segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Avarias em elevadores e escadas mecânicas no metropolitano de Lisboa

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Muito bom trabalho de Ana Suspiro e seu entrevistador. Permito-me contar a minha experiencia. Talvez 2003 ou 2004 o metro resolveu deixar de investir na sua própria equipa de manutenção de elevadores e escadas rolantes e adjudicar a manutenção a empresas exteriores, seguindo o manta de que empresas privadas têm maior eficiência e produtividade, e ao esmo tempo cortavam custos. Disse ao meu colega da manutenção desses equipamentos (pessoalmente só tive experiencia de manutenção no metro em equipamentos de telecomunicações, sinalização ferroviária e controle de entradas) que não se metesse nisso porque o mercado em Portugal não tinha dimensão para garantir uma assistência em permanência (prontidão) com turnos e garantia de stocks de peças de reserva. Mas era uma decisão da administração e do governo da altura pelo que foi para a frente. Curiosamente, na primeira intervenção, no tapete rolante de Entrecampos, um jovem sem experiencia, contratado pela empresa ganhadora provavelmente a recibos verdes, esqueceu-se  de um desperdício embebido em óleo que, por atrito nos degraus quando se pôs o tapete a funcionar, provocou um pequeno incêndio. De vez em quando, quando encontrava antigos funcionários, lamentavam-se que só estavam à espera da reforma sem terem sido substituídos e transmitido a sua prática aos novos que nunca entraram. Conhece-se o resultado desta  prática, baixam os custos a curto prazo e sobem os de reposição das condições mais tarde ou indemnizações por acidente.

Não se trata de serem melhor ou piores empresas públicas ou privadas, trata-se de analisar o que é preciso para garantir segurança, comodidade e rapidez, quanto custa um quadro bem dimensionado e ver se o mercado tem condições para fornecer o serviço (claro que dividindo em lotes, cada um correspondendo a uma ou duas linhas poderá ser melhor que um contrato único). Se me vêm dizer que a produtividade é superior numa privada, o diferencial de custos a favor da privada terá de ser inferior ao lucro por ela esperado para o custo total ficar abaixo do custo da pública. Mas a questão não é essa, é se o mercado nacional dispõe de empresas que garantam as condições referidas acima. Porque se não tem (confesso que não tenho neste momento elementos para concluir mas tenho reservas que possam prestar a assistência nas condições que a equipa do metro nos anos noventa prestava) .

Tive ainda outra experiencia, para cumprimento da lei 163/2006 (atualizada com a 125/2017) para a promoção da acessibilidade de pessoas com mobilidade reduzida. As administrações formaram uma equipa pluridisciplinar para elaborar e concretizar um plano de elevadores e sanitários ,as nunca a dotou nem de orçamento nem de autoridade hierárquica. E os anos foram passando com graves insuficiências refletidas também pelas sucessivas avarias e degradação dos equipamentos por falta de meios do metropolitano.

Foram olimpicamente desprezadas as soluções que propus para Jardim Zoológico, Entrecampos, Campo Grande e especialmente Baixa Chiado, em que o projeto inicial de elevador de ligação à superficie através de um prédio da Rua Ivens foi rejeitado devido a alguma mania das grandezas do arquiteto projetista mas que apesar de tudo se justificava.

Sem deixar de ter alguma esperança na ação da atual administração, as principais sugestões minhas são:

i) a constituição dum quadro interno do metro com orçamento e poder hierárquico interdisciplinar para projeto e manutenção de elevadores e escadas rolantes com recurso a fundos comunitários ao abrigo do cumprimento do DL 163/2006 do PNPA  (não ter aproveitado o PRR foi mais um exemplo da negligência no tratamento deste tema); 

ii) recurso a rampas (evidentemente com câmaras de vigilânica não obstaculizadas por pruridos de privacidade) em vez de elevadores de superfície (há um bom exemplo, com rampas em espiral, no centro comercial de Campo Pequeno); 

iii) preferencialmente elevadores de superfície com acesso direto aos cais e respetivas máquinas de venda de títulos e canais de acesso, 2 elevadores por estação em vez de 3 como em Roma e já em Martim Moniz, com economia de investimento e manutenção.

 

 

Quem tiver paciência, muita e tempo, pode ver nesta ligação o que tenho escrito sobre o assunto:

https://fcsseratostenes.blogspot.com/search?q=pnpa 

 


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