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Muito bom
trabalho de Ana Suspiro e seu entrevistador. Permito-me contar a minha
experiencia. Talvez 2003 ou 2004 o metro resolveu deixar de investir na sua
própria equipa de manutenção de elevadores e escadas rolantes e adjudicar a manutenção
a empresas exteriores, seguindo o manta de que empresas privadas têm maior
eficiência e produtividade, e ao esmo tempo cortavam custos. Disse ao meu
colega da manutenção desses equipamentos (pessoalmente só tive experiencia de
manutenção no metro em equipamentos de telecomunicações, sinalização ferroviária
e controle de entradas) que não se metesse nisso porque o mercado em Portugal
não tinha dimensão para garantir uma assistência em permanência (prontidão) com
turnos e garantia de stocks de peças de reserva. Mas era uma decisão da
administração e do governo da altura pelo que foi para a frente. Curiosamente,
na primeira intervenção, no tapete rolante de Entrecampos, um jovem sem
experiencia, contratado pela empresa ganhadora provavelmente a recibos verdes,
esqueceu-se de um desperdício embebido
em óleo que, por atrito nos degraus quando se pôs o tapete a funcionar,
provocou um pequeno incêndio. De vez em quando, quando encontrava antigos
funcionários, lamentavam-se que só estavam à espera da reforma sem terem sido substituídos
e transmitido a sua prática aos novos que nunca entraram. Conhece-se o
resultado desta prática, baixam os
custos a curto prazo e sobem os de reposição das condições mais tarde ou
indemnizações por acidente.
Não se
trata de serem melhor ou piores empresas públicas ou privadas, trata-se de
analisar o que é preciso para garantir segurança, comodidade e rapidez, quanto
custa um quadro bem dimensionado e ver se o mercado tem condições para fornecer
o serviço (claro que dividindo em lotes, cada um correspondendo a uma ou duas
linhas poderá ser melhor que um contrato único). Se me vêm dizer que a
produtividade é superior numa privada, o diferencial de custos a favor da
privada terá de ser inferior ao lucro por ela esperado para o custo total ficar
abaixo do custo da pública. Mas a questão não é essa, é se o mercado nacional
dispõe de empresas que garantam as condições referidas acima. Porque se não tem
(confesso que não tenho neste momento elementos para concluir mas tenho
reservas que possam prestar a assistência nas condições que a equipa do metro
nos anos noventa prestava) .
Tive ainda
outra experiencia, para cumprimento da lei 163/2006 (atualizada com a 125/2017)
para a promoção da acessibilidade de pessoas com mobilidade reduzida. As administrações
formaram uma equipa pluridisciplinar para elaborar e concretizar um plano de elevadores
e sanitários ,as nunca a dotou nem de orçamento nem de autoridade hierárquica.
E os anos foram passando com graves insuficiências refletidas também pelas
sucessivas avarias e degradação dos equipamentos por falta de meios do metropolitano.
Foram olimpicamente desprezadas as soluções que propus para Jardim Zoológico, Entrecampos, Campo Grande e especialmente Baixa Chiado, em que o projeto inicial de elevador de ligação à superficie através de um prédio da Rua Ivens foi rejeitado devido a alguma mania das grandezas do arquiteto projetista mas que apesar de tudo se justificava.
Sem deixar
de ter alguma esperança na ação da atual administração, as principais sugestões
minhas são:
i) a constituição dum quadro interno do metro com
orçamento e poder hierárquico interdisciplinar para projeto e manutenção de
elevadores e escadas rolantes com recurso a fundos comunitários ao abrigo do
cumprimento do DL 163/2006 do PNPA (não
ter aproveitado o PRR foi mais um exemplo da negligência no tratamento deste
tema);
ii) recurso a rampas (evidentemente com câmaras
de vigilânica não obstaculizadas por pruridos de privacidade) em vez de
elevadores de superfície (há um bom exemplo, com rampas em espiral, no centro
comercial de Campo Pequeno);
iii) preferencialmente elevadores de superfície
com acesso direto aos cais e respetivas máquinas de venda de títulos e canais
de acesso, 2 elevadores por estação em vez de 3 como em Roma e já em Martim
Moniz, com economia de investimento e manutenção.
Quem tiver
paciência, muita e tempo, pode ver nesta ligação o que tenho escrito sobre o
assunto:
https://fcsseratostenes.blogspot.com/search?q=pnpa
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