Como comentário ao artigo em que o professor Cortez considera como incompetentes os professores que elaboraram exames de Português https://www.publico.pt/2026/08/05/opiniao/opiniao/verdade-factos-ninguem-quer-debater-educacao-pobres-espirito-2183983 estabeleci uma analogia com os técnicos que trabalham na ferrovia e no seu planeamento.
Caro prof.Cortez, julgo compreender a sua indignação.
Permito-me fazer uma analogia, eu como técnico de transportes (reformado)
comparando o seu ministro da Educação com o meu ministro dos Transportes. Ambos
sistematica e continuamente detentores da razão, para quem quaisquer críticas,
de técnicos ou de professores, são olimpicamente ignoradas. Fala o prof.Cortez
em "prova cabal de incompetência científica por parte de quem concebe os
exames". Não serei tão drástico embora sinta a tentação forte de estender
a classificação aos nossos ministros. Não será incompetência nem ignorância,
antes constrangimento inelutável que impede que os conhecimentos profissionais
se sobreponham às decisões oportunisticamente políticas. Técnicos, professores e
ministros sabem que estão a errar, mas a orientação superior, padecendo de mais
ou menos ideologia e de provinciano (no sentido dado por Sophia)
reformismo, vai guiando progressivamente as médias do Português para cada vez
mais baixo, vai guiando progressivamente a ferrovia dita de Alta Velocidade, as
mercadorias sem ligação regulamentar à Europa das exportações, as redes de
metro decididas em gabinetes ministeriais ou de autarquias sem experiência de
exploração de redes (pobre linha circular, nem sequer pode ser em laço), tudo
conduzindo a deficientes ordenamentos de territórios. O seu ministro, que na
comissão técnica do NAL apresentou um tosco traçado de acesso ao
aeroporto, só quis reduzir o número de organismos sem atender à sua eficiência.
O meu ministro não quer ouvir falar na revogação das resoluções que aprovam o
PFN e entregam de mão beijada e acrítica à IP e seus consultores a definição de
traçados de alta velocidade, por mais erradas que sejam a localização da TTT e
da estação principal de Lisboa; não quer a solução de um concurso internacional para seleção de consultor de referência. Técnicos, professores e consultores de
ministros estudaram nas universidades regras da educação e normas técnicas das
infraestruturas. Não as cumprem, sabem-no, não são incompetentes, são forçados
a cometer erros.Os senhores ministros "rebaixam-nos à condição de animais
mecânicos", têm fé que os seus consultores de comunicação esses sim, são
competentes. Eu diria que deveriam ter mais cuidado com essa ideia, uma coisa é
o que dizem, outra coisa é a realidade.A nós atormentam-nos para onde
tendem, com a convergência da sabedoria iluminada dos nossos ministros, as
imagens da Ofélia educação e da Ofélia ferrovia flutuando, vítimas da
manipulação, nas águas da degradação e ineficiência.
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