Meus queridos amigos
Como eu gostaria que vocês ouvissem um bocadinho só que fosse do que vos digo.
Eu sei que vocês têm tendencia para análises olhos nos olhos mas quando é assim fazem falta outros olhos para ajudar a análise.
Não devemos ter certezas e o que mais se aproximar delas deve ser suscetível de ser referendado, de acordo com os princípios do método científico, coisa que, certamente partilharão comigo.
Eu penso que vocês têm razão quando dizem que o relatório da ONU sobre a Coreia do Norte não é credível.
Claro que pode não ser rigoroso na descrição dos factos, que pode empolar acontecimentos, omitir outros que poderiam servir de atenuantes ou tender para servir um objetivo mais ou menos escondido.
Claro, claro, mas empolar de uma execução para 200 não é o essencial. O essencial é que uma execução já é intoleravelmente demais.
Intoleravelmente.
Como intolerável é haver uma dinastia de chefes de Estado (claro que se aplica às monarquias europeias) e não haver liberdade de expressão e de iniciativa económica (onde é que está escrito em Marx e até em Lenine que um cidadão ou uma cidadã não pode montar um negócio? escrito que não pode explorar o próximo está, mas que não pode montar um negócio não).
Por isso eu vos peço para reverem o vosso voto contra a condenação do regime da Coreia do Norte.
Até porque, e digo com sinceridade, o regime da Coreia do Norte usurpou os ideais socialistas e comunistas ao limitar a liberdade de expressão. O povo que trabalha e que não vota nos partidos comunistas não é "lumpen", simplesmente os militantes dos partidos comunistas não demonstraram convenientemente a ideia da solidariedade universal, não a defesa de interesses individuais.
Por isso o regime da Coreia do Norte não ajuda o partido comunista português a colaborar na mudança da desgraça em que o atual governo e a troika nos querem. Socialismo e comunismo não é o que faz a Coreia do Norte e nunca poderá ser imposto se a população não quiser.
Vocês deviam estar zangados com o regime da Coreia do Norte, não apoiá-los ou virar a cara para o outro lado.
Ser-se socialista ou comunista não se esgota em Marx. As coisas evoluiram e o método cientifico permitiu descobrir coisas que Marx não podia sonhar.
Mas a ideia de solidariedade mantem-se, e não é o regime da Coreia do Norte que a defende.
Por isso escrevi isto, para vos pedir que revejam a vossa posição.
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domingo, 2 de março de 2014
Meus queridos amigos do partido comunista português
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Coreia do Norte,
partido comunista português
sábado, 24 de dezembro de 2011
Cinemateca II - O enviado da Manchuria
É de muito interesse para os amadores de psicologia observar a reação dos coreanos do norte à morte do dirigente máximo.
Igualmente é interessante a reação dos meios de comunicação social.
Rapidamente foi recordado o filme "O enviado da Manchuria", que divulgou o conceito de "lavagem ao cérebro", para explicar o comportamento emocional e excessivo nas lamentações públicas.
Na verdade, tudo indica que o cérebro humano é suscetível de criar ou de ser levado a criar ídolos e normas de comportamento de cumprimento imperioso.
Assim se desenvolvem religiões e ideologias, muitas vezes com graves deformações relativamente aos ideais originais.
Marx, por exemplo, e esta devo-a a Cristopher Hitchins, cujo falecimento foi recentemente noticiado, nunca disse que a religião é o ópio do povo. Disse sim que a religião é o suspiro dos oprimidos.
O culto da personalidade, a entrega do poder a um grupo restrito de profissionais da politica será provavelmente uma degenerescencia tipo tumoral do ideal primitivo que defendia a participação coletiva.
A capacidade do cérebro humano de criar ídolos e mitos explicará assim essas degenerescencias.
Por outro lado, a insistencia numa visão de superioridade relativamente a comportamentos como o das populações da Coreia do Norte transmitidos pela televisão, atribuindo fenómenos meteorológicos à intenção da natureza em chorar a morte do dirigente, ou contemplando em extase, sob um nevão, essas lamentações da natureza, em nada ajudam um diálogo consistente entre culturas diferentes.
Porque o que estará em causa é a compreensão e a divulgação do funcionamento do cérebro de seres vivos com o mesmissimo código genético e a necessidade de estudar estes fenómenos de criação de mitos.
As pessoas que ouviram religiosamente o arcebispo do Haiti explicar que o terramoto aconteceu porque o povo se tinha comportado indevidamente ou o padre Malagrida sobre as causas do terramoto de 1755 acreditaram firmemente no que lhes disseram.
Assim como as pessoas que no milagre de Fátima viram o sol a rodopiar excitaram as mesmas zonas do cortex cerebral que as pessoas que na Coreia do Norte assistiram à natureza a chorar a morte do dirigente.
Conheci um soldado americano a quem apresentei argumentos contra a guerra do Iraque.
Foi uns anos antes de Obama. Impossível trocar argumentos. Apenas que os USA tinham de defender os seus interesses (o mesmo argumento unico de Hitler relativamente à Alemanha e aos paises que se via forçada a ocupar).
Parecerá portanto que o diálogo exige, antes de se conseguir chegar à troca de argumentos e à modificação das posições de partida com base na nova informação contida nos argumentos, que se compreenda como o cérebro funciona e como ele se deixa enganar pelas construções virtuais que ele próprio cria.
Será depois importante comparar as regras de ouro (ética da reciprocidade - ver
http://en.wikipedia.org/wiki/The_Golden_Rule ) das culturas em presença.
E passar depois à argumentação, com exposição até ao fim e provas de que foi compreendido (eis porque citei a não citação do ópio do povo).
Apesar dos interesses geo-estratégicos, da luta pelo petróleo, dos grandes negócios internacionais com mais ou menos off-shores, etc, etc.
Igualmente é interessante a reação dos meios de comunicação social.
Rapidamente foi recordado o filme "O enviado da Manchuria", que divulgou o conceito de "lavagem ao cérebro", para explicar o comportamento emocional e excessivo nas lamentações públicas.
Na verdade, tudo indica que o cérebro humano é suscetível de criar ou de ser levado a criar ídolos e normas de comportamento de cumprimento imperioso.
Assim se desenvolvem religiões e ideologias, muitas vezes com graves deformações relativamente aos ideais originais.
Marx, por exemplo, e esta devo-a a Cristopher Hitchins, cujo falecimento foi recentemente noticiado, nunca disse que a religião é o ópio do povo. Disse sim que a religião é o suspiro dos oprimidos.
O culto da personalidade, a entrega do poder a um grupo restrito de profissionais da politica será provavelmente uma degenerescencia tipo tumoral do ideal primitivo que defendia a participação coletiva.
A capacidade do cérebro humano de criar ídolos e mitos explicará assim essas degenerescencias.
Por outro lado, a insistencia numa visão de superioridade relativamente a comportamentos como o das populações da Coreia do Norte transmitidos pela televisão, atribuindo fenómenos meteorológicos à intenção da natureza em chorar a morte do dirigente, ou contemplando em extase, sob um nevão, essas lamentações da natureza, em nada ajudam um diálogo consistente entre culturas diferentes.
Porque o que estará em causa é a compreensão e a divulgação do funcionamento do cérebro de seres vivos com o mesmissimo código genético e a necessidade de estudar estes fenómenos de criação de mitos.
As pessoas que ouviram religiosamente o arcebispo do Haiti explicar que o terramoto aconteceu porque o povo se tinha comportado indevidamente ou o padre Malagrida sobre as causas do terramoto de 1755 acreditaram firmemente no que lhes disseram.
Assim como as pessoas que no milagre de Fátima viram o sol a rodopiar excitaram as mesmas zonas do cortex cerebral que as pessoas que na Coreia do Norte assistiram à natureza a chorar a morte do dirigente.
Conheci um soldado americano a quem apresentei argumentos contra a guerra do Iraque.
Foi uns anos antes de Obama. Impossível trocar argumentos. Apenas que os USA tinham de defender os seus interesses (o mesmo argumento unico de Hitler relativamente à Alemanha e aos paises que se via forçada a ocupar).
Parecerá portanto que o diálogo exige, antes de se conseguir chegar à troca de argumentos e à modificação das posições de partida com base na nova informação contida nos argumentos, que se compreenda como o cérebro funciona e como ele se deixa enganar pelas construções virtuais que ele próprio cria.
Será depois importante comparar as regras de ouro (ética da reciprocidade - ver
http://en.wikipedia.org/wiki/The_Golden_Rule ) das culturas em presença.
![]() |
| Golden rule, por Norman Rockwell |
E passar depois à argumentação, com exposição até ao fim e provas de que foi compreendido (eis porque citei a não citação do ópio do povo).
Apesar dos interesses geo-estratégicos, da luta pelo petróleo, dos grandes negócios internacionais com mais ou menos off-shores, etc, etc.
Etiquetas:
cérebro,
Coreia do Norte,
regra de ouro,
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