quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Comentário a um artigo do professor António Cortez

 

Como comentário ao artigo em que o professor Cortez considera como incompetentes os professores que elaboraram exames de Português           https://www.publico.pt/2026/08/05/opiniao/opiniao/verdade-factos-ninguem-quer-debater-educacao-pobres-espirito-2183983          estabeleci uma analogia com os técnicos que trabalham na ferrovia e no seu planeamento. 



Caro prof.Cortez, julgo compreender a sua indignação. Permito-me fazer uma analogia, eu como técnico de transportes (reformado) comparando o seu ministro da Educação com o meu ministro dos Transportes. Ambos sistematica e continuamente detentores da razão, para quem quaisquer críticas, de técnicos ou de professores, são olimpicamente ignoradas. Fala o prof.Cortez em "prova cabal de incompetência científica por parte de quem concebe os exames". Não serei tão drástico embora sinta a tentação forte de estender a classificação aos nossos ministros. Não será incompetência nem ignorância, antes constrangimento inelutável que impede que os conhecimentos profissionais se sobreponham às decisões oportunisticamente políticas. Técnicos, professores e ministros sabem que estão a errar, mas a orientação superior, padecendo de mais ou menos ideologia e  de provinciano (no sentido dado por Sophia) reformismo, vai guiando progressivamente as médias do Português para cada vez mais baixo, vai guiando progressivamente a ferrovia dita de Alta Velocidade, as mercadorias sem ligação regulamentar à Europa das exportações, as redes de metro decididas em gabinetes ministeriais ou de autarquias sem experiência de exploração de redes (pobre linha circular, nem sequer pode ser em laço), tudo conduzindo a deficientes ordenamentos de territórios. O seu ministro, que na comissão técnica do NAL apresentou um tosco traçado de acesso  ao aeroporto, só quis reduzir o número de organismos sem atender à sua eficiência. O meu ministro não quer ouvir falar na revogação das resoluções que aprovam o PFN e entregam de mão beijada e acrítica à IP e seus consultores a definição de traçados de alta velocidade, por mais erradas que sejam a localização da TTT e da estação principal de Lisboa; não quer a solução de um concurso internacional para seleção de consultor de referência.  Técnicos, professores e consultores de ministros estudaram nas universidades regras da educação e normas técnicas das infraestruturas. Não as cumprem, sabem-no, não são incompetentes, são forçados a cometer erros.Os senhores ministros "rebaixam-nos à condição de animais mecânicos", têm fé que os seus consultores de comunicação esses sim, são competentes. Eu diria que deveriam ter mais cuidado com essa ideia, uma coisa é o que dizem, outra coisa é a realidade.A nós atormentam-nos  para onde tendem, com a convergência da sabedoria iluminada dos nossos ministros, as imagens da Ofélia educação e da Ofélia ferrovia flutuando, vítimas da manipulação, nas águas da degradação e ineficiência. 


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