Patrícia Judite (PJ) é uma grande empresária cuja empresa lida com questões de grande interesse estratégico para a oikonomia ou gestão da casa de todos nós.
Patrícia , considerando os interesses estratégicos, preocupou-se em ter a cobertura de todo o território nacional, pelo que não surpreendeu o anúncio de uma grande filial no Porto, agregando um conjunto de funcionais edifícios num projeto de arquitetura que poderia figurar nas revistas internacionais. Poderia, porque o empreiteiro selecionado, a grande empresa Opviva, achou que os 114 milhões de euros não chegavam para a obra (a empresa de Patrícia não gastaria um cêntimo na obra, ficaria a pagar uma renda mensal de 643 mil euros durante 30 anos, qualquer coisa como 231,5 milhões a um juro de 5,43%; estava-se em agosto de 2009, a crise do subprime espalhava-se). Patrícia remexeu-se na sua cadeira de chairwoman até achar a solução. Havia anos que a sede de Lisboa não estava à altura do prestígio da empresa. E foi dito e feito. Para, disse ela, cumprir o código da contratação pública, fez uma consulta direta e confidencial a 5 empresas de que resultou a seleção da mesma Opviva para construir a dita sede lisboeta encostada a uma pequena colina, desistindo-se da obra do Porto. Coisa para 90 milhões de euros, mais um projeto de referência.
Porém, o entusiasmo com que o processo foi conduzido trouxe problemas. Do projeto fazia parte a construção de caves para estacionamento, equipamentos e armazens e respetivos acessos, encostados à pequena colina. E no cimo da pequena colina havia um prédio no topo de uma banda de edificios, que rapidamente abriu fendas e entrou em colapso eminente com o desalojamento de 30 moradores. A comprovada irreflexão da condução da obra levou ao estabelecimento de indemnizações aos prejudicados, mas passados mais de 10 anos o processo de indemnização ainda não está concluido. Durante esse tempo a Opviva oportunamente faliu e houve ainda um episódio significativo. Um dos diretores principais da empresa de Patrícia declarou publicamente que "É hoje claro que o crime organizado infiltrou o aparelho de Estado". E demitiu-se.
O universo das questiunculas da empresa de Patricia continua em expansão, normalmente ao sabor dos relacionamentos com empresas de construção civil. Curiosamente, o esquema repete-se, não só na empresa de Patrícia como em empresas congéneres. A pobre reguladora que supervisiona a atividade vê-se em palpos de aranha com a venda de edifícios antigos das empresas que entretanto ou alugam como inquilinas os mesmos edifícios ou compram terrenos que ficam à espera que algum grupo internacional faça uma bela obra para lhes ficarem a pagar uma renda. É o admirável mundo de Patrícia e da sua empresa cuja credibilidade se vai diluindo, apesar de alguns sucessos da sua produção.
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