflito sunitas-xiitas (pense-se no período catastrófico que foi para a Europa o das guerras religiosas da Reforma e da Contrarreforma).
Ah, é verdade, Deniz Gamze Erguven, É a realizadora turca, vivendo também em França, do filme Mustang, sobre 5 raparigas cuja educação, primeiro liberal e depois reprimida, é a metáfora da Turquia moderna.
Viva a Turquia, república laica europeia.
Vou recuar no tempo para responder.
Há muitos anos, a minha professora de História propôs aos seus meninos do 4ºano (atual 8º) um trabalho de grupo sobre um tema do império romano.
Juntamente com um parceiro, resolvemos fazer a lista de todos os imperadores romanos e dos reis da Gália pré-francesa. Claro que a crítica foi a desatenção dos movimentos sociais e suas causas.
No ano seguinte, o meu professor de português passou como tema para o teste, uma redação sobre um tema que nos tivesse impressionado. Ora eu tinha ganho um certo gosto pelas histórias imperiais. Tinha comprado um livrinho com a história do império bizantino e outro, da coleção PUF (Presses universitaires de France) sobre a história da Turquia. Tinha ficado impressionado com a brutalidade de um episódio dos janízaros, a guarda pretoriana do sultão de Constantinopla, isto é, Istambul, e foi isso que pus na redação. Claro que o professor não gostou, ele que queria detetar sensibilidades artísticas e literárias para poder exibir nos seus encontros interpares.
Isto para dizer que me interesso pelos acontecimentos na Turquia e no médio oriente. Admiro o esforço de Ataturk para passar do império medieval dos otomanos para uma república laica moderna (e contudo, o senhor Erdogan é um retrógrado que tem feito o povo regredir no sentido de uma república islâmica, um pouco como seria se um partido democrata cristão reimpusesse a santa inquisição).
Achei curioso o alinhamento da Turquia com a Alemanha na I Grande Guerra, o episódio do desastre dos Dardanelos (que faziam soldados australianos em Galipoli, nos Dardanelos,a morrer tão longe da sua terra?). Compreendi por isso porque o museu de Berlim das antiguidades clássicas é tão rico. Arqueólogos alemães tinham trabalhado intensamente desde o século XIX na Asia Menor (descoberta das ruinas de Troia) e no Egito (busto de Nefertiti em Berlim). Ainda hoje a Turquia se orgulha de cuidar melhor dos vestígios da cultura grega clássica do que os próprios gregos.
O desfecho da I Grande Guerra foi fatal para o império otomano. A Inglaterra imperial, que tinha sido aliada da Turquia na guerra da Crimeia, em 1854, quando a Alemanha ainda não se tinha unificado, quis então conter o expansionismo russo e ao mesmo tempo criar espaço para os seus capitais (estava-se na revolução industrial) nos territórios do império otomano, ricos em petróleo. Foi uma aliança interesseira. Com o fim da I Grande Guerra, contida a influencia germânica, a Inglaterra pôde assenhorear-se dos poços de petróleo do Iraque ao Cáucaso e à Pérsia, ou obter alianças com a tribo saudita. E retalhar autistamente o mapa do médio oriente, com grandes culpas na situação atual. É por isso que não gostei de ver Peter O´Toole a fazer de Lawrence da Arábia.
Tem sido difícil o progresso civilizacional da Turquia. A censura dos sultões impediu até a difusão da imprensa, só vulgarizada no fim do século XIX. Os indicadores do analfabetismo eram catastróficos. A religião opôs-se ao progresso civilizacional.
E chegamos à Turquia de hoje, que eu desejaria ver integrada na União europeia, desde que respeite e cumpra os princípios básicos de uma sociedade laica, em que as mulheres possam andar de cabelos ao vento, como vemos as suas artistas nos festivais europeus, e os seus cidadãos e cidadãs a participar nas ações comuns, como eu testemunhei nas reuniões com os meus colegas do metro de Istambul. E que os orgãos institucionais respeitem e apoiem a autonomia dos curdos, em vez de criminosamente os culparem da guerra síria.
Não é só o facto da Turquia ser dos países com maior número de jornalistas presos, de manter preso Oçalan, político curdo que defende soluções pacíficas não obstante o aliado USA classificar facciosamente a sua organização como terrorista (como fez aliás com Mandela), de ser gritante a desigualdade de género devido à força religiosa. A sua política externa é perigosa principalmente por ser um aliado da NATO e reprimir a autonomia curda e por tomar partido no eterno conflito sunitas-xiitas (pense-se no período catastrófico que foi para a Europa o das guerras religiosas da Reforma e da Contrarreforma).
Ah, é verdade, Deniz Gamze Erguven, É a realizadora turca, vivendo também em França, do filme Mustang, sobre 5 raparigas cuja educação, primeiro liberal e depois reprimida, é a metáfora da Turquia moderna.
Viva a Turquia, república laica europeia.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2016
Acidente de Bad Aibling, conferencia de imprensa em 16 de fevereiro de 2016
O acidente, colisão frontal de dois comboios em via única,ocorreu em 9 de fevereiro de 2016.
As declarações sobre as prováveis causas do acidente limitaram-se, no próprio dia, ao anúncio da abertura da investigação pela entidade federal de investigação de acidentes ferroviários, Eisenbahn-Unfalluntersuchungstelle, ao anúncio do inquérito pela companhia privada que explora a linha suburbana (as infraestruturas são geridas pela Deutsche Bubdesbahn), Meridian, subsidiária da Transdev, e à informação pelo comandante da polícia que era pura especulação a hipótese de desativação do sistema de travagem automática.
Na conferencia de imprensa de 16 de fevereiro, o procurador informou que foi falha humana, do controlador de movimento do posto de comando da estação de Bad Aibling.
Assinale-se a diferença de cultura para os USA, Inglaterra e França, em que os passos da investigação são comunicados em conferencias de imprensa imediatas, e em que se chegam a recolher contribuições de cidadãos para ajudar a esclarecer as causas.
Neste caso, o site da Eisenbahn-Unfalluntersuchungstell mantem-se omisso sobre o andamento das investigações.
Assinale-se ainda o excelente serviço da BBC na tentativa de esclarecimento.
Pelas informações até agora prestadas, terá sido o controlador de Bad Aibling que terá autorizado (mediante o acendimento de 3 focos brancos ao lado do sinal vermelho, autorizando a ultrapasagem deste) o comboio no sentido para leste a avançar. Esse comboio estaria atrasado 4 minutos, chocando com o comboio no sentido de oeste que estava no seu horário e já tinha saído da estação de Kolbermoor.
É precário um regulamento de sinalização que permite a um homem só ultrapassar a indicação máxima de segurança de um sinal vermelho. A segurança ferroviária impõe que uma falha humana nunca deverá conduzir a um acidente. Logo, a afirmação do procurador de falha humana significa, na realidade, falha de projeto, o que não é admissível . Esperemos portanto que a acusação não concretize a ameaça de prisão para o controlador, que é neste caso o elo mais fraco (alguma imprensa já divulgou o seu salário anual bruto: 31500 euros, possivelmente para insinuar que é um privilegiado). Num ambiente em pressão (um dos comboios atrasado) existe o risco de troca de operações (exemplo: o controlador ter pensado em reter o comboio sentido oeste em Kolbermoor, ter-se esquecido de executar a operação e ter autorizado o comboio sentido leste a ultrapassar o sinal vermelho, não obstante o itinerário estar feito no painel de comando para o comboio sentido oeste).
Mas repito: o regulamento é precário, ultrapassar um sinal vermelho deve exigir pelo menos duas pessoas para além do maquinista, envolvendo por exemplo a comunicação rádio mutuamente confirmada (acknowledged). Além disso, o sistema de travagem automática em serviço, apesar de recente (a sua instalação foi generalizada na Alemanha depois do acidente em via única na Saxonia-Anhalt em fevereiro de 2011) é apenas pontual.
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/search?q=anhalthttp://fcsseratostenes.blogspot.pt/search?q=anhalt~
A segurança mais elevada exige um sistema ATP de controle contínuo da curva da velocidade. Que neste caso teria impedido o movimento do comboio sentido leste (a menos que o sistema ATP fosse desligado, coisa que o regulamento deve proibir, estabelecendo cantonamento de bastão piloto em caso de avaria, com presença obrigatória de operador no local e confirmação da avaria).
Para reduzir a probabilidade de acidente, um sistema pontual deve repetir os sinais equipados com as balizas de travagem automática. Neste caso, um troço de 5 km, justificar-se-ia, em cada sentido, um sinal de saída, um sinal de intermédio e um sinal de entrada, para além dos sinais de manobra das agulhas em cada estação nas extremidades do troço. Tendo autorizado a ultrapassagem do sinal de saída, o comboio teria sido travado pelo sinal intermédio. Mas são suposições e um solução de recurso, uma vez que a solução correta é controle contínuo (baseado em localização por comunicação de dados por rádio) e, em caso de avaria, um regulamento com procedimentos mais restritivos, como aliás os comentadores já foram deixando.
De assinalar também que uma linha suburbana não deve ter troços em via única e não deve ter passagens de nível, como neste caso, pelo que se manteem as principais críticas do post anterior sobre o acidente na Saxonia-Anhal, nomeadamente nos riscos dos critérios economicistas.
.
No caso de Bad Aibling, refiro ainda, com base nas informações que circularam, sujeitas a confirmação
1 - a companhia Meridian tem 35 composições, encontrando-se por vezes 10 avariadas; existe um grupo de trabalho com o fornecedor para resolver as multiplas avarias
2 - consta que os dois maquinistas se encontravam em formação, acompanhados por instrutores (todos os 4 morreram, como 7 dos 150 passageiros); não parece aconselhável mais do que uma tripulação nestas condições em plena exploração (compreende-se o fator económico, mas o esforço principal da formação deve ser em circulação noturna fora da exploração (para além do recurso a simulador)
3 - a avaliar pelas horas-minutos indicados, a velocidade não deveria ser superior a 60km/h, sendo que um dos sistemas PZB impõe a limitação de velocidade a 40km/h ao comboio autorizado a ultrapassar o vermelho (ignoro se foi o caso)
4 - no entanto, é de assinalar a estrutura deformável e possivelmente o sistema anti-climbing (antiencavalitamento) que terá evitado mais mortes
5 - a Deutche Bundesbahn apenas tem cerca de 13% de encravamentos eletrónicos (interlockings) do total de 4000 encravamentos na sua rede, sendo que neste caso o encravamento era de relés (no caso de vias únicas, é aconselhável a redundância dos circuitos de via clássicos com contadores de eixos)
Junto endereços com mais informação e 2 comentários à notícia dada pela BBC:
PS em 24 de fevereiro - Segundo informações posteriores, um dos comboios era conduzido por um maquinista em formação acompanhado por um instrutor, e o outro por um maquinista acompanhado por um colega de outra rede (situação que a confirmar-se deverá ser esclarecida do ponto de vista regulamentar). Também foi informado que um dos comboios seguia a cerca de 50 km/h, provavelmente o que passou pelo sinal vermelho depois de autorizado por telecomando (limitação automática pelo sistema PZB). Mantem-se a falta de informação peloo gabinete de investigação ed acidentes, o que considero falha grave. Mantenho a opinião de que um sistema tippo PZB, por ser pontual não tem nível de segurança suficiente. Deverá utilizar-se um ATP de controle contínuo, baseado em radiocomunicações de dados (incluindo a localização dos comboios em jogo), exigindo a intervenção de dois agentes para além do maquinista e circulação com bastão piloto em caso de avaria. Não deveria utilizar-se a via única em serviço suburbano com intervalos curtos. E não deveria nunca haver passagens de nível (não contribuiu neste caso para o acidente, contrariamente ao acidente na Holanda de 23 de fevereiro de 2016).
As declarações sobre as prováveis causas do acidente limitaram-se, no próprio dia, ao anúncio da abertura da investigação pela entidade federal de investigação de acidentes ferroviários, Eisenbahn-Unfalluntersuchungstelle, ao anúncio do inquérito pela companhia privada que explora a linha suburbana (as infraestruturas são geridas pela Deutsche Bubdesbahn), Meridian, subsidiária da Transdev, e à informação pelo comandante da polícia que era pura especulação a hipótese de desativação do sistema de travagem automática.
Na conferencia de imprensa de 16 de fevereiro, o procurador informou que foi falha humana, do controlador de movimento do posto de comando da estação de Bad Aibling.
Assinale-se a diferença de cultura para os USA, Inglaterra e França, em que os passos da investigação são comunicados em conferencias de imprensa imediatas, e em que se chegam a recolher contribuições de cidadãos para ajudar a esclarecer as causas.
Neste caso, o site da Eisenbahn-Unfalluntersuchungstell mantem-se omisso sobre o andamento das investigações.
Assinale-se ainda o excelente serviço da BBC na tentativa de esclarecimento.
Pelas informações até agora prestadas, terá sido o controlador de Bad Aibling que terá autorizado (mediante o acendimento de 3 focos brancos ao lado do sinal vermelho, autorizando a ultrapasagem deste) o comboio no sentido para leste a avançar. Esse comboio estaria atrasado 4 minutos, chocando com o comboio no sentido de oeste que estava no seu horário e já tinha saído da estação de Kolbermoor.
É precário um regulamento de sinalização que permite a um homem só ultrapassar a indicação máxima de segurança de um sinal vermelho. A segurança ferroviária impõe que uma falha humana nunca deverá conduzir a um acidente. Logo, a afirmação do procurador de falha humana significa, na realidade, falha de projeto, o que não é admissível . Esperemos portanto que a acusação não concretize a ameaça de prisão para o controlador, que é neste caso o elo mais fraco (alguma imprensa já divulgou o seu salário anual bruto: 31500 euros, possivelmente para insinuar que é um privilegiado). Num ambiente em pressão (um dos comboios atrasado) existe o risco de troca de operações (exemplo: o controlador ter pensado em reter o comboio sentido oeste em Kolbermoor, ter-se esquecido de executar a operação e ter autorizado o comboio sentido leste a ultrapassar o sinal vermelho, não obstante o itinerário estar feito no painel de comando para o comboio sentido oeste).
![]() |
| situação de risco: o sinal vermelho é anulado por telecomando dos 3 focos brancos; vê-se na via a baliza da travagem automática do sistema PZB90, desativada pelo mesmo telecomando |
Mas repito: o regulamento é precário, ultrapassar um sinal vermelho deve exigir pelo menos duas pessoas para além do maquinista, envolvendo por exemplo a comunicação rádio mutuamente confirmada (acknowledged). Além disso, o sistema de travagem automática em serviço, apesar de recente (a sua instalação foi generalizada na Alemanha depois do acidente em via única na Saxonia-Anhalt em fevereiro de 2011) é apenas pontual.
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/search?q=anhalthttp://fcsseratostenes.blogspot.pt/search?q=anhalt~
A segurança mais elevada exige um sistema ATP de controle contínuo da curva da velocidade. Que neste caso teria impedido o movimento do comboio sentido leste (a menos que o sistema ATP fosse desligado, coisa que o regulamento deve proibir, estabelecendo cantonamento de bastão piloto em caso de avaria, com presença obrigatória de operador no local e confirmação da avaria).
Para reduzir a probabilidade de acidente, um sistema pontual deve repetir os sinais equipados com as balizas de travagem automática. Neste caso, um troço de 5 km, justificar-se-ia, em cada sentido, um sinal de saída, um sinal de intermédio e um sinal de entrada, para além dos sinais de manobra das agulhas em cada estação nas extremidades do troço. Tendo autorizado a ultrapassagem do sinal de saída, o comboio teria sido travado pelo sinal intermédio. Mas são suposições e um solução de recurso, uma vez que a solução correta é controle contínuo (baseado em localização por comunicação de dados por rádio) e, em caso de avaria, um regulamento com procedimentos mais restritivos, como aliás os comentadores já foram deixando.
De assinalar também que uma linha suburbana não deve ter troços em via única e não deve ter passagens de nível, como neste caso, pelo que se manteem as principais críticas do post anterior sobre o acidente na Saxonia-Anhal, nomeadamente nos riscos dos critérios economicistas.
.
No caso de Bad Aibling, refiro ainda, com base nas informações que circularam, sujeitas a confirmação
1 - a companhia Meridian tem 35 composições, encontrando-se por vezes 10 avariadas; existe um grupo de trabalho com o fornecedor para resolver as multiplas avarias
2 - consta que os dois maquinistas se encontravam em formação, acompanhados por instrutores (todos os 4 morreram, como 7 dos 150 passageiros); não parece aconselhável mais do que uma tripulação nestas condições em plena exploração (compreende-se o fator económico, mas o esforço principal da formação deve ser em circulação noturna fora da exploração (para além do recurso a simulador)
3 - a avaliar pelas horas-minutos indicados, a velocidade não deveria ser superior a 60km/h, sendo que um dos sistemas PZB impõe a limitação de velocidade a 40km/h ao comboio autorizado a ultrapassar o vermelho (ignoro se foi o caso)
4 - no entanto, é de assinalar a estrutura deformável e possivelmente o sistema anti-climbing (antiencavalitamento) que terá evitado mais mortes
5 - a Deutche Bundesbahn apenas tem cerca de 13% de encravamentos eletrónicos (interlockings) do total de 4000 encravamentos na sua rede, sendo que neste caso o encravamento era de relés (no caso de vias únicas, é aconselhável a redundância dos circuitos de via clássicos com contadores de eixos)
Junto endereços com mais informação e 2 comentários à notícia dada pela BBC:
The only human error is stupidity of engineering. Obviously German
engineering is not all it is cracked up to be. ANY system that allows a single
human error to allow a head on collision of two trains is faulty by design.
1
Human error? Why in 21st Century in a developed nation is a human capable
of making that type of mistake without at least two automated systems kicking
in to both stop the trains and to alert all sort of people (the operator, his
boss, both engineers).
These are relatively easy engineering problems to solve (in the 21st Century) yet hasn't been done.
These are relatively easy engineering problems to solve (in the 21st Century) yet hasn't been done.
funcionamento da travagem automática PZB90:
https://en.wikipedia.org/wiki/Punktf%C3%B6rmige_Zugbeeinflussung
https://en.wikipedia.org/wiki/Punktf%C3%B6rmige_Zugbeeinflussung
PS em 24 de fevereiro - Segundo informações posteriores, um dos comboios era conduzido por um maquinista em formação acompanhado por um instrutor, e o outro por um maquinista acompanhado por um colega de outra rede (situação que a confirmar-se deverá ser esclarecida do ponto de vista regulamentar). Também foi informado que um dos comboios seguia a cerca de 50 km/h, provavelmente o que passou pelo sinal vermelho depois de autorizado por telecomando (limitação automática pelo sistema PZB). Mantem-se a falta de informação peloo gabinete de investigação ed acidentes, o que considero falha grave. Mantenho a opinião de que um sistema tippo PZB, por ser pontual não tem nível de segurança suficiente. Deverá utilizar-se um ATP de controle contínuo, baseado em radiocomunicações de dados (incluindo a localização dos comboios em jogo), exigindo a intervenção de dois agentes para além do maquinista e circulação com bastão piloto em caso de avaria. Não deveria utilizar-se a via única em serviço suburbano com intervalos curtos. E não deveria nunca haver passagens de nível (não contribuiu neste caso para o acidente, contrariamente ao acidente na Holanda de 23 de fevereiro de 2016).
Mario Draghi, em 15 de fevereiro de 2016
Notícia da RTP, Mario Draghi e o BCE: "Está a tornar-se cada vez mais claro que as políticas orçamentais devem apoiar a retoma económica através do investimento público e de uma taxação mais branda".
Deuses, mas aos anos que andamos, pelo menos alguns de nós, a dizer isso.
Deuses, mas aos anos que andamos, pelo menos alguns de nós, a dizer isso.
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
Oito lamentações à maneira de Jeremias, e uma nona lamentação ainda maior, ou as 8 condecorações
"Porque alcançam os maus tanto sucesso
e os pérfidos vivem tranquilos na sua malvadez?
Tu os plantaste e eles lançam raízes,
crescem e frutificam"
Jeremias, 12,1-2
1ª lamentação - Paulo Macedo - mostrou a sua competência como gestor e economista enquanto diretor geral das contribuições. Mas como pode compreender um hospital?
2ªlamentação - Campos Cunha - saíu para mostrar que a política do governo Sócrates era insustentável. Mas isso era o que muitos diziam na altura e não foram medalhados
3ªlamentação - Álvaro Pereira - de olhos muito abertos gritou:Vamos acabar com as vossas regalias. Foi forte com os fracos, mas os mais fortes afastaram-no
4ªlamentação - Lurdes Rodrigues - desceu às escolas, mas não para compreendê-las, antes para lhes anunciar a sua verdade. Perdeu o apoio dos professores e não ganhou o apoio do povo, apesar do presidente da República repetir Deixem trabalhar a senhora
5ªlamentação - Bagão Felix - é uma pessoa simpática e com interesse, como mostram as suas conversas televisivas, um excelente gestor de seguros e analista fiscal e da segurança social. Mas porque é tão fundamentalista nas suas opções?
6ªlamentação - Nuno Crato - como pode um bom matemático abstrair da realidade da desigualdade de condições educacionais das crianças de menores recursos económicos quando a abstração é uma força da matemática?
7ªlamentação - Rui Pereira - como se pode ser tão teórico apoiando-se em estatísticas não atualizadas quando do outro lado da cidade se executa mais um assalto a uma ourivesaria e se ignoram as correlações entre abandono escolar/desemprego e criminalidade?
8ªlamentação - Vitor Gaspar - criativo fornecedor da imagem do oásis a Braga de Macedo, como conseguiu em tão pouco tempo compreender que andamos todos a subsidiar os produtores e distribuidores de combustíveis fósseis depois de ter reduzido a parte dos rendimentos do trabalho?
Lamentação maior - como foi possível termos tido um presidente da República que animadamente revalorizou o escudo nos idos de 78, ignorou a diferença entre Tomas More e Tomas Mann e não se decidiu entre Musgrave e Buchanan enquanto amigos seus não recomendáveis exploravam as fragilidades financeiras do país? Porque ficaram tantos em casa nas eleições que ele ganhou?
Tal como Jeremias esperava o fim do cativeiro de Babilónia, também nós esperaremos o fim desta forma de vida.
sábado, 6 de fevereiro de 2016
Monsieur Moscovici, tenho de corrigir o meu post anterior
Monsieur Moscovici, tenho de corrigir, ou melhor, completar, o meu post anterior.
Gostei de o ouvir dizer que a aprovação do projeto de orçamento de Estado português para 2016, embora com reservas, tinha sido um trabalho técnico para compatibilização com as regras europeias, independentemente da cor do governo.
Assim respondia às insistentes perguntas de alguns jornalistas que gostariam de ver condenados os "extremistas" que suportam no Parlamento português o XXI governo, para utilizar a terminologia do presidente do grupo dos partidos PPE no Parlamento europeu, que o deputado português Rangel, à boa maneira de Miguel de Vasconcelos, também utiliza no mesmo Parlamento.
Claro que o orçamento, no contexto espartilhado pelas ditas regras e pelo falhanço das políticas económicas da UE, não resolve as questões do investimento, do crescimento e do desemprego. E deixa por resolver escandalos como as rendas das PPP e o defice tarifário, sem esquecer o continuado esquecimento da taxa Tobin (que diriam os prosélitos neo-liberais se o orçamento contivesse a taxa Tobin, eles que tanto se escandalizaram porque a taxa da contribuição bancária sobre os passivos subiu de 0,100% para 0,105% ...) .
Também tenho de criticar o orçamento e Monsieur Moscovici e seus comissários porque são omissos em referir a necessidade de fundos comunitários para desenvolver as infraestruturas ferroviárias e energéticas de ligação de Portugal à Europa (Horizonte 2020, plano Juncker, CEF - ou bem que somos uma união ou mal que não somos).
Mas claramente também, o orçamento desloca o esforço dos sacrifícios no sentido de quem tem maiores rendimentos.
Por isso, enquanto o Parlamento europeu não consegue mudar as regras para se atacar a sério os problemas do investimento, do crescimento e do desemprego, e esperemos que os partidos de esquerda compreendam que é aí que se devem concentrar, em ganhar uma maioria de esquerda, não em sair da UE porque internacionalismo será isso, gostaria de o felicitar pela forma civilizada como comunicou a aprovação do orçamento.
Que viva a Europa.
Gostei de o ouvir dizer que a aprovação do projeto de orçamento de Estado português para 2016, embora com reservas, tinha sido um trabalho técnico para compatibilização com as regras europeias, independentemente da cor do governo.
Assim respondia às insistentes perguntas de alguns jornalistas que gostariam de ver condenados os "extremistas" que suportam no Parlamento português o XXI governo, para utilizar a terminologia do presidente do grupo dos partidos PPE no Parlamento europeu, que o deputado português Rangel, à boa maneira de Miguel de Vasconcelos, também utiliza no mesmo Parlamento.
Claro que o orçamento, no contexto espartilhado pelas ditas regras e pelo falhanço das políticas económicas da UE, não resolve as questões do investimento, do crescimento e do desemprego. E deixa por resolver escandalos como as rendas das PPP e o defice tarifário, sem esquecer o continuado esquecimento da taxa Tobin (que diriam os prosélitos neo-liberais se o orçamento contivesse a taxa Tobin, eles que tanto se escandalizaram porque a taxa da contribuição bancária sobre os passivos subiu de 0,100% para 0,105% ...) .
Também tenho de criticar o orçamento e Monsieur Moscovici e seus comissários porque são omissos em referir a necessidade de fundos comunitários para desenvolver as infraestruturas ferroviárias e energéticas de ligação de Portugal à Europa (Horizonte 2020, plano Juncker, CEF - ou bem que somos uma união ou mal que não somos).
Mas claramente também, o orçamento desloca o esforço dos sacrifícios no sentido de quem tem maiores rendimentos.
Por isso, enquanto o Parlamento europeu não consegue mudar as regras para se atacar a sério os problemas do investimento, do crescimento e do desemprego, e esperemos que os partidos de esquerda compreendam que é aí que se devem concentrar, em ganhar uma maioria de esquerda, não em sair da UE porque internacionalismo será isso, gostaria de o felicitar pela forma civilizada como comunicou a aprovação do orçamento.
Que viva a Europa.
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| o rapto de Europa por Zeus, baixo relevo do antigo cinema Europa, agora num bloco de apartamentos, no mesmo local, em Campo de Ourique |
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Europa,
orçamento 2016
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016
Monsieur Moscovici, vocês dão cabo da paciência de um santo
Vocês fazem perder a paciência a um santo.
Estou farto das vossas implicações, de tanto com que vocês implicam. Das vossas burocracias e dos vossos fundamentalismos.
Não é que não tenham alguma razão. O nosso ministro das finanças do XXI governo é um pouco teórico, tem pouca experiência da vida real nas frentes de trabalho das empresas. É um académico. Como vocês, afinal.
Tão irrealista é um, para tal taxa de crescimento, como os outros, vocês. Como podem vocês aumentar o crescimento e cortar o desemprego com a vossa paixão pela austeridade? E como se pode crescer com a vossa austeridade, sem evitar a reestruturação da dívida (de que vocês fogem como o Shylock do mercador de Veneza) e cumprindo as vossas utópicas regras orçamentais? (ver http://ladroesdebicicletas.blogspot.pt/2014/05/o-triangulo-das-impossibilidades-da.html )
Vocês não querem ver como as vossas regras (foi isso que disseram, não foi? que há regras para cumprir) já limitaram mais do que o suficiente e o conveniente o nosso crescimento. Vá lá que já perceberam com os ingleses, que quando é preciso se mudam regras. Falta agora perceberem o que os italianos vos têm dito. Mas tiveram de bolsar aquela que a Grécia não está a fazer o suficiente para conter a vaga de refugiados. Tenham pudor, nem vale a pena argumentar perante tal disparate. Ajudem antes a parar a guerra, geoestratégico petrolífera ou lá o que for, e chamem a atenção da Turquia para respeitar o povo curdo.
Vocês estão a bloquear a Europa. O que será preciso fazer ? para vocês aceitarem isto tão simples, não podemos viver em deflação, com o desemprego e subemprego que isso acarreta, nem podemos ter diferenças de taxas de juro de país para país, nem podemos ter os defices estruturais ou suas taxas de variação que só podem existir nas vossas cabeças, nem podemos impedir o controle público das empresas estratégicas, nem podemos deixar as coisas nas vossas financeiras mãos, numa frase simples.
Parem lá de discutir se o corte das pensões e dos salários públicos é temporário ou estrutural, se entra, se sai das contas ou se pelo contrário.
Talvez só se possa sair deste impasse por ação do parlamento europeu. Mas têm de se entender para isso, os deputados europeus. Que parecem dominados pela incapacidade de se organizarem, como é caraterístico dos grupos de portugueses.
Não há paciência, vocês querem implodir a união, querem que a Grécia, a Inglaterra, nós, a Itália vos mandem passear?
Acham que não é possível? Deixem-me lembrar-vos que a seguir ao 25 de abril de 1974 também muitos governos estrangeiros ameaçaram Portugal com a quebra de negócios. Não deu em nada, a ameaça, os negócios são feitos com empresas, não com governos (pelo menos nalguns casos, os seficientes), e a Siemens, por exemplo, manteve os seus negócios. A General Eletric, por exemplo, não manteve.
São opções...
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União Europeia
domingo, 31 de janeiro de 2016
Um beijo para Taubira
A ministra francesa da justiça demitiu-se.
Não suportou mais a incompreensão perante a diferença.
Já passaram mais de 200 anos sobre a revolução francesa, liberdade - igualdade -fraternidade.
E ainda andamos com leis que discriminam, como por exemplo limitar a liberdade de vestir e punir crimes consoante as nacionalidades (no caso que foi a gota de água, a privação de uma de duas nacionalidades).
Por isso, sempre na esperança que, mais século menos século, a incompreensão acabe, um beijo para Taubira.
Não suportou mais a incompreensão perante a diferença.
Já passaram mais de 200 anos sobre a revolução francesa, liberdade - igualdade -fraternidade.
E ainda andamos com leis que discriminam, como por exemplo limitar a liberdade de vestir e punir crimes consoante as nacionalidades (no caso que foi a gota de água, a privação de uma de duas nacionalidades).
Por isso, sempre na esperança que, mais século menos século, a incompreensão acabe, um beijo para Taubira.
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| com a devida vénia ao DN |
sexta-feira, 29 de janeiro de 2016
Alteração da 2ª circular, o debate
.Foi prolongado o período de discussão pública do projeto de intervenção da câmara municipal na 2ªcircular, assunto já tratado em
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2016/01/a-intervencao-municipal-na-segunda.html
Duvido que a maior parte das objeções seja acolhida pelos decisores, pelo menos a principal, de que o plano deveria ser rejeitado, ou pelo menos reduzido substancialmente o montante da obra, considerando as condições económicas e financeiras do país.
Mas é sempre bom debater as coisas, dar visibilidade a consultas públicas, tantas vezes escondidas.
Transcrevo a segunda contribuição enviada à CML:
Resumo do meu parecer: Considerando a situação financeira do país e o que parece um orçamento otimista para as ações anunciadas, julgo que a intervenção na 2ªcircular deveria ser reduzida ao mínimo: 1- abdicar do alargamento do separador central, mantendo a largura de 3,40m da via direita, com plantação de árvores apenas nas margens; 2 - renovar o pavimento e a drenagem apenas onde estiverem degradados; 3 - substituição da iluminação por mais eficiente; 4 - abdicar da ligação direta viaduto do Campo Grande-A.Padre Cruz e do novo viaduto de acesso sobre esta (sentidoA1-IC19) ; 5 - limitar a instalação de barreiras acústicas; 6 - instalar radares para 60kmh nas vias central e esquerda e para 30km/h nas zonas de aproximação e de entrecruzamentos; 7 - inscrever nos pavimentos as marcas de distância de segurança entre veículos e providenciar a fiscalização aleatória e por amostragem pela polícia do cumprimento da distância entre veículos (art.18º) e da abstenção de mudança de via exceto em caso de saída da artéria (art.15º); 8 - estender às artérias para onde será transferido tráfego as mesmas medidas de controle e fiscalização; 9 - divulgar amplamente e com antecedência os estudos integrados da problemática geral dos transportes, individual e coletivo, na área metropolitana de Lisboa, incluindo a 2ªcircular e as principais artérias e as redes de transporte ferroviário e rodoviário
Comentários:
1 - O que escrevo não pretende menosprezar a valia técnica dos autores do projeto da Câmara, em todas as suas especialidades, mas considero relevantes as divergências.
2 - Aplaude-se a proposta de melhoria da eficiência da iluminação da 2ªcircular com recurso a leds. Igualmente se aplaude a redução da velocidade máxima autorizada.
3 - Duvida-se com fundamento na experiência, que o orçamento apresentado de 10 milhões de euros mais IVA seja suficiente para o programa apresentado. Considerando a necessidade de trabalho noturno e o prazo apertado de 11 meses, provavelmente o concurso será ganho por um empreiteiro que apresentará um preço otimista e depois verificará não poder cumprir o programa. Provavelmente o custo real do programa será de 20 milhões de euros e a execução de 2 anos. Sublinha-se o elevado risco dos trabalhos noturnos devido à velocidade de alguns automobilistas.
4 - Considerando o anterior, propõe-se uma redução substancial do programa à melhoria da eficiência energética, à reparação localizada de pavimentos e circuitos de drenagem quando degradados e à colocação de barreiras acústicas e à arborização em zonas restritas, prescindindo da obra do separador central e do fecho ou abertura de acessos. Sublinho os custos e os riscos elevados da manutenção da vegetação do separador central previsto. Anoto a pouca altura do lancil previsto para o separador central, sem capacidade de evitar o galgamento e o escorrimento de lama para as vias.
5 - Anoto as precárias condições do estudo de tráfego, não atualizado, uma vez que foi afirmado que foi realizado no pressuposto da da velocidade máxima a 50km/h e que a redução a 60km/h conduziria a uma redução de tráfego de 10% em vez de cerca de 20%. No entanto não são mostrados elementos que levem a essa conclusão. Igualmente se desejaria que fosse mostrado o diagrama de cargas da 2ªcircular por troços e não apenas por pares origem-destino. Desejar-se-ia ainda que fosse garantido o aumento de fluidez, nomeadamente pela garantia de separação entre veículos (art.18º do código da estrada), preferencialmente equivalente a 2 segundos (44m a 80km/h; 33m a 60km/h) e a interdição de mudança de via (art.15º do código da estrada), exceto para entrada ou saída na 2ªcircular. Anoto que nem na documentação divulgada nem nas sessões públicas de apresentação das intervenções foram identificadas (para além dos entrecruzamentos) as principais causas da falta de fluidez do tráfego: a distância entre veículos inferior ao tempo de reação médio (induzindo travagens no sentido contrário ao deslocamento de taxas de desaceleração sucessivamente mais altas até ao repouso) e mudanças de via desnecessárias (isto é, que não se destinam à saída da 2ªcircular). Anoto ainda a ausência de indicação das medidas de controle da velocidade (radares e identificação e envio da autuação automáticas) e fiscalização aleatória e por amostragem da interdição da mudança de via (por brigadas da polícia).
6 - Chamo a atenção para a atual saturação nas horas de ponta das avenidas marechal Spínola e EUA, dada a sua ligação ao eixo N-S, e dos nós de Odivelas da CRIL e do entroncamento norte do eixo N-S, que se agravará se houver transferência de tráfego da 2ªcircular. Por mais desagradável que seja, nomeadamente por não haver dinheiro para a construção de passagens desniveladas no "miolo" da cidade, artérias como a 1ªcircular (A.Ceuta-Av.Berna-Olaias-PçPaiva Couceiro-Santos o Novo), as avenidas EUA-Spínola continuarão a ser artérias de atravessamento, mesmo com o desenvolvimento das redes de transporte coletivo (se a economia estiver a funcionar, a melhoria da rede de transporte coletivo diminui numa primeura fase o tráfego do transporte individual o que aumenta a atratividade que por sua vez aumenta a procura). O exagerado peso do tráfego de atravessamento é consequência da urbanização e organização territorial distorcidas em toda a área metropolitana associada à desertificação da cidade de Lisboa (quase 500 mil habitantes ...), pelo que intervenções de vulto em qualquer artéria principal deverão ser estudadas simultaneamente com a problemática dos transportes e da organização territorial de toda a área metropolitana, sendo certo que o país não tem dinheiro para continuar a desperdiçar com a utilização intensiva do transporte individual. Por isso se desejaria a participação da CML em estudos alargados sobre estas problemáticas, sugerindo-se especial atenção para o projeto de parques de estacionamento à entrada da cidade servidos por linhas do metro (sempre que possível em viaduto ou à superfície em sítio vedado, por razões de economia construtiva), estabelecimento de portagens nos acessos ao centro da cidade e fiscalização mais rigorosa dos estacionamentos, nomeadamente em cima de passeios.
7 - Relativamente ao projetado novo acesso do Campo Grande/Churrasqueira para a 2ªcircular em novo viaduto e da ligação direta à Av.Padre cruz (sentido A1-IC19) em talude reforçado, julgo de evitar qualquer destas medidas atendendo aos custos e ao perfil desfavorável desta última ligação, com rampa de elevada inclinação que deverá garantir pelo menos 5m de altura livre (autocarros de turismo) e curvas verticais reduzindo a visibilidade (impondo portanto limitação a 30 km/h). Trata-se de uma intervenção cara, com a agravante da destruição do antigo parque de estacionamento cuja área poderia ser aproveitada para uma futura estação de metro de superfície/sobre-elevado, de ligação por exemplo ao aeroporto, av.Santos e Castro, zona terciária do aeroporto e zona secundária do Prior Velho. A eliminação do loop de saída da 2ªcircular para a Av.Padre Cruz, sentido para o Canpo Grande implicará a autorização, ao nível do Campo Grande, de virar à esquerda em frente da Churrasqueira ou, preferencialmente, tornar sentido único o conjunto de ruas Ator António Silva - Cipriano Dourado (sentido contrário aos ponteiros do relógio)
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2016/01/a-intervencao-municipal-na-segunda.html
Duvido que a maior parte das objeções seja acolhida pelos decisores, pelo menos a principal, de que o plano deveria ser rejeitado, ou pelo menos reduzido substancialmente o montante da obra, considerando as condições económicas e financeiras do país.
Mas é sempre bom debater as coisas, dar visibilidade a consultas públicas, tantas vezes escondidas.
Transcrevo a segunda contribuição enviada à CML:
Resumo do meu parecer: Considerando a situação financeira do país e o que parece um orçamento otimista para as ações anunciadas, julgo que a intervenção na 2ªcircular deveria ser reduzida ao mínimo: 1- abdicar do alargamento do separador central, mantendo a largura de 3,40m da via direita, com plantação de árvores apenas nas margens; 2 - renovar o pavimento e a drenagem apenas onde estiverem degradados; 3 - substituição da iluminação por mais eficiente; 4 - abdicar da ligação direta viaduto do Campo Grande-A.Padre Cruz e do novo viaduto de acesso sobre esta (sentidoA1-IC19) ; 5 - limitar a instalação de barreiras acústicas; 6 - instalar radares para 60kmh nas vias central e esquerda e para 30km/h nas zonas de aproximação e de entrecruzamentos; 7 - inscrever nos pavimentos as marcas de distância de segurança entre veículos e providenciar a fiscalização aleatória e por amostragem pela polícia do cumprimento da distância entre veículos (art.18º) e da abstenção de mudança de via exceto em caso de saída da artéria (art.15º); 8 - estender às artérias para onde será transferido tráfego as mesmas medidas de controle e fiscalização; 9 - divulgar amplamente e com antecedência os estudos integrados da problemática geral dos transportes, individual e coletivo, na área metropolitana de Lisboa, incluindo a 2ªcircular e as principais artérias e as redes de transporte ferroviário e rodoviário
Comentários:
1 - O que escrevo não pretende menosprezar a valia técnica dos autores do projeto da Câmara, em todas as suas especialidades, mas considero relevantes as divergências.
2 - Aplaude-se a proposta de melhoria da eficiência da iluminação da 2ªcircular com recurso a leds. Igualmente se aplaude a redução da velocidade máxima autorizada.
3 - Duvida-se com fundamento na experiência, que o orçamento apresentado de 10 milhões de euros mais IVA seja suficiente para o programa apresentado. Considerando a necessidade de trabalho noturno e o prazo apertado de 11 meses, provavelmente o concurso será ganho por um empreiteiro que apresentará um preço otimista e depois verificará não poder cumprir o programa. Provavelmente o custo real do programa será de 20 milhões de euros e a execução de 2 anos. Sublinha-se o elevado risco dos trabalhos noturnos devido à velocidade de alguns automobilistas.
4 - Considerando o anterior, propõe-se uma redução substancial do programa à melhoria da eficiência energética, à reparação localizada de pavimentos e circuitos de drenagem quando degradados e à colocação de barreiras acústicas e à arborização em zonas restritas, prescindindo da obra do separador central e do fecho ou abertura de acessos. Sublinho os custos e os riscos elevados da manutenção da vegetação do separador central previsto. Anoto a pouca altura do lancil previsto para o separador central, sem capacidade de evitar o galgamento e o escorrimento de lama para as vias.
5 - Anoto as precárias condições do estudo de tráfego, não atualizado, uma vez que foi afirmado que foi realizado no pressuposto da da velocidade máxima a 50km/h e que a redução a 60km/h conduziria a uma redução de tráfego de 10% em vez de cerca de 20%. No entanto não são mostrados elementos que levem a essa conclusão. Igualmente se desejaria que fosse mostrado o diagrama de cargas da 2ªcircular por troços e não apenas por pares origem-destino. Desejar-se-ia ainda que fosse garantido o aumento de fluidez, nomeadamente pela garantia de separação entre veículos (art.18º do código da estrada), preferencialmente equivalente a 2 segundos (44m a 80km/h; 33m a 60km/h) e a interdição de mudança de via (art.15º do código da estrada), exceto para entrada ou saída na 2ªcircular. Anoto que nem na documentação divulgada nem nas sessões públicas de apresentação das intervenções foram identificadas (para além dos entrecruzamentos) as principais causas da falta de fluidez do tráfego: a distância entre veículos inferior ao tempo de reação médio (induzindo travagens no sentido contrário ao deslocamento de taxas de desaceleração sucessivamente mais altas até ao repouso) e mudanças de via desnecessárias (isto é, que não se destinam à saída da 2ªcircular). Anoto ainda a ausência de indicação das medidas de controle da velocidade (radares e identificação e envio da autuação automáticas) e fiscalização aleatória e por amostragem da interdição da mudança de via (por brigadas da polícia).
6 - Chamo a atenção para a atual saturação nas horas de ponta das avenidas marechal Spínola e EUA, dada a sua ligação ao eixo N-S, e dos nós de Odivelas da CRIL e do entroncamento norte do eixo N-S, que se agravará se houver transferência de tráfego da 2ªcircular. Por mais desagradável que seja, nomeadamente por não haver dinheiro para a construção de passagens desniveladas no "miolo" da cidade, artérias como a 1ªcircular (A.Ceuta-Av.Berna-Olaias-PçPaiva Couceiro-Santos o Novo), as avenidas EUA-Spínola continuarão a ser artérias de atravessamento, mesmo com o desenvolvimento das redes de transporte coletivo (se a economia estiver a funcionar, a melhoria da rede de transporte coletivo diminui numa primeura fase o tráfego do transporte individual o que aumenta a atratividade que por sua vez aumenta a procura). O exagerado peso do tráfego de atravessamento é consequência da urbanização e organização territorial distorcidas em toda a área metropolitana associada à desertificação da cidade de Lisboa (quase 500 mil habitantes ...), pelo que intervenções de vulto em qualquer artéria principal deverão ser estudadas simultaneamente com a problemática dos transportes e da organização territorial de toda a área metropolitana, sendo certo que o país não tem dinheiro para continuar a desperdiçar com a utilização intensiva do transporte individual. Por isso se desejaria a participação da CML em estudos alargados sobre estas problemáticas, sugerindo-se especial atenção para o projeto de parques de estacionamento à entrada da cidade servidos por linhas do metro (sempre que possível em viaduto ou à superfície em sítio vedado, por razões de economia construtiva), estabelecimento de portagens nos acessos ao centro da cidade e fiscalização mais rigorosa dos estacionamentos, nomeadamente em cima de passeios.
7 - Relativamente ao projetado novo acesso do Campo Grande/Churrasqueira para a 2ªcircular em novo viaduto e da ligação direta à Av.Padre cruz (sentido A1-IC19) em talude reforçado, julgo de evitar qualquer destas medidas atendendo aos custos e ao perfil desfavorável desta última ligação, com rampa de elevada inclinação que deverá garantir pelo menos 5m de altura livre (autocarros de turismo) e curvas verticais reduzindo a visibilidade (impondo portanto limitação a 30 km/h). Trata-se de uma intervenção cara, com a agravante da destruição do antigo parque de estacionamento cuja área poderia ser aproveitada para uma futura estação de metro de superfície/sobre-elevado, de ligação por exemplo ao aeroporto, av.Santos e Castro, zona terciária do aeroporto e zona secundária do Prior Velho. A eliminação do loop de saída da 2ªcircular para a Av.Padre Cruz, sentido para o Canpo Grande implicará a autorização, ao nível do Campo Grande, de virar à esquerda em frente da Churrasqueira ou, preferencialmente, tornar sentido único o conjunto de ruas Ator António Silva - Cipriano Dourado (sentido contrário aos ponteiros do relógio)
8 – Relativamente à eliminação do acesso da Av.condes de Carnide,
dada a ligação desta ao nó do IC16 e aos valores não desprezáveis do tráfego
(220 veiculos na hora de ponta e mais de 100 em horas de vazio) não me parece
acertada a referida eliminação, pese embora a conveniência de reduzir a interferência
com as saídas para a estrada de Benfica
9 - Finalmente, considerando anteriores intervenções da CML e a
inutilidade das contribuições que apresentei, aproveito a ocasião para apelar à
CML para alterar os seus processos de decisão e elaboração dos projetos,
submetendo-os atempadamente a discussão pública divulgada e participativa. Cito
os seguintes exemplos: 1- túnel do Marquês - iniciada a construção sem estudo
de impacto ambiental, sem estudo de alternativa de traçado para comparação de
custos e benefícios e com elementos errados referentes à galeria do metro; 2 -
passeio da av.Liberdade fronteiro ao edifício do DN - recusada a sugestão de
modelação de terreno para plantação de árvores de médio porte; 3 - praça de
Alvalade - recusada a manutenção das laranjeiras, substituidas por lajes de
pedra nua; 4 - Av.Rio de Janeiro - eliminação de uma via na ligação à av.EUA
(sentido Av.Gago Coutinho - Entrecampos) e eliminação dos refúgios de paragem
dos autocarros obrigando-os a estacionar na via de rodagem
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quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
Abelhas na cidade
Abelhas urbanas em fundo de estrelícia, resistindo aos pesticidas e às vespas asiáticas, amparadas pelos humanos, que aliás se deliciam com o mel. Pode parecer um exagero dizê-lo, mas será mais um fator da desertificação do interior do país, por falta de estratégia adequada. De salientar a preparação dos bombeiros para atacar os ninhos de vespa asiática, mas isso não é prevenção, que é o que combate com mais eficácia uma epidemia.
terça-feira, 26 de janeiro de 2016
Conto fantástico, o petróleo, ou um dia na vida de João
dedicado aos economistas que no Eurogrupo e nos governos dos bancos centrais, sem um mandato expresso eleitoralmente, desenvolvem políticas deflacionárias, aos políticos e às administrações que nas instâncias internacionais controladoras do preço do petróleo comprimem artificialmente o seu preço, e aos que nas universidades teorizam sobre essas políticas, todos hipocritamente apregoando as vantagens dos preços baixos, mas desprezando na realidade o interesse e o bem estar das populações
João, contrariamente ao habitual, passara o fim de semana em casa.
Divertiu-se quando encontrou no sótão uma coleção de revistas de 20 anos atrás.
Um dos artigos mostrava as preocupações sobre a evolução do preço do petróleo, que ameaçava baixar todos os indicadores das bolsas.
Que os governos responsáveis tomariam medidas se a cotação do petróleo continuasse a diminuir e atingisse os 20 dólares por barril.
Apenas 8 anos depois da crise financeira internacional de 2007-2008 era a descida do preço do crude que ameaçava a economia, ainda não completamente refeita, especialmente na Europa.
João recordou o ambiente internacional tenso de então, com guerras e terrorismo em demasiadas zonas estratégicas, sempre com a problemática do petróleo por trás.
Na segunda feira, João passou pelo posto de combustível antes de seguir para o trabalho, numa empresa de transportes coletivos da sua área metropolitana.
Apesar dos esforços dos movimentos ambientalistas, de alguns governos e dos fabricantes de automóveis e dos progressos na motorização elétrica e a partir do hidrogénio, a motorização térmica com combustíveis fósseis era ainda a preferida, dada a sua maior densidade energética, conforme as leis da mecânica quântica mostravam.
João encheu o depósito e recebeu do robô do posto o talão e 20 euros, pensando de si para consigo que a gasolina tinha aumentado mais do que pensava. Ainda na quinzena anterior (o rendimento dos motores térmicos era agora perto de 60%, pelo que a ida às bombas era menos frequente) tinha recebido apenas 15 euros pelo depósito cheio. Provavelmente o governo tinha aumentado o seu imposto injetando 5 euros.
Um aumento brutal, mas despreocupadamente seguiu o seu caminho, autojustificando a utilização de automóvel privado apesar de trabalhar numa empresa de transportes coletivos, com a persistente inexistência da linha circular de metro.
João tomou o seu pequeno almoço na cafetaria da empresa, a preços especiais; recebeu do robô do balcão 1 euro por ele, enquanto observava com inocente prazer os movimentos com que a eletricista da assistência externa executava as tarefas de rotina de manutenção do robô. Dava-se a coincidência dela ter sido estagiária numa das oficinas do serviço de João e ter deixado ótima impressão, não só pelas suas habilitações como pela disponibilidade para a resolução dos problemas.
O trabalho de João era interessante e abrangente, obrigando ao constante controle de qualidade do serviço prestado e acompanhando a evolução da procura em toda a área metropolitana.
A descida contínua do preço do petróleo nos últimos anos tinha alterado totalmente a problemática dos transportes coletivos. A empresa conseguia pagar a todos os seus passageiros valores razoáveis por passageiro.km . Os fornecedores da empresa, nomeadamente a elétrica regional, pagavam regularmente e satisfatoriamente os fornecimentos necessários ao serviço de transporte.
Os receios de há 20 anos tinham-se concretizado numa descida para além do limite de 20 dólares por barril, continuando até aos 10 dólares, apesar dos esforços de grandes companhias que chegaram a manter uma centena de grandes petroleiros pós Panamá, completamente carregados, esperando vãmente nos oceanos que o preço voltasse a subir.
Mas não. Foi então que os principais governos e os produtores de petróleo reuniram uma cimeira que, surpreendentemente, proibiu o fabrico, a comercialização e a utilização de qualquer tipo de armamento fora do controle da ONU e, por proposta de um economista português da muito cotada top business school da universidade católica de Lisboa, que apresentou um estudo académico exaustivo para a fundamentar sem contestação, decretou um intervalo variável de preços negativos do petróleo à saída do poço.
A partir de então, os produtores de crude pagavam aos transportadores e às refinarias o preço internacionalmente estabelecido do petróleo que extraíam, que por sua vez entregavam às distribuidoras o petróleo e os outros refinados, juntamente com o valor acrescentado. Era parte deste dinheiro que os automobilistas recebiam quando enchiam os seus depósitos nos postos de combustível.
O sistema funcionava sem problemas, tal como os investidores se tinham habituado a pagar pelos seus
investimentos em vez de receber juros,
com uma continuada deflação, não só porque a guerra do petróleo tinha cessado nas respetivas áreas estratégicas, mas também porque se tinham encontrado formas de extração por fratura hidráulica sem contaminação dos aquíferos e sem provocar terramotos, e de extração das areias betuminosas sem poluição de partículas, óxidos de azoto e dióxido de carbono. O predomínio das energias limpas e renováveis na produção de energia primária estava assim adiado.
Além disso, os fabricantes de equipamentos pesados para a extração do petróleo cumpriam religiosamente os seus contratos, entregando dentro dos prazos o equipamento e o dinheiro do valor correspondente, proveniente maioritariamente dos seus funcionários e dos fornecedores de robôs e dos outros fatores de produção.
Todos os economistas e académicos tiveram de se reciclar para compreenderem que ao longo dos anos o preço do petróleo sempre tinha sido enganador, uma vez que dado o seu papel central na economia, os seus custos espalharam-se lentamente e consistentemente por todos os produtos da economia.
Sendo assim, a tendência universal para redução dos custos de produção através do recurso massivo a robôs e sucessivas taxas crescentes de deflação levaram a um efeito multiplicador da redução do custo do petróleo, que por sua vez só poderia prosseguir através de valores negativos dos preços do próprio petróleo.
Ao fim do dia de trabalho João verificou o que tinha recebido e concluiu que tudo estava bem porque era mais do que suficiente para entregar ao robô de controle da empresa para crédito desta. Se o resto do mês corresse bem poderia destinar as sobras para o pequeno gabinete de engenharia com que de vez em quando colaborava e o restante seria para a simpática inquilina da casinha que tinha herdado já arrendada. A continuar assim poderia escolher ainda nesse ano a agência de viagens que mais lhe oferecesse por um programa de férias no estrangeiro ou, até, escolher a marca do novo carro que mais dinheiro oferecesse com o carro.
Calmamente passou pelo supermercado para recolher as compras que a mulher lhe tinha pedido para o jantar, e achou que, graças à campanha de promoções da semana, o dinheiro que recebeu do robô do supermercado com as compras foi razoável , embora tivesse de lá deixar 1 euro correspondente ao vale de pontos que a mulher andava a juntar para ter mais um pirex.
De facto, os produtores de leite e de carne de porco cada vez ofereciam mais dinheiro para os supermercados lhes ficarem com os produtos, para que os seus funcionários pudessem depois receber dinheiro quando fizessem compras no supermercado, dinheiro esse que depois iria para os produtores, que depois iria para os supermercados, que depois iria para os compradores como o João... e assim sucessivamente.
domingo, 24 de janeiro de 2016
TAP, janeiro de 2016, continuação
Depois do relatado em
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2016/01/atualidade-no-nosso-mundo-dos.html
continuamos a assistir, por um lado, às negociações entre o XXI governo e os detentores atuais de 61% do capital da empresa para retoma de 51%, e por outro lado, à campanha publicitária do sr Neeleman com as suas ideias inovadoras, as quais não impediram 60 milhões de euros de prejuízo da Azul até setembro em 2015 (ou talvez et pour cause, venham a impedir prejuízos da Azul em 2016).
Parece que já vamos ter aviões da Azul na Portela (confirmando a esperança do ministro brasileiro do Ar quando ainda pensava que podia financiar a compra dos 61% da TAP);
que há rotas a abandonar pela TAP (como é que um presidente tão bom como Fernando Pinto se lembra de rotas que 1 ano depois vem dizer que não são rentáveis? ah, se fosse um gestor público, o que as caixas de comentários na internet não diriam...);
que há outras que vai ter, mas há desistência de rotas no aeroporto Sá Carneiro;
que 2 aviões A330 vêm da Azul, em leasing, reforçar a TAP, ou a Portugália em mudança de nome, não sei bem, e que vamos ter bilhetes baratissimos Liboa-Porto, insistindo na menor eficiência energética relativamente ao transporte ferroviário e consequente desperdício na importação de combustível fóssil (e depois queixar-se-ão da subida do imposto sobre os petrolíferos)
En resumo, a TAP, que não podia ser gerida por gestores públicos e técnicos competentes, pode integrar-se num grupo aéreo que já apresenta prejuízos antes da privatização da TAP, sendo o Estado português avalista.
Excelente, muito excelente negócio do XIX governo e do seu jovem secretário de Estado dos transportes.
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2016/01/atualidade-no-nosso-mundo-dos.html
continuamos a assistir, por um lado, às negociações entre o XXI governo e os detentores atuais de 61% do capital da empresa para retoma de 51%, e por outro lado, à campanha publicitária do sr Neeleman com as suas ideias inovadoras, as quais não impediram 60 milhões de euros de prejuízo da Azul até setembro em 2015 (ou talvez et pour cause, venham a impedir prejuízos da Azul em 2016).
Parece que já vamos ter aviões da Azul na Portela (confirmando a esperança do ministro brasileiro do Ar quando ainda pensava que podia financiar a compra dos 61% da TAP);
que há rotas a abandonar pela TAP (como é que um presidente tão bom como Fernando Pinto se lembra de rotas que 1 ano depois vem dizer que não são rentáveis? ah, se fosse um gestor público, o que as caixas de comentários na internet não diriam...);
que há outras que vai ter, mas há desistência de rotas no aeroporto Sá Carneiro;
que 2 aviões A330 vêm da Azul, em leasing, reforçar a TAP, ou a Portugália em mudança de nome, não sei bem, e que vamos ter bilhetes baratissimos Liboa-Porto, insistindo na menor eficiência energética relativamente ao transporte ferroviário e consequente desperdício na importação de combustível fóssil (e depois queixar-se-ão da subida do imposto sobre os petrolíferos)
En resumo, a TAP, que não podia ser gerida por gestores públicos e técnicos competentes, pode integrar-se num grupo aéreo que já apresenta prejuízos antes da privatização da TAP, sendo o Estado português avalista.
Excelente, muito excelente negócio do XIX governo e do seu jovem secretário de Estado dos transportes.
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privatização da TAP,
TAP
sábado, 23 de janeiro de 2016
Meditação sobre as crianças de Bombaim, União Indiana
Com a devida vénia ao DN, reproduzo a fotografia de um grupo de crianças em Bombaim.
Parece daquelas fotos que são premiadas internacionalmente.
São crianças pobres com a atenção concentrada num smartphone.
A mim sugere-me a desigualdade no tratamento das crianças, que ameaça eternizar a desigualdade entre os adultos e entre as nações.
Vejo nos olhares e nas atitudes destas crianças curiosidade e inteligência.
Nada devia impedir o seu desenvolvimento pleno.
Talvez algumas tenham sucesso, apenas algumas porque as condições adversas afetam o desenvolvimento das crianças em todas as suas componentes.
O seu país, um grande e produtivo país, continuará com indicadores de subdesenvolvimento. Continuará a viver abaixo das suas potencialidades.
Os decisores por todo o mundo continuarão com as suas políticas, enganando os eleitores com ilusões de progresso, que agora se vive melhor (pudera, com os avanços tecnológicos claro que tem de se viver melhor) e os economistas académicos continuarão servilmente a justificar as suas políticas (claro, no interesse próprio).
Tento imaginar, mas pouco entendo de sociologia, humana e animal, se nas outras espécies existe o mesmo grau de falta de solidariedade entre indivíduos, se a parte mais saudável, com mais poder físico, com mais capacidade de luta pela sobrevivência, despreza assim a parte mais fraca. Se, como se diz em coloquial, também no meio animal "chacun s'arranje".
Penso que não, que o mais parecido será o sacrifício dos animais mais velhos e doentes colocando-os na periferia da manada para proteger as crias no centro.
Agora sacrificar crianças? Com os mesmos neurónios, sinapses e estômago à nascença?
É esse o significado das estísticas da Oxfam baseadas em dados do Credit Suiss (ficando de fora as off-shores e a economia paralela):
http://www.bbc.com/news/business-35339475
Ver anteriores estudos da Oxfan em
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2015/01/da-oxfam-davos.html
Apressados, o Instituto Adam Smith e o Instituto de Assuntos Económicos reclamam que o que interessa é melhorar as condições de vida dos pobres (já sabemos que melhoram, mas graças às tecnologia) e não nos preocuparmos com os ricos (claro, embora me pareça que invocam o nome de Adam Smith em vão, que era mais humano que eles são, mas não tinha hipóteses de saber como iriam evoluir as formas e relações de produção).
E noutra escala, é o mesmo desprezo pelas crianças que não têm pais com capacidade financeira e educacional que mostra a estatística da população escolar e docente em Portugal:
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quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
Darcy Ribeiro, "eu detestaria estar no lugar de quem me venceu"
Com o mesmo sentimento de gratidão e descoberta referido por Pilar del Rio ao citar no DN este texto de Darcy Ribeiro para defender o seu candidato à presidência da República, reproduzo com a devida vénia:
"fracassei em tudo o que tentei na vida
tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui
tentei salvar os índios, não consegui
tentei fazer uma universidade séria e fracassei
tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei
mas os fracassos são as minhas vitórias
eu detestaria estar no lugar de quem me venceu."
Darcy Ribeiro, antropólogo, ministro da educação de João Goulart, antes da ditadura militar brasileira
https://pt.wikipedia.org/wiki/Darcy_Ribeiro
"fracassei em tudo o que tentei na vida
tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui
tentei salvar os índios, não consegui
tentei fazer uma universidade séria e fracassei
tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei
mas os fracassos são as minhas vitórias
eu detestaria estar no lugar de quem me venceu."
![]() |
| protesto de índios em Brasília |
Darcy Ribeiro, antropólogo, ministro da educação de João Goulart, antes da ditadura militar brasileira
https://pt.wikipedia.org/wiki/Darcy_Ribeiro
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terça-feira, 19 de janeiro de 2016
No jardim novo do Parlamento com os reformados do metro
Nem de propósito, ter a reunião marcada para assistirmos ao debate na Assembleia da proposta de reposição do pagamento dos complementos de reforma e dois dias antes o tribunal constitucional vem declarar a inconstitucionalidade do corte das subvenções vitalícias para rendimentos do agregado familiar, não individual, superiores a 2000 euros.
Eis-nos assim no jardim novo do Parlamento enquanto uns entram e outros preferem ficar no meio das árvores, perto de José Estevão a arengar, não aos peixes, mas aos veículos de duas rodas dos funcionários e deputados da Assembleia.
Como os antigos gregos na Ágora, há os que preferem cotejar argumentos e perderem-se nos sofismas e contra-sofismas de um lado e doutro da questão, nós, os portugueses, gostamos de discutir se as subvenções vitalicias ou os complementos de reforma são prestações sociais ou se são prémios ou mordomias, e então com os comentários na internet à sua disposição, está armado o circo.
Então o poder independente do tribunal constitucional, e ainda bem que é independente, embora, de acordo com os princípios da qualidade numa empresa isso não queira dizer que não há controle mútuo horizontal, achou que uma subvenção vitalícia de um ex-político não é como um complemento de reforma, mas que é uma prestação social, uma recompensa, uma compensação por perda de oportunidades e uma proteção contra incertezas, evitando que a pessoa caia na insustentabilidade da subsistência.
Que era uma questão de "tutela da confiança".
Terão as pessoas entendido bem? terei eu entendido bem, tanto eu como os meus colegas? Que a subvenção vitalícia é um prémio e um reconhecimento por serviços prestados, ao contrário de outras remunerações não contributivas, como os complementos de reforma, que são uma cláusula de um contrato de trabalho.
Para o tribunal constitucional, se é uma prestação social não se pode cortar, se é uma recompensa pode, embora saibamos que a declaração de constitucionalidade do corte dos complementos de reforma se deva apenas à militancia partidária de alguns juízes.
Ou a linguagem cifrada dos jurídicos serve não só para serem independentes, e ainda bem que o poder judicial é independente do poder legislativo e executivo, embora, de acordo com os princípios da qualidade numa empresa isso não queira dizer que não há controle mútuo horizontal (perdoe-se-me a repetição, mas é para vincar bem o que falta ao poder judicial em Portugal, sem o que ele sempre impedirá mudanças democratizadoras), como serve também para justificar um tratamento diferenciado entre os políticos e os humildes servidores de um bem público, ou para desculpar a declaração de constitucionalidade do corte dos complementos de reforma em 2014?
E contudo, a contratualização de novos complementos de reforma cessou em 2004, assim como a das subvenções vitalícias em 2005. Todos (alguns...) estávamos conscientes das dificuldades financeiras que se aproximavam, mas estas coisas não podem ser, constitucionalmente, retroativas...
Nós, reformados, até concordámos em descontar, sobre os complementos, uma contribuição para a segurança social, e a conversão dos complementos não pagos nestes dois anos (isto é, perto de 26 milhões de euros) num fundo de pensões para benefício de reformados e ativos do metro.
Para nos situarmos, convém lembrar que os cerca de 340 beneficiários das subvenções vitalícias receberão anualmente cerca de 10 milhões de euros, ou 2000 euros por mês, individualmente.
Apesar do que o tribunal constitucional diz na sua linguagem de confiança cifrada, somos mais semelhantes do que diferentes, pese embora a média dos complementos cortados ser de 640 euros mensais.
Os complementos não são apenas para evitar a miséria, nem são um prémio, são uma remuneração correspondente aos menores vencimentos auferidos no metropolitano de Lisboa quando foram contratualizados desde 1973 a 2003 com quem era admitido e que optava pelo metro pela segurança da sua contratação coletiva, por oposição aos melhores vencimentos nos setores privados de qualificações profissionais equivalentes.
E são também uma remuneração equivalente aos ganhos pela empresa em "reformar" os seus profissionais antes de esgotado o prazo da sua vida útil na empresa (mas atenção, na maior parte das vezes quem saía, com pouco mais de 55 anos, já tinha 40 anos de descontos por ter começado a trabalhar aos 14 anos).
Não esquecer que os reformados com idade inferior à da reforma até se dispuseram, quando o XIX governo cortou os complementos, a regressar ao trabalho ativo. Mas a empresa não quis.
Reformado é para deixar estiolar, não é para aproveitar a sua experiência em pequenas colaborações, não querem saber do provérbio africano, quando morre um velho arde uma biblioteca.
Eu aproveitei aqueles momentos no jardim para mostrar no meu grupo a linguagem cifrada de um quadro Excel com os cálculos da capitalização do diferencial de vencimentos no metro e no setor privado antes de 1995.
Enquanto lá dentro, na Assembleia, uns deputados rasgavam as vestes por não haver dinheiro e outros diziam que contratos são contratos, que podem renegociar-se, mas que são contratos, é esse o entendimento do princípio da confiança, válido para os cidadãos ex-políticos e para os cidadãos ex-maquinistas, enquanto o princípio da igualdade diz que não pode haver grupos privilegiados.
E finalmente a declaração oficial, pelo secretário de Estado dos assuntos parlamentares, a reposição dos complementos de reforma está incluida no orçamento de Estado de 2016.
http://www.tsf.pt/politica/interior/governo-vai-repor-complementos-de-pensoes-a-antigos-trabalhadores-do-metro-e-carris-4991054.html
Respiramos de alívio, sentimos uma espécie de voo de inércia em silêncio, antes de ruidosamente manifestarmos o nosso apoio.
Mas ao que chegámos, ter trabalho remunerado e emprego certo foi transformado pelos decisores em privilégio, com os protestantes dos comentários na internet a dizer que como contribuintes não querem pagar os complementos de reforma, na mesma altura em que a Oxfam denuncia o crescimento da fatia de rendimento mundial absorvida pelos 1% de maior rendimento...
E contudo, as profissões no metro têm de ser qualificadas, na construção, nos ensaios, na manutenção, na operação.
Por razões de segurança.
Um desempenho deficiente pode provocar um acidente.
Infelizmente em qualquer economia o princípio da igualdade é contrariado por um leque salarial demasiado aberto, influenciado pelas qualificações exigidas e pela oferta de candidatos.
Eis porque a tabela salarial no metro começou a ser superior à do setor privado (excluindo bancos, financeiras e orgãos de cúpula, claro) a partir do afluxo de fundos europeus para a coesão, por volta de meados dos anos 90, coincidindo com a expansão do metro à Pontinha. à Baixa, ao Parque das Nações, enquanto a dívida assacada à empresa ía subindo pelos custos de construção e pelos défices de exploração devido à venda do serviço de transporte abaixo do custo.
Eis-nos assim no jardim novo do Parlamento enquanto uns entram e outros preferem ficar no meio das árvores, perto de José Estevão a arengar, não aos peixes, mas aos veículos de duas rodas dos funcionários e deputados da Assembleia.
Como os antigos gregos na Ágora, há os que preferem cotejar argumentos e perderem-se nos sofismas e contra-sofismas de um lado e doutro da questão, nós, os portugueses, gostamos de discutir se as subvenções vitalicias ou os complementos de reforma são prestações sociais ou se são prémios ou mordomias, e então com os comentários na internet à sua disposição, está armado o circo.
Então o poder independente do tribunal constitucional, e ainda bem que é independente, embora, de acordo com os princípios da qualidade numa empresa isso não queira dizer que não há controle mútuo horizontal, achou que uma subvenção vitalícia de um ex-político não é como um complemento de reforma, mas que é uma prestação social, uma recompensa, uma compensação por perda de oportunidades e uma proteção contra incertezas, evitando que a pessoa caia na insustentabilidade da subsistência.
Que era uma questão de "tutela da confiança".
Terão as pessoas entendido bem? terei eu entendido bem, tanto eu como os meus colegas? Que a subvenção vitalícia é um prémio e um reconhecimento por serviços prestados, ao contrário de outras remunerações não contributivas, como os complementos de reforma, que são uma cláusula de um contrato de trabalho.
Para o tribunal constitucional, se é uma prestação social não se pode cortar, se é uma recompensa pode, embora saibamos que a declaração de constitucionalidade do corte dos complementos de reforma se deva apenas à militancia partidária de alguns juízes.
Ou a linguagem cifrada dos jurídicos serve não só para serem independentes, e ainda bem que o poder judicial é independente do poder legislativo e executivo, embora, de acordo com os princípios da qualidade numa empresa isso não queira dizer que não há controle mútuo horizontal (perdoe-se-me a repetição, mas é para vincar bem o que falta ao poder judicial em Portugal, sem o que ele sempre impedirá mudanças democratizadoras), como serve também para justificar um tratamento diferenciado entre os políticos e os humildes servidores de um bem público, ou para desculpar a declaração de constitucionalidade do corte dos complementos de reforma em 2014?
E contudo, a contratualização de novos complementos de reforma cessou em 2004, assim como a das subvenções vitalícias em 2005. Todos (alguns...) estávamos conscientes das dificuldades financeiras que se aproximavam, mas estas coisas não podem ser, constitucionalmente, retroativas...
Nós, reformados, até concordámos em descontar, sobre os complementos, uma contribuição para a segurança social, e a conversão dos complementos não pagos nestes dois anos (isto é, perto de 26 milhões de euros) num fundo de pensões para benefício de reformados e ativos do metro.
Para nos situarmos, convém lembrar que os cerca de 340 beneficiários das subvenções vitalícias receberão anualmente cerca de 10 milhões de euros, ou 2000 euros por mês, individualmente.
Apesar do que o tribunal constitucional diz na sua linguagem de confiança cifrada, somos mais semelhantes do que diferentes, pese embora a média dos complementos cortados ser de 640 euros mensais.
Os complementos não são apenas para evitar a miséria, nem são um prémio, são uma remuneração correspondente aos menores vencimentos auferidos no metropolitano de Lisboa quando foram contratualizados desde 1973 a 2003 com quem era admitido e que optava pelo metro pela segurança da sua contratação coletiva, por oposição aos melhores vencimentos nos setores privados de qualificações profissionais equivalentes.
E são também uma remuneração equivalente aos ganhos pela empresa em "reformar" os seus profissionais antes de esgotado o prazo da sua vida útil na empresa (mas atenção, na maior parte das vezes quem saía, com pouco mais de 55 anos, já tinha 40 anos de descontos por ter começado a trabalhar aos 14 anos).
Não esquecer que os reformados com idade inferior à da reforma até se dispuseram, quando o XIX governo cortou os complementos, a regressar ao trabalho ativo. Mas a empresa não quis.
Reformado é para deixar estiolar, não é para aproveitar a sua experiência em pequenas colaborações, não querem saber do provérbio africano, quando morre um velho arde uma biblioteca.
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Eu aproveitei aqueles momentos no jardim para mostrar no meu grupo a linguagem cifrada de um quadro Excel com os cálculos da capitalização do diferencial de vencimentos no metro e no setor privado antes de 1995.
Enquanto lá dentro, na Assembleia, uns deputados rasgavam as vestes por não haver dinheiro e outros diziam que contratos são contratos, que podem renegociar-se, mas que são contratos, é esse o entendimento do princípio da confiança, válido para os cidadãos ex-políticos e para os cidadãos ex-maquinistas, enquanto o princípio da igualdade diz que não pode haver grupos privilegiados.
E finalmente a declaração oficial, pelo secretário de Estado dos assuntos parlamentares, a reposição dos complementos de reforma está incluida no orçamento de Estado de 2016.
http://www.tsf.pt/politica/interior/governo-vai-repor-complementos-de-pensoes-a-antigos-trabalhadores-do-metro-e-carris-4991054.html
Respiramos de alívio, sentimos uma espécie de voo de inércia em silêncio, antes de ruidosamente manifestarmos o nosso apoio.
Mas ao que chegámos, ter trabalho remunerado e emprego certo foi transformado pelos decisores em privilégio, com os protestantes dos comentários na internet a dizer que como contribuintes não querem pagar os complementos de reforma, na mesma altura em que a Oxfam denuncia o crescimento da fatia de rendimento mundial absorvida pelos 1% de maior rendimento...
E contudo, as profissões no metro têm de ser qualificadas, na construção, nos ensaios, na manutenção, na operação.
Por razões de segurança.
Um desempenho deficiente pode provocar um acidente.
Infelizmente em qualquer economia o princípio da igualdade é contrariado por um leque salarial demasiado aberto, influenciado pelas qualificações exigidas e pela oferta de candidatos.
Eis porque a tabela salarial no metro começou a ser superior à do setor privado (excluindo bancos, financeiras e orgãos de cúpula, claro) a partir do afluxo de fundos europeus para a coesão, por volta de meados dos anos 90, coincidindo com a expansão do metro à Pontinha. à Baixa, ao Parque das Nações, enquanto a dívida assacada à empresa ía subindo pelos custos de construção e pelos défices de exploração devido à venda do serviço de transporte abaixo do custo.
É um facto esquecido, mas quem trabalhava no metro até 1995 chegava a ganhar dois terços do que um profissional do mesmo nível ganhava no setor privado ou até mesmo na CP. E até na remuneração em espécie (por exemplo, carro de serviço à disposição de montador eletricista) ou em trabalho extraordinário ou por turnos, a remuneração podia ser superior fora do metro.
O que o quadro mostra é a capitalização desse diferencial ao longo dos anos de acordo com as tabelas de capitalização dos certificados de aforro, disponíveis no site do IGCP.
No fundo, é este o princípio dos fundos ou planos de pensões, que investem e reinvestem capital, embora neste caso o metro nunca investiria a poupança dos baixos salários num fundo desses, quando muito apenas uma parte dessa poupança. Isso teria sido correto, mas nem os colegas financeiros tomaram a iniciativa, enquanto nós nos entretínhamos a fazer andar o metro e a construir novas linhas, que a divisão do trabalho não é uma palavra vã, nem as administrações que inscreviam o problema nos seus relatórios anuais jamais conseguiram acordar com as tutelas nenhum plano de pensões. Aliás, a sistematização de formas de capitalização adicionais relativamente à segurança social só foi feita com a lei de 2007 da reforma da segurança social.
Mas o quadro mostra o valor das poupanças equivalentes e, no caso da subida relativa dos vencimentos no metro, o valor a descontar no resultado global.
Isto é, por cada trabalhador, teria sido gerado, em média, um capital de 180.000 euros, o que daria para pagar um complemento de reforma médio de 640 euros durante 20 anos, até 2030.
Não tem existência real este capital, é virtual, mas traduz o valor da poupança do metro e o valor merecido dos complementos a receber.
Os cálculos não serão exatos, mas quem quiser pode entreter-se a estudar hipóteses mais plausíveis para a evolução das taxas de juro de capitalização e dos vencimentos do metro e do setor privado equivalente. Tem aqui já armado, o quadro Excel para poder substituir valores:
Será uma forma de encriptar a nossa realidade.
Embora a realidade a que assistimos é a desvalorização do fator trabalho.
Não devia a troika ter desembarcado em Lisboa em 2011 e impor que os vencimentos dos trabalhadores portugueses seriam rebaixados para os níveis da Bulgária e da Roménia. Deviam antes ter ido à Bulgária e à Roménia subi-los.
Isso é que é igualdade, não é estimular o desemprego como efetivamente e reconhecidamente pelos próprios "especialistas" do FMI fizeram.
Aguardemos então que faça efeito a inclusão no orçamento de Estado para 2016 a reposição dos complementos de reforma, com retroatividade a janeiro de 2016 (nota posterior - não confirmada a retroatividade)
PS em 22 de janeiro - por informação dos deputados do PS ligados à questão dos complementos de reforma, apenas está garantido o pagamento dos complementos de reforma devidos depois da data de entrada em vigor do orçamento de Estado
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