Detesto criancinhas meninos-prodígio.
Não consigo deixar de pensar nos números de circo de bichinhos amestrados.
E contudo, devemos dar atenção e apoio com professores especializados ao menino que consegue tocar peças musicais complexas quase sem estudar a partitura, ou ao que consegue resolver de cabeça uma equação de segundo grau ou o que derrotou um grande mestre de xadrez.
Eu preferiria que não fosse preciso uma menina canadiana de 12 anos como Victoria Grant vir explicar a crise financeira no youtube (conferencia em Filadelfia em 27 de abril de 2012 patrocinada pelo Public Banking Institute), mas na verdade, penso que tambem ela deve ser acompanhada no seu processo educativo de modo a ajudar-nos a resolver a crise.
Primeiro numa pequena noticia perdida na ultima página do DN, depois numa página de uma revista de atualidades televisivas (afinal há inteligencia em quem faz estas revistas), a seguir nas páginas do facebook...
"eu explico-vos por que os bancos privados estão a roubar o povo canadiano e a dívida pública do Canadá a subir. Primeiro o governo financia-se junto dos bancos privados e depois aumenta os impostos para pagar os juros e o serviço da dívida".
Aplicável ao critério do BCE que empresta a juro baixo aos bancos provados para depois estes emprestarem a juros elevados aos governos da UE, não é?
Ver o video em:
Para uma tradução portuguesa ver:
http://originais2010.blogspot.pt/2012/05/victoria-grant-fraude-dos-bancos.html
Engraçado um dos fundadores do banco nacional do Canadá, em 1934, Gerald McGeer, referido por Victoria Grant, ter sido o "mayor" de Vancouver, donde veio o senhor ministro da economia atual. Desde a década de 70 o governo do Canadá alterou as regras do jogo bancário de modo a fazer frutificar os bancos privados, a emprestar dinheiro que não existe...
Este blogue há muito que apresentou as alternativas das "22 medidas dos economistas aterrados"
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/search?q=aterrorizados
mas a sociedade civil tem ignorado (os economistas aterrados; não eu, claro, que vozes de burro não chegam ao céu).
É curioso ver como a sociedade civil americana, perante o escandalo do assalto de Wall Street ao governo americano (Goldman Sachs, Governman Sachs) se mobiliza em iniciativas como este Public banking institute, de janeiro de 2011.
Inspirado em Thomas Jefferson e nas suas ideias sobre os perigos da banca privada (ver http://dailybail.com/home/can-we-party-like-its-1776-and-just-start-over-thomas-jeffer.html ) esta associação visa a criação de bancos públicos (à atenção do senhor primeiro ministro Passos Coelho que queria privatizar a CGD) e corre o risco de ser acusada de comunista pelo Tea Party e pelo partido republicano.
Assunto a seguir.
Podem ver mais informação sobre o Public banking institute em:
http://publicbankinginstitute.org/about-us.htm
Mostrar mensagens com a etiqueta Thomas Jefferson. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Thomas Jefferson. Mostrar todas as mensagens
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Victoria Grant - Public banking institute
Etiquetas:
public banking institute,
Thomas Jefferson,
victoria grant
terça-feira, 10 de abril de 2012
A manifestação das freguesias em 31 de março de 2012
Como dizia António Tabucchi, ele dava-se mal com a falta de diversidade.
A manifestação de 31 de março de 2012, pela sua diversidade e pela vitalidade que reside naturalmente nas próprias pessoas, faz acreditar na humanidade.
Apreciei tambem o comentário de Viriato Soromenho Marques no DN, relembrando Thomas Jefferson e a sua proposta em 1816 de democracia direta com os "wards" (correspondentes às freguesias).
Pego até num discruso do senhor primeiro ministro quando de modo efémero disse que os problemas do país têm de ser resolvidos de baixo para cima (método bottom-up).
Estamos todos de acordo, então, e o que nos une a todos transversalmente é mais do que o que nos separa ideologicamente, mas a verdade é vamos seguindo submetdos ao poder arrogante de quem recebeu o poder nas eleições e o interpretou como um poder absoluto, à Bossuet, como se fosse por delegação divina.
O problema da redução das autarquias é um exemplo. As freguesias são uma arma contra a desertificação, quer seja física quer seja da cidadania. Pelo contrário, algumas estruturas de municípios são um obstáculo à boa gestão e ordenamento do território. Não se justifica a pulverização de municípios nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto. Esse assunto já foi identificado há muitos anos, o exemplo da reorganização de Lodres, nos anos 90 é um bom exemplo, mas o clientelismo e o oportunismo políticos continuam.
Assunto a seguir.
Para já, que vivam as freguesias, caminho para a democracia direta.
quarta-feira, 21 de março de 2012
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos e a citação de Thomas Jefferson
No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.
No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.
Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho...)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!
O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas
lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!
Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado —,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...
_____________________________
Felizmente não estou exatamente nas mesmas condições de Álvaro de Campos, que já não festejava o seu dia de anos.
Apesar dos tempos de crise ofereceram-me CDs e vinhos.
Formam de mim esta ideia, que gosto de música e de vinhos, e será provavelmente mais aproximada da realidade do que a ideia que tenho de mim.
Teve bom gosto, quem ofereceu, e eu a sorte de não haver repetições nas ofertas.
Syrah e Touriga do Douro, Vivaldi e Corelli do século das luzes.
E eis que, já de madrugada, cai no meu email uma oferta não repetida, uma citação que eu não conhecia, sobre os financeiros, de Thomas Jefferson, um dos pais fundadores como os americanos gostam de dizer.
«Acredito que as instituições bancárias são mais perigosas para as nossas liberdades do que o levantamento de exércitos. Se o povo Americano alguma vez permitir que bancos privados controlem a emissão da sua moeda, primeiro pela inflação, e depois pela deflação, os bancos e as empresas que crescerão à roda dos bancos despojarão o povo de toda a propriedade até os seus filhos acordarem sem abrigo no continente que os seus pais conquistaram.» Thomas Jefferson, 1802.
Lembrei-me da citação de Andrew Jackson, outro dos “founding fathers”, presidente dos USA em 1834 quando escreveu (ver
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2010/11/andrew-jackson-e-alguns-banqueiros.html ):
“Também tenho sido um observador atento do que o Second Bank of the United States tem feito. Tenho colaboradores a vigiar-vos há longo tempo e estou convencido de que vocês usaram os fundos do banco para especular . Quando ganham, dividem os lucros entre vocês; quando perdem, debitam ao banco… vocês são um ninho de víboras e de ladrões”.
Eu não queria dar razão aos comentadores adeptos das ideias dominantes mais ou menos ultra liberais que criticam por injusta a diabolização dos financeiros.
O filme Margin Call, por exemplo, desvia a atenção dos espetadores, dos comportamentos culpados da crise, para os aspetos humanos dos financeiros.
Mas por formação ou deformação profissional prefiro analisar as causas e circunstancias das coisas, e depois de ver o filme Inside Job, é impossível não considerar culpados os financeiros especuladores e os senhores dos grandes grupos bancários que dominam Wall Street e o governo dos USA (Goldman Sachs, Governman Sachs).
E também gosto de analisar a consistência das críticas.
No caso da, para mim, desconhecida citação de Thomas Jefferson, que o amável correspondente me enviou, consultei os sites da especialidade (ver
http://www.monticello.org/site/jefferson/private-banks-quotation )
e encontrei a seguinte interpretação dos textos de Thomas Jefferson, relativamente a cada frase da citação:
1 - Acredito que as instituições bancárias são mais perigosas para as nossas liberdades do que o levantamento de exércitos - texto retirado de uma carta para John Taylor em 1816 com ligeiras alterações: “Acredito sinceramente, como tu, que os estabelecimentos bancários são mais perigosos do que o levantamento de exércitos; e que o princípio de gastar dinheiro a ser pago pela posteridade, sob o nome de financiamento, não é senão uma burla em larga escala”;
2 - Se o povo Americano alguma vez permitir que bancos privados controlem a emissão da sua moeda, primeiro pela inflação, e depois pela deflação, os bancos e as empresas que crescerão à roda dos bancos despojarão o povo de toda a propriedade até os seus filhos acordarem sem abrigo no continente que os seus pais conquistaram – a referencia mais antiga desta citação data de 1937, dando-a como fazendo parte de uma carta para Albert Gallatin, secretário de estado do Tesouro, em 1802, mas não foi encontrado nenhum documento da época com esta frase; na altura não se usavam os termos inflação e deflação; possivelmente ter-se-á criado a atribuição a Thomas Jefferson no rescaldo da grande depressão de 1930, com base noutra afirmação dele, esta histórica: “A emissão de papel bancário (bank-paper, securities) deve ser suprimida e os meios de circulação devem ser restabelecidos ao serviço da nação a que pertencem”
Interessante, na verdade, como os presidentes americanos, desde o princípio, tentaram combater o poder financeiro (Obama: “não fui eleito para fazer o jogo dos senhores de Wall Street”, embora tenha aceite no seu governo os grandes “desreguladores” da crise financeira).
Faz-me lembrar o discurso de Eisenhower, contra o poder do complexo político-militar-industrial.
Ou por outras palavras, é mais o que une Adam Smith e Karl Marx do que o que os divide.
Ou, de como os ideais da Revolução americana de 1777 foram tão contrariados internamente como os da Revolução de outubro de1917.
Etiquetas:
Adam Smith; banqueiros,
Andrew Jackson,
Karl Marx,
Thomas Jefferson
Subscrever:
Mensagens (Atom)