segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

As fases ou estágios da convicção relativamente a um empreendimento


É interessante estudar o caso psicológico, sem esquecer as suas componentes sociológicas e antropológicas, da formação da convicção numa pessoa ou num grupo de pessoas.
Apressadamente deduzi este gráfico, para o aplicar às fases da aceitação até se constituir em convicção firme, de um empreendimento para o qual é necessário suscitar  a aceitação pública. Temos assim as seguintes fases:

1 - estranheza, choque, incredulidade ou rejeição quando a intenção do projeto é apresentada; o grau de expetativa de que o empreendimento tenha utilidade ou rentabilidade é negativo e mínimo. Pode acontecer que a rejeição seja de tal ordem, nomeadamente por existirem preconceitos ou condicionalismos políticos ou limitações financeiras, que a evolução se fique por aqui, sem passar à segunda fase
2 - duvidas, concordancia em analisar informações, pressão social por parte dos interessados, recordando que todos os grandes e bons projetos encontraram inicialmente oposição (é verdade, tal como os grandes e maus projetos); mantem-se negativo o grau de expetativa de sucesso para o empreendimento
3 - negociação, busca de vantagens suscetíveis de se retirarem do projeto, busca de compensações; efabulação ou imaginação de hipotéticas vantagens; os defensores originais do projeto aproveitam as duvidas dos opositores para melhorar aspetos do projeto,
4 - aceitação parcial, aumentando progressivamente o grau de expetativa de sucesso, que se torna positivo
5 - publicitação, ou propaganda, congregando-se em torno do pequeno núcleo original de defensores do  projeto uma opinião pública crescente por ação de grupos sociais, económicos ou políticos de apoio, como por exemplo (cito Flyvbjerg, "What causes cost overrun in transport infrastructure projects?" ) projetistas, empreiteiros, especuladores imobiliários, entidades locais que beneficiariam mesmo que a curto prazo apenas da realização do empreendimento, sem consideração do grau de benefício para entidades geográficas mais amplas, ou sem integrar o empreendimento numa escala geográfica mais ampla; cresce o grau de expetativa de sucesso
6 - euforia e entusiasmo, crença firme em que vai ser um sucesso; os apoiantes, de tantas vezes repetidas as virtudes do projeto e revendo-se e sentindo-se normalizados e integrados num grupo amplo, seguros da sua superioridade relativamente ao grupo dos opositores, têm o grau máximo de confiança no sucesso

No gráfico mostro dois exemplos:
 1 - após execução, verificou-se que o empreendimento era rentável ou gerava benefícios. Isso quer dizer que no inicio do processo a dissonancia entre o valor potencial do empreendimento e a expetativa era negativa, acabando por se tornar positiva na fase de euforia, embora "perdoada" por o empreendimento ser rentável, anulando-se a dissonancia na fase de publicitação, que neste caso tinha algum fundamento
 2 - após execução, verificou-se que o empreendimento era um flop, de benefícios inferiores aos esperados; no início do processo ainda a dissonancia era negativa  e de pequeno valor absoluto, mas rapidamente se anulou na fase de negociação, crescendo até valores elevados com a agravante do empreendimento não ter trazido benefícios

Referências:

Numa altura em que o país necessita de equilibrar as contas do seu PIB com investimentos sistemáticos, este tipo de análise parece importante submetendo cada intenção de empreendimento aos crivos de análises de custo-benefícios o mais rigorosas possível (pese embora o peso da subjetividade, uma vez que a engenharia não é uma ciencia exata e são frequentes as discordancias de técnicos sobre questões concretas, requerendo o recurso sistemático à experimentação e à modelização referendada) e de análises de integração de cada empreendimento em âmbitos mais alargados e em debates informados e alargados, com informação clara dos conflitos de interesses envolvidos.

Programa complexo, especialmente o estudo integrado de soluções em escala maior, quando pela frente há que resolver o que fazer com o projeto do terminal de contentores do Barreiro, já proposto a financiamento CEF, interligado com o plano de expansão da rede ferroviária, do proposto aeroporto do Montijo para fins civis, do NAL de Alcochete/Canha, da terceira travessia do Tejo, da rede suburbana de transporte metropolitano do sul do Tejo, do estudo de outros locais para terminal de contentores em Lisboa como o fecho da Golada, etc, etc.

Mesma problemática para a expansão da rede do metropolitano, da remodelação da linha de Cascais, do nó de Alcantara, etc, etc.





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