A desgraça e a guerra da Ucrania levou-me a pesquisar a história antiga da região.
Para além da importancia do principado de Kiev e do seu chefe Vladimir (980-1015) na formação da nacionalidade russa (com recurso à cristianização para a unificação do seu estado, liquidando toda a cultura pagã), chamou-me a atenção uma referencia da primeira crónica das tribos eslavas (856). As tribos eslavas e finlandesas que ocupavam a região de Novgorod aos Urais e até ao mar negro pagavam tributo aos povos vizinhos e estavam em permanente sobressalto com a invasão dos vikings, descendo do Báltico para sul. Por essa altura conseguiram repeli-los, mas não se entendendo entre si, enviaram aos vikings o seguinte recado:
"A nossa terra é grande e rica, mas falta-lhe a ordem; venham, sejam os nossos principes e governem-nos"
Segundo a historia da Russia que consultei (Histoire de la Russie, des origines a 1917, de Pierre Pascal, ed Presses Universitaires de France), essa data, 856, é a da fundação do estado russo.
Faz lembrar, talvez apenas em parte, o cronista de Julio Cesar," os lusitanos não deixam que ninguem os governe, mas não se sabem governar. "
Ao menos se com os fundos comunitários viessem os gestores para os ditos...talvez se conseguisse equilibrar o saldo orçamental (saldo orçamental=investimento privado e fundos comunitários menos poupanças, mais exportações e menos importações).
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domingo, 28 de setembro de 2014
A propósito da guerra da Ucrania
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quinta-feira, 20 de março de 2014
O nervoso dos mercados
O diretor da empresa discográfica gostava de se sentar à mesa de gravação e regular a intensidade do sinal nos vários canais de gravação.
Os técnicos, avisados da visita do diretor, reduziam a sensibilidade dos controles. O diretor entretinha-se a empurrar para trás e para a frente os potenciómetros, convencido que estava a influenciar a gravação.
Assim os economistas que nos governam se entreteem a acalmar o nervosismo dos mercados embora os potenciómetros que controlam os juros escapem completamente ao controle seja de quem for.
Isto a propósito da crença que nos querem impor de que qualquer protesto provoca aumento de juros.
Por acaso, e porque o comportamento das muitas variáveis não é controlável, até pode acontecer que os juros baixem depois de ações que provocariam o nervosismo dos mercados.
Por exemplo, depois de o próprio primeiro ministro se ter queixado de que o FMI tinha um discurso ao nivel da direção e outro ao nivel dos seus enviados especiais e que isso revelava alguma hipocrisia, os juros baixaram.
E agora, depois da apresentação do manifesto dos 70 para a reestruturação do excesso da divida sobre os 60%, não é que os juros a 10 anos desceram aos 4,43%?
Claro que ironizo, o movimento dos juros é internacional e não é a nossa pequenina economia a principal causa do seu movimento, e os tais mercados estrangeiros detêm apenas 23,1%, ou 50.000 milhões da divida publica. Os restantes mercados suscetiveis de se enervarem são a troika, com 74.000 milhões, ou 34,4% da divida total, e os bancos, seguradoras e particulares nacionais, com 92.000 milhões e 42,5% da divida.
Nervoso fico eu, quando vejo que o investimento estrangeiro em 2011 foi de 8.000 milhões de euros, em 2012 de 6.600 milhões e em 2013 de 2.300 milhões.
E que a variação do investimento liquido em 2013 foi de -4%, isto é, a capacidade produtiva ou os ativos em 2013 diminuiram em relação a 2012.
E que as importações continuaram a subir.
O pobre governo não quer ouvir falar destes aspetos negativos. Prefere empolar os indicadores positivos.
Em psicologia social chama-se a isto o instinto da sobrevivencia, querer acreditar na prevalencia dos sucessos sobre os insucessos.
Mas seria melhor atender à equação do saldo orçamental igual ao investimento e exportações menos poupanças e importações. Sem investimento nada feito.
PS em 21 de março - Apenas para registo e comparação, as taxas de juro a 10 anos dos outros PIIGS:
Grecia 6,9
Irlanda 3,1
Itália e Espanha 3,4
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domingo, 12 de janeiro de 2014
taxa de desemprego=desempregados inscritos/(desempregados inscritos+empregados registados)
Desculpem insistir, caros concidadãos e concidadãs de boa vontade do partido maioritário, no que vos disse em
https://www.blogger.com/blogger.g?blogID=8324446730271013022#editor/target=post;postID=206611505608283997;onPublishedMenu=allposts;onClosedMenu=allposts;postNum=2;src=link
Devemos ficar contentes por qualquer melhoria, mesmo pequena nos indicadores, mas o indicador da taxa de desemprego não tem uma melhoria consistente.
É uma questão de matemática, simples mas de assimilação suscetivel de confusão.
Taxa de desemprego (td) é igual ao numero de desempregados inscritos na procura de trabalho (D) a dividir pela soma desse numero com a população empregada devidamente registada (E).
É esse o indicador que é apresentado como melhorando.
De facto melhora, não só graças ao aumento de 48.000 da população empregada do 2º para o 3º trimestre, o que se saúda, mas principalmente à custa da emigração e das ações de formação que retiram unidades à quantidade de desempregados.
Fórmula: td = D/(D+E)
Fazendo para um dado trimestre:
D=800 mil
E=4500 mil
teremos:
td=800/5300=15,94%
Supondo que no trimestre seguinte saem do grupo D 50 mil emigrantes e formandos, os novos valores serão:
D=750mil
E=4500 mil
td=14,28%
isto é, mesmo sem aumentar a população empregada, a taxa de desemprego baixou 10,4%
Para monitorizar melhor a evolução dos indicadores, eu penso que nos deviamos concentrar mais no saldo orçamental, aumentando o investimento à custa dos fundos europeus e das poupanças e aumentando as exportações e contendo as importações.
https://www.blogger.com/blogger.g?blogID=8324446730271013022#editor/target=post;postID=206611505608283997;onPublishedMenu=allposts;onClosedMenu=allposts;postNum=2;src=link
Devemos ficar contentes por qualquer melhoria, mesmo pequena nos indicadores, mas o indicador da taxa de desemprego não tem uma melhoria consistente.
É uma questão de matemática, simples mas de assimilação suscetivel de confusão.
Taxa de desemprego (td) é igual ao numero de desempregados inscritos na procura de trabalho (D) a dividir pela soma desse numero com a população empregada devidamente registada (E).
É esse o indicador que é apresentado como melhorando.
De facto melhora, não só graças ao aumento de 48.000 da população empregada do 2º para o 3º trimestre, o que se saúda, mas principalmente à custa da emigração e das ações de formação que retiram unidades à quantidade de desempregados.
Fórmula: td = D/(D+E)
Fazendo para um dado trimestre:
D=800 mil
E=4500 mil
teremos:
td=800/5300=15,94%
Supondo que no trimestre seguinte saem do grupo D 50 mil emigrantes e formandos, os novos valores serão:
D=750mil
E=4500 mil
td=14,28%
isto é, mesmo sem aumentar a população empregada, a taxa de desemprego baixou 10,4%
Para monitorizar melhor a evolução dos indicadores, eu penso que nos deviamos concentrar mais no saldo orçamental, aumentando o investimento à custa dos fundos europeus e das poupanças e aumentando as exportações e contendo as importações.
saldo orçamental = investimento privado ou comunitário - poupanças
privadas + exportações – importações
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sexta-feira, 8 de novembro de 2013
Fome em Portugal
Um amigo enviou-me este texto do blogue Aventar.
Trata da fome em Portugal.
Numa altura em que é divulgado o enriquecimento dos mais ricos e o aumento da distancia entre os mais ricos e os pobres, parece evidente que o sistema económico e financeiro dominante na UE não serve, porque afinal há geração de riqueza, com apropriação concentrada em menos, e há investimento financeiro sem produção de bens transacionáveis.
Não cumpre dois critérios básicos da Declaração Universal dos Direitos Humanos: direito ao trabalho e direito a condições dignas de vida.
Não vale apena entretermo-nosem discussões frívolas do tipo da discussão com Isabel Jonet, tudo indica ser uma questão estrutural do sistema.
Devia mudar, é inútil os senhores da troika, os seus seguidores que deteem o poder em Portugal, os financeiros, os comentadores apoiantes do governo, virem dizer que por via indireta ospobres saem beneficiados quando a economia melhorar.
Ficam os senhores do BCE muito contentes com a baixa da taxa de juro.
De facto dá jeito a quem tem de pagar a prestação da casa, mas acreditam em fadas? acreditam que os "investidores" (que preferem "investir" em virtualidades financeiras e não na produção de bens transacionáveis) vão investir, nomeadamente no que reduziria os seus beneficios derivados da cumplicidade e promiscuidade com ospoderes politicos? Quem vai investir numa fábrica cujos produtos vão render menos do que a taxa de juro que têm de pagar aos bancos, para eles poderem ter uma "margem financeira"?
As equações do PIB e do saldo orçamental são claras:
PIB = consumo privado + investimento privado + despesas públicas +
exportações – importações
saldo orçamental = investimento privado ou comunitário - poupanças
privadas + exportações – importações
- Não basta aumentar as exportações (sabendo-se que 50% das exportações são de combustíveis refinados após importação dos combustíveis brutos),
- as importações têm de ser contidas, não por diminuição abusiva do poder de compra mas por aplicação de taxas de carbono (justifica-se uma politica de contenção da procura interna, não se justifica uma politica de empobrecimento)
- não devem conter-se cegamente as despesas publicas, devendo aplicar-se fundos comunita´rios no desenvolvimento das infraestruturas que dão suporte à economia com mais eficiencia energética
- não devem deixar-se acumular as poupanças sem serem aplicadas no investimento na produção de bens transacionáveis, embora se saiba que isso vai prejudicar o negócio dos importadores
- Se o PIB crescer, ou se simplesmente for melhor contabilizado incorporando economia paralela (sem perseguições), o mesmo valor do défice em percentagem corresponderá a um valor absoluto superior, permitindo maior despesa pública, por exemplo.
- é essencial aumentar o investimento (se o privado o não fizer, esse aumento só poderá vir através dos fundos comunitários que para isso prevêem 20 mil milhões de euros de 2014 a 2020, temendo-se que se queira utilizar esse dinheiro como banco de empréstimos a pequenas empresas, quando para isso há os bancos resgatados com dinheiro do BCE)
Que não venha o governo dizer que não há alternativas aos cortes.
Deixem-se de recusas sistemáticas de considerar as sugestões que a sociedade civil lhes faz.
Deixem-se de desmerecer da utilidade da proposta, por exemplo, de protelar o pagamento das rendas das PPP
Aceitem o parecer dos técnicos que calcularam que as obras realizadas pelos concessionários das PPP e financiadas pelos bancos poderiam ter sido realizadas por metade do preço de custo se geridas pelas empresas públicas dos respetivos domínios (esta a base para renegociar o volume de pagamentos)
Considerem a taxa Tobin, há mais de 5 anos proposta na Assembleia da Republica e recusada pelos 3 partidos do “arco da governação”
E para que não digam que não há dinheiro, considerem a proposta já com 2 anos do reitor da universidade de Coimbra, uma taxa por cada transação no multibanco sem repercussão no cliente (até as cadeias de supermercados inventam campanhas de arredondamento).
Mas não digam que não há alternativa nem dinheiro.
Há sim incapacidade de organização da comunidade em formação de combate à crise.
Ou então aceitem a sugestão do FMI, tímida, muito tímida por enquanto, de taxar os depósitos e as aplicações financeiras de mais de 100.000 euros.
Não se escandalizem, nem rasguem as vestes gritando que os investidores vão sair do país.
Talvez não fosse mau, deixando espaço para outros investimentos, que os há, sempre.
As fórmulas do PIB e do saldo orçamental foram retiradas de "Economia para todos" de David Moss, ed. Academia do livro, de onde retirei tambem a seguinte citação:
"... alguns estudiosos de Macroeconomia ... preferem acreditar que as relações económicas definidas nos seus manuais são regras invioláveis. Este tipo de arrogancia, ou estreiteza de pensamento, torna-se um verdadeiro perigo para a sociedade quando afeta os responsáveis politicos pela macroeconomia. O responsável pela politica que acredita que sabe exatamente como a economia irá responder a um estímuloo específico é, na verdade, um responsável politico muito perigoso".
Impressionante, como um distante professor de Harvard diagnosticou o pobre Portugal destes anos de fome, onde se ouve no Parlamento um membro do governo dizer que este sabe muito bem para onde vai.
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