O Magalhães, o insigne professor e a queixa na Ordem do Engenheiros
Azar.
No meio do êxito, o azar da escola da minha mulher. É uma escola do 2º e 3º ciclo, escondida no bairro, atrás de umas ruas pacatas e da “Queen’s School”.
Tem menino(a)s da Musgueira e de Chelas (a escola da minha mulher, não a “Queen’s School”), já não tem da Quinta da Montanha (umas barracas ao pé do Areeiro) nem do Bairro do Relógio (foram realojados em bairros “sociais” projectados por arquitectos premiados), mas também tem menino(a)s de Alvalade e da Avenida de Roma.
Não tem é Magalhães. Nem um. Estão à espera.
Não me choca.
O que me choca é a propaganda que fazem quando o distribuem.
O que me choca é o “e-escolinhas” não ter sido alvo de concurso público (parece que no “e-escolas” o ónus da selecção dos fornecedores ficou para as operadoras…dispensando os requisitos do novo código de contratação pública - CCP ).
O que choca é que eu não consegui vencer as dificuldades do código de contratação pública e não consegui fazer os concursos para a adaptação da estação de Colégio Militar do Metro para os cidadãos e cidadãs com deficiências motoras.
Se a elevação do objectivo do “e-escolinhas” justifica a dispensa dos requisitos do CCP, a elevação do objectivo de não discriminação daqueles cidadãos e cidadãs também justificava. Por que sou eu menos do que os decisores do “e-escolinhas”?
Lógico que isso me indigne, não acham?
E se pensarmos que o CCP também foi dispensado na contratação de um insigne professor de Direito Administrativo para redigir o projecto de lei do novo regime de fundações?
E se analisarmos bem as razões dadas pelo ilustre adjudicatário por ajuste directo sem consulta plural para assegurar as regras da concorrência? (não devia ser a entidade adjudicante a justificar-se?)
Vejam as razões: “Os quadros da administração central são de qualidade intermédia, por isso mal pagos, e não tinham capacidade para uma empreitada destas”.
Eu pasmo e recordo o que se passou comigo há muitos anos: fiz um caderno de encargos e uma proposta de adjudicação, o concurso foi anulado e contratado um consultor para fazer o caderno de encargos; o caderno de encargos que saiu era muito parecido com o original. Pudera, consegui convencer os consultores que aquele artigo que eles queriam tirar, não podiam, porque a tecnologia tinha evoluído naquele sentido e já ninguém fabricava como eles queriam. A coisa acabou com uma queixa minha na Ordem dos Engenheiros por me alterarem um trabalho meu sem a minha concordância. A Ordem mandou arquivar a queixa e alterou a redacção do artigo do código deontológico em que eu me tinha baseado. Histórias de quando eu era jovem.
Agora que sou velho, continuo a ver consultores a serem chamados por não acreditarem em mim.
Deficiência minha, certamente.