segunda-feira, 11 de maio de 2026

Exmo senhor ministro III - tentativa de avaliação do risco de utilização de bicicleta com base em informação estatística

 Não existe informação estatística fiável sobre os riscos de utilização de bicicletas. Porque uma análise estatística correta exige conhecer o número de passageiros-km (número de utilizadores de bicicleta vezes o percurso médio dos utilizadores), ou viagens-km (assumindo 1 pessoa apenas em cada bicicleta) num período e numa zona.

Numa análise para vários modos de transporte, a DG MOVE publicou em 2012 o statistical pocketbook                                           

    

       modo

Vítimas mortais

      por

1000 Mpass-km

   avião

            0,10

   comboio

            0,16

   autocarro

            0,43

   automóvel

            4,45

   duas rodas

          52,59

 Estes valores carecem de ser atualizados e desagregados (separando trotinetas, bicicletas, motorizadas e motos), o que a DG MOVE não parece ter feito, publicando relatórios de sinistralidade com as estatísticas de acidentes na ferrovia e nas estradas como já mostrado na 1ª carta aberta em      https://transport.ec.europa.eu/background/road-safety-statistics-2025_en      de que destaco aqui o quadro de vítimas mortais nas estradas da UE em 2024 por modo de transporte:


Informação a integrar na estatística de vítimas mortais nas estradas por país e por milhão de habitantes, de que resulta a posição de Portugal no 5º pior lugar:


Não existindo nestes relatórios informação credível que permita calcular os passageiros-km por modo de transporte, tentarei uma hipótese de cálculo consultando informação sobre a intensidsde de utilização das bicicletas por país, por exemplo em:                                     
https://www.theadamstore.com/blogs/blogs/country-most-bicycles?srsltid=AfmBOopOEYAtnaevZqr4dsTLlxLu1J7S_tY4eC7MHVZc2yvoRBSaQLAp

Supondo que o número de deslocações diárias é igual ao da população vezes um fator de cerca de 1,7, e que nesta última ligação se estima na sequência de sondagens a percentagem de população que utiliza a bicicleta e com que periodicidade e extensão o faz (3km diários 2 vezes por semana), construí a seguinte tabela, reiterando tratar-se de hipóteses não confirmadas (o que sugere a necessidade das instituições comunitárias e nacionais melhorarem o tratamento estatístico da utilização dos modos de transporte ditos suaves): 

País

População

       M

Utilizadores de bicicleta

        M

MKm/ano 

todos utilizadores

Nº   anual vítimas mortais em bicicleta

Vítimas mortais em bicicleta/1000Mpass-km

 

NL

       18

    12

 3600

     169

       47

SE

         9,5

       3

    900

        23

       25

DE

       63

    30

 9000

      445

       49

DK

         4,7

      3

    900

        22

       24

PT

       10

      2

    600

        30

       50

Comparando com os valores acima do pocketbook de 2012 (valor de 4,45 VMs para o automóvel já é elevado), mais uma vez se estima para Portugal um valor nocivo intolerável. Valores graves na Holanda, contrariando a ideia divulgada da circulação neste país de bicicletas ser segura, e na Alemanha. Valores razoáveis na Suécia e na Dinamarca. Será importante avaliar a correção destas aproximações, mas julgo que só as instancias oficiais o poderão fazer se houver vontade política para isso, em nome da defesa da segurança rodoviária e do direito das pessoas se moverem em segurança. 

No caso da Holanda, considerando 5 milhões de ciclistas com um percurso diário de 5 km em 300 dias por ano teríamos  5 x 5 x 300 = 7500 Mpass-km por ano, o que daria 23 VMs, valor razoável comparativamente mas ainda grave segundo o pocketbook de 2012. O crescimento da utilização dos 2 rodas exige que se façam sondagens e estatísticas rigorosas.

 






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